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quinta-feira, 28 de julho de 2022

Cantiga Por Itabuna

Eglê S. Machado


 

Adornei um relicário

e o enchi de amor e vida,

pra no teu aniversário

te ofertar, terra querida!

 

Itabuna  - tom vibrante,

gingado do meu compasso

na cadência aconchegante

do teu suave regaço.

 

Lírios, para a cidade

que  tanta vida me deu:

Deu-me paz, luz, liberdade,

E me amou, me acolheu!

 

Vigor, ventura, nobreza,

trabalho, paz e fortuna:

construí minha riqueza

em ti, amada Itabuna!

 

Parabéns, bela cidade

do glorioso São José!

Para ti felicidade,

muita Paz e grande fé!




* * *

domingo, 5 de agosto de 2018

GERALDO MAIA PARA EGLÊ: Há 6 anos... - Água de Palavra

ITABUNA, TERRA AMADA!
3 de agosto de 2012 às 08:25 


ÁGUA DE PALAVRA

Para Eglê Machado pelo centenário de nossa amada Itabuna


Por favor, amiga, fale um pouco de tua cidade, de suas ruas e sombras, das casas de cochilo, dos litros de mar engasgado.

Por favor, fale das esquinas de tua cidade onde o vento bêbado passeia aos trancos à cata de sonhos sem par.

Fale para mim das flores que saltam nas vidraças como aranhas cegas, e do menino na praça com seu picolé calado lambido de olho na pipa com preguiça.

Fale, por favor, da velha, aquela na janela perto da lua com gestos sem memória.

Qualquer coisa serve, pode ser daquelas moças que com seus risos rútilos desafiam muros e que perfume mora em seus lábios, mel de sol e cor de chuva, pele tatuada de ternura, lindas e puras ateiam o amor nas conversas que tropeçam no organdi das coxas.

Moça, por favor,  fale daquele namorado no ponto de táxi com uma rosa rouca, a boca pronta para o silêncio.

Fale para mim de quando te vi vindo daquela rua tímida perto da igreja úmida, e que estavas nua, apenas o amor vestia tua nudez de água de palavra.

Geraldo Maia, poeta.
Estudou Jornalismo na instituição de ensino PUC-RIO (incompleto)
Estudou na instituição de ensino ESCOLA DE TEATRO DA UFBA
Coordenou Livro, Leitura e literatura na empresa Fundação Pedro Calmon
Trabalha na empresa Folha Notícias.

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Eglê S. Machado para Geraldo Maia Santos Santos:
3 de agosto de 2012 às 08:50  

Oh, meu caro amigo, quanta inspiração, quanta beleza no teu jeito terno de poetizar chorando a saudade de tua amada Itabuna!
Geraldo Maia, meu querido irmão/amigo, volta para o regaço da tua terra Natal, vem trazendo o teu meigo encanto, vem cantar teu doce canto, vem encantar Itabuna com a tua poesia rica de amor e luz.

Me pedes para falar da minha cidade e eu te digo: cada esquina deste rincão grapiúna, os ventos, as aranhas cegas, a velha da janela, as moças de risos rútilos, tudo em Itabuna vive na esperança da chegada de Geraldo Maia, o menino que na praça muitas vezes lambendo um picolé com os olhos na pipa fez Itabuna sorrir vibrante, com um orgulho enorme de ser sua mãe.

Aqui tudo continua encantador, mas o encanto de vez em quando é quebrado pela falta que sentimos de ti.

Volta poeta, aqui é o teu lugar!... Também o site ITABUNA CENTENÁRIA-ICAL  https://cemanosdeitabuna.blogspot.com/ está com saudades de ti!...

Eglê S. Machado, poetisa.
Academia Grapiúna de Letras-AGRAL



* * *

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

OS HERÓIS - Florisvaldo Mattos

ITABUNA, TERRA AMADA!

(Infinita memória de Tabocas) 

A Cyro de Mattos e em memória de saudosos amigos itabunenses: Agostinho, Carlito Barreto, Dedé, Edson Cordier, Eraldo Cerqueira Gomes, Fernando Menezes Dantas, Dr. Gervásio Santos, Hélio Nunes, Hélio Pólvora, Manoel Leal de Oliveira, Raleu Baracate, Ruy Cedar Fontes, Telmo Padilha, Vidal, os irmãos Vitório e Zequinha Carmo.

Florisvaldo Mattos


Ao redor de um jequitibá 

A mata vai gemendo, e a terra estremece...
                                            E o matagal cortado em fúria desfalece.
                                         Nataniel Ruben Ribeiro Gonçalves (1960)

Com as flores de mil novecentos e onze,
Saúda-se uma construção dos homens,
Primeiro trem-de-ferro em Itabuna.
Estação branca e verde, vigamentos
E colunas fundidos na Inglaterra.
Logo se juntam ventos mensageiros.
Plataforma apinhada de murmúrios,
Espargem-se no ar gestos que meu pai
Fazia, quando moço, certamente, 
E amargara na terra em que buscava
Tolhido fruto ao sonho retirante.
Lá, de gravata e colarinho duro,
O Intendente rodeado de comparsas
Bufa contentamento sob o fraque
E manda um telegrama ao Presidente
Alcovitando o feito dos ingleses.

Aprumando o Latim das Escrituras,
O Padre vem benzer o prédio novo.
Ajusta os paramentos de seu culto
E fala aos fiéis do bem que é o Progresso,
Quando mansa a alma se volta para os céus.
Discute-se o futuro dos transportes,
O quanto servirão a safra e ganhos.
O Juiz exalta a força do vapor,
A do carvão e da eletricidade. 
Especula-se a sorte do aeroplano,
Ou do que irão chamar de zepelim,
Maior glória não há por entre nuvens.

A fé republicana abrasa as mentes.
Lábios estrugem matinal vanglória
De batalhas vencidas, que devolvem
Trajetos de remotas aventuras,
Apegadas ao nome do arraial.
No ardor de lúbricas fruições, desfraldam
Firmamento de audazes fundadores:
Firmes rostos e nomes que até rimam
(Félix Severino do Amor Divino,
Constantino, José Firmino), e passos
De claro curso que celebrizaram
Valentias e força de trabalho.

Hálito de matas e aldeias índias,
As sílabas percorrem de Tabocas
Mágico som jorrado de uma física
Tertúlia de músculos e pulsos
Contra espesso e imperial jequitibá,
Regência de machado em fortes mãos, 
Espelhadas em pedregoso rio.
Embora calem pássaros e ramos,
Abençoa-as um céu de cores grandes
E corpos vibram de tenacidade.

Teve também os seus Eneias essa 
Laboriosa extensão de apenas terra,
Que se atribui nascida pátria da honra,
Isenta de alegrias musicais,
Sem artes de alma e ardências, sem violões,
Sem canções que não as da natureza;
Somente árvore e sombra, em dura faina,
E o cabedal de lutas intestinas.
Uns ridentes, outros compenetrados,
Entretém-se, conversam e confabulam.
Há um novo sol no século que se abre,
Vozes em eco, unânimes, consagram
Passado que resume um sonho plástico:
Charcos que foram e serão depois
Ruas e praças, casas e sobrados,
Matas vencendo, derrubando cercas,
Auras que são tributo da coragem.

A estação miram com olhos do presente.
O trem-de-ferro logo chegará.
“Para cá virão tropas e tropeiros,
Os que passam agora e passarão
Outros que sejam por manhãs e tardes”.
Dali saem e vão jogar bilhar,
Ou simplesmente ao coito com donzelas,
Um conhaque talvez no Elite Bar.
Ruge o inverno nas roças de cacau,
Esplende a lama cevando jatiuns.


II
Aurora com Zé Nik

                        CONTRA NATURAM
                        Trouxeram putas para Elêusis
                        Meteram cadáveres no banquete
                        A mando da usura.
                                                                   (Ezra Pound, Canto XLV)

José Nik a este mundo não pertence.
Jamais seria alferes dessas hostes;
Era mais personagem que um ser físico.
Vinha de pai honrado fazendeiro,
Gozou de lar e escola, tinha letras,
Mas como herança de satyricons,
Pela trama dos dias e das noites, 
Ganhou fama de mestre em diabruras.
De onde vem como fauno endinheirado,
Ilhéus lhe impôs coroa de valente.
Dispensa o trem-de-ferro e, em montaria,
Tabocas é o destino, a terra nova
De áulicos e de belas raparigas, 
E vai se divertir no Ponto Chic,
Áureo templo de bródios camaradas.
Todos esperam que chegue o endiabrado.

Acendendo relâmpagos nas pedras,
Por uma dessas portas chegará
O cavaleiro de rosto amorenado.
Conhaque de alcatrão e Vinho do Porto,
Gim e aguardente espalham-se nas mesas.
Envolto em lumes, ele enfim chegou,
Com seu chapéu de feltro e aba larga, 
Camisa em listras, largo cinturão;
O revólver de cabo madrepérola,
O punhal e o rebenque encastoado. 
Pisara em flores sobre lama e lodo.
O punho forte segurando as rédeas,
Apeia-se da mula e entra no bar.
Pede conhaque com açucena e, sério,
Bebe de um gole um quarto de garrafa.
Já veio bambo e, após os cumprimentos, 
Senta-se. Logo se levanta e brada:
“A canalha está em festa, a raça espúria.
Quero que morra a nata apodrecida,
Que nem mesmo vale um tostão furado”.
Da audiência refletida nos espelhos,
Tanto quanto as garrafas de bebidas,
Abre-se o riso em luz de acetileno,
Sobre as pedras de silenciosa rua.
Entre um gole e outro, a frase aguda,
Os olhos presos no mármore da mesa,
Sabe-se que vem ébrio; entanto, todos
Querem ouvir o oráculo das matas.

Vivas estalam em rolhas de champanhe,
Entre os cristais do bar estrelejado.
Logo debulha os vícios da República,
Que homizia um rosário de maldades.
E, ante ávida plateia, alinhavava:
Os deputados a bico de pena,
A moral de rapina, o chão de ratos,
Astúcias no silêncio dos cartórios, 
De notários e fátuos advogados,
Venalidades e querências surdas;
Os enfatuados donos do dinheiro,
Nas casas compradoras de cacau,
Com estrangeiros de rosto avermelhado,
Tramam revoltas e terras ocupam,
Expulsando posseiros a chicote;
Os caxixes, o exército de agiotas
(A usura participa do cenário),
Balas e assassinatos de tocaia.
Transpiram calma e cálculo, astros são
De um conservadorismo abençoado,
Cujas filhas fornicam nos quintais.
Divertem-se liberando ansiedades.

À noite nas sessões de jogatina,
Entorpecidos, jogam bacará
E sete-e-meio e pôquer apostado.
Privam também com suas concubinas,
Em bordéis e mansões; arreiam tropas
E transportam cacau pela alvorada.
Tensas mulheres em lençóis de seda
Libertam-se de sexo reprimido,
Entre cortinas de um amor furtivo,
Vezes muitas por trás de um naipe de ouros.

Olhos vívidos miram os cristais,
Um gole a mais, o cálice no ar.
(Escrevente Manoel Fogueira observa 
Ovações e estridências do espetáculo).
Todos lembram o instante em que Zé Nik
Destratara um Juiz em calma rua
E a noite em que, em pleno Quartel Velho, 
Tonto, se defrontou com três maçons;
Mandou que abrisse o bolso cada um,
Enfiando neles moedas de um vintém.
Chovera. O céu de estrelas semelhava
Um lago que espelhasse pedrarias.


III
Noite com Zé Nik

                        Na cinquentenária avenida
cinquenta anos te espero:
foste herói impossível de um dia
que não vingou nos anos vindouros.
                                    (Telmo Padilha)

Horas havia, à noite, em que o peito arfava,
O coração media em derredor.
Destravando as amarras do pensar,
Cogitava outro passo, outro caminho.
Sonhava que estivesse num jardim,
Entre flores e amigos, num coreto,
A dizer-lhes que o mundo é bem diverso
Do que ruminam eles, do que sonham,
Como talvez lutar no Contestado, 
Soldado ser no Rio de Janeiro,
Viver na terra como um desastrado.
Rugas na testa evocam movimentos,
Em paragens longínquas, alistado,
Araucárias e verdes pinheirais,
De árduo escudeiro, de anjo protetor.

Tarde de sol venal e de cansaço,
Na hora em que búzios desertam o dia, 
Entre nuvens de excesso e perdição,
Olhos de azeite e voz tonitruante,
O desastrado irrompe no terreiro
De uma fazenda calma e preguiçosa. 
Aguardente de cana na mão trêmula,
Com todos grita, acusa, execra e xinga.
Depois arruma alforjes nos arreios,
Emborca um gole a mais, apruma o corpo
E deita, despedindo-se do dia.
Entre restos de selva e serrania,
O Rio Almada exaure-se em canções,
Prenunciando auroras e crepúsculos
De uma saga que nasce nele próprio.
Zé Nik dorme o sono da inocência.
É quando, alma que veio do Nordeste,
Para sumir nos eitos do cacau,
Colecionando injúrias, lavrando ódios,
Arreando tropas, o Amarelo espreita.
Com a mesma mão que arreia as alimárias,
Doa a um machado os sonhos de Zé Nik
E ao Juiz disse que matou sem cúmplices,

Na tarde de incógnitas infinitas.
Foi-se sem um rugido, mesmo um sopro.
Fechados olhos como que de ausência, 
Do corpo pendem-lhe mãos de escultura,
Da boca e queixo, um terno e rubro líquido,
Sangue que peito cobre e alaga o chão.
Arreado está, arreado ficará.
“Ai! Que anjos o levem, jamais Caronte”,
Imploram os varões do Ponto Chic.
Astros e deuses logo o levarão
Pelo moroso céu do que se finda.
Adiante passam burros, passam tropas,
Verdes matas prosseguem expectantes,
Talvez nos ramos pássaros gorjeiem.
Ansiosa desde sempre a terra vibra,
Em pouco alegre chuva a encharcará.
O outono vem com nuvens de cetim.
(O rio Almada corre silencioso,
No seu fado de eterna testemunha).
Já pelo ar calmos ventos anunciam:
Por milagre talvez ou santas mãos,
Sobe na Bolsa o preço do cacau.
Gritos se ouvem, nas águas, nos caminhos,
Em mil novecentos e vinte e sete.
Personagem de conto fin-de-siècle,
Aqui se finda a história de Zé Nik,
Em nada parecido com um ser físico.


IV
Alvorada renascida


Ah! Como eu sou feliz e me sinto orgulhoso
De um dia ter nascido em teu seio faustoso,
Sob o esplendor de um céu de beleza tão rara!
                                                           José Bastos (1905-1937)


A luz que escorre sobre um rio morto
Ainda derrama cores e nos alerta
Que o passado vivido que passou 
É passado lembrado que não passa.
(Ó sonoro Guillén, disseste-o bem,
Ecoando suados rastros de conquistas,
Com voz de bardo hispano-americano:
“O passado passado não passou”).*
O tempo foge, gasta e desconcerta.
Os caminhos da vida têm cancelas,
Que se abrem, quando emergem na memória
Com os ecos de machados retumbantes,
Força e fervor de braços sergipanos.
Não só de sóis a letra é devedora,
Das estrelas menores é também.
Sumiu Tabocas, o arraial primeiro,
Matas de cedros e maçarandubas.
(Só não sumiu o amor pelo cacau).
As noites moldam novas alvoradas,
Enquanto nuvens pelos céus bendizem
Terras heroicas sobre as quais ainda hoje
O vento sopra despejando flores,
Saudando todas as criações e luzes,
Os caminhos acesos de Tabocas,
Que ainda fosforescem e cintilam,
Em chão de orvalho e lidas que retornam
A esperanças vividas e sentidas.
Dessas auras, contrito, me despeço.
Itabuna venera seus Eneias,
Que dialogavam com jequitibás.
Tabocas nunca esquecerá Zé Nik,
Que foi seu outro lado incandescente.

(Florisvaldo Mattos, Estuário dos dias e outros poemas, 2017) 


*Oh aurora dos tempos, incendida!
Oh mar de sangue, mar que desbordou!
O passado passado não passou.
A nova vida espera nova vida.

(Nicolás Guillén, in “Elegia a Jacques Roumain, tradução de Manuel Bandeira).
...

FLORISVALDO MATTOS
Nascido em Uruçuca, antiga Água Preta do Mocambo, na Região do Cacau da Bahia, quando ainda distrito de Ilhéus, residindo depois em Itabuna, onde cursou no Ginásio da Divina Providência, e transferindo-se depois para Salvador, Florisvaldo Mattos diplomou-se em Direito, em 1958, mas optou pelo exercício do jornalismo, no mesmo ano, integrando inicialmente a equipe fundadora do Jornal da Bahia, como extensão da militância cultural de parcela do grupo nuclear da Geração Mapa, atuante, nos anos 1960, sob a liderança do cineasta Glauber Rocha. Foi professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde ministrou disciplinas e ocupou cargos na Faculdade de Comunicação e foi presidente da Fundação Cultural do Estado da Bahia, de 1987 a 1989; jornalista, escritor e poeta, desde 1995 ocupa a Cadeira 31, da Academia de Letras da Bahia; afastou-se do jornalismo em 2011, no cargo de Diretor de Redação do jornal A Tarde, de Salvador, onde antes editou por quase 14 anos o caderno “A Tarde Cultural”, premiado em 1995 pela Associação Paulista de Críticos de Arte - APCA. É autor dos seguintes livros: Reverdor, 1965, Fábula Civil, 1975, A Caligrafia do Soluço & Poesia Anterior, 1996 (Prêmio Ribeiro Couto, da União Brasileira de Escritores), Mares Anoitecidos, 2000, Galope Amarelo e outros poemas, 2001, Poesia Reunida e Inéditos, 2011, Sonetos elementais, 2012, Estuário dos dias e outros poemas, 2016, e Antologia Poética e Inéditos, 2017 (todos de poesia); Estação de Prosa & Diversos, (coletânea de ensaios, ficção e teatro, 1997); A Comunicação Social na Revolução dos Alfaiates, 1998, e Travessia de oásis - A sensualidade na poesia de Sosígenes Costa, 2004, ambos de ensaio.


* * *


sábado, 28 de julho de 2018

ITABUNA, TERRA AMADA! - Eglê S Machado


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Itabuna, Terra Amada!


Abrasem em ternas odes, almas e corações,
Brilhando a gratidão na vida Grapiúna,
E desçam sobre ti, amada Itabuna,
As graças divinais em luzes e canções!

Teu povo te cumule de bênçãos e orações
E honre a tua dádiva de força e esperança,
Em tempos de agrura retome a confiança
E resplandeçam fortes perdidas sensações!

Terra de luta e brio, que venham os albores,
Restituindo encantos, perfumes e louvores,
A restaurar-te o seio infértil, tão cansado...

E à vida então retorne teu ventre fecundado
A sacudir-te em êxtase e devolver-te amores,
E voltem a vicejar no teu jardim, as flores!

Eglê S Machado
Academia Grapiúna de Letras

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sexta-feira, 27 de julho de 2018

ITABUNA, TERRA AMADA: Aniversário da cidade! - Antonio Nunes de Souza


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Aniversário da cidade! 


Essa menina centenária, que é a nossa querida Itabuna, está comemorando mais um ano de vida municipal e, para nós que a vimos crescer e prosperar, nos deixa orgulhosos e felizes de termos colaborado para esse fim!

Normalmente, na sua data, 28 de julho, além das missas e foguetórios, geralmente somos agraciados por algumas novas obras, sendo algumas até nababescas e esperadas ao longo do tempo que, com certeza abrilhanta a festa e nos dá a felicidade de ver o progresso ser ampliado na nossa querida comunidade!

Mas, infelizmente, desta feita, parece que em função das “encrencas” políticas em Brasília, seus reflexos tenham dificultado tais acontecimentos, nos deixando um tanto tristes e sentidos. Contudo, de qualquer forma tivemos um prêmio por tabela bastante significativo que foi a inauguração uma semana atrás da Barragem do Rio Colônia, em um município vizinho, que nos beneficiará com uma sustentação de abastecimento de água, dando margens a instalações de indústrias de grandes portes, favorecendo o povo com geração de novos empregos e circulação financeira em toda região.

Não podemos deixar de levar em conta a já acelerada obra do Centro Cultura e Teatro, que nos honrará com uma instituição de porte e representativa para a classe artística e, também, para que o povo tenha a oportunidade de assistir espetáculos de qualidade!

Logicamente, não deixa de termos também as promessas de meritórias e necessárias obras vultosas, como a esperada há mais de sessenta anos, duplicação da rodovia Itabuna/Ilhéus. Esta está mais para cá do que para lá, porém, não podemos deixar de colocá-la na lista das promessas políticas.

Desconheço outras que possam estar engatilhadas, ou que serão inauguradas que tenham maiores significações. O fato é que não deixaremos o evento passar em branco, algumas reformas e pequenas obras serão, logicamente, apresentadas, gozaremos de mais um feriado num fim de semana, que nos proporcionará um descanso festivo!



Antonio Nunes de Souza, escritor.
Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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ITABUNA, TERRA AMADA: É muito gratificante ser sincero, por João de Paula


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É muito gratificante ser sincero

Os gestos de amor e gratidão são humildade e bondade


Amados amigos e amigas! Quero registrar e dizer que é muito gratificante, muito feliz e grande motivo de regozijo, quando ouvimos de alguém a seguinte afirmativa: Se essa pessoa disse isso, se ela garantiu ou prometeu, pode confiar. Ela é gente boa, gente amiga, sincera e do bem. É uma pessoa honrada, nunca andou difamando alguém. Se ela pode ajudar, ela ajuda. Se não pode, ela não atrapalha, nem anda se justificando, nem apontando os defeitos das outras pessoas, para mostrar que é justo”.

Fiquei muito feliz com essas amáveis palavras, quando pessoas que conheço há 35 anos, expressaram para mim, o que falavam de mim, sem eu saber. Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Ele é um presente de Deus.
É um abençoado.
É uma preciosidade de pessoa,.
Quem conta com esta criatura em seus relacionamentos e amizade, é um premiado. Amém!

Façamos parte desse time do bem; do verdadeiro elogio e aplauso, time dos que merecem ouvir o que é bom e positivo, pautado na verdade e no amor que vem de Deus. Tolerância, humildade, perdão.

Façamos parte do time dos que sabem acolher e agradecer, que sabe ouvir um amigo, um conhecido, uma autoridade, um cidadão comum, um conselheiro, um benfeitor com todo respeito e merecimento.

Ouvir alguém falar a seu respeito e de nossa pessoa com louvor, manifestado aplauso e estima, com gratidão, com uma opinião subjetiva e referenciada no bem e na verdade, no respeito, no bom exemplo, na boa conduta, nas virtudes e na qualidade que guardou como boa recordação; é um merecimento muito grande.Uma homenagem respeitosa...

É verdade que temos que semear hoje os sentimentos e as atitudes edificantes: as boas sementes, os bons frutos, as boas ações, os bons conselhos, as boas presenças e visão de um mundo melhor, para colhermos amanhã os frutos destes procedimentos e sentimentos nobres, além dos projetos que geram felicidade para uma nova geração.

Um dia, alguém, em algum lugar será teu juiz. Será teu advogado, pela vida que vivenciou e  compartilhou, que manifestou boas maneiras, os bons modos, as boas conversas, boas palestras, as boas palavras durante o percorrer do caminho do mais baixo ao mais elevado nível.

Os gestos de amor e gratidão são: humildade e bondade.  Não desanimar, jamais!

Se alguém fizer o mal a você, continue ampliando seu amor. Se alguém te prejudicou em alguma coisa, perdoe. Se alguém riscou injustamente seu nome da agenda dele, não amplie seu ódio.

Se alguém finge esquecer-se da sua história de vida, seus feitos, sua mocidade e bondade, sua lição de vida e do seu bom exemplo, não fique preocupado por isso, porque Deus é sabedor de todos os seus risos, lagrimas, dificuldades e desejos amplos de ver todo mundo feliz. Voga o amor altruísta.

Faça sempre o seu viver ser marcante com o amor, com o servir, com o jeito feliz de vivenciar a vida e seguir avante. Deus lhe fará justiça. Faça tudo em benefício seu e das outras pessoas que caminham rumo a Era da Luz.

Na escola da vida, a gente aprende a amar e  perdoar. Se cair no inferno, meu amigo ou minha amiga, não deixe de colocar as virtudes, o amor, o perdão e as boas ações em praticas. Ame muito mais.

Não deixe que as dificuldades tirem de você, a qualidade e a benção de ser amado de Deus.

A única maneira de a gente acabar com o mal e com as injustiças é sendo firme e forte na fé, na esperança, na certeza de que dias melhores virão e no bom trato com os nossos semelhantes, com notícias boas, com notícias agradáveis, amando e perdoando, semeando flores sempre.

Deus nos fará Justiça, acredite. É muito gratificante, sim!

João Batista de Paula
Escritor e Jornalista

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ITABUNA, TERRA AMADA: Fim de Carreira do Goleador - Conto de Cyro de Mattos


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Fim de Carreira  do Goleador 
Cyro de Mattos


            Se pudesse voltar no tempo, nada melhor poderia acontecer para ele  nesse mundo. Gostaria de ver aquele gol de calcanhar  no primeiro campeonato conquistado pelo  Grêmio. Andava desligado do trabalho na carpintaria. Não entregava as encomendas aos fregueses  no tempo prometido. Triste agora  pela casa. Desde que deixou de ser aquele centroavante inteligente, que fazia gols com um toque de  classe,  a torcida levantava e aplaudia de pé. Visivelmente se via no rosto que não estava de bem com a vida.

            Irritava-se com  qualquer coisa insignificante que acontecesse em casa. A comida,  que a mulher  preparava  com arte  e bom-gosto,  sempre elogiada por ele,  não produzia mais aquela sensação  que molhava de prazer o coração. Os olhos vermelhos como se tivesse chorado escondido no quartinho dos fundos.  Deixara de ser o marido carinhoso,  o pai paciente com os filhos, o vizinho admirado por seus préstimos  na hora necessária.
  
            Ensimesmado evitava falar com os de casa. Sentava na cadeira de vime e ficava na sala com os olhos fixados nas fotos dos times de futebol,  o quadro pendurado na parede com a tinta desbotada, a mancha da umidade em cada canto.  Lá estava a  famosa esquadra da Associação, que deu jogadores para os times do Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Bahia, como naquele tempo era chamado  Salvador. Estreara  no Campo da Desportiva  como centroavante, num domingo de sol, no clássico dos clássicos local,  Janízaros contra a Associação.

            Quase um menino, que não ficava parado, nem temia o zagueiro alto e corpulento. Mexia-se  pelos dois lados, fazia bem  o pivô e deixava o zagueiro preso no lance. Mostrou logo que era   um centroavante inteligente, que veio para ficar entre os bons goleadores do campeonato da Liga.  Formou ao lado de Juca, o professor, uma dupla de atacantes  que se tornou célebre  pelas tabelinhas que fazia com facilidade.

            Fez gols espetaculares,  que deixavam o torcedor  pasmo, tirando-o do sério.  Gol sem ângulo, de lençol no zagueiro, por entre as pernas do goleiro.  Nesse tempo  aprendeu  muito  com Juca, que certa vez lhe disse,  bater na bola  era questão de jeito.  O atacante devia estar sempre  no momento certo dentro da área,  receber a bola, não se afobar,   fazer o gol como se estivesse fazendo uma obra de arte. Não era por acaso que  Juca era chamado de professor, maestro,  mago, milagreiro,  usava bem o  pé esquerdo e o direito, dominando e batendo na bola com inteligência  e  precisão. Era também bom no cabeceio.
    
            Fixava o olhar no retrato com o esquadrão do São Cristóvão, o time dos motoristas.  Lá estavam Mudo, Almir e  Mala, este em fim de carreira.  Era um franzino atacante, de pernas compridas,  parecia lento, mas  aparecia  na grande área quando menos se esperava. Desviava-se do marcador com um  drible seco  e entregava a bola a ele para fazer o gol. Fez uma dupla de atacante inesquecível com Mala  quando então se firmara como um goleador implacável no cabeceio. Mala  observava que importante era fazer a bola correr, o jogador não era preciso.  Dizia  que tinha preferência de receber a bola quem não ficava parado no vaivém do jogo como um morcego tirando proveito do esforço dos companheiros.   Lá estava ele ao lado de Mala, um jogador sabido, a  fotografia  amarelecida pelo tempo, pendurada na parede com a tinta desbotada.

            A  melhor dupla que armava o jogo para ele foi formada com o alegre Lubião e  o endiabrado Macaquinho. Ele então  jogava no Grêmio.  Lubião  fazia do jogo um show à parte quando driblava ou  lançava com perfeição a bola longa para o companheiro.  Macaquinho era um driblador contumaz,  invejável.  Um  malabarista com seus dribles curtos  repetidos, fazendo  o adversário ter vexames.   Lubião ou Macaquinho,  municiando a bola para ele,  fez com que tivesse a sua melhor fase de centroavante goleador no campeonato da Liga. Com aquela dupla sensacional, várias vezes fora o goleador do Janízaros no campeonato.

            O bigode branco, a cabeça calva, triste pelos cômodos da casa acanhada,  erguida numa das margens do rio, no bairro da Burundanga. Macaquinho, Lubião, Juca, Mala e tantos outros jogadores, que deixaram a sua marca no Campo da Desportiva,  já tinham pendurado as chuteiras, enquanto ele teimava em não abandonar o futebol, mesmo que continuasse parado na pequena área do time adversário, nem precisando ser marcado de perto pelo zagueiro.  Não corria, movimentava-se com dificuldade,  não sabia o que fazer com a bola quando por acaso chegava onde estava  como uma máquina velha enferrujada, sem força.  Quase sempre era flagrado  em impedimento.

            Os  torcedores  não perdoavam sua lerdeza na partida. Rodrigo Bocão  com o seu berro avassalador,  que irrompia na garganta estrondosa,  era quem mais gostava de vaiar quando via Noca,  mal das pernas, sem conseguir pegar na bola. Gritava: “Sai do campo, capacete, lugar de ferrugem é na sucata!” Torcedores apupavam. Um chamava Noca de cabeça pelada, bola de bilhar, campo de aviação. Outro investia sem dó: Toicinho luminoso,  coco verde envernizado,  deixa o jogo, preguiçoso safado!

            Jogava agora no Itapé, o pior time do campeonato. Ultimamente dera para jogar com o gorro na cabeça, tentando esconder a careca brilhante em tarde de sol e, assim,  evitar que os torcedores  ficassem chamando-o por aqueles apelidos que tanto o irritavam.

            Naquele domingo de nuvens cor de chumbo,  ninguém podia imaginar o que estava reservado para Noca,  na última partida do segundo turno. O  Itapé iria jogar com o Flamengo,  que já havia ganho  o primeiro turno.   Bastava que empatasse com o Itapé para o rubro-negro terminar empatado em números de pontos com o Fluminense. Ganharia o segundo pelo critério de ter vencido mais jogos no campeonato do que o Fluminense. Ganharia  o segundo turno e se sagraria campeão invicto no ano em que a cidade comemorava  cinquenta anos  de emancipação política.

            Era goleada certa do Flamengo, só um milagre poderia fazer que o rubro negro  até empatasse com o lanterninha  Itapé. O primeiro tempo terminou zero a zero. Nada que faziam no jogo dava certo para os jogadores do Flamengo, que jogava  parecendo ser um time pequeno e não  o esquadrão rubro-negro temido, o que tinha mais torcida, o maior papão de  títulos no  campeonato do Campo da Desportiva. Os torcedores inflamados deram para cantar  versos do hino do clube. “Vencer, vencer, vencer, uma vez Flamengo, Flamengo até morrer...  seja na terra, seja no mar... “

            Durante a sua pior partida no campeonato daquele ano, o Flamengo dera   muito azar,  o  centroavante Juarez frente ao gol acertou a bola na trave por duas vezes. Perdeu um pênalti. Para piorar, no segundo tempo caiu uma chuva forte,    o gramado ficou enlameado em pouco tempo. Os jogadores começaram a escorregar na cancha cheia de poça d’água. Ficavam sujos de lama, tomavam quedas engraçadas quando iam disputar a bola. Os torcedores sorriam e mangavam.

            Nos acréscimos da partida, para a infelicidade dos torcedores do Flamengo, a bola chutada pelo médio volante  Brezegue raspou na careca de Noca, desviou a trajetória , impedindo que o goleiro Asclepíades fizesse a defesa:  tomou  velocidade e foi  entrar no gol.

            Noca,  sem fôlego, desde o começo da partida, como era costume,   contribuiu daquela vez, no final,  para que o Fluminense  fosse o campeão do segundo turno  e se credenciasse a disputar o título do campeonato com o seu  maior rival.

            Houve empate na primeira e segunda partida.  Na terceira,  a decisiva, que seria concluída nos pênaltis,  para  conhecer o campeão, caso terminasse empatada no tempo regulamentar,  o Fluminense venceu o Flamengo por um a zero, tornando-se o campeão municipal no ano do cinquentenário da cidade.

            Depois daquele gol incomum, Noca  decidiu parar em definitivo  com o futebol. O corpo não obedecia mais a um mínimo movimento que a cabeça queria.   Voltou a ser alegre em casa,  afetuoso com a mulher, bom conselheiro dos  filhos, prestativo com os vizinhos. Por fim,  encerrara a carreira futebolística, deixando sua marca histórica com o time do Itapé, o sempre lanterna  do campeonato. Com um gol esquisito,  de cabeça, melhor dizendo, de careca,   no velho Campo da Desportiva,  de tantas batalhas,  de gloriosa e  saudosa memória.

            Quando perguntaram ao velho Noca,   na barbearia do Álvaro, que tinha sido zagueiro na Associação,  por que resolveu jogar sem o gorro naquela partida contra o Flamengo,  ele sorriu e, calmo, não demorou para informar ao distinto torcedor. Disse que  na véspera do jogo o seu colega Macaquinho apareceu em sonho. Com aquela cara de saguim, olhinhos miúdos, dentinhos nervosos.  Recomendou:  
        - Jogue  sem o gorro, no domingo irás conquistar a glória na  Desportiva!

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Cyro de Mattos 
Baiano de Itabuna. Escritor e poeta, Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Sul da Bahia). Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia, Pen Clube do Brasil, Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras de Itabuna.

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