A cada dia, recebemos melhores notícias sobre a queda no
número de vítimas da Covid-19. Mesmo que a vacina ainda demore, estamos
aprendendo a lidar com os meios de controle parcial da pandemia. Com algum
sucesso, tentamos descobrir modos de sobreviver ao vírus, sem nos deixarmos
imobilizar pelo terror que sua existência nos provoca. As conversas privadas e
os debates públicos sobre como seremos, nós e o mundo, depois da pandemia se
multiplicam e são um sinal saudável de que o pânico passou, com o pessimismo
que poderia nos paralisar. Agora sabemos que o mundo não vai acabar, embora se
torne outra coisa. E discutimos planos para seu futuro, em cada uma de nossas
atividades.
Embora novinho, inventado há apenas 125 anos, o cinema é o
velho patriarca, o avozinho da família do audiovisual que inaugurou no final do
século XIX. O mundo virtual, assim como qualquer outra novidade no gênero, tem
sido um resultado do que ele começou em dezembro de 1895. Do som à cor, da
televisão ao streaming, tudo o que, nesse universo, apareceu depois da
invenção do cinema foi gerado por ele ou é uma consequência do que ele foi.
Não compreendo as críticas radicais, quase histéricas, de
gente como Martin Scorsese ao streaming. Não compreendo por que um grande
cineasta, com quem tantos jovens aprenderam tanto, se posiciona contra o
desenvolvimento de sua atividade. Lembra os intelectuais reacionários que, em
1927, se negaram a assistir a “O cantor de jazz”, como uma manifestação contra
o som no cinema. A mesma tradição que lamentou a cor (um disfarce da realidade,
criado para nos esconder o mundo real) e amaldiçoou a tela larga (os mais
espirituosos diziam que o Cinemascope só servia para filmar procissão religiosa
e desfile militar). O streaming é uma multiplicação de resultados obtidos pelo
cinema, seja na criação, seja na difusão, num formato doméstico que pode vir a
ser o destino social do ser humano. O que ficou claro durante a crise
mundial provocada pela pandemia.
O coronavírus jogou o ser humano nos braços de dois estados
de espírito morais que andavam esquecidos ou abandonados: a solidão e a
solidariedade. É possível que nunca mais voltemos a ser a humanidade tensa
destes últimos tempos, em busca de resultados imediatos por meio de disputas
acirradas, sem ordem de sentimentos ou princípios comuns. Uma humanidade que
nunca esteve satisfeita porque, por falta de consistência e significância, nada
lhe era suficiente. A pandemia nos revelou um mundo em que somos obrigados a
nos organizar sozinhos, sabendo entretanto que, sem o outro, nunca seremos
nada. Solidão e solidariedade são, por acaso, as circunstâncias humanas
originais do espectador de cinema.
Não sei prever se a sala de cinema vai desaparecer, em razão
do crescimento do streaming ou do que for. Mas é claro que, com as novas, claras
e imensas telas de nossos receptores de TV, teremos menos vontade de sair de
casa para ver um filme na rua cheia de atropelos. Imagino, mas não sei dizer
com total clareza, como essa economia se organizaria, porque é sempre muito
difícil prever tendências que não são exatas. Ainda não sabemos nem como a
pandemia há de terminar, com que costumes novos, quais e quantos serão os
mortos e suas qualidades. Ninguém é capaz de controlar tais cifras.
Sempre pensei o cinema como a mais clara e bela expressão de
uma cultura, de um povo, de um país. Por intermédio dele, descobrimos o que
somos e o que queremos ser. Mas o cinema não é uma necessidade primária, sem a
qual não se pode viver. Ele se estrutura a partir de circunstâncias aleatórias,
em que o fator principal será sempre o gosto de seus frequentadores. Entendendo
por gosto a soma de elementos que vão da emoção ao conhecimento, do saber ao
sentir etc. Não ouso prever esse gosto, nem mesmo no curtíssimo prazo.
Quando o cinema surgiu como espetáculo popular, se pensou
que os teatros fechariam. E, quando a televisão tomou conta de nosso tempo de
lazer, se dizia que o cinema tinha acabado. Não aconteceu nem uma coisa, nem
outra. O novo não é necessariamente o fim do que havia antes; ele pode ser
também uma consequência ou uma recuperação do que precisava mudar no que havia
antes.
Carlos Diegues - Décimo ocupante da Cadeira 7 da ABL, eleito
em 30 de agosto de 2018 na sucessão do Acadêmico Nelson Pereira dos Santos e
recebido pelo Acadêmico Geraldo Carneiro em 12 de abril de 2019.
Falar sobre os comportamentos humanos é tão difícil quanto
você acertar sozinho na mega sena. As possibilidades de acertos são tão remotas
e passivas de mudanças constantes, assim como as numerações sorteadas
semanalmente, pois se estuda a mente humana há centenas de anos, fazem-se
milhares de pesquisas científicas e, sempre somos surpreendidos com atitudes e
reações descabidas e fora dos propósitos, somente em função de um grupo pré-determinado
que para ele até o errado seja o que passará a ser certo, apenas para agradar
os gostos daqueles que prepararam e executaram as ações!
Esses despropósitos e fatos que demonstram tolas atitudes
constantemente são tão comuns perante os noticiários, que esses se aproveitando
do Ibope que geralmente alcançam, oferecem uma cobertura, infelizmente
injustificada, se analisada friamente os propósitos esdrúxulos e simplórios,
deixando de lado assuntos muito mais importantes e pertinentes a um segundo ou
terceiro plano, transparecendo aos olhos de pessoas que pensam mais em termos
humanísticos, que os atos praticados são completamente paradoxais, expondo
sentimentos nada humanos como deveriam!
O motivo que me fez escrever a respeito, mesmo sendo e
reconhecendo um completo leigo na matéria, apenas baseando-me na perspicácia e
vivência de muitas dezenas de anos, vendo constantemente essas disparidades
incompreensivas é a invasão de um grande e renomado laboratório na cidade de S.
Roque, Estado de São Paulo, raptando mais de duzentos cães que estavam sendo
usados em pesquisas científicas, sem nenhuma comprovação que estava havendo
maus tratos, interrompendo trabalhos de vários anos em benefícios de
industrializações de medicamentos que curarão aos humanos. E olhe que no Brasil
é permitida a utilização de animais em pesquisas, principalmente, quando esses
não são sacrificados inutilmente!
Assim como vi e vejo sempre atitudes similares,
principalmente na defesa canina, deixa-me estarrecido e revoltado pela cegueira
desses e dessas criadoras de luxo de “Poodle”, que gastam fortunas com seus
animaizinhos de estimação, não fazerem levantes e protestos em benefício das
crianças abandonadas que, no norte e nordeste passam fome, trabalham desde a
infância para complementar a renda familiar, não estudam e são ou estão sempre
doentes. Estes sim é que necessitam de protestos sociais veementes, não só
junto aos governos como, principalmente, a toda sociedade, pois os benefícios
que advirão, obviamente, serão de todos os envolvidos!
Não sou contra cães e gatos, nem animal algum, mas,
sinceramente, deixar as crianças abandonadas e ficar simploriamente, somente
condenando os governos, não deixa de ser uma atitude desumana, nada racional!
Será que esse povo não enxerga nas áreas urbanas, quando
passam em seus carrões, crianças abandonadas apanhando restos de comida nas
latas de lixo para se alimentarem? Esse quadro é super comum!
Esses procedimentos humanos (?) são tão estranhos que, se
Freud vivesse mais 500 anos ainda morreria sem explicar!
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Mateus.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou:
“Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete
vezes?”
Jesus respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até
setenta vezes sete. Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar
as contas com seus empregados. Quando começou o acerto, levaram-lhe um que
lhe devia uma enorme fortuna. Como o empregado não tivesse com que pagar,
o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos
e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. O empregado, porém,
caiu aos pés do patrão e, prostrado, suplicava: ‘Dá-me um prazo, e eu te
pagarei tudo!’ Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e
perdoou-lhe a dívida. Ao sair dali, aquele empregado encontrou um dos seus
companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a
sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’.
O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dá-me um
prazo, e eu te pagarei!’ Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e
mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. Vendo o que
havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o
patrão e lhe contaram tudo. Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse:
‘Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me
suplicaste. Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, como eu
tive compaixão de ti?’
O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos
torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. É assim que o meu Pai que
está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”.
Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar
contra mim?” (Mt 18,21)
O Evangelho deste domingo também faz parte do chamado
“discurso comunitário”, cap.18 de Mateus.
Hoje, o tema principal é o do perdão. Mateus
recolhe as instruções de Jesus sobre a maneira como os irmãos devem proceder
dentro da comunidade cristã. Sem o perdão mútuo torna-se impossível qualquer
tipo de comunidade. O perdão é a mais alta manifestação do amor; o perdão é
superlativo do amor. Reinhold Niebuh descreveu o perdão como
a “forma final do amor”.
Em outras palavras, é impensável um verdadeiro amor que não
traga consigo o perdão.
Nesse sentido, o perdão deve ser, não um ato, mas
uma atitude que se mantém durante toda a vida e diante de qualquer ofensa. Por
isso, a expressão “setenta vezes sete” quer dizer que é preciso
perdoar sempre. Os rabinos mais generosos do tempo de Jesus falavam em perdoar
as ofensas até quatro vezes.
Pedro se sente muito mais generoso e acrescenta outras três.
Sete, já era um número que indicava plenitude, mas Jesus quer deixar muito
claro que não é suficiente, porque corre-se o risco de contabilizar o perdão.
Ele se deixa guiar pela “lógica da superabundância” e não pela lei da
reciprocidade, da equivalência...; revela também que o perdão é amor
superando a justiça, a misericórdia divina superando a lei humana.
À vingança, Jesus opõe o perdão; à exigência do revide, Ele
opõe a atitude de reconciliação além de qualquer fronteira. Assim, o perdão revela-se
como uma experiência “subversiva”, pois subverte as tendências
naturais do ser humano em revidar, vingar, “pagar com a mesma moeda...
Jesus sabe que somos frágeis como o barro; sabe também
que com o barro de nossas vidas é possível fazer obras de arte.
Contam que uma pessoa tinha um vaso de barro precioso e de
grande valor. Alguém curioso o tomou em suas mãos e, por um descuido,
escorregou de suas mãos e se fez pedaços ao cair no chão. Podemos imaginar a
dor do dono do vaso. Mas ali havia um artista que prontamente se ofereceu para
acalmar os ânimos e refazer o vaso quebrado. Levou-o para sua casa e foi unindo
os pedaços com fios de ouro. Alguns dias depois, devolveu-o ao dono. Era
uma preciosidade. Impossível imaginar aquela obra de arte. Aqueles que a
contemplavam ficavam assombrados. E não faltaram entendidos de arte que
começaram a elevar o preço da obra; um preço muito superior ao que tinha antes.
Este é o sentido e a missão do perdão. Com
frequência, a comunidade cristã se faz pedaços com as ofensas fraternas. Pode
dar a impressão que ela se quebrou para sempre. Mas, aparece a capacidade de
tornar a soldar o que estava quebrado, com os fios de ouro do perdão. E a
comunidade que se havia quebrado, agora volta a ser uma comunidade nova; uma
comunidade de amor, de fraterna caridade, muito mais evangélica.
O amor que perdoa, é esse o fio de ouro capaz de reconstruir
o vaso de nossa comunidade e torná-lo mais belo e formoso que antes. Porque o
perdão recria e re-constrói vidas quebradas.
O perdão só pode nascer de um verdadeiro amor. Não
é fácil perdoar, como não é fácil amar. Vai contra todos os nossos instintos
egoístas. Por isso, a partir de nossa consciência de indivíduos fechados em
nosso ego, é impossível entender o perdão do evangelho. O ego tem necessidade
de enfrentar-se com o outro para sobreviver e potenciar-se, inclusive
aproveitando-se do próprio perdão. Ser bom, sentir-se justo, fraterno,
solidário, honesto, tudo isso - embora exija esforços - é relativamente fácil
e, muitas vezes, alimenta o próprio ego. Difícil é perdoar o
agressor, não apenas desculpando-o, mas sendo capaz de amá-lo na
totalidade do seu ser. Esse é o traço característico da comunidade cristã.
Por isso, a originalidade do cristianismo está na descoberta
da grandeza do ser humano, no exercício da única força capaz de mudar o mundo:
o amor real. Não há revolução maior.
Embora não negue o que possa ter havido um comportamento
maldoso, quem perdoa distingue entre ofensor e seu comportamento e considera o
verdadeiro valor do outro como pessoa humana que, tal qual ele
próprio, vive num mundo imperfeito, cheio de tensões e conflitos
diversos. Apontando para o valor do outro, o perdão é uma “atitude
revelatória”, de si mesmo e do outro
Perdoar supõe reconhecer a grandeza do ser humano; para
além da fragilidade, a pessoa que perdoa ou acolhe o perdão encontra-se com o
melhor de si mesma. Afirma que nela “há sempre mais coisas dignas de
admiração e de respeito”.
A virtude cristã do perdão também traz consigo a
dignificação da relação com o outro no mais elevado grau, a ponto de
transformar ódio em amor e o inimigo em irmão.
Quando alguém perdoa, mobiliza a outra pessoa, suscitando
nela um retorno à autenticidade no universo relacional consigo mesma, com os
outros, com o mundo e com Deus.
Deixemos claro que o perdão não é negar, nem
esquecer, nem forçar os sentimentos. Pelo contrário, o ponto de partida do
perdão é o pleno reconhecimento da ofensa que rompeu a relação. Mas, quem
perdoa, não se deixa conduzir pela “memória mórbida”, ou seja, não fica
“remoendo” o que de mal aconteceu; pelo contrário, reconstrói, através de uma
memória sadia, a identidade do outro, deixando de ver nele o mero
causador da ofensa para captar sua dignidade mais profunda como ser humano
valioso que é, apesar das fraquezas e limitações.
Do mesmo modo, quem perdoa ativa uma memória sadia na
percepção de si mesmo, deixando de considerar-se vítima ou magoado e
percebendo-se como pessoa capaz de elevar-se acima da mágoa ou da
ofensa. Em última análise, o perdão é um ato de fé na bondade
fundamental do ser humano.
No processo de reconstrução de si mesmo e dos outros,
o perdão também proporciona, àquele que perdoa, uma ocasião para
rever as ilusões, as idealizações infantis, a busca do perfeccionismo... que
orientavam sua vida. Quem perdoa está diante de uma situação propícia para
discernir como as falsas expectativas em relação ao comportamento dos outros
podem ter preparado o terreno para uma frustração profunda.
É uma ocasião privilegiada para a pessoa defrontar-se com
seus sentimentos agressivos, suas expectativas e a história passada. No
encontro com a verdade, quem perdoa pode conquistar maior liberdade para
relações pessoais mais profundas e duradouras. A vida de cada dia atesta que
exatamente onde se vive o perdão abre-se um novo futuro de paz.
No gesto do perdão, a pessoa pode chegar a uma
compreensão mais realista de si mesma.
Os recursos do verdadeiro perdão são infinitos.
Eles jamais acabam. Uma pessoa que perdoa algumas vezes e se recusa a perdoar
outras vezes, não conhece o significado do perdão.
O perdão não é uma operação do tipo “de vez
em quando”. É um estilo de vida. É uma disposição permanente. Na
verdade, no nível mais profundo, o “perdão não é algo que a pessoa faz, é
algo que a pessoa é”. O perdão precisa ser um gesto repetido
muitas vezes até se tornar um “hábito do coração”.
O Evangelho fala 77x7 vezes.
Texto bíblico: Mt 18,21-35
Na oração: Jesus colocou no perdão fraterno uma
das características do ser cristão; ao perdoar-nos, Deus cria em nós
um coração novo, feito de acordo com o Seu, capaz de perdoar à
sua maneira; não pode dar o perdão quem não tem consciência de tê-lo recebido;
a capacidade de perdoar é diretamente proporcional à experiência
de ser perdoado.
- Re-visitar experiências de ter vivenciado o perdão de
Deus; trazer à memória situações em que você “entrou no fluxo do perdão divino”
e foi presença visível desse perdão nas relações com as pessoas.
Um estupro seguido de aborto provocado em uma criança de 10
anos vem pronto e emoldurado para chocar a opinião pública. Se por um lado o
fato é chocante e odioso, de outro foi entregue na bandeja aos despiedados
abortistas para que façam avançar a sua agenda sanguinária.
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, classifica de “ilegal”
e “absurda” a Portaria do Ministério da Saúde, editada recentemente, segundo a
qual alterar as normas da realização do ‘aborto legal’ nos casos de estupro é
incompreensível.
O referido dispositivo governamental do dia 28 de agosto
último determina que a equipe médica seja obrigada a notificar à polícia os
casos de acolhimentos com indícios ou confirmação do crime de estupro e que
seja oferecida à vítima visualização do feto por meio de ultrassonografia [foto
acima].
Maia afirma que tal medida interfere na legislação sobre o
aborto por estupro ou por anencefalia. Mais. A legislação brasileira permite o
aborto além desses casos, ainda quando a mãe corre risco de morte. Ele exige
que o governo revogue a Portaria, pois, caso contrário, diz ter votos
suficientes contra a medida, ou ainda, recorrerá ao STF.
A decisão do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, foi tomada
em meio à repercussão do caso da menina que se engravidou de um tio monstruoso.
Sobre a questão, cingiremos ao que recomenda os livros inspirados, aos quais
devemos obedecer. Declarações como a de Maia não passam de uma perversidade.
Como matar uma criança inocente e indefesa no ventre materno?
O Senhor dá o castigo a quem faz o mal segundo a sua
malícia. O sangue do inocente cai sobre sua cabeça e sobre essa casa e sobre a
sua descendência por semelhante ato. O Rei Davi diz a Joab, após este matar
traiçoeiramente Abner, que não falte na casa dele quem padeça de blenorragia,
quem seja leproso, quem pegue no bordão, quem seja morto a espada e quem esteja
privado de pão.
Forte? Quem pratica ato tão ignominioso atrai sobre si e
sobre os seus os castigos de Deus, pois se trata de um pecado que brada a Deus
por vingança. Ele, por ser autor da Lei Maior, é infinitamente mais rigoroso em
relação aos infratores dela — como os que atentam contra um inocente no ventre
materno, santuário tão violado hoje por quem deveria defendê-lo.
Como um assassino desses poderá ter paz de consciência? A
Escritura Sagrada traz preciosas e indispensáveis lições para a vida. Diante da
desobediência de Saul às ordens de Deus, Samuel afirmou que vale muito mais a
obediência às ordens divinas do que oferecer vítimas e sacrifícios. A
desobediência é como o pecado de magia, não se submeter à Lei de Deus é como o
crime de idolatria.
Não existem leis humanas capazes de revogar as leis divinas.
Se Deus determinou que não é lícito derramar o sangue inocente, por constituir
um grave pecado, não há autoridade na Terra que possa obrigar alguém a fazer o
mal, pois vale mais obedecer a Deus do que aos homens.
Samuel foi firme diante de um rei que não teve escrúpulo em
transgredir a ordem do Senhor e as suas palavras. Ele não aceitou
justificativas nem explicações, pois a palavra do Senhor é sagrada. Honra o
Senhor e O adora por meio da obediência às suas determinações e às suas leis.
Qual o crime que uma criança inocente poderia ter cometido
no ventre materno para ser ali trucidada? Como a iniquidade de um ato jamais se
expia com vítimas nem oferendas, a mão do Senhor descarrega pesadamente sobre
quem a praticou e pratica.
“Raças de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que vos
ameaça? Fazei, portanto, os frutos dignos de penitência, e não comeceis a
dizer: ‘Temos Abraão por pai’, porque eu vos digo que Deus é poderoso para
suscitar dessas pedras filhos de Abraão.
“O machado já está posto à raiz das árvores. E toda árvore
que não der fruto bom será cortada e lançada ao fogo”. (Lc 3, 9) Não
façais violência a ninguém, nem denuncieis falsamente e contenteis com os
vossos soldos. Lc 3, 7-14) “Digo-vos: naqueles dias haverá um tratamento
menos rigoroso para Sodoma. Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida!
“Porque, se em Tiro e Sidônia tivessem sido feitos os
prodígios que foram realizados em vosso meio, há muito tempo teriam feito
penitência, cobrindo-se de saco e cinza. Por isso, haverá no dia do juízo menos
rigor para Tiro e Sidônia do que para vós.
“E tu, Cafarnaum, que te elevas até o céu, serás precipitada
até aos infernos. Quem vos ouve a mim ouve; e quem vos rejeita a mim rejeita; e
quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou” (Lc 10, 12-16).
______________
* Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria –
Cardoso Moreira (RJ).
O Festival Literário Sul-Bahia
(FLISBA), com o tema Primavera Literária, se configura numa ação cultural que
busca a difusão das artes literárias a partir de uma homenagem a Clarisse
Lispector e João Cabral de Melo Neto pelos Centenários de nascimento, num
resgate à Jorge Amado e Adonias Filho, nossos pilares da literatura cacaueira.
Para Efson Lima, “o objetivo do
FLISBA éser um espaço de intercâmbio
para a promoção da literatura e dos processos criativos dos escritores
regionais do sul da Bahia, inclusive, dos novos escritores, bem como dos que
estão afastados da terra natal, como o próprio que mora em Salvador e participa
da organização do evento de forma virtual.
O FLISBA surge com vistas a
estimular a leitura, difundir os escritores regionais, desenvolver a
aproximação dos agentes culturais do campo da literatura e promover atividades
que exercitem reflexões sobre a cultura, questões ambientais, questões ligadas
à diversidade de gênero, uso das redes sociais e tecnologias.
O evento acontecerá entre os
dias 24 a 26 de setembro de 2020 (totalmente online). As mesas literárias vão
ocorrer pelas tardes e noites. A transmissão das mesas do evento será pelo
Youtube, que será retransmitida para o Facebook.No entanto, as Oficinas Literárias vão
ocorrer no turno da manhã pela plataforma Zoom e terão suas inscrições
realizadas de forma antecipada pelo Sympla com datas a serem divulgadas nas
redes sociais do evento.
Para Sheilla Shew, que está na
organização do evento e mulher empreendedora, o FLISBA terá uma rica
programação, que inclui debates, saraus, slam, exposições editoriais e
apresentações culturais, que respeita o legado literário e se soma as
revelações dos nossos dias.”
A programação do Festival
Literário Sul-Bahia contempla ainda o SlamSul Bahia, que também receberá inscrições. O Edital e o link para as
inscrições estão na seguinte página: https://www.sympla.com.br/slam-sul-bahia---flisba__969859
Os vencedores vão receber brindes. As inscrições são gratuitas. Os
participantes serão certificados pela participação no Slam.
O Festival está sendo organizado
por diversas pessoas: Anarleide Menezes, André Rosa, Aurora Souza, Cremilda
Conceição, Efson Lima, Geraldo Lavigne, Hussiane Amaral, Igor Luiz, Indy
Ribeiro, Laura Ganem, Luh Oliveira, Magnus Vieira, Ramayana Vargens, Raquel
Rocha, Ricardo Dantas, Sheilla Shew, Silmara Oliveira, Sophia Barretto, Tácio
Dê e Walmir do Carmo, reunidas no Coletivo FLISBA. São professores, jovens,
idosos, homens e mulheres sobdiferentes
perspectivas que se juntaram para promover o FLISBA sob o ângulo da literatura,
mas com o olhar inclusivo das artes plásticas, música, cinema entre outros.
Para IgorLuiz, 18 anos, que mora entre
Itapitanga/Coaraci, um dos organizadores do FLISBA e estudante de engenharia
civil na Uesc, “o Flisba surgiu como uma oportunidade inicial de exposição da
minha produção. Contudo, essa individualidade foi totalmente quebrada pelo
ideal coletivo de pensar em valorizar a literatura regional como um todo. Isso
foi somado ao prazer de poder contribuir para a produção e acrescer na própria
formação pessoal, aprendendo com pessoas experientes, inovadoras, poéticas e
prosadoras. O Flisba não é mais um projeto de quarentena como tantos, mas uma
ferramenta de formação do legado cultural sul baiano” concluiu ele.
Mais informaçõespodem ser obtidas pelas redes sociais do
FLISBA, bem como ainteração do público
com as redes sociais é muito importante para o evento. A Organização pede que as
pessoas se inscrevam nos canais.