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terça-feira, 19 de março de 2019

O DOM DA ADOÇÃO FILIAL - Dom Athanasius Schneider


16 de março de 2019
A fé cristã, única religião verdadeira e desejada por Deus

Dom Athanasius Schneider*

A verdade da filiação divina em Cristo, que é intrinsecamente sobrenatural, é a síntese de toda a revelação divina. A filiação divina é sempre um dom gratuito da graça, o dom mais sublime de Deus para a humanidade. No entanto esse dom é obtido somente através da fé pessoal em Cristo e da recepção do batismo, como o próprio Senhor ensinou: “Em verdade, em verdade vos digo: se alguém não nasce da água e do espírito, não pode entrar no Reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do espírito é espírito. Não vos surpreendais por eu ter dito que deveis nascer de novo” (João 3, 5-7).

Nas décadas passadas, ouviam-se muitas vezes, mesmo da boca de alguns representantes da hierarquia da Igreja, declarações sobre a teoria dos “cristãos anônimos”. Essa teoria diz o seguinte: a missão da Igreja no mundo consistiria, em última análise, em suscitar em cada homem a consciência de que deve ter a sua salvação em Cristo, e portanto em sua filiação divina, posto que, de acordo com a mesma teoria, cada ser humano já teria a filiação divina na profundidade de sua pessoa. Contudo, tal teoria contradiz diretamente a revelação divina tal como Cristo a ensinou e como seus apóstolos e a Igreja sempre a transmitiram por dois mil anos, de forma imutável e sem sombra de dúvida.

Igreja de São Roque, em Ajaccio, Córsega
Foto: Frederico Viotti
Em seu ensaio Die Kirche aus Juden und Heiden (A Igreja proveniente dos judeus e gentios), o conhecido convertido e exegeta Erik Peterson alertou em 1933 contra o perigo de tal teoria, afirmando que não se pode reduzir o ser cristão (Christsein) à ordem natural, na qual os frutos da redenção operada por Jesus Cristo seriam geralmente atribuídos a cada ser humano como uma espécie de herança, simplesmente porque compartilham a natureza humana com o Verbo Encarnado. Pelo contrário, a filiação divina não é um resultado automático, garantido pelo fato de pertencer à espécie humana.
Santo Atanásio (cf. Discurso contra os Arianos [Oratio contra Arianos], II, 59) nos deixou uma explicação simples e ao mesmo tempo precisa da diferença entre o estado natural dos homens como criaturas de Deus e a glória de serem filhos de Deus em Cristo. Desenvolve seu pensamento a partir das palavras do Evangelho de São João, que diz: “Ele deu poder para se tornarem filhos de Deus àqueles que creem em seu nome, que foram gerados não pelo sangue, nem pela vontade da carne, nem pelo desejo do homem, mas por Deus” (João 1, 12-13).
São João usa a expressão “foram gerados” para dizer que o homem se torna o filho de Deus não por natureza, mas por adoção. Este fato mostra o amor de Deus, pois quem é o Criador também se torna pai. Isso acontece, como diz o Apóstolo, quando os homens recebem em seus corações o Espírito do Filho encarnado que chora neles, “Abba, Pai!”. Santo Atanásio continua sua reflexão dizendo que, como seres criados, os homens podem se tornar filhos de Deus exclusivamente através da fé e do batismo, recebendo o Espírito do verdadeiro e natural Filho de Deus. Precisamente por essa razão, o Verbo se fez carne para tornar os homens capazes de adoção filial e participação na natureza divina. Portanto, estritamente falando, por natureza Deus não é o Pai dos seres humanos. Somente aquele que conscientemente aceita Cristo e é batizado será capaz de bradar em verdade: “Abba, Pai!” (Rom. 8, 15; Gal. 4, 6).
Desde o início da Igreja isso era afirmado, como testifica Tertuliano: “Os homens se tornam cristãos, não nascem cristãos” (Apol. 18, 5). E São Cipriano de Cartago formulou a mesma verdade, dizendo: “Não pode ter Deus como Pai quem não tem a Igreja como Mãe” (De Unit., 6).
A tarefa mais urgente da Igreja em nossos dias consiste em nos ocuparmos com a mudança do clima espiritual e do clima de migração espiritual. Do clima de não-fé em Jesus Cristo, e de rejeição à realeza de Cristo, se deve produzir uma mudança para um clima de fé explícita em Jesus Cristo e aceitação de Sua realeza. Os homens devem migrar da miséria do cativeiro espiritual da não-fé para a felicidade de serem filhos de Deus; e da vida em pecado, migrar para o estado da graça santificante. Estes são os migrantes com os quais devemos lidar urgentemente.

São Cipriano – Gravura, 1665.
The British Museum, Londres

O cristianismo é a única religião desejada por Deus, portanto nunca pode ser colocado de maneira complementar junto com outras religiões. Violaria a verdade da Revelação Divina quem apoiasse a tese de que Deus desejaria a diversidade das religiões, ao contrário do que é inequivocamente afirmado no primeiro mandamento do Decálogo. De acordo com a vontade de Cristo, a fé n’Ele e em seu ensinamento divino deve substituir outras religiões; porém, não pela força, mas com uma persuasão amorosa, como indica o hino de Louvor (Laudes) da festa de Cristo Rei: “Non Ille regno gladibus, non vi metuque subdidit: alto levatus stipite, amore traxit omnia” (Não pela espada, pela força e pelo medo que sujeita os povos, mas que exaltado na Cruz atrai amorosamente todas as coisas para Si).
Existe apenas um caminho para Deus, e este é Jesus Cristo, porque Ele mesmo disse: “Eu sou o caminho” (João 14, 6). Há apenas uma verdade, e esta é Jesus Cristo, porque Ele mesmo disse: “Eu sou a verdade” (João 14, 6). Há apenas uma vida verdadeiramente sobrenatural, e esta é Jesus Cristo, porque Ele mesmo disse: “Eu sou a vida” (João 14, 6).
O Filho de Deus Encarnado ensinou que fora da fé n’Ele não pode haver uma verdadeira religião que agrade a Deus: “Eu sou a porta: se alguém entrar por mim, será salvo” (João 10, 9). Mandou todos os homens, sem exceção, ouvir o seu Filho: “Este é o meu amado filho: escutai-o!” (Marcos 9, 7). Portanto, o que Deus disse não foi: “Podeis ouvir meu Filho ou outros fundadores de religiões, pois é minha vontade que haja diferentes religiões”.
O Bezerro de Ouro – Escola alemã, perto de 1600. Coleção Particular.

Deus proibiu reconhecer a legitimidade da religião de outros deuses: “Não terás outro deus diante de mim” (Êxodo 20, 3). “Que comunhão pode haver entre a luz e as trevas? Que acordo entre Cristo e Belial? Que colaboração entre crente e não crente? Que acordo entre o templo de Deus e os ídolos?” (2 Cor. 6, 14-16).

Se as outras religiões correspondessem igualmente à vontade de Deus, não haveria condenação divina ao culto do bezerro de ouro no tempo de Moisés (ver Êxodo 32, 4-20). Se assim fosse, os cristãos de hoje poderiam praticar impunemente a religião de um novo bezerro de ouro, já que todas as religiões, de acordo com essa teoria, seriam igualmente agradáveis ​​a Deus.

Deus deu aos apóstolos — e através deles à Igreja, para todos os tempos — a solene ordem de ensinar a todas as nações e seguidores de todas as religiões a única fé verdadeira, ensinando-os a observar todos os seus mandamentos divinos e batizá-los (Mateus 28, 19-20). Desde o início da pregação dos apóstolos e do primeiro Papa (São Pedro), a Igreja proclamou que a salvação não tem outro nome. Ou seja, não há sob o céu outra fé, outro nome pelo qual os homens podem ser salvos (cf. Atos 4, 12).

Nas palavras de Santo Agostinho, a Igreja ensinou em todos os momentos: “Somente a religião cristã indica o caminho aberto a todos para a salvação da alma. Sem ela nenhuma alma se salvará. Esta é a via régia, pois somente ela conduz, não a um reinado vacilante para a altura terrena, mas a um reino duradouro na eternidade estável” (De Civitate Dei, 10, 32, 1).

As seguintes palavras do Papa Leão XIII testemunham o mesmo ensinamento imutável do Magistério em todos os momentos: “O grande erro moderno do indiferentismo religioso e da igualdade de todos os cultos é o caminho oportuníssimo para aniquilar todas as religiões, e em particular a Igreja Católica. Sendo a única verdadeira, ela não pode, sem enorme injustiça, ser colocada em pé de igualdade com as demais” (Encíclica Humanum Genus, nº 16).

Nos últimos tempos, o Magistério apresentou substancialmente o mesmo ensinamento imutável no documento Dominus Jesus (6 de agosto de 2000), do qual transcrevemos algumas declarações relevantes:

 “Amiúde se identifica a fé teológica, que é a recepção da verdade revelada por Deus uno e trino, e a crença em outras religiões, que é uma experiência religiosa ainda em busca da verdade absoluta e ainda privada do acesso a Deus que se revela. Esta é uma das razões pelas quais se tende a reduzir, às vezes até cancelar, as diferenças entre o cristianismo e outras religiões” (nº 7).

“Seriam contrárias à fé cristã e católica essas propostas de solução que contemplam uma ação salvífica de Deus fora da única mediação de Cristo” (nº 14).

“Não raro se propõe evitar na teologia termos como ‘unidade’, ‘universalidade’, ‘absoluto’, cujo uso daria a impressão de uma ênfase excessiva no significado e valor do evento salvífico de Jesus Cristo em relação a outras religiões. Na realidade, esta linguagem expressa simplesmente a fidelidade ao dado revelado” (nº 15).

“Seria contrário à fé católica considerar a Igreja como um caminho de salvação junto com aqueles constituídos por outras religiões, que seriam complementares à Igreja, de fato substancialmente equivalentes a ela, embora convergindo com isso para o Reino escatológico de Deus” (nº 21).

“A verdade da fé exclui radicalmente essa mentalidade de indiferença”, marcada por um relativismo religioso que leva à crença de que “uma religião é a mesma que a outra” (João Paulo II, Encíclica Redemptoris Missio, 36) (nº 22).

Os apóstolos e os incontáveis ​​mártires cristãos de todos os tempos, especialmente os dos três primeiros séculos, teriam evitado o martírio se tivessem dito: “A religião pagã e seu culto é algo que também corresponde à vontade de Deus”. Não teria havido, por exemplo, uma França cristã (“a primogênita da Igreja”), se São Remígio tivesse dito a Clóvis, rei dos francos: “Não deves abandonar tua religião pagã; podes praticar a religião de Cristo com tua religião pagã”. De fato, o santo bispo falou de maneira diferente, embora de forma bastante rigorosa: “Adora o que queimaste e queima o que adoraste!”.

A verdadeira fraternidade universal só pode existir em Cristo, isto é, entre os batizados. A plena glória da filiação divina só será alcançada na visão bem-aventurada de Deus no céu, como ensina a Sagrada Escritura: “Veja que grande amor o Pai nos deu para sermos chamados filhos de Deus, e nós o somos de fato! É por isso que o mundo não nos conhece: porque não O conhece. Queridos, somos filhos de Deus a partir de agora, mas ainda não foi revelado o que vamos ser. Sabemos, no entanto, que quando se manifestar, seremos como Ele, porque O veremos como Ele é” (1 João 3, 1-2).

Nenhuma autoridade na Terra — nem mesmo a autoridade suprema da Igreja — tem o direito de conceder a qualquer seguidor de outra religião a isenção da fé explícita em Jesus Cristo, isto é, no Filho encarnado de Deus, único Redentor dos homens; e também não tem o direito de assegurar-lhes que as diferentes religiões são desejadas pelo próprio Deus. Ao contrário, permanecem indeléveis as palavras do Filho de Deus, porque estão escritas com o dedo de Deus e são cristalinas em seu sentido: “Quem acredita no Filho de Deus não é condenado, mas quem não crê já foi condenado, porque não creu no nome do unigênito Filho de Deus” (João 3:18).

Algumas pessoas na Igreja de nosso tempo — tão instáveis, covardes, sensacionalistas e conformistas — reinterpretam essa verdade num sentido contrário ao teor das palavras, colocam esta reinterpretação como continuidade no desenvolvimento da doutrina. Mas esta verdade foi válida até agora em todas as gerações cristãs, e assim permanecerá até o fim dos tempos. Fora da fé cristã, nenhuma outra religião pode ser um verdadeiro caminho e amada por Deus, porque esta é a vontade explícita de Deus: “Esta é realmente a vontade de meu Pai: todo aquele que conhece o Filho e crê n’Ele tenha vida eterna” (João 6, 40).

Fora da fé cristã, nenhuma outra religião é capaz de transmitir a verdadeira vida sobrenatural, de acordo com a oração que o próprio Cristo dirigiu ao Pai: “A vida eterna consiste em que conheçam a Ti, único e verdadeiro Deus, e a Jesus Cristo como aquele que enviaste” (João 17, 3).

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* Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Maria Santíssima em Astana (Cazaquistão).
Fonte: Revista Catolicismo, Nº 819, Março/2019.


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segunda-feira, 18 de março de 2019

ORAÇÃO A SÃO JOSÉ


18 de março de 2019

[Composta pelo Papa São Pio X]

Glorioso São José, modelo de todos os que se dedicam ao trabalho, obtende-me a graça de trabalhar com espírito de penitência, para a expiação de meus numerosos pecados; de trabalhar com consciência, pondo o culto do dever acima de minhas inclinações; de trabalhar com recolhimento e alegria, olhando como uma honra empregar e desenvolver pelo trabalho os dons recebidos de Deus; de trabalhar com ordem, paz, moderação e paciência, sem nunca recuar perante o cansaço e as dificuldades; de trabalhar sobretudo com pureza de intenção e com desapego de mim mesmo, tendo sempre diante dos olhos a morte e a conta que deverei dar do tempo perdido, dos talentos inutilizados, do bem omitido e da vã complacência no sucesso, tão funesta à obra de Deus.

Tudo para Jesus, tudo por Maria, tudo à vossa imitação, ó Patriarca São José! Tal será a minha divisa na vida e na morte. Amém.

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Comentário

José Antonio Rocha
18 de março de 2019

Amém. Que São José abençoe o Brasil com seu Amor ao trabalho, à honestidade e às Virtudes divinas. Que os nossos novos governantes ouçam a vos que vem do imaculado coração da Virgem Maria, do coração de São José e do Espírito de Jesus Cristo, Filho unigénito de Deus, verdadero homem, verdadeiro Deus. Que Jesus Cristo, Luz do mundo, Luz que nos conduz, conceda aos governantes brasileiros a Luz do discernimiento e da sabedoria para que eles, em duas decisões, possam discernir o certo do errado, o real do irreal, o Cristão do não cristão. Amém.



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O TRIUNFO DO AMOR - Cyro de Mattos


O moço morava no outro lado do rio. Lá havia uma olaria. Trabalhava ali, fazia moringa, panela, bonecos e santos. Mãos caprichosas, artesão afamado. A moça morava no lado de cá, margem esquerda do rio, onde havia a pequena cidade com o seu comércio próspero. Fazia toalha, tapete, rede. As mãos delicadas, tecelã admirada.

Em cada domingo, empreendia o caminho das águas. Na canoa remava. Sentia-se bem com a manhã clara, a aflorar sentimentos de ternura, a cada lance que remava. ”Rema, rema, remador, se queres ver o teu amor”.

Manejava o remo com serenidade, a canoa singrava no espelho das águas. Prosseguia na manhã sem nuvens, o moço concentrado em cada remada que dava, a canoa como uma folha deslizando nas águas claras, de fontes puríssimas. “Se a canoa não virar, devagar chegarás lá, o teu amor vais encontrar.”

O casamento foi marcado para maio, mês de nascimento do moço artesão e da moça tecelã. Era para acontecer num desses domingos de sol radiante. Na igrejinha de paredes alvas, erguida na colina, no pátio enfeitada de bandeirolas. Lá dentro os vasos com cravos e rosas, os ares ativados com o perfume das flores. O sino velho na torre saudaria os noivos, as batidas fazendo blem, blem, blem, alegrando a cidadezinha na manhã luminosa.

Vontade de chegar depressa, abreviar o caminho das águas. Bater à porta da casa onde a moça o esperava desde cedo, o coração temeroso, o rosto de ânsia. A canoa impelida pelo remo em lances cadenciados. O vento, a princípio manso, de repente assoviou forte, no peito do moço bateu enraivado. Mostrava que também estava enamorado da moça. Vento virado em bicho ciumento, danado, como se quisesse derrubar nas águas o moço, impedindo-o de se encontrar com a moça. Bateu mais forte na canoa, que bateu na pedra, virou de lado, encheu de água. Desceu para o fundo do poço.

Nadou com firmes braçadas. Para se encher de ânimo, o moço dizia para si, entre os redemoinhos da alma. “Nada, nada, nadador, se queres ver o teu amor.” Até que pisou em terra firme. Estava cansado, o peito arfava. Colheu flores silvestres no barranco, antes de prosseguir na jornada.

Já desanimada, a moça não mais esperava que ele aparecesse. Ouviu alguém bater palmas lá fora. “Tem alguém aí em casa?” Apressada foi abrir a porta. Queria saber de quem eram as palmas fortes. Assustada, viu o moço que aparecia risonho, um rosto de expressão vitoriosa.

Entregou à moça o buquê de flores. Pediu uma xícara de café quente. Sentou na cadeira da sala, vestido com outras roupas, limpas e engomadas, que a própria moça providenciara. Depois de aquecer o peito com o café, bebido aos poucos, começou a contar por que se atrasara. O vento cheio de ciúme bateu na canoa com uma rajada medonha, suficiente para fazer um rombo na popa. A canoa afundou. Para não esmorecer na travessia, fortaleceu a vontade com uma coragem impressionante. Impeliu-se em arrojadas braçadas. Nada o atemorizava. Nem o poço fundo, a correnteza poderosa, o vento incontrolável, que enciumado assoviava na manhã tormentosa.

Durante a difícil travessia, só queria que chegasse aquela hora para dizer à moça o que sempre desejara:
- Estou esperando na igrejinha para receber você como a minha esposa.

Como havia prometido, desde aquele dia em que o artesão afamado deu o seu primeiro beijo na tecelã amada.


* Cyro de Mattos é escritor e poeta. Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz. Possui prêmios literários expressivos no Brasil e exterior. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia.


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domingo, 17 de março de 2019

DUAS HISTÓRIAS SOBRE O ENCONTRO COM DEUS - Paulo Coelho


O discípulo impaciente

Após uma exaustiva sessão matinal de orações no monastério de Piedra, o noviço perguntou ao abade:
- Todas estas orações que o senhor nos ensina, fazem com que Deus se aproxime de nós?
- Vou respondê-lo com outra pergunta - disse o abade. - Todas estas orações que você reza irão fazer o sol nascer amanhã?
- Claro que não! O sol nasce porque obedece a uma lei universal!
- Então, esta é a resposta à sua pergunta. Deus está perto de nós, independente das preces que fazemos.
O noviço revoltou-se:
- O senhor que dizer que nossas orações são inúteis?
- Absolutamente. Se você não acorda cedo, nunca conseguirá ver o sol nascendo. Se você não reza, embora Deus esteja sempre perto, você nunca conseguirá notar Sua presença.
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Eu quero encontrar Deus
O homem chegou exausto no mosteiro:
- Venho procurando Deus há muito tempo - disse. - Talvez o senhor me ensine a maneira correta de encontrá-lo.
- Entre e veja nosso convento - disse o padre, pegando- o pelas mãos e levando-o até a capela. - Aqui estão as mais belas obras de arte do século XVI, que retratam a vida do Senhor, e a Sua glória junto aos homens.
O homem aguardou, enquanto o padre explicava cada uma das belas pinturas e esculturas que adornavam a capela. No final, repetiu a pergunta:
- Muito bonito tudo o que vi. Mas eu gostaria de aprender a maneira mais correta de encontrar Deus.
- Deus! - respondeu o padre. - Você disse muito bem: Deus!
E levou o homem até o refeitório, onde estava sendo preparado o jantar dos monges.
- Olhe a sua volta: daqui a pouco será servido o jantar, e você está convidado para comer conosco. Poderá ouvir a leitura das Escrituras, enquanto sacia sua fome.
- Não tenho fome, e já li todas as escrituras - insistiu o homem. - Quero aprender. Vim até aqui para encontrar Deus.
O padre de novo pegou o estranho pelas mãos, e começaram a caminhar pelo claustro, que circundava um belo jardim.
- Peço aos meus monges para manterem a grama sempre cortada, e que tirem as folhas secas da água da fonte que você vê ali no meio. Penso que este é o mosteiro mais limpo de toda a região.
O estranho caminhou um pouco com o padre, depois pediu licença, dizendo que precisava ir embora.
- Você não vai ficar para jantar? Perguntou o padre.
Enquanto montava no seu cavalo, o estranho comentou:
- Parabéns por sua bela igreja, pelo refeitório acolhedor, pelo pátio impecavelmente limpo. Entretanto, eu viajei muitas léguas apenas para aprender a encontrar Deus, e não para deslumbrar-me com eficiência, conforto, e disciplina.
Um trovão caiu do céu, o cavalo relinchou forte, e a terra foi sacudida. De repente, o estranho tirou seu disfarce, e o padre viu que estava diante de Jesus.
- Deus está onde o deixam entrar - disse Jesus. - Mas vocês fecharam a porta deste mosteiro para ele, usando regras, orgulho, riqueza, ostentação. Da próxima vez que um estranho se aproximar pedindo para encontrar Deus, não mostre o que vocês conseguiram em nome Dele: escute a pergunta, e tente respondê-la com amor, caridade, e simplicidade.
Dizendo isso, desapareceu.
Diário de Pernambuco, 22/11/2010

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Paulo Coelho - Oitavo ocupante da Cadeira nº 21 da ABL, eleito em 25 de julho de 2002 na sucessão de Roberto Campos e recebido em 28 de outubro de 2002 pelo Acadêmico Arnaldo Niskier.

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JAIR CHOCA MESMO! - Luciano Guimarães


"Se você está chocado com a falta de refinamento de Jair Bolsonaro, melhor já ir se acostumando. Temos ainda três anos e dez meses de mandato pela frente e ele não vai mudar. Jair Bolsonaro é sem meias palavras, sem polidez, fala o que pensa, não mede as palavras, é rude, grosso, tosco, estabanado, grosseiro. E exatamente por isso foi eleito.

Os brasileiros poderiam ter optado por Alckmin ou Meirelles, teoricamente mais bem-educados e preparados. Mas todo mundo sabe que Alckmin e Meirelles perderam a eleição por serem ladrões mansos, muito educados - para falar e muito preparados para roubar. Quando o momento pedia um braço de ferro para desinfetar o petismo das entranhas do governo, eles não fizeram porque estavam com rabo preso.

O jeito de Jair Bolsonaro não é surpresa para ninguém. Ou já se esqueceram dos embates com Bonner e Renata no Jornal Nacional, com Miriam Leitão na GloboNews, ou com Maria do Rosário ou Jean Wyllys no Congresso Nacional? Esse é Jair Bolsonaro.

No segundo turno os brasileiros poderiam ter escolhido Haddad,  fala educada e mentirosa, o jeito refinado e a elegância de um tipico ladrão de casaca, aonde escondia os planos mais perversos para fechar o País, com ideologias de gêneros e outras atrocidades. 

Mas o povo não estava mais disposto a eleger ninguém da laia do PT para serem roubados descaradamente enquanto ouviam um papo legal de alguém com um sorriso no rosto e de grandes mentiras. Aonde obedecia a ordens do chefe da sua quadrilha, de dentro da cadeia.

Jair Bolsonaro não vai fazer grandes discursos. Não será lembrado por grandes pronunciamentos. E provavelmente vai continuar chocando quem achava que ele se transformaria em um príncipe encantado assim que colocasse os pés na presidência. Haverá alguns sobressaltos no caminho, que passam tão logo a gente se lembra de qual era a outra opção."
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Mas, ele tentará colocar esse País afundado de roubos e corrupção em Ordem novamente. E é isso o que o povo espera e quer e não de falas e promessas bonitas.

Acostume-se. O Povo Brasileiro, precisa de Ordem e Progresso e ele fará, usando tratamento de choque! 

Jair Bolsonaro não é Obama, é Rambo.


Luciano Guimarães.

(Recebi via WhatsApp)


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PALAVRA DA SALVAÇÃO (122)



2º Domingo da Quaresma – 17/03/2019

Anúncio do Evangelho (Lc 9,28b-36)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus levou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha para rezar. Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante. Eis que dois homens estavam conversando com Jesus: eram Moisés e Elias. Eles apareceram revestidos de glória e conversavam sobre a morte, que Jesus iria sofrer em Jerusalém.
Pedro e os companheiros estavam com muito sono. Ao despertarem, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com ele.
E, quando estes homens se iam afastando, Pedro disse a Jesus: “Mestre, é bom  estarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Pedro não sabia o que estava dizendo.
Ele estava ainda falando, quando apareceu uma nuvem que os cobriu com sua sombra. Os discípulos ficaram com medo ao entrarem dentro da nuvem.
Da nuvem, porém, saiu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutai o que ele diz!”
Enquanto a voz ressoava, Jesus encontrou-se sozinho. Os discípulos ficaram calados e naqueles dias não contaram a ninguém nada do que tinham visto.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Cleberson Evangelista:

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A Transparência de um rosto
Carlos Araujo

“Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante” (Lc 9,29) 

O evangelho deste domingo recorda a Transfiguração de Jesus no monte (o Tabor da vida), face a face, diante do Pai e diante de seus três amigos, revelando assim seu rosto diante de todos. Ele quer que o vejam, que todos o vejamos (com Moisés e Elias), descobrindo assim o rosto do “Deus invisível” no rosto dos homens e das mulheres, para compartilhar com eles(as) vida e conversação. 

O evangelista Lucas insiste em centrar a atenção do rosto de Jesus, que “muda de aparência”, se ilumina e aparece como revelação de Deus. Neste tempo quaresmal, Jesus nos faz subir ao monte e se transfigura (se desnuda e se reveste de glória), para que descubramos seu rosto, para que o vejamos, o contemplemos, de forma que saibamos quem Ele é, e possamos dialogar com Ele, em admiração, beleza e compromisso de seguimento evangélico. Pois bem, esse rosto de Deus que se ilumina em Jesus sobre a montanha se estende e se encarna no rosto de cada ser humano, sobretudo dos mais pobres e excluídos. 

Dessa forma, Jesus identifica a estética (beleza do rosto) com a ética: move-nos a descobrir Deus nos rostos dos outros, acolhê-Lo presente nestes rostos e dialogar com Ele; deixar-nos interpelar por cada um destes rostos (enfermo, encarcerado, estrangeiro, excluído...), pois eles são em Cristo (sobre o Tabor da história) a beleza e presença suprema de Deus. 

É muito frequente na Bíblia a menção à Face de Deus para indicar a sua presença e o reconhecimento re-cíproco entre Ele e o ser humano. “É tua face, Senhor, que eu procuro, não me escondas tua face” (Sl. 27,8).

A face humana tem sempre muito a dizer; por isso, é preciso iluminá-la com a transparência da Face de Deus. E, assim, a face humana se tornará, cada vez mais, face divinizada. A revelação bíblica, ao afirmar que Deus se “fez rosto” e que o ser humano é imagem de Deus, privilegiou o rosto humano. No entanto, hoje, a “deformação do rosto de Deus” ameaça essa face humana, desprezada pela violência preconceituosa, pela intolerância e pelo anonimato das grandes cidades. 

Daí a urgência de uma reflexão sobre o rosto que se abre à eternidade, ao inesgotável, e que nos conduzirá ao “Rosto dos rostos”, o de Deus “humanizado”, para permitir-nos decifrar nele a face humana e o ícone do ser humano divinizado. Além disso, todo rosto, por mais desgastado ou destruído que esteja, revela-se  único e inimitável, para quem consegue ver com o olhar do coração.

Nós conhecemos os rostos, temos familiaridade com os rostos, aprendemos a colher as suas expressões e nelas ler o interior da pessoa. Na realidade, não vemos com os olhos, vemos com o nosso rosto. Dizendo de outro modo: o “olhar” não se encontra nos olhos, mas no rosto. Os olhos nada dizem, mas o rosto com que olhamos guarda um segredo. É o rosto que desvenda o mistério do olhar. O rosto da mãe revela à criança o segredo do seu olhar. E o rosto da criança revela à mãe o segredo do seu olhar. 

A palavra é a linguagem dos pensamentos, o rosto a linguagem das emoções, uma linguagem universal, não ensinada e não aprendida em parte nenhuma, mas por todos compreendida. As emoções falam a mesma língua em todos os tempos e lugares. A face humana é carregada de sentido. Fala, sem utilizar palavras; diz, sem soltar a voz. De repente, a face humana apresenta-se, comparece inesperadamente.

A face humana é mistério. Ata e desata segredos. É presença. Está exposta a todos. É patente. Está aí. Pode ser vista, pode ser comentada, pode ser seguida. 

As expressões do semblante, o olhar, a voz, o sorriso, é uma linguagem na linguagem, um dizer no dizer, um texto inconsciente, nascido das profundezas, que se insere no texto verbal consciente. Palavras e expressões do rosto andam juntas e se interpenetram. As expressões do rosto falam mais do que as palavras, porque manifestam inúmeros significados a partir da personalidade humana; elas completam, confirmam e por vezes contradizem o que é dito com palavras e revelam, muitas vezes melhor que as palavras, a veracidade da pessoa. Acrescentam um complemento inconsciente de cor e de verdade às palavras, às vezes absolutamente contra a vontade de quem fala. A sua espontaneidade imediata precede as intenções. 

A linguagem do rosto vem do fundo. Falamos do “rosto interior”; nas suas expressões aflora o íntimo do indivíduo, o mundo dos seus estados de ânimo, os quais, sendo intrinsecamente não verbais, fogem à linguagem articulada. E é uma linguagem verdadeira porque as emoções não mentem. Na face humana, escondem-se mensagens intrigantes. A face expressa a identidade da pessoa; ela revela o universo humano, é cenário de certezas, de decisões, de dúvidas, de aspirações, de dramas, de temores, de arte... 

Nesse sentido, a transfiguração revela outra realidade de Jesus e nossa; este “mistério” nos desvela e nos move a ultrapassar nossas “falsas imagens” e encontrar-nos com a luz que nos habita. Podemos “entrar” dentro de nós mesmos porque em nós está a dimensão de eternidade, de transparência, de divino.

A transparência é algo mais estável e faz referência à luz, à vida interior, ao conhecimento próprio, ao desejo de deixar-se ver, à pureza de intenção, à simplicidade e ao deixar-se conduzir pelo mesmo Espírito de Jesus. Tem a ver com a capacidade de conhecer-se a si mesmo e de comunicar aos outros a verdade de si mesmo, que se visibiliza no rosto iluminado.

Tomamos este conceito como aquela qualidade de uma pessoa que vive e se manifesta aos outros por atos e por palavras, de maneira que fica clara sua verdade, seu sentido de pertença à comunidade dos seguidores de Jesus e sua confiança nos demais membros da mesma comunidade. 

Não basta contemplar rostos humanas; importa deixar-se interpelar por eles. É preciso ser perspicaz para ler e interpretar o sentido da face humana. Só quem é transparente, possui um olhar límpido para captar o “mistério” escondido no rosto do outro. Ao contemplar um rosto, o olhar chega ao coração humano, ali onde se encontra o sabor divino mais genuíno na vida da pessoa. E quando somos capazes de olhar em profundidade o rosto do outro, com simplicidade podemos encontrar no coração dele uma “imagem” de meu próprio coração. O olhar transfigurado deve ser portador do bom aroma que atrai ao encontro e à fraternidade.

Em nosso corpo, o “rosto” tem uma importância muito especial: através dele e de seu olhar, nos mostramos e somos percebidos e encontrados. O rosto, o olhar, dão ao nosso corpo sua beleza verdadeira, tão diferente da beleza postiça dos cosméticos, das joias e vestimentas. É a beleza de um rosto que nos leva para a transcendência, a santidade. Quem se unifica e se dilata encontra, sem buscá-lo, seu verdadeiro rosto, porque a beleza do rosto, é “epifania da pessoa”. O verdadeiro rosto nasce do coração, quando este se transfigura. 

Texto bíblico:  Lc 9,28-36 
Na oração:

Deixe que o Espírito lhe conduza até onde seus medos não ousam chegar, dentro  da luz, da verdade, e da vida plena.

- É dentro de uma luz mais clara que o seu verdadeiro rosto se revela, se refazem todos os caminhos e se  superam todos os conflitos.

- Coloque-se diante de tantos rostos humanos: faça um “percurso”, começando pelos rostos mais próximos e familiares; lentamente, vá ampliando sua visão acolhendo os rostos dos mais distantes, excluídos, rostos desfigurados, sofridos, rostos que sofrem preconceitos, julgamentos... Por detrás da aparência de cada rosto, capte a presença do “rosto divino”; entre em sintonia e comunhão com todos os rostos, constituindo o grande painel do rosto universal da humanidade. Em cada rosto humano, sinta ressoar a voz do Pai: “este é o meu(minha) filho(a), o(a) escolhido(a)”. 

Pe. Adroaldo Palaoro sj

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sábado, 16 de março de 2019

ABL DÁ INÍCIO A SUAS ATIVIDADES CULTURAIS DE 2019 COM O CICLO DE CONFERÊNCIAS ‘PRESENÇAS FUNDAMENTAIS’



A Academia Brasileira de Letras abre, dia 21 de março, quinta-feira, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr. (Avenida Presidente Wilson, 203, Castelo, Rio de Janeiro), com o tema “Presenças Fundamentais”, a temporada 2019 de seus ciclos de conferências, sob coordenação-geral da Acadêmica e escritora Ana Maria Machado, Primeira-Secretária da ABL.

A palestra de abertura, intitulada O lugar de Machado de Assis na literatura brasileira, coordenada pelo Acadêmico Marco Lucchesi, Presidente da ABL, terá como conferencista o Acadêmico Domício Proença Filho. Jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, Machado de Assis foi o fundador da cadeira nº. 23 e ocupou por mais de dez anos a Presidência da Academia, que passou a ser chamada também de Casa de Machado de Assis.

O ciclo terá mais duas conferências, sempre às quintas-feiras, no mesmo local e horário: Nabuco: uma visão do passado brasileiro, tendo como palestrante o Acadêmico Evaldo Cabral de Mello; e Rui Barbosa, 170 anos, dimensão da atualidade do seu percurso, com o Acadêmico Celso Lafer.

Serão fornecidos certificados de frequência.

A Acadêmica Ana Maria Machado é a Coordenadora-Geral dos ciclos de conferências de 2019.

OS CONFERENCISTAS

Domício Proença Filho é Professor Emérito e Professor Titular de Literatura Brasileira da Universidade Federal Fluminense, aposentado. Doutor e Livre-Docente em Letras, foi Professor da disciplina e de língua portuguesa em diversos outros estabelecimentos de ensino superior, entre eles, a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Pontifícia Universidade Católica da mesma cidade. Na condição de Professor Titular Convidado (Gastprofessor), ministrou cursos na Universidade de Colônia e na Escola Técnica de Altos Estudos de Aachen.

Participou, como conferencista e debatedor, de seminários e cursos promovidos por instituições de ensino superior e centros de estudos em Lisboa, Coimbra, Porto, Colônia, Tübingen, Munique, Roma, Bolonha, Madri, Salamanca, Paris, Clermont Ferrand, e Minesota.

O Acadêmico é, também, crítico, ensaísta, poeta, ficcionista, roteirista e promotor cultural. Publicou 68 livros, entre eles, Estilos de época na literatura, a linguagem literáriaA poesia dos Inconfidentes (org.); Oratório dos InconfidentesO risco do jogo – poemas; Capitu-memórias póstumas (romance); Breves estórias de Vera Cruz das Almas; Nova ortografia da língua portuguesa – guia prático; Leitura do texto, leitura do mundo; e Muitas línguas, uma língua: a trajetória do português brasileiro. É membro da Academia Brasileira de Letras, de que foi presidente (2016-2017), da Academia Brasileira de Filologia e da Academia das Ciências de Lisboa e do PEN Clube do Brasil.

Evaldo Cabral de Mello nasceu no Recife em 1936 e atualmente mora no Rio de Janeiro. Estudou Filosofia da História em Madri e Londres. Em 1960, ingressou no Instituto Rio Branco e dois anos depois iniciou a carreira diplomática. Serviu nas embaixadas do Brasil em Washington, Madri, Paris, Lima e Barbados, e também nas missões do Brasil em Nova York e Genebra, e nos consulados gerais do Brasil em Lisboa e Marselha.

Um dos mais destacados historiadores brasileiros, Evaldo Cabral de Mello é especialista em História regional e no período de domínio holandês em Pernambuco no século XVII, assunto sobre o qual escreveu muitos de seus livros, como Olinda restaurada (1975), sua primeira obra, Rubro veio (1986), sobre o imaginário da guerra entre Portugal e Holanda, e O negócio do Brasil (1998), sobre os aspectos econômicos e diplomáticos do conflito entre portugueses e holandeses. É organizador do volume Essencial Joaquim Nabuco, da Penguin-Companhia das Letras.

Celso Lafer, quinto ocupante da Cadeira 14 da Academia Brasileira de Letras, eleito em 2006, é professor Emérito da Universidade de São Paulo, do seu Instituto de Relações Internacionais e de sua Faculdade de Direito, na qual estudou e da qual foi titular, tendo lecionado Direito Internacional e Filosofia do Direito, de 1971 até a sua aposentadoria, em 2011.

Obteve o seu PhD em Ciência Política na Universidade de Cornell (EUA), em 1970; a livre-docência em Direito Internacional Público na Faculdade de Direito da USP, em 1977, e a titularidade em Filosofia do Direito, em 1988. De 2007 a 2015, presidiu a FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. 

Foi Ministro de Estado das Relações Exteriores em 1992 e, em 2001-2002. Em 1999, foi Ministro de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. De 1995 a 1998, foi Embaixador, Chefe da Missão Permanente do Brasil junto às Nações Unidas e à Organização Mundial do Comércio em Genebra. É membro titular da Academia Brasileira de Ciências (2004) e membro efetivo da Academia Paulista de Letras, eleito em 2014.

Suas publicações mais recentes incluem: Norberto Bobbio – Trajetória e obra – 1ª edição, São Paulo, Perspectiva (2013); Lasar Segall: múltiplos olhares – São Paulo, Imprensa Oficial do Estado (2015); A reconstrução dos direitos humanos (Um diálogo com o pensamento de Hannah Arendt) – São Paulo: Companhia das Letras, 1988. Idem em espanhol, México: Fondo de Cultura Económica, 1994. Última reedição, São Paulo: Cia. das Letras, 2015; Um percurso no Direito no século XXI. Vol. 1 – Direitos Humanos, Vol. 2 – Direito Internacional, Vol. 3 – Filosofia e Teoria Geral do Direito. São Paulo: Atlas, Grupo Gen, 2015; Hannah Arendt: Pensamento, Persuasão e Poder. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2018. 3.a ed. revista e ampliada, 2018; Relações Internacionais, Política Externa e Diplomacia Brasileira – Pensamento e Ação. 2 volumes. Brasilia: Fundação Alexandre de Gusmão, 2018.

28/02/2019


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