Glorioso São José, modelo de todos os que se dedicam ao
trabalho, obtende-me a graça de trabalhar com espírito de penitência, para a
expiação de meus numerosos pecados; de trabalhar com consciência, pondo o culto
do dever acima de minhas inclinações; de trabalhar com recolhimento e alegria,
olhando como uma honra empregar e desenvolver pelo trabalho os dons recebidos
de Deus; de trabalhar com ordem, paz, moderação e paciência, sem nunca recuar
perante o cansaço e as dificuldades; de trabalhar sobretudo com pureza de
intenção e com desapego de mim mesmo, tendo sempre diante dos olhos a morte e a
conta que deverei dar do tempo perdido, dos talentos inutilizados, do bem
omitido e da vã complacência no sucesso, tão funesta à obra de Deus.
Tudo para Jesus, tudo por Maria, tudo à vossa imitação, ó
Patriarca São José! Tal será a minha divisa na vida e na morte. Amém.
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Comentário
José Antonio Rocha
18 de março de 2019
Amém. Que São José abençoe o Brasil com seu Amor ao
trabalho, à honestidade e às Virtudes divinas. Que os nossos novos governantes
ouçam a vos que vem do imaculado coração da Virgem Maria, do coração de São
José e do Espírito de Jesus Cristo, Filho unigénito de Deus, verdadero homem,
verdadeiro Deus. Que Jesus Cristo, Luz do mundo, Luz que nos conduz, conceda
aos governantes brasileiros a Luz do discernimiento e da sabedoria para que
eles, em duas decisões, possam discernir o certo do errado, o real do irreal, o
Cristão do não cristão. Amém.
O moço morava no outro lado do rio. Lá havia uma olaria.
Trabalhava ali, fazia moringa, panela, bonecos e santos. Mãos caprichosas,
artesão afamado. A moça morava no lado de cá, margem esquerda do rio, onde
havia a pequena cidade com o seu comércio próspero. Fazia toalha, tapete, rede.
As mãos delicadas, tecelã admirada.
Em cada domingo, empreendia o caminho das águas. Na canoa
remava. Sentia-se bem com a manhã clara, a aflorar sentimentos de ternura, a
cada lance que remava. ”Rema, rema, remador, se queres ver o teu amor”.
Manejava o remo com serenidade, a canoa singrava no espelho
das águas. Prosseguia na manhã sem nuvens, o moço concentrado em cada remada
que dava, a canoa como uma folha deslizando nas águas claras, de fontes
puríssimas. “Se a canoa não virar, devagar chegarás lá, o teu amor vais
encontrar.”
O casamento foi marcado para maio, mês de nascimento do moço
artesão e da moça tecelã. Era para acontecer num desses domingos de sol
radiante. Na igrejinha de paredes alvas, erguida na colina, no pátio enfeitada
de bandeirolas. Lá dentro os vasos com cravos e rosas, os ares ativados com o
perfume das flores. O sino velho na torre saudaria os noivos, as batidas
fazendo blem, blem, blem, alegrando a cidadezinha na manhã luminosa.
Vontade de chegar depressa, abreviar o caminho das águas.
Bater à porta da casa onde a moça o esperava desde cedo, o coração temeroso, o
rosto de ânsia. A canoa impelida pelo remo em lances cadenciados. O vento, a
princípio manso, de repente assoviou forte, no peito do moço bateu enraivado.
Mostrava que também estava enamorado da moça. Vento virado em bicho ciumento,
danado, como se quisesse derrubar nas águas o moço, impedindo-o de se encontrar
com a moça. Bateu mais forte na canoa, que bateu na pedra, virou de lado,
encheu de água. Desceu para o fundo do poço.
Nadou com firmes braçadas. Para se encher de ânimo, o moço
dizia para si, entre os redemoinhos da alma. “Nada, nada, nadador, se queres
ver o teu amor.” Até que pisou em terra firme. Estava cansado, o peito arfava.
Colheu flores silvestres no barranco, antes de prosseguir na jornada.
Já desanimada, a moça não mais esperava que ele aparecesse.
Ouviu alguém bater palmas lá fora. “Tem alguém aí em casa?” Apressada foi abrir
a porta. Queria saber de quem eram as palmas fortes. Assustada, viu o moço que
aparecia risonho, um rosto de expressão vitoriosa.
Entregou à moça o buquê de flores. Pediu uma xícara de café
quente. Sentou na cadeira da sala, vestido com outras roupas, limpas e
engomadas, que a própria moça providenciara. Depois de aquecer o peito com o
café, bebido aos poucos, começou a contar por que se atrasara. O vento cheio de
ciúme bateu na canoa com uma rajada medonha, suficiente para fazer um rombo na
popa. A canoa afundou. Para não esmorecer na travessia, fortaleceu a vontade
com uma coragem impressionante. Impeliu-se em arrojadas braçadas. Nada o
atemorizava. Nem o poço fundo, a correnteza poderosa, o vento incontrolável,
que enciumado assoviava na manhã tormentosa.
Durante a difícil travessia, só queria que chegasse aquela
hora para dizer à moça o que sempre desejara:
- Estou esperando na igrejinha para receber você como a
minha esposa.
Como havia prometido, desde aquele dia em que o artesão
afamado deu o seu primeiro beijo na tecelã amada.
* Cyro de Mattos é escritor e poeta. Doutor Honoris Causa da
Universidade Estadual de Santa Cruz. Possui prêmios literários expressivos no
Brasil e exterior. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia.
Após uma exaustiva sessão matinal de orações no monastério
de Piedra, o noviço perguntou ao abade:
- Todas estas orações que o senhor nos ensina, fazem com que
Deus se aproxime de nós?
- Vou respondê-lo com outra pergunta - disse o abade. -
Todas estas orações que você reza irão fazer o sol nascer amanhã?
- Claro que não! O sol nasce porque obedece a uma lei
universal!
- Então, esta é a resposta à sua pergunta. Deus está perto
de nós, independente das preces que fazemos.
O noviço revoltou-se:
- O senhor que dizer que nossas orações são inúteis?
- Absolutamente. Se você não acorda cedo, nunca conseguirá
ver o sol nascendo. Se você não reza, embora Deus esteja sempre perto, você
nunca conseguirá notar Sua presença.
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Eu quero encontrar Deus
O homem chegou exausto no mosteiro:
- Venho procurando Deus há muito tempo - disse. - Talvez o
senhor me ensine a maneira correta de encontrá-lo.
- Entre e veja nosso convento - disse o padre, pegando- o
pelas mãos e levando-o até a capela. - Aqui estão as mais belas obras de arte
do século XVI, que retratam a vida do Senhor, e a Sua glória junto aos homens.
O homem aguardou, enquanto o padre explicava cada uma das
belas pinturas e esculturas que adornavam a capela. No final, repetiu a
pergunta:
- Muito bonito tudo o que vi. Mas eu gostaria de aprender a
maneira mais correta de encontrar Deus.
- Deus! - respondeu o padre. - Você disse muito bem: Deus!
E levou o homem até o refeitório, onde estava sendo
preparado o jantar dos monges.
- Olhe a sua volta: daqui a pouco será servido o jantar, e
você está convidado para comer conosco. Poderá ouvir a leitura das Escrituras,
enquanto sacia sua fome.
- Não tenho fome, e já li todas as escrituras - insistiu o
homem. - Quero aprender. Vim até aqui para encontrar Deus.
O padre de novo pegou o estranho pelas mãos, e começaram a
caminhar pelo claustro, que circundava um belo jardim.
- Peço aos meus monges para manterem a grama sempre cortada,
e que tirem as folhas secas da água da fonte que você vê ali no meio. Penso que
este é o mosteiro mais limpo de toda a região.
O estranho caminhou um pouco com o padre, depois pediu
licença, dizendo que precisava ir embora.
- Você não vai ficar para jantar? Perguntou o padre.
Enquanto montava no seu cavalo, o estranho comentou:
- Parabéns por sua bela igreja, pelo refeitório acolhedor,
pelo pátio impecavelmente limpo. Entretanto, eu viajei muitas léguas apenas
para aprender a encontrar Deus, e não para deslumbrar-me com eficiência,
conforto, e disciplina.
Um trovão caiu do céu, o cavalo relinchou forte, e a terra
foi sacudida. De repente, o estranho tirou seu disfarce, e o padre viu que
estava diante de Jesus.
- Deus está onde o deixam entrar - disse Jesus. - Mas vocês
fecharam a porta deste mosteiro para ele, usando regras, orgulho, riqueza,
ostentação. Da próxima vez que um estranho se aproximar pedindo para encontrar
Deus, não mostre o que vocês conseguiram em nome Dele: escute a pergunta, e
tente respondê-la com amor, caridade, e simplicidade.
Paulo Coelho - Oitavo ocupante da Cadeira nº 21 da ABL,
eleito em 25 de julho de 2002 na sucessão de Roberto Campos e recebido em 28 de
outubro de 2002 pelo Acadêmico Arnaldo Niskier.
"Se você está chocado com a falta de refinamento de
Jair Bolsonaro, melhor já ir se acostumando. Temos ainda três anos e dez meses
de mandato pela frente e ele não vai mudar. Jair Bolsonaro é sem meias
palavras, sem polidez, fala o que pensa, não mede as palavras, é rude,
grosso, tosco, estabanado, grosseiro. E exatamente por isso foi eleito.
Os brasileiros poderiam ter optado por Alckmin ou Meirelles,
teoricamente mais bem-educados e preparados. Mas todo mundo sabe que Alckmin e
Meirelles perderam a eleição por serem ladrões mansos, muito educados - para
falar e muito preparados para roubar. Quando o momento pedia um braço de ferro
para desinfetar o petismo das entranhas do governo, eles não fizeram porque
estavam com rabo preso.
O jeito de Jair Bolsonaro não é surpresa para ninguém. Ou já
se esqueceram dos embates com Bonner e Renata no Jornal Nacional, com Miriam
Leitão na GloboNews, ou com Maria do Rosário ou Jean Wyllys no Congresso
Nacional? Esse é Jair Bolsonaro.
No segundo turno os brasileiros poderiam ter escolhido
Haddad, fala educada e mentirosa, o jeito refinado e a elegância de um
tipico ladrão de casaca, aonde escondia os planos mais perversos para fechar o
País, com ideologias de gêneros e outras atrocidades.
Mas o povo
não estava mais disposto a eleger ninguém da laia do PT para serem roubados
descaradamente enquanto ouviam um papo legal de alguém com um sorriso no rosto
e de grandes mentiras. Aonde obedecia a ordens do chefe da sua quadrilha, de
dentro da cadeia.
Jair Bolsonaro não vai fazer grandes discursos. Não será
lembrado por grandes pronunciamentos. E provavelmente vai continuar chocando
quem achava que ele se transformaria em um príncipe encantado assim que
colocasse os pés na presidência. Haverá alguns sobressaltos no caminho, que
passam tão logo a gente se lembra de qual era a outra opção."
..........
Mas, ele tentará colocar esse País afundado de roubos e
corrupção em Ordem novamente. E é isso o que o povo espera e quer e não de
falas e promessas bonitas.
Acostume-se. O Povo Brasileiro, precisa de Ordem e Progresso
e ele fará, usando tratamento de choque!
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus
Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, Jesus levou consigo Pedro, João e Tiago,
e subiu à montanha para rezar. Enquanto rezava, seu rosto mudou de
aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante. Eis que dois homens
estavam conversando com Jesus: eram Moisés e Elias. Eles apareceram
revestidos de glória e conversavam sobre a morte, que Jesus iria sofrer em
Jerusalém.
Pedro e os companheiros estavam com muito sono. Ao
despertarem, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com ele.
E, quando estes homens se iam afastando, Pedro disse a
Jesus: “Mestre, é bom estarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma
para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Pedro não sabia o que estava
dizendo.
Ele estava ainda falando, quando apareceu uma nuvem que os
cobriu com sua sombra. Os discípulos ficaram com medo ao entrarem dentro da
nuvem.
Da nuvem, porém, saiu uma voz que dizia: “Este é o meu
Filho, o Escolhido. Escutai o que ele diz!”
Enquanto a voz ressoava, Jesus encontrou-se sozinho. Os
discípulos ficaram calados e naqueles dias não contaram a ninguém nada do que
tinham visto.
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Cleberson Evangelista:
---
A Transparência de um rosto
Carlos Araujo
“Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa
ficou muito branca e brilhante” (Lc 9,29)
O evangelho deste domingo recorda a Transfiguração de Jesus
no monte (o Tabor da vida), face a face, diante do Pai e diante de seus três
amigos, revelando assim seu rosto diante de todos. Ele quer que o vejam, que
todos o vejamos (com Moisés e Elias), descobrindo assim o rosto do “Deus
invisível” no rosto dos homens e das mulheres, para compartilhar com eles(as)
vida e conversação.
O evangelista Lucas insiste em centrar a atenção do rosto de
Jesus, que “muda de aparência”, se ilumina e aparece como revelação de Deus.
Neste tempo quaresmal, Jesus nos faz subir ao monte e se transfigura (se
desnuda e se reveste de glória), para que descubramos seu rosto, para que o
vejamos, o contemplemos, de forma que saibamos quem Ele é, e possamos dialogar
com Ele, em admiração, beleza e compromisso de seguimento evangélico. Pois bem,
esse rosto de Deus que se ilumina em Jesus sobre a montanha se estende e se
encarna no rosto de cada ser humano, sobretudo dos mais pobres e
excluídos.
Dessa forma, Jesus identifica a estética (beleza do rosto)
com a ética: move-nos a descobrir Deus nos rostos dos outros, acolhê-Lo
presente nestes rostos e dialogar com Ele; deixar-nos interpelar por cada um
destes rostos (enfermo, encarcerado, estrangeiro, excluído...), pois eles são
em Cristo (sobre o Tabor da história) a beleza e presença suprema de
Deus.
É muito frequente na Bíblia a menção à Face de Deus para
indicar a sua presença e o reconhecimento re-cíproco entre Ele e o ser humano.
“É tua face, Senhor, que eu procuro, não me escondas tua face” (Sl. 27,8).
A face humana tem sempre muito a dizer; por isso, é preciso
iluminá-la com a transparência da Face de Deus. E, assim, a face humana se
tornará, cada vez mais, face divinizada. A revelação bíblica, ao afirmar que
Deus se “fez rosto” e que o ser humano é imagem de Deus, privilegiou o rosto
humano. No entanto, hoje, a “deformação do rosto de Deus” ameaça essa face
humana, desprezada pela violência preconceituosa, pela intolerância e pelo
anonimato das grandes cidades.
Daí a urgência de uma reflexão sobre o rosto que se abre à
eternidade, ao inesgotável, e que nos conduzirá ao “Rosto dos rostos”, o de
Deus “humanizado”, para permitir-nos decifrar nele a face humana e o ícone do
ser humano divinizado. Além disso, todo rosto, por mais desgastado ou destruído
que esteja, revela-se único e inimitável, para quem consegue ver com o
olhar do coração.
Nós conhecemos os rostos, temos familiaridade com os rostos,
aprendemos a colher as suas expressões e nelas ler o interior da pessoa. Na
realidade, não vemos com os olhos, vemos com o nosso rosto. Dizendo de outro
modo: o “olhar” não se encontra nos olhos, mas no rosto. Os olhos nada dizem,
mas o rosto com que olhamos guarda um segredo. É o rosto que desvenda o
mistério do olhar. O rosto da mãe revela à criança o segredo do seu olhar. E o
rosto da criança revela à mãe o segredo do seu olhar.
A palavra é a linguagem dos pensamentos, o rosto a linguagem
das emoções, uma linguagem universal, não ensinada e não aprendida em parte
nenhuma, mas por todos compreendida. As emoções falam a mesma língua em todos
os tempos e lugares. A face humana é carregada de sentido. Fala, sem utilizar
palavras; diz, sem soltar a voz. De repente, a face humana apresenta-se,
comparece inesperadamente.
A face humana é mistério. Ata e desata segredos. É presença.
Está exposta a todos. É patente. Está aí. Pode ser vista, pode ser comentada,
pode ser seguida.
As expressões do semblante, o olhar, a voz, o sorriso, é uma
linguagem na linguagem, um dizer no dizer, um texto inconsciente, nascido das
profundezas, que se insere no texto verbal consciente. Palavras e expressões do
rosto andam juntas e se interpenetram. As expressões do rosto falam mais do que
as palavras, porque manifestam inúmeros significados a partir da personalidade
humana; elas completam, confirmam e por vezes contradizem o que é dito com
palavras e revelam, muitas vezes melhor que as palavras, a veracidade da
pessoa. Acrescentam um complemento inconsciente de cor e de verdade às
palavras, às vezes absolutamente contra a vontade de quem fala. A sua
espontaneidade imediata precede as intenções.
A linguagem do rosto vem do fundo. Falamos do “rosto
interior”; nas suas expressões aflora o íntimo do indivíduo, o mundo dos seus
estados de ânimo, os quais, sendo intrinsecamente não verbais, fogem à
linguagem articulada. E é uma linguagem verdadeira porque as emoções não mentem.
Na face humana, escondem-se mensagens intrigantes. A face expressa a identidade
da pessoa; ela revela o universo humano, é cenário de certezas, de decisões, de
dúvidas, de aspirações, de dramas, de temores, de arte...
Nesse sentido, a transfiguração revela outra realidade de
Jesus e nossa; este “mistério” nos desvela e nos move a ultrapassar nossas
“falsas imagens” e encontrar-nos com a luz que nos habita. Podemos “entrar”
dentro de nós mesmos porque em nós está a dimensão de eternidade, de transparência,
de divino.
A transparência é algo mais estável e faz referência à luz,
à vida interior, ao conhecimento próprio, ao desejo de deixar-se ver, à pureza
de intenção, à simplicidade e ao deixar-se conduzir pelo mesmo Espírito de
Jesus. Tem a ver com a capacidade de conhecer-se a si mesmo e de comunicar aos
outros a verdade de si mesmo, que se visibiliza no rosto iluminado.
Tomamos este conceito como aquela qualidade de uma pessoa
que vive e se manifesta aos outros por atos e por palavras, de maneira que fica
clara sua verdade, seu sentido de pertença à comunidade dos seguidores de Jesus
e sua confiança nos demais membros da mesma comunidade.
Não basta contemplar rostos humanas; importa deixar-se
interpelar por eles. É preciso ser perspicaz para ler e interpretar o sentido
da face humana. Só quem é transparente, possui um olhar límpido para captar o
“mistério” escondido no rosto do outro. Ao contemplar um rosto, o olhar chega
ao coração humano, ali onde se encontra o sabor divino mais genuíno na vida da
pessoa. E quando somos capazes de olhar em profundidade o rosto do outro, com
simplicidade podemos encontrar no coração dele uma “imagem” de meu próprio
coração. O olhar transfigurado deve ser portador do bom aroma que atrai ao
encontro e à fraternidade.
Em nosso corpo, o “rosto” tem uma importância muito
especial: através dele e de seu olhar, nos mostramos e somos percebidos e
encontrados. O rosto, o olhar, dão ao nosso corpo sua beleza verdadeira, tão
diferente da beleza postiça dos cosméticos, das joias e vestimentas. É a beleza
de um rosto que nos leva para a transcendência, a santidade. Quem se unifica e
se dilata encontra, sem buscá-lo, seu verdadeiro rosto, porque a beleza do
rosto, é “epifania da pessoa”. O verdadeiro rosto nasce do coração, quando este
se transfigura.
Texto bíblico: Lc 9,28-36
Na oração:
Deixe que o Espírito lhe conduza até onde seus medos não
ousam chegar, dentro da luz, da verdade, e da vida plena.
- É dentro de uma luz mais clara que o seu verdadeiro rosto
se revela, se refazem todos os caminhos e se superam todos os conflitos.
- Coloque-se diante de tantos rostos humanos: faça um
“percurso”, começando pelos rostos mais próximos e familiares; lentamente, vá
ampliando sua visão acolhendo os rostos dos mais distantes, excluídos, rostos
desfigurados, sofridos, rostos que sofrem preconceitos, julgamentos... Por
detrás da aparência de cada rosto, capte a presença do “rosto divino”; entre em
sintonia e comunhão com todos os rostos, constituindo o grande painel do rosto
universal da humanidade. Em cada rosto humano, sinta ressoar a voz do Pai:
“este é o meu(minha) filho(a), o(a) escolhido(a)”.
A Academia Brasileira de Letras abre, dia 21 de março,
quinta-feira, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr. (Avenida Presidente
Wilson, 203, Castelo, Rio de Janeiro), com o tema “Presenças Fundamentais”, a
temporada 2019 de seus ciclos de conferências, sob coordenação-geral da
Acadêmica e escritora Ana Maria Machado, Primeira-Secretária da ABL.
A palestra de abertura, intitulada O lugar de Machado
de Assis na literatura brasileira, coordenada pelo Acadêmico Marco Lucchesi,
Presidente da ABL, terá como conferencista o Acadêmico Domício Proença Filho.
Jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, Machado de
Assis foi o fundador da cadeira nº. 23 e ocupou por mais de dez anos a
Presidência da Academia, que passou a ser chamada também de Casa de Machado de
Assis.
O ciclo terá mais duas conferências, sempre às
quintas-feiras, no mesmo local e horário: Nabuco: uma visão do passado
brasileiro, tendo como palestrante o Acadêmico Evaldo Cabral de Mello; e Rui
Barbosa, 170 anos, dimensão da atualidade do seu percurso, com o Acadêmico
Celso Lafer.
Serão fornecidos certificados de frequência.
A Acadêmica Ana Maria Machado é a Coordenadora-Geral dos
ciclos de conferências de 2019.
OS CONFERENCISTAS
Domício Proença Filho é Professor Emérito e Professor Titular
de Literatura Brasileira da Universidade Federal Fluminense, aposentado. Doutor
e Livre-Docente em Letras, foi Professor da disciplina e de língua portuguesa
em diversos outros estabelecimentos de ensino superior, entre eles, a
Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Pontifícia Universidade Católica da
mesma cidade. Na condição de Professor Titular Convidado (Gastprofessor),
ministrou cursos na Universidade de Colônia e na Escola Técnica de Altos
Estudos de Aachen.
Participou, como conferencista e debatedor, de seminários e
cursos promovidos por instituições de ensino superior e centros de estudos em
Lisboa, Coimbra, Porto, Colônia, Tübingen, Munique, Roma, Bolonha, Madri,
Salamanca, Paris, Clermont Ferrand, e Minesota.
O Acadêmico é, também, crítico, ensaísta, poeta,
ficcionista, roteirista e promotor cultural. Publicou 68 livros, entre
eles, Estilos de época na literatura, a linguagem literária; A poesia
dos Inconfidentes (org.); Oratório dos Inconfidentes; O risco do
jogo – poemas; Capitu-memórias póstumas (romance); Breves
estórias de Vera Cruz das Almas; Nova ortografia da língua portuguesa –
guia prático; Leitura do texto, leitura do mundo; e Muitas línguas,
uma língua: a trajetória do português brasileiro. É membro da Academia
Brasileira de Letras, de que foi presidente (2016-2017), da Academia Brasileira
de Filologia e da Academia das Ciências de Lisboa e do PEN Clube do Brasil.
Evaldo Cabral de Mello nasceu no Recife em 1936 e
atualmente mora no Rio de Janeiro. Estudou Filosofia da História em Madri e
Londres. Em 1960, ingressou no Instituto Rio Branco e dois anos depois iniciou
a carreira diplomática. Serviu nas embaixadas do Brasil em Washington, Madri,
Paris, Lima e Barbados, e também nas missões do Brasil em Nova York e Genebra,
e nos consulados gerais do Brasil em Lisboa e Marselha.
Um dos mais destacados historiadores brasileiros, Evaldo
Cabral de Mello é especialista em História regional e no período de domínio
holandês em Pernambuco no século XVII, assunto sobre o qual escreveu muitos de
seus livros, como Olinda restaurada (1975), sua primeira obra, Rubro
veio (1986), sobre o imaginário da guerra entre Portugal e Holanda,
e O negócio do Brasil (1998), sobre os aspectos econômicos e
diplomáticos do conflito entre portugueses e holandeses. É organizador do
volume Essencial Joaquim Nabuco, da Penguin-Companhia das Letras.
Celso Lafer, quinto ocupante da Cadeira 14 da Academia
Brasileira de Letras, eleito em 2006, é professor Emérito da Universidade de
São Paulo, do seu Instituto de Relações Internacionais e de sua Faculdade de
Direito, na qual estudou e da qual foi titular, tendo lecionado Direito
Internacional e Filosofia do Direito, de 1971 até a sua aposentadoria, em 2011.
Obteve o seu PhD em Ciência Política na Universidade de
Cornell (EUA), em 1970; a livre-docência em Direito Internacional Público na
Faculdade de Direito da USP, em 1977, e a titularidade em Filosofia do Direito,
em 1988. De 2007 a 2015, presidiu a FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do
Estado de São Paulo.
Foi Ministro de Estado das Relações Exteriores em 1992 e, em
2001-2002. Em 1999, foi Ministro de Estado do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio. De 1995 a 1998, foi Embaixador, Chefe da Missão Permanente do Brasil
junto às Nações Unidas e à Organização Mundial do Comércio em Genebra. É membro
titular da Academia Brasileira de Ciências (2004) e membro efetivo da Academia
Paulista de Letras, eleito em 2014.
Suas publicações mais recentes incluem: Norberto Bobbio
– Trajetória e obra – 1ª edição, São Paulo, Perspectiva (2013); Lasar
Segall: múltiplos olhares – São Paulo, Imprensa Oficial do Estado
(2015); A reconstrução dos direitos humanos (Um diálogo com o pensamento
de Hannah Arendt) – São Paulo: Companhia das Letras, 1988. Idem em
espanhol, México: Fondo de Cultura Económica, 1994. Última reedição, São Paulo:
Cia. das Letras, 2015; Um percurso no Direito no século XXI. Vol. 1 –
Direitos Humanos, Vol. 2 – Direito Internacional, Vol. 3 – Filosofia e
Teoria Geral do Direito. São Paulo: Atlas, Grupo Gen, 2015; Hannah
Arendt: Pensamento, Persuasão e Poder. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2018. 3.a
ed. revista e ampliada, 2018; Relações Internacionais, Política Externa e
Diplomacia Brasileira – Pensamento e Ação. 2 volumes. Brasilia: Fundação
Alexandre de Gusmão, 2018.
A portaria exarada pelo Presidente do Supremo Tribunal
Federal (STF), Ministro Dias Toffoli, é um verdadeiro absurdo jurídico, sem
consistência e revestida de inúmeras ilegalidades. É imprestável e não pode
prosperar. A não ser que estejamos vivendo diante de uma ditadura, a ‘Ditadura
do STF’.
Mesmo o presidente da mais alta corte do país, tem que
respeitar a lei e os ritos processuais em suas decisões. Aliás, deveria dar o
exemplo. Entretanto, ‘dar exemplos’ não parece ser do feitio de alguns seres
supremos.
A decisão de Toffoli, além de esdrúxula e ameaçadora, de
acordo com a esclarecedora explanação feita pelo procurador Deltan Dallagnol
fere os seguintes requisitos legais:
Viola o princípio do “Juiz Natural”, que diz que o juiz deve
ser aleatoriamente decidido, e não direcionado.
Foi instaurada de ofício, a partir do próprio STF, violando
nossos sistemas acusatórios, em que investigações não são conduzidas
diretamente por magistrados, mas sim, por órgãos de acusação.
Qualquer investigação contra qualquer cidadão deve ser
realizada pelo foro competente. No caso de Deltan é o Tribunal Regional Federal
da 4ª Região (TRF-4).
E o mais grave, a decisão de Toffoli atenta contra a
liberdade de expressão.
Enfim, a portaria do ministro reflete claramente os motivos
que o fizeram ser reprovado em tantos concursos para juiz substituto.
Abaixo, veja o vídeo esclarecedor de Deltan Dallagnol, este
sim, aprovado em 1º lugar no concurso para Procurador da República.