Total de visualizações de página

domingo, 2 de dezembro de 2018

FEMINISMO, O DEFENSOR DAS MULHERES. – SERÁ MESMO? - Ítalo Nóbrega


2 de dezembro de 2018
♦  Ítalo Nóbrega

O feminismo, enquanto corrente ideológica, tem suas raízes no Iluminismo, com a proclamação dos ideais revolucionários de liberdade, igualdade e fraternidade. Entretanto, somente após a Revolução Francesa é que o vemos sair do campo meramente teórico para abarcar também o campo político.

Baseado em uma errônea interpretação dos significados de igualdade e liberdade, ele se empenha na luta contra os valores chamados de patriarcais, fundamentados nas diferenças entre os sexos.

A luta contra tais valores implica, de um lado, a destruição de costumes, tradições e instituições seculares fundamentais para a sociedade, muitas delas remanescentes da Cristandade medieval. De outro lado, essa luta consiste na proclamação de pérfidos ideais cujo estandarte tem como lema “empoderamento feminino”.

Entre as reivindicações do referido movimento, sempre a pretexto de advogar pelas mulheres, estão o tratamento equânime para ambos os sexos em todas as esferas da sociedade, a emancipação das mulheres em todos os campos em que predominam os chamados preconceitos patriarcais, uma maior participação da mulher em cargos de mando ou poder, direitos reprodutivos (leia-se: “direito” de assassinar um ente inocente que ainda não nasceu), entre outros.

Entretanto, ao confrontarmos as ideias feministas com algumas de suas atitudes, encontramos uma gritante contradição: enquanto se auto proclamam defensoras das mulheres e valorizadoras do sexo feminino, vemos concomitantemente suas atitudes caminharem em sentido radicalmente contrário.

Provemos.

Nas últimas décadas, as manifestações feministas de grande porte ora reivindicavam direitos sociais equânimes, ora pediam o fim da violência contra as mulheres ou a descriminalização do aborto. Entretanto, denominadores comuns entre todas elas — as manifestações — inclusive as mais recentes, põem em xeque a legitimidade das mesmas: a omissão de um combate direto e explícito contra a sharia, por exemplo.

sharia poderia ser considerada a lei anti-feminina por excelência. Além de tratar as mulheres como impuras, incapacitadas mentais, escravas sexuais de seus maridos, entre outras abominações, ainda torna meninas pré-púberes objeto de espancamentos e de pedofilia.

Por que as feministas se omitem ante tão crítica situação da mulher nos países islâmicos?

As contradições são se limitam apenas aos casos negativos; elas estão por toda parte, até mesmo onde se faz mister elogiar.

Os elogios do movimento feminista se restringem àquelas figuras femininas que servem de cavalo-de-batalha para suas militantes. Algumas de suas principais expoentes servem-nos de ilustração: Mary Wollstonecraft, escritora e “educadora” inglesa, considerada “avó” do feminismo, e Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir [foto ao lado], uma francesa filha de aristocratas,mais conhecida como Simone de Beauvoir, que além da bandeira feminista defendia a pedofilia.

Porém, quantas mulheres honradas que fizeram história e deixaram sua marca são ignoradas pelas feministas?

Branca de Castela, mãe de São Luís IX de França, foi uma rainha medieval que assumiu a regência do reino enquanto seu filho ainda não podia fazê-lo. Além de ter sido uma excelente governante, é cultuada como santa.

Isabel de Castela [ao lado, sua estátua], esposa de Fernando de Castela — os dois passaram para a História como os Reis Católicos — tinha autoridade política maior que a do seu marido e a usou para o bem de Castela e do catolicismo ali reinante.

Querem exemplos ignorados mais recentes?

Santa Gianna Beretta Molla [foto abaixo] preferiu morrer a ter que abortar seu filho. Realizou um gesto heróico.

Kátia Sastre, policial paulista, neutralizou definitivamente um bandido que ameaçava mães e crianças na porta de uma escola.

Bem, por que limitar tanto nossa lista? Façamos menção às mães de família que com tanto esforço e em meio às ameaças do mundo moderno — como a ideologia de gênero, por exemplo — lutam para criar e bem educar seus filhos, manter seus lares e servir de apoio a seus maridos.

Por que tamanha omissão em relação a essas grandes mulheres do passado e do presente? Existe um motivo?

Sim, ele existe. Ei-lo: uma personagem só serve ao feminismo na medida em que é possível usar ou distorcer sua personalidade ou seus atos para desfigurar a imagem da mulher. E este, aliás, é o verdadeiro objetivo do feminismo.

Vemos que o denominador comum, implícito ou explícito, nos atos ou reivindicações do feminismo, é essa deformação da figura feminina. Desfiguração feita seja pelo aviltamento das qualidades da mulher, seja por uma falsa atribuição de características masculinas a ela.

Se o feminismo se preocupasse de fato com as mulheres, ele defenderia a verdadeira imagem destas. Imagem que não só completa e adorna a imagem do homem, como tem um papel fundamental na vida da família e da sociedade.

É a imagem da mãe, da companheira, da conselheira, da protetora, da educadora; é a imagem daquela que sabe combinar esplendidamente a força e a delicadeza, a bondade e a firmeza; é a imagem daquela que, em uma palavra, sabe ser mulher.

Vemos essa verdadeira imagem nos exemplos históricos que citei. Vemo-la diariamente nas mães de família, nas senhoras da sociedade, em moças respeitáveis, em meninas que transbordam de inocência e graça. Vemo-la resplandecer ao longo da História nas santas canonizadas pela Igreja.

Vemo-la, por fim, de modo perfeitíssimo em Nossa Senhora, que soube ser Filha e Mãe, Virgem e Esposa, e que possui em altíssimo grau todas as qualidades femininas.

Para Ela devemos olhar e contemplar o ideal da mulher. Ela, sim, é um exemplo a ser seguido.




* * *

ALEXANDRE GARCIA: “ANTES MESMO DE O VITORIOSO TOMAR POSSE, AS IDEIAS VENCEDORAS DA ELEIÇÃO JÁ SE IMPÕEM”


1 de dezembro de 2018

Em dois meses, minha mãe completa 100 anos de vida e diz que nunca viu nada igual ao que está testemunhando hoje.

Ela passou pela ditadura Vargas, pelas tentativas comunistas de tomada do poder, a começar em novembro de 1935, depois por tantos governos diferentes e tantos planos de salvação nacional, mas nunca viu uma reação como agora, contra o estado de coisas em que enterraram o país. Uma reação popular e pacífica, de uma maioria que cansou de ser enrolada, ludibriada, enganada – desculpem usar tantos sinônimos para a mesma mentira.

Eu mesmo, em meus quase 80 anos de Brasil, nunca vi nada igual.

Eu diria que se trata de uma revolução de ideias, tal a força do que surgiu do cansaço de sermos enganados.

Mencionei a primeira tentativa comunista de tomada do poder, há 83 anos. Naquele 1935, houve reação pelas armas. Nas outras tentativas, no início dos anos 60, a reação veio das ruas, que atraiu as armas dos quartéis. A última, veio pelo voto, na mesma linguagem desarmada, com que começou a sutil tentativa tucana, para desaguar nos anos petistas, já com a tomada das escolas, dos meios de informação, da cultura – com aquela conversa que todos conhecemos. De repente, acordamos com a família destroçada, as escolas dominadas, os brasileiros separados por cor e renda, a cultura nacional subjugada, a História transformada. Mas acordamos.

Reagimos no voto, 57 milhões, mais alguns milhões que tão descrentes estavam que nem sequer foram votar.

O candidato havia sido esfaqueado para morrer, nem fez campanha, não tinha horário na TV, nem dinheiro para marqueteiro. Mas ficou à frente do outro em 10 milhões de votos. Ainda não se recuperou da facada, a nova intentona; precisa de mais uma cirurgia delicada, mas representou a reação da maioria que não quer aquelas ideias que fracassaram no mundo inteiro, que mataram milhões para se impor e ainda assim não se impuseram.

O que minha mãe nunca viu é que antes mesmo de o vitorioso tomar posse, as ideias vencedoras da eleição já se impõem.

Policiais que tiram bandidos das ruas já são aplaudidos pela população; juízes se sentem mais confiantes; pregadores do mal já percebem que não são donos das consciências; as pessoas estão perdendo o medo da ditadura do politicamente correto, a sociedade por si vai retomando os caminhos perdidos, com a mesma iniciativa que teve na eleição de outubro, sem tutor, sem protetor, sem condutor. Ela se conduz.

O exemplo mais claro desse movimento prévio ao novo governo é a retirada cubana, no rompimento unilateral de um acordo fajuto, de seus médicos, alugados como escravos ao Brasil.

Cuba “passou recibo” na malandragem e tratou de retirá-los antes que assumisse o novo governo, na prática confessando uma imoralidade que vai precisar ser investigada no Brasil, para apontar as responsabilidades, tal como ainda precisam ser esclarecidos créditos do BNDES a ditaduras, doação de instalações da Petrobras à Bolívia, compra de refinaria enferrujada no Texas, e tantas outras falcatruas contra as quais a maioria dos brasileiros votou em outubro.

(Texto do jornalista Alexandre Garcia)


* * *

PALAVRA DA SALVAÇÃO (107)

1º Domingo do Advento – 02/12/2018

Anúncio do Evangelho (Lc 21,25-28.34-36)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações ficarão angustiadas, com pavor do barulho do mar e das ondas. Os homens vão desmaiar de medo, só em pensar no que vai acontecer ao mundo, porque as forças do céu serão abaladas.
Então eles verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem com grande poder e glória. Quando estas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima.
Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós; pois esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes de toda a terra. Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do Homem”.

---
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do  Frei Edvaldo Batista Soares, OFM:

---
Advento: "Deus à vista" 
“Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis...” (Lc 21,34)

Com o Advento, começamos um novo ano litúrgico, um tempo que sempre nos fascina. O ser humano, ferido pela estreiteza da vida, imposta pelo seu ego, descobre a fragilidade, o medo, a dor, o sem-sentido, pelo qual volta a gritar a seu Criador, buscando, suplicando de novo que lhe envie um raio de luz. Desolado pela experiência do sofrimento, da violência, da intolerância, da solidão e do medo, dirige novamente seus olhos para “Aquele que está à vista”. O Advento é o tempo mais adequado à nossa existência atual. Queremos intuir algo novo, reacender nossa esperança, alimentar uma presença inspiradora nesse contexto social no qual vivemos, carregado de trevas e abalos sísmicos. 

O Tempo do Advento tem algo de belo e atraente que mobiliza o nosso coração a entrar em outra sintonia; tal qual um sedutor, ele revela sua capacidade para debulhar dias até completar um tempo que vai nos guiando em direção ao Natal. Um tempo tão tranquilo, tão sussurrante, como um manancial que, em silêncio, vai espalhando vida em todo seu entorno. Tempo que nos convida a sonhar e a viver despertos. 

Vários personagens que emergem no Advento, com sua maneira original de ser e de viver, vão se tornando familiares; eles nos acompanham neste tempo inspirador, ativando em nós uma ousada esperança e um outro modo criativo de nos fazer presentes no contexto social, tão carente de esperanças. 

Isaías nos ensina como viver o sempre jovem Advento; ele nos ensina a gritar esperança no sofrimento, a confiar em tempos melhores, a provocá-los. Este homem tão sensível nos diz que somos nós que devemos dar um colorido especial à vida e que Deus é como um tição fumegante que abrasa a nossa vida. Poeta do futuro, Isaías nos ensina a viver carregados de entusiasmo, gestando a paz.

João Batista, aquele do dedo que aponta o caminho novo e o Novo. Sim, João, o parente austero, impaciente, metódico, que pergunta sem rodeios: “és tu Aquele que há de vir ou devemos esperar outro?”

João também se revela como um bom mestre porque nos recorda que, com muito pouco se pode viver, e que a qualidade de vida é dada pela relação com Deus, que sempre nos surpreende. Ele nos anima a viver com simplicidade e a gritar sempre que o Reino de Deus está próximo, tão próximo, que o temos colado em nosso interior. 

Maria, a mulher bendita e abençoada de Nazaré, a do anúncio original, a filha de Sião que recebeu de novo a Ruah Santa, a que interpelou o anjo até que ambos se puseram de acordo no “sim”. Diante dela, nos inclinamos admirados, porque ela, que pronunciou poucas palavras, no entanto, gestou a Palavra em seu ventre. Maria nos diz agora, no Advento, que o coração deve ser grande para poder guardar nele todas as coisas em silêncio. 

Tudo é permanente Advento, transformação, movimento. Espaço em expansão, interioridade que se abre, braços que se unem. Seu ardor nos inspira, sua esperança nos alenta. Há uma eternidade que devemos inaugurar cada dia, em cada instante: a eternidade da vida expansiva, justa e ditosa. Esperar é transformar este mundo em outro mundo humano, fraterno, e muito mais feliz. Esperar é derrubar o que impede viver. Se esperamos, podemos. 

Não encontramos melhor maneira de traduzir a linguagem apocalíptica de Lucas a não ser fazendo referência ao mundo da construção. O toque de atenção que ressoa no evangelho deste domingo nos chama a derrubar e a construir. Lucas nos fala de sinais cósmicos, de sismos e desmoronamentos. Justamente ali onde algo se desmorona, é onde aparece espaço livre para uma nova construção. 

Há um mundo que deve acabar: este mundo contaminado pelo “deus dinheiro” e pelo mercado; este mundo que gera exclusão e violência; este mundo que abafa a “cultura do encontro” para alimentar a “cultura da indiferença e do preconceito”; este mundo que faz opção em favor da morte... 

Nada nosso é tão caduco que não permita um projeto novo. Nada é tão antigo que não tenha algo aproveitável. As calçadas velhas das cidades, os antigos casarões, o centro histórico, se remodelam conjugando o velho e o novo. O resultado costuma ser uma nova obra de arte. Cada um de nós é convidado, no início deste Advento, a uma “reabilitação ou remodelação” de todo nosso ser. Entrar no fluxo inspirador deste tempo nos leva, cada dia, a desfazer e refazer. Uma fé que se paralisa e não avança é como um edifício que se faz velho.
  
O Advento nos mantém erguidos e com dignidade, afugentando o medo, denunciando a injustiça que provoca exclusões e sofrimentos, aplicando o antídoto do amor contra a imbecilidade do ódio, da intolerância e da manipulação. Por isso, as expressões do evangelho: “tomai cuidado”, “ficai atentos”, “orai a todo momento”, são gritos de ânimo e gritos de construção de futuro. Talvez, para alguns, a única coisa que precisa fazer seja pintar a casa, ou mudar algum cômodo. Para outros, a obra será de maior envergadura. E, quem sabe, para outros ainda, o futuro depende de uma reestruturação mais a fundo da vida: esvaziá-la e reconstruí-la.

A obra de Deus em nós consiste em que derrubemos o que construímos, segundo nossos gostos e egoísmos, e não segundo o querer d’Ele.  A Deus lhe agrada um coração com estâncias cheias de luz e de sol, liberadas de apoios inúteis, capazes de acolher a todos. Como estar atentos(as) ao Deus que em cada Advento quer dar à luz algo novo em nossas vidas, em nosso contexto, em nosso mundo, embora pareça que não temos mais idade, como aconteceu com Isabel, a mãe de João Batista e continue rompendo nossas lógicas, como aconteceu com Maria de Nazaré? 

O que realmente mata o ser humano é a rotina sem sentido; o que lhe salva é a criatividade, a capacidade para vislumbrar e resgatar a novidade. Se contemplarmos a realidade em profundidade, tudo é sempre novo, diferente e em constante mudança. Participar desse movimento de mudança que chamamos vida é a única promessa sensata de felicidade. 

O Advento nos provoca a perfurar a realidade para nela ler a vida, os acontecimentos, mais além da superficialidade e da banalização que se impõe a todos nós. Perfurar a realidade é buscar, na densidade dos acontecimentos e do próprio coração, os respiradouros de Evangelho, por onde o mistério de Amor e Vida Plena revelam sua face e nos urgem a impulsionar seu dinamismo na história. Por isso, é preciso focalizar nosso olhar, pôr lupa, afinar a sensibilidade para detectar as pegadas da misericórdia criativa, resiliente e fecunda de Deus em nosso mundo e no nosso próprio coração.

Que é Deus senão este Advento e Presença que é e que vem, Calma vivente, Coração latente no qual somos e respiramos? 

Texto bíblico:  Lc 21,25-28.34-36 

Na oração: Os caminhos de Deus têm desertos difíceis, mas sempre anunciam a “terra prometida”.

Os caminhos de Deus têm momentos de tremores e abalos sísmicos, mas nunca falta a Boa Notícia de uma vida nova. Desparecerá a obscuridade, porque sempre há um amanhecer.

Deus não anuncia finais; Deus sempre anuncia começos; Deus não anuncia entardeceres, mas amanheceres.

O importante é que nossas vidas não estejam embotadas e incapacitadas de ver a nova luz.

- Fazer memória dos abalos em sua vida que foram ocasião privilegiada para expandi-la em novas direções. 

Pe. Adroaldo Palaoro sj

* * *

sábado, 1 de dezembro de 2018

LEIA ESTA HISTÓRIA E VOCÊ SERÁ SURPREENDIDO



Há muitos anos, quando tudo estava iniciando em minha vida, eu andava de porta em porta dos comércios procurando emprego. Ninguém queria me contratar, então falei: “vou até a lanchonete do Roque”. Chegando em frente a lanchonete, estava logo uma placa: PRECISA-SE DE ATENDENTE.

Meus olhos brilharam de felicidade, pois naquele momento meus pensamentos eram os melhores, é claro. Roque era meu amigo, uma vaga, eu tinha certeza que iria conseguir. Chamei ele em um canto e falei: Amigo preciso dessa vaga de atendente. Você sabe da minha situação, vou me empenhar o máximo pode ter certeza, só preciso da vaga URGENTE.

Então ele olhou pra mim e disse: amigo não me leva a mal, mas eu preciso de uma moça, bonita, cheirosa e malhada pra trazer freguesia.

Naquele momento as lágrimas caíram, eu disse: tudo bem meu amigo, sucesso pra você.

Então decidi vender minha bicicleta e comprei balas, canetas e doces pra vender na praia.

As coisas foram dando certo, comprei uma BANCA, fiz faculdade, trabalhei em uma embarcação, ganhei um programa, virei dono da SBT.

Anos depois quando eu já era dono da SBT, após apresentar o programa, minha assessoria disse: tem um homem baixinho moreno te chamando, disse que é seu amigo de infância e que precisava muito falar contigo. Fui até a portaria e era o Roque: Silvio, desculpa por aquele dia. Faz anos que não nos falamos.

Naquele momento vendo a situação dele eu disse: Não precisa falar nada amigo, aquele NÃO, foi a melhor coisa que eu recebi na minha vida, foi a partir daquele não que eu corri atrás dos objetivos que eu realmente queria pra minha vida, OBRIGADO AMIGO!

E disse mais para ele naquele momento: Deus pode fechar, 1, 2, 3 milhares de portas, mas ELE sempre vai reservar uma porta certa pra você, entre comigo, sei do que precisa, vamos até o meu camarim, coma alguma coisa e vamos até o RH, a partir de hoje você vai trabalhar comigo.

Faz mais de 30 anos que Roque trabalha comigo no SBT.

Deixo para todos vocês: Não desista! Mesmo que a porta se feche, coloque em sua mente que você vai vencer, lute com suas garras, não desista, nunca pensa em desistir, pois a vitória é sua.

Silvio Santos



* * *

GRANDES MUDANÇAS – Daniel Scranton



É muito emocionante testemunharmos essa evolução da consciência que está em andamento em todos nós. Estamos no meio de um grande avanço em nossa evolução, e estamos testemunhando alguns dos efeitos dessas enormes mudanças. Estamos vendo mais turbulência no mundo, e talvez em nossas vidas pessoais, e certamente em nossos corpos físicos, e tudo isso faz com que nos perguntemos se estamos nos movendo na direção certa.

Muitas vezes, sofremos dores ao experimentarmos a ocorrência de crescimento rápido. Há ajustes que precisam ser feitos. Porém, fazer esses ajustes pode ser tão simples como desacelerar, descansar mais e beber mais água. Não precisamos retardar o crescimento, e não precisamos acelerar para acompanhá-lo. É natural.

Quando vemos a turbulência no mundo, ou na vida daqueles perto de nós, ou mesmo na vida de estranhos, lembremos do poder que temos dentro de nós para sentir Compaixão e oferecer Amor Incondicional. O que veremos mais nos próximos meses e anos é um coletivo humano que multiplica, ao invés de um que divide. Estamos começando a reconhecer que mesmo que sejamos diferente e único, somos todos o mesmo em nosso desejo, e a maioria de nós que já despertou reconhece que, quando algo acontece com outro membro desse coletivo humano, isso acontece também conosco.

Podemos sentir a dor uns dos outros, e quando nos unimos, podemos eliminar a dor que alguém ou algum grupo de pessoas sentem. Nós temos o poder dentro de nós para suavizar o golpe dessas mudanças enormes e das intensas dores de crescimento. Lembremos disso, inicialmente, na próxima vez que nos sentirmos sobrecarregados com a turbulência que vemos e que experimentamos.  

"Gotas de Crystal" ppscrystal@yahoo.com..br

* * *

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

CONHECENDO E DISSEMINANDO A MENSAGEM (VIII) – Clóvis Silveira Góis Júnior


4.8. Área Urbana de Itabuna

            Enquanto a primitiva Boqueirão prosseguia em suas atividades, outro grupo formava-se, dessa vez na zona urbana, no centro da cidade. A primeira data conhecida para a organização da igreja local, aquela que seria a futura sede de Itabuna, foi o ano de 1921, conforme relato do pastor Henry Meyer, presidente da União Este Brasileira, a seguir transcrito:

“Prazer me foi estar com os crentes de
Itabuna. Faz apenas pouco tempo que
a obra tomou pé nessa região. Os
irmãos já fizeram bons progressos e
também operaram com diligência para
tornar a outros conhecida a última
mensagem de advertência. Teve lugar
a 26 de abril uma festa batismal,
sendo, pois, organizados os irmãos em
igreja que atualmente conta 24
membros”.

            Movido pela promessa bíblica constante em Mateus 28: 19 e 20, os crentes Itabunenses desenvolveram aqui uma igreja que seria ícone para outros lugares do Brasil. Em 1924, o casal José Aniceto de Souza e Catarina Souza, depois de muitos anos já sabedores da mensagem, finalmente selaram sua fé em Cristo, batizando-se.

            Portanto, até 1924, com base em depoimentos e nos registros encontrados, temos: Pedro Lima (batizado em 1910 pelo pr. John Lipke), Joaquim de Souza Porto (batizado em 1910/11), Antonio Caldas, Vitória (Vitorinha) de Jesus, José Aniceto de Souza (batizado em 1924) e Catarina de Souza (batizada em 1924 – esposa de Aniceto). Certamente, muitos outros nomes existem, mas a ausência documentária só permite, até aqui, evidenciar estes seis.

            A administração da Obra, sentindo o potencial da cidade, somou esforços para realização de conferências bíblicas, em 1925, capitaneadas por Gustavo Storch, que, além de  bom conhecedor das Escrituras, tinha uma carta na manga – o projetor – como ele mesmo conta:

“num grande salão no centro da
próspera cidade de Itabuna, realizei
uma série de reuniões em que usamos
alguns slides. Estas reuniões duraram
trinta noites consecutivas e o
atendimento foi muito bom”.


            Naquele momento, poderia ele ter ficado para trabalhar com os interessados, mas, em virtude do tamanho do campo e da insuficiência de ministros ordenados, precisou sair para o  Boqueirão e depois Pontal (Ilhéus), que também precisavam de assistência. Ele lamentou o açodamento das ações assim:

“O grande erro que geralmente somos
obrigados a fazer, por falta de tempo,
é deixar o ferro quando esse já está
quente, pois no tempo de maior
interesse, tenho que sair para ir a
outra cidade”.

            Ele usou uma alegoria bastante pertinente para o momento: “preparou-se o ninho e outros estão tentando estabelecer seus ovos nele”.

            A preocupação de Storch não era sem razão. Um dia após o final de trinta noites, um suposto médico iniciou uma série de palestras, contradizendo sua fala. Diante desse fato, é possível entender a preocupação apontada no parágrafo anterior. O pastor desejou que Jesus dissesse ao falsário o mesmo que bradou ao antigo Paulo, em sua fase pré-cristã: “dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões”, retirando dele igualmente a ignorância e a cegueira espiritual”.

            O pastor Leo B. Halliwell escreveu à Revista Adventista, em 1927, falando do progresso da obra na Missão Bahia-Sergipe, e confirma a existência de diversos interessados em Itabuna, os quais estavam sendo preparados, dessa vez, pelo colportor Cyríaco Leite. O próprio Halliwell dá continuidade aos trabalhos, apresentando uma série de reuniões doutrinárias, buscando não se reeditar a incômoda situação ocorrida em 1925. Dessa  vez, a exposição da Palavra alcançou qualidade invejável e resultados satisfatórios, mexendo inclusive com alguns membros de outras igrejas evangélicas, os quais chegaram a ser excluídos  por seus líderes: “Há completamente uma comoção dos círculos religiosos da cidade, especialmente porque dois membros foram expulsos da sua igreja por ter assistido as reuniões”.


(A GÊNESE DO ADVENTISMO GRAPIÚNA Cap. 4.8.)
Clóvis Silveira Góis Júnior

----------------
Sobre o autor:

Clóvis Silveira Góis Júnior é trineto de Genoveva França Jacó (integrante do primeiro batismo adventista realizado em Boqueirão, no ano de 1918).
Servidor público federal há 30 anos, é graduado em Administração e licenciado em história. É casado com Iara Souza Setenta Góis, pedagoga, e tem dois filhos: Felipe e João.

* * *

SEGREDO DE CONFISSÃO AMEAÇADO - Paulo Henrique Américo de Araújo

29 de novembro de 2018


♦ Paulo Henrique Américo de Araújo


Nos últimos meses, notícias de abusos sexuais de membros do clero ganharam novamente grande destaque na mídia. As evidências existem, embora sejam habitualmente acompanhadas de exageros da imprensa. Escândalos como os noticiados causam indignação e tristeza em todos os católicos verdadeiros, mas, sobretudo no coração materno de Nossa Senhora.

Nesses momentos em que o público se manifesta estarrecido com o noticiário, os propagadores de falsas soluções surgem e se arvoram em defensores da moral infantil e juvenil, repetindo a velha cantilena de que a Santa Igreja deve mudar suas instituições e disciplinas. O celibato sacerdotal e a organização hierárquica da Igreja tornam-se os alvos preferidos de tais detratores e fabricantes de falsas soluções.

Curiosamente, a mídia anticatólica passou a pontificar contra os abusos sexuais de membros do clero. Mas é público e notório que ela há muito tempo se destaca como a maior promotora da perversão sexual de crianças, jovens e adultos. Basta ver o amplo espaço que dedica à imoralidade na TV, no cinema, na internet; à educação sexual e ensino da ideologia de gênero nas escolas; à pornografia e incentivo a desvios sexuais em todos os veículos de publicidade. Sendo essa mídia a grande propagadora dos erros morais, com que direito esbraveja contra os que praticaram esses mesmos erros? Deveriam entender ainda que uma consequência inevitável da propaganda que fazem da imoralidade e liberalização dos costumes é a penetração dessa imoralidade nos próprios seminários, minando na base a tradicional exigência da castidade e pureza dos costumes no clero. Tudo isso, dói também dizê-lo, com a conivência ou cumplicidade de altos Prelados.

A solução para a crise moral do clero não se encontra na desconstrução dos costumes e instituições católicas milenares, mas na retomada vigorosa deles. Acrescente-se a necessidade de frisar a noção do pecado, do bem e do mal. Sem isso, será inócua qualquer medida para encontrar, denunciar e punir os eventuais culpados de abusos sexuais dentro da Igreja.

Diante desse quadro, bem se podem aplicar as palavras de Plinio Corrêa de Oliveira em uma meditação da Via Sacra publicada em Catolicismo (março/1951): “Quantos são os que realmente veem o pecado e procuram apontá-lo, denunciá-lo, combatê-lo, disputar-lhe passo a passo o terreno, erguer contra ele toda uma cruzada de ideias, de atos, de viva força se necessário for? Quantos são capazes de desfraldar o estandarte da ortodoxia absoluta e sem jaça, nos próprios lugares onde campeia a impiedade ou a piedade falsa? Quantos são os que vivem em união com a Igreja este momento, que é trágico como trágica foi a Paixão, este momento crucial da História, em que a humanidade inteira está escolhendo por Cristo ou contra Cristo?

 Inviolabilidade do segredo da confissão

Sacerdotes na Austrália “dispostos a ir para a prisão” 
antes que violar o segredo de confissão.
Entretanto, a atual ofensiva contra a Igreja aproveita-se dos escândalos sexuais para avançar ainda mais na sua obra destruidora. Pretende inclusive quebrar o sigilo do sacramento da confissão. Em junho deste ano, o território de Camberra, na Austrália, aprovou uma lei que obriga os sacerdotes católicos a revelar à polícia o segredo de confissão, quando algum fiel declarar pecados em matéria de abusos de menores. A norma passará a vigorar a partir de 31 de março de 2019.1

No momento, o alcance dessa lei anticatólica é regional, mas já se cogita a sua ampliação para a esfera nacional. A informação é de Sandro Magister: “O primeiro-ministro de New South Wales, um dos estados que constituem a federação australiana, já requereu que a lei seja discutida e sancionada em âmbito federal, tornando-a válida para todo o país”.2

O clero católico, como é seu dever, reagiu com firmeza. O Pe. Michael Whelan, pároco de Saint Patrick, em Sydney, esclareceu que o Estado não pode constranger os sacerdotes católicos a praticar o mais grave dos crimes. E acrescentou que ele e outros sacerdotes estão “dispostos a ir para a prisão” antes que violar o segredo de confissão.

A Fraternidade Australiana do Clero Católico (Australian Confraternity of Catholic Clergy – ACCC), associação privada de sacerdotes, afirmou que o segredo sacramental “não é meramente uma questão de direito canônico, mas de Lei Divina, a qual a Igreja não tem poder para dispensar. Nenhum sacerdote está obrigado a cumprir qualquer lei humana que procure solapar a confidencialidade absoluta da confissão”.3

É importante lembrar a firmeza com que a Igreja trata o sigilo da confissão. O cânon 984 do Código de Direito Canônico proíbe terminantemente ao confessor fazer uso de qualquer informação ouvida na confissão. O cânon 1388 pune o confessor que “viole diretamente o sigilo sacramental, com excomunhão latæ sententiæ [automática] reservada à Sé Apostólica”; quer dizer, além de ser automática, a excomunhão só pode ser levantada pelo Papa.

Além de iníqua, a lei favorece o abuso

São Pio de Pietrelcina no confessionário

Qualquer iniciativa para violar essa sagrada instituição representa grave violação à liberdade da Igreja Católica. Em outras palavras, trata-se de perseguição religiosa sob a capa de legalidade. Como se essa tirania legislativa já não bastasse, alguns membros do clero australiano a consideram também ineficaz. A Fraternidade Australiana do Clero Católico registrou uma gravíssima contradição: os pecadores deixarão de confessar o ato iníquo, e consequentemente permanecerão sem os recursos penitenciais e sobrenaturais para evitar a reincidência. Como resultado evidente, a lei acabará aumentando o crimes que pretende evitar.

Além disso, caso algum sacerdote católico se disponha a denunciar um eventual confidente, como poderá ter certeza da sua identidade? Pois é sabido que na maioria das vezes as confissões são feitas através da grade do confessionário, e nessa situação é difícil o reconhecimento de qualquer pessoa. Exigirá a nova lei que o confessor pergunte o nome do penitente? Quantas outras situações constrangedoras surgirão daí? Os absurdos da lei vão se sobrepondo uns aos outros.

Diante dessa onda, mais uma pergunta se impõe: estarão os sacerdotes australianos — e eventualmente os do mundo inteiro — dispostos a manter o segredo de confissão a todo o custo, até mesmo ao preço da própria vida? Outros já o fizeram no passado…


Mártires do sacramento da confissão

Talvez o caso mais conhecido de martírio por fidelidade ao sigilo da confissão seja o de São João Nepomuceno.4 Em meados do século XIV ele era Arcebispo de Praga e se tornou confessor da rainha Sofia, esposa do rei Wenceslau. O soberano considerou-se no direito de exigir que ele lhe revelasse a confissão de sua mulher. Diante da negativa, em um ataque de cólera Wenceslau ameaçou-o de morte. Posteriormente, aproveitou-se de uma querela com o santo sobre bens da Igreja como pretexto para torturá-lo e atirar seu corpo no rio Moldava. Recolhido pela população local, o corpo foi sepultado religiosamente.

No século XX, durante a perseguição aos católicos no México, o Pe. Mateo Correa Magallanes foi fuzilado pelas autoridades do governo pró-comunista, por se negar a revelar as confissões de prisioneiros resistentes, tornando-se mártir do sigilo sacramental. Pelo mesmo motivo, os padres Felipe Císcar Puig e Fernando Reguera foram martirizados durante a Guerra Civil Espanhola, na década de 30.

Na esteira de protestos generalizados contra abusos sexuais praticados por membros do clero, podem estar sendo articuladas perseguições como essas e muitas outras. Todos nós católicos lamentamos e repudiamos esses eventuais abusos. Mas também desejamos e esperamos que, se a tais extremos chegar a presente perseguição contra a Igreja, os exemplos já registrados pela História sirvam de modelo para os clérigos de nossos dias.

____________
Notas

Fonte: Revista Catolicismo, Nº 815, Novembro/2018. 


* * *