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sábado, 28 de julho de 2018

ITABUNA CENTENÁRIA SORRINDO – Piadas para alegrar seu dia



De machos e fêmeas

A mulher entra na cozinha e encontra o marido, atarefado, com um guardanapo na mão, olhando para todos os lugares.
- O que você está fazendo, querido?
- Caçando moscas.
- Oh! Já matou alguma?
- Sim! Já matei cinco: 3 machos e 2 fêmeas.
Intrigada, ela pergunta:
- Mas como conseguiu distinguir o sexo?
- Fácil querida! Três estavam na garrafa de cerveja e duas no telefone.

***

De profissionais

Duas mulheres se encontram no cabeleireiro.
- O meu marido é médico, e o seu?
- O meu faz televisão!
- Televisão?! Que legal! Onde ele trabalha?
- Na linha de montagem da Philco!

***

De Fazendas e Botinas

De chapéu de palha e roupinha bem puída, o caipira mija na cerca da maior fazenda da região. No meio do ato ele comenta, suspirando:
- Ahhhh... Nada como fazer xixi naquilo que é da gente!
De repente aparece o dono da fazenda, do lado de dentro da cerca e grita:
- E desde quando essa fazenda a tua?
- Fazenda? Eu tô falando é da minha botina, sô !

***

De Casório e Impedimento

No momento do casório o padre faz a tradicional pergunta:
- Há alguém aqui que saiba de algum fato que possa impedir a realização desse casamento?
Um sujeito que está assistindo cochicha com um amigo:
- Eu sei...
E o amigo, também sussurrando:
- Então por que você não fala?
- Você é louco? Se falar quem tem que casar sou eu !

***

De aplausos perigoso
s

Um mosquitinho da dengue pergunta para a mamãe mosquita da dengue:
- Mamãe, deixa eu ir ao teatro?
- Que é isso, menino, parece maluco! Onde é que já se viu mosquito da dengue ir ao teatro?
- Ah, deixa, mamãe! Deixa!
- Pará com essas frescuras, menino! Mosquito da dengue não nasceu pra ir ao teatro. Nós nascemos para ficar em água parada de pneus, garrafas vazias, vasos de plantas, calhas entupidas, latas abertas...
E o mosquitinho da dengue, sem perder as esperanças:
- Ah, deixa, mamãe, deixa!
- Está bem, vai menino, vai! Mas muito cuidado com os aplausos!



* * *

MANUAL PARA A VIDA


NA SAÚDE:


1.  Beba muita água;

2.  Coma mais o que nasce em árvores e plantas;

3.  Viva com os três E: Energia, Entusiasmo e Empatia;

4.  Arranje 30min por dia para Orar  sozinho;

5.  Faça atividades  que ative seu cérebro;

6.  Leia mais livros;

7.  Sente-se em silêncio, pelo menos,  10 minutos por dia;

8.  Durma 8 horas por dia;

9.  Faça caminhadas diárias de 20 a 60 minutos.

10. Enquanto caminhar,  sorria.


NA PERSONALIDADE:

11.  Não compare a sua vida com a dos outros;

12.  Não tenha pensamentos negativos;

13.  Não se exceda;

14.  Não se torne demasiadamente sério;

15.  Não desperdice a sua energia com fofocas;

16.  Sonhe mais;

17.  Inveja é uma perda de tempo. Agradeça a Deus pelo que possui...

18.  Esqueça questões do passado. Jesus já jogou no mar do esquecimento, faça o mesmo;

19.  A vida é curta demais para odiar alguém. Perdoe;

20.  Faça as pazes com o seu passado para não estragar o seu presente;

21.  Ninguém comanda a sua felicidade a não ser você;

22.  A vida é uma escola e você está nela para aprender. Não fique repetindo  o ano;

23.  Sorria e gargalhe mais;

24.  Não queira ganhar todas as discussões. Saiba perder.


NA SOCIEDADE: 

25.  Entre mais em contato com sua família;

26.  Dê algo de bom aos outros,  diariamente;

27.  Perdoe a todos por tudo;

28.  Passe tempo com pessoas acima de 70 e abaixo de 6 anos;

29.  Tente fazer sorrir, pelo menos três pessoas por dia;

30.  Não se importe com o que os outros pensam de você;

31.  O seu trabalho não tomará conta de você quando estiver doente. Não se estresse.


NO SEU DIA A DIA: 

32.  Faça o que é correto;

33.  Desfaça-se do que não é útil;

34.  Lembre-se: Deus cura tudo;

35.  Por melhor ou pior que a situação seja... ela mudará...tudo passa!

36.  Não interessa como se sente, levante, arrume-se e apareça;

37.  O melhor ainda está por vir;

38.  Quando acordar de manhã agradeça a Deus pela graça de estar vivo;

39. Mantenha seu coração sempre feliz.


ACIMA DE TUDO:

 40.  Cultive a fé em Deus.


(Autor desconhecido)

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ITABUNA, TERRA AMADA! - Eglê S Machado


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Itabuna, Terra Amada!


Abrasem em ternas odes, almas e corações,
Brilhando a gratidão na vida Grapiúna,
E desçam sobre ti, amada Itabuna,
As graças divinais em luzes e canções!

Teu povo te cumule de bênçãos e orações
E honre a tua dádiva de força e esperança,
Em tempos de agrura retome a confiança
E resplandeçam fortes perdidas sensações!

Terra de luta e brio, que venham os albores,
Restituindo encantos, perfumes e louvores,
A restaurar-te o seio infértil, tão cansado...

E à vida então retorne teu ventre fecundado
A sacudir-te em êxtase e devolver-te amores,
E voltem a vicejar no teu jardim, as flores!

Eglê S Machado
Academia Grapiúna de Letras

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sexta-feira, 27 de julho de 2018

ITABUNA, TERRA AMADA: Aniversário da cidade! - Antonio Nunes de Souza


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Aniversário da cidade! 


Essa menina centenária, que é a nossa querida Itabuna, está comemorando mais um ano de vida municipal e, para nós que a vimos crescer e prosperar, nos deixa orgulhosos e felizes de termos colaborado para esse fim!

Normalmente, na sua data, 28 de julho, além das missas e foguetórios, geralmente somos agraciados por algumas novas obras, sendo algumas até nababescas e esperadas ao longo do tempo que, com certeza abrilhanta a festa e nos dá a felicidade de ver o progresso ser ampliado na nossa querida comunidade!

Mas, infelizmente, desta feita, parece que em função das “encrencas” políticas em Brasília, seus reflexos tenham dificultado tais acontecimentos, nos deixando um tanto tristes e sentidos. Contudo, de qualquer forma tivemos um prêmio por tabela bastante significativo que foi a inauguração uma semana atrás da Barragem do Rio Colônia, em um município vizinho, que nos beneficiará com uma sustentação de abastecimento de água, dando margens a instalações de indústrias de grandes portes, favorecendo o povo com geração de novos empregos e circulação financeira em toda região.

Não podemos deixar de levar em conta a já acelerada obra do Centro Cultura e Teatro, que nos honrará com uma instituição de porte e representativa para a classe artística e, também, para que o povo tenha a oportunidade de assistir espetáculos de qualidade!

Logicamente, não deixa de termos também as promessas de meritórias e necessárias obras vultosas, como a esperada há mais de sessenta anos, duplicação da rodovia Itabuna/Ilhéus. Esta está mais para cá do que para lá, porém, não podemos deixar de colocá-la na lista das promessas políticas.

Desconheço outras que possam estar engatilhadas, ou que serão inauguradas que tenham maiores significações. O fato é que não deixaremos o evento passar em branco, algumas reformas e pequenas obras serão, logicamente, apresentadas, gozaremos de mais um feriado num fim de semana, que nos proporcionará um descanso festivo!



Antonio Nunes de Souza, escritor.
Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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ITABUNA, TERRA AMADA: É muito gratificante ser sincero, por João de Paula


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É muito gratificante ser sincero

Os gestos de amor e gratidão são humildade e bondade


Amados amigos e amigas! Quero registrar e dizer que é muito gratificante, muito feliz e grande motivo de regozijo, quando ouvimos de alguém a seguinte afirmativa: Se essa pessoa disse isso, se ela garantiu ou prometeu, pode confiar. Ela é gente boa, gente amiga, sincera e do bem. É uma pessoa honrada, nunca andou difamando alguém. Se ela pode ajudar, ela ajuda. Se não pode, ela não atrapalha, nem anda se justificando, nem apontando os defeitos das outras pessoas, para mostrar que é justo”.

Fiquei muito feliz com essas amáveis palavras, quando pessoas que conheço há 35 anos, expressaram para mim, o que falavam de mim, sem eu saber. Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Ele é um presente de Deus.
É um abençoado.
É uma preciosidade de pessoa,.
Quem conta com esta criatura em seus relacionamentos e amizade, é um premiado. Amém!

Façamos parte desse time do bem; do verdadeiro elogio e aplauso, time dos que merecem ouvir o que é bom e positivo, pautado na verdade e no amor que vem de Deus. Tolerância, humildade, perdão.

Façamos parte do time dos que sabem acolher e agradecer, que sabe ouvir um amigo, um conhecido, uma autoridade, um cidadão comum, um conselheiro, um benfeitor com todo respeito e merecimento.

Ouvir alguém falar a seu respeito e de nossa pessoa com louvor, manifestado aplauso e estima, com gratidão, com uma opinião subjetiva e referenciada no bem e na verdade, no respeito, no bom exemplo, na boa conduta, nas virtudes e na qualidade que guardou como boa recordação; é um merecimento muito grande.Uma homenagem respeitosa...

É verdade que temos que semear hoje os sentimentos e as atitudes edificantes: as boas sementes, os bons frutos, as boas ações, os bons conselhos, as boas presenças e visão de um mundo melhor, para colhermos amanhã os frutos destes procedimentos e sentimentos nobres, além dos projetos que geram felicidade para uma nova geração.

Um dia, alguém, em algum lugar será teu juiz. Será teu advogado, pela vida que vivenciou e  compartilhou, que manifestou boas maneiras, os bons modos, as boas conversas, boas palestras, as boas palavras durante o percorrer do caminho do mais baixo ao mais elevado nível.

Os gestos de amor e gratidão são: humildade e bondade.  Não desanimar, jamais!

Se alguém fizer o mal a você, continue ampliando seu amor. Se alguém te prejudicou em alguma coisa, perdoe. Se alguém riscou injustamente seu nome da agenda dele, não amplie seu ódio.

Se alguém finge esquecer-se da sua história de vida, seus feitos, sua mocidade e bondade, sua lição de vida e do seu bom exemplo, não fique preocupado por isso, porque Deus é sabedor de todos os seus risos, lagrimas, dificuldades e desejos amplos de ver todo mundo feliz. Voga o amor altruísta.

Faça sempre o seu viver ser marcante com o amor, com o servir, com o jeito feliz de vivenciar a vida e seguir avante. Deus lhe fará justiça. Faça tudo em benefício seu e das outras pessoas que caminham rumo a Era da Luz.

Na escola da vida, a gente aprende a amar e  perdoar. Se cair no inferno, meu amigo ou minha amiga, não deixe de colocar as virtudes, o amor, o perdão e as boas ações em praticas. Ame muito mais.

Não deixe que as dificuldades tirem de você, a qualidade e a benção de ser amado de Deus.

A única maneira de a gente acabar com o mal e com as injustiças é sendo firme e forte na fé, na esperança, na certeza de que dias melhores virão e no bom trato com os nossos semelhantes, com notícias boas, com notícias agradáveis, amando e perdoando, semeando flores sempre.

Deus nos fará Justiça, acredite. É muito gratificante, sim!

João Batista de Paula
Escritor e Jornalista

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ITABUNA, TERRA AMADA: Fim de Carreira do Goleador - Conto de Cyro de Mattos


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Fim de Carreira  do Goleador 
Cyro de Mattos


            Se pudesse voltar no tempo, nada melhor poderia acontecer para ele  nesse mundo. Gostaria de ver aquele gol de calcanhar  no primeiro campeonato conquistado pelo  Grêmio. Andava desligado do trabalho na carpintaria. Não entregava as encomendas aos fregueses  no tempo prometido. Triste agora  pela casa. Desde que deixou de ser aquele centroavante inteligente, que fazia gols com um toque de  classe,  a torcida levantava e aplaudia de pé. Visivelmente se via no rosto que não estava de bem com a vida.

            Irritava-se com  qualquer coisa insignificante que acontecesse em casa. A comida,  que a mulher  preparava  com arte  e bom-gosto,  sempre elogiada por ele,  não produzia mais aquela sensação  que molhava de prazer o coração. Os olhos vermelhos como se tivesse chorado escondido no quartinho dos fundos.  Deixara de ser o marido carinhoso,  o pai paciente com os filhos, o vizinho admirado por seus préstimos  na hora necessária.
  
            Ensimesmado evitava falar com os de casa. Sentava na cadeira de vime e ficava na sala com os olhos fixados nas fotos dos times de futebol,  o quadro pendurado na parede com a tinta desbotada, a mancha da umidade em cada canto.  Lá estava a  famosa esquadra da Associação, que deu jogadores para os times do Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Bahia, como naquele tempo era chamado  Salvador. Estreara  no Campo da Desportiva  como centroavante, num domingo de sol, no clássico dos clássicos local,  Janízaros contra a Associação.

            Quase um menino, que não ficava parado, nem temia o zagueiro alto e corpulento. Mexia-se  pelos dois lados, fazia bem  o pivô e deixava o zagueiro preso no lance. Mostrou logo que era   um centroavante inteligente, que veio para ficar entre os bons goleadores do campeonato da Liga.  Formou ao lado de Juca, o professor, uma dupla de atacantes  que se tornou célebre  pelas tabelinhas que fazia com facilidade.

            Fez gols espetaculares,  que deixavam o torcedor  pasmo, tirando-o do sério.  Gol sem ângulo, de lençol no zagueiro, por entre as pernas do goleiro.  Nesse tempo  aprendeu  muito  com Juca, que certa vez lhe disse,  bater na bola  era questão de jeito.  O atacante devia estar sempre  no momento certo dentro da área,  receber a bola, não se afobar,   fazer o gol como se estivesse fazendo uma obra de arte. Não era por acaso que  Juca era chamado de professor, maestro,  mago, milagreiro,  usava bem o  pé esquerdo e o direito, dominando e batendo na bola com inteligência  e  precisão. Era também bom no cabeceio.
    
            Fixava o olhar no retrato com o esquadrão do São Cristóvão, o time dos motoristas.  Lá estavam Mudo, Almir e  Mala, este em fim de carreira.  Era um franzino atacante, de pernas compridas,  parecia lento, mas  aparecia  na grande área quando menos se esperava. Desviava-se do marcador com um  drible seco  e entregava a bola a ele para fazer o gol. Fez uma dupla de atacante inesquecível com Mala  quando então se firmara como um goleador implacável no cabeceio. Mala  observava que importante era fazer a bola correr, o jogador não era preciso.  Dizia  que tinha preferência de receber a bola quem não ficava parado no vaivém do jogo como um morcego tirando proveito do esforço dos companheiros.   Lá estava ele ao lado de Mala, um jogador sabido, a  fotografia  amarelecida pelo tempo, pendurada na parede com a tinta desbotada.

            A  melhor dupla que armava o jogo para ele foi formada com o alegre Lubião e  o endiabrado Macaquinho. Ele então  jogava no Grêmio.  Lubião  fazia do jogo um show à parte quando driblava ou  lançava com perfeição a bola longa para o companheiro.  Macaquinho era um driblador contumaz,  invejável.  Um  malabarista com seus dribles curtos  repetidos, fazendo  o adversário ter vexames.   Lubião ou Macaquinho,  municiando a bola para ele,  fez com que tivesse a sua melhor fase de centroavante goleador no campeonato da Liga. Com aquela dupla sensacional, várias vezes fora o goleador do Janízaros no campeonato.

            O bigode branco, a cabeça calva, triste pelos cômodos da casa acanhada,  erguida numa das margens do rio, no bairro da Burundanga. Macaquinho, Lubião, Juca, Mala e tantos outros jogadores, que deixaram a sua marca no Campo da Desportiva,  já tinham pendurado as chuteiras, enquanto ele teimava em não abandonar o futebol, mesmo que continuasse parado na pequena área do time adversário, nem precisando ser marcado de perto pelo zagueiro.  Não corria, movimentava-se com dificuldade,  não sabia o que fazer com a bola quando por acaso chegava onde estava  como uma máquina velha enferrujada, sem força.  Quase sempre era flagrado  em impedimento.

            Os  torcedores  não perdoavam sua lerdeza na partida. Rodrigo Bocão  com o seu berro avassalador,  que irrompia na garganta estrondosa,  era quem mais gostava de vaiar quando via Noca,  mal das pernas, sem conseguir pegar na bola. Gritava: “Sai do campo, capacete, lugar de ferrugem é na sucata!” Torcedores apupavam. Um chamava Noca de cabeça pelada, bola de bilhar, campo de aviação. Outro investia sem dó: Toicinho luminoso,  coco verde envernizado,  deixa o jogo, preguiçoso safado!

            Jogava agora no Itapé, o pior time do campeonato. Ultimamente dera para jogar com o gorro na cabeça, tentando esconder a careca brilhante em tarde de sol e, assim,  evitar que os torcedores  ficassem chamando-o por aqueles apelidos que tanto o irritavam.

            Naquele domingo de nuvens cor de chumbo,  ninguém podia imaginar o que estava reservado para Noca,  na última partida do segundo turno. O  Itapé iria jogar com o Flamengo,  que já havia ganho  o primeiro turno.   Bastava que empatasse com o Itapé para o rubro-negro terminar empatado em números de pontos com o Fluminense. Ganharia o segundo pelo critério de ter vencido mais jogos no campeonato do que o Fluminense. Ganharia  o segundo turno e se sagraria campeão invicto no ano em que a cidade comemorava  cinquenta anos  de emancipação política.

            Era goleada certa do Flamengo, só um milagre poderia fazer que o rubro negro  até empatasse com o lanterninha  Itapé. O primeiro tempo terminou zero a zero. Nada que faziam no jogo dava certo para os jogadores do Flamengo, que jogava  parecendo ser um time pequeno e não  o esquadrão rubro-negro temido, o que tinha mais torcida, o maior papão de  títulos no  campeonato do Campo da Desportiva. Os torcedores inflamados deram para cantar  versos do hino do clube. “Vencer, vencer, vencer, uma vez Flamengo, Flamengo até morrer...  seja na terra, seja no mar... “

            Durante a sua pior partida no campeonato daquele ano, o Flamengo dera   muito azar,  o  centroavante Juarez frente ao gol acertou a bola na trave por duas vezes. Perdeu um pênalti. Para piorar, no segundo tempo caiu uma chuva forte,    o gramado ficou enlameado em pouco tempo. Os jogadores começaram a escorregar na cancha cheia de poça d’água. Ficavam sujos de lama, tomavam quedas engraçadas quando iam disputar a bola. Os torcedores sorriam e mangavam.

            Nos acréscimos da partida, para a infelicidade dos torcedores do Flamengo, a bola chutada pelo médio volante  Brezegue raspou na careca de Noca, desviou a trajetória , impedindo que o goleiro Asclepíades fizesse a defesa:  tomou  velocidade e foi  entrar no gol.

            Noca,  sem fôlego, desde o começo da partida, como era costume,   contribuiu daquela vez, no final,  para que o Fluminense  fosse o campeão do segundo turno  e se credenciasse a disputar o título do campeonato com o seu  maior rival.

            Houve empate na primeira e segunda partida.  Na terceira,  a decisiva, que seria concluída nos pênaltis,  para  conhecer o campeão, caso terminasse empatada no tempo regulamentar,  o Fluminense venceu o Flamengo por um a zero, tornando-se o campeão municipal no ano do cinquentenário da cidade.

            Depois daquele gol incomum, Noca  decidiu parar em definitivo  com o futebol. O corpo não obedecia mais a um mínimo movimento que a cabeça queria.   Voltou a ser alegre em casa,  afetuoso com a mulher, bom conselheiro dos  filhos, prestativo com os vizinhos. Por fim,  encerrara a carreira futebolística, deixando sua marca histórica com o time do Itapé, o sempre lanterna  do campeonato. Com um gol esquisito,  de cabeça, melhor dizendo, de careca,   no velho Campo da Desportiva,  de tantas batalhas,  de gloriosa e  saudosa memória.

            Quando perguntaram ao velho Noca,   na barbearia do Álvaro, que tinha sido zagueiro na Associação,  por que resolveu jogar sem o gorro naquela partida contra o Flamengo,  ele sorriu e, calmo, não demorou para informar ao distinto torcedor. Disse que  na véspera do jogo o seu colega Macaquinho apareceu em sonho. Com aquela cara de saguim, olhinhos miúdos, dentinhos nervosos.  Recomendou:  
        - Jogue  sem o gorro, no domingo irás conquistar a glória na  Desportiva!

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Cyro de Mattos 
Baiano de Itabuna. Escritor e poeta, Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Sul da Bahia). Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia, Pen Clube do Brasil, Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras de Itabuna.

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quinta-feira, 26 de julho de 2018

FLIP 2018: FERNANDA MONTENEGRO É APLAUDIDA DE PÉ E SE EMOCIONA AO FAZER HOMENAGEM A HILDA HILST NA ABERTURA


Festa Literária Internacional de Paraty começou nesta quarta-feira (25) e vai até domingo (29). 
Compositora Jocy de Oliveira também participou da sessão que inaugurou a 16ª edição.

Por Cauê Muraro, G1, Paraty
25/07/2018

Fernanda Montenegro lê Hilda Hilst na abertura da Flip 2018 (Foto: Walter Craveiro/Divulgação)

Foi com uma apresentação emocionada a de Fernanda Montenegro lendo trechos da obra da escritora Hilda Hilst (1930-2004), homenageada desta edição do evento, que a 16ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) começou na noite desta quarta-feira (25).


Com direção de cena de Felipe Hirsch, a atriz de 88 anos esteve por cerca de meia hora no palco. Passou a maior parte do tempo sentada diante de uma mesa.

Mas, nos minutos finais, levantou-se. A última palavra que declamou foi "delicadeza". Fez, então, um gesto indicando um abraço, e as luzes se apagaram.

Quando se acenderam de novo, Fernanda 
foi ovacionada e aplaudida de pé pelo 
auditório de 500 lugares, todos ocupados. 
Com voz embargada, disse: "Maravilhosa 
Hilda Hilst. Inesgotável Hilda Hilst. Amada 
Hilda Hilst".

Fernanda Montenegro é aplaudida na abertura da Flip 2018 (Foto: Walter Craveiro/Divulgação)

No geral, a abertura teve seus momentos (sutis, mas aprovados) de política, pornografia e poesia, como era de se esperar num tributo a Hilda Hilst.

Mesmo com a chuva (e o barulho) forte que caiu bem na hora da sessão, a Praça da Matriz ficou lotada. Tinha muita gente dentro e fora da tenda que exibe de graça, num telão, os debates.

Fernanda Montenegro leu trechos como estes, todos da poesia, da prosa ou de entrevistas da homenageada:

"Quero ser lida em profundidade, e não como distração, porque não leio os outros para me distrair, mas para compreender, para me comunicar, não quero ser distraída";

"Eu sempre tentei me aproximar do outro, ainda que no decorrer da vida eu tenha tido medo dessa proximidade";

"Não é todo mundo que consegue entrar no mundo da poesia";

"Gente, eu já estou uma fúria e para ficar mais calma proponho algumas coisas mais sutis, por exemplo: o Esquadrão Geriátrico de Extermínio, a sigla óbvia seria EGE. Arregimentaríamos várias senhoras da terceira idade, eu inclusive, lógico, e com nossas bengalinhas em ponta, uma ponta-estilete besuntada de curare (alguns jovens recrutas amigos viajariam até os Txucarramãe ou os Kranhacarore para consegui-lo) nos comícios, nos palanques, nas Câmaras, no Senado, espetaríamos as perniciosas nádegas ou o distinto buraco malcheiroso desses vilões, nós, velhinhas misturadas às massas, e assim ninguém nos notaria, como ninguém nunca nota a velhice".

Mas o tom não foi só de reverência. Teve risos na plateia (como quando Fernanda leu um pedaço da tal crônica "E.G.E.") e risinhos envergonhados (como quando leu passagens da conhecida vertente pornográfica da produção de Hilda, no caso de "A obscena Senhora D").

'Mulheres que mudaram a identidade brasileira'

A curadora Joselia Aguiar na abertura da Flip 2018 (Foto: Divulgação/Walter Craveiro)

Fernanda Montenegro subiu no palco após falas do arquiteto Mauro Munhoz, diretor-presidente da Associação Casa Azul, responsável pela Flip; da fundadora da Flip, Liz Calder; e de Joselia Aguiar, curadora da festa pelo segundo ano seguido.

Munhoz lembrou que a sessão de abertura da Flip 2018 junta teatro, música e literatura e tem dois atos: primeiro, com Fernanda Montenegro; depois, com a compositora Jocy de Oliveira. Ele lembrou que ambas são da mesma geração de Hilda.

"Em sua atuação artística e política, as 
mulheres dessa geração mudaram a 
identidade brasileira", afirmou ele.

Já Joselia disse que a homengeada da Flip experimentou vários gêneros literários (poesia, prosa, teatro), publicou por editoras pequenas e era conhecida por público restrito. Mas atualmente, uma década e meia após a morte, tem sido cada vez mais assunto de trabalhos acadêmicos e críticas.

A curadora citou casos de pessoas que agora tatuam no corpo versos da autora, falando em "níveis de popularidade inéditos sem deixar de desafiar o leitor".

'Nós, mulheres, somos todas Hilda'

Jocy de Oliveira no segundo ato da abertura da Flip 2018 (Foto: Walter Craveiro/Divulgação)


A abertura da Flip 2018 foi encerrada com dois números musicais compostos da maestrina, compositora e pianista Jocy de Oliveira.

Entre as apresentações, ela também falou sobre as relações entre sua obra e a de Hilda Hilst (agora, parte do público se dispersou pouco).

Jocy tratou, especificamente, da importância do tema "morte" na poesia e na ficção da homenageada da Flip. A autora em certa fase da vida espalhou gravadores pela chácara onde morava em Campinas (SP), a famosa Casa do Sol, para tentar gravar sons de espíritos.

"Ao tentar se comunicar com outro mundo, Hilda dizia que conseguia algumas interferências de vozes desconhecidas, algumas bastante nítidas, outras bastante fracas", contou Jocy.

"O segundo tema que me chama atenção [na obra de Hilda] é a 'transgressão'. Hilda foi sem dúvida uma mulher transgressora, além de seu tempo. Enfrentou paradigmas de sua época, enfrentou a mídia, seus críticos, lançou seus textos pornográficos pelo desejo de ser lida."

A compositora completou: "Ela nunca precisou se preocupar em ser uma mulher à frente de seu tempo, porque ela foi além de seu tempo".

Ao falar sobre o poder dos textos da 
homenageada especialmente entre as 
leitoras, Jocy de Oliveira declarou: "Nós, 
mulheres, somos todas Hilda".

No auditório da Praça, onde as mesas da Flip são transmitidas gratuitamente, a compositora foi bastante aplaudida após esta última frase.

Em seguida, foi mostrada uma versão de sua ópera "Medea solo". De acordo com a compositora, o mito é mostrado na obra a partir "de um ponto de vista político" e retrata "questões extremamente pertinentes no mundo atual".

Esta volta da política foi talvez o único ponto em comum entre este segundo ato e aquele bom início com Fernanda Montenegro, na leitura da crônica do Esquadrão Geriátrico de Extermínio.

Apesar da chuva bem na hora da sessão de abertura da Flip 2018, ficou lotada a área externa do auditório que exibe num telão de graça a programação do evento (Foto: Walter Craveiro/Divulgação)


Veja, abaixo, a programação da Flip 2018

Quarta-feira (25 de julho)

20h – Mesa 1 (Sessão de abertura), com Fernanda Montenegro e Jocy de Oliveira – A atriz e a pioneira na música de vanguarda, que hoje se dedica à ópera multimídia, fazem homagenagem a Hilda Hilst.

Quinta-feira (26 de julho)

10h – Mesa 2 (Perfomance Sonora), com Gabriela Greeb e Vasco Pimentel – A voz, a escuta e as divagações literárias e existenciais de Hilda Hilst registradas em fitas magnéticas na década de 1970 são apresentadas pela cineasta brasileira e pelo sound designer português.

12h – Mesa 3 (Barco com Asas), com Júlia de Carvalho Hansen, Laura Erber e Maria Teresa Horta (em vídeo) – Esse diálogo inusitado reúne, por vídeo, um grande nome da poesia de Portugal do último meio século e, em Paraty, duas poetas brasileiras influenciadas pela lírica portuguesa que têm pontos em comum com Hilda Hilst.

15h30 – Mesa 4 (Encontro com livros notáveis), com Christopher de Hamel – A religião, a magia, a luxúria e a leitura na época medieval se apresentam nas páginas do "Evangelho de Santo Agostinho", do "Livro de Kells" e de "Carmina Burana", comentadas pelo maior especialista do mundo nesses manuscritos.

17h30 – Mesa 5 (Amada vida), com Djamila Ribeiro e Selva Almada – Uma ficcionista argentina que escreveu sobre histórias reais de feminicídio e uma feminista negra à frente de uma coleção de livros conversam sobre como fazer da literatura um modo de resistir à violência.

20h – Mesa 6 (Animal Agonizante), com Gustavo Pacheco e Sérgio Sant'anna – Um grande mestre da literatura brasileira que abordou o desejo, a solidão e a morte relembra sua trajetória ao lado de um leitor seu e autor estreante elogiado pela crítica portuguesa com histórias de humanos e outros primatas.

Sexta-feira (27 de julho)

10h – Mesa 7 (Poeta na torre de capim), com Lígia Ferreira e Ricardo Domeneck – A falta de leitores e o silêncio da crítica, como reclamava Hilda Hilst: para esse debate, encontram-se a grande especialista no poeta negro Luiz Gama e um poeta e editor atento a nomes ainda fora do cânone, como Hilda Machado, que morreu inédita em livro.

12h – Mesa 8 (Minha Casa), com Fabio Pusteria e Igiaba Scego –Fazer literatura tendo uma língua comum – o italiano – e diferentes aportes, fronteiras e paisagens geográficas e literárias: nesse diálogo, reúnem-se o poeta de um país poliglota, que é tradutor do português, e uma romancista filha de imigrantes da Somália, que escreveu sobre Caetano Veloso.

15h30 – Mesa 9 (Memórias de porco-espinho), com Alain Mabanckou – O absurdo e o riso, Beckett,culturas africanas, escrita criativa e crítica da razão negra: a trajetória e o pensamento de um poeta e romancista franco-congolês premiado se revelam nessa conversa com dois entrevistadores.

17h30 – Mesa 10 (Interdito), com André Aciman e Leila Slimani – O exercício da liberdade de escrever e a escolha de temas tabu ou proibidos – a exemplo do homoerotismo, da sexualidade feminina e da religião —são as questões tratadas nesse diálogo entre dois romancistas, um judeu americano de origem egípcia e uma francesa de origem marroquina.

20h – Mesa 11 (A Santa e a Serpente), com Eliane Robert Moraes e Iara Jamra – A obra de Hilda Hilst em poesia e prosa é vista tanto em sua dimensão corpórea quanto mística por uma ensaísta que atua na fronteira entre a literatura e a filosofia, enquanto são feitas leituras por uma atriz que encarnou a sua personagem mais famosa – Lori Lamby.

Sábado (28 de julho)

10h – Mesa 12 (Som e Fúria), com Jocy de Oliveira e Vasco Pimentel – A escuta e a criação de universos sonoros: para esse diálogo, encontram-se uma das pioneiras da música de vanguarda no país, hoje dedicada à ópera multimídia, e um sound designer português – os dois conhecidos pelo rigor e pelo preciosismo.

12h – Mesa 13 (O poder na alcova), com Simon Sebag Montefiore –Historiador britânico best-seller que publicou biografias de Stálin, dos Romanov e, agora, de Catarina, a Grande, conta, nessa conversa com dois entrevistadores, como faz para retratar figuras centrais da política em seus pormenores mais íntimos.

15h30 – Mesa 14 (Obscena, de tão lúcida), com Juliano Garcia Pessanha – Uma romancista portuguesa nascida em Moçambique que tratou de temas como o racismo e a gordofobia se encontra com um narrador de gênero híbrido e filosófico para discutir a escrita de si, os diários e as memórias, o corpo e o desnudamento.

17h30 – Mesa 15 (Atravessar o sol), com Colson Whitehead e Geovani Martins – O americano vencedor do Pulitzer com um romance histórico sobre escravizados que construíram sua rota de fuga se encontra com um estreante que, da favela do Vidigal, inventa com liberdade seu jeito de narrar e usar as palavras.

20h – Mesa 16 (No par do incomum), com Liudmila Petruchévskaia – Um dos grandes nomes da literatura russa moderna, comparada a Gogol e Poe por seus contos de horror e fantasia que não dispensam o teor político, relembra sua trajetória proibida por décadas no regime stalinista, hoje aclamada de Moscou a Nova York.

Domingo (29 de julho)

10h – Mesa Zé Kleber (De Malassombros), com Franklin Carvalho e Thereza Maia – Um narrador do sertão baiano que abordou a mitologia da morte em seu premiado romance de estreia se encontra com uma folclorista que recolheu histórias orais de Paraty, em um diálogo sobre o território e seus encantados.

12h – Mesa 17 (Sessão de encerramento 'O escritor seus múltiplos'), com Eder Chiodetto, Iara Jamra e Zeca Baleiro – Uma atriz, um compositor e um fotógrafo que fizeram obras baseadas em Hilda Hilst relembram os encontros com a autora, o processo de criação e as marcas que a experiência deixou em suas trajetórias.

15h30 – Mesa 18 (Livro de cabeceira): convidados leem trechos de livros marcantes.


Flip 2018

Quando: de 25 a 29 de julho

Onde: Paraty (RJ)

Ingressos: R$ 55 para cada mesa (com meia-entrada)

Onde comprar: durante a Flip, a venda acontece só em Paraty, na bilheteria oficial localizada na Praça da Matriz, no Centro Histórico.

Como assistir pela internet: as mesas vão ser transmitidas ao vivo por streaming no canal oficial da Flip no YouTube (clique aqui), pelo Facebook (clique aqui), pelo Instagram (clique aqui) e pelo Twitter (clique aqui).


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