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segunda-feira, 11 de junho de 2018

ESTATAIS A SERVIÇO DO BRASIL – Marco Antonio Villa


08/jun/18


A greve dos caminhoneiros recolocou a questão da privatização da Petrobras e — por tabela — de todas as estatais. O tema entrou na pauta meio de contrabando. Afinal, a questão envolvia diversas questões e o ataque às empresas estatais foi somente mais um pretexto na longa luta em defesa do que os liberais chamam de Estado enxuto. Os liberais brasileiros sempre foram meio fora da curva clássica: apoiaram ditaduras, fecharam os olhos às graves violações dos direitos humanos, à censura e, quando lhes convinham, à presença estatal na economia.

Não é possível falar em história do desenvolvimento econômico brasileiro no século XX sem falar do Estado. Foi ele o grande indutor da economia. Qual empresário quis fundar a Companhia Siderúrgica Nacional? E a Petrobras? E a Embraer e a Embratel? E a vale do Rio Doce? E Itaipu? A lista é quilométrica e, para economizar espaço, fico somente nessas empresas.

Todas elas exigiram investimentos de longa maturação e, inicialmente, as taxas de lucros eram baixas. Tudo o que o empresariado brasileiro não gosta.

O lucro fácil é o seu principal objetivo e a história do Brasil é farta em exemplos que reforçam essa afirmação. Portanto, não estamos no terreno da ideologia, mas sim trabalhando com dados muito conhecidos e inquestionáveis.

Ao longo do tempo — e é um problema sério — as empresas estatais foram ocupando espaços que deveriam estar reservados à iniciativa privada. É um fato. Também as estatais foram perdendo seus objetivos originais e acabaram, boa parte delas, tomadas por interesses político-partidários, o que também é um fato de conhecimento geral.

Sendo assim, a questão que se coloca não passa pela privatização indiscriminada de todas as estatais, pelo grito inconsequente de privatize tudo. Não! O Estado, até por razões de segurança nacional, mas não só, tem de continuar controlando com eficiência e competência setores que são fundamentais para o País. É urgente despartidarizar as estatais, limpá-las da corrupção e colocá-las à serviço do desenvolvimento nacional. Essas empresas não devem ser dirigidas com o objetivo de atender prioritariamente os investidores. Se agirem assim é melhor que deixem de ser estatais. O grande desafio é recolocar as estatais no seu papel de indutor do desenvolvimento. Entregá-las de mãos beijadas para investidores — principalmente estrangeiros — será um crime de Lesa-pátria.

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Marco Antônio Villa é historiador, escritor e comentarista da Jovem Pan e TV Cultura. Professor da Universidade Federal de São Carlos (1993-2013) e da Universidade Federal de Ouro Preto (1985-1993). É Bacharel (USP) e Licenciado em História (USP), Mestre em Sociologia (USP) e Doutor em História (USP)



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PROFESSOR MUNIZ SODRÉ FALA NA ABL SOBRE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, NA SEGUNDA PALESTRA DO CICLO ‘A CULTURA EM PROCESSO’



A Academia Brasileira de Letras prossegue com seu ciclo de conferências do mês de junho de 2018, intitulado A cultura em processo, sob coordenação do Acadêmico e professor Domício Proença Filho, com palestra do professor Muniz Sodré. O tema escolhido foi Inteligência artificial e cultura. O evento está programado para quinta-feira, dia 14 de junho, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca.


A Acadêmica e escritora Ana Maria Machado, Primeira-Secretária da ABL, é a Coordenadora-Geral dos ciclos de conferências de 2018.


Serão fornecidos certificados de frequência.


A cultura em processo terá mais duas conferências no mês de junho, sempre às quintas-feiras, no mesmo horário e local, com os seguintes palestrantes e temas, respectivamente: dia 21, Acadêmico eleito Joaquim Falcão, Aspectos da cultura brasileira contemporânea; e 28, Acadêmico Domício Proença Filho, Língua, cultura e identidade nacional.


Muniz Sodré adiantou parte de sua palestra: “Trata-se, inicialmente, de apresentar a noção de cultura como um fenômeno moderno, uma forma alinhada com outras (a democracia, a escola, a mercadoria etc.) constitutivas da sociedade contemporânea. Mais precisamente, cultura como a forma assumida pelo conhecimento que se assenta no comum da Modernidade. A sua singularidade está no fato de ser uma forma que passa transversalmente por todas as outras ao modo de uma “trans-forma”, isto é, de algo que modifica a percepção, mais do que é reconhecido ou absorvido. Cultura não é, portanto, o mesmo que conhecimento: É, antes, um mapa, uma carta de navegação, com balizas e faróis. Só que a inteligência artificial deixa aflorar a sua face tecnológica, em que se desenvolvem novas formas de vida, em que a própria realidade circundante pode ser “aumentada” por aplicativos técnicos.  Isso nos leva a conceber uma cultura do autômato”.

O CONFERENCISTA


Muniz Sodré é Professor Emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com mais de 36 livros publicados nos campos dos estudos de mídia, cultura nacional e ficção. É professor-visitante de várias universidades estrangeiras, com livros traduzidos na Itália, Espanha, Bélgica, Cuba, e Argentina.


Livros mais recentes: A Ciência do Comum (Editora Vozes) e Pensar Nagô (Editora Vozes). Foi presidente da Fundação Biblioteca Nacional (2005-2010). 
         
08/06/2018

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O FUTEBOL NOSSO DE CADA CRONISTA – Cyro de Mattos


O futebol nosso de cada cronista
                    Cyro de Mattos      


              Disputado por dois times, o  futebol tem como objetivo fazer entrar a bola  no gol defendido pelo adversário. Como arte nascida do pé na bola descreve  linhas e curvas incríveis no decorrer da partida. Nos dois tempos com intervalo, ora faz parte do jogo a ginga e o toque sutil, ora o passe preciso e o tiro certeiro. As cenas que causam espanto aos que estão no estádio resultam do empenho e suor gasto no esforço de cada lance. A bola rola macia no tapete verde ou salta na grama maltratada do campo de várzea. Uma das proezas do futebol consiste em impulsionar o coração para as zonas em que uma gente apaixonada transpira pulsações alegres e dramáticas.

            Provoca uma febre que lateja em sua brasa verdejante e se expande por toda a extensão dos meses no ano. Como gosta de criar apreensões, ritmos frenéticos quando se trata  de uma Copa do Mundo, até mesmo se for uma disputa de dimensão  nacional, estadual ou municipal. Tremores,  clamores, rancores. Vaias da galera formada de todas as gradações sociais.

            Surpreende quando  irrompe das gargantas no grito de gol,  pura curtição da felicidade. Tamanha é uma flor nesse grito ferindo e atordoando que ela se torna mais bela quanto mais sonora. O grito de gol irrompido com tanta força tremula nas bandeiras com o escudo do clube ou a cara do ídolo. Ele é carregado até as nuvens com gritos e ovações.  De repente, lá do alto, derrama uma água que  molha de amor o mundo fero e solitário aqui embaixo.  Esse mesmo mundo que nós os humanos teimamos  em forjar com lances de tristeza, rasteiras e carrinhos impiedosos, todos os dias, no duro embate  dos dias. Assim levado pelas nuvens,  lá vai o futebol em seu percurso de paixão do qual faz descer uma chuva  que alaga de emoção a vida, cheia de explicações duvidosas, mas feita também de poesia, inexplicável, tão dela.

            Nos textos  de alguns de nossos  craques das letras,  aqui vestindo as cores de um timaço das letras, vemos como o futebol  seduz com suas artimanhas, feitiços e sustos esplêndidos. O quanto é amoroso e imprevisível. Cria situações inusitadas, tornando as coisas relativas, escreve Luís Fernando Veríssimo. Maltrata  com a mesma mão que afaga. Renuncia às necessidades materiais do cotidiano. Fica radiante de beleza no  lado onde se alojou a vitória,  faça sol ou chuva. No lado dos pesares, a turma deixa o estádio inconformada,  não querendo acreditar no que viu e sentiu. Nessa romaria de frustrações lá vai o futebol em silêncio,  mastigando as amarguras da derrota.

            Nesse jogo que tantas vezes imita a vida,  cheia de calor e pressentimentos,   é que o futebol imprime em todos nós suas marcas de encantamento,  entre o alegre e o triste.  Assim o vemos agora,  de crônica em crônica. Com Armando Nogueira, por exemplo,  um pouco da história de nosso futebol sai dos bastidores para que se conheça  o heroísmo de Vavá, o Leão da Copa de 58, nos gramados da Suécia. Em Carlos Drummond de Andrade,  de repente o ódio faz-se alegria, o futebol afugenta mazelas, não quer saber da morte. O coração do poeta  está feliz no México e com o dele o de milhões de brasileiros, que sente do lado de cá  como é bom chover papéis picados pelas ruas e explodir fogos de artifício  loucos no céu  quando se ganha uma copa do mundo. Melhor ainda se o feito  é creditado a uma seleção inigualável  de craques,  comandados por Pelé, o “sempre rei republicano”.

            O futebol chega a ter sabor de obra-prima quando  é descrito  por  Fernando Sabino em Iniciada a Peleja. Se impõe nesse momento  de reunião importante dos executivos para tratar de assunto sério. Fala mais alto  em cada lance vibrante,  chegando ao ouvido do torcedor atento e nervoso, através de um pequeno rádio de pilha. Já Carlos Heitor Cony mostra  como o  futebol é muito perigoso. Tem dessas coisas que ultrapassam o óbvio ululante de qualquer criatura sensata quando se trata de salvar a pele.  Abala uma nação inteira que quer ver o diabo em sua frente do que o bandeirinha brasileiro que marcou um impedimento dos mais graves e tirou o título de campeão sul-americano  dos nossos “hermanos”, em território argentino, favorecendo  os arquirrivais uruguaios, no último minuto.

            Na trama que prende do princípio ao fim, aqui está, nestas referências  de  alguns cronistas bons de bola,  nossa maior paixão popular. Esses craques das letras brasileiras mostram, em breves passagens,  como o futebol  é tão íntimo da vida. Se possui seus imprevistos sob os instantes do sol ou da chuva,  depende do carinho para sobreviver naquele espaço verde que encanta.  Com frequência está a dizer que vencer torna a vida leve. Quando se perde, meu Deus, como machuca.
 
            De qualquer maneira, com sorte ou azar, seu refrão diz que vale como paixão e diversão.     

 ......
Cyro de Mattos é contista, poeta, cronista, ensaísta, romancista, organizador de antologia,  autor de livros para crianças e jovens. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia.  Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz. Premiado no Brasil, Portugal, Itália e México. Tem livro publicado em Portugal, Itália, França, Alemanha, Espanha e Dinamarca.

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domingo, 10 de junho de 2018

ITABUNA CENTENÁRIA UM POEMA: Quem é você? - Abodha Prem


Quem é você?


Por favor, não fale comigo sobre "consciência" ou entidades de luz.
Eu quero ver como você trata seu parceiro seus filhos, seus pais, vizinhos e precioso corpo.

Por favor, não me faça uma palestra sobre "todos somos UM" ou como você descobriu seu animal de poder ou mesmo as mandalas que viu numa trip.
Eu quero sentir um calor genuíno irradiando do seu coração.
Eu quero saber o quão bem você sabe ouvir.
Eu quero ver como você lida com a vida quando tudo acontece exatamente como você não gostaria e suas expectativas no relacionamento se frustraram.

Não me diga como você está desperto, como você é livre do ego.
Eu quero te conhecer por detrás das palavras.
Quero saber como você é quando os problemas e desafios visitam você ferozmente.
Se você puder permitir totalmente sua dor e não fingir ser invulnerável.
Se você pode sentir sua raiva e ainda não ser seu escravo.
Se você puder conceder passagem segura para a sua tristeza e a tratar como convidado de honra.

Quem é você? Eu quero conhecer é você. Antes do tal "espiritual".

Antes de todas as palavras inteligentes e textos e falas de outros que você decorou.
Quero saber é se você pode sentir sua vergonha, ser humilde e pedir desculpas.
Se você realmente é forte e guerreiro e admitir isso.
Se você pode dizer "desculpe", e realmente quer dizer isso.
Se você pode ser totalmente humano em sua gloriosa divindade.
Se consegue estar entrelaçado ao mundo da mesma forma que ama ao espírito.

Não fale comigo sobre sua espiritualidade, amigo.
Eu realmente não estou tão interessado nisso.

Eu só quero conhecer você.
Conheça seu precioso coração.
Conheça o belo ser humano lutando pela luz que você É.

Quero conhecer você antes de sua “história espiritual".
Antes de todas suas desculpas.
Antes de todas as palavras inteligentes.
Eu quero conhecer você.

- Sahaj Kaliman -


Abodha Prem -  Sw. Prem Abodha é um dos coordenadores do Centro de Meditação Osho Sukul, do Rio de Janeiro. Ele tem conduzido um trabalho cujo propósito básico é o acesso à criança interior através do eneagrama. O Eneagrama é um conhecimento milenar precioso no processo de compreensão da realidade humana.

(Recebi via WhatsApp)

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O DIA EM QUE UM JUIZ FEZ UMA CONFISSÃO A UM CRIMINOSO - Amanda Acosta


O significado da confissão de Marcelo Bretas a Luiz Inácio Lula da Silva

09/06/2018


Não raro vemos relato de pessoas que acreditaram e se decepcionaram com a possibilidade de que um simples metalúrgico, calejado pela vida e conhecedor da mais absoluta pobreza, pudesse fazer a diferença. E, sem dúvida, poderia.

Infelizmente, o metalúrgico que escolhemos, não era detentor de uma boa índole, havia se deteriorado no meio da politicagem sindical e não soube transformar as dificuldades que havia passado na vida em coisas boas para a sua alma.

Muito pelo contrário, alimentou uma ganância cega pelo poder. O poder pelo poder, custe o que custar.

Em audiência com Sérgio Cabral, um outro criminoso, comparsa de Lula, o juiz Marcelo Bretas confessou que em 1989 havia usado boné com o nome do petista e votado nele.

Antes porém, o próprio juiz Sérgio Moro, certa ocasião, havia dito que deu o seu primeiro voto para o homem que condenou por ter roubado a nação.

Quem escreve esse texto, ainda não era eleitora em 1989, mas torceu por Lula.

Bretas, Moro e eu, somos três das milhões de pessoas que se decepcionaram com este canalha.

Articulista e repórter
amanda@jornaldacidadeonline.com.br


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DELICIOSA CARTA DE VINÍCIUS DE MORAES PARA TOM JOBIM


...Mas que serve para todos nós!



"Caro Tonzinho, estou em Paris, num hotel com sacada sobre uma praça, que dá para toda solidão do mundo e diz:

Procura-se um amigo. Não precisa ser homem, basta ser humano, ter sentimento, ter coração.
Precisa saber falar e saber calar no momento certo. Sobretudo, saber ouvir.

Deve gostar de poesia, da madrugada, de pássaros, do sol, da lua, do canto dos ventos e do murmúrio das brisas. Deve sentir amor, um grande amor por alguém, ou sentir falta de não tê-lo.
Deve amar o próximo e respeitar a dor alheia. Deve guardar segredo sem sacrifício.

Não precisa ser puro, nem totalmente impuro, porém, não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e sentir medo de perdê-lo. Se não for assim, deve perceber o grande vazio que isso deixa. Precisa ter qualidades humanas. Sua principal meta deve ser a de ser amigo. Deve sentir piedade pelas pessoas tristes e compreender a solidão.

Que ele goste de crianças e lastime as que não puderam nascer e as que não puderam viver. Que goste dos mesmos gostos. Que se emocione quando chamado de amigo. Que saiba conversar sobre coisas simples e de recordações da infância.

Precisa-se de um amigo para se contar o que se viu de belo e triste durante o dia; das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças d’água, de beira de estrada, do cheiro da chuva e de se deitar no capim orvalhado.

Precisa-se de um amigo que diga que a vida vale a pena, não porque é bela, mas porque já se tem um amigo. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo.

Deve ser Dom Quixote sem contudo desprezar Sancho.

Precisa-se de um amigo para se ter consciência de que ainda se vive.”


(Recebi via WhatsApp)

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PALAVRA DA SALVAÇÃO (82)

10º Domingo do Tempo Comum – 10/06/2018

Anúncio do Evangelho (Mc 3,20-35)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus voltou para casa com os seus discípulos. E de novo se reuniu tanta gente que eles nem sequer podiam comer. Quando souberam disso, os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo, porque diziam que estava fora de si.Os mestres da Lei, que tinham vindo de Jerusalém, diziam que ele estava possuído por Belzebu, e que pelo príncipe dos demônios ele expulsava os demônios.Então Jesus os chamou e falou-lhes em parábolas: “Como é que Satanás pode expulsar a Satanás? Se um reino se divide contra si mesmo, ele não poderá manter-se. Se uma família se divide contra si mesma, ela não poderá manter-se. Assim, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não poderá sobreviver, mas será destruído.Ninguém pode entrar na casa de um homem forte para roubar seus bens, sem antes o amarrar. Só depois poderá saquear sua casa. Em verdade vos digo: tudo será perdoado aos homens, tanto os pecados, como qualquer blasfêmia que tiverem dito. Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca será perdoado, mas será culpado de um pecado eterno”.
Jesus falou isso, porque diziam: “Ele está possuído por um espírito mau”. 
Nisso chegaram sua mãe e seus irmãos. Eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo. Havia uma multidão sentada ao redor dele. Então lhe disseram: “Tua mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura”. Ele respondeu:
“Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” E olhando para os que estavam sentados ao seu redor, disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos. Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a encenação do Evangelho:

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Por que temos medo de quem é diferente?

“Os mestres da lei, que tinham vindo de Jerusalém, diziam que Ele estava possuído por Belzebu…” 

Desconcertante: exatamente assim foi Jesus; e sabemos disso através dos evangelhos. Jesus foi um homem que viveu e falou de tal maneira que se revelou desconcertante para aqueles que o conheceram e se aproximaram dele. Jesus desconcertou sua família que o considerava louco; desconcertou àqueles que o acusavam de “blasfemo”, de “Belzebu”, de “escandaloso”. Jesus desconcertou todo mundo, até o final de sua vida, que foi o mais desconcertante de tudo. Desconcertou porque assumiu uma postura diferente frente ao contexto social, religioso e político no qual viveu. Jesus não se “encaixou” em nenhum grupo e deixou transparecer sua liberdade frente às leis, às tradições de seu povo, ao templo, aos poderes... Por isso foi incompreendido e rejeitado.

Numa sociedade corrupta e deformada, uma pessoa que se ajusta ao modo de proceder e de pensar dos intolerantes e preconceituosos, não desconcerta ninguém; é uma pessoa “formatada” que passa pela vida sem deixar “marcas”, sem saber “por quê e para quê vive”, deixando tudo como está.

Jesus viveu deslocamentos contínuos; fez-se presente em diversos lugares; teve contatos com outras culturas, raças, expressões religiosas… Tudo isso o enriqueceu, tornando-o diferente, aberto; sua vida se ampliou, sua mente se abriu, seu coração se expandiu… Nova visão, nova experiência… Seu movimento de vida foi desencadeado nas casas, ao longo dos seus percursos; Jesus desejou que também sua casa entrasse nesse movimento em favor da vida. Mas não foi acolhido pelos seus parentes, pois não se “encaixou” mais nos esquemas da família, da religião, da sua comunidade… Seus parentes em Nazaré continuaram vivendo uma estreiteza de vida; Jesus não voltou mais o mesmo, saiu da “normalidade” de vida própria de Nazaré. Voltou enriquecido, expansivo, muito maior, mas não foi compreendido. 

O deslocamento de Jesus pelos territórios vizinhos da Galileia revela-se como um apelo e uma ocasião privilegiada para pôr em questão nosso confinamento religioso, nossas posturas fechadas, nossas visões preconceituosas... e abrir-nos à diversidade e ao diferente. Sem alteridade regenerante caímos no confinamento de uma pureza de ortodoxia, de um fascismo enrustido, de um legalismo estéril, de uma doutrina impositiva. Confinamento que nos torna cegos aos valores e riquezas que vem de outras expressões humanas, sociais e religiosas.

Vivemos contínuos deslocamentos geográficos, sociais, culturais, religiosos… Tudo isso nos enriquece. Com esta riqueza voltamos às nossas Nazarés, para ampliá-las, expandi-las. Não se trata de impor, mas de propor; compartilhar as ricas experiências adquiridas. Não é fácil ser diferente dos outros; não é fácil assumir uma vida alternativa frente àqueles que estão petrificados em suas posturas e ideias; não é fácil dizer “não” onde todos, como cordeiros, dizem “sim”; não é fácil fazer o que ninguém quer fazer.

Toda autêntica vida humana é vida com os outros, é convivência, é encontro... Assim, o princípio de alteridade está fundado no princípio de identidade; a diversidade reforça a identidade pessoal: podemos nos compreender apesar de sermos diferentes, porque todos somos seres criados e agraciados por Deus, chamados a ser habitados por uma verdade que está para além de uma religião e uma cultura específica. 

Somos humanos, seres em caminho, buscadores de sentido, buscadores da verdade e habitados pelo mesmo Deus. E viver a “cultura do encontro” (Papa Francisco) implica respeitar e se alegrar com a diversidade, considerando-a riqueza. Saber conviver com as diferenças é sinal de maturidade. É maravilhoso que haja raças, costumes, cultura, gênero, religiões, tradições, línguas, formas de pensar... diferentes. Assim, ser seguidores(as) de Jesus nos converte em seres abertos, acolhedores da diferença.

As diferenças mobilizam a energia e a fertilidade criadora; elas provocam intercâmbio entre as pessoas. A diversidade é uma forma de aproximação entre os seres humanos.  A diferença do “outro” deve ser motivo para o encontro e para o enriquecimento mútuo. A diferença é rebelde, quebra o uniformismo, convulsiona a quietude, sacode a rotina. É a diferença que gera alteridade. O outro é diversificado e não repetitivo. Massificar as pessoas é uma forma de silenciá-las e dominá-las. Perverter a diferença é uma atitude que degrada a pessoa. Diferença é originalidade, é o inédito, é o que excede a medida comum, é o que distingue uma personalidade de outra. A humanidade é profundamente diversificada em seus talentos, valores originais e em sua vitalidade; seu tesouro está precisamente em sua diversidade criadora.

Daí a importância e a urgência de aprender a valorizar o que é próprio e também o que é diferente, esforçando-se para não transformar as diferenças normais (geográficas, culturais, de raça, de gênero...) em desigualdades. É preciso educar e preservar as diferenças humanas. 

Deveríamos pensar mais sobre a importância das diferenças que nos humanizam.  Deveríamos admirar as diferenças pessoais e grupais, e não lamentá-las. É necessário evitar tudo o que reprime as diferenças e desenvolver a verdadeira coexistência pessoal, social, científica, religiosa, ética. Deveríamos remover abusos e vícios que anulam a diferenças. Perverter a diferença é uma atitude que degrada a pessoa. Valorizar a diferença e os diferentes implica tratar com cortesia, saber interagir, trabalhar juntos, respeitar... 

Segundo o modo de ser e proceder de Jesus, o que mais nos desumaniza é viver com um “coração fechado” e endurecido, um “coração de pedra”, incapaz de amar e de abrir-se ao novo. Quem vive “fechado em si mesmo”, não pode acolher o Espírito de Deus, não pode deixar-se guiar pelo Espírito de Jesus, pois acredita que quem é diferente “está possuído por um espírito mau” (3,30).

Quando nosso coração está “fechado”, em nossa vida não há mais compaixão e passamos a viver indiferentes à violência e à injustiça que destroem as relações entre as pessoas. Passamos a viver separados da vida, desconectados. Uma fronteira invisível nos separa do Espírito de Deus que tudo dinamiza e inspira; é impossível sentir a vida como Jesus sentia. Quem assume atitudes de indiferença tem medo do diferente, e a vida vai se atrofiando... 

Num coração petrificado o Espírito não tem liberdade de atuar; dessa resistência à ação do Espírito brotam as doentias divisões internas. São os dinamismos “diabólicos” (aquilo que divide) que se instalam em nosso interior, atrofiam nossas forças criativas e nos distanciam da comunhão com tudo e com todos.

Não podemos permanecer trancados em redutos que rejeitam as diferenças existenciais. Daí a importância de aprender a ver o melhor de cada pessoa e de cada povo, superando as visões estreitas e fundamentalistas e todo tipo de racismo, xenofobia, desprezo, mixofobia, preconceito, dominação...

A “Ruah de Deus” nos move a construir uma Comunidade fraterna, capaz de abrir suas portas e derrubar seus muros, para que ninguém se sinta excluído. É missão específica da Ruah integrar as diferenças numa grande comunhão universal. Não podemos matar a presença e a ação original do Espírito. 

Texto bíblico:  Mc 3,20-35 

Na oração: “E olhando para os que estavam sentados ao seu redor…” Estar em círculo supõe uma postura de acolhida e comunhão com os outros, respeitando sua diversidade.  Tal atitude quebra toda pretensão de imposição, de poder, de violência... Isso só é possível quando Jesus se faz o centro.

Trata-se de uma imagem espacial do discipulado que pode nos ajudar a entender melhor nossas posturas vitais, tanto no nível pessoal como no comunitário ou na missão.

- “Estar em círculo” também quer dizer que estamos vinculados a outros numa postura corporal que tem Jesus como centro. A imagem do círculo é a que melhor expressa o modo de seguir Jesus e não a “hierarquia” que dá margem ao carreirismo e à busca de poder. 

Pe. Adroaldo Palaoro sj


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