Um juiz que tem em mãos processos envolvendo tanta gente
poderosa e que aceita ser o alvo das perguntas e câmeras de um programa como
Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, tem que ser uma pessoa extremamente
confiante em sua própria sensatez. O risco é enorme. Qualquer pré-julgamento,
qualquer opinião fora dos autos, pode ser argumento para ser contestado pelas
defesas - que por tantas vezes já pediram seu afastamento de processos de
corrupção. Pois por hora e meia o juiz Sérgio Moro correu esse risco,
submetendo-se a perguntas de cinco jornalistas e aos olhares implacáveis das
câmeras que acompanharam seus gestos, feições e olhos de todos os ângulos. E
não tropeçou nenhuma vez; nenhum vacilo, nenhuma irritação, nenhum arroubo de
estrelismo diante das luzes daquele plenário que o cercava.
Em pergunta alguma perdeu a naturalidade. Mostrou que é um
juiz equilibrado, calmo, racional, sem paixões e preconceitos. Com profundo
conhecimento do mundo que o cerca, respondeu, no entanto com humildade, com
simplicidade, passando a imagem de sinceridade nas posições. Em nenhum momento
foi além dos limites da lei e de seus deveres como julgador. Depois do que se
viu e ouviu na semana passada no Supremo Tribunal, Moro foi um jato de
esperança a robustecer a aposta na Justiça, no país que vai perdendo
referências civilizatórias. Quando o programa terminou, ficou a impressão de
que o Brasil teve muita sorte quando a operação que começou num lava-jato de
Brasília, envolvendo pessoas com domicílio no Paraná, tenha ficado na Vara
Federal do juiz Sérgio Moro.
Quando tinha em mãos o caso do escândalo do Banestado(Banco
do Estado do Paraná), com evasão em dezenas de bilhões em divisas, o juiz
Sérgio Moro foi criticado por excessos e levado, por isso, ao Conselho Superior
de Justiça, que arquivou o caso. Com humildade, inscreveu-se em cursos da
Polícia Federal para aprender mais sobre lavagem de dinheiro e evasão de
divisas. Sentou-se nos bancos escolares da PF e acabou considerado pelos policiais
como um exemplo de juiz que se aproxima da origem da Justiça - o inquérito
policial - para aprender. O juiz mostrava então que a toga serve com mais
justiça quanto mais conhecimento tiver do crime. Por isso suas sentenças têm
sido irrepreensíveis. Ao se expor no programa da TV Cultura, em nenhum momento
foi acuado por perguntas de jornalistas que certamente se prepararam para o
interrogatório.
Moro virou celebridade mas não sai de si nem levita.
Continua sendo um juiz de primeira instância e não um artista. Ainda que se
deva repetir que juiz só fala nos autos, a situação por que passa o país
precisa de manifestações públicas dele, porque se tornou um símbolo da lei e da
justiça - no país da impunidade, da desordem civil, das leis
circunstanciais, em que o princípio de que todos são iguais perante a lei se
tornou uma farsa em que fingimos acreditar. Um país que fala em democracia
todos os dias é porque tem apenas um arremedo dela. Estados Unidos e Alemanha
não ficam falando em democracia - porque é o fato básico, corriqueiro. Sem
ordem, sem justiça que desestimule os corruptos e criminosos em geral, jamais
chegaremos a ser uma democracia. Sérgio Moro é uma esperança, um modelo, de que
sem histrionismo, sem populismo e com simplicidade, revela um modelo para
recuperarmos o caminho perdido.
............
Alexandre Garcia
Jornalista
Alexandre Eggers Garcia é um jornalista, apresentador e
colunista político brasileiro. Foi porta-voz do último presidente do período do
regime militar do Brasil, general João Batista Figueiredo. Wikipédia
O
futebol de Itabuna,digno de seu passado
amador brilhante,quando era vencedor,
dava orgulho à cidade. Agora se tornara emgrande frustração, abatiao
torcedor quegostaria de comparecer ao
estádio para torcer com entusiasmo pelo seu time do coração.A frustraçãoque esse torcedor carrega dentro dele hojeforça queacenda o coração no sentimento da saudade. Lembre-se do tempo emque esse futebol amadorfoi pródigo em oferecer partidasmemoráveis,portadoras da verdadecomo
reflexo da vida, dizendo que nestaexiste a alegria dos que vencem, a tristeza dos que perdem, conformismo
ounão dos que empatam em cada batalha.
Os quatro irmãos Riela formaram um
capítulo à parte nas partidas disputadas no Campo da Desportiva. Eram
conhecidos comoos quatro mosqueteiros
do rei, pois constante era osentimento
de uniãoentre eles no relacionamento
com a vida.Fernando, Carlos, Leto e Lua
eram inseparáveis. A vida só conseguia separá-los quando eles se enfrentavam no
campo de jogo, cada um defendendo o seu time.Carlos e Fernando jogaram no Fluminense, Leto no Flamengo e Lua no
Janízaros. Cada um dava omelhor de si
para defender o seutime. Os quatro eram
jogadores dotados derecursos técnicos
invejáveis.Cada um possuíaa sua característica na intimidadecom a bola.
Como observei,
fizeram história no Campo daDesportiva.Fernando como um ponta-esquerda que driblava numavelocidadeespantosa, deixava o marcador para trás, batido pelo chão, e o torcedor
incrédulo ante a investida impetuosa, fundamental na conclusão da jogada
perfeita pela beirada do campo.Omeia-direita Carlostinha boavisão de jogo, nãoolhava para a
bola, de cabeça erguida via o companheiro, antevia o lancee o campo para o lançamento preciso.Leto jogou no Flamengoe se sagrou campeão pela seleção de Itabuna,
médio-esquerdo implacável na marcação,com umaeficiência exemplar
anulava o ponta-direita, que pouco pegavana bola durante os lances acirrados dapartida.
Lua, o mais
novo, era dos quatroo que mais
encantava, ora parecia flutuar em campo na condução da bola, um pássaro que se
desvencilhavado obstáculo e no
chãovoava?Gingava, driblava, enganava, aquele jogador
franzinotransvestidoem um artista que desenhava a jogada como num
sonho. Fazia a tabelinha com o companheiro, deslizava com a bola, sem tomar
conhecimento do adversário,bailarino
ouvento esperto, ligeiro, que fazia o
espetáculo pontilhado de riso e gozo?
Os
admiradores de Lua não cansavam de dizer que dos irmãos Riela ele era o melhor,
o que tinha mais recursos técnicos,o
pequeno maior. Jogou no Janízaros e na seleção de Itabuna quando esta começou o
declínio para não mais conquistar o Intermunicipal. O seufutebol era de tão boa qualidade que foi
aproveitado no time profissional do Itabuna.
*Cyro de Mattos é membro efetivo da Academia de Letras da
Bahia. Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz. Publicado
em vários países europeus, Estados Unidos e México.Contista, cronista, poeta, romancista,
ensaísta e autor de livros para criançase jovens. Pertence às Academias de Letras de Ilhéus e de Itabuna.
Na “missa-comício”,
pouco antes de sua prisão, Lula conclama seus sequazes a provocarem agitações
de Norte a Sul do País
Paulo Roberto Campos
Na
presente conjuntura que atravessa o Brasil, com movimentos de esquerda — que
contam com a colaboração do clero progressista adepto da “Teologia da
Libertação” — insuflando seus sequazes à rebelião e a incendiar o País como
vingança devido à condenação e prisão do ex-presidente Lula, vem a propósito
reproduzir aqui um apelo de Plinio Corrêa de Oliveira.
O texto de tal apelo — extraído do livro “Agitação
social, violência: produtos de laboratório que o Brasil rejeita” — muito
nos auxilia de como enfrentar a atual situação nacional, não nos deixando
arrastar pelos tumultos revolucionários desses movimentos esquerdistas.
“Obstáculo a que a Nação se deixe levedar pelos fermentos
revolucionários”
Plinio Corrêa de Oliveira
“O povo brasileiro sempre foi conhecido como afetivo,
ordeiro e pacífico. Tal feitio de alma lhe vem da tradição profundamente
cristã. E constitui um nobre obstáculo a que a Nação se deixe levedar pelos
fermentos revolucionários indispensáveis para o êxito do socialismo e do
comunismo.
É por isto que as forças da desagregação e da desordem
deitam tanto empenho em criar a ilusão do contrário, apresentando nossa
população como desordeira, agressiva, revoltada.
Lanço um apelo para que o Brasil da bondade, o Brasil
afetivo, o Brasil cristão continue idêntico a si mesmo, e não se deixe arrastar
pelas solicitações da violência, seja física, seja moral. Nós brasileiros não
somos afeitos à revolta e à subversão, ao contrário do que propalam os
agitadores. E por mais razões que tenhamos para estar descontentes, procuramos
resolver nossos problemas dentro da paz autêntica, da paz cristã que Santo
Agostinho definiu lindamente como sendo a tranquilidade da ordem.
Nosso povo tem bem consciência dos imensos recursos e possibilidades
do território nacional, e sabe que o aproveitamento de toda esta potencialidade
através de um trabalho empreendedor e confiante, pode tornar o Brasil uma das
primeiras nações do mundo no século XXI.
Trabalho que exige esforço árduo, ânimo forte. Mas não foi
assim que nossos antepassados dilataram as fronteiras do País? Embora sem a
comodidade oferecida hoje pelo progresso, eles galgaram serras, venceram
florestas, atravessaram rios e transpuseram pântanos. E extraíram da terra,
pelo plantio, pela criação e pela mineração, os recursos de que hoje vivem os
brasileiros. Por que não podemos recobrar essa fibra, essa força de alma que
nasce da Fé católica que eles nos legaram?
Não será, pois, com revoluções mortíferas, dissensões
internas, tensões estéreis entre irmãos, de que haveremos de aproveitar as
vastidões ainda inexploradas de nosso território. Mas é com esse espírito
empreendedor, ordeiro e cheio de Fé, que podemos alcançar de Deus, por
intermédio de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, a grandeza
cristã, que deve ser a nossa, nas novas etapas históricas que se aproximam”.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
João.
— Glória a vós, Senhor.
Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando
fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se
encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja
convosco”. Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os
discípulos se alegraram por verem o Senhor.
Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai
me enviou, também eu vos envio”.
E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse:
“Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão
perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”.
Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com
eles quando Jesus veio. Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o
Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos,
se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não
acreditarei”.
Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente
reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus
entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”.
Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas
mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas
fiel”. Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” Jesus lhe disse:
“Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” Jesus
realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos
neste livro. Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o
Cristo, o Filho de Deus, e, para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.
Clique no link abaixo a acompanhe a reflexão de Dom Gil Antônio
Moreira, arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora, sobre a Misericórdia Divina:
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Encontro
com o Ressuscitado: "tocar" nos crucificados da história
“Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua
mão e coloca-a no meu lado...” (Jo 20,27)=
Uma grande ameaça sempre se fez presente na caminhada
histórica da Igreja, qual seja, o risco de viver o seguimento de Jesus sem as
suas chagas. Crer no Ressuscitado “asséptico”, sem as chagas em suas mãos, em
seu lado e em seus pés, é desumaniza-lo. Crer de alguma forma em Jesus, mas um
Jesus da glória, um Jesus “espiritual”, separado da vida e da entrega até à
morte, é esvaziar o verdadeiro sentido da redenção. Crer no Ressuscitado sem as
chagas é esquecer-se das feridas dos pobres, da morte dos oprimidos; é não tocar
as chagas da humanidade sofrida, quebrada... Crer no Ressuscitado com as chagas
nos compromete em fazer descer da Cruz todos os crucificados da história.
Neste sentido, o evangelho deste 2º domingo da Páscoa, nos
apresenta uma profunda experiência pascal da Igreja a partir da “conversão de
Tomé”, que é a imagem daquele que aceita a ressurreição de Jesus, mas a entende
como uma experiência intimista, sem compromisso de comunhão e sem solidariedade
com os mais excluídos e sofredores.
Tomé é aquele que vive isolado, anda solto por aí, sem
vínculo comunitário. Enquanto os outros se fecham, ele vive sem comunidade, sem
compromisso social, dedicado à sua mística particular. Morreu Jesus, mas não
lhe importa as chagas d’Ele, nem o sofrimento dos outros; vive de uma
espiritualidade “desencarnada”, com uma fé puramente intimista, sem a
visibilidade de um corpo morto, sem a necessidade de precisar tocar as chagas
d’Aquele que morreu pelos outros, as chagas de todos os mortos.
Custava-lhe tocar as pegadas e feridas de Jesus crucificado; para ele, é como
se Jesus não tivesse sofrido e não trouxesse em suas chagas as chagas da
humanidade. Possivelmente, Tomé tivesse uma fé de tipo “new age”, de puras
melodias interiores, que não se visibiliza no serviço e no cuidado aos outros.
Jesus respondeu à incredulidade de Tomé mostrando suas
feridas; só assim, em contato de corporalidade a corporalidade, em encontro com
a Vida triunfante de Cristo, pode realizar-se a experiência de Páscoa.
“Tocar o Verbo de Deus”, tocando as chagas dos crucificados:
este é o tema deste domingo. Isto é o que devemos todos fazer, se cremos na
Ressurreição. Sem chagas do Crucificado não há Páscoa. Sem corporalidade do
Ressuscitado não existe cristianismo.
Muitos de nós preferimos continuar buscando uma Igreja bela,
de glória, fechada em si mesma, de espaços sem ar de liberdade, preocupada
somente com sua doutrina, seus ritos e liturgias celestiais, mas separada da
comunidade dos pobres e sofredores ... Temos medo de compartilhar a vida e de
“tocar” a ferida de Jesus, que são suas chagas, as chagas da igreja e da
humanidade. Se esquecemos isto, esquecemos a Páscoa.
Por isso, o Senhor ressuscitado continua sendo Aquele que
traz em suas mãos e lado as feridas de sua entrega, os sinais de seu amor
crucificado em favor da humanidade. O Senhor ressuscitado continua sendo Aquele
que sofre em todos os sofredores do mundo.
Certamente, nós cristãos podemos e devemos afirmar que
“tocamos” o Jesus ressuscitado com as mãos da fé, em um espaço novo de
“corporalidade mística”. Mas não podemos tocá-Lo só em um plano de “ideias”, de
belas experiências interiores, senão na realidade da carne, da vida concreta:
temos que tocar as chagas dos crucificados, na vida concreta dos rejeitados da
sociedade. Ali está Jesus como Aquele que vem ao nosso encontro como promessa
de vida.
Os mesmos sinais de morte (cravos que ataram as mãos e pés
de Jesus no madeiro, lança que perfurou seu coração) revelam-se como sinais de
vida, mas não para esquecermos deles, senão para tê-los sempre presentes na
vida da comunidade, nas experiências de amor ativo que nos leva a descobrir o
caminho pascal em todos os sofredores e chagados da história.
Tomé viu, tocou e apalpou as chagas da entrega radical de
Jesus. E justamente ali, naquilo que entra pelos sentidos, Tomé se deu de cara
com a fé: “Meu Senhor e meu Deus”. Hoje a presença de Jesus está ali onde os
que lhe buscam, encontram chagas de dor e morte. Se, em lugar disso, encontram
poder, pompa, prestígio, não poderão dizer: “Meu Senhor e meu Deus”.
O Ressuscitado, ao conservar e mostrar as feridas abertas
nas suas mãos e no seu lado, quer que saibamos que se apropriou também das
nossas feridas; nas feridas do Crucificado, somos movidos a mostrar nossas
feridas; porque carregou nossas dores, nossas feridas Lhe pertencem; assim,
nossas feridas, sanadas pelas chagas de Jesus, se convertem em sinal de vida,
porque abrem possibilidades de futuro.
As feridas são tudo aquilo que é vulnerado, fragilizado e
debilitado, que permanece em nós depois de situações de sofrimento, de
frustração ou de perda. Há antigas feridas, velhas e enraizadas, que parasitam
nossas forças impedindo o fluir de nossa vida. São como sabotadoras que vão
fragilizando nossa estrutura interna e tornando a vida amarga. Sua aparição é
típica nos momentos de crise.
É no meio das feridas, pessoais e coletivas, que o
Ressuscitado se faz presente, exercendo o “ofício do consolador” (S. Inácio). O
“ofício de consolar” é a marca do Ressuscitado, é força recriadora e
reconstrutora de vidas despedaçadas. Jesus “toca” as feridas e “ressuscita”
cada um dos seus amigos e amigas, ativando neles(as) o sentido da vida,
reconstruindo os laços comunitários rompidos, e sobretudo, oferecendo solo
firme a quem estava sem chão, sem direção...
A partir da experiência do encontro com o Ressuscitado
podemos recuperar a dimensão do tato como possibilidade de viver de forma mais
humanizadora e plena. Os sentidos, e de maneira especial o tato, nos fazem mais
humanos, nos tornam mais sensíveis, nos ajudam na descoberta do corpo ferido do
outro, fazem palpável o amor, nos ajudam a reavivar a beleza do transcendente
em cada pessoa.
Jesus sabia deste tocar bem concreto: através de suas mãos
fez presente o amor do Pai ao tocar com ternura os corpos das pessoas
excluídas, violentadas, consideradas indignas de serem tocadas, nem amadas. O
mesmo Jesus se deixa tocar em um momento de grande vulnerabilidade: numa
situação de angústia e temor, recebe o contato, a proximidade e a carícia de
uma mulher que o unge com perfume (Jo. 12, 1-8).
Ressuscitar o tato é sentir-se próximo, acolhedor, terno...
Mas, antes é preciso deixar cair as barreiras; nosso mundo está cheio de
alambrados, valas, muros e fronteiras; assim nos defendemos daqueles que são de
outra raça, cor, religião, classe social... Comecemos apagando nossos
preconceitos antes de tentar tocar.
Ninguém toca ninguém “de longe”. Estaremos “tocando o
Ressuscitado” quando nos aproximamos d’Ele com uma visita, um telefonema, uma
mensagem, uma saudação na rua, um favor, um serviço prestado com amor. Há
templos famosos pela liturgia da oração tátil: orfanatos, hospitais, cárceres,
periferias, sanatórios, asilos, favelas... Não deixemos de frequentá-los, pois
é ali que “tocamos a carne de Cristo”.
Que Tomé e todos nós toquemos o lado aberto de Jesus e suas
mãos feridas, de maneira que o contato com o sofrimento do mundo nos transforme
e nos faça capazes de expandir a vida de Deus.
Texto bíblico: Jo 20,19-31
Na oração: contemplar o Ressuscitado significa também
“ressuscitar nossos sentidos”, torná-los mais oblativos e abertos para se
deixarem impactar pela realidade crucificada.
- À Luz da Páscoa, como você reage diante de tantos
crucificados, vítimas de intolerância, preconceito, violência verbal,
indiferença?
Estão expostas, não é de hoje, as vísceras e mazelas de um
Supremo claramente contaminado pelo cancro político. Em estágio avançado de
metástase. Trata-se, no caso, de uma doença implacável já que dos tribunais é
esperada a tão imperiosa máxima da isenção sem limites. Ao menos no que tange
um punhado de doutos ministros o princípio virou quimera. Para essa ala
restrita de togados, ao que tudo indica, as simpatias pessoais e eventuais
prestações de favores podem sobrepor-se inclusive ao mérito das causas. Aqui e
acolá uma jurisprudência sob encomenda é sacada do colete, a depender do
freguês, para justificar viradas de opinião de última hora de vossas
excelências. Nenhum dos 11 magistrados que participaram da solene sessão que
desaguou no pedido de encarceramento de Lula sabe dizer exatamente a razão pela
qual a Suprema Corte voltou a discutir a prisão em segunda instância,
justamente nesse momento, menos de dois anos após o colegiado firmar
entendimento sobre o tema. Como indagou o ministro Barroso, referindo-se a
oscilação jurisprudencial: “mudar para quê? Pior, mudar para quem?”. Não há
argumento convincente que não o do mero casuísmo, atendendo às necessidades de
um ex-presidente que se encontra no cadafalso do rigor penal por crime de
corrupção. É fato sacramentado nessas paragens: o nome de capa nos processos
pesa. Prevalece o prestígio e aparato legal do “paciente”. Vigora, sem sombra
de dúvidas, o arbítrio de quem pode mais, a reforçar as distâncias abissais de
tratamento judicial entre os que se encontram no andar de cima e os do andar de
baixo da pirâmide social. Simples assim. As disfunções do sistema judicial são
por demais conhecidas do grande público. A rotina do batedor de carteira, do
ladrão de galinhas, do garoto flagrado com 100 gramas de droga é cadeia na
certa – lugar onde majoritariamente mofam sem chances, sequer pecuniárias, de
frequentar as várias instâncias de apelação. Já para aqueles condenados
abonados, de dinheiro farto, capazes de bancar bons advogados, e para os
poderosos influentes, a vida segue sem punições por anos a fio, na base dos
embargos infringentes, declaratórios, protelatórios e quetais. Os verdadeiros
bandidos do Brasil, cujas abomináveis práticas de desvios públicos e privados
colocam de joelhos uma nação inteira, quase nunca ou nunca são presos. O
sistema estimula o avanço acelerado do contingente de ricos delinquentes por
aqui.
A ecoar, mais uma vez, a histórica defesa do magistrado
Barroso, o que se tem no Brasil não é a sensação de impunidade, é a própria
impunidade em si, com efeitos devastadoramente negativos. É bem verdade que a
primeira prisão por delito de um ex-presidente brasileiro denota um ponto de
inflexão importante. Pode estar aberto o caminho para a retomada da credibilidade
e dignidade da Justiça junto à população. Um sistema legal que estimula a
obstinação procrastinatória dos condenados faz as pessoas acreditarem que o
crime compensa. A expectativa e o desejo da sociedade é que a detenção de Lula
puxe ainda mais a fila de malfeitores do colarinho branco para as cadeias, onde
é seu lugar. Lamentavelmente, no que se refere ao chefão petista, pode ser por
pouco tempo. Há uma tropa de choque suprema, claramente inconformada com o
resultado, que ainda tenta brechas para de novo ressuscitar a discussão do
ordenamento jurídico em vigor, embora o tema já tenha sido votado por três
vezes nos últimos tempos. O relator das chamadas ADCs (Ações Declaratórias de
Constitucionalidade), Marco Aurélio Mello, promete botar o País mais uma vez em
desassossego, requisitando à plenária do STF a votação de uma liminar neste
sentido. E mais: ameaça, abertamente, a desobediência aos preceitos
estabelecidos no colegiado quando for avaliar os processos sob seus cuidados.
Cabe aqui a questão: pode um ministro, vencido na sua arguição pelo voto dos
demais, simplesmente se postar contra a orientação da maioria? Não deveria. É o
que gera insegurança jurídica. O STF tem como missão fundamental uniformizar o
entendimento geral. Mas a imprevisibilidade segue como tônica naquela Corte.
Por conta disso, juízes de tribunais inferiores são induzidos a tomar decisões
levados quase que pelas próprias convicções. O que pode fazer se as regras
seguem cambiantes por força das interpretações de veneta de vossas excelências?
Observe-se, por exemplo, o comportamento do ministro Gilmar Mendes que ora
advoga pela prisão em segunda instância, ora a abomina por provocar o que chama
de “onda de neopunitivismo”. Gilmar Mendes se sente admoestado pela imprensa.
Diz que a “mídia é opressiva” e atribui a ela a responsabilidade por ser
perseguido nas ruas por cidadãos que reclamam da impunidade. Não são seus atos
o motivo de tamanha impopularidade. Da mesma maneira, no seu entender, não é
abusiva a permissividade que se estabelece com os recursos em cascata,
misturando presunção de inocência e punição. A Lei não diz que “ninguém pode
ser preso antes do trânsito em julgado”. Ela aponta que “ninguém será
considerado culpado até o trânsito em julgado”. Coisas bem diferentes. Desde
1941, incluindo o período da Constituinte de 1988, vem sendo adotada a prisão
em segunda instância. A interpretação contrária só vigorou no curto espaço de
tempo entre 2009 e 2016. A singularidade brasileira quanto ao critério do
trânsito em julgado não impede, decerto, o cumprimento de pena. Mas alguns
magistrados insistem em rever esse preceito. Por que agora? Com qual objetivo?
Sobre o autor
Carlos José Marques é diretor editorial da Editora Três
O sábio indiano Narada pediu que Deus lhe mostrasse um homem
amado por Ele. O Senhor aconselhou-o a procurar certo lavrador.
- O que você faz para que o Senhor lhe ame tanto? -
perguntou Narada ao lavrador, quando encontrou-o.
- Digo Seu nome de manhã. Trabalho o dia inteiro, de noite
divirto-me um pouco, e digo de novo o Seu nome antes de dormir.
- Só isso?
- Só isso.
"Acho que errei de homem", pensou Narada. Naquela
noite, ele teve um sonho: O Senhor aparecia pedindo:
"Encha uma tigela de leite, vá até a cidade e volte -
sem derramar uma gota sequer".
Na manhã seguinte Narada - acostumado a seguir os sinais -
fez o que o Senhor lhe ordenava. E de noite, teve outro sonho, onde Deus
aparecia perguntando:
"Quantas vezes você pensou em mim, enquanto carregava o
leite?".
"Como podia pensar no Altíssimo? Estava preocupado para
não derramar o conteúdo da tigela!".
"Uma simples tigela fez você Me esquecer. E o lavrador,
como todos os seus afazeres e com sua diversão noturna, pensa em Mim duas vezes
ao dia".
A loja em Bagdá
Abu Sari tinha uma loja de quinquilharias no meio do
principal mercado de Bagdá. Passava o dia vendendo, comprando, e barganhando
com os fregueses.
Mas, toda tarde saía para seu pequeno jardim nos fundos, e
rezava.
Certa vez foi procurado por um monge, que dizia estar
próximo de Deus, e queria compartilhar com Abu Sari sua felicidade.
- Onde você vive? - perguntou o comerciante.
- Nas montanhas. Ali consigo contemplar a face do Altíssimo,
e mergulhar em suas bênçãos.
- Se você mora nas montanhas, isto significa que está
distante dos homens, e quem se afasta das criaturas que Ele criou não pode
estar próximo do mundo espiritual.
"Um homem iluminado vive no meio de um mercado, cuida
de seus filhos, protege sua família, e é justamente sua vida normal que o faz
estar sempre perto da presença de Deus".
Só a metade é sagrada?
O venerável Nitju aproximou-se do mestre, fez uma
reverência, e sentou-se ao seu lado.
- Tenho feito as meditações, preces, e os exercícios que o
senhor mandou. Mas eles não ocupam todo o meu tempo, e então saio com amigos e
amigas.
O mestre não disse nada. Nitju continuou:
- E fico com a sensação de que só metade do que faço é
sagrado.
- Você, quando está na mesa com os amigos, aplica os
conhecimentos adquiridos durante as práticas espirituais?
- Não. Apenas me divirto.
- Então, o seu dia é inteiramente sagrado. Porque equilibra
a disciplina da Busca com a alegria da Vida - concluiu o mestre.
Na estrada de Damasco
O homem caminhava pela estrada de Damasco. Lembrava seu amor
perdido, e sua alma estava em prantos. "Pobre do ser humano que conhece o
amor", pensava. "Jamais será feliz, com o medo de perder a quem
ama".
Neste momento, escutou um rouxinol cantando.
- Por que você age assim? - disse o homem ao rouxinol. - Não
vê que minha amada, que gostava tanto de seu canto, já não está mais aqui ao
meu lado?
- Canto porque estou contente - respondeu o rouxinol.
- Você nunca perdeu alguém? - insistiu o homem.
- Muitas vezes - respondeu o rouxinol. - Mas meu amor
continuou o mesmo.
Paulo Coelho - Oitavo ocupante da Cadeira nº 21da ABL,
eleito em 25 de julho de 2002 na sucessão de Roberto Campos e recebido em 28 de
outubro de 2002 pelo Acadêmico Arnaldo Niskier.
Os desejos de nosso coração estão entrelaçados com as lições
e feridas da alma, que são a nossa experiência humana.. O desejo de maior
realização, amor e abundância origina-se do nosso conhecimento da limitação,
que resulta de estarmos desconectado da fonte. Faz parte da humanidade
conhecer o medo antes que possa abraçar o amor! Faz parte da humanidade
conhecer a dúvida antes que possa confiar! Faz parte da humanidade conhecer a
tristeza antes que possa permitir a alegria!
O conhecimento das limitações da experiência humana pode
levar-nos a crer que as energias superiores estão fora de nosso alcance. Isso
ocorre porque a energia de polaridade da Terra nos permite vivenciar
todos os aspectos e âmbitos de toda energia. Cada um de nós vive a vida por
meio de duas etapas: Aprendizagem e Criação. Quando estamos aprendendo,
estamos experimentando a vida através da alma ferida, atraindo e manifestando a
partir das energias que viemos curar.
Esses tempos são desafiadores para nós, mas, por meio do
nosso contrato de alma, nós concordamos em compreender a origem da nossa
desconexão e como o nosso medo a criou. Porém, ficamos ancorados no medo ao
invés de ficarmos na luz de nossa verdade como criadores, nos esquecemos de que
há sempre outro caminho, uma verdade mais elevada, um caminho mais gratificante
e uma luz mais luminosa que brilha até mesmo nos momentos mais sombrios. Logo
que terminemos a etapa de aprendizagem, entramos na etapa de criação, que
ocorre quando abraçamos nosso poder cocriativo, alinhamos com os nossos sonhos
e começamos a manifestar a partir do nível energético acima da dor. Cada
nível acima da dor e do medo é um aspecto mais elevado dessas energias.
Se experimentarmos desafios contínuos é porque ainda não
concluímos o perdão, que é passar da aprendizagem para a criação. A vibração
energética da dor é aquela com que o ego está mais familiarizado e confortável,
mas é liberada logo que o perdão, a nós e aos demais, seja consumado. A
dor faz parte da experiência humana, mas é um caminho que escolhemos quando
estamos na etapa de aprendizagem e somos conduzidos pelo ego ou pelas emoções.
Cada momento de desespero inclui uma escolha da energia
oposta, da alegria. Quando soubermos que podemos escolher um aspecto mais elevado
de toda energia, passamos da aprendizagem para a criação. Lembremos de nós
mesmos como co-criadores, como mestres da energia da Terra. Podemos transformar
qualquer coisa, porque nosso poder é ilimitado. Estejamos atentos ao fato
de que com todos os pensamentos estamos aprendendo ou criando, na dor ou na
alegria, expressando medo ou amor, e que o caminho que nós tomamos é
sempre de nossa livre escolha.