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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

PRESENÇA DE FEIRA DE SANTANA – José Dantas de Andrade

           
Quando as terras do Sul do Estado da Bahia começaram a criar fama, atraindo sergipanos, sírio-libaneses, sertanejos e gente de todos os pontos do Estado e do país, o arraial de Tabocas foi um dos mais preferidos por esses imigrantes.

            Uns chegavam, já com um bom recurso financeiro para iniciar qualquer negócio, outros apenas com a roupa do corpo, a coragem e a disposição para o trabalho, todos animados pela esperança de um futuro promissor.

            Foi naquela época que também aqui chegaram os primeiros feirenses, quase todos com recursos financeiros ou portadores de uma profissão qualquer, principalmente ourives e relojoeiros. Muitos foram os que aqui estiveram estabelecidos  ou ambulantes com negócios de joias fabricadas na própria Feira de Santana pelo competente artista Marionózio de Melo, um dos melhores do país.

            Enquanto os sergipanos internavam-se pelas matas dedicando-se ao serviço da lavoura, os sírio-libaneses dominavam o comércio de tecidos, miudezas, etc., os feirenses  eram os senhores absolutos no mercado das joias, dos brincos, das argolas e dos anéis.

            Não foram poucos os que, confiados no futuro da zona,  se desfizeram de suas propriedades lá em Feira de Santana e se estabeleceram definitivamente em Itabuna, e tornaram –se  grandes negociantes ou abastados fazendeiros.

            Em 1908, quando Itabuna nos seus primeiros dias de liberdade, iniciava a marcha para o progresso, tratando de sua organização administrativa, dois ilustres cidadãos de Feira de Santana tomaram parte nesta grande arrancada, integrando o seu primeiro Conselho Municipal. Foram eles os Srs. Firmino Ribeiro de Oliveira e Antonio Gonçalves Brandão, o primeiro, presidente do Conselho, esteve à frente da Administração Municipal,  como substituto eventual do Intendente Olinto Leone e o segundo foi seu Intendente efetivo no período de 1912 a 1915.

            Também outros feirenses ocuparam cargos na administração municipal e nos serviços da justiça como:  Salvador Ayres de Almeida, Amâncio Oliveira, Ambrósio Rubens, José  Samuel da Costa, Joaquim Brandão, Álvaro do Patrocínio, Pedro Virgínio de Santana e outros.

            Ainda é digna de registro a colaboração dos feirenses no setor da música, pois grande parte dos componentes da filarmônica local, Lira de Minerva, era de Feira de Santana, inclusive os maestros Argeu Oliveira, Afonso Nolasco e Ambrósio Rubens.
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            Este registro é uma homenagem aos bravos filhos da “Princesa do Sertão”, que juntamente com os sergipanos e sírio-libaneses deram uma boa parcela de contribuição para o desenvolvimento de Itabuna, contribuição esta que vem sendo continuada através dos seus descendentes, hoje itabunenses ilustres: médicos, dentistas, advogados, funcionários públicos, serventuários da justiça, professores, operários, negociantes, fazendeiros, pecuaristas, etc. São os descendentes de: Joaquim Gonçalves Brandão, Francisco da Silva Rocha, Francisco da Silva Ribeiro, Aristóteles Pereira Suzart, Agda Borges Braitt, Antídio Borges, Crescenciano Brandão, Adalberto Brandão, Antonio Gonçalves Setenta, Salvador Brandão, Amâncio Oliveira, Everaldino Assis, David Almeida, José Alves Franco, Elísio Oliveira e outros.


Extraído do livro DOCUMENTÁRIO HISTÓRICO ILUSTRADO DE ITABUNA  de José Dantas de Andrade 1ª Edição - 1968

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EGLÊ S MACHADO – Oscar Benício dos Santos

Eglê S Machado


O seu machado, Eglê,
não derruba sempre planta.
O plantar hoje demodê,
você o mostra quando canta.

Seu verso sem música encanta
por um só motivo, porquê:
o seu machado imanta
sua poesia à sua mercê.

O “S”, entre o pré e o nome
é abreviado sobrenome,
tristonho e sempre calado.

Será de Silva, Sisuda
ou Sabiá, esta letra muda?
– Eglê Sabiá Machado.

Oscar Benício dos Santos

Poeta

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EM ZURIQUE, A AUTORA JANETE REIST RECEBE O TROFÉU CASTRO ALVES

A arte nunca teve fronteiras, nem barreiras, mas sempre existiram obstáculos, que devem ser ultrapassados com muita garra e determinação.

A arte tem asas imaginárias, que voa para bem longe e em questão de segundos chega a lugares que até o próprio artista duvida.

A arte tem vida;Tem nome;Tem corpo.

Digamos que a arte une, transforma, liberta, aflora; ela chora, ela conquista sorrisos, a arte e muito mais que isso, ela é a eterna companheira.

No dia 10 de outubro a arte esteve presente nos palcos de Zurique, na Suíça, em uma das salas de eventos casa de espetáculos Volkshaus,com muita música brasileira, trazida por artistas representando a sua arte em vários gêneros, cantando, declamando, dançando, encantando. A cultura deu espaço a grandes nomes, homenageados com a magnifica estatueta do Troféu Castro Alves.

A vida em versos esteve presente em formas literárias, prestigiando o baiano Antônio Frederico de Castro Alves, o inesquecível poeta dos escravos, e é com muita honra que eu expresso a minha imensa felicidade em ser uma das privilegiadas a representar e receber o Troféu Castro Alves aqui na Suica. Meu especial agradecimento ao ilustre jornalista Clóvis Dragone, o mentor e diretor desse troféu que é representado por uma belíssima estatueta que homenageia o poeta dos escavos, esculpida e confeccionada na Itália pelo mestre Giuliano Ottaviani, que premia há 28 anos os artistas e empresários do Carnaval da Bahia, e que nesse ano de 2017 começou a premiar também a arte brasileira.

Sobre o prêmio, por Clóvis Dragone

A cerimônia de entrega do Troféu Castro Alves de 2017, foi o primeiro evento internacional a ser realizado pela Revista Exclusiva. O evento aconteceu na Cidade de Zurique, na Suíça, na casa de espetáculos Volkshaus, uma das maiores e melhores casas de eventos da Europa, no dia 9 de setembro.

O Troféu Castro Alves é a primeira premiação aos melhores do Carnaval de Salvador, Bahia, Brasil, oferecido por um veículo de comunicação, desde 1989 quando ocupou o espaço deixado pela extinta Federação dos Clubes Carnavalescos da Bahia, presidida pelo carnavalesco baiano Archimedes Silva, falecido, o primeiro carnavalesco que levou o Carnaval de Salvador para fora do país, realizando em Nice, na França, espetáculos ao estilo baiano da época, isso nos anos de 1950.

O século virou e a Bahia voltou a invadir o território europeu, dessa vez com o Troféu Castro Alves, oferecido pela Revista Exclusiva, para fazer uma festa baiana em território suíço – a Suíça é um dos países que melhor recebe os brasileiros na Europa.

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“O LEIGO NÃO É UM SÚBDITO, É PARTE INTEGRANTE DO PROCESSO ECLESIAL” Celso Carias

A Igreja do Brasil instituiu para 2018 o Ano do Laicato, com o tema: “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na “Igreja em Saída”, ao serviço do Reino”, e o lema: “Sal da Terra e Luz do mundo”
A chegada do Papa Francisco trouxe de volta a teologia do Vaticano II, que partindo de uma Igreja Povo de Deus pretendia fazer realidade um modo de organização em que todos e todas tenham um protagonismo comum dentro da instituição eclesiástica.

Nessa perspectiva, a Igreja do Brasil instituiu para 2018 o Ano do Laicato, com o tema: “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na “Igreja em Saída”, ao serviço do Reino”, e o lema: “Sal da Terra e Luz do mundo”. A festa de Cristo Rei tem sido a data escolhida para sua abertura.

O teólogo Celso Carias faz parte da Comissão do Laicato da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e nesta entrevista nos ajuda a refletir sobre a necessidade de reconhecer a importância do laicato como elemento fundamental no futuro da própria Igreja Católica.

Numa Igreja onde impera o clericalismo, que o Papa Francisco define como “um câncer”, como bem nos lembra Celso Carias, o Ano do Laicato pode abrir novas perspectivas e caminhos, que reconheçam a importância de todos, também das mulheres, verdadeiras artífices da presença eclesial nas periferias do Brasil e para quem se faz necessário um reconhecimento explícito da Igreja.

Acima de tudo, o Ano do Laicato tem que ajudar a entender que o leigo não é súbdito e sim parte integrante do processo eclesial. Por isso, se faz necessário que a Igreja se organize a partir do sacramento do batismo e não do sacramento da ordem.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) convocou o Ano do Laicato, iniciado com a festa de Cristo Rei. Como membro da Comissão Episcopal para o Laicato, quais são as motivações do Ano de Laicato?

Celso Carias
– Desde o início do Pontificado do Papa Francisco tem-se retomado muito a dimensão da necessidade de integrar o laicato na vida eclesial. Isso possibilitou que a Comissão do Laicato pudesse sugerir, depois o Documento 105 da CNBB, que é o documento que fala justamente da dimensão laical, um evento na Igreja do Brasil que pudesse chamar a atenção para essa necessidade de integração do laicato e ao mesmo tempo a vocação do laicato e sua espiritualidade dentro do processo eclesial.
Reunindo todos esses fatores foi feita a sugestão, foi bem recebida e aceita e aí se efetivou o ano 2018 como o Ano Nacional do Laicato.

De fato, essa integração do laicato na Igreja do Brasil, dentro da vida e da toma de decisões, é algo que já está se fazendo ou ainda é uma realidade pouco presente?

Celso Carias
– Temos que ser sinceros. Logo após do Vaticano II, na América Latina, também no Brasil, que conhecemos melhor, houve sim uma boa integração do laicato com todo o processo eclesial. No entanto, acabamos vivendo um período de nova centralização, um pouco na linha daquilo que o Papa Francisco chama de auto referencial, e aí nesses últimos trinta e poucos anos aconteceu que o laicato acabou não tanto tendo um papel protagonista, mas um papel mais submetido a uma centralização do poder clerical, no sentido de clericalismo.
Isso foi algo que foi afastando daquilo que era a lógica da eclesiologia do Vaticano II. O que estamos propondo na verdade é uma retomada da eclesiologia do Vaticano II, que é  eclesiologia de Igreja como Povo de Deus.

Esse clericalismo, que o Papa Francisco define como um dos grandes pecados da Igreja é algo que só está presente no clero, ou o próprio laicato é clerical?

Celso Carias
– O Papa Francisco usa às vezes figuras muito fortes e ele fala que o clericalismo é um câncer, e câncer não escolhe, digamos assim, um único setor do corpo, ele ataca o corpo como um todo. Então, o clericalismo é uma experiência de auto-referencialismo que vai para todos os cantos, inclusive, infelizmente, para o próprio laicato.
Há laicato clerical, diáconos permanentes clericais, todos os setores da Igreja que infelizmente acabam caindo nisso que o Papa Francisco tem tanto acentuado nesses últimos anos, que não se expressa na dimensão do serviço, não se expressa na dimensão da recuperação da identidade e da cidadania pelo batismo, mas sim por essa centralização.

Como assessor nacional das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e seu representante na Comissão Episcopal para o Laicato, Qual é o papel que as CEBs podem ter no Ano do Laicato?

Celso Carias
– Acredito que podem ter um papel muito importante. Embora evidentemente hoje as CEBs não se constatem como meio articulador da pastoral na grande maioria das dioceses, mas o laicato das CEBs é um laicato bastante preparado, com consciência crítica, com fundamentação bíblica, que pode fazer a diferença nesse momento em que a Igreja do Brasil proporciona um espaço de reflexão sobre os leigos e leigas.
Creio que as CEBs aí, mesmo não sendo maioria, muito pelo contrario, podem sim ajudar a pautar, a refletir, a apontar, como já foi dito ainda há pouco por mim, na direção da eclesiologia Povo de Deus, que é isso que está se querendo resgatar.

O papel da mulher na Igreja está querendo ser resgatado, sendo colocado num lugar de maior protagonismo pelo Papa Francisco. O ano do laicato pode ser um momento importante para que o papel da mulher, sobretudo da mulher leiga, seja reconhecido pela Igreja do Brasil?

Celso Carias
– Eu também não tenho dúvida, claro que numa dimensão de processo, não vamos esperar que ao longo de 2018 as mulheres leigas passarão a ser protagonistas em varias dimensões da vida eclesial, seria esperar demais.
Mas não há dúvida que também, como nos diz o próprio título do documento 105, ele configura a questão de género, ao falar de leigos e leigas. Essa consciência de que a mulher não pode ser tratada como submissa à realidade do machismo, é muito forte na compreensão de muitos leigos e leigas e é necessário chamar a atenção para isso.
Acredito que como processo, como elemento que vai levar à reflexão e ao questionamento, pois aí também precisa questionar, não tenho dúvida que se ampliara essa consciência.

Também porque a gente não pode fechar os olhos e dizer que as mulheres não são importantes, quando de fato são a maioria ou a prática totalidade da presença laical na Igreja. Podemos continuar considerando a mulher dentro da Igreja com um papel subserviente?

Celso Carias
– De forma alguma, e muitas vezes sendo tratada como ser humano de segunda categoria. Muitos falam isso, não foi uma imagem que eu inventei, eu vi gente do povo falando isso. Eu sou da Baixada Fluminense, onde muitas comunidades são lideradas por mulheres, e se não fosse pelas mulheres, a maioria dessas comunidades estariam fechadas.
Deixar de reconhecer essa importância, esse papel fundamental, é colocar a poeira embaixo do tapete. É fundamental venha às claras, que isso seja colocado de maneira igual, cada um na sua especificidade de género, mas com a igualdade fundamental da dignidade.

Fechar essas comunidades seria acabar com a presença da Igreja Católica nas periferias. Quando essas mulheres vão ter um reconhecimento expresso da Igreja a partir de um ministério, que poder ser um ministerio laical ou as diaconisas, das que tanto a gente escuta falar, ou inclusive outras propostas nas quais um dia a gente pode chegar lá? Isso é uma necessidade, as mulheres precisam disso?

Celso Carias
– Não tenho nenhuma dúvida que esse reconhecimento é extremamente necessário. Evidentemente que, antes disso, e não é sem fundamento que o Papa Francisco fala muito disso, é necessário atacar o clericalismo. Mas simbolicamente é importante que as mulheres ocupem sim esses espaços de referência, como por exemplo, está já em fase de estudo, a questão do ministério diaconal para as mulheres. Não há, aí eu falo como teólogo, não sou nenhum teólogo de grande profundidade, mas não consigo observar nada nem na Bíblia, nem na tradição magisterial, que possa impedir a mulher de ser contemplada com um ministério específico, como por exemplo o ministério de diaconisa.

Quais podem ser os passos, perspectivas, intuições, que podem nascer do Ano do Laicato?

Celso Carias
– Podemos elencar alguns dos que já apareceram na nossa conversa, mas talvez, em grau de importância, o que a gente espera é que seja retomado essa consciência de que leigo e leiga é membro efetivo da Igreja pelo batismo, e não essa posição quase de súbdito muitas vezes que se coloca na realidade eclesial das dioceses, das paróquias.
Leigo não é súbdito, leigo é parte integrante do processo. Se alguma coisa nessa direção for feita, e eu acredito que possa dar uma contribuição nesse sentido, creio que o Ano do Laicato já valerá a pena.

Também porque o sacramento principal e primeiro é o batismo. De fato, numa ocasião 1perguntou ao Papa Bento qual tinha sido o dia mais importante na sua vida e ele respondeu que o dia do seu batismo. Quando a Igreja vai se organizar a partir do batismo e não do sacramento da ordem?

Celso Carias
– Essa é a questão chave, a chave está aí. Numa carta que o Papa Francisco escreveu ao cardeal Oullet, responsável pela Comissão para América Latina, ele falou algo parecido, mas acho que foi até mais contundente, ele diz na carta que ninguém nasce bispo, padre, nós nascemos para a Igreja pelo batismo.
Esse é o postulado fundamental. Recuperar essa teologia é importantíssimo. Se a gente quer pensar em termos de futuro. Se a gente está pensando em mundo moderno, nos desafios urbanos, nos desafios que estão aí circundando na nossa experiência de fé, sem protagonismo dos leigos e leigas acho que a gente vai estar se dando muitos tiros nos nossos dois pés.

Por Luis Miguel Modino
Comunicação das CEBs do Brasil



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domingo, 3 de dezembro de 2017

O MENINO GRAPIÚNA - Jorge Amado

Para o menino grapiúna – arrancado da liberdade das ruas e do campo, das plantações e dos animais, dos coqueirais e dos povoados recém-surgidos -, o internato no colégio dos jesuítas foi o encarceramento, a tentativa de domá-lo, de reduzi-lo, de obrigá-lo a pensar pela cabeça dos outros. A intenção do pai era apenas educá-lo no melhor colégio, o de maior renome. Não se dava conta de como violentava o filho.

Essa mesma sensação de sufoco, de limitação, eu voltaria a sentir mais de uma vez no decorrer de minha vida. No desejo de bem servir causas generosas e justas, aconteceu-me aceitar encargos e desempenhar tarefas de meu desagrado – durante dois anos, Por exemplo, fui deputado federal, apesar de não ter vocação parlamentar nem gosto para o cargo. Da mesma maneira, por idênticos motivos, em certas ocasiões admiti e repeti conceitos, regras e teses que não eram minhas, pensei pela cabeça dos outros.

No colégio dos jesuítas, pela mão herética do padre Cabral,  encontrei nas “Viagens de Gulliver” os caminhos da libertação, os livros abriram-me as portas da cadeia. A heresia do padre Cabral era extremamente limitada, nada tinha a ver com os dogmas da religião. Herege apenas no que se referia aos métodos de ensino da língua portuguesa, em uso naquela época, ainda assim essa pequena rebeldia revelou-se positiva e criadora. A heresia é sempre ativa e construtora, abre novos caminhos. A ortodoxia envelhece e apodrece idéias e homens.

A longa e dura experiência ensinou-me, no passar dos anos, a importância de pensar pela própria cabeça. Para pensar e agir por minha cabeça, pago um preço muito alto, alvo que sou do patrulhamento de todas as ideologias, de todos os radicalismos ortodoxos. Preço muito alto, ainda assim barato.

(O MENINO GRAPIÚNA Cap.15)

Jorge Amado

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ADVENTO - Maria Amélia Ruiz

Advento


Hoje começa oficialmente o advento.

É um período em que as pessoas se preocupam em limpar e enfeitar suas casas para o Natal.
Mas é muito mais do que isso.

É um período em que devemos fazer faxina também em nossas almas e nossos corações.
Tirar a poeira e teias de aranha da casa, enquanto tiramos os maus sentimentos de nossos corações: ódio, mágoa, ressentimento, inveja, egoísmo…

Afastar os móveis para fazer a limpeza, e também afastar atitudes negativas como pré-julgamento, rejeição, condenação, críticas, grosseria, mentiras, maledicência, avareza, cinismo…

Limpar as janelas e limpar também o olhar, para realmente ver as pessoas à sua volta e prestar atenção aos sentimentos delas e às suas necessidades. 

Terminada a limpeza, aí sim iniciar a decoração.

Encher o coração de amor, ternura, respeito, compaixão e carinho.

Encher-se de atitudes positivas como acolhimento, gentileza, generosidade…

Tentar transmitir às pessoas, próximas ou distantes, sentimentos como autoestima, confiança, paz…

Então, quando o dia de Natal chegar, estaremos preparados para dizer: pode entrar, seja bem-vindo, Senhor Jesus!

Maria Amélia Ruiz


Enviado do meu smartphone Samsung Galaxy.

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PALAVRA DA SALVAÇÃO (55)

1º Domingo do Advento 3 de Dezembro de 2017

Vigiai: não sabeis quando o dono da casa vem.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 13,33-37

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
Cuidado! Ficai atentos, porque não sabeis quando chegará o momento.
É como um homem que, ao partir para o estrangeiro, deixou sua casa sob a responsabilidade de seus empregados, distribuindo a cada um sua tarefa. E mandou o porteiro ficar vigiando.
Vigiai, portanto, porque não sabeis quando o dono da casa vem: à tarde, à meia-noite, de madrugada ou ao amanhecer.
Para que não suceda que, vindo de repente, ele vos encontre dormindo.
O que vos digo, digo a todos: Vigiai!'

Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor!

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Padre Paulo Ricardo:

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ADVENTO: viver na atenção criativa

“O que vos digo, digo a todos: vigiai!” (Mc 13,37)


Gregório de Nissa afirma que “na vida cristã vamos de começo em começo, através de começos sem fim”. Re-começar contínuo, no qual nos colocamos sempre de novo em sintonia com Aquele que plenifica nossa existência, dando sentido e inspiração ao nosso modo de ser e viver. Estamos re-começando mais um tempo litúrgico, sempre original e instigante; trata-se do Advento. No evangelho, indicado para este primeiro domingo, o apelo de Jesus (“vigiai”) poderia perfeitamente ser traduzida por “estejam atentos”, “estejam despertos”.       

Por que essa insistência em viver despertos, atentos e lúcidos, como nos pede o tempo do Advento? Porque, como dizia Antony de Mello, a grande tragédia da vida não é tanto aquilo que sofremos, mas aquilo que perdemos. Perdemos muitas oportunidades porque a dispersão e a distração nos acompanham sempre. E isso é justamente o que pretende a espiritualidade do Advento: despertar.

De vez em quando, deveríamos ter a coragem de deixar ressoar em nós esta pergunta: “Você vive ou simplesmente sobrevive?”; pois o perigo de viver adormecidos ou de maneira superficial nos espreita continuamente. Aqui podemos recordar um texto de Henry Thoreau que se fez famoso graças ao filme “A sociedade dos poetas mortos”: “Fui aos bosques porque queria viver em plena consciência, queria viver a fundo e extrair toda a essência da vida; eliminar tudo o que não fosse a vida, para que, quando a minha morte chegasse, eu não descobrisse que não tinha vivido”. 
Paulo também nos convida a despertar de nossa inconsciência para deixar-nos iluminar por Cristo e assim viver em plenitude, e não como mortos vivos: “Desperta, tu que estás dormindo, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará” (Ef 5,14)

Sabemos que o maior inimigo da atenção e da vigilância é a rotina e o modo de funcionar em “piloto automático”. A rotina tem a vantagem de facilitar as coisas e nos confere uma certa sensação de segurança: movemo-nos por caminhos trilhados nos quais tudo nos torna familiar; ela é como uma roda que, de vez em quando, nos move para aquilo que já sabemos, para o já conhecido. Os hábitos permitem que façamos muitas coisas sem precisar pensar: são feitas de uma maneira “in-sensata”, ou seja, sem sentido e sem discernimento.

Muitas de nossas rotinas são manias que herdamos, atmosferas que respiramos, condutas que imitamos, maneiras de ser que assumimos como próprias; nessa repetição do conhecido, vamos nos habituando a viver na apatia, na falta de sonho e de entusiasmo. A rotina nos encobre, nos disfarça, nos mascara e nos anula no costumeiro, na tradição, no hábito, na repetição.

Alguém já disse que a “rotina é o colchão da comodidade na qual a pessoa vai morrendo, pouco a pouco”. Há rotinas que se impõem a nós, sobretudo para que nada se modifique, para que tudo continue como sempre; com isso não arriscarmos ao novo e, sobretudo, atrofiamos nosso espírito aventureiro e criativo que nos sussurra outras brisas, que nos instiga a caminhar por paisagens desconhecidas e nos impulsiona para horizontes inspiradores.

A rotina nos instala no gesto mecânico, no movimento inconsciente, na vida sem alento, nas maneiras normóticas de agir, no vazio do estancamento e na vigília adormecida; ela nos converte em figueiras estéreis, nos seca por dentro, nos torna deserto, sem brilho nos olhos, sem vibração no coração, sem presença inspiradora em nosso mundo.

O Advento, como “primeiro movimento”, é sempre atenção, convite a estar desperto para “fazer novas todas as coisas”. Não é promover novidade superficial, mas recuperar o novo que sempre brota a partir de nosso ser mais profundo. O Advento é tempo litúrgico da criatividade; as rotinas nos alienam, a criatividade nos faz, nos rerefaz.

A atenção vigilante nos conecta com a vida, porque nos traz ao presente. E o presente é o único lugar da vida. Graças à atenção, vivemos na consciência, acolhendo tudo a partir da lucidez e amando tudo a partir da sabedoria; nós nos sintonizamos com a corrente da vida e passamos a habitar o momento presente, deixando-nos fluir com a vida mesma. E, em meio a qualquer atividade, devemos acostumar a nos perguntar: “estou completamente aqui?”

O cultivo da atenção tornará possível a saída progressiva do sono e da ignorância para poder viver na luz; tal prática continuada, não só fará com que saboreemos a vida, mas que reconheçamos e nos famíliarizemos com nossa verdadeira identidade: não somos a “onda” que emerge fazendo movimentos, mas o “oceano” de onde a onda surge. Ver isto é “estar despertos”.

Cada Advento nos mostra um cenário no qual tudo brota de novo, sem estridências nem espetáculos extravagantes. É o tempo do silêncio que vai gestando algo novo, pleno de vida e de sabor; tempo que nos move a reestreiar nossa vida; para isso é preciso destravar nossos sentidos para olhar, escutar, sentir, tocar, saborear tudo como se fosse a primeira vez.

À luz do evangelho deste domingo, vemos que o tempo da ausência do dono da casa que partiu em viagem não é um tempo morto, mas um tempo de intensa gestação. Não é uma espera vazia, angustiante e ansiosa, provocadora de medo, mas uma espera centrada no Senhor que vem e centrada na responsabilidade que nos foi confiada: serviço.

Muitos cristãos perdem a intensidade da espera; e aqueles que persistem na espera vão aprendendo a paciência da espera, mobilizando outros recursos interiores. A vigilância consiste em viver esperando o inesperado e o surpreendente. As comunidades cristãs precisam fortalecer uma pedagogia da espera. Sabem que o Senhor chega de forma surpreendente. A espera é sempre ativa, atenta aos sinais dos tempos e aos clamores da vida; ela busca expandir-se, pois aguarda “o novo céu e a nova terra”.

O Advento é um tempo de oportunidades únicas; e ele está carregado de sinais, elementos fora do comum, pessoas e acontecimentos pelos quais Deus interpela nossa liberdade e frente aos quais é preciso tomar uma atitude.  Estamos diante daquilo que podemos chamar de “Kairós” (tempo oportuno, carregado de inspiração).

Se excepcionais podem ser as pessoas, os lugares, as relações, as habilidades, etc... excepcional também pode ser um determinado tempo, que não depende de sua durabilidade, mas o quanto é carregado de sentido e de presença. É um tempo qualitativamente diferente e denso. É um tempo de graça, propício para o reencontro, para avançar, para passar a uma nova etapa da vida. É preciso aproveitar esta oportunidade única.

Oxalá, neste Advento esperemos o Cristo e saiamos ao seu encontro. E contagiemos os outros com nossa esperança. Essa é a disposição de uma Igreja em saída e que não aguarda em uma “sala de espera”.

Texto bíblico:  Mc 13,33-37

Na oração: Diante do Senhor, que continuamente está vindo em nossa direção, podemos nos perguntar: “minha vida, continua adormecida?
- Como seguidores(as) de Jesus, somos homens e mulheres que podemos despertar o mundo?
- O que estamos vislumbrando no nosso horizonte pessoal, eclesial, social, familiar...?

Pe. Adroaldo Palaoro sj


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