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terça-feira, 5 de setembro de 2017

5 DE SETEMBRO: NO DIA DA AMAZÔNIA, PARTICIPE DA VIGÍLIA

A Rede Eclesial Pan-amazônica promove 
vigília pela Amazônia - RV
05/09/2017

Cidade do Vaticano (RV) - No dia 5 de setembro, comemora-se o Dia da Amazônia, uma data escolhida para homenagear a criação da Província do Amazonas por D. Pedro II em 1850. O objetivo principal da data é alertar a respeito da destruição da floresta e de como podemos ter desenvolvimento sem destruir este pedaço tão importante da Casa Comum que foi criada pelo Pai e deixada como um jardim para todos nós. 

Um dos patrimônios naturais mais valiosos de toda a humanidade e a maior reserva natural do planeta, este bioma de cinco milhões e meio de florestas é fundamental para o equilíbrio ambiental e climático do planeta e a conservação dos recursos hídricos. Apesar disso, a Amazônia tem sido constantemente ameaçada por atividades predatórias como a extração de madeira, a mineração, as obras de infraestrutura e a conversão da floresta em áreas para pasto e agricultura.

O nosso desafio é conciliar a conservação da natureza e o fortalecimento da cultura dos povos tradicionais com o uso dos recursos naturais de forma inteligente e em benefício de todos.
 

"Neste abençoado Tempo da Criação, em que o Papa Francisco nos convida a ser uma só voz em defesa da Casa Comum,  em meio aos ataques do governo brasileiro e das companhias minerárias aos povos da Amazônia e seus territórios, a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) juntamente com a Conferência da Família Franciscana do Brasil, Serviço Inter-Franciscano de Justiça, Paz e Ecologia (Sinfrajupe), Juventude Franciscana do Brasil, Ordem Franciscana Secular e Movimento Católico Global pelo Clima, convida a todas/os irmãs e irmãos a participar da Vigília pela Amazônia.

Somos chamados nos unir em defesa da Amazônia, dos povos e seus territórios, neste momento, especialmente contra a extinção da Reserva Nacional de Cobre e seus Associados (RENCA).

Acompanhamos com grande indignação as manobras antidemocráticas promovidas pelo atual governo, gerando retrocessos nos direitos dos povos e dos territórios brasileiros. Mais recentemente testemunhamos o anúncio do Decreto Presidencial  que poderá extinguir a Reserva Nacional de Cobre e seus Associados (RENCA).

Segundo Dom Cláudio Hummes e Dom Erwin Kräutler, "a extinção da Renca representa uma ameaça política para o Brasil inteiro, impondo mais pressão sobre as terras indígenas e Unidades de Conservação, e abrindo espaço para que outras pautas sejam flexibilizadas, como a autorização para exploração mineral em terras indígenas, proibida pelo atual Código Mineral”.

Não podemos nos calar diante essa realidade de degradação humana e ambiental. Animem suas fraternidades e comunidades locais a organizarem vigílias pela Amazônia durante o Tempo da Criação, que se inicia no dia 1 de Setembro, Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, e vai até o dia 4 de Outubro, celebração de São Francisco de Assis.

Registrem os eventos que realizarem no mapa global do Tempo da Criação. Para registrar a sua vigília e/ou para saber se será organizado algum evento perto de você, acesse o site: http://pt.seasonofcreation.org/

Oremos
A Vigília é de todos e todas nós! A Amazônia nutre e alimenta o equilíbrio ambiental de todo Brasil e do Planeta Terra. Por isto, juntos e juntas,  amazônidas e não amazônidas, oremos em vigília! Que, inspirados pela Encíclica Laudato Si' e pela Campanha da Fraternidade "Biomas Brasileiros e Defesa da Vida", possamos nos engajar na defesa da nossa Casa Comum, em especial na defesa dos povos e territórios, atentos e solícitos ao "grito da terra e ao grito dos pobres".

Confira o vídeo com depoimento de Dom Cláudio Hummes, concedido à RV em 27 de junho de 2017.




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XII TORNEIO DE FUTSAL FEMININO DA AABB ITABUNA: 9 E 10/9

Camaçari e Jequié, campeã e vice de 2016 na AABB.

AABB Itabuna promove maior torneio de futsal feminino da Bahia


O Torneio de Futsal Feminino da AABB Itabuna é a principal competição da modalidade do estado. Já em sua 12ª edição seguida, reúne não só as melhores jogadoras, como também as equipes mais representativas da Bahia. O evento acontece neste fim de semana (9 e 10/09) e contará com equipes de várias regiões: Recôncavo, Sudoeste, Sul e Extremo-Sul.

As equipes participantes chegam credenciadas por retrospecto de vencedoras em competições regionais, estaduais e nacionais, prenunciando jogos de alto nível técnico e tático. Por isso estarão presentes alguns dos mais importantes dirigentes e técnicos de futsal da Bahia e do Brasil.

No primeiro dia do torneio, sábado (09), às 8h00, acontece a cerimônia de abertura. Daí até a noite seguem os jogos no Ginásio da AABB, ficando para a manhã de domingo (10) as semifinais e a grande final.

Após a decisão do título, a cerimônia de premiação. Receberão troféus e medalhas a campeã, vice, melhor jogadora, artilheira e goleira menos vazada do torneio , sendo depois oferecido pelo clube um almoço para as delegações, que serão liberadas em seguida para retorno às suas cidades.

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A AABB Itabuna fica na Rua Espanha s/n, bairro São Judas, com acesso pela Vila Zara (ponte nova) para quem vem do litoral. Já para quem vem do interior, o acesso é via Beira-Rio, passando pelo Shopping e Conceição. O e-mail do clube é aabbita@gmail.com. E a fan page é facebook.com/aabbitabuna.club.

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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

“OLHAR PARA JESUS E SE ENCHER DE ALEGRIA” - Papa Francisco

Papa Francisco: “Olhar para Jesus e se encher de alegria”


"Eu convido vocês a tirarem, hoje, cinco minutos, dez minutos, sentados, sem rádio, sem televisão; sentados, e pensar sobre a própria história: as bênçãos e dificuldades, tudo.

As graças e os pecados: tudo.

E olhar ali a fidelidade daquele Deus que permaneceu fiel à sua aliança, e se manteve fiel à promessa que fizera a Abraão, permaneceu fiel à salvação que prometera em Seu Filho Jesus.

Estou certo de que entre as coisas talvez ruins - porque todos nós temos, tantas coisas ruins, na vida - se hoje fizermos isso, vamos descobrir a beleza do amor de Deus, a beleza de Sua misericórdia, a beleza da esperança.

E tenho certeza que todos nós estaremos cheios de alegria!"






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OS PAIS DA IDEOLOGIA DE GÊNERO: FILÓSOFOS OU LOUCOS? – Jurandir Dias

3 de setembro de 2017
Jurandir Dias

Quatro dos principais promotores da Ideologia de 
Gênero: Wilhelm Reich, Margaret Sanger, Michel 
Focault e Margaret Mead.

Existe o adágio: “A filosofia é uma ciência com a qual ou sem a qual o mundo permanece tal e qual”. Penso o contrário, pois, muitas vezes, é ela que move o mundo das ideias e das revoluções.
A filosofia pode ser usada tanto para o bem como para o mal. Grandes filósofos como Aristóteles e Platão inspiraram exponenciais Doutores da Igreja, como Santo Tomás de Aquino e Santo Agostinho.
E foram escritores filósofos como Rousseau, Montesquieu, Voltaire, Locke, Diderot e D’Alembert, por exemplo, que inspiraram a Revolução Francesa, que tantos malefícios causou na França e no mundo.
Pessoas desprovidas de qualquer senso moral, tanto pelo exemplo de suas vidas como por suas ideias, instilam o seu veneno na sociedade. E tais “pensadores” são objetos de estudos em escolas e universidades. Principalmente, refiro-me a quatro dos principais promotores da Ideologia de Gênero: Wilhelm Reich, Margaret Sanger, Michel Focault e Margaret Mead.

A Ideologia de Gênero — teoria sem base na ciência e na natureza humana — teve como principais idealizadores pessoas que foram encerradas em manicômio, tentaram o suicídio ou suicidaram-se. A esse propósito, comenta Javier Torres no site actuall.com (*):

“É como se alguém tivesse aberto as portas do manicômio e as teorias de seus loucos mais célebres se convertessem em doutrinas mundiais.

“Não há nada objetivo — nem sequer a diferenciação biológica XX e XY, oh, cromossomas fascistas! — que determina se somos homem ou mulher. Cada um, e só cada um, decide o que é”.

“Tudo se pode negar porque não há nada fora de nós que seja objetivo”, dizia Friedrich Nietzsche,o filósofo que inspirou grande parte dos ideólogos de gênero." 

Nietzsche, que afirmou que Deus está morto, terminou seus dias em um manicômio. Ele morreu, mas Deus é eterno. “¡Dios no muere!”, exclamou o presidente-mártir do Equador, Gabriel Garcia Moreno, ao ser apunhalado em 1875.
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O médico Wilhelm Reich, marxista e grande idealizador da revolução sexual, praticava o vício solitário de maneira compulsiva desde os seis ou sete anos de idade, e também a zoofilia, tendo votado forte ódio contra a figura do pai. Em sua clínica de psiquiatria abusava de mulheres praticando suas “terapias sexuais”. Em 1957 morreu em um cárcere. Ele tinha sido diagnosticado como portador de paranoia e esquizofrenia progressiva.

O filósofo francês Michel Foucault pertencia ao Partido Comunista, sendo considerado um dos maiores idealizadores da Ideologia de Gênero. Praticava o sadomasoquismo homossexual e consumia drogas. Tentou o suicídio em várias ocasiões, porém morreu de AIDS em 1984.

Margaret Sanger, fundadora da Planned Parenthood — a maior organização abortista dos Estados Unidos —, abandonou os filhos por causa de sua ninfomania. Ela morreu em 1966, quando já era uma alcoólatra incontrolável.

A feminista Schulamith Firestone, para quem a maternidade era “a opressão radical que sofre a mulher”, também sofria de esquizofrenia e passou vários anos em uma clínica psiquiátrica. Em 1912 foi encontrada morta em sua residência.

Outra feminista radical foi Kate Millet. Tinha ideias maoístas e tornou-se lésbica não por impulso sexual, mas por ódio aos homens. Quando estava internada em uma clínica psiquiátrica, no final de sua vida, pediu para ser vigiada durante 24 horas por causa de um impulso incontrolável ao suicídio.

Por sua vez, Elizabeth Fischer, amiga de Kate e fundadora da revista feminista americana “Aphra”,suicidou-se. Outras duas feministas, Maria del Drago e Ellen Frankfurt, ambas cubanas, também suicidaram-se.

Duas importantes feministas, Simone de Beauvoir e Margaret Mead, foram exceções nesta lista macabra de suicidas.

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Talis vita, finis ita (“Tal vida, tal fim), diz o ditado. Aqueles que desejaram destruir por seus atos e suas doutrinas a própria ordem da natureza humana como Deus a criou, acabaram destruindo a si próprios, tanto com seus vícios quanto pelo suicídio.
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http://www.abim.inf.br/os-pais-da-ideologia-de-genero-filosofos-ou-loucos/#.Wa47r7KGPIU


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domingo, 3 de setembro de 2017

ITABUNA CENTENÁRIA: UM POEMA – Rima - Geraldo Maia

RIMA


Obrigado por me receber sem me julgar ou desmerecer 

obrigado por me poemar só com palavras 
feitas para o sim
obrigado por aceitar meu sim no coito do meu não 
e quando digo não é para aceitar a contradição 
a contraluz que raciocina com o meu coração 
obrigado pelo que me ensina esses teus dizeres 
versos de explosão como convém à carícia 
e quando me avisa já perdi o salto 
estou do outro lado que você me vê 
do lado contrário aí bem ao teu lado 
longe de você 
e quando disparo todo o arsenal 
do bem e do mal você sorri e canta 
e tua palavra então me sustenta em ti 
só para ouvir tua delicadeza 
que ventura mil dizer o que sentiu 
essa tua surpresa 
chega em poesia do jeito que ferve 
e quando me escreve é tanta entranha 
teu poço me serve o que me reserva 
o sabor da seiva escorre da pétala 
flor tão generosa em doar-se apenas 
dar-se assim tão plena sem pensar ou pena 
sem pesar nem tema que te amar é risco 
gravado no ritmo do teu coração 
e te amar convicto de que não há desperdício 
quando o amor é riso e rí tão cruel 
uma face afia o tom do mel e a outra fia o dom de fel 
amacia a máscara de doer a carícia no calor do grito 
rompe com o granito no fio da ventania 
e teu encantamento me dispara o tempo e faz para sempre 
a infinita dor arder até provocar 
o riso que tremeu depois de esmagar 
a sombra com algemas de medo 
e todo o teu segredo é poder sorrir 
mesmo quando estou bem longe de ti 
assim como um barco 
que o cais profana 
nada o detém 
a não ser a sina insana de te amar 
a sede incandescente de sorver teu colo 
a lua que devora o grão de teu ódio 
o grão debulhado de tua memória 
e que o poema traduz como se fosse rima 
de amanhecer com abraço 
de perdão com silêncio 
de barulho de trem como se pudesse 
abafar 
a longa agonia da viagem 
com saudade

 
Geraldo Maia, poeta
Estudou Jornalismo na instituição de ensino PUC-RIO (incompleto)
Estudou na instituição de ensino ESCOLA DE TEATRO DA UFBA
Coordenou Livro, Leitura e literatura na empresa Fundação Pedro Calmon
Trabalha na empresa Folha Notícias,
Filho de Itabuna/BA/BRASIL, reside em Louveira /SP.

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ITABUNA CENTENÁRIA REFLETINDO - O plantador de árvores

O plantador de árvores


Um rei seguia pela estrada com sua comitiva, quando viu um homem velho plantando uma arvorezinha. 
Achou aquela atitude muito estranha, já que a árvore demoraria em crescer e, quando pudesse dar frutos, o velho, na certa, não estaria mais lá para aproveitar. E então, o rei perguntou ao velho plantador de árvores por que insistia numa tarefa tão inútil. Ao que o homem respondeu:


– Fico feliz em plantar, mesmo não sendo eu quem vai colher. Não estamos aproveitando hoje as árvores que foram plantadas há muitos anos? Plantar é o que importa. Não o colher. 


O rei considerou sábia a atitude do homem e, comovido, entregou um saco com muitas moedas de ouro como prêmio à sabedoria do plantador de árvores.

E ele agradeceu assim: – Viu como são as coisas? Eu mal acabei de plantar e já estou colhendo frutos valiosos.


“O plantio é opcional, mas a colheita é obrigatória. Por isso, tenha cuidado com o que planta.”

Fonte: Site Gotas de Paz
(Autor não mencionado)


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PALAVRA DA SALVAÇÃO (42)

22º Domingo do Tempo Comum - 03/09/2017

Anúncio do Evangelho (Mt 16,21-27)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus começou a mostrar a seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia.
Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!”
Jesus, porém, voltou-se para Pedro e disse: “Vai para longe, Satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!”
Então Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la.
De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que poderá alguém dar em troca de sua vida? Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta”.
— Palavra da salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Wanderson Cintra:

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Caminho da Cruz, caminho do esvaziamento do "ego"


 “Quem quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga”. (Mt 16,24)


O seguimento de Jesus implica um descentramento, um esvaziamento do “nosso próprio amor, querer e interesse” (S. Inácio). Para poder viver o Evangelho de uma maneira inspirada, deveríamos deixar ressoar profundamente em nós essa expressão tão forte de Jesus: “renunciar a si mesmo” para poder viver com mais plenitude e transparência.

Isto não significa que Jesus tenha tomado um caminho dolorista, no qual se valoriza a dor por si mesma. Pelo contrário, Jesus vive a sabedoria da vida de onde brota a felicidade. Não vive para o “ego”, pois este busca sempre seu interesse e comodidade, mas vive ancorado naquela identidade profunda, na qual permite que a Vida flua através de si mesmo, numa atitude de aceitação ou de sintonia sábia com o Pai.

A “renúncia a si mesmo” não é um exercício de masoquismo, não é mutilar-se, nem buscar sacrifícios, nem anular-se..., Mas é descer até “o dinamismo de vida” (a força germinadora) que pulsa no próprio coração, ansioso de plenitude, de vida e de amor; é a maneira mais profunda de realização.

“Renunciar a si mesmo” é deixar de se identificar com a tirania das mensagens de nossos pequenos “egos”, que se refletem em nossa própria linguagem e autoimagem. A imagem tornou-se uma espécie de absoluto em nossa sociedade. A ela servimos e por ela somos determinados. “Renunciar a si mesmo” é um conselho sábio: significa despertar-se da ilusão e do engano, deixar de girar em torno de um suposto “eu” que não existe, para viver a comunhão com todos e com tudo e agir assim de um modo mais coerente. Aqui o “si mesmo” faz referência ao nosso falso “eu”, aquilo que, iludidos, acreditamos ser: o “eu” que busca poder, prestígio, riqueza... O desapego do falso eu é imprescindível para poder entrar no caminho que Jesus propõe.

Aquele que não é capaz de superar o “ego” e não deixar de se preocupar com seu individualismo (centralidade em si mesmo), frustra toda sua existência; mas, aquele que, superando o egocentrismo, descobre seu verdadeiro ser “des-centrado” e atua em consequência, vivendo uma entrega aos outros, alcançará sua verdadeira plenitude humana. Trata-se de um ponto chave do ensinamento de Jesus, ou seja, o convite a entrar na lógica do dom, do descentramento do eu, da entrega gratuita, da superação da mera reciprocidade.

É a lógica aberta pelo Reinado de Deus, que alarga o horizonte da vida humana, enriquece as possibilidades de atuação e aumenta a criatividade no serviço. A lógica do dom implica deixar-se conduzir por Deus, conhecido através de Jesus, que é entrega de vida, misericórdia, perdão, amor infinito.

Nossa verdadeira identidade não é constituída pelos pequenos “egos” que acreditamos ser. Precisamos despertar dessa ilusão e entrar em contato com nosso verdadeiro Eu, nosso Ser e, a partir dele, olhar a vida, olhar nossa atividade e olhar os outros, a fim de viver em sintonia com quem somos em profundidade. É esse o modo de “ganhar a vida”.

Precisamos des-velar (tirar o véu) de nossos “pequenos eus”, detectar e reconhecer seus dinamismos sombrios e atrofiadores, para podermos caminhar, com mais naturalidade e leveza, para além de nós mesmos. Do contrário, eles travarão nossa vida de uma maneira tirânica.

É saudável reconhecer esses “eus” e dialogar com eles, pois de outra forma eles se fixarão em nós como rigidez ou nos transformarão em fanáticos. Rigidez e fanatismo, dureza e intolerância, legalismo e moralismo... indicam a existência de “eus” inflados que atrofiam nossa existência. A afirmação de Jesus, portanto, nos faz descobrir que por detrás do “renunciar-se a si mesmo” pulsa o desejo de desprender-se do “ego desumano” para poder expandir a vida em direção a uma ousada criatividade. O caminho da fidelidade até a Cruz vai quebrando toda falsa pretensão do “ego”, expandindo nossa vida na direção do serviço e da entrega radical.

Morrer “com Jesus” na Cruz é morrer ao próprio “ego”, para que o “eu oblativo” possa ressuscitar para uma vida nova.

Todos os caminhos autênticos de espiritualidade começam por um esvaziamento do ego, uma renúncia a si mesmo, não para negar-se como pessoa, mas, pelo, contrário, para crescer ao recuperar a verdadeira identidade na totalidade. Quando “eu me perco”, me encontro, quando “meu eu diminui”, descubro que faço parte de algo maior, que pertenço a Deus.
A vida não deve ser corroída pela tirania do egoísmo mesquinho: vida é encontro, interação, comunhão... Aquele que quer salvar seu “ego”, perde a Vida, porque se isola numa estreita jaula ou se perde em um labirinto de inevitável sofrimento e, em último termo, de vazio e sem-sentido. Uma existência egocentrada, embora aparentemente satisfatória para o “ego” (inclusive até “ganhar o mundo inteiro”), não pode evitar uma sensação de profunda insatisfação.

A morte do falso eu é a condição para que a verdadeira Vida se liberte. É preciso passar pela morte do que é terreno, caduco, transitório (paixões, apegos desordenados...) para deixar emergir a vida interior, a vida divina, a vida de Deus em nós. Ao descobrir a armadilha desse “ego” atrofiador, ao deixar de nos identificar com ele, a primeira coisa que experimentamos é uma sensação de amplitude, onde sentimos que nosso coração se expande e descobrimos que o horizonte é, na realidade, infinito.

Uma das manifestações da sociedade narcisista na qual o “eu” tornou-se a instituição máxima e o eixo do universo é a chamada cultura do “selfie”. Sociologicamente isso pode revelar a obsessão pelo protagonismo e pela sacralização do eu.

O que vale na cultura do "self" é o modo como nos apresentamos. Na imagem nos recriamos conforme nosso “self”, isto é, mostramos aquilo que acreditamos ser o nosso "eu". A imagem precisa ser perfeita, pouco importa a maneira como ela foi feita, tampouco, as circunstâncias da construção dela. Por isso, “tomar a Cruz” é uma imagem que quebra e esvazia toda pretensão de autoafirmação do eu.

É um momento doloroso pois a pessoa resiste e pode encher-se de angústias e medos ao perder o falso ponto de apoio sobre eu autônomo, impassível centrado em si mesmo. E teme o pior: perder-se, diluir-se. Somos continuamente bombardeados de afirmações sobre a necessidade de um Eu forte e integrado. O encontro com Cruz elimina o narcisismo, desmascara a prepotência e nos devolve à vida cotidiana (tempo, casa, profissão, conversação) como o único lugar no qual podemos nos encontrar com a nossa própria verdade.

“Do eu des-centrado ao eu enraizado no seguimento de Jesus”: este é o movimento de vida plena.

Textos bíblicos:  Mt 16,21-27

Na oração: Aprenda a morrer aos próprios interesses mesquinhos para que os outros vivam. Há na vida muitas coisas – pequenas ou imensas – que vão morrendo e nascendo de novo, diferentes, melhores, reconciliadas...
Não permaneças na superficialidade do ego; desce mais ao fundo de ti mesmo e descobrirás a harmonia.
Teu verdadeiro ser é paz, é mansidão, é bondade. Vá mais além de teu falso ser!

Pe. Adroaldo Palaoro sj
Campinas-SP

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