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sábado, 18 de fevereiro de 2017

ENTENDA A ESTRATÉGIA DE CUNHA NA JUSTIÇA AO ENVOLVER TEMER E MOREIRA FRANCO

17/02/2017
Malu Delgado

Pedro Ladeira/Folhapress 
Cunha enviou 19 perguntas a serem feitas para Michel Temer e Moreira Franco


Ao arrolar Michel Temer e Moreira Franco como testemunhas, ex-deputado cria constrangimentos, eleva tensão no meio político e tenta barganhar com Ministério Público condições melhores para sua delação premiada.

Quem conviveu com Eduardo Cunha (PMDB-RJ) como parlamentar e presidente da Câmara tem relatos impressionantes sobre sua memória, perspicácia, inteligência e refinada articulação política.

O mesmo ocorre agora, quando, réu da Operação Lava Jato, preso desde outubro do ano passado em Curitiba, o deputado cassado surpreende renomados criminalistas ao traçar estratégias de sua própria defesa e mostrar conhecer detalhes dos processos dos quais é réu.
REUTERS/Adriano Machado
Temer (à esq.) poderá responder por escrito; Moreira Franco terá de depor a um juiz

As 19 perguntas de Cunha para Temer e Moreira Franco

Ao apresentar 19 perguntas nesta quinta-feira (16) para as testemunhas que arrolou como defesa, desta vez na Justiça Federal em Brasília, Cunha mexeu importantes peças do jogo. Suas testemunhas serão o presidente Michel Temer e o agora ministro Moreira Franco, seus colegas de partido de longa data.

No mundo da política, a estratégia de defesa soou como uma ameaça. Este caso sob investigação em Brasília, do qual Cunha é réu, refere-se a um fundo de investimentos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, o FI-FGTS. Criado em 2007, esse fundo aplica recursos do FGTS "na construção, reforma, ampliação ou implantação de empreendimentos de infraestrutura em rodovias, portos, hidrovias, ferrovias, aeroportos, energia e saneamento". Moreira Franco controla, no governo, exatamente o setor das parcerias privadas com o poder público.

Rastilho de pólvora

Desde que foi preso, paira em Brasília um certo pânico, em especial no PMDB e no Palácio do Planalto, sobre os efeitos de uma eventual delação premiada de Cunha.

"Ele não fez nenhuma pergunta cuja resposta não saiba. A intenção dele é exatamente essa: dizer que ele sabe as respostas. Isso é brilhante. O que ele fez foi brilhante. É lógico que ele espalhou a pólvora", opina o advogado Roberto Tardelli, procurador de Justiça aposentado.

Crítico das delações premiadas, Tardelli compara Cunha a um enxadrista experiente que deu xeque-mate no rei. Deixa no ar a possibilidade de trazer Temer para o olho do furacão caso negocie com o Ministério Público uma delação premiada.

"Ele tornou pública a ameaça de que vai envolver o presidente da República", analisa o ex-procurador. A jogada é audaciosa, na opinião do advogado, e de certa maneira Cunha tomou o baralho das mãos dos investigadores. "Quem está dando as cartas é ele."

O preço e o timing da delação

Para Thiago Bottino, professor de direito penal da Fundação Getúlio Vargas do Rio, não se pode entender as perguntas como uma espécie de delação às avessas, em que Cunha antecipa alguns fatos sobre os quais poderia ter conhecimento.

"A premissa da delação é a pessoa confessar que praticou um crime e mostrar que outras pessoas também praticaram, e cuja participação não é de conhecimento do Ministério Público, fornecendo provas. Cunha não está confessando que cometeu crime."

Porém, Bottino aponta que o ex-deputado pode estar jogando com o timing e barganhando para obter uma delação premiada mais vantajosa.

"O Ministério Público pode não ter oferecido a delação a Cunha porque não sabe exatamente o que vai pedir. E Cunha pode não ter se manifestado pela colaboração porque acha que, se colaborar agora, teria menos benefícios. Os dois lados agem por estratégia."

As perguntas e as testemunhas arroladas, para o professor, podem ter no meio jurídico um efeito muito distinto do que produzem no meio político. Ele pontua, por exemplo, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva arrolou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, seu rival na política, como testemunha de defesa. O objetivo de Lula era que FHC informasse que é normal fundações de ex-presidentes receberam doações.

Modus operandi

No caso de Cunha, segundo Bottino, há algo também nessa linha. Pelas perguntas formuladas, Cunha quer deixar claro ao juiz que é um procedimento normal, na política, um parlamentar ter encontro com empreiteiros, por exemplo.

"As perguntas podem constranger políticos e aliados? Podem.
Mas não é bem uma delação. O que ele está querendo dizer é que nem ele nem aquelas pessoas que ele cita cometeram crimes. Agora, se ele vai convencer o juiz e a opinião pública, aí são outros quinhentos", pondera o professor.

De fato, em boa parte de seus questionamentos, Cunha pede que Temer e Moreira Franco falem sobre encontros e indicações políticas para cargos.

"Várias defesas são nesta linha, de mostrar que é como sempre foi feito. É um padrão, tinha indicação política e não necessariamente aquilo era um esquema. Você indicou fulano? Você participou da reunião onde foi definido o nome de fulaninho para direção de tal coisa?", exemplifica o professor da FGV.

Consequências

Temer e Moreira Franco são obrigados a dar seu testemunho. O presidente tem a prerrogativa de fazê-lo por escrito. Moreira Franco, por ser ministro, pode definir o dia, local e hora para o depoimento. Cabe ao juiz deferir ou indeferir as perguntas.

O juiz Sérgio Moro, por exemplo, já ignorou parte de perguntas que Cunha fez em outro processo a Temer sob o argumento de que ele quis constranger o presidente.

O juiz que vai conduzir o processo em Brasília, segundo os especialistas, fica em posição delicada. "O juiz pode ignorar essas perguntas sobre fatos que dão a entender sobre suposto envolvimento do presidente da República com organização criminosa e corrupção?", questiona Tardelli. Bottino critica a decisão de Moro.

O juiz pode rejeitar as perguntas caso conclua que não têm relação com a causa, caso redundem em repetição ou caso possam levar a uma indução da resposta. Neste caso, explica, o juiz pode pedir a reformulação da pergunta.

"O juiz deveria dar liberdade às partes perguntarem. Se ele impede a pergunta, antes de ela ser feita, como vai dizer se é importante ou não? A rigor, quem tem que produzir as provas são as partes, e não o juiz. Se ele diz que essa pergunta não interessa, no fundo ele que está produzindo a prova. E isso é o oposto do que o código orienta", afirma, numa crítica a Moro.



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TERRAS DO SUL – Helena Borborema

Terras do Sul


            Quando iniciado o povoamento das terras que iriam mais tarde constituir o Município de Itabuna, era toda essa vasta região conhecida pela denominação de “Sul”. Assim a chamavam os sergipanos, os sertanejos e todos os demais pioneiros que para aqui demandavam em busca de novas e melhores condições de vida. Terras férteis, propícias à lavoura, cortadas de cursos dágua perenes, povoamento nascente, eram uma boa opção para quem desejava fazer futuro.

            Nestas  páginas estão contados de maneira sucinta e despretensiosa alguns fatos da vida da região. Uns são reais, é evidente, como quando falo no povoamento da terra, nos pioneiros plantadores de cacau, na ação dos jagunços, na formação da cidade. Outros são simples criação, são casos que não aconteceram, mas que bem poderiam ter sucedido.

            Como os titãs mitológicos que quiseram conquistar  o céu de assalto, os personagens da nossa história regional foram também gigantes que se dispuseram pelo trabalho, pela bravura ou violência, atingir o céu das suas ambições – o poderio socioeconômico. Cada um lutou a seu modo. Foi uma batalha renhida, muitas vezes cruenta e feroz. Armados de facão, do machado, do podão, da enxada, do rifle e da “repetição”, a luta foi brava, mas no fim, a escalada foi feita. Dominada a natureza, vencidos percalços, aquele ideal tornou-se realidade. E aqui está ele representado na nossa força econômica, na nossa lavoura, no nosso povo empreendedor, na nossa já chamada “civilização do cacau”, cujas bases se assentam na coragem de homens fortes, no sacrifício de muitos, na violência de outros, mas na audácia de todos que nos primórdios da nossa formação histórica, implantaram-se nessas TERRAS DO SUL baiano, dispostos a vencer ou morrer.

            Fatos ocorreram nesse pedaço de chão, hoje estórias esquecidas: o sacrifício anônimo dos plantadores de cacau, daqueles que com coragem sofreram e batalharam pela sobrevivência e pela posse do quinhão conquistado.

            Há a página negra do cangaço, dos assalariados da morte, mas há a página dos corajosos pioneiros, dos desprendidos, dos idealistas que plantaram sementes, não só o grão que a terra iria  produzir, mas de ideais que mais tarde enriqueceriam  e fortaleceriam um povo nascente. Cada um a seu modo foi um batalhador. Cada personagem teve a sua estória, mas todos eles fizeram nossa a história das TERRAS DO SUL.

(TERRAS DO SUL)
Helena Borborema
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            Aí está, portanto, “TERRAS DO SUL”. Simples, mas pleno de emoção e humanidade, querendo inscrever no tempo a história de uma gente, o caminho de um rio, a esperança de uma professora que crê no homem e na terra.
            Itabuna, junho de 1990.
           
            Margarida Cordeiro Fahel
            (Professora titular de Literatura Brasileira da Fespi)
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HELENA BORBOREMA - Nasceu em Itabuna. Professora de Geografia lecionou muitos anos no Colégio Divina Providência, na Ação Fraternal e no Colégio Estadual de Itabuna. Formada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia de Itabuna. Exerceu o cargo de Secretária de Educação e Cultura do Município. (A autora)
“Filha do Dr. Lafayette Borborema, o primeiro advogado de Itabuna. É autora de ‘Terras do Sul’, livro em que documento, memória e imaginação se unem num discurso despretensioso para testemunhar o quadro social e humano daqueles idos de Tabocas. Para a professora universitária Margarida Fahel, ‘Terras do Sul’ são estórias simples, plenas de ‘emoção e humanidade, querendo inscrever no tempo a história de uma gente, o caminho de um rio, a esperança de uma professora que crê no homem e na terra’” (Cyro de Mattos).

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"CHIQUE É CRER EM DEUS" - Glória Kalil

Chique é crer em Deus


Chique mesmo é quem fala baixo.

Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes e nem precisa contar vantagens, mesmo quando estas são verdadeiras.

Chique é atrair, mesmo sem querer, todos os olhares, porque se tem brilho próprio.

Chique mesmo é ser discreto, não fazer perguntas ou insinuações inoportunas, nem procurar saber o que não é da sua conta.

É evitar se deixar levar pela mania nacional de jogar lixo na rua.

Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e às pessoas que estão no elevador.

É lembrar-se do aniversário dos amigos.

Chique mesmo é não se exceder jamais!
Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir.

Chique mesmo é olhar nos olhos do seu interlocutor.

É "desligar o radar", o telefone?, quando estiver sentado à mesa do restaurante, prestar verdadeira atenção a sua companhia.

Chique mesmo é honrar a sua palavra, ser grato a quem o ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios.

Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, ainda que você seja o homenageado da noite!

Chique do chique é não se iludir com "trocentas" plásticas do físico... quando se pretende corrigir o caráter: não há plástica que salve grosseria, incompetência, mentira, preguiça, fraude, agressão, intolerância, ateísmo...falsidade.

Mas, para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de se lembrar sempre de o quão breve é a vida e de que, ao final e ao cabo, vamos todos terminar da mesma maneira, mortos sem levar nada material deste mundo. Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se encontrar e não aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não lhe faça bem, que não seja correta.

Lembre-se: o diabo parece chique, mas o inferno não tem qualquer glamour!

Porque, no final das contas, chique mesmo é Crer em Deus!

Investir em conhecimento pode nos tornar sábios...
Mas, Amor e Fé nos tornam humanos!


Glória Kallil
Consultora de moda.


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Enviado do meu smartphone Samsung Galaxy.

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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O MÉDICO E A VIDA: UM GESTO DE AMOR!- Antonio Carlos Hygino

15/03/2016
O Médico e a Vida: um gesto de Amor!
                                                                                                              

Ao Dr.  Álvaro Andrade

Manhã de segunda-feira. Por volta das 10:00hs., chega ao hospital local D. Maria acompanhada de Gracinha, como era conhecida a sua filha Maria das Graças, de quatorze anos de idade. A mãe era o retrato da  aflição. O olhar revelava tristeza, dor e desgosto profundos. Estava descontrolada.
Agitada ao extremo. Chorava e aos gritos chamava pelo obstetra de plantão. Gracinha estava perturbada, atônita, confusa, quase sem ação. Deixava-se conduzir por sua genitora pelos corredores do nosocômio. Estava absorvida pelo medo e dominada pela fúria materna. Os enfermeiros que ali se encontravam buscavam acalmá-la, mas ela estava indócil.

Conduzida à presença do plantonista e, de frente para dele, face a face, sem que houvesse qualquer diálogo, retirou da bolsa um escrito e o entregou dizendo-lhe: É urgente!

O médico, à medida que lia o documento, sua expressão facial se transformava. Afinal, o que estava ali escrito ia de encontro aos seus princípios éticos e religiosos. Tratava-se de autorização judicial para retirada do feto.

O conflito apoderou-se de seu ser. Não podia deixar de cumprir a determinação judicial e, por outro lado, se a cumprisse estaria a violentar sua consciência.

Envolto nesse dilema, a insistência da genitora da adolescente na realização imediata do aborto, consumia-lhe a mente e lhe feria a alma.

Buscando adiar a decisão, tentou acalmá-la pedindo que se sentasse. Enquanto isso, num cantinho do consultório, acomodava a adolescente numa maca para examiná-la.

Voltando-se para a genitora, perguntou-lhe o que havia acontecido? Ela, então, debulhando-se em lágrimas, disse que a sua filha havia sido violentada pelo padrasto e que dele encontrava-se grávida. Disse-lhe, também, que o fato foi comunicado à autoridade policial e que ele se encontrava preso.

Na justiça,  confessou ele, despudoradamente, o mal que houvera feito, acrescentando que  agiu sem o consentimento de sua enteada, desvirginando-a antes que outrem o fizesse.
A horrenda confissão lhe  arrancou do peito todo sentimento que por ele nutria.

Foram conviver quando Gracinha contava com dois anos.
Estavam juntos há cerca de dez anos, de cuja união nasceram dois filhos. Daí, o seu sofrimento, dor e mágoa.
   
Após ouvir o relato, decidiu pelo cumprimento da ordem judicial.

A menina chorava na maca. Instintivamente sabia que o seu filho ser-lhe-ia arrancado do ventre.

Girando a cadeira na direção em que se encontrava a aflita menina, pensou consigo: “É certo que a gestação decorreu de uma violência contra àquela menina, mas por que responsabilizar a criança que ela carrega em seu ventre por um crime que ela não cometeu?

Voltou-se, então, para D. Maria e objetivando despersuadi-la, argumentou: Antes de dar início aos trabalhos, eu vou colocar uma música para a Senhora ouvir. É uma música única. É uma música que fala de Deus, do amor e da vida.
Após ouvi-la, a Senhora irá me dizer se prossigo ou não, ok?
Ela consentiu.

Com suave ternura, pediu-lhe  para fechar os olhos; relaxar  e abrir a alma e espírito.

Aproximou-se da menina e delicadamente pediu-lhe para ficar calma. Em seguida deu início ao exame de ultrassonografia, deixando o aparelho  em viva voz …

Alguns segundos depois, todos ouviram a música. Era mais ou menos assim: “tum....tum....tum....tum....tum....tum....tum...tum....tum....tum.... tum... tum... tum...tum”...

À medida que ouvia a melodia, o semblante da angustiada mãe se modificava, ficando mais leve … embora os olhos ainda estivessem fechados, lágrimas deslizavam mansamente no seu rosto...

Alguns minutos se passaram e, ainda com o aparelho ligado, o médico esclareceu: “Essa música que a Senhora está a ouvir é o coração de seu neto ou neta a pulsar.  Ela revela o amor e a bondade de Deus a oportunizar a um ser humano o dom vida”.

Diga-me, então, desligo ou não a música?

Sorrindo ternamente e com o rosto ainda molhado, ela respondeu: “meu neto não tem culpa. Deixe-o nascer”.

Enternecido, abraçando-as, em silenciosa oração agradeceu a Deus por ter lhe permitido salvar mais uma vida.


Antônio Carlos de Souza Hygino
Juiz de Direito



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O HOMEM - Antonio Pereira Sousa

O Homem


O mundo em que vivemos é uma construção do próprio homem. Da mais remota antiguidade até nossos dias, o nosso conhecimento e domínio sobre a natureza vêm se expandindo grande e incessantemente.

Longe já se vai o tempo em que fabricamos o machado de pedra. Basta olhar em torno para sentir o avanço dos novos bens a nossa disposição, todos elaborados por nós. São exemplos dessa afirmação o avanço dos meios de transporte e os de comunicação, o desenvolvimento da ciência médica e da tecnologia de alimentos.

Para realizar esse mundo de coisas, aconteceu a ação determinada das pessoas. Era um fazer e desfazer, ajustar e substituir, modificar e aperfeiçoar, tudo ocorrendo sob facilidades e dificuldades impostas pelas condições do espaço de cada sujeito, de cada grupo.

Foi nesse campo de luta que, na simultaneidade, cresceu e se desenvolveu o caráter do homem, tomaram forma as atitudes que moldaram as diferenças entre as pessoas e fizeram surgir a diversidade de nossa cultura: jeitos de ser, gosto, anseio, forma variada de pensar, modos de sentir, agir e reagir.

Esse é o homem da história, do mundo concreto que precisa ser cuidado.

Conhecer esse homem é possível. Ele se revela a partir de seus feitos. Pois, nesse fazer, enquanto realizamos os bens úteis para nossa sobrevivência, construímos nosso universo mental, a partir do qual nossa subjetividade ganha potência. Eis que surge aí a nossa alma, nossa Razão, a essência que nos faz ser homem, uma espécie de natureza distinta dos demais animais.

É mesmo a razão que nos torna capaz de ter consciência do que somos, por determinar nossa individualidade, reconhecer nossa conduta e nos qualificar como homens num reino animal sem história de si.

O homem, então, é história e é razão:
- É história porque tomou consciência do problema do tempo, ao se libertar do círculo estreito das necessidades e desejos imediatos, reconhecendo uma experiência anterior que lhe possibilitou a existência social e construiu um presente que passa a divisar um mundo novo à frente.

- É razão por se livrar dos preconceitos, dos mitos, das opiniões enraizadas, das aparências e conseguir estabelecer critérios universais, o que nos possibilita argumentar, rebater, discutir, levar a termo e concluir. O pensador Agostinho (354-430) nos ajuda nessa compreensão: Razão é o movimento da mente que pode distinguir e correlacionar tudo o que se aprende.

O homem como história e razão torna-se um patamar, uma base. É dessa base que nós imprimimos nossa caminhada na direção da imensurável e inesgotável abundância da realidade e o poder irrestrito do intelecto humano. É uma busca do infinito. Somos um caminhante do tempo. O círculo em que vivemos tem se ampliado no impulso das realizações concebidas sob influência de diferentes teorias.

Nesse universo de ideias, Max Scheler (1824-1928) declara que: Em nenhum outro período do conhecimento humano, o homem tornou-se mais problemático para si mesmo que em nossos próprios dias. Essa incerteza que dificulta saber quem somos deveu-se a capacidade que desenvolvemos para viver. Para além de nosso sistema receptor e de efetuador (os instintos), que são encontrados em todas as espécies de animais, ampliamos nosso poder quando passamos a utilizar de um sistema simbólico, estabelecendo uma nova dimensão para a realidade.

Agora o homem reconhece a existência de contingências externas e submete tudo a um lento e complicado processo de pensamento elaborado a partir de diferentes experiências vividas em cada canto do mundo.

O homem é história, é razão e é animal simbólico. Esse universo simbólico é a moldura que nos faz traçar caminhos, desenhar possibilidades, levando-nos a viver emoções imaginárias em esperanças e temores, ilusões e desilusões, em fantasia e sonhos.

Antônio Pereira Sousa
Mestre em História Social e escritor. Ilhéus – Bahia.



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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

SALGUEIRO: SAMBA-ENREDO PARA O CARNAVAL 2017

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original

COMPOSITORES: Marcelo Motta, Fred Camacho, Guinga do Salgueiro, Getúlio Coelho, Ricardo Neves e Francisco Aquino.

Ligue o vídeo abaixo 

Vou embarcar em ilusões

à loucura me entregar
prazer (ô prazer)


Sou poeta delirante, o amante

na profana liberdade
devoto da infernal felicidade
quero o gostoso veneno do beijo
saciar o meu desejo
me embriagar
nos braços da folia me jogar


Vou me perder pra te encontrar

enlouquecer, morrer de amar!
Pra que juízo, amor? A noite é nossa
do jeito que o pecado gosta!


Sinto minh´alma se purificar

vislumbrar
o paraíso, no firmamento
três com sagrados talentos
vê, estão voltando as flores…”
lá, onde ressoam tambores
toca batuqueiro, dobre o rum
aos presentes de orum
gira baiana e faz do céu um terreiro
tinge essa avenida de vermelho
é nossa missão, carnavalizar a vida
que é feita pra sambar!

Dessa paixão que encanta o mundo inteiro
Só entende quem é salgueiro
só entende quem é salgueiro

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TERRAS DE ITABUNA: A chegada do trem de ferro

A chegada do trem de ferro


          Olinto Leone teve as suas falhas, mas foi uma personalidade marcante na vida administrativa e política de Itabuna. Dotado de uma força de vontade incomum só deixou a chefia do Partido quando estava para morrer, minado por terrível enfermidade.

          Alimentava a impressão de que se finaria num dia treze e se acabou num dia vinte e nove.

          Antes de falecer, recomendou ao irmão Arlindo Leone que elegesse deputado estadual a Gileno Amado. Efetivamente, assim sucedeu. Nas eleições, que posteriormente se processaram, Gileno Amado, embora candidato avulso, se empossou deputado estadual.

          O município Itabunense começava a pesar na balança da produção de cacau, do desenvolvimento comercial e alguns desbravadores aventureiros principiavam a procurar as terras do seu oeste para explorarem a pecuária ao longo do rio Salgado e do vale do rio Colônia. Nesse ano, extraordinário melhoramento fez vibrar a terra e o seu povo, com uma nova força de cooperação aos que tanto penavam pela falta de transporte.

          O trem de ferro, como se dizia naquele tempo, apitou em Itabuna, resfolegou, estremecendo a terra, alegrando os meninos, impressionando as mocinhas, surpreendendo os velhos mateiros, afugentando os animais, deixando o passado, montado nos lombos dos animais e colocando a cidade nos trilhos, ao nível das terras servidas pelos transportes modernos.

          Naquele agosto de 1913, dera-se a inauguração oficial da estrada de ferro para servir aos vinte mil habitantes da nova terra do cacau. A civilização entrava pelas rodas das locomotivas, com aplausos de muitos e restrições de poucos. Esses poucos diziam: “Eu é que não vou trocar o meu cavalo bom por este cavalo de ferro”.

          Tertuliano Guedes de Pinho externava a sua opinião favorável, elogiava os ingleses, donos da estrada de ferro, sem pronunciar-lhe os nomes porque não acertava, não fazia como o Tourinho da farmácia, metido a letrado, e que dizia tudo errado, como Paulino Vieira que denominava a estrada do “Bento Berilo” e desses “ingrêses”.

          Havia opiniões contrárias à estrada de ferro. Henrique Félix e José de Aguiar eram formalmente adversários do trem de ferro,  que chamavam de invenção da “peste”. Da “peste” porque, pela estrada a polícia chegaria com mais facilidade e eles se dedicavam ao cangaço, possuíam jagunços, tomavam empreitadas, as mais desgraçadas, e temiam a polícia.

          No rio Cachoeira, uma criança pescava quando ouviu um rapaz dizer a uma moça: - Você gosta de mim? E a moça respondeu: - Gosto, sim. E combinaram para fugir no trem, no dia imediato.

          Realmente, foi aquele o primeiro casal que fugiu no trem de ferro da antiga Tabocas embalado por um amor do pecado e correndo das perseguições paternas. Ele era palhaço de circo, ela uma moça da sociedade.

          Ao saber da notícia, Henrique Félix exclamou: “Eu não disse que esta estrada só serve para fazer o mal?” – com o que concordou o seu comparsa amigo José de Aguiar.


(TERRAS DE ITABUNA)

Carlos Pereira Filho

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