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terça-feira, 16 de março de 2021

A MAIS EXCELENTE DAS VIRTUDES – Plinio Maria Solimeo

 A mais Excelente das Virtudes – Parte I

13 de março de 2021


Plinio Maria Solimeo

 

Uma expressão muito em voga antigamente, quando se via alguém maltratar outra pessoa ou mesmo um animal, era: “Que falta de caridade!”.

Na maioria das vezes, ao fazer esse comentário, muito pouca gente pensava na virtude da Caridade (com maiúscula), isto é numa das três Virtudes Teologais, assim chamadas porque têm como origem, motivo e objeto imediato o próprio Deus. As outras duas são a Fé e a Esperança. Essas virtudes são os três elementos essenciais da vida cristã e, por isso, São Paulo exorta os Tessalonicenses: “Tomemos por couraça a fé e a caridade, e por capacete a esperança da salvação” (Ts 5, 8).

A mais excelente das virtudes          

A caridade é assim definida: “A virtude teologal pela qual nós amamos a Deus sobre todas as coisas e o nosso próximo como a nós mesmos por amor de Deus”.

Ela é o “um mandamento novo” que Jesus apresentou aos Apóstolos: “Eis meu mandamento: Amai-vos uns aos outros, como eu vos tenho amado” (Jo 15, 12). “Como o Pai me amou, eu assim vos tenho amado. Permanecei em meu amor” (Jo 15, 9).

Amando-se uns aos outros, Seus discípulos imitam o amor que recebem de Jesus.

Com o fogo que lhe é próprio, o Apóstolo dos Gentios fala aos Coríntios sobre a excelência da virtude da Caridade: “Se eu falar as línguas de homens e de anjos, mas não tiver caridade, sou como bronze que soa ou címbalo que retine. E se possuir o dom de profecia, e conhecer todos os mistérios e toda a ciência, e alcançar tanta fé que chegue a transportar montanhas, mas não tiver caridade, nada sou. E se repartir toda minha fortuna, e entregar meu corpo ao fogo, mas não tiver caridade, isso nada me aproveita […]. Agora permanecem estas três coisas: fé, esperança e caridade. Porém, a mais excelente delas é a caridade” (1Cr 13, 1-4, 13).

Ele descreve ainda, de modo admirável, as características da caridade: “A caridade é paciente, a caridade é benigna; ela não é invejosa, a caridade não é jactanciosa, não se ensoberbece, não é descortês, não é interesseira, não se irrita, não guarda rancor; não se alegra com a injustiça, mas compraz-se na verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo tolera” (1Cr 13, 4-7).

Do mesmo modo, São Pedro, o Príncipe dos Apóstolos, em sua primeira Epístola, fala de um dos frutos da caridade: “Antes de tudo, mantende entre vós uma ardente caridade, porque a caridade cobre a multidão dos pecados” (1 Pe 4,8).

Caridade e amor sensível a Deus

A caridade, como virtude teologal, nos preceitua a amar a Deus acima de todas as coisas porque Ele é Deus, e a amar a nós mesmos e ao próximo por amor de Deus: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças” (Dt 6, 5).

É evidente que amar não significa amá-Lo com um máximo de intensidade, pois isso não é algo que esteja no nosso controle, pois depende da graça. Menos ainda significa a necessidade de sentir um amor a Deus mais sensível que o amor às criaturas. Pois estas, por mais imperfeitas que sejam, são visíveis a nós, e por isso apelam mais à nossa sensibilidade do que Deus, que é invisível: “Quem não ama o seu irmão a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê”. (1 Jo 4, 20). 

Segundo alguns exegetas, a expressão acima (“de todo o teu coração” etc.), foi escolhida pelo escritor sacro para elevar a caridade acima do baixo materialismo dos saduceus e do ritualismo formal dos fariseus da época.

Perde-se a caridade pelo pecado

Ao mesmo tempo, “amar a Deus acima de tudo” implica santidade de vida. É verdade que o homem é frágil, inconstante, ferido, obscurecido pelas paixões. Ele peca, e todos os seus pecados são falta de amor a Deus, mesmo quando ele não passa a odiar, em rebelião direta contra Ele com ódio de inimizade. Mas o pecado mortal nos faz perder a caridade e assim, a graça santificante.

Isto não ocorre com as outras duas virtudes teologais, a fé e a esperança, que podem subsistir mesmo depois de pecarmos e levar-nos ao arrependimento e à confissão. Este sacramento, recebido com as devidas disposições, nos permite readquirir a preciosa virtude da caridade.

Caridade e amor natural ao próximo

A própria razão nos diz que devemos amar nossos próximos, visto que são filhos de Deus, nossos irmãos, membros da mesma família humana, que têm a mesma natureza, dignidade, destino e necessidades que nós.

Mas esse amor natural ao próximo não é caridade, pois, conforme São Tomás, “caridade é amor; mas nem todo amor é caridade”.

A virtude da caridade é sempre sobrenatural, pois sempre tem a Deus como fim.

Por exemplo, quando uma pessoa assiste a um necessitado por causa das palavras de Cristo “o que fizerdes a um destes pequeninos, a mim o fazeis” (Mt 10,42; 25,40), está praticando um ato sobrenatural de caridade. Mas se o mesmo ato foi praticado por mera pena do pobre, e não pelo amor de Deus, o ato será de amor natural.

[Amanhã publicaremos a parte II deste artigo]

 

https://www.abim.inf.br/a-mais-excelente-das-virtudes-parte-i/

 

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A mais excelente das virtudes–PARTE II

14 de março de 2021



O Bom Samaritano. Xilogravura segundo desenho do pintor alemão Julius Schnorr von Carolsfeld (1794 – 1872).

Plinio Maria Solimeo

 

A obrigação de praticar atos de caridade em relação ao próximo é preceituada pela Revelação. Há vários textos da Sagrada Escritura que no-lo obriga, como as palavras do próprio Cristo: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” e “faça aos outros o que quer que lhe façam”.

Da caridade deflui a misericórdia, que nos inclina a ter compaixão das misérias de nosso próximo, considerando-as em certa medida como nossas. Isso de tal modo que, o que lhe causa tristeza, do mesmo modo nos entristece. A misericórdia é assim a virtude por excelência entre todas aquelas que se referem ao nosso próximo. O próprio Deus manifesta misericórdia em um grau extremo tendo compaixão de nós.

Caridade e misericórdia

Daí a necessidade que temos de praticar as obras de misericórdia, que são as que visam o bem espiritual ou corporal do nosso próximo. Elas se dividem em espirituais e corporais.

A maior parte das pessoas se empenham em praticar as obras de misericórdia corporais, levadas por mero sentimentalismo ou por uma pena genuína, mas puramente humana, que sente pelos necessitados. Entretanto, descuidam das obras espirituais, das quais muitas vezes o próximo está mais necessitado delas do que das primeiras.

O Catecismo de São Pio X nos indica quais são elas:

Obras de misericórdia espirituais

dar bom conselho;

ensinar os ignorantes;

corrigir os que erram;

consolar os aflitos;

perdoar as injúrias;

sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo

rogar a Deus por vivos e defuntos.

As sete obras de misericórdia corporais são as que cuidam das necessidades físicas de nosso próximo:

dar de comer a quem tem fome;

dar de beber a quem tem sede;

vestir os nus;

dar pousada aos peregrinos;

assistir aos enfermos;

visitar os presos;

enterrar os mortos.

O óbolo da viúva e o Bom Samaritano


A esmola feita pelo amor de Deus é uma obra tão boa e tão meritória, que atrai o olhar de Deus, como visto na cena do óbolo da viúva 
[quadro ao lado] em São Lucas, (21, 1 a 4): “Os demais deitaram, para as oferendas de Deus, daquilo que lhes sobrava, ao passo que esta, da sua indigência, deitou tudo o que tinha para seu sustento”.

Entretanto, o mais belo exemplo de obra de misericórdia corporal é dado pelo próprio Divino Mestre na parábola do Bom Samaritano [quadro no topo], o quadro mais belo e mais perfeito do amor ao próximo.

Sobre ela diz o ilustre arcebispo de São Paulo D. Duarte Leopoldo e Silva em sua sempre atual Concordância dos Santos Evangelhos:

“O samaritano vê um homem prostrado em terra, mortalmente ferido. Para ter o amor do próximo, para praticar esta virtude, é preciso primeiro ver, e não desviar os olhos da miséria que se nos apresenta. Não basta: é preciso ainda saber ver, deter-se um instante no caminho, considerar e compreender os males alheios, e não fazer como o sacerdote e o levita, que viram e passaram. Depois, é preciso ter dó, mover-se à compaixão, aproximar-se, pelo coração, daqueles que sofrem, não limitar-se a uma compaixão estéril, mas imitar o Samaritano, dar como ele, em favor do próximo, tempo, dinheiro, trabalho, a sua própria pessoa, em uma palavra, dedicar-se”.

Inveja: pecado grave contra a caridade

Sendo que a caridade consiste em amar a Deus sobre todas as coisas, o pecado que é diametralmente oposto a ela é o ódio a Deus. Esse ódio, quando chega ao seu auge, leva a pessoa a adorar o próprio Satanás. É o maior pecado que um homem pode cometer. O ódio evidentemente tem graus, que vão se manifestando num ódio sucessivo à Igreja, à Religião, e até aos bons. Quando é dirigido a estes, é um grande pecado que resulta de uma profunda desordem interna.

Mas, na ordem prática, o pior pecado contra o próximo é a inveja, que também é diretamente oposta à caridade cristã. Diz a respeito o grande moralista espanhol, Pe. Antonio Royo Marin O.P.:

“A inveja é oposta à alegria espiritual (que pode existir ao mesmo tempo com a tristeza, porque não gozamos ainda da perfeita posse de Deus, como teremos na visão beatífica) é ocasionada pelo bem do nosso próximo. É um horrível pecado que entristece a alma por causa do bem visto em outrem, não porque esse bem particular nos ameaça, mas porque é visto como algo que diminui nossa própria glória e excelência. De si, é um pecado mortal contra a caridade, que nos ordena regozijar-nos com o bem de nosso próximo […]. Da inveja, como um vício capital, procedem o ódio, a murmuração, difamação, prazer nas adversidades do próximo, e tristeza por sua prosperidade”.

Resumindo, diz o Pe. Royo Marin:

“Devemos amar primeiro Deus, que é a fonte de toda felicidade; depois, nossa própria alma, que participa diretamente da infinita felicidade; em terceiro lugar, nosso próximo, tanto homens quanto anjos, que são companheiros de nossa felicidade; e por último, nossos corpos, sobre os quais redunda a glória da alma, e mesmo coisas irracionais tanto quanto elas possam estar relacionadas com o amor e a glória de Deus. A caridade é a virtude ‘par excellence’ que abraça o Céu e a Terra”.

 

https://www.abim.inf.br/a-mais-excelente-das-virtudes-parte-i-2/

 

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segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

PARA ESSES DIAS ATERRORIZADORES… Frases


“A Paz carregada num carro de Guerra” – Monumento em Londres, o “Arco de Green Park”, para comemorar as vitórias britânicas nas Guerras Napoleônicas.

  12 de janeiro de 2020

Para esses dias aterrorizadores, com ameaças de conflitos que poderiam envolver várias nações, seguem algumas frases para refletirmos: 


“Não se busca a paz para provocar a guerra, mas faz-se a guerra para conseguir a Paz”. 
(Santo Agostinho)

“Si vis pacem, para bellum” (se queres a paz, prepara-te para a guerra). 
(Provérbio Latino)

“Apenas ameaçai com a guerra, e tereis paz; vejam-vos preparados para usar a força, e eles mesmos restaurarão o direito”. 
(Tito Lívio)

“Pior do que a guerra é o próprio medo da guerra”. 
(Sêneca)

“Se quisermos gozar da paz, é preciso fazer a guerra”. 
(Cícero)

“A guerra é a continuação da política por outros meios”. 
(Clausewitz)

“Tínheis a escolher entre a vergonha e a guerra. Escolhestes a vergonha, e tereis a guerra”. 
(Churchill)





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quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

DOM CESLAU STANULA: Virtudes Morais ou Cardeais

01/12/2017

Entre as virtudes morais ou cardeais, no primeiro lugar se coloca a prudência. “É a virtude que dispõe a razão prática a discernir os meios adequados para realiza-lo” 1 Ped 4,7.

S. Tomás de Aquino diz: “a prudência é a regra certa de ação” (S.Th II-II,45,2). O homem prudente decide e ordena sua conduta segundo este juízo. Graças a esta virtude aplicamos sem erro os princípios morais aos casos particulares e superamos as dúvidas sobre “o bem a praticar e o mal a evitar” (CIC1806). Isto que nos ensina o Catecismo Católico. A prudência é a virtude mãe de todas as virtudes.

Não existe nada no mundo que possa ser bem realizado sem o devido equilíbrio que nos proporciona a virtude da prudência. A prudência é a mãe de todas as virtudes.
Peçamos a Deus este grande dom da VIRTUDE DA PRUDÊNCIA.
Com a bênção e oração.
Dom Ceslau.
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03/12/2017
Outra virtude cardeal ou moral é
 a Justiça.

O Catecismo da Igreja Católica define: “A justiça é a virtude moral que consiste na vontade constante e firme de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido”.  E continua “A justiça para com Deus se chama a ’virtude da religião’”. Para com os homens ela nos dispõe a “respeitar os direitos de cada um e estabelecer as relações humanas que promovem a equidade em prol das pessoas e do bem comum” (1807).

A justiça regula nossa convivência, possibilita o bem comum, defende a dignidade humana, respeita os direitos humanos. É da justiça que brota a paz. Sem a justiça nem o amor é possível. É a virtude da vida comunitária e social que se rege pelo respeito à igualdade da dignidade das pessoas.

Da justiça vem a gratidão, a religião, a veracidade. Não se pode construir o castelo da caridade sobre as ruínas da justiça. Pelo contrário, o primeiro passo do amor é a justiça, porque amar é querer o bem do outro. A justiça é imortal (Sab 1,15).

Esta virtude trata de nossos direitos e nossos deveres e diz respeito ao outro, à comunidade e à sociedade. (Canção Nova).

Reflexão: com estes pensamentos iniciemos o Advento; a preparação para a Vinda do Senhor. 
Com a bênção e oração. Boa noite.
Dom Ceslau

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04/12/2017

A virtude de
Fortaleza faz-nos fortes no bem, na fé, no amor.
 
O Catecismo assim a define: “E a virtude moral que dá segurança nas dificuldades, firmeza e constância na procura do bem. Ela firma a resolução de resistir às tentações e superar os obstáculos na vida moral” (1808). Leva-nos a perseverar nas coisas difíceis e árduas, a resistir à mediocridade, a evitar rotina e omissões.
Pela fortaleza vencemos a apatia, a acomodação e abraçamos os desafios e a profecia. É virtude dos profetas, dos heróis, dos mártires e dos pobres. A fortaleza dos mártires e a ousadia dos apóstolos, como também a força dos pequenos e dos fracos é um sinal do dom da fortaleza na vida humana e na história da Igreja.
Grandes são os conflitos humanos, porém maior é a força para superá-los.  “No mundo tereis tribulações, mas tende coragem. Eu venci o mundo”! (Jo 16,33).
 

Meditação: Neste Advento reveja o filme da sua vida: as lutas, vitórias... Agradeça a Deus por tudo isto.
Com a bênção e oração. Boa Noite.
Dom Ceslau.
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05/12/2017

A virtude da Temperança
É definida no Catecismo Católico como: “Virtude moral que modera as atrações pelo prazer e procura equilíbrio no uso dos bens criados”. (1809).
É o auto-controle, auto-domínio, renúncia, moderação. A temperança ordena afetos, domestica os instintos, sublima as paixões, organiza a sexualidade, modera os impulsos e apetites. Abre o caminho para a continência, a castidade, a sobriedade, o desapego.
É próprio da temperança o cuidado conosco mesmo, com os outros e com a natureza. A temperança não permite que sejamos escravos, mas livres e libertadores e nos encaminha para o cumprimento dos deveres e para a maturidade humana. Sem renúncia não há maturidade. Grande fruto da renúncia é a alegria e a paz.

Estas são as virtudes chamadas cardeais. A meditação sobre as mesmas torna mais madura a fé e cristaliza o caráter da pessoa.  O advento é o tempo de vigilância dinâmica na espera do Senhor da Vida.

Ofereço uma benção e presente de oração. 

Uma noite de paz e tranquilidade. O Anjo da Guarda vela sobre você.
Dom Ceslau

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06/12/2017

A vida cristã e a pratica das virtudes está sustentada com a força do Espírito Santo.
Nós acreditamos no Espírito Santo como Deus santificador e que nos conduz nesta terra para a eternidade, Para isto recebemo-lo na Crisma, o sacramento pouco lembrado na vida cotidiana. Ele age em nós pelos seus dons, que são disposições permanentes que tornam a pessoa dócil para seguir os seus impulsos. Estes são: sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. Estes dons completam e levam a perfeição as virtudes daqueles que os receberam. (Veja CIC 1831).
Graças a ação do Espírito Santo, pelos seus dons podemos produzir os frutos, que são chamados também frutos do Espírito Santo que são: “caridade, alegria, paz, paciência, longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência e castidade” (Gal 5,22-23).

Reflexão:
O mais lindo presépio que podemos oferecer para Jesus é o nosso coração sincero e aberto para Deus, o próximo e a nós mesmos.
Com a bênção e oração na sua intenção. Boa Noite.
Dom Ceslau.


Enviado do meu smartphone Samsung Galaxy.
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Dom Ceslau Stanula – Bispo Emérito da Diocese de Itabuna-BA, escritor, Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

A LEI E OS DRAMAS HUMANOS - João Baptista Herkenhoff

A lei e os dramas humanos


O jurista não lida com pedras de um xadrez, mas com pessoas, dramas e angústias humanas


          Em outros tempos o cidadão comum supunha que o território do Direito e da Justiça fosse cercado por um muro. Só os iniciados – os que tinham consentimento dos potentados – poderiam atravessar a muralha. O avanço da cidadania, nos últimos tempos de Brasil, modificou substancialmente este panorama.

           O mundo do Direito não é apenas o mundo dos advogados e outros profissionais da seara jurídica. Todas as pessoas, de alguma forma, acabam envolvidas nisto que poderíamos chamar de "universo jurídico".  Daí a legitimidade da participação do povo nessa esfera da vida social.

           Cidadãos ou profissionais, todos estamos dentro dessa nau. De minha parte foi como profissional que fiz a viagem.
Comecei como advogado, integrei depois o Ministério Público. Após cumprir o rito de passagem, vim a ser Juiz de Direito porque a magistratura era mesmo o meu destino. Eu seria juiz no Espírito Santo, como juiz foi, não no Espírito Santo, meu avô pernambucano – Pedro Carneiro Estellita Lins. Esse avô, estudioso e doce, exerceu tamanho fascínio sobre mim que determinou a escolha profissional que fiz.

            Meu caminho, nas sendas do Direito, foi marcado de sofrimento em razão de conflitos íntimos.

            Sempre aprendi que o juiz está submetido à lei. E continuo seguro de que este princípio é verdadeiro. Abolíssemos a lei como limitação do poder e estaria instaurado o regime do arbítrio.

            Não obstante a aceitação de que o "regime de legalidade" é uma conquista do Direito e da Cultura, esta premissa não deve conduzir à conclusão de que os juízes devam devotar à lei um culto idólatra.

            Uma coisa é a lei abstrata e geral. Outra coisa é o caso concreto, dentro do qual se situa a condição humana.

            À face do caso concreto a difícil missão do juiz é trabalhar com a lei para que prevaleça a Justiça.

            Não foram apenas os livros que me ensinaram esta lição, mas também a vida, a dramaticidade de muitas situações.

            Há uma hierarquia de valores a ser observada.

            Não é num passe de mágica que se faz a travessia da lei ao Direito. Muito pelo contrário, o caminho é difícil. Exige critério, sensibilidade e ampla cultura geral ao lado da cultura simplesmente jurídica.

            O jurista não lida com pedras de um xadrez, mas com pessoas, dramas e angústias humanas. Não é através do manejo dos silogismos que se desvenda o Direito, tantas vezes escondido nas roupagens da lei. O olhar do verdadeiro jurista vai muito além dos silogismos.

            Da mesma forma que os cidadãos em geral não podem fechar os olhos para as coisas do Direito, o estudioso do Direito não pode limitar-se ao estreito limite das questões jurídicas. O jurista que só conhece Direito acaba por ter do próprio Direito uma visão defeituosa e fragmentada.

             Estamos num mundo de intercâmbio, diálogo, debate.

             Se quisermos servir ao bem comum, contribuir com o nosso saber para o avanço da sociedade, impõe-se que abramos nosso espírito a uma curiosidade variada e universal.


João Baptista Herkenhoff, 81 anos, magistrado aposentado, é Professor da Faculdade Estácio de Sá de Vila Velha (ES) e escritor. Autor do livro Dilemas de um juiz: a aventura obrigatória (Rio, GZ Editora, 2009).



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sábado, 18 de fevereiro de 2017

ENTENDA A ESTRATÉGIA DE CUNHA NA JUSTIÇA AO ENVOLVER TEMER E MOREIRA FRANCO

17/02/2017
Malu Delgado

Pedro Ladeira/Folhapress 
Cunha enviou 19 perguntas a serem feitas para Michel Temer e Moreira Franco


Ao arrolar Michel Temer e Moreira Franco como testemunhas, ex-deputado cria constrangimentos, eleva tensão no meio político e tenta barganhar com Ministério Público condições melhores para sua delação premiada.

Quem conviveu com Eduardo Cunha (PMDB-RJ) como parlamentar e presidente da Câmara tem relatos impressionantes sobre sua memória, perspicácia, inteligência e refinada articulação política.

O mesmo ocorre agora, quando, réu da Operação Lava Jato, preso desde outubro do ano passado em Curitiba, o deputado cassado surpreende renomados criminalistas ao traçar estratégias de sua própria defesa e mostrar conhecer detalhes dos processos dos quais é réu.
REUTERS/Adriano Machado
Temer (à esq.) poderá responder por escrito; Moreira Franco terá de depor a um juiz

As 19 perguntas de Cunha para Temer e Moreira Franco

Ao apresentar 19 perguntas nesta quinta-feira (16) para as testemunhas que arrolou como defesa, desta vez na Justiça Federal em Brasília, Cunha mexeu importantes peças do jogo. Suas testemunhas serão o presidente Michel Temer e o agora ministro Moreira Franco, seus colegas de partido de longa data.

No mundo da política, a estratégia de defesa soou como uma ameaça. Este caso sob investigação em Brasília, do qual Cunha é réu, refere-se a um fundo de investimentos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, o FI-FGTS. Criado em 2007, esse fundo aplica recursos do FGTS "na construção, reforma, ampliação ou implantação de empreendimentos de infraestrutura em rodovias, portos, hidrovias, ferrovias, aeroportos, energia e saneamento". Moreira Franco controla, no governo, exatamente o setor das parcerias privadas com o poder público.

Rastilho de pólvora

Desde que foi preso, paira em Brasília um certo pânico, em especial no PMDB e no Palácio do Planalto, sobre os efeitos de uma eventual delação premiada de Cunha.

"Ele não fez nenhuma pergunta cuja resposta não saiba. A intenção dele é exatamente essa: dizer que ele sabe as respostas. Isso é brilhante. O que ele fez foi brilhante. É lógico que ele espalhou a pólvora", opina o advogado Roberto Tardelli, procurador de Justiça aposentado.

Crítico das delações premiadas, Tardelli compara Cunha a um enxadrista experiente que deu xeque-mate no rei. Deixa no ar a possibilidade de trazer Temer para o olho do furacão caso negocie com o Ministério Público uma delação premiada.

"Ele tornou pública a ameaça de que vai envolver o presidente da República", analisa o ex-procurador. A jogada é audaciosa, na opinião do advogado, e de certa maneira Cunha tomou o baralho das mãos dos investigadores. "Quem está dando as cartas é ele."

O preço e o timing da delação

Para Thiago Bottino, professor de direito penal da Fundação Getúlio Vargas do Rio, não se pode entender as perguntas como uma espécie de delação às avessas, em que Cunha antecipa alguns fatos sobre os quais poderia ter conhecimento.

"A premissa da delação é a pessoa confessar que praticou um crime e mostrar que outras pessoas também praticaram, e cuja participação não é de conhecimento do Ministério Público, fornecendo provas. Cunha não está confessando que cometeu crime."

Porém, Bottino aponta que o ex-deputado pode estar jogando com o timing e barganhando para obter uma delação premiada mais vantajosa.

"O Ministério Público pode não ter oferecido a delação a Cunha porque não sabe exatamente o que vai pedir. E Cunha pode não ter se manifestado pela colaboração porque acha que, se colaborar agora, teria menos benefícios. Os dois lados agem por estratégia."

As perguntas e as testemunhas arroladas, para o professor, podem ter no meio jurídico um efeito muito distinto do que produzem no meio político. Ele pontua, por exemplo, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva arrolou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, seu rival na política, como testemunha de defesa. O objetivo de Lula era que FHC informasse que é normal fundações de ex-presidentes receberam doações.

Modus operandi

No caso de Cunha, segundo Bottino, há algo também nessa linha. Pelas perguntas formuladas, Cunha quer deixar claro ao juiz que é um procedimento normal, na política, um parlamentar ter encontro com empreiteiros, por exemplo.

"As perguntas podem constranger políticos e aliados? Podem.
Mas não é bem uma delação. O que ele está querendo dizer é que nem ele nem aquelas pessoas que ele cita cometeram crimes. Agora, se ele vai convencer o juiz e a opinião pública, aí são outros quinhentos", pondera o professor.

De fato, em boa parte de seus questionamentos, Cunha pede que Temer e Moreira Franco falem sobre encontros e indicações políticas para cargos.

"Várias defesas são nesta linha, de mostrar que é como sempre foi feito. É um padrão, tinha indicação política e não necessariamente aquilo era um esquema. Você indicou fulano? Você participou da reunião onde foi definido o nome de fulaninho para direção de tal coisa?", exemplifica o professor da FGV.

Consequências

Temer e Moreira Franco são obrigados a dar seu testemunho. O presidente tem a prerrogativa de fazê-lo por escrito. Moreira Franco, por ser ministro, pode definir o dia, local e hora para o depoimento. Cabe ao juiz deferir ou indeferir as perguntas.

O juiz Sérgio Moro, por exemplo, já ignorou parte de perguntas que Cunha fez em outro processo a Temer sob o argumento de que ele quis constranger o presidente.

O juiz que vai conduzir o processo em Brasília, segundo os especialistas, fica em posição delicada. "O juiz pode ignorar essas perguntas sobre fatos que dão a entender sobre suposto envolvimento do presidente da República com organização criminosa e corrupção?", questiona Tardelli. Bottino critica a decisão de Moro.

O juiz pode rejeitar as perguntas caso conclua que não têm relação com a causa, caso redundem em repetição ou caso possam levar a uma indução da resposta. Neste caso, explica, o juiz pode pedir a reformulação da pergunta.

"O juiz deveria dar liberdade às partes perguntarem. Se ele impede a pergunta, antes de ela ser feita, como vai dizer se é importante ou não? A rigor, quem tem que produzir as provas são as partes, e não o juiz. Se ele diz que essa pergunta não interessa, no fundo ele que está produzindo a prova. E isso é o oposto do que o código orienta", afirma, numa crítica a Moro.



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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

"PROFESSOR REPROVA A TURMA INTEIRA"

Um professor de economia em uma universidade americana disse que nunca havia reprovado um só aluno, até que certa vez reprovou uma classe inteira.

Essa classe em particular havia insistido que o socialismo realmente funcionava: com um governo assistencialista intermediando a riqueza ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e justo.

O professor então disse:
"Ok, vamos fazer um experimento socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas nas provas."

Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto seriam 'justas'. Todos receberão as mesmas notas, o que significa que, em teoria, ninguém será reprovado, assim como também ninguém receberá um "10".

Após calculada a média da primeira prova todos receberam "7".

Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.

Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Já aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas. Como resultado, a segunda média das provas foi "4".

Ninguém gostou...

Depois da terceira prova, a média geral foi um "1".

As notas não voltaram a patamares mais altos mas, as desavenças entre os alunos, a busca por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe.

A busca por 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e o senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma.

No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala...

Portanto, todos os alunos repetiram aquela disciplina...

Para sua total surpresa, o professor explicou:

"O experimento socialista falhou porque quando a recompensa é grande o esforço pelo sucesso individual é grande". Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros para dar aos que não batalharam por elas, então ninguém mais vai tentar ou querer fazer seu melhor.
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Tão simples quanto o exemplo de Cuba, Coréia do Norte, Venezuela...

E o Brasil e a Argentina, estão chegando lá"...

1. Você não pode levar o mais pobre à prosperidade apenas tirando a prosperidade do mais rico;

2. Para cada um recebendo sem ter que trabalhar, há uma pessoa trabalhando sem receber;

3. O governo não consegue dar nada a ninguém sem que tenha tomado de outra pessoa;

4. Ao contrário do que prega o socialismo, é impossível multiplicar as riqueza tentando dividi-las;

5. Quando metade da população entende a ideia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.

É o mais puro retrato do Brasil .

Não acabe com o nosso país.

Faça a sua parte, repasse esta informação.

Ensine aos ignorantes o que realmente é o socialismo...

É um buraco sem volta!

(True story).

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Enviado do meu smartphone Samsung Galaxy.

(... sem menção de autoria)

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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

ALUNO QUE PROCESSOU PROFESSOR POR TER TOMADO CELULAR EM SALA DE AULA PERDE CAUSA NA JUSTIÇA

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Aluno que processou professor perde causa na justiça
O juiz Eliezer Siqueira de Sousa Júnior, da 1ª Vara Cível e Criminal de Tobias Barreto, no interior do Sergipe, (em 2014) julgou improcedente um pedido de indenização que um aluno pleiteava contra o professor que tomou seu celular em sala de aula.
De acordo com os autos, o educador tomou o celular do aluno, pois este estava ouvindo música com os fones de ouvido durante a aula.
O estudante foi representado por sua mãe, que pleiteou reparação por danos morais diante do "sentimento de impotência, revolta, além de um enorme desgaste físico e emocional".
Na negativa, o juiz afirmou que "o professor é o indivíduo vocacionado a tirar outro indivíduo das trevas da ignorância, da escuridão, para as luzes do conhecimento, dignificando-o como pessoa que pensa e existe”. O magistrado se solidarizou com o professor e disse que "ensinar é um sacerdócio e uma recompensa. Hoje, parece um carma". Eliezer Siqueira ainda considerou que o aluno descumpriu uma norma do Conselho Municipal de Educação, que impede a utilização de celular durante o horário de aula, além de desobedecer, reiteradamente, o comando do professor.
Ainda considerou que não houve abalo moral, já que o estudante não utiliza o celular para trabalhar, estudar ou qualquer outra atividade edificante.
E declarou:
"Julgar procedente esta demanda, é desferir uma bofetada na reserva moral e educacional deste país, privilegiando a alienação e a contra educação, as novelas, os reality shows, a ostentação, o ‘bullying intelectivo', o ócio improdutivo, enfim, toda a massa intelectivamente improdutiva que vem assolando os lares do país, fazendo às vezes de educadores, ensinando falsos valores e implodindo a educação brasileira”.
Por fim, o juiz ainda faz uma homenagem ao professor:
"No país que virou as costas para a educação e que faz apologia ao hedonismo inconsequente, através de tantos expedientes alienantes, reverencio o verdadeiro herói nacional, que enfrenta todas as intempéries para exercer seu múnus com altivez de caráter e senso sacerdotal: o Professor."
ISTO DEVERIA SER LIDO EM TODAS AS SALAS DE AULA DO BRASIL E POR TODOS OS BRASILEIROS!
(Recebi por e-mail, sem menção de autoria)
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NOTA: Juiz capixaba que em sentença reconheceu o valor dos professores brasileiros recebe título de cidadão sergipano.
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