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domingo, 21 de novembro de 2021

PALAVRA DA SALVAÇÃO (246)


Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo | Domingo, 21/11/2021


Anúncio do Evangelho (Jo 18,33b-37)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós!

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.

— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, Pilatos chamou Jesus e perguntou-lhe: “Tu és o rei dos judeus?” Jesus respondeu: “Estás dizendo isto por ti mesmo ou outros te disseram isto de mim?”

Pilatos falou: “Por acaso sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste?”

Jesus respondeu: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui”.

Pilatos disse a Jesus: “Então tu és rei?”

Jesus respondeu: “Tu o dizes: eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

http://liturgia.cancaonova.com/pb/

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Ligue o vídeo abaixo, e acompanhe a reflexão de Dom Sérgio Aparecido – Bispo da Diocese de Bragança Paulista SP:


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VOCÊ NASCEU PARA SER REI

 


João 18,33-37

        É muito importante que tenhamos uma pequena ideia do momento e do porquê desta festa ter sido instituída. Era Pio XI em 1925, quando a Igreja perdia o seu poder e o seu prestígio assolado pela modernidade. COM ESTA FESTA, foi feita uma tentativa de recuperar o terreno perdido para um mundo secular, laicista e descrente. A ENCÍCLICA DÁ AS RAZÕES PARA INSTITUIR A FESTA: “RECUPERAR O REINO DE CRISTO E DA SUA IGREJA”. Para um papa daquela época, era inaceitável que as nações fizessem suas leis fora da Igreja.

      É uma grande alegria e esperança para mim descobrir numa homilia nesta festa do Papa Francisco uma visão muito mais conforme com o evangelho. pio XI fala em recuperar o poder de Cristo e de sua Igreja. o papa Francisco fala repetidamente de Jesus e a sua igreja se colocando a serviço dos mais desfavorecidos. Não se trata de uma mudança de linguagem, mas de uma superação da IDEIA DE PODER em que a igreja viveu durante tantos séculos. A mudança deve ser aceita e promovida por todos os cristãos.

     O contexto do evangelho, que lemos, é o julgamento perante Pilatos, após as negações de Pedro, onde fica claro que Pedro não era rei de si mesmo nem sincero. É muito improvável que o diálogo seja histórico, mas está nos transmitindo o que comunidade muito avançada dos finais do século I (100anos após a morte de Jesus) PENSAVA SOBRE JESUS. Duas breves frases colocadas na boca de Jesus podem nos dar o fio condutor para a reflexão: “o meu Reino não é deste mundo” e “para isso vim, para ser testemunha da verdade”.

      O que significa um Reino que não é deste mundo? É uma expressão que não podemos "compreender" por que todos os conceitos que podemos usar são deste mundo. O que nós, cristãos, pensamos quando, depois dessas palavras, nomeamos Cristo Rei, não apenas do mundo, mas do universo? com o evangelho em mãos, é muito difícil justificar o poder absoluto que a igreja exerceu durante séculos.

       Talvez possamos encontrar uma pista na outra frase: "Vim para testemunhar a verdade." Mas somente se não entendermos a VERDADE como verdade lógica (adequação de uma formulação racional à realidade), mas sim como verdade ontológica, isto é, como a adaptação de um ser ao que deveria ser de acordo com sua natureza. Jesus sendo autêntico, sendo verdadeiro, é o verdadeiro Rei. mas o que o seu verdadeiro ser (Deus) lhe pede é que se ponha a serviço de todos os que dele precisam, não impor nada aos outros.

 

        Não se trata de morrer para defender uma doutrina. É sobre morrer pelo homem. Trata-se de testemunhar o que o homem é em sua verdadeira realidade. O “Filho do homem” (o único título que Jesus aplica a si mesmo), nos dá a chave para entender o que ele pensava de si mesmo. Ele se considera o homem autêntico, o modelo de homem, o homem acabado, o homem verdadeiro. Sua intenção é que todos se identifiquem com ele. Jesus é a referência para quem deseja manifestar a verdadeira qualidade humana.

       Pilatos leva Jesus para fora, após ser açoitado, e diz à multidão: "Este é o homem". Jesus não é apenas o modelo do homem e exige que seus seguidores correspondam ao modelo que veem nele. JESUS DIZ SOU REI, ELE NÃO DIZ EU SOU O REI. indicando assim que todo aquele que se identifica com ele também será rei. essa é a meta que deus deseja para todos os seres humanos. Rei do poder, só pode haver um. REIS SERVIDORES DEVEMOS SER TODOS. Não se trata de um homem reinando sobre outro, mas de um Reino onde todos se sentem reis.

      Quando os hebreus (nômades) entram em contato com as pessoas que viviam nas cidades, descobrem as vantagens daquela estrutura social e pedem a Deus um rei. Os profetas interpretaram isso como uma traição (o único rei de Israel é Deus). O rei era quem cuidava de uma cidade ou de um pequeno grupo de vilas. Ele era o responsável pela ordem; Ele os defendia dos inimigos, cuidava da comida, fazia justiça... o Messias esperado sempre respondeu a esta dinâmica. os seguidores de Jesus não aceitaram uma mudança tão radical.

       Somente neste contexto podemos entender a pregação de Jesus sobre o Reino de Deus. No entanto, o conteúdo que ele oferece é mais profundo. No tempo de Jesus, o futuro Reino de Deus era entendido como uma vitória do povo judeu sobre os gentios e uma vitória dos bons sobre os maus. Jesus prega um reino de deus do qual ninguém será excluído. o reino que jesus anuncia nada tem a ver com as expectativas dos judeus da época. infelizmente, também não tem nada a ver com as expectativas dos cristãos hoje. (belas igrejas e os pobres e oprimidos relegados a um segundo plano)

       Jesus, no deserto, percebeu o poder como uma tentação: “Eu te darei todo o poder destes reinos e sua glória”. Em João, após a multiplicação dos pães, a multidão quer proclamá-lo rei, mas ele foge sozinho para a montanha. Toda a pregação de Jesus gira em torno do "Reino"; mas não é seu reino, mas de Deus. Jesus nunca se propôs como objeto de sua pregação. É um erro confundir o Reino de Deus com o reino de Jesus. Maior disparate é querer identificá-lo com a Igreja, que era o que pretendia esta festa.

       A característica fundamental do reino pregado por Jesus é que ele já está aqui, embora não se identifique com as realidades do mundo. não devemos esperar por um tempo escatológico, mas ele já começou. “Não se dirá, é aqui ou ali, porque vejam: o reino de Deus está entre vocês. “Não se trata de preparar um reino para Deus, é sobre um reino que é Deus. Quando dizemos  ”a paz reina", não estamos dizendo que a paz tem reino, trata-se de tornar deus presente entre nós, ser o que devemos ser.

        Qualquer conotação que o título tenha com PODER deturpa a mensagem de Jesus. uma coroa de ouro na cabeça e um cetro de diamantes nas mãos são muito mais degradantes do que a coroa de espinhos. Se não percebemos isso, estamos projetando nossos próprios anseios de poder em Jesus. nem o "Deus todo-poderoso" nem o "Cristo do grande poder" não têm absolutamente nada a ver com o Evangelho.

        Jesus nos disse: quem quiser ser o primeiro, seja o último e quem quiser ser grande, seja servo. Esse desejo de identificar Jesus com poder e glória é uma forma de justificar nosso desejo de poder. Nosso eu (ego), sustentado pela razão, não vê futuro senão se potencializar ao máximo. Visto que não gostamos do que Jesus diz, tentamos por todos os meios fazê-lo dizer o que nos interessa. Isso é o que sempre fizemos com as Escrituras. 

 

Meditação

Jesus está falando da autenticidade de seu ser. Falso é tudo o que parece ser o que não é. Ser verdade é ser o que somos, sem falsificá-lo.

O objetivo da sua vida é descobrir o seu VERDADEIRO EU (imagem e semelhança de Deus) e manifestá-lo em todos os momentos.

 

FREI MARCOS

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sexta-feira, 19 de novembro de 2021

19 DE NOVEMBRO >> Dia da Bandeira do Brasil



HINO À BANDEIRA

Letra de Olavo Bilac / Música de Francisco Braga

 

Salve, lindo pendão da esperança, 

Salve, símbolo augusto da paz!

Tua nobre presença à lembrança

A grandeza da Pátria nos traz.

 

Recebe o afeto que se encerra

Em nosso peito juvenil,

Querido símbolo da terra,

Da amada terra do Brasil!

 

Em teu seio formoso retratas

Este céu de puríssimo azul,

A verdura sem par destas matas,

E o esplendor do Cruzeiro do Sul.

 

Contemplando teu vulto sagrado

Compreendemos o nosso dever

E o Brasil por seus filhos amado

Poderoso e feliz há de ser

 

Sobre a imensa Nação Brasileira

Nos momentos de festa ou de dor

Paira sempre, sagrada bandeira

Pavilhão de Justiça e Amor!


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ABOLIÇÃO - Cyro de Mattos

 




Abolição

Cyro de Mattos


 

 Na zoeira do terreiro

batucam que batucam

tambores sem cambão.

 

Trepidam nesses punhos

o suor, a lágrima, o sangue

nos rastros do negro fujão.

 

Todos batem nesse tambor,

pode até não ser de fato

a tão esperada abolição.

 

Mas é o começo duma hora

que se faz tão grandiosa

como o verde na amplidão.

 

 África agora é uma só voz

na esperança das manhãs

sem o ferro do vilão.

  

Cyro de Mattos é jornalista, cronista, contista, romancista, poeta e autor de livros para crianças. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia, Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras de Itabuna. Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz.

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quinta-feira, 18 de novembro de 2021

COMO ENFRENTAR AS CRISES – Pe. David Francisquini


Pe. David Francisquini *

Quão ricos e tocantes se nos afiguram os ensinamentos do Nosso divino Redentor em forma de modelares parábolas. Bons tempos em que todos os brasileiros as conheciam das narrações feitas dos púlpitos das igrejas. Era a parábola do bom samaritano, a do semeador, a do joio e do trigo, a do grão de mostarda, a da rede lançada ao mar…

Em todas elas, com bonita narrativa sobre alguma ocorrência do dia a dia ao alcance de seus discípulos, o Homem-Deus transmitia seus ensinamentos sobre o Reino dos Céus. Referimo-nos à do grão de mostarda, considerado no Evangelho como a menor das sementes, mas do qual Jesus Cristo extraiu grande lição moral. Assim, a Boa Nova com suas parábolas desvendou a verdade que ganhou o mundo e dominou toda a Terra.

Ao aludir à beleza da narração, referi-me à do trigo e do joio, encontrada no capítulo 13 do livro de São Mateus. O inimigo lançou a semente má, do joio, sobre a semeadura do trigo, e eles cresceram juntos, indistintamente, causando confusão ao agricultor. Sabiamente, o dono da plantação instruiu seus serviçais a esperarem até a colheita para fazer a separação, atar em feixes o joio, levá-lo ao fogo e destinar ao celeiro a parte boa, o trigo.

Na vida de todos os dias, quantas vezes nos deparamos com situações semelhantes, em que não sabemos no quê, ou em quem confiar, já que as palavras, as obras e os exemplos induzidos podem facilmente nos levar a fazer escolhas erradas, sobretudo quando influenciados pela má propaganda que tudo relativiza, estabelecendo meias verdades, tornando confusos os critérios de alternativa entre o bem e o mal, entre a justiça e o erro.

Assim, ao longo dos séculos, foram surgindo inúmeros heresiarcas revestidos de pele de cordeiro, com seus engodos maquiavélicos, extraviando do rebanho santo um número incontável de almas, ora disfarçando a falsa doutrina que pregavam, ora desviando as consciências do seu reto pensar e agir, ora levando multidões ao descaminho com ensinamentos diferentes daqueles que sempre ensinou a Santa Igreja. Por isso mesmo, uma grande denúncia foi registrada em documento pontifício, a Encíclica Pascendi, do Papa São Pio X.

Em sua denúncia, o santo Pontífice alertava o mundo católico para a atuação do inimigo oculto no próprio seio da Santa Igreja. Clérigos e leigos que pregavam, sem embasamento sério, uma reforma que procurava desfazer de tudo o que havia de mais santo, não poupando sequer a pessoa divina do Fundador, a Ele mesmo se referindo como um simples homem. Assim, a perniciosa trama do progressismo, que naquele tempo se denominava modernismo, foi classificada pelo Papa como a pior de todas as heresias.

Já 1846, em La Salette, Nossa Senhora, entre lágrimas, revelara a duas crianças que essa seria a pior crise de todos os tempos. Mais recentemente, esses revolucionários conspiradores, através de movimentos culturais, infiltraram-se nos meios universitários e intelectuais, a fim de colocar em prática os ensinamentos de Antonio Gramsci, o comunista finório que visou conquistar as mentes.

É doloroso afirmar, mas quem em nossos dias não viu e não vê que nos meios católicos a cizânia penetrou de modo surpreendente, fazendo uma devastação dos valores perenes do Santo Evangelho em favor do comunismo internacional? Já não é de hoje que sistematicamente a infiltração do esquerdismo nos meios católicos vem ocupando lugar de destaque na direção dos rumos da Igreja.

Ela, que há dois milênios combatia primorosamente as heresias utilizando aquilo que lhe é próprio, ou seja, a pregação e os ensinamentos emanados da apologética de grandes santos teólogos, cuja pena nos legou valiosíssimos tratados teológicos de grande profundidade e perfeita clareza de raciocínio. Santo Agostinho, figura de excelência entre esses luminares, pregava o uso da razão, da argumentação fundamentada na boa doutrina.

Entretanto, é difícil explicar a ação do mistério da iniquidade que hoje assola a sociedade como um todo. Chega-se a um ponto em que o pecado alcança grande vulto e assume uma perversidade sem medidas, visando atingir todos os homens sem exceção, a fim de corrompê-los em todas as manifestações de sua personalidade, tanto individuais quanto sociais, políticas, e mesmo religiosas.

Com efeito, vivemos um trágico momento, amargamos uma situação da mais completa escuridão intelectual e espiritual, resultante de um processo iniciado há séculos, quando se tramou a marcha paulatina do desfazimento da sociedade moldada nos ensinamentos do Evangelho, cujos vestígios hoje apenas se vislumbram.

Essa conspiração do mal exige reação enérgica e eficaz das forças vivas da sociedade que ainda teimam em subsistir, denunciando em todas as ocasiões oportunas os planos dos inimigos da fé católica. Invoquemos, pois, Nossa Senhora Aparecida, para que venha em nosso auxílio com a coorte de Anjos de quem é igualmente Rainha.

Façamos a nossa parte, que na verdade não passará muito do tamanho de um grão de mostarda, mas que posto na terra e regado pela Mãe de Deus poderá se transformar num carvalho.

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*Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ).

https://www.abim.inf.br/como-enfrentar-as-crises/

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quarta-feira, 17 de novembro de 2021

TOMADA DE POSIÇÃO CORAJOSA – Péricles Capanema

 


Péricles Capanema

 

Tomada de posição necessária. Em 1º de maio de 2021 foi fundada a COOPAIBRA – Cooperativa de Agricultores e Produtores Indígenas do Brasil. Seu presidente é Felisberto de Souza Cupudunepá Filho, engenheiro sanitarista, indígena da etnia Umutina. O vice-presidente é Edson de Oliveira, professor, indígena da etnia Bakairi. O secretário-geral é Ubiratan Maia, advogado, indígena da etnia Wapichana. A nova entidade em 1º de maio já representava 20 etnias que habitam Pernambuco, Paraíba, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Pará e Amazonas. Ocupam legalmente 16 milhões de hectares de terras indígenas (160 mil km2, área maior que a de dez Estados brasileiros, a mais do Distrito Federal). Hoje, já representam mais de 30 etnias. Na carta que enviaram ao Presidente da República está o núcleo do que pretendem e há séculos se proíbe aos indígenas brasileiros: querem ser “senhores de nosso próprio destino”.

“Senhores de nosso próprio destino”. Simples assim. Rejeitam o cabresto, recusam o papel de porquinhos-da-índia, cobaias de organizações indígenas desnaturadas, ongs brasileiras e estrangeiras, CIMI, setores da grande imprensa envenenados por utopismos. Fora o resto. É claro, serão e já são objeto de campanhas de exclusão, de intolerância, sofrerão lacração e cancelamentos. Sabem e não a temem que sofrerão a saraivada intolerante das poderosas patrulhas ideológicas. Por isso foi decisão especialmente corajosa. Começa a agir a nova entidade na defesa dos autênticos interesses indígenas, até agora sufocados nas gargantas da imensa maioria das etnias, injustamente sem voz, mas que, afirma a COOPAIBRA, espera ela “ser voz e parte da nossa imensa e rica nação”. Foi tomada de posição necessária; a COOPAIBRA quer a regulamentação da mineração nas terras indígenas (com a aprovação do PL 191/2020), para que ali surjam “oportunidades de trabalho, renda e cidadania”. Elas têm “mosaico de necessidades” e estão desatendidas. E para tal precisam “empreender, produzir e comercializar bens e serviços da forma que bem desejarem”. A presente situação, lembra ainda a carta ao presidente da República, mantém “práticas irregulares, depredação do meio ambiente, confrontos armados, evasão de divisas” acarretando “empobrecimento cada vez mais profundo das comunidades indígenas”. De outro modo, hoje, é de conhecimento geral, na prática, nas reservas indígenas, campeiam o garimpo clandestino, os contratos irregulares, o contrabando, a prostituição; enfim, o crime. A vida como ela é.

Tomada de posição imprescindível. O vozerio de organizações esquerdistas e do ambientalismo extremado nega aos índios o que a maioria deles almeja: participação e inserção cada vez maiores na sociedade brasileira. Querem crescer, não desejam ser ilhas atrasadas de comunismo primitivo, que perenizam o retrocesso. A COOPAIBRA deixa evidente, a presente ditadura de organizações concertadas com vozerio orquestrado impede a maioria dos indígenas de se manifestar. Manifesta com clareza meridiana, a negação de uns faz com que todos sejam prejudicados: “Isto é arbitrário, discriminatório, contraproducente, ilegal, injusto e, pior que tudo, iguala a todos numa mesmice só vista em países que adotaram o comunismo”.

Tomada de posição alvissareira. A manifestação desperta a esperança de que terminará o sufoco das etnias indígenas. Será o fim da exclusão e da intolerância em relação aos caminhos da prosperidade. Poderão crescer, integrar-se ao Brasil, serem constituídas por cidadãos no gozo da cidadania plena. “A integração das etnias indígenas ao sistema econômico fortalecerá não apenas a identidade indígena como um todo, mas também possibilitará uma maior autoestima enquanto cidadãos brasileiros”.

Tomadas de posição em defesa das etnias e do povo brasileiro. A carta ao presidente da República, com trechos acima reproduzidos, foi seguida por ofício do presidente da COOPAIBRA ao presidente da Câmara de Deputados, deputado Arthur Lira, que exprimia a mesma reivindicação de participação crescente, inclusão, autonomia e protagonismo: “O senhor já sabe, mas não custa repetir, fomos a única instituição diretamente voltada à questão indígena que se manifestou expressamente favorável aos PLs 490 e 191 e isso representa a vontade de nossos 30 povos cooperados e, portanto, o objetivo deste documento é tão somente apelar para sua sensibilidade e inteligência e pedir, respeitosamente, que sejam dispendidos todos os esforços possíveis para colocar em pauta, ainda neste exercício, a votação dos PLs 490 e 191, pois a nós o mais importante hoje é a segurança jurídica entre indígenas e não indígenas, autonomia, protagonismo e empreendedorismo, e inclusão”. Que continuem nessa direção, são os votos do Brasil que presta.

Agenda indígena autêntica. Está posta a verdadeira e imediata agenda das etnias, porta para seu crescimento e inserção na sociedade brasileira, a aprovação já dos PLs 490 e 191/2020. É rumo de crescimento, restauração e regeneração.

https://www.abim.inf.br/tomada-de-posicao-corajosa/

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ITABUNA CENTENÁRIA UM SONETO: Mario Faustino - Soneto II

 


SONETO II


Necessito de um ser, um ser humano
Que me envolva de ser
Contra o não ser universal, arcano
Impossível de ler

À luz da lua que ressarce o dano
Cruel de adormecer
A sós, à noite, ao pé do desumano
Desejo de morrer.

Necessito de um ser, de seu abraço
Escuro e palpitante
Necessito de um dormente e lasso

Contra meu ser arfante:
necessito de um ser sendo a meu lado
Um ser profundo e aberto, um ser amado.


(Mario Faustino)

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terça-feira, 16 de novembro de 2021

O POVO OU A CONSTITUIÇÃO – Maurício Erthal

 



O Povo ou a Constituição

Maurício Erthal


Professor, o que é mais importante, o povo ou a constituição?

- Ora, o povo! A constituição é apenas a materialização da sua vontade.
- E quem escreve a constituição?
- Os representantes do povo.
- E quem cuida da constituição?
- A mais alta corte do Judiciário.
- E o povo pode mudar a constituição?
- Só por meio dos seus representantes.
- E se esses representantes não quiserem mudar?
- Aí não pode mudar.
- A mais alta corte pode mudar a constituição?
- Não, só podem cumprir a constituição.
- E cumprem?
- Não.
- E o que fazer?
- Bem, aí os representantes podem tirar os ministros da mais alta corte dos seus cargos.
- E tiram?
- Também não.
- Mas o que fazer já que os representantes não tiram?
- Aí você tira os representantes nas eleições.
- Todos os representantes podem ser tirados?
- Na verdade não. Pois dos 513 congressistas apenas 27 chegaram lá pelo voto.
- Como assim?
- Por causa das leis eleitorais como coligação partidária, proporcionalidade, etc.
- E quem fez essas leis?
- Eles mesmos, para não dependerem das eleições.
- E por que não querem depender das eleições?
- Porque são quase todos bandidos e ninguém votaria neles.
- E como fazem para entrar?
- Pagam para alguém famoso concorrer. Esse famoso consegue muitos votos e eles são automaticamente puxados e "eleitos" de mentirinha.
- Mas aí eles não irão trabalhar pelo país, apenas para eles mesmos.
- Essa é a ideia.
- E quem determina os seus salários?
- Eles mesmos.
- Quem determina seus aumentos de salários?
- Também eles.
- Sério? O que mais eles determinam, quais outras vantagens têm?
- Ah, bilhões do fundo eleitoral, bilhões do TSE, bilhões em verbas de gabinete, emendas parlamentares, comissões, benefícios, venda de tempo de propaganda a outros partidos, lobby, propinas, desvios, porcentagens em contratos bilionários, casas, carros, luxos, bebidas, médicos, dentistas, massagistas, etc.
- Bem, já que não posso tirá-los, posso ao menos reclamar na mais alta corte do Judiciário?
- Pode, mas não adianta. Porque além de não fazerem as leis, essa corte vive num luxo ainda maior que o dos falsos representantes. E esta corte precisa deles para garantir seus luxos, todos os seus infinitos privilégios e altos salários. Em troca a corte protege estes falsos representantes jamais julgando seus inúmeros crimes. Além disso, estes ministros são sabatinados e aprovados por estes representantes corruptos que por sua vez só aprovam ministros igualmente corruptos que aceitem "trocar favores".
- E o executivo pode tirar estes representantes?
- Não. Mas o executivo pode ser tirado por eles.
- E o executivo pode tirar esses ministros da alta corte?
- Também não, mas pode ser incriminado por eles.
- Bem, se os representantes do povo não representam o povo, a mais alta corte é sua cúmplice e o executivo pode se tornar refém de ambos, podendo até mesmo nem conseguir governar, o que dá para fazer?
- Nada. Não há o que fazer.
- Como assim, deve existir algo que possa ser feito!
- Não. É só se conformar, obedecer às leis, dar 6 meses do que você ganha para pagar todo o luxo desses vagabundos e ficar quieto.
- Ficar quieto?
- Sim, para não ser preso.
- Mas isso não é justo! Toda a população sofre horrores há décadas porque foi completamente escravizada por milhões desses bandidos que vivem no luxo, trabalham muito pouco e pretendem ser eternamente sustentados pelo sangue e suor da população!
- É exatamente isso. Você pegou a ideia. E não há nada que se possa fazer.
- E a única opção seria o que, o comunismo?
- Vejo que você ainda não entendeu direito. Isso é o comunismo. A única diferença é que em países pequenos e com poucas riquezas naturais toda a população se torna rapidamente miserável. Mas como o Brasil é um dos países mais ricos do mundo nas mais diversas formas de recursos naturais as pessoas acreditam que não somos um país comunista. Mas somos.
- E aqueles que se dizem comunistas, são o que?
- Alguns são meros fantoches estúpidos e inconscientes, outros são cúmplices corruptos dos parasitas.
- Mmmm!
- A ideia era dar a impressão para a população que eram dois grupos, para fingir uma disputa, entende?
- Claro.
- Um grupo fingia ser de direita e o outro de esquerda. Mas na verdade ambos eram ladrões e cúmplices na implantação do comunismo o país. E a velha concepção de que o poder é como um violino..
- Violino?
- Sim, segura com a esquerda e toca com a direita.
- Ahh! Igual a nossa mídia! Os patrões sempre "de direita", mas sempre contratando apenas jornalistas "de esquerda".
- Exatamente!
- Meu Deus, mas que inferno! É um verdadeiro pesadelo viver num país assim. Tem certeza de que não existe nenhuma outra saída!
(o professor de aproxima do aluno e fala baixinho em seu ouvido)
- Olha, existe um negócio aí, um certo artigo na Constituição, um tal de [...] ...

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