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quinta-feira, 18 de novembro de 2021

COMO ENFRENTAR AS CRISES – Pe. David Francisquini


Pe. David Francisquini *

Quão ricos e tocantes se nos afiguram os ensinamentos do Nosso divino Redentor em forma de modelares parábolas. Bons tempos em que todos os brasileiros as conheciam das narrações feitas dos púlpitos das igrejas. Era a parábola do bom samaritano, a do semeador, a do joio e do trigo, a do grão de mostarda, a da rede lançada ao mar…

Em todas elas, com bonita narrativa sobre alguma ocorrência do dia a dia ao alcance de seus discípulos, o Homem-Deus transmitia seus ensinamentos sobre o Reino dos Céus. Referimo-nos à do grão de mostarda, considerado no Evangelho como a menor das sementes, mas do qual Jesus Cristo extraiu grande lição moral. Assim, a Boa Nova com suas parábolas desvendou a verdade que ganhou o mundo e dominou toda a Terra.

Ao aludir à beleza da narração, referi-me à do trigo e do joio, encontrada no capítulo 13 do livro de São Mateus. O inimigo lançou a semente má, do joio, sobre a semeadura do trigo, e eles cresceram juntos, indistintamente, causando confusão ao agricultor. Sabiamente, o dono da plantação instruiu seus serviçais a esperarem até a colheita para fazer a separação, atar em feixes o joio, levá-lo ao fogo e destinar ao celeiro a parte boa, o trigo.

Na vida de todos os dias, quantas vezes nos deparamos com situações semelhantes, em que não sabemos no quê, ou em quem confiar, já que as palavras, as obras e os exemplos induzidos podem facilmente nos levar a fazer escolhas erradas, sobretudo quando influenciados pela má propaganda que tudo relativiza, estabelecendo meias verdades, tornando confusos os critérios de alternativa entre o bem e o mal, entre a justiça e o erro.

Assim, ao longo dos séculos, foram surgindo inúmeros heresiarcas revestidos de pele de cordeiro, com seus engodos maquiavélicos, extraviando do rebanho santo um número incontável de almas, ora disfarçando a falsa doutrina que pregavam, ora desviando as consciências do seu reto pensar e agir, ora levando multidões ao descaminho com ensinamentos diferentes daqueles que sempre ensinou a Santa Igreja. Por isso mesmo, uma grande denúncia foi registrada em documento pontifício, a Encíclica Pascendi, do Papa São Pio X.

Em sua denúncia, o santo Pontífice alertava o mundo católico para a atuação do inimigo oculto no próprio seio da Santa Igreja. Clérigos e leigos que pregavam, sem embasamento sério, uma reforma que procurava desfazer de tudo o que havia de mais santo, não poupando sequer a pessoa divina do Fundador, a Ele mesmo se referindo como um simples homem. Assim, a perniciosa trama do progressismo, que naquele tempo se denominava modernismo, foi classificada pelo Papa como a pior de todas as heresias.

Já 1846, em La Salette, Nossa Senhora, entre lágrimas, revelara a duas crianças que essa seria a pior crise de todos os tempos. Mais recentemente, esses revolucionários conspiradores, através de movimentos culturais, infiltraram-se nos meios universitários e intelectuais, a fim de colocar em prática os ensinamentos de Antonio Gramsci, o comunista finório que visou conquistar as mentes.

É doloroso afirmar, mas quem em nossos dias não viu e não vê que nos meios católicos a cizânia penetrou de modo surpreendente, fazendo uma devastação dos valores perenes do Santo Evangelho em favor do comunismo internacional? Já não é de hoje que sistematicamente a infiltração do esquerdismo nos meios católicos vem ocupando lugar de destaque na direção dos rumos da Igreja.

Ela, que há dois milênios combatia primorosamente as heresias utilizando aquilo que lhe é próprio, ou seja, a pregação e os ensinamentos emanados da apologética de grandes santos teólogos, cuja pena nos legou valiosíssimos tratados teológicos de grande profundidade e perfeita clareza de raciocínio. Santo Agostinho, figura de excelência entre esses luminares, pregava o uso da razão, da argumentação fundamentada na boa doutrina.

Entretanto, é difícil explicar a ação do mistério da iniquidade que hoje assola a sociedade como um todo. Chega-se a um ponto em que o pecado alcança grande vulto e assume uma perversidade sem medidas, visando atingir todos os homens sem exceção, a fim de corrompê-los em todas as manifestações de sua personalidade, tanto individuais quanto sociais, políticas, e mesmo religiosas.

Com efeito, vivemos um trágico momento, amargamos uma situação da mais completa escuridão intelectual e espiritual, resultante de um processo iniciado há séculos, quando se tramou a marcha paulatina do desfazimento da sociedade moldada nos ensinamentos do Evangelho, cujos vestígios hoje apenas se vislumbram.

Essa conspiração do mal exige reação enérgica e eficaz das forças vivas da sociedade que ainda teimam em subsistir, denunciando em todas as ocasiões oportunas os planos dos inimigos da fé católica. Invoquemos, pois, Nossa Senhora Aparecida, para que venha em nosso auxílio com a coorte de Anjos de quem é igualmente Rainha.

Façamos a nossa parte, que na verdade não passará muito do tamanho de um grão de mostarda, mas que posto na terra e regado pela Mãe de Deus poderá se transformar num carvalho.

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*Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ).

https://www.abim.inf.br/como-enfrentar-as-crises/

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sexta-feira, 26 de junho de 2020

DESEJO DO SUBLIME RECONDUZ A ALMA AO CRIADOR - João Carlos Leal da Costa

26 de junho de 2020

João Carlos Leal da Costa


Sempre foi razão de conflito entre os homens a perpétua luta entre o desejo de liberdade individual e as normas religiosas, que parecem circunscrever essa liberdade. Esse conflito nasce do aparente desejo de transformar o ser humano num joguete sem livre iniciativa, o que seria contrário à natureza humana racional. Na aparência, o homem se transformaria assim num boneco nas mãos de um “deus” déspota e inacessível. Mas a realidade é bem outra, pois Deus criou o Universo como uma imagem de Si mesmo, e o homem, síntese dessa imagem, une o espiritual e o material. Ao mesmo tempo Deus colocou no fundo da alma humana as regras fundamentais da lógica e a noção da diferença entre o bem e o mal.

A fundamental noção de diferença entre o bem e o mal pôde ser comprovada cientificamente alguns anos atrás, pela doutora Karen Wynn, especialista em psicologia infantil da Universidade de Denver, no Colorado (EUA). Ela fez experiências com crianças de apenas três a oito meses, tentando verificar se elas reconheciam, num puppet show (teatrinho de bonecos), qual era o personagem bom e qual era o mau. Surpreendentemente, mais de 80% das crianças acertaram na escolha.

A carruagem de ouro do príncipe Joseph Wenzel I de Liechtenstein (Salão térreo do Museu Liechtenstein)

Isso confirma a teoria do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, de que todo ser humano nasce com o que ele chamou de “inocência”, isto é, uma aptidão inata para reconhecer os reflexos de Deus na criação, e de modo especial naquilo que o cerca: “No espírito humano as regras básicas da lógica são subconscientes. A lógica, enquanto disciplina, apenas explicita essas regras para o homem. Se ele não tivesse essas regras invisceradas, como coisas conaturais a seu espírito, seria um louco”.

A “inocência” da pessoa leva-a a perceber aos poucos que o universo é ordenado, e que essa ordem universal se coaduna com sua ordem interna. Na Epístola aos Romanos, São Paulo ensina que as perfeições invisíveis de Deus se tornaram visíveis após a criação do mundo, pela compreensão das coisas criadas (cfr. Rom. 1, 20). Eis um ensinamento extremamente importante, porque o comportamento humano reto, racional, tem que corresponder a essa ordem universal e à sua própria ordem interna.

Uma tradição de mais de mil anos na Mongólia: 
criação de águias reais

São Tomás de Aquino explica que o homem está situado em um nível entre o reino angélico e o reino animal, isto é, entre a esfera espiritual e a esfera física. Em outras palavras, Deus concebeu o ser humano como um microcosmo que contém em si, ao mesmo tempo, espiritualidade e materialidade. Existe portanto um macrocosmo (o universo) e um microcosmo (o homem). Macrocosmo e microcosmo são palavras de origem grega, onde macro e micro significam grande e pequeno, respectivamente, e kósmos significa o mundo ordenado. Não significa apenas que é ordenada a totalidade do universo, mas também que este é ordenado com harmonia e equilíbrio.

Portanto, aproximando as palavras macrocosmo e microcosmo entendemos que há uma semelhança de padrão, natureza ou estrutura entre os seres humanos e o universo. Essa similitude entre o macrocosmo e o microcosmo mostra que, para sobreviver, a sociedade humana não somente deve se reger por certas normas pré-estabelecidas por Deus no Universo, mas que esta é a única forma de se obter, depois do pecado original, o grau possível de felicidade nesta vida, uma vez que o homem nasce com essas normas dentro de si.

Muitos se desencaminham por achar que a liberdade humana está acima das normas morais que regem a ordem do Universo. Mas essa correlação foi posta por Deus, que premia já nesta Terra, e depois no Céu, a obediência a esses princípios.

Menino extasiado com a Coroa imperial inglesa. Feita de ouro, platina e prata, ela é ornada com diamantes, rubis, esmeraldas, safiras, espinélio, pérolas, veludo e arminho

No livro Revolução e Contra-Revolução, Plinio Corrêa de Oliveira mostra que o demônio não poderia deixar as coisas como Deus as quer, e engendrou então um processo de corrosão da sociedade estabelecida com base nos princípios católicos. Esse processo vem, desde o final da Idade Média, tentando evitar que se realize na sociedade o reconhecimento da correspondência entre o macrocosmo e o microcosmo. Com isso ele procura impedir que o homem conheça e admire o seu microcosmo, e que admire também o macrocosmo, ambos criados por Deus. Pois se ele o faz, aproxima-se de Deus, preparando sua alma para o Céu, e isso o demônio não quer.

Muitos aspectos da sociedade moderna encaminham os homens ao contrário disso. Por exemplo, a mentalidade pragmática do “vale quem produz” afastou a ideia de um Ser criador, interessado em devolver-lhes o “controle sobre si mesmos”; e assim minguou neles a capacidade de considerar a sua existência segundo a perspectiva do macrocosmo.

John Horvat, vice-presidente da TFP norte-americana, escreveu sobre este assunto o livro Return to Order (Retorno à Ordem), no qual mostra como escapar das garras dessa sociedade baseada apenas no materialismo produtivista e na intemperança frenética do ganhar, ganhar, ganhar, que é oposta aos altos ideais medievais.

Segundo Horvat, uma nova visão da vida se torna necessária. Isso pode ser feito se nos voltarmos para a fonte de cultura cristã, da qual a civilização ocidental nasceu. Nessa fonte a sociedade tem uma perspectiva vertical. As pessoas são atraídas para cima, para um único ponto, do mesmo modo como as linhas de uma torre de catedral medieval conduzem os olhares para cima, para o cume da agulha onde está a Cruz.

Essa fonte acende no homem um desejo espontâneo de plenitude, voltado ao sublime, que a sociedade bafejada pelo demônio não pode satisfazer. O sublime consiste exatamente naquelas coisas de excelência transcendente, que constituíram a base da civilização medieval inspirada pela Igreja. Uma sociedade baseada no desejo do sublime será muito melhor, espiritual e materialmente, e só numa sociedade assim se pode encontrar a solução para a crise moderna.



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domingo, 31 de maio de 2020

31 DE MAIO — DIA DE NOSSA SENHORA RAINHA

31 de maio de 2020

Paulo Roberto Campos

 

          Rainha dos Homens, Rainha dos Anjos, Rainha da Terra, Rainha do Céu, Rainha da Igreja, Rainha do Brasil, Rainha dos Corações etc. São títulos que homenageiam Nossa Senhora uma vez que Ela é Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo e Rei dos Reis.

          Entretanto, em nossos tristes dias, poder-se-ia afirmar que Ela é uma Rainha Destronada. — Por quê?

         Respondo com uma pergunta: A atual situação nacional e mundial não entristece a Santíssima Virgem? Certamente, nenhum católico ousaria dizer que não A entristece. Pior ainda: A catastrófica situação da Santa Igreja… Para dar apenas um exemplo: a crise verdadeiramente apocalíptica na Igreja, devido à autodemolição promovida pelo progressismo, dito católico, à cargo de altas figuras do clero esquerdista.

         Quase tudo no mundo moderno colabora para destronar a melhor de todas as Rainhas. Ela é ultrajada por seus inimigos e até abandonada por seus filhos. E por isso Nossa Senhora chora!

         Neste dia em que celebramos, segundo o calendário tradicional, Nossa Senhora Rainha, é uma boa ocasião para pedirmos a graça da total fidelidade a Ela e de não permanecermos indiferentes às Suas lágrimas. Ocasião também para fazermos um compromisso de atuar ainda mais para restabelecê-la no Trono de glória, para que Ela volte a ser coroada, e efetivamente seja Rainha de todas as nações ainda em nossos dias.

         Nesse sentido, transcrevo trecho de uma conferência de Plinio Corrêa de Oliveira (em 26-2-1966), durante a qual ele concebeu uma antológica e inesquecível metáfora:


          “Nossa Senhora é como uma Rainha que está sentada no seu trono. A sala está cheia de inimigos. Os inimigos já arrancaram-lhe o dossel; já tiraram da sua fronte veneranda a coroa de glória a que Ela tem direito; já lhe arrancaram das mãos o cetro. Ela está amarrada para ser morta.

          Dentro dessa sala cheia de gente poderosa, armada, influente — todos diante da Rainha que não faz outra coisa senão chorar —, há também um pugilo de fiéis, e Ela evidentemente olha para tais fiéis. Assim, ou este olhar faz em nós o que o olhar de Jesus fez em São Pedro, ou não há mais nada para dizer…

          A Rainha vai ser arrancada do trono. Pergunta-se o que nós vamos fazer? Nesta hora deste olhar, isso não me interessa? Este olhar não me sensibiliza?

          Poder-se-ia então perguntar: quem sou eu? Eu sou o homem para quem Nossa Senhora olhou!

          Mas serei o homem a quem Ela terá olhado em vão?”

 

http://www.abim.inf.br/31-de-maio-dia-de-nossa-senhora-rainha/

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