Já vai longe o tempo da minha infância na cidade onde nasci.
A cidade tinha poucas ruas calçadas, três bairros, o jardim, o cinema, o
ginásio e a igrejinha. Seu rio, chamado de Cachoeira, dividia a cidade em duas
partes. E uma gente ribeirinha tirava dele o sustento de suas famílias:
lavadeiras, tiradores de areia, pescadores e aguadeiros.
Lá naquela cidade distante joguei bola com a turma de
queridos amigos nos campinhos improvisados dos terrenos baldios.Roubei fruta madura nos quintais das casas
perto da beira do rio.Brinquei de
mocinho e bandido. Fiz a primeira comunhão e tive a primeira namorada.
Lá também criei vaga-lumes para vê-los à noite piscando no
quarto. Nadei como um peixe ágil nos poços bem claros do rio que tinha as águas
doces. Andei como um bicho solto, sem ter medo de nada, nos caminhos do mato.
Feito pássaro dava cada voo com o vento mais alto. Quando cresci, soube que a
infância tem um sabor de fruta doce que acaba quando chega o tempo dos homens.
Não
querendo que aqueles dias vividos com aventuras, descobertas e sustos
esplêndidos se perdessem no tempo que se foi, sem que eu percebesse de tão
rápido, ficando trancados pelos homens dentro de mim, resolvi então escrever
umas breves memórias com pedaços da infância. Nesses episódios que agora
procuro contar, tecidos com os fios eternos do sonho, tento compartilhar com
você um pouco da aventura da vida. Percorro caminhos e procuro encontrar o
menino na fumaça do tempo, mas que ainda pulsa no meu coração porque não se
cansou de ser menino.
Em Nada
Era Melhor (Editus, 2020), cada episódio pode ser concebido como uma história,
possui autonomia na sua estrutura, foi reinventado com os elementos
tradicionaisde princípio, meio e fim.
Como cada um deles é protagonizado por um menino em sua pré-adolescência, tendo
como espaço a infância e o lugar onde acontece é a uma cidade do interior
baiano, no início da segunda metade do século XX, com personagens secundárias
que participam algumas vezes de muitos deles, não se pode deixar de considerar
que Nada Era Melhor é também um romance, uma história comprida representativa
da vida, ou seja, um romance de iniciação.
Cyro de Mattos - Escritor e poeta. Premiado no Brasil,
Portugal, Itália e México. Publicado nos Estados Unidos, Dinamarca, Rússia,
Portugal, Espanha, Itália, França e Alemanha. Membro efetivo da Academia de
Letras da Bahia. Doutor Honoris
Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC
Distinção,
dignidade e frivolidade do Ancien Régime numa praça de Veneza
Plinio Corrêa de Oliveira
Em minha sala de trabalho tenho um quadro reproduzindo uma pequena
praça de Veneza. Ela tem um charme que toca nos sentidos, inclusive por seus
defeitos, revelando a ‘alma’ e o espírito veneziano. Esse charme impregna o
conjunto da praça, a igreja no fundo, as casas e os personagens ali presentes,
cujas atitudes características dão a impressão de estarem saindo de alguma
representação teatral.
A igreja, em estilo que parece do século XVII, irradia
alguma paz ao conjunto. É quase o contrário do que transparece nas pessoas,
entretanto acaba envolvendo-as. Por uma porta aberta da igreja se percebe algo
de meditativo e sério, pela presença do Santíssimo Sacramento no sacrário
interno, riquíssimo em graças. É o mesmo imponderável de certas igrejas da
Itália.
Campo Santa Maria Formosa, em
Veneza, 1741 – Michele Marieschi, séc. XVIII. Museu Correr, Veneza
Essa Veneza do século XVIII tem algo que lembra remotamente
a dignidade e distinção próprias do Ancien Régime. Nas pessoas transparece
também a frivolidade social daquela época. São habituadas a morar em Veneza e
conviver com casas de aspecto um tanto tristonho, com tracinhos de palácio.
Elas gostam do estilo, que as eleva a um nível mais alto.
Esses vários aspectos, onde se misturam laivos de séculos
anteriores com algo do século que viria, influenciam as almas dos que ali
estão, ou que moram na praça.
A mistura de todos esses aspectos lembra certos arranjos de
sorvetes, quando a groselha e o creme vão se derretendo, alternando dentro do
copo suas cores respectivas. Na praça, os seus vários aspectos formam laivos
psicológicos — um ice-cream soda indefinido dentro de um copo, que
seria aquela pracinha.
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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira
em 19 de janeiro de 1984. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.
Então, um dos
juízes da cidade acercou-se e disse: “Fala-nos do Crime e do Castigo”.
E ele respondeu,
dizendo:
“É quando o
vosso espírito vagueia sobre o vento,
Que vós,
sozinhos e desprevenidos, cometeis delitos contra os outros e, portanto, contra
vós próprios.
E pela remissão
do mal cometido, devereis bater à porta dos eleitos e esperar algum tempo antes
de serdes atendidos.
Similar ao
oceano é vosso Eu-divino:
Permanece sempre imaculado.
E, como o éter,
ele sustenta somente os alados.
E similar também
ao sol é vosso Eu-divino:
Desconhece os
caminhos das tocas e evita o covil das serpentes.
Mas vosso
Eu-divino não reside sozinho no vosso ser.
Em vós, muito é
ainda do homem, e muito não é ainda do homem.
Mas apenas de um
pigmeu informe que vagueia sonâmbulo nas brumas, à procura de seu próprio
despertar.
É do homem em vós
que quero agora falar.
Porque é ele, e
não o vosso Eu-divino ou o pigmeu que vagueia nas brumas, quem conhece o crime
e o castigo do crime.
Constantemente
vos tenho ouvido falar daquele que comete uma ação má como se não fosse dos
vossos, mas um estrangeiro entre vós e um intruso em vosso mundo.
Mas eu vos digo:
Da mesma maneira que o santo e o justo não podem elevar-se acima do que há de
mais elevado em vós,
Assim o perverso
e o fraco não podem descer abaixo do que há de mais baixo em vós.
E da mesma forma
que nenhuma folha amarelece senão com o silencioso assentimento da árvore
inteira,
Assim o malfeitor
não pode agir mal sem o secreto consentimento de todos vós.
Como uma
procissão, vós avançais, juntos, para vosso Eu-divino.
Vós sois o
caminho e os que caminham.
E quando um
dentre vós tropeça, ele cai pelos que caminham atrás dele, alertando-os contra
a pedra traiçoeira.
Sim, e ele cai
pelos que caminham adiante dele, que, embora tenham o pé mais ligeiro e mais
seguro, não removeram a pedra traiçoeira.
E ouvi também
isto, embora a palavra deva pesar rudemente sobre vossos corações:
O assassinado é
censurável por seu próprio assassínio.
E o roubado não é
isento de culpa por ter sido roubado.
E o justo não é inocente das ações do mau.
Sim, o culpado é,
muitas vezes, a vítima do ofendido.
E mais comumente
ainda, o condenado carrega o fardo para o inocente e o irreprochável.
Vós não podeis
separar o justo do injusto e o bom do malvado;
Porque ambos
caminham juntos diante da face do sol, exatamente como os fios branco e negro
são tecidos juntos.
E quando o fio
negro se rompe, o tecelão verifica todo o tecido e examina também o tear.
Se um dentre vós põe em julgamento a
esposa infiel,
Que pese também
na balança o coração de seu marido, e meça sua alma com cuidado.
E aquele que
deseja fustigar o ofensor, examine a alma do ofendido.
E se um dentre vós
pretende punir em nome da retidão e por o machado na árvore do mal, que
considere também as raízes da árvore;
E, na verdade,
encontrará as raízes do bem e do mal, do frutífero e do estéril, entrelaçadas
no coração silencioso da terra.
E vós, juízes que desejais ser justos,
Que julgamento
pronunciareis contra aquele que, embora honesto na carne, é ladrão no espírito?
E como punireis
aquele que assassina o corpo, mas é, ele próprio, assassinado no espírito?
E como processareis aquele que, impostor
e opressor nas suas ações,
É também
molestado e ultrajado?
E como punireis
aqueles cujos remorsos já são maiores que seus delitos?
Não é o remorso
uma justiça aplicada por esta mesma lei que vós desejais servir?
E, contudo, não
podeis pôr o remorso sobre o coração do inocente, nem o levantar do coração do
culpado.
Espontaneamente,
ele gritará na noite para que os homens despertem e se considerem.
E vós que
desejais compreender a justiça, como a compreendereis sem examinar todas as
ações na plenitude da luz?
Somente então
sabereis que o ereto e o caído são um mesmo homem, vagueando no crepúsculo
entre a noite do seu Eu-pigmeu e o dia do seu Eu-divino,
E que a pedra
angular do templo não supera a pedra mais baixa de suas fundações.”
(O PROFETA)
Gibran Khalil Gibran
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Gibran Khalil Gibran - Poeta libanês, viveu na França e
nos EUA. Também foi um aclamado pintor. Seus textos apresentam a beleza da alma
humana e da Natureza, num estilo belo, místico, conseguindo com simplicidade
explicar os segredos da vida, da alegria, da justiça, do amor, da verdade.
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VIDA E OBRA DE GIBRAN (3)
1902-1908- De novo em Boston. Sua mãe e seu irmão morrem em 1903.
Gibran escreve poemas e meditações para Al-Muhajer (O Emigrante), jornal árabe
publicado em Boston. Seu estilo novo, feito de música, imagens e símbolos,
atrai-lhe a atenção do Mundo Árabe. Desenha e pinta numa arte mística abstrata,
que lhe é própria. Uma exposição de seus primeiros quadros desperta o interesse
de uma diretora de escola americana, Mary Haskel, que lhe oferece custear seus
estudos artísticos em Paris.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Marcos.
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João,
e os levou sozinhos a um lugar à parte sobre uma alta montanha. E
transfigurou-se diante deles. Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas
como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia alvejar. Apareceram-lhe Elias
e Moisés, e estavam conversando com Jesus. Então Pedro tomou a
palavra e disse a Jesus: “Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas:
uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Pedro não sabia o que
dizer, pois estavam todos com muito medo. Então desceu uma nuvem e os
encobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: “Este é o meu Filho amado.
Escutai o que ele diz!” E, de repente, olhando em volta, não viram mais
ninguém, a não ser somente Jesus com eles. Ao descerem da montanha, Jesus
ordenou que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do
Homem tivesse ressuscitado dos mortos. Eles observaram essa ordem, mas
comentavam entre si o que queria dizer “ressuscitar dos mortos”.
No 2º. domingo da Quaresma de cada ano, a liturgia nos
convida a subir o Monte da Transfiguração para “contemplar Jesus por
dentro”, para conhecer seu coração, seus desejos mais íntimos, seus dinamismos
de vida... enfim, o desvelamento da sua interioridade. Ao mesmo tempo, diante
de Jesus transfigurado, temos também a ocasião privilegiada para nos “olhar”
por dentro e descobrir nossa verdadeira identidade.
Todos os grandes personagens bíblicos fizeram sua
experiência de Montanha (lugar de intimidade com Deus; de escuta e
discernimento; lugar onde receberam uma “missão” e foram abençoados).
Do alto da Montanha esta bênção foi se espalhando e atingindo a
todos; experiência pessoal de alcance universal.
Também Jesus, o homem dos “vales” (lugar
do compromisso, serviço...) sabia reservar momentos de Montanha (comunhão
e escuta do Pai); ali Ele buscava sentido e força para a sua missão.
No Monte Tabor Ele deixa “transparecer” seu
coração; diante do olhar assombrado dos discípulos Ele “desvela” aquilo
que a visão superficial não capta: Ele é todo compaixão, bondade, acolhida,
amor...
Jesus de Nazaré foi o homem que não pôs obstáculos ao
Mistério para que se expressasse n’Ele; Ele foi pura transparência da
Fonte originante, revelação do Rosto do Pai.
A Transfiguração de Jesus que Marcos relata é um
símbolo das muitas “experiências de transfiguração” que todos experimentamos. A
vida diária tende a fazer-se rotineira, monótona, cansada, deixando-nos
desanimados, sem forças para caminhar. Mas, eis que irrompem momentos especiais,
com frequência inesperados, em que uma luz desperta nosso interior, e os olhos
do coração nos permitem ver muito mais longe e muito mais profundo do que
estávamos vendo até esse momento. A realidade é a mesma, mas aparece
transfigurada para nós, com outra figura, revelando sua dimensão interior, essa
que intuíamos, mas, devido à nossa superficialidade, tínhamos esquecido. Essas
experiências, verdadeiramente místicas, nos permitem renovar nossas energias e,
inclusive, despertar nosso entusiasmo para continuar caminhando, na certeza de
que “vimos o Invisível”.
Uma pessoa transfigurada é alguém que vê o que todo mundo
vê, mas de maneira diferente; seu olhar contemplativo capta outra dimensão que
se esconde aos olhares superficiais e frios.
Todos carecemos dessas experiências, para que nossa vida
tenha outra inspiração, assim como os discípulos de Jesus precisaram desse
momento da Transfiguração para que, num relance, tivessem a nítida certeza de
que Ele era a “transparência do Pai” e eles próprios sentissem confirmados no
seguimento.
Hoje, nós não podemos nos encontrar com Jesus no Tabor da
Galiléia. Mas precisamos buscar nosso Tabor interior, onde
brilha a luz que nos faz “diáfanos” (transparentes), onde se encontram as
forças criativas que sustentarão nosso compromisso, onde ouviremos a Voz que
confirmará nossa filiação: “este(a) é meu (minha) filho(a) amado(a)”.
Despojando-nos daquilo que nos desfigura, busquemos o que
nos transfigura, o que mais nos humaniza e nos diviniza. É possível que, ao
contemplar nosso coração, nos deparemos com muitas surpresas que jamais
imaginávamos.
Nesse sentido, a Montanha não é lugar só
do encontro íntimo com o Senhor, mas também lugar do encontro com o melhor de
nós mesmos, nosso ser essencial; no silêncio do monte poderemos perceber
quem somos nós. Por isso a transfiguração é também descoberta
do “eu profundo”, da própria realidade pessoal, do Mistério que habita em
nós. É nessa manifestação divina que “descobrimos a nós
mesmos”. Começamos a descobrir o nosso ser (único, original, sagrado...)
quando “mergulhamos” no misterioso relacionamento com Deus
e quando permitimos que o “mistério experimentado” se torne fonte de
nossa identidade.
Nossa vocação é “transfigurar-nos”, superar nossa
própria figura, ir além de nossa aparência para captar nossa originalidade e
riqueza interior, nosso “eu original”.
Essa é a nossa verdadeira identidade; em certo
sentido, é como se recordássemos quem somos e, ao recordar isso,
iniciamos um caminho de volta à casa (as “três tendas”). “Voltar à casa” é
deixar transparecer aquilo que é mais nobre em nós; é reconhecer que somos
plenitude que transborda, fonte inesgotável de sonhos, criatividade,
inspirações...
Cair na conta de nossa condição de “filhos/as amados/as”
equivale a reconhecer-nos como transfigurados(as). E é isso mesmo que
se pode afirmar de todo ser humano: cada um(a) de nós é “filho(a)
amado(a)”, nascido(a) daquela mesma Fonte e, ao mesmo tempo, transparência
dela.
Nosso “eu profundo” é luminoso, transparente,
simples, verdadeiro... Mas, para percebê-lo, é preciso nos “despertar” e viver
ancorados em nossa verdadeira identidade.
É preciso ir para além do “ego superficial”, uma ilusão que
acreditávamos ser nossa identidade e que nos fazia viver em função dele,
alimentando impulsos de poder, vaidade, imposição...
No entanto, a Transfiguração de Jesus nos possibilita ter
acesso a um “lugar” sempre estável, sólido e permanente, onde nos fazemos
presentes diante da Presença inefável.
Da transfiguração interior à uma presença que transfigura a
realidade em que nos situamos. Não podemos recordar quem somos para permanecer
em um “monte”, isolados e acomodados, mas para “descer” à vida cotidiana, com
todos os seus conflitos, e viver ali o que “temos visto e ouvido”, a
partir de uma atitude de bondade, compaixão e serviço.
A “Transfiguração” desperta em nós um novo “olhar” para
perceber, com mais nitidez e intensidade, os lugares por onde
transitamos, uma nova disposição para dar sentido e valor às relações
cotidianas, uma presença solidária para nos colocar no lugar do outro, uma nova
sensibilidade para “ver” a Presença d’Aquele que se “deixa
transparecer” em todos os “Tabores” da vida.
O monte da Transfiguração transforma as obscuridades humanas
em caminhos de luz e esperança, o ódio em fraternidade, a divisão em vínculo
... É preciso transfigurar nossas relações humanas, rompendo o círculo da
intolerância, do juízo rápido e da indiferença. Por que não pensar que é uma
nobre maneira de viver? Uma vida, uma cultura, uma sociedade que não se
transfigura, que não transcende a existência e seus conteúdos, se
desumaniza.
Trans-figurar é deixar trans-parecer toda
nossa riqueza interior. E isso não é fácil; normalmente cobrimos nossa verdade
com máscaras ou com um “papel” que interpretamos. Vivemos uma
quantidade de experiências rápidas, amontoadas, sem possibilidade de
avaliação (ativismo, rotina, angústias, trabalho sem sentido; mundo fechado,
sem horizontes, sem direção...)
O cotidiano faz-se rotineiro, convencional e,
não raro, carregado de desencanto. Frequentemente vivemos o cotidiano
com o anonimato que ele envolve; e isso nos desfigura, desumanizando-nos.
A luz da Transfiguração de Jesus nos desvela (tira o véu) e
ativa a coragem a olhar para além da “casca de nossa humanidade”, e deixar
emergir nossa originalidade e nobreza que não se deixam revelar diante do
espelho, mas só numa experiência da interioridade.
A transfiguração de Jesus é um convite a que possamos nos
transfigurar e transfigurar os outros e assim poder contemplar a beleza
presente em cada um, muitas vezes escondida e que se revela de maneira um tanto
quanto obscura.
Crer na Transfiguração é envolver-se no processo da
transformação contínua da vida, esperando a transfiguração definitiva.
Texto bíblico: Mc 9,2-10
Na oração: Por vezes somos levados a conceber a
aventura espiritual como uma fuga de nós mesmos, uma subida para outra
região da atmosfera mais pura que o nosso dia-a-dia.
- “Não! Desça até o fundo de você mesmo! É dentro do seu próprio
coração que Deus o espera”.
- A busca de Deus se assemelha mais a espeleologia do que ao
alpinismo: tem mais de grutas que de cumes; mais de interioridade que
de aparência, mais de “descida” que de “subida”.
- Diante da “transparência” de seu “eu profundo” você
sente temores? resistências...? Quais? Por que?
- “Transfigurar” compromete com a vida; você está
disposto(a) a descer do seu “Tabor” para ser presença inspiradora no seu
meio?