O artigo Cyro de Mattos: La poesía en el corazón del Brasil,
de Juan Angel Torres Rechy, poeta e filólogo mexicano, integrante do
Departamento de Espanhol da Universidade de Soochow, P. R. China, teve publicação com destaque na Rádio e TV Al Dia e no
Boletim Poético digital “Crear en Salamanca”, veículos culturais importantes de
Salamanca, na Espanha.Além disso, o
artigo apresenta os poemas “Lugar” e “Tarde no Alpendre” do autor baiano, na
tradução do poeta peruano-espanhol Alfredo Pérez Alencart.
No artigo, o ensaísta mexicano comenta
sobre a atuação do poeta e ficcionista baiano no XVI Encontro de Poetas
Iberoamericanos, em Salamanca, quando então lançou o livro de poemas Donde
Estoy y Soy, noticia sobre o seu ingresso na Academia de Letras da Bahia e
sobre os seus prêmios literários mais importantes. Ressalta ainda sua obrapoética com um acervo constituído de dezoito
livros publicados no Brasil e doze no exterior.
Enquanto isso, o Boletim Poético digital
“Crear en Salamanca”, editado pelo poeta peruano-espanhol Alfredo Pérez
Alencart, para divulgar as atividades dos poetas que vêm participando dos
Encuentros de Poetas Iberoamericanos, dá destaque, na edição de fevereiro, aos
três livros O Discurso do Rio, poesia, Nada Era Melhor, romance
da infância, e Pequenos Corações, contos, de Cyro de Mattos, publicados
recentemente pela Editus, editora da Uesc.
O Boletim inclui também do poeta baiano Sete Sonetos Inspirados em
Fernando Pessoa, que integram o livro Canto até Hoje, ainda inédito.
A vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques e
desembarques, alguns acidentes, agradáveis surpresas em muitos embarques e
grandes tristezas em alguns desembarques.
Quando nascemos, entramos nesse magnífico trem e nos deparamos com algumas pessoas
que julgamos, estarão sempre nessa viagem conosco: nossos pais.
Infelizmente isso não é verdade, em alguma estação eles descerão e nos deixarão
órfãos do seu carinho, amizade e companhia insubstituível. Isso, porém, não nos
impedirá que durante o percurso, pessoas que se tornarão muito especiais para
nós, embarquem. Chegam nossos irmãos, amigos, filhos e amores inesquecíveis!
Muitas pessoas embarcarão nesse trem apenas a passeio, outras encontrarão no
seu trajeto somente tristezas e ainda outras circularão por ele prontos a
ajudar quem precise. Vários dos viajantes quando desembarcam deixam saudades
eternas, outros tantos quando desocupam seu assento, ninguém nem sequer
percebe.
Curioso é constatar que alguns passageiros que se tornam tão caros para nós,
acomodam-se em vagões diferentes dos nossos, portanto somos obrigados a fazer
esse trajeto separados deles, o que não nos impede é claro que possamos ir ao
seu encontro. No entanto, infelizmente, jamais poderemos nos sentar ao seu
lado, pois já haverá alguém ocupando aquele assento.
Não importa, é assim a viagem, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas,
despedidas, porém, jamais, retornos. Façamos essa viagem então, da melhor
maneira possível, tentando nos relacionar bem com os outros passageiros, procurando
em cada um deles o que tiverem de melhor. Lembrando sempre que em algum momento
eles poderão fraquejar e precisaremos entender, porque provavelmente também
fraquejaremos, e com certeza haverá alguém que nos acudirá com seu carinho e
sua atenção.
O grande mistério afinal é que nunca saberemos em qual parada desceremos, muito
menos nossos companheiros de viagem, nem mesmo aquele que está sentado ao nosso
lado. Eu fico pensando se quando descer desse trem sentirei saudades. Acredito
que sim, me separar de muitas amizades que fiz será no mínimo doloroso, deixar
meus filhos continuarem a viagem sozinhos será muito triste com certeza...
Mas me agarro à esperança de que em algum momento estarei na estação principal
e com grande emoção os verei chegar. Estarão provavelmente com uma bagagem que
não possuíam quando embarcaram e o que me deixará mais feliz será ter a certeza
de que, de alguma forma, eu fui uma grande colaboradora para que ela tenha
crescido e se tornado valiosa.
Amigos, façamos com que a nossa estada nesse trem seja tranquila, que tenha
valido a pena e que quando chegar a hora de desembarcarmos o nosso lugar vazio
traga saudades e boas recordações para aqueles que prosseguirem a viagem.
Os católicos argentinos deram um exemplo para o mundo ao
lutar valentemente contra a legalização do aborto [fotos acima e abaixo].
Entretanto, eles não tiveram o apoio do papa argentino, uma vez que a agenda
dele não inclui tais preocupações. Com efeito, o silêncio do Papa Bergoglio a
propósito da legalização do aborto no seu país foi chocante.
Por exemplo, o Prof. José Arturo Quarracino destaca que em
sua última mensagem de Natal, o Papa Francisco falou sobre os problemas de
vários países, mas não disse palavra sobre a Argentina, sua terra natal. Ele
ressaltou que esta indiferença confirma o que se comenta entre os bispos e
padres amigos de Bergoglio, ou seja, que o aborto não é assunto tão importante
como o meio ambiente ou os migrantes.1
Esse silêncio é ainda mais inexplicável considerando que o
Papa tem boas relações com o presidente da Argentina, Alberto Fernández. Este,
pouco depois de ser eleito, foi calorosamente recebido por Francisco [foto ao
lado].
Por sua vez o Prof. Rubén Peretó Rivas escreveu: “O
presidente argentino, Alberto Fernández, foi quem promoveu a lei e se
comprometeu a pressionar pessoal e insistentemente vários legisladores para que
mudassem de voto e permitissem sua aprovação [do aborto]. É o mesmo presidente
que foi saudado com complacência e largos sorrisos pelo Sumo Pontífice em 31 de
janeiro de 2020, o mesmo que naquele dia assistiu à missa celebrada pelo
Arcebispo Marcelo Sánchez Sorondo para ele e seus acompanhantes na cripta da
Basílica do Vaticano — onde se encontra o túmulo de São Pedro — onde comungou
com a sua concubina, a ex-showgirl Fabiola Yañez”.2 Afinal, estamos
no tempo de Amoris Laetitia…
O Papa Francisco, em cartas privadas às pessoas que o
consultaram sobre o seu pronunciamento de o aborto não ser principalmente uma
questão religiosa religiosa, repetiu a sua declaração.3 Essa postura
sugere que não se deve empreender uma luta religiosa para bloquear a
legalização desse pecado grave. Numa dessas cartas — embora privada, foi
publicada pela Conferência Episcopal Argentina — o Papa afirmou: “A [uma
carta] me perguntando sobre o problema do aborto, eu respondi […] [que] o
assunto do aborto não é principalmente uma questão religiosa, mas humana, uma
questão de ética humana anterior a qualquer confissão religiosa”.4
E prosseguiu sugerindo que argumentos não religiosos sejam
usados na luta contra o aborto: “Sugiro que você se faça duas perguntas: —
É justo eliminar uma vida humana para resolver um problema? — É justo contratar
um assassino para resolver um problema?”5 Uma
coisa é utilizar tanto argumentos religiosos quanto os de bom senso. Outra é
dizer que o aborto não é principalmente uma questão religiosa.
Em questões morais, como o aborto, o argumento mais decisivo
é o religioso, pois coloca a pessoa diante de seu destino eterno, seu fim
último. Isso é especialmente verdadeiro em um país católico como a Argentina.
Afirmar que o aborto não é fundamentalmente uma questão religiosa é negar que
ele, acima de tudo, é uma grave ofensa a Deus. É a morte deliberada de um ser
humano inocente. É um dos quatro pecados que clamam ao Céu por vingança.6
Além disso, o aborto vai contra a infinita sabedoria de Deus
ao vincular a relação sexual natural à procriação da humanidade. Também vai
contra Sua adorável vontade, que determina que o ato sexual deve ser realizado
apenas no casamento e sem interferências que o tornem infrutífero. O aborto é,
portanto, uma revolta contra Deus, “aversio a Deo, conversio ad creaturam” —
afastar-se de Deus, voltar-se para algum bem criado — como Santo Agostinho
definiu o pecado.7
A mulher que procura um aborto voluntariamente, e a equipe
médica que o pratica, pecam por ação. Quem deveria se opor à legalização do
aborto e não o faz, peca por omissão. Santo Tomás de Aquino afirma que ser
negligente em “um ato ou circunstância necessária à salvação é um pecado
mortal”.8 O aborto é um pecado mortal extremamente grave. Além de uma
ofensa grave contra Deus, tem consequências na vida moral e social de um povo.
Assim, aqueles cuja missão é guiar, sobretudo
espiritualmente, e não se opõem de modo ativo ao aborto, mas se limitam a
declarações ambíguas ou oposição branda, desproporcional à situação, cometem um
pecado grave. Sua omissão contribui para que o pecado do aborto provocado se
generalize. Ajuda a fazer com que o crime pareça “normal”, levando muitos a
pecar.
O Papa São Félix III já advertia no século V, que “um
erro ao qual não se opõe, é considerado aprovado; uma verdade defendida de modo
minimalista, é abolida […]. Quem não se opõe a um crime evidente, está sujeito
à suspeita de secreta cumplicidade”.9
As autoridades religiosas que não combateram a legalização
do aborto neste país católico como era seu dever, devem prestar contas a Deus
por sua responsabilidade neste pecado nacional. “Que fizeste? A voz do
sangue de teu irmão clama da terra por mim” (Gênesis 4,10).
“8.
P: Quais são os pecados que bradam ao Céu e pedem a Deus por vingança? –
R: Os pecados que bradam ao Céu e clamam a Deus por vingança são quatro:
1º. Homicídio voluntário; 2º. Pecado impuro contra a natureza; 3º.
Opressão dos pobres, principalmente órfãos e viúvas; 4º. Não pagar o
salário a quem trabalha. P: Por que se diz que estes pecados pedem
vingança a Deus? Porque o diz o Espírito Santo, e porque a sua malícia é
tão grave e manifesta, que provoca o mesmo Deus a puni-los com os mais
severos castigos” (Catecismo Maior de São Pio X, Diocese de Campos, RJ).
Battista
Mondin, Dizionario Enciclopedico del Pensiero di San Tommaso
d’Aquino (Bologna: Edizione Studio Domenicano, 1991), 445.
pois conseguiu agarrar-se a alguma coisa que o conservou em
cima da água.
Ficou boiando à deriva durante muito tempo
até que chegou a uma ilha não habitada.
Ao chegar à praia, cansado, agradeceu a Deus por ter sobrevivido.
Acendeu uma fogueira atritando pedaços de madeira.
Conseguiu se alimentar por um bom tempo de peixes e frutas.
Derrubou algumas árvores e com muito esforço construiu uma cabana tosca que
significava proteção e mais uma vez agradeceu a Deus, porque agora podia dormir
sem medo de animais selvagens.
Um dia saiu e ao voltar para a cabana viu sua casa toda incendiada
provavelmente pelo fogueira que havia acendido perto.
Ele se sentou em prantos reclamando:
- Deus! Como é que o Senhor podia deixar isto acontecer comigo? Por que?
Neste mesmo momento uma mão pousou no seu ombro e uma voz dizendo:
- Vamos rapaz?
Se virou e viu um marinheiro repetindo:
- Vamos rapaz, nós viemos te buscar.
- Mas como é possível? perguntou... Como vocês souberam que eu estava aqui?
- Ora! Observamos de nosso navio os seus sinais de fumaça pedindo socorro!
Conclusão:
É comum nos sentirmos desencorajados e até mesmo desesperados quando as coisas
vão mal. Mas Deus age em nosso benefício, mesmo nos momentos de dor e
sofrimento. Se algum dia algo na sua vida está em "chamas", esse pode
ser o sinal de fumaça que fará o Pai Criador lhe mandar ajuda.
Texto captado da
Internet – Autoria não mencionada
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Marcos.
— Glória a vós, Senhor!
Na cidade de Cafarnaum, num dia de sábado, Jesus entrou na
sinagoga e começou a ensinar. Todos ficavam admirados com o seu
ensinamento, pois ensinava como quem tem autoridade, não como os mestres da
Lei.
Estava então na sinagoga um homem possuído por um espírito
mau. Ele gritou: “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos
destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus”. Jesus o intimou:
“Cala-te e sai dele!” Então o espírito mau sacudiu o homem com violência,
deu um grande grito e saiu. E todos ficaram muito espantados e perguntavam
uns aos outros: “O que é isto? Um ensinamento novo dado com autoridade: Ele
manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!” E a fama de Jesus logo se
espalhou por toda a parte, em toda a região da Galileia.
“Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!” (Mc
1,27)
Depois do chamado dos primeiros seguidores de Jesus, junto
ao lago, o evangelho deste domingo nos leva com eles à sinagoga, que era a
escola e casa de oração dos judeus. Fazendo com que falem mais os fatos
que as palavras, Marcos nos quer ajudar a ver, como através da atuação de
Jesus, o Reino de Deus se faz presente.
Não por casualidade, o evangelista situa a cura do homem
possuído por “espíritos maus” em Cafarnaum (centro da atividade de Jesus), na
sinagoga (espaço da religião), no sábado (dia de culto e oração) e entre
mestres da lei, que tinham poder sobre a assembleia e sobre a interpretação da
Palavra. Mas, aqueles que tinham “poder” não curaram o homem de seu espírito
imundo.
“Espírito mau” significa tudo o que bloqueia a relação
com Deus e a comunhão com os outros; representa o que há de mais contrário a
Deus e a possibilidade de uma convivência sadia com aqueles que o rodeavam; é o
símbolo de tudo aquilo que no ser humano está em radical oposição ao Pai.
A presença de Jesus desata, liberta, purifica o ser humano
que se encontrava oprimido dentro de uma sinagoga. Frente à exclusão nesse
espaço comunitário, Jesus profere sua palavra que cura e liberta o
enfermo/oprimido de sua situação desumanizadora. O relato deste domingo
não fala da enfermidade que o oprimido padecia. Diz simplesmente que era
“impuro”, alguém que era considerado “manchado”, dominado por um espírito
anti-humano e que Jesus desmascara, para que pudesse falar e agir com
autonomia.
Jesus, na sinagoga, não discute sobre Deus de forma abstrata;
não propõe teorias sobre pureza mais intensa, sobre ritos e alimentos; também
não oferece uma doutrina sapiencial de tipo moralista; não apresenta uma
doutrina melhor sobre leis ou normas de conduta; não é o rabino mais sábio, nem
o escriba mais agudo. Tudo isso é secundário para Marcos. O ensinamento
novo de Jesus se identifica com sua autoridade humana, com sua capacidade
de destravar a vida dos enfermos na sinagoga. Por isso, seu “ensinar com
autoridade era novo”; não era o ensino que repetia o que outros diziam ou
aquilo que se lê nos livros; não era um ensinamento aprendido na escola de um
professor especializado.
Tratava-se de um ensinar novo, diferente dos mestres da lei;
a verdadeira autoridade de Jesus residia em sua pessoa, em sua vida. Seus pensamentos
eram expressão de sua vida, era expressão do que fazia; e o que fazia era
expressão de seu pensamento. Seu ensinar é novo porque Jesus não é o
“profissional das ideias”, mas o “profissional da vida”, o profissional do
coração, o profissional que ensina vida, o profissional que sara os corações.
Nosso contexto, social e religioso, também precisa de
“profissionais” que nos deem razões para viver, nos deem razões para a
esperança, para amar, nos deem razões para aprender a sermos pessoas, livres e
criativas; precisamos de “profissionais” que nos mobilizem a viver uma vida
plena, sem esses “maus espíritos” que nos atormentam cada dia e nos fazem viver
uma vida medíocre.
Jesus fala e atua com “autoridade”; mas sua
autoridade é diferente. Não vem da instituição. Não se baseia na tradição. Tem
outra fonte. Está cheia do Espírito vivificador de Deus. Jesus não tem
“autoridade do poder”, mas o “poder de sua autoridade moral”; não tem a
autoridade da força que domina, se impõe e arrasta. Jesus tem o poder da
autoridade que brota de seu interior, de seus valores, de sua liberdade.
Autoridade que o descentra e o mobiliza a ser presença provocativa frente a
todo poder que exclui. Não é o mesmo “poder” e “autoridade”.
O poder é exterior, vem de fora. Uma pessoa tem poder
porque lhe foi dado nas urnas, porque foi instituído a partir de “fora” em uma
presidência, em uma instituição, em uma empresa... Pode-se ter, pois, poder:
títulos, cargos, prestígio,... mas poder não confere autoridade. A autoridade, pelo
contrário, é interna à pessoa, e não consiste em ter títulos, nomeações; é a
qualidade daquelas pessoas que tem o carisma de suportar as cargas e aliviar o
sofrimento dos outros; pessoas que deixam emergir de seu interior a bondade, o
alívio, a competência, a liderança solidária...
A pessoa pode ter poder, e poder legítimo, mas pode ser que
não tenha a mínima autoridade. É muito perigosa uma pessoa que atua com poder,
mas sem autoridade. Pelo contrário, há pessoa que não tem poder na
sociedade ou na igreja, mas tem autoridade. Jesus mesmo não tinha nenhum poder
no templo, na lei, diante dos escribas, fariseus, sacerdotes... Mas Jesus tinha
autoridade: falava e atuava com autoridade. O poder não torna as pessoas
boas, nem quem ostenta o poder e nem sobre quem recai o poder.
Sabemos e sentimos que o poder exerce um grande
atrativo; ele é sedutor: “quem é que não foi picado pela mosca azul do poder?”
É a paixão mais forte do ser humano; este pode até “perder a cabeça” por umas
migalhas de poder político, econômico, religioso ou mesmo na família, nas
empresas, etc. Atrás de toda busca de poder, ou das atitudes de poder, se
esconde uma ansiedade de domínio, de prepotência, de ego inflado; ao mesmo
tempo, uma pessoa fanática por poder revela um intenso medo, uma angústia
profunda de perder prestígio, um pânico diante da possibilidade de ficar sem
pedestal, sem cátedra, sem a atenção dos outros...
Nestes casos, o poder acaba se descambando para o
fundamentalismo fanático. Uma pessoa fanática é alguém cuja mente é rígida,
esclerosada, bloqueada pelo medo e pânico visceral frente à verdade, das
pessoas e dos fatos. Por isso, o fanatismo se identifica com o pensamento
dogmático mais intransigente. Em alguns cargos políticos e em algumas
posições religiosas se dá uma atitude de poder despótico, agressivo, violento,
porque o poder fanático não é capaz de pensar, de dialogar, somente agride.
A autoridade faz bem; o poder se impõe; a autoridade
acompanha. O poder dispõe, a autoridade liberta. O poder crucifica, a
autoridade está crucificada ou ao pé da cruz. Só a autoridade traz
a paz, ilumina e faz crescer; o poder, pelo contrário, gera
ansiedade, medo e faz o outro se sentir inferior. Quem tem autoridade, inspira
e motiva as outras pessoas a fazerem as coisas com boa vontade e ânimo; o poder, no
entanto, as obriga, por causa de sua posição de força.
Por seu caráter impositivo, o poder deteriora
relacionamentos, resvalando-se para o terreno pantanoso da competição, da
suspeita, da intriga, da violência. A autoridade, por sua vez, não
tem nenhuma relação direta com a obediência: repousa, isto sim, sobre o
reconhecimento da riqueza e da possibilidade do outro. Ela anima, sustenta,
desafia e toca aquilo que cada um tem de melhor em seu interior.
A cultura do poder suga o “espírito” da vida de
uma comunidade, minando sua criatividade e fragilizando seus laços de
convivência. Quem tem poder não age, dá ordens; jamais suja as próprias mãos; é
impune e não deixa impressões digitais.
O poder não constrói comunidade, pois a pessoa se
cerca de subservientes que cumprem suas ordens, dizem amém às suas ideias ou
calam-se coniventes. Sorrateiramente este mal toma conta do coração humano e o
petrifica, impedindo a vida de desabrochar e a criatividade de se
expressar.
Texto bíblico: Mc 1,21-28
Na oração: Todos nós somos habitados por dois
dinamismos internos: um, que nos impulsiona para o bem, a verdade, a
comunhão...nos descentra; outro, que nos fecha, nos faz autoreferentes,
prepotentes, violentos...
- Qual dos dois dinamismos se faz visível no seu agir e
falar cotidianos?