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quarta-feira, 15 de abril de 2020
terça-feira, 14 de abril de 2020
A GRIPE, A CHINA, A REVOLUÇÃO CULTURAL E FÁTIMA
14 de abril de 2020
Tanto a perspectiva histórica como a análise rigorosa dos
fatos favorecem uma lúcida e objetiva percepção da realidade presente e futura.
Por isso, dizia o nosso grande Padre António Vieira: “Se no passado se vê
o futuro, e no futuro se vê o passado, segue-se que no passado e no futuro se
vê o presente, porque o presente é futuro do passado, e o mesmo presente é o
passado do futuro”.[1]
Há cerca de três décadas, ruiu o muro de Berlim [foto] e
desmoronou-se, com estrondo e vergonha, o mundo soviético, ponta de lança do
imperialismo comunista, o qual propugnava a implantação de Estados totalitários
no mundo inteiro, os quais, por sua vez, haveriam de conduzir a humanidade a
uma “igualdade” absoluta entre todos os homens e a uma radical “liberdade”. O
igualitarismo radical e anárquico era a sua meta última. Não se pense, porém,
que tal meta foi, depois disso, abandonada. A queda do muro não foi, ao
contrário do que muitos disseram, o canto de cisne do comunismo. Persistiram
sob o mesmo jugo totalitário a Coreia do Norte, o Vietnã, Cuba, a China
Maoista, a Venezuela e muitos outros países, sobretudo na África…
Vinte anos antes da queda do comunismo soviético, já fora
anunciada, para quem quisesse ver, uma das metamorfoses que deveria sofrer o
coletivismo. Foi em Paris que se deu este anúncio, em Maio de 68. A Revolução
Cultural então propugnada visava transformar radicalmente as mentalidades,
constituindo um novo capítulo da guerra psicológica revolucionária. Tratava-se
de uma guerra de conquista psicológica total, visando o homem na sua
integridade.
Uma das modalidades dessa guerra psicológica pós-Sorbonne,
que numerosos autores socialistas[2] e
comunistas passaram a reconhecer como indispensável para escapar ao pântano em
que se afundara o comunismo, que acabara por revelar toda a sua hedionda
fisionomia sanguinária, entre “gulags”, deportações em massa, genocídios e
campos de trabalhos forçados, seria uma silenciosa e sorrateira transformação
operada agora na vida quotidiana dos países “capitalistas”; nos seus costumes,
mentalidades, modos de ser, de sentir, de viver… Tal transformação prepararia,
então, as mudanças socioeconômicas destinadas a submeter totalmente as
consciências ao todo-poderoso Estado totalitário.
Esta fase revolucionária, então desencadeada, é, na verdade,
uma subtil guerra psicológica e tendencial que pretende tornar possível a tão almejada
utopia igualitária e libertária. Sem estas mudanças, as vitórias
revolucionárias no campo político-ideológico tornar-se-iam necessariamente
efêmeras, pois a reações inevitavelmente suscitadas pela implantação do
totalitarismo coletivista serão sempre um empecilho para o avanço do projeto.[3]
* * *
Ora, aconteceu precisamente que, ao longo dos últimos trinta
anos, se difundiu pelo mundo um grande movimento de resistência à dita agenda
única, que se tornara a principal promotora do aborto, da eutanásia, da união e
adoção homossexual, da ideologia de gênero, do ecologismo, do animalismo, etc..
Países com grande importância na geopolítica mundial viram a sua opinião
pública despertar da letargia em que caíra e eleger políticos que se
apresentavam, de algum modo, como opositores da dita agenda. Nesse sentido,
pode-se afirmar que a revolução perdeu terreno.
* * *
Enquanto tudo isto acontecia, o gigante chinês, alentado
pelas faraônicas concessões ocidentais, a partir da visita de Nixon à China, em
1972[4],
pelos suicidas acordos de Xangai,[5] e
por uma parcial liberalização interna da iniciativa privada — sob a forma de
verdadeiro “capitalismo selvagem” — e sem nada abandonar do seu comunismo
totalitário e ferreamente despótico, começou a tomar posição claramente
dominante no panorama internacional,[6] com
o objetivo — nas palavras de Xi Jinping —, de “recuperar todo o poder da
China imperial». As nações ocidentais «estúpidas e decadentes” passaram a
colaborar entusiasticamente para fortalecer ao máximo a potência amarela.[7] Esta,
de seu lado, dedicou-se, entretanto, a incrementar o seu potencial bélico,
sempre servido pelo portentoso aparato de um partido com os seus alegados 90
milhões de membros, e avançou em todo o mundo para a aquisição de incontáveis
bancos, empresas, sociedades comerciais, tecnologia de ponta, matérias-primas e
bens de toda a espécie. Começaram a instalar bases militares, no estratégico
porto de Djibuti (Mar Vermelho), no sul da Argentina, no norte do Afeganistão,
em numerosas ilhas e atóis do Índico e do Pacífico, além de diversos pontos da
chamada “Rota da Seda”. Também passaram a controlar pontos estratégicos do
planeta, em troca de infra-estruturas que os países necessitavam, mas não
conseguiam pagar. É o caso do porto mais importante do Sri Lanka, da linha de
caminho-de-ferro de Benguela, em Angola, de diversas obras em Moçambique, do
porto do Pireu na Grécia ou do aeroporto de Toulouse, em França. Dez por cento
dos portos europeus passaram, deste modo, para controle chinês.
Um povo disciplinado ferreamente pela estatolatria, e
acolhido benevolamente pela OMC, despejou pelo mundo inteiro os seus produtos —
muitíssimos deles contrafeitos e a preços irrecusáveis — assim competindo de
forma arrasadora na economia de mercado. Competição muitas vezes desleal, dado
o baixíssimo custo da sua mão-de-obra, que não se vê como qualificar senão como
“escrava”.
Assim, pois, o mínimo que se poderia esperar de tal potência
— dotada agora de um incrível poderio militar — é que procurasse a expansão da
sua influência e da sua ideologia numa colossal manobra geopolítica.
* * *
Em Sevilha, a Ponte de Triana totalmente abarrotada numa das
procissões de Semana Santa de 2019. Na imagem inferior, foto do mesmo lugar no
recente Domingo de Ramos.
Ora, precisamente neste ano de 2020, encontramos de súbito,
como num imprevisto passe de mágica, o modus vivendi chinês
implantado em quase todo o Ocidente. Com efeito, desde que se disseminou a nova
e perigosa gripe que teve origem naquele país, as populações viram-se, de
repente, confinadas em casa, sem liberdade de ir e vir, e numa total
dependência da vontade do Estado. As próprias igrejas foram fechadas e os fiéis
privados dos sacramentos, até mesmo os moribundos. Justamente durante a
Quaresma, a Semana Santa e a Páscoa, cujas cerimônias litúrgicas foram banidas
das igrejas…[8]
Tal como na China, as liberdades em geral tornaram-se
absolutamente restritas e controladas pelo poder central. Esta crise,
empolada ad nauseam pelos media,[9] desencadeará
inevitavelmente uma gravíssima crise econômica em todo o Ocidente, já
confirmada pelos mais abalizados economistas, que levará os povos ocidentais a
dependerem ainda mais dos respectivos Estados, e, sobretudo, de uma China,
súbita e surpreendentemente curada da gripe, e que aparece, de repente, a
controlar toda a economia global de um mundo sem fronteiras.
Curiosamente, em todo o mundo ocidental, os partidos da
esquerda, de centro-esquerda e ecologistas parecem perceber que tudo isto leva
justamente aonde eles queriam. O Courrier internacional, corifeu da
esquerda internacional, suplemento do Le Monde, que em Portugal é uma
revista mensal, tem afirmado reiteradamente, que só o pânico poderá alterar a
forma de viver dos consumistas.[10] Numa
das suas capas chegou a perguntar solenemente se não terá chegado o momento de
impor ao mundo a agenda climática.
Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, com Xi
Jinping
O securitarismo hodierno pretende a todo o custo ver na OMS
um oráculo da verdade. O seu diretor-geral declarou, há algumas semanas, que a
presente gripe constituía uma pandemia. As tubas da mídia continuam a dar
repetido eco às suas palavras de tons apocalípticos. Convém não esquecer,
contudo, que este senhor é um marxista militante, que foi ministro da saúde da
Etiópia, envolvido em diversas controvérsias no seu país, como a de ter
encoberto epidemias de cólera e de estar acusado de graves escândalos de
corrupção fiscal. Outro pormenor inquietante: o governo comunista chinês não
deixou de manifestar especial regozijo quando da sua nomeação como
diretor-geral da OMS.
Por outro lado, convém não deixar de sublinhar que a Covid
19, embora provoque elevada mortalidade, não se aproxima, nem de longe, dos
números de outras epidemias, como foi o caso da tuberculose e da gripe
espanhola ou pneumônica. Esta matou 50 milhões de pessoas e infectou mais de um
terço da população mundial, nos anos de 1918 e 1919,[11] causando
mais mortes do que a 1ª Guerra Mundial. Por sua vez, a gripe H1N1 matou entre
200 e 400 mil pessoas segundo diversas estimativas, só no ano de 2009.[12] Na
última década, houve um aumento dramático do número de variantes graves do
vírus influenza, que entra na população humana a partir de reservatórios
animais.
Convém referir ainda que a gripe do Covid-19 atinge de modo
especialmente letal ou perigoso aqueles que já estão fragilizados por diversos
outros motivos e, embora ainda não exista uma vacina, a esmagadora maioria dos
infectados — mais de 80% [13] —
recupera-se naturalmente pela reação dos seus próprios anticorpos, ou por
medicamentos já disponíveis para doenças afins, mas altamente eficazes contra o
coronavírus.[14]
No entanto, o diktat da imprensa e de muitos
governantes, contrariando a opinião de abalizados cientistas, é de que se torna
indispensável impor uma drástica quarentena, confinamento em casa e cordões
sanitários em torno das cidades, obrigando ao encerramento da maior parte das
empresas. Tal paralisação, que muitos especialistas qualificam como
contraproducente do ponto de vista epidemiológico,[15] produzirá
inevitavelmente consequências econômicas catastróficas, com as suas sequelas de
desemprego, fome, desordens sociais e até guerras. Ao mesmo tempo, de cá e de
lá, vão surgindo melífluas vozes de sereia a anunciar o advento de uma radical
mudança de paradigma social e econômico no mundo inteiro, rumo a uma sociedade
claramente miserabilista. Outros vão dizendo que o mundo jamais será o mesmo e
que teremos de alterar radicalmente, nesse mesmo sentido, os nossos hábitos.
* * *
Imagem de Na. Sra. de Fátima (ladeada por Francisco e
Jacinta) da Basílica da Estrela, Lisboa [Foto PRC]
Neste ponto, seria oportuno regressarmos a uma perspectiva
histórica, olhando para o início do século XX, quando outra gripe, chamada
espanhola ou pneumônica, de fato causou uma verdadeira hecatombe. Duas das suas
vítimas foram precisamente os pequeninos pastores a quem Nossa Senhora
aparecera: Francisco e Jacinta Marto.
Num lugar perdido da Serra d’Aire, um acontecimento
histórico acabara de colocar Portugal novamente no centro da História, no ano
de 1917. Foram as aparições de Nossa Senhora em Fátima, exatamente quando
rebentava na Rússia a revolução bolchevique. O milagre do Sol, as previsões
sobre as guerras mundiais, sobre a expansão dos erros do comunismo e futura
conversão da Rússia marcaram uma impressionante manifestação da misericórdia
divina. A Mãe de Deus viera pedir uma verdadeira conversão dos povos, num
grande movimento de oração e penitência, que afastasse para longe as
calamidades da guerra, das revoluções e da fome, — embora se dirigisse a três
crianças de um lugarejo perdido, que nem sequer sabiam o que a palavra Rússia
significava.
Sempre foi doutrina da Igreja que a peste, a fome e a guerra[16] (Jer
29, 17) são castigos de Deus, provocados pela infidelidade dos homens ao seu
Criador. “As guerras não são senão castigos pelos pecados dos homens” dizia
a pequena Jacinta, hoje elevada às honras dos altares.
Esta é outra chave para analisar os acontecimentos dos
nossos dias: a chave sobrenatural. O grande ausente das tubas da mídia, das
considerações da maioria dos governantes, e até, infelizmente, dos próprios
homens da Igreja, é Deus nosso Senhor. O homem moderno, cada vez mais
descrente, despreza qualquer consideração que ultrapasse a linha do puramente
horizontal, natural, prosaico e terreno. As análises dos números, referentes à
saúde pública, à economia, à geopolítica, à educação, etc., omitem como
despiciendas quaisquer referências ao Criador dos Céus e da Terra.
As Igrejas foram fechadas. Os sacramentos quase
completamente negados, até mesmo aos infelizes moribundos, o Santo Sacrifício
da Missa, com a presença real de Deus em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, é
recusado aos fiéis, que parecem ter voltado aos tempos das catacumbas.[17]
Seja como for, a vitória sobre os erros que a Rússia
espalhou pelo mundo, anunciada em Fátima pela Mãe de Deus, virá. O triunfo do
Imaculado Coração de Maria é certíssimo!
Porém, tal não significa que antes de isso acontecer a
Humanidade não tenha de ser purificada através de tremendas provações. A peste,
que talvez produza a fome e quiçá a guerra, sempre foi, repito, considerada
pela doutrina tradicional da Igreja como castigo merecido pelos pecados dos
homens.
“Por fim o meu Imaculado Coração triunfará!” Esta foi a
grande promessa de Nossa Senhora em Fátima.
Este triunfo virá após um castigo, que se tornou merecido
pela apostasia generalizada, tanto dos governantes, temporais e espirituais,
como dos povos que aceitaram sem indignação, viver num mundo em que a Lei de
Deus é conculcada por uma legislação que permite a eliminação diária de
incontáveis criaturas inocentes através do crime do aborto — mais do que as
vítimas do coronavírus! (Por ano, realizam-se só em Portugal cerca de 15.000
abortos!!!); legislação que também escancarou as portas ao divórcio, à
eutanásia, ao chamado casamento homossexual e às piores perversões, desde a
pornografia e a profanação da inocência das crianças, até às práticas mais
contrárias aos direitos de Deus e aos princípios da Civilização Cristã.
[1] “Citações
e Pensamentos de Padre António Vieira” (2ª edição), 650 Citações, 170 Textos,
256 Páginas, Casa das Letras, Lisboa 2010.
[2]Entre
eles destacaram-se autores franceses, como Alain Touraine, Pierre
Fougueirollas, Pierre Rosanvallon, Laurent Joffrin, o austríaco-francês André
Gorz e o teórico socialista espanhol Ignacio Sotelo.
[3]Diz,
neste sentido, o socialista francês Pierre Fougueirollas: «Os jovens aspiram a
novas relações interpessoais entre pais e filhos, entre professores e alunos,
enfim, entre os próprios jovens, a partir de uma sexualidade expansiva.A
revolução psicosexual que se gera actualmete na juventude, constitui uma força
decisiva para alcançar a revolução total» (Marx, Freud e a Revolução total,pp.
336-367). Por sua vez, Marcuse diz: «Podemos falar indiscutivelmente de
revolução cultural, posto que o protesto se dirige contra todo o stablishment cultural,
incluindo a moral da sociedade existente (A sociedade carnívora).
[4]Comentando
o “calamitoso” acordo de Xangai, para promover a “colaboração” em matérias como
a ciência, a tecnologia, a cultura, o desporto e o jornalismo, dizia em 1972, o
Prof. Plinio Corrêa de Oliveira: «dada a candura liberal dos norte-americanos e
a astúcia comunista dos chineses, tal tratado dará um resultado altamente
conveniente para os comunistas. Estes entrarão em tais relações com o único
objectivo de aproveitar todas as ocasiões para fazer aceitar a sua ideologia pela
outra parte (…). Noutros termos, as relações sino-americanas irão
desenvolver-se numa base da qual os chinos saberão tirar partido, e os
americanos não».
E concluía o saudoso pensador brasileiro: «Yalta foi uma
calamidade maior do que Munique. Foi Munique multiplicada por Munique. A
Declaração de Xangai, é uma Yalta multiplicada por Yalta.— Onde nos levará
ela?» (Folha de S. Paulo, 12 de Março de 1972).
[5]Na
capital amarela, Nixon encontrou uma camarilha política ambiciosa e decidida a
levar a cabo de forma inexorável a expansão do comunismo, conhecendo todas as
fraquezas do parceiro americano e disposto a explorá-las a fundo, trocando
concessões palpáveis por promessas vagas. Foi muito semelhante o que aconteceu
nos acordos de Munique de 1939. A França e a Inglaterra, fizeram ao eixo
Roma-Berlim as maiores concessões. Em troca, pediam a Hitler vagas promessas de
paz. Assinado o tratado, Chamberlain e Daladier receberam nas respectivas
capitais, ovações apoteóticas de populações que só pensavam em gozar
pacatamente a vidinha quotidiana. Churchill exclamou, então, com perspicácia:
“Tínheis a escolher entre a vergonha e a guerra: preferistes a vergonha e tereis
a guerra”.
[6]Entretanto,
milhões de católicos chineses, que resistiram heroicamente ao regime comunista,
continuam a ser ferreamente perseguidos. Em 2014, por exemplo, uma campanha
contra alegados edifícios “ilegais” na província de Zhejiang levou à demolição
de mais de duas mil construções cristãs e de 600 cruzes.
[7]«Para
vencer, necessitaremos de um elemento de surpresa. A burguesia deverá ser
adormecida. Começaremos por lançar o mais espectacular movimento de paz que
jamais tenha existido. Haverá proposições electrizantes e concessões
extraordinárias. Os países capitalistas, estúpidos e decadentes,
cooperarão com alegria para a sua própria destruição. Precipitar-se-ão sobre a
nova oportunidade de amizade. No mesmo instante em que baixem a sua guarda,
esmagá-los-emos com o nosso punho fechado». (Dimitri Z. Manuilsky, conferência
pronunciada em 1931, na Escola Lenine de Guerra Política, apud Jean
Ousset. “El marxismo leninismo”. Editorial Iction, Buenos Aires, 2a. ed., 1963
p. 113 – Manuilsky foi eleito presidente do Conselho de Segurança da ONU em
1949).
[8]Devemos
dizer que há, pelo menos, uma muito honrosa excepção: o episcopado da Polónia
decidiu não fechar as igrejas e, pelo contrário, multiplicar as Missas, a fim
de criar espaços entre os fiéis durante as celebrações. A Sagrada Comunhão
continuou a ser dada, como sempre, de joelhos e na boca. A Polónia é um dos
países onde o número de infectados é mais reduzido…
[9]O The
Daily Telegraph, de 23/03/20, noticia que em Itália seestão a contabilizar como
vítimas do Covid-19 pessoas que morrem por outras causas, e transcreve, nesse
sentido, as declarações de um cientista italiano, o Prof. Walter Ricciardi,
assessor do Ministério da Saúde, nas quais admite que 88% dessaspessoas já
tinham problemas graves que conduziriam à morte.
[10] “Courrier internacional”,
Lisboa, Julho 2019, nº 281, «Chegou a hora de entrar em pânico»; «O medo pode
ser a nossa salvação»; «Só o medo pode mudar os hábitos altamente carbonizados
do mundo capitalista».
[11]US
National Library of Medicine (Relatório de Kirsty R. Short, Katherine
Kerdsierska, Carolien van de Sandt, professores de microbiologia e imunologia
da Universidade de Melbourne e Queensland, Austrália, publicado online em 8 de
Outubro de 2018).
[12]O
vírus “H5N1”, assim como o “H1N1”, o “H2N2”, o “H3N2”, o “H3N8”, o “H7N2”, o
“H9N2” e outras 190 codificações de variações genéticas do vírus da “Influenza
A”, conhecido também como “vírus da gripe das aves”, ou simplesmente, “vírus da
gripe”, é muito mais letal do que o coronavírus, matando no mundo cerca de
5.000 pessoas por dia. Para confirmar estes dados, basta consultar as
estatísticas da própria OMS.
[13] Dados
oficiais da OMS divulgados a 17/02/2020.
[14]O
médico e microbiologista francês Didier Raoult, director do serviço de
infectologia do Hospital de Marselha, tornou-se mundialmente conhecido nos
últimos dias por dar a conhecer o único tratamento que realmente provou ser
eficaz contra o virus chinês causador da Covid-19.O Dr. Raoult estuda há 13
anos os efeitos da cloroquina(mais precisamente, um dos seus derivados, a
hidroxicloroquina)como antiviral (associado com o único antibiótico que
funciona sobre os virus, a azitromicina). «São moléculas antigas, sem problemas
de maior de toxicidade, e imediatamente disponíveis»,é o que afirma
esteconceituado professor da Universidade de Marselha, que é o cientista com
mais estudos e experiências produzidas sobre doenças virais no mundo.
Surpreendentemente – ou não!? – enfrentauma tentativa de ridicularização e uma
espantosa campanha de silêncio por parte da grande imprensa internacional (Ver:
“Le Parisien”, de 27 de Março de 2020).
[15]Expresso,
19/03/20.
[16]«Eis
o que diz o Senhor dos exércitos: Vou enviar contra eles a espada, a fome e a
peste, e tratá-los-ei como figos deteriorados, tão maus que não se podem mais
comer.Irei persegui-los com a espada, a fome e a peste, e deles farei objeto de
horror ante todos os reinos da terra (…) porque não escutaram as minhas palavras
– oráculo do Senhor – quando, sem cessar, lhes enviava os profetas, meus
servos, aos quais também não ouviram – oráculo do Senhor». Jeremias, 29, 17-19.
[17]«Ao
concentrarem-se exclusivamente em todas as medidas de protecção higiénica (os
bispos que fecharam as suas igrejas) perderam uma visão sobrenatural e
abandonaram a primazia do bem eterno das almas» afirmou o Bispo D. Athanasius
Schneider, em 31 de Março de 2020.
* * *
segunda-feira, 13 de abril de 2020
A PANDEMIA: Atire a primeira pedra
“Aquele que tiver a real solução para esse problema que
atire a primeira pedra!
Atire no Prefeito que fechou a cidade e mandou todos para
casa.
Atire no Presidente que pede para abrir a cidade e a volta
ao trabalho.
Atire nos médicos que pedem o isolamento social para evitar
o colapso no sistema de saúde.
Atire nos economistas que pedem para voltar a rotina
prevendo um colapso financeiro.
Se voltar tudo a funcionar vai morrer quantas pessoas?
Se ficar em isolamento social vai morrer quantas empresas?
Ninguém sabe!
Quando um problema não tem solução, elegemos um culpado, um
inimigo, um vilão...
Não, a culpa não é do Prefeito!
Não, a culpa não é do Governador!
Não, a culpa não é do Presidente!
Nem dos médicos, nem dos economistas e nem do Ministro.
Eles estão tão perdidos quanto todos nós.
Tão perdidos quanto Donald Trump e todos os líderes mundiais.
Fomos pegos de surpresa sem manual de procedimentos. Cada um
acha uma coisa, mas ninguém tem certeza.
Então, quem sabe, não é a hora de parar de perder tempo
atirando pedras e dando palpites, e começar a orar mais, amar mais, chorar
mais, valorizar mais os amigos e a família.
Talvez seja essa a solução!”
(Recebi via Whats - Autor desconhecido)
* * *
domingo, 12 de abril de 2020
PALAVRA DA SALVAÇÃO (178)
Domingo da Páscoa do Senhor – 12/04/2020
Anúncio do Evangelho (Jo 20,1-9)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
João.
— Glória a vós, Senhor.
No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de
Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha
sido retirada do túmulo. Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão
Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o
Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”.
Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao
túmulo. Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais
depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Olhando para dentro, viu
as faixas de linho no chão, mas não entrou. Chegou também Simão
Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho
deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não
posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte.
Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado
primeiro ao túmulo. Ele viu, e acreditou. De fato, eles ainda não tinham
compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Padre Roger
Araújo:
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Ligue o vídeo abaixo:
“Tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram” (Jo
20,2)
Em Jesus ocorre algo totalmente novo. Ele traz uma nova
maneira de viver que não cabe em nossos esquemas, que não se encaixa em nossos
hábitos, sempre limitados e estreitos.
O “mistério pascal” é o salto para a novidade,
para a beleza, para a transcendência. Imersos na história e na natureza, a
Ressurreição nos faz descobrir a verdadeira extensão da Vida.
Não encontramos o Ressuscitado no sepulcro, mas na vida. Não
encontramos o Ressuscitado enfaixado e paralisado pela morte, mas livre como a
brisa da vida.
A pedra que fora removida do túmulo de Jesus indicou a Maria
Madalena uma novidade que seu coração buscava, uma novidade que espanta, enche
o coração do desejo de procura: “Ele vive”.
O caminho dela em direção ao túmulo é símbolo da coragem de
atravessar o escuro da madrugada para ver resplandecer uma nova aurora em sua vida,
pela força criadora da única Presença que tudo sustenta, tudo recria e enche de
amor. A presença do Cristo Ressuscitado.
Na madrugada da Páscoa, Maria Madalena vai ao sepulcro; ela
é símbolo daquela comunidade que se movia entre a luz e a obscuridade. Ainda
vive focada no sepulcro (morte); por isso, “ainda estava escuro”. Mas,
ao mesmo tempo, começava a clarear (“ao amanhecer”) e a “pedra estava
removida” (a pedra da dúvida, da tristeza e da resignação fatalista). Tudo
parece anunciar algo definitivamente novo: é “o primeiro dia da semana”; trata-se,
nada menos, que de uma nova Criação.
Segundo os evangelistas, as mulheres são as primeiras
testemunhas da ressurreição de Jesus Cristo, pois Ele aparece primeiramente a
elas. Segundo Tomás de Aquino o motivo desta precedência é porque elas estavam
melhor preparadas que os homens para entender e acolher a maravilha da Vida.
E estavam melhor preparadas porque O tinham amado mais.
Na ressurreição, a vida emerge de forma
misteriosa; ela se impõe, simplesmente. Tal realidade desperta fascinação,
provoca admiração e veneração..., porque a vida é sempre sagrada.
Diante dela ficamos exta-siados, boquiabertos, escancarados os olhos e afiados
os ouvidos. Ela nos atrai por sua força interna.
Portador de uma vida inesgotável, revelada na
madrugada pascal, o ser humano vive para mergulhar em algo diferente, novo e
melhor. A vida, desde o mais íntimo da pessoa humana, deseja ser
despertada e ilu-minada em plenitude. Amar é romper a casca para que a vida se
expanda na doação. A morte do falso “eu” é a condição para que a vida
se liberte.
Vida plena prometida por Jesus: “Eu vim para que
tenham vida e vida em abundância” (Jo. 10,10).
“Viver como ressuscitado” implica esvaziar-se do “ego”,
para deixar transparecer o que há de divino.
Quem se experimenta a si mesmo como “Vida” é já
uma pessoa “ressuscitada” e isso faz a grande diferença, pois tem um
impacto no seu modo de ser e de viver.
Marcadas pela ressurreição, as pessoas captam
muitos detalhes que antes não haviam percebido, vivem intensamente, amam com
mais paixão, prestam atenção a muitas coisas que antes lhes passavam
desapercebidas. Tem um comportamento diferente para com os outros; há, nestas
pessoas, mais ternura, são mais sensíveis à dor e à injustiça. Ao saborear o
presente da vida, vivem como se fossem ressuscitadas. Crêem que, amando
mais a vida, se afastarão mais da morte e resistirão às hostilidades do mundo presente. E,
no entanto, continuam vivendo na mesma casa, no mesmo trabalho, fazendo as
mesmas coisas... , mas seu olhar audacioso desperta as consciências,
sacode as velhas estruturas, derruba os muros da exclusão.
A Ressurreição não só “dá o que
pensar”, mas sobretudo, “dá o que fazer”.
O encontro com o Ressuscitado é fonte de vida e vida em
crescente amplitude. Quando nos dispomos a caminhar com Ele, sob a ação do
Espírito, realiza-se em nós um processo de abertura e de superação, de
crescimento e de reconstrução de nós mesmos...; tomamos consciência de uma
dimensão profunda de nosso interior, que nos permite experimentar uma
outra vida, que supera tudo o que vivemos até então.
A “vida eterna”, então, não é um prolongamento ao
infinito de nossa vida biológica. É a dimensão inesgotável e decisiva de nossa
existência. Ela torna-se “eterna” desde já.
A experiência da Ressurreição nos revela que a “vida” é
uma totalidade, ou seja, a vida presente, a vida atual, é uma vida que tem tal
plenitude que, com toda razão, podemos chamá-la de “vida eterna”, uma vida com
tal força e tão sem limites, que nem a morte mesma terá poder sobre ela.
Precisamos adquirir uma consciência mais profunda da vida do
espírito, perceber as pulsações desta vida eterna que está em nós, do mesmo modo
que, prestando atenção, percebemos as batidas de nosso coração.
A experiência do Ressuscitado nos faz ter um “caso de
amor com a vida”. Pois a vida autêntica é a vida movida,
iluminada, impulsionada pelo amor.
Nem sempre sabemos viver: conformamo-nos com uma vida
estreita, estéril, fechada ao novo, carregada de “murmurações”. Quando
acolhemos a presença do Ressuscitado, nossa vida se destrava e
torna-se potencial de inovação criadora, expressão permanente de liberdade,
consciência, amor, arte, alegria, com-paixão.... É vida em movimento, gesto de
ir além de nós mesmos; vida fecunda, potencial humano. Vida com fome e sede de
significado, que busca o sentido... Vida que é encontro, interação, comunhão,
solidariedade. Vida que é seduzida pelo amor, pela ternura. Vida que desperta o
olhar para o vasto mundo. Vida que é voz, é canto, é dança, é festa, é
convocação...
Com sua presença compassiva, o Ressuscitado desperta
nossa vida, arrancando-a de seus limites estreitos e constituindo-a
como vida expansiva em direção a novos horizontes. O
Ressuscitado nos precede, nos sustenta e, na liberdade de seu amor, nos impele
a ampliar nossa vida a serviço. Toda peregrinação, em clima de admiração e
assombro, se revela rica em descobertas e surpresas, e desperta o coração para
dimensões maiores que a rotina de cada dia. Nesse sentido, a vida tem
a dimensão do milagre e até na morte anuncia o início de algo novo; ela carrega
no seu interior o destino da ressurreição.
Essa nova Vida é capacidade de amar como Jesus amou; é “passar
pela vida fazendo o bem”. Somos seres ressuscitados se vivemos os mesmos
critérios e valores de Jesus, engajados em seu mesmo projeto. A “vivência
pascal” leva a querer algo mais. É “antecipação criadora”; ela tem “rosto
novo”. É o futuro que ainda pode ser convertido em “história nova”;
é vida vivida com encantamento. A “pedra pesada” da
nossa impotência diante da dor, do fracasso e da morte, foi tirada pelo Mestre,
que, nos chama pelo “nome” e nos desafia a viver como ressuscitados.
Nossa vida é uma experiência a acolher, uma
aventura a amar e um mistério a celebrar. Rompido o túmulo, removida a pedra,
resta caminhar... Deixemo-nos iluminar, levemos a Luz da
Ressurreição nas nossas pobres e frá-geis mãos, iluminando os recantos do nosso
cotidiano. Pois vida é um contínuo despedir-se e partir; é
inútil permanecer junto ao túmulo. Porque o ausente “aqui” está
presente na “Galileia”. E a Galileia é o lugar do compromisso com a
vida, a justiça e a paz.
Texto bíblico: Jo. 20,1-9
Na oração: Para viver a partir do ser mais profundo, é
preciso dedicar uma atenção especial ao próprio coração e aprender a
regozijar-se da maravilhosa vida de Deus em cada um. Basta um repouso
e o estar presente para fazer acalmar a agitação interior e aproximar-se da
fonte da vida.
- É tempo de esvaziar sepulcros; é tempo de remover as
pedras da entrada do coração que impedem a entrada da luz, da vida, do
canto...? O que lhe impede afastá-las?
- Faça memória das experiências de ressurreição: nos
encontros, na missão, sentimentos oceânicos de consolação, clareza diante do
sentido da vida, amar e sentir-se amado(a), a vivência da bondade e do bem...
Pe. Adroaldo Palaoro sj
* * *
CACAU EM VERSOS - Cyro de Mattos
Cacau em Versos
Cyro de Mattos*
Filho de
Francisco Benício dos Santos, conhecido como Chico Benício, pioneiro do
comércio em Itabuna, pecuarista e
cacauicultor abastado, Oscar Benício dos Santos
foi um dos rebentos numa prole de dez filhos. Exerceu a profissão de
dentista em Salvador e manteve ao longo do tempo fortes relações com a lavoura
cacaueira, chegando a se tornar também fazendeiro de cacau.
A arte de versejar foi uma de suas
aptidões, marcadas de compulsões criativas, embora publicasse em vida apenas o
livro Cacau em Versos (2013), com ilustrações de Alceu Pólvora e prefácio de
Hélio Pólvora. O livro é constituído de 63 poemas, a maioria deles no formato
de soneto. Vê-se assim que sua poesia obedece à composição em verso de lastro
tradicional, o poeta em nenhum momento
exerce o poema moderno, de versos livres.
Usa a rima
fácil, a métrica na estrofação, nem sempre com resultados perfeitos, como exige
o soneto, uma forma de composição fixa, distribuída em quatorze versos, duas
estrofes de quatro e duas de três. Vale notar que o soneto vem atravessando
séculos, no Brasil seduziu poetas de
criatividade rara, da grandeza de Cruz e Sousa, Jorge de Lima Vinicius de Morais, Sosigenes Costa e João Carlos Teixeira Gomes.
No livro Cacau
em Versos, como indica o título, a poesia tem como fonte o cacau e sua lavra, é por excelência
temática, daí ser visto nesta o poeta operar seu discurso sensitivo para
externar uma realidade objetiva, quase sempre optando pelo descritivo. Não ausculta
a problemática interior do indivíduo, não fere a crise do homem moderno, não
toca nas feridas sociais. O drama está ausente de horas críticas, dos rumores
rumo ao desconhecido, das fissuras e rupturas de caráter metafísico, decorrente
da natureza humana na diversidade da vida.
O sentimento
que emerge de conteúdo regionalista funde-se com uma visão romântica de vida. Na
estrofação arquitetada com habilidade, o
poeta expressa o real exterior que ressoa no coração. Interessa ao poeta dizer de sua empatia com
base na ciclagem vegetal de uma lavoura, em cada situação plasmar os momentos e
cenas que o sensibilizaram, causaram impressões e sensações. Existem nesses
cantares rurais apenas vestígios do épico, que, como se sabe, dotou a lavra
cacaueira de um parto doloroso na selva inexplorada e perigosa. Nessa poesia de
vias rurais vê-se que ao invés do drama com suas sombras e abismos pulsar nas veias
repercute a alma lírica do poeta, que tudo recorda, anota e não esquece, como
no poema “Rio Cachoeira II”.
Rio de minha distante meninice,
Navegado entre margens passageiras,
Carregando sonhos – artífice
De lendárias estrofes feiticeiras.
Rio e suas laboriosas lavadeiras,
Que atapetavam, com branca espuma,
Peraus turvos de alegres brincadeiras
Da criançada que sumia em sua bruma.
Rio das cabeças d’águas temidas,
Que arrastavam desde suas cabeceiras,
Pescadores, crianças e outras vidas,
Que eram levadas por corredeiras,
Boiando e descendo à foz perdidas
No mar, seu final destino, ó Cachoeira!
Sentimentos nos quadros pintados com mãos do pintor atento,
a fauna apresentada por alguns de seus habitantes, a flora com seus odores e
fragrâncias, lendas e crendices estão presentes na poética singela de Cacau em Versos.
No poema “Estrelas Secam Cacau”, o poeta faz com que seu
estro motivado pela lavoura do cacau mostre a sedução que o trouxe para o reino
de mágicos sonhos, pontuados com encanto e fantasia.
Estrelas também secam cacau:
quando exposto em noite estrelada,
sobre a barcaça ou em tosco jirau,
seca e a semente fica
dourada;
então será no tabuado pisada
- em noite de festa de alegre sarau –
na madrugada, antes da alvorada,
até que perca o amargor do cacau.
Cada estrela doura uma semente,
cada semente perfuma uma estrela!
Pra ver a amêndoa, a estrela se fez cadente
e desceu do céu só para tê-la.
E a semente, de aroma recendente,
envolveu-a pra prendê-la.
Certa vez o escritor Euclides Neto disse-me que a literatura
é como a floresta, nela todos cabem. Há árvores enormes, grandes, médias e
menores. Todas elas contribuem para a formação de um corpo pujante e denso.
Estudiosos acham que a força e o valor de uma poesia estão na situação de seus
motivos. Na sua poética, Oscar Benício
dos Santos é diferente de seus conterrâneos, os poetas Telmo Padilha, Valdelice
Soares Pinheiro e Walker Luna, que não produziram o soneto. Sua poesia, impulsionada
pelo ambiente da lavra do cacau, tece o estro com os fios de sonora empatia,
transposta em forma de soneto na maioria das vezes.
Em Chico Benício e Seu Clã, retalhos de prosa biográfica,
Oscar Benício dos Santos foge da tônica regionalista e apresenta alguns poemas
de costumes, inspirados nas relações mantidas com os familiares.
Entre os poemas de Cacau em Versos, destaco “Aurora no
Cacaual”, ”Crendices no Cacaual”, “Velho Cacaueiro I”, “Tabocas II” e “Perdido na Roça”. Deixo para
a crítica e o leitor a tarefa de apreciarem a poética desse poeta de Itabuna,
dizendo sobre o que o seu livro tem de vida e de seu valor como obra artística.
Referência
Oscar Benício dos Santos, Cacau em Versos, Editus, Ilhéus,
Bahia, 2013.
Chico Benício e sua clã, edição particular,
sem data.
.........
*Cyro de Mattos é ficcionista, poeta, cronista, ensaísta e
autor de literatura infantojuvenil. Membro efetivo da Academia de Letras da
Bahia. Doutor Honoris Causa da UESC (Bahia).
Possui prêmios importantes. Publicado no exterior.
sábado, 11 de abril de 2020
SÚPLICA – Cyro e Mattos
Súplica
Cyro de Mattos
Se te pus nesse calvário,
Coroei com cuspe e
escárnio,
Ofendi com agudo cravo,
Nada me disse o teu sangue,
Não te vi olhando-me no alto,
Vesti com roxo o dia claro,
A mim atendei, ó pai
Derramai o teu perdão
No meu coração abandonado.
Cyro de Mattos escreve crônica, conto, poesia, ensaio e
literatura infantojuvenil. Tem no prelo da Editus, editora da UESC, Nada Era
Melhor, romance da infância, Pequenos Corações, contos, e O Discurso do Rio,
poesia.
* * *
RECITAÇÃO DO EXORCISMO NO SÁBADO SANTO
Comunicado de imprensa de Dom Carlo Maria Viganò convidando
Bispos e Sacerdotes para recitar o Exorcismo no Sábado Santo (11 de abril. No
Brasil às 11 horas da manhã).
No dia 13 de outubro de 1884, o Papa Leão XIII [quadro ao
lado] teve uma visão terrível do ataque dos poderes infernais contra a Santa
Igreja, e por isso ordenou que se recitasse a oração a São Miguel Arcanjo no
final da Missa. Ele também compôs um exorcismo que inseriu no Ritual Romano, no
qual fez menção expressa ao que havia visto: “A Igreja, Esposa do Cordeiro
Imaculado, está saturada de amargura e inebriada pelo veneno de inimigos
astutos, que impõem suas mãos sacrílegas sobre todas as coisas mais sagradas.
Onde residem a Sé do bem-aventurado Pedro e a Cátedra da Verdade, constituídas
para iluminar os povos, ali eles estabelecem o trono da abominação e da sua
impiedade, a fim de que golpeado o Pastor, o rebanho seja também disperso.”
Nestes dias de grave tribulação, em que a pandemia priva os
católicos da Santa Missa e dos sacramentos, o demônio se desencadeia,
multiplicando seus ataques para induzir as almas ao pecado. Os dias abençoados
da Semana Santa, outrora dedicados à Confissão preparatória para a Comunhão da
Páscoa, veem todos nós constrangidos ao confinamento forçado, mas não impedidos
de orar ao Senhor.
Sendo um dia de silêncio, na espera do anúncio da
Ressurreição, este Sábado Santo pode ser uma ocasião preciosa para todos os
Ministros Sagrados. Não é preciso sair de casa, nem violar qualquer proibição
da autoridade civil.
Convido-os para que às 15 horas (horário de Roma) do
sábado, 11 de abril de 2020 (corresponderá às 11 horas da manhã no
Brasil), todos rezemos juntos, na forma estabelecida por Leão XIII para
toda a Igreja, o exorcismo contra Satanás e os anjos rebeldes (Exorcismus
in Satanam et angelos apostaticos, Rituale Romanum, Tit. XII, Caput III), participando
assim de uma batalha espiritual contra o Inimigo comum da humanidade.
O Sábado Santo é o dia em que se celebra a descida de Nosso
Senhor Jesus Cristo aos infernos para libertar as almas dos justos do Antigo
Testamento das correntes de Satanás. No grande silêncio após a Paixão e Morte
do Senhor, a Santíssima Virgem velou e creu, esperando com confiança a
Ressurreição de seu amado Filho. Era um momento em que o mundo parecia ter
vencido, mas quando tudo estava sendo preparado para a glória da Páscoa.
Peço a todos os meus confrades do episcopado e aos
sacerdotes que se unam na recitação do exorcismo, cientes de que este poderoso
Sacramental — especialmente se recitado em comunhão com todos os outros
Pastores — ajudará a Igreja e o mundo na luta contra Satanás. Recomendo também
usar a estola, símbolo do poder sacerdotal, e água benta.
Que a Santíssima Virgem, terrível como um exército em
ordem de batalha, e São Miguel Arcanjo, padroeiro da Santa Igreja e Príncipe
das Milícias Celestiais, protejam a todos nós.
+ Carlo Maria Viganò, arcebispo titular de Ulpiana
Quinta-feira Santa 2020
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