Total de visualizações de página

terça-feira, 14 de abril de 2020

A GRIPE, A CHINA, A REVOLUÇÃO CULTURAL E FÁTIMA


14 de abril de 2020
 Lidador

Tanto a perspectiva histórica como a análise rigorosa dos fatos favorecem uma lúcida e objetiva percepção da realidade presente e futura. Por isso, dizia o nosso grande Padre António Vieira: “Se no passado se vê o futuro, e no futuro se vê o passado, segue-se que no passado e no futuro se vê o presente, porque o presente é futuro do passado, e o mesmo presente é o passado do futuro”.[1]

Há cerca de três décadas, ruiu o muro de Berlim [foto] e desmoronou-se, com estrondo e vergonha, o mundo soviético, ponta de lança do imperialismo comunista, o qual propugnava a implantação de Estados totalitários no mundo inteiro, os quais, por sua vez, haveriam de conduzir a humanidade a uma “igualdade” absoluta entre todos os homens e a uma radical “liberdade”. O igualitarismo radical e anárquico era a sua meta última. Não se pense, porém, que tal meta foi, depois disso, abandonada. A queda do muro não foi, ao contrário do que muitos disseram, o canto de cisne do comunismo. Persistiram sob o mesmo jugo totalitário a Coreia do Norte, o Vietnã, Cuba, a China Maoista, a Venezuela e muitos outros países, sobretudo na África…

Vinte anos antes da queda do comunismo soviético, já fora anunciada, para quem quisesse ver, uma das metamorfoses que deveria sofrer o coletivismo. Foi em Paris que se deu este anúncio, em Maio de 68. A Revolução Cultural então propugnada visava transformar radicalmente as mentalidades, constituindo um novo capítulo da guerra psicológica revolucionária. Tratava-se de uma guerra de conquista psicológica total, visando o homem na sua integridade.

Uma das modalidades dessa guerra psicológica pós-Sorbonne, que numerosos autores socialistas[2] e comunistas passaram a reconhecer como indispensável para escapar ao pântano em que se afundara o comunismo, que acabara por revelar toda a sua hedionda fisionomia sanguinária, entre “gulags”, deportações em massa, genocídios e campos de trabalhos forçados, seria uma silenciosa e sorrateira transformação operada agora na vida quotidiana dos países “capitalistas”; nos seus costumes, mentalidades, modos de ser, de sentir, de viver… Tal transformação prepararia, então, as mudanças socioeconômicas destinadas a submeter totalmente as consciências ao todo-poderoso Estado totalitário.

Esta fase revolucionária, então desencadeada, é, na verdade, uma subtil guerra psicológica e tendencial que pretende tornar possível a tão almejada utopia igualitária e libertária. Sem estas mudanças, as vitórias revolucionárias no campo político-ideológico tornar-se-iam necessariamente efêmeras, pois a reações inevitavelmente suscitadas pela implantação do totalitarismo coletivista serão sempre um empecilho para o avanço do projeto.[3]

*   *   *
Ora, aconteceu precisamente que, ao longo dos últimos trinta anos, se difundiu pelo mundo um grande movimento de resistência à dita agenda única, que se tornara a principal promotora do aborto, da eutanásia, da união e adoção homossexual, da ideologia de gênero, do ecologismo, do animalismo, etc.. Países com grande importância na geopolítica mundial viram a sua opinião pública despertar da letargia em que caíra e eleger políticos que se apresentavam, de algum modo, como opositores da dita agenda. Nesse sentido, pode-se afirmar que a revolução perdeu terreno.

*   *   *

Enquanto tudo isto acontecia, o gigante chinês, alentado pelas faraônicas concessões ocidentais, a partir da visita de Nixon à China, em 1972[4], pelos suicidas acordos de Xangai,[5] e por uma parcial liberalização interna da iniciativa privada — sob a forma de verdadeiro “capitalismo selvagem” — e sem nada abandonar do seu comunismo totalitário e ferreamente despótico, começou a tomar posição claramente dominante no panorama internacional,[6] com o objetivo — nas palavras de Xi Jinping —, de “recuperar todo o poder da China imperial». As nações ocidentais «estúpidas e decadentes” passaram a colaborar entusiasticamente para fortalecer ao máximo a potência amarela.[7] Esta, de seu lado, dedicou-se, entretanto, a incrementar o seu potencial bélico, sempre servido pelo portentoso aparato de um partido com os seus alegados 90 milhões de membros, e avançou em todo o mundo para a aquisição de incontáveis bancos, empresas, sociedades comerciais, tecnologia de ponta, matérias-primas e bens de toda a espécie. Começaram a instalar bases militares, no estratégico porto de Djibuti (Mar Vermelho), no sul da Argentina, no norte do Afeganistão, em numerosas ilhas e atóis do Índico e do Pacífico, além de diversos pontos da chamada “Rota da Seda”. Também passaram a controlar pontos estratégicos do planeta, em troca de infra-estruturas que os países necessitavam, mas não conseguiam pagar. É o caso do porto mais importante do Sri Lanka, da linha de caminho-de-ferro de Benguela, em Angola, de diversas obras em Moçambique, do porto do Pireu na Grécia ou do aeroporto de Toulouse, em França. Dez por cento dos portos europeus passaram, deste modo, para controle chinês.
Um povo disciplinado ferreamente pela estatolatria, e acolhido benevolamente pela OMC, despejou pelo mundo inteiro os seus produtos — muitíssimos deles contrafeitos e a preços irrecusáveis — assim competindo de forma arrasadora na economia de mercado. Competição muitas vezes desleal, dado o baixíssimo custo da sua mão-de-obra, que não se vê como qualificar senão como “escrava”.
Assim, pois, o mínimo que se poderia esperar de tal potência — dotada agora de um incrível poderio militar — é que procurasse a expansão da sua influência e da sua ideologia numa colossal manobra geopolítica.

*   *   *

Em Sevilha, a Ponte de Triana totalmente abarrotada numa das procissões de Semana Santa de 2019. Na imagem inferior, foto do mesmo lugar no recente Domingo de Ramos.

Ora, precisamente neste ano de 2020, encontramos de súbito, como num imprevisto passe de mágica, o modus vivendi chinês implantado em quase todo o Ocidente. Com efeito, desde que se disseminou a nova e perigosa gripe que teve origem naquele país, as populações viram-se, de repente, confinadas em casa, sem liberdade de ir e vir, e numa total dependência da vontade do Estado. As próprias igrejas foram fechadas e os fiéis privados dos sacramentos, até mesmo os moribundos. Justamente durante a Quaresma, a Semana Santa e a Páscoa, cujas cerimônias litúrgicas foram banidas das igrejas…[8]

Tal como na China, as liberdades em geral tornaram-se absolutamente restritas e controladas pelo poder central. Esta crise, empolada ad nauseam pelos media,[9] desencadeará inevitavelmente uma gravíssima crise econômica em todo o Ocidente, já confirmada pelos mais abalizados economistas, que levará os povos ocidentais a dependerem ainda mais dos respectivos Estados, e, sobretudo, de uma China, súbita e surpreendentemente curada da gripe, e que aparece, de repente, a controlar toda a economia global de um mundo sem fronteiras.

Curiosamente, em todo o mundo ocidental, os partidos da esquerda, de centro-esquerda e ecologistas parecem perceber que tudo isto leva justamente aonde eles queriam. O Courrier internacional, corifeu da esquerda internacional, suplemento do Le Monde, que em Portugal é uma revista mensal, tem afirmado reiteradamente, que só o pânico poderá alterar a forma de viver dos consumistas.[10] Numa das suas capas chegou a perguntar solenemente se não terá chegado o momento de impor ao mundo a agenda climática.

Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, com Xi Jinping

O securitarismo hodierno pretende a todo o custo ver na OMS um oráculo da verdade. O seu diretor-geral declarou, há algumas semanas, que a presente gripe constituía uma pandemia. As tubas da mídia continuam a dar repetido eco às suas palavras de tons apocalípticos. Convém não esquecer, contudo, que este senhor é um marxista militante, que foi ministro da saúde da Etiópia, envolvido em diversas controvérsias no seu país, como a de ter encoberto epidemias de cólera e de estar acusado de graves escândalos de corrupção fiscal. Outro pormenor inquietante: o governo comunista chinês não deixou de manifestar especial regozijo quando da sua nomeação como diretor-geral da OMS.

Por outro lado, convém não deixar de sublinhar que a Covid 19, embora provoque elevada mortalidade, não se aproxima, nem de longe, dos números de outras epidemias, como foi o caso da tuberculose e da gripe espanhola ou pneumônica. Esta matou 50 milhões de pessoas e infectou mais de um terço da população mundial, nos anos de 1918 e 1919,[11] causando mais mortes do que a 1ª Guerra Mundial. Por sua vez, a gripe H1N1 matou entre 200 e 400 mil pessoas segundo diversas estimativas, só no ano de 2009.[12] Na última década, houve um aumento dramático do número de variantes graves do vírus influenza, que entra na população humana a partir de reservatórios animais.

Convém referir ainda que a gripe do Covid-19 atinge de modo especialmente letal ou perigoso aqueles que já estão fragilizados por diversos outros motivos e, embora ainda não exista uma vacina, a esmagadora maioria dos infectados — mais de 80% [13] — recupera-se naturalmente pela reação dos seus próprios anticorpos, ou por medicamentos já disponíveis para doenças afins, mas altamente eficazes contra o coronavírus.[14]

No entanto, o diktat da imprensa e de muitos governantes, contrariando a opinião de abalizados cientistas, é de que se torna indispensável impor uma drástica quarentena, confinamento em casa e cordões sanitários em torno das cidades, obrigando ao encerramento da maior parte das empresas. Tal paralisação, que muitos especialistas qualificam como contraproducente do ponto de vista epidemiológico,[15] produzirá inevitavelmente consequências econômicas catastróficas, com as suas sequelas de desemprego, fome, desordens sociais e até guerras. Ao mesmo tempo, de cá e de lá, vão surgindo melífluas vozes de sereia a anunciar o advento de uma radical mudança de paradigma social e econômico no mundo inteiro, rumo a uma sociedade claramente miserabilista. Outros vão dizendo que o mundo jamais será o mesmo e que teremos de alterar radicalmente, nesse mesmo sentido, os nossos hábitos.

*   *   *

Imagem de Na. Sra. de Fátima (ladeada por Francisco e Jacinta) da Basílica da Estrela, Lisboa [Foto PRC]

Neste ponto, seria oportuno regressarmos a uma perspectiva histórica, olhando para o início do século XX, quando outra gripe, chamada espanhola ou pneumônica, de fato causou uma verdadeira hecatombe. Duas das suas vítimas foram precisamente os pequeninos pastores a quem Nossa Senhora aparecera: Francisco e Jacinta Marto.

Num lugar perdido da Serra d’Aire, um acontecimento histórico acabara de colocar Portugal novamente no centro da História, no ano de 1917. Foram as aparições de Nossa Senhora em Fátima, exatamente quando rebentava na Rússia a revolução bolchevique. O milagre do Sol, as previsões sobre as guerras mundiais, sobre a expansão dos erros do comunismo e futura conversão da Rússia marcaram uma impressionante manifestação da misericórdia divina. A Mãe de Deus viera pedir uma verdadeira conversão dos povos, num grande movimento de oração e penitência, que afastasse para longe as calamidades da guerra, das revoluções e da fome, — embora se dirigisse a três crianças de um lugarejo perdido, que nem sequer sabiam o que a palavra Rússia significava.

Sempre foi doutrina da Igreja que a peste, a fome e a guerra[16] (Jer 29, 17) são castigos de Deus, provocados pela infidelidade dos homens ao seu Criador. “As guerras não são senão castigos pelos pecados dos homens” dizia a pequena Jacinta, hoje elevada às honras dos altares.

Esta é outra chave para analisar os acontecimentos dos nossos dias: a chave sobrenatural. O grande ausente das tubas da mídia, das considerações da maioria dos governantes, e até, infelizmente, dos próprios homens da Igreja, é Deus nosso Senhor. O homem moderno, cada vez mais descrente, despreza qualquer consideração que ultrapasse a linha do puramente horizontal, natural, prosaico e terreno. As análises dos números, referentes à saúde pública, à economia, à geopolítica, à educação, etc., omitem como despiciendas quaisquer referências ao Criador dos Céus e da Terra.

As Igrejas foram fechadas. Os sacramentos quase completamente negados, até mesmo aos infelizes moribundos, o Santo Sacrifício da Missa, com a presença real de Deus em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, é recusado aos fiéis, que parecem ter voltado aos tempos das catacumbas.[17]

Seja como for, a vitória sobre os erros que a Rússia espalhou pelo mundo, anunciada em Fátima pela Mãe de Deus, virá. O triunfo do Imaculado Coração de Maria é certíssimo!

Porém, tal não significa que antes de isso acontecer a Humanidade não tenha de ser purificada através de tremendas provações. A peste, que talvez produza a fome e quiçá a guerra, sempre foi, repito, considerada pela doutrina tradicional da Igreja como castigo merecido pelos pecados dos homens.

“Por fim o meu Imaculado Coração triunfará!” Esta foi a grande promessa de Nossa Senhora em Fátima.

Este triunfo virá após um castigo, que se tornou merecido pela apostasia generalizada, tanto dos governantes, temporais e espirituais, como dos povos que aceitaram sem indignação, viver num mundo em que a Lei de Deus é conculcada por uma legislação que permite a eliminação diária de incontáveis criaturas inocentes através do crime do aborto — mais do que as vítimas do coronavírus! (Por ano, realizam-se só em Portugal cerca de 15.000 abortos!!!); legislação que também escancarou as portas ao divórcio, à eutanásia, ao chamado casamento homossexual e às piores perversões, desde a pornografia e a profanação da inocência das crianças, até às práticas mais contrárias aos direitos de Deus e aos princípios da Civilização Cristã.


[1] “Citações e Pensamentos de Padre António Vieira” (2ª edição), 650 Citações, 170 Textos, 256 Páginas, Casa das Letras, Lisboa 2010.
[2]Entre eles destacaram-se autores franceses, como Alain Touraine, Pierre Fougueirollas, Pierre Rosanvallon, Laurent Joffrin, o austríaco-francês André Gorz e o teórico socialista espanhol Ignacio Sotelo.
[3]Diz, neste sentido, o socialista francês Pierre Fougueirollas: «Os jovens aspiram a novas relações interpessoais entre pais e filhos, entre professores e alunos, enfim, entre os próprios jovens, a partir de uma sexualidade expansiva.A revolução psicosexual que se gera actualmete na juventude, constitui uma força decisiva para alcançar a revolução total» (Marx, Freud e a Revolução total,pp. 336-367). Por sua vez, Marcuse diz: «Podemos falar indiscutivelmente de revolução cultural, posto que o protesto se dirige contra todo o stablishment cultural, incluindo a moral da sociedade existente (A sociedade carnívora).
[4]Comentando o “calamitoso” acordo de Xangai, para promover a “colaboração” em matérias como a ciência, a tecnologia, a cultura, o desporto e o jornalismo, dizia em 1972, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira: «dada a candura liberal dos norte-americanos e a astúcia comunista dos chineses, tal tratado dará um resultado altamente conveniente para os comunistas. Estes entrarão em tais relações com o único objectivo de aproveitar todas as ocasiões para fazer aceitar a sua ideologia pela outra parte (…). Noutros termos, as relações sino-americanas irão desenvolver-se numa base da qual os chinos saberão tirar partido, e os americanos não».
E concluía o saudoso pensador brasileiro: «Yalta foi uma calamidade maior do que Munique. Foi Munique multiplicada por Munique. A Declaração de Xangai, é uma Yalta multiplicada por Yalta.— Onde nos levará ela?» (Folha de S. Paulo, 12 de Março de 1972).
[5]Na capital amarela, Nixon encontrou uma camarilha política ambiciosa e decidida a levar a cabo de forma inexorável a expansão do comunismo, conhecendo todas as fraquezas do parceiro americano e disposto a explorá-las a fundo, trocando concessões palpáveis por promessas vagas. Foi muito semelhante o que aconteceu nos acordos de Munique de 1939. A França e a Inglaterra, fizeram ao eixo Roma-Berlim as maiores concessões. Em troca, pediam a Hitler vagas promessas de paz. Assinado o tratado, Chamberlain e Daladier receberam nas respectivas capitais, ovações apoteóticas de populações que só pensavam em gozar pacatamente a vidinha quotidiana. Churchill exclamou, então, com perspicácia: “Tínheis a escolher entre a vergonha e a guerra: preferistes a vergonha e tereis a guerra”.
[6]Entretanto, milhões de católicos chineses, que resistiram heroicamente ao regime comunista, continuam a ser ferreamente perseguidos. Em 2014, por exemplo, uma campanha contra alegados edifícios “ilegais” na província de Zhejiang levou à demolição de mais de duas mil construções cristãs e de 600 cruzes.
[7]«Para vencer, necessitaremos de um elemento de surpresa. A burguesia deverá ser adormecida. Começaremos por lançar o mais espectacular movimento de paz que jamais tenha existido. Haverá proposições electrizantes e concessões extraordinárias. Os países capitalistas, estúpidos e decadentes, cooperarão com alegria para a sua própria destruição. Precipitar-se-ão sobre a nova oportunidade de amizade. No mesmo instante em que baixem a sua guarda, esmagá-los-emos com o nosso punho fechado». (Dimitri Z. Manuilsky, conferência pronunciada em 1931, na Escola Lenine de Guerra Política, apud Jean Ousset. “El marxismo leninismo”. Editorial Iction, Buenos Aires, 2a. ed., 1963 p. 113 – Manuilsky foi eleito presidente do Conselho de Segurança da ONU em 1949).
[8]Devemos dizer que há, pelo menos, uma muito honrosa excepção: o episcopado da Polónia decidiu não fechar as igrejas e, pelo contrário, multiplicar as Missas, a fim de criar espaços entre os fiéis durante as celebrações. A Sagrada Comunhão continuou a ser dada, como sempre, de joelhos e na boca. A Polónia é um dos países onde o número de infectados é mais reduzido…
[9]O The Daily Telegraph, de 23/03/20, noticia que em Itália seestão a contabilizar como vítimas do Covid-19 pessoas que morrem por outras causas, e transcreve, nesse sentido, as declarações de um cientista italiano, o Prof. Walter Ricciardi, assessor do Ministério da Saúde, nas quais admite que 88% dessaspessoas já tinham problemas graves que conduziriam à morte.
[10] “Courrier internacional”, Lisboa, Julho 2019, nº 281, «Chegou a hora de entrar em pânico»; «O medo pode ser a nossa salvação»; «Só o medo pode mudar os hábitos altamente carbonizados do mundo capitalista».
[11]US National Library of Medicine (Relatório de Kirsty R. Short, Katherine Kerdsierska, Carolien van de Sandt, professores de microbiologia e imunologia da Universidade de Melbourne e Queensland, Austrália, publicado online em 8 de Outubro de 2018).
[12]O vírus “H5N1”, assim como o “H1N1”, o “H2N2”, o “H3N2”, o “H3N8”, o “H7N2”, o “H9N2” e outras 190 codificações de variações genéticas do vírus da “Influenza A”, conhecido também como “vírus da gripe das aves”, ou simplesmente, “vírus da gripe”, é muito mais letal do que o coronavírus, matando no mundo cerca de 5.000 pessoas por dia. Para confirmar estes dados, basta consultar as estatísticas da própria OMS.
[13] Dados oficiais da OMS divulgados a 17/02/2020.
[14]O médico e microbiologista francês Didier Raoult, director do serviço de infectologia do Hospital de Marselha, tornou-se mundialmente conhecido nos últimos dias por dar a conhecer o único tratamento que realmente provou ser eficaz contra o virus chinês causador da Covid-19.O Dr. Raoult estuda há 13 anos os efeitos da cloroquina(mais precisamente, um dos seus derivados, a hidroxicloroquina)como antiviral (associado com o único antibiótico que funciona sobre os virus, a azitromicina). «São moléculas antigas, sem problemas de maior de toxicidade, e imediatamente disponíveis»,é o que afirma esteconceituado professor da Universidade de Marselha, que é o cientista com mais estudos e experiências produzidas sobre doenças virais no mundo. Surpreendentemente – ou não!? – enfrentauma tentativa de ridicularização e uma espantosa campanha de silêncio por parte da grande imprensa internacional (Ver: “Le Parisien”, de 27 de Março de 2020).
[15]Expresso, 19/03/20.
[16]«Eis o que diz o Senhor dos exércitos: Vou enviar contra eles a espada, a fome e a peste, e tratá-los-ei como figos deteriorados, tão maus que não se podem mais comer.Irei persegui-los com a espada, a fome e a peste, e deles farei objeto de horror ante todos os reinos da terra (…) porque não escutaram as minhas palavras – oráculo do Senhor – quando, sem cessar, lhes enviava os profetas, meus servos, aos quais também não ouviram – oráculo do Senhor». Jeremias, 29, 17-19.
[17]«Ao concentrarem-se exclusivamente em todas as medidas de protecção higiénica (os bispos que fecharam as suas igrejas) perderam uma visão sobrenatural e abandonaram a primazia do bem eterno das almas» afirmou o Bispo D. Athanasius Schneider, em 31 de Março de 2020.


 * * *

segunda-feira, 13 de abril de 2020

A PANDEMIA: Atire a primeira pedra


“Aquele que tiver a real solução para esse problema que atire a primeira pedra!

Atire no Prefeito que fechou a cidade e mandou todos para casa.

Atire no Presidente que pede para abrir a cidade e a volta ao trabalho.

Atire nos médicos que pedem o isolamento social para evitar o colapso no sistema de saúde.

Atire nos economistas que pedem para voltar a rotina prevendo um colapso financeiro.

Se voltar tudo a funcionar vai morrer quantas pessoas?

Se ficar em isolamento social vai morrer quantas empresas?

Ninguém sabe!

Quando um problema não tem solução, elegemos um culpado, um inimigo, um vilão...

Não, a culpa não é do Prefeito!

Não, a culpa não é do Governador!

Não, a culpa não é do Presidente!

Nem dos médicos, nem dos economistas e nem do Ministro.

Eles estão tão perdidos quanto todos nós.

Tão perdidos quanto Donald Trump e todos os líderes mundiais.

Fomos pegos de surpresa sem manual de procedimentos. Cada um acha uma coisa, mas ninguém tem certeza.

Então, quem sabe, não é a hora de parar de perder tempo atirando pedras e dando palpites, e começar a orar mais, amar mais, chorar mais, valorizar mais os amigos e a família.

Talvez seja essa a solução!”


(Recebi via Whats - Autor desconhecido)

* * *

domingo, 12 de abril de 2020

PALAVRA DA SALVAÇÃO (178)


Domingo da Páscoa do Senhor – 12/04/2020

Anúncio do Evangelho (Jo 20,1-9)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”.
Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou.  Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte.
Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu, e acreditou. De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

---
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Padre Roger Araújo:

---

Ligue o vídeo abaixo:




“Tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram” (Jo 20,2)

Em Jesus ocorre algo totalmente novo. Ele traz uma nova maneira de viver que não cabe em nossos esquemas, que não se encaixa em nossos hábitos, sempre limitados e estreitos.

“mistério pascal” é o salto para a novidade, para a beleza, para a transcendência. Imersos na história e na natureza, a Ressurreição nos faz descobrir a verdadeira extensão da Vida.

Não encontramos o Ressuscitado no sepulcro, mas na vida. Não encontramos o Ressuscitado enfaixado e paralisado pela morte, mas livre como a brisa da vida. 

A pedra que fora removida do túmulo de Jesus indicou a Maria Madalena uma novidade que seu coração buscava, uma novidade que espanta, enche o coração do desejo de procura: “Ele vive”.

O caminho dela em direção ao túmulo é símbolo da coragem de atravessar o escuro da madrugada para ver resplandecer uma nova aurora em sua vida, pela força criadora da única Presença que tudo sustenta, tudo recria e enche de amor. A presença do Cristo Ressuscitado.

Na madrugada da Páscoa, Maria Madalena vai ao sepulcro; ela é símbolo daquela comunidade que se movia entre a luz e a obscuridade. Ainda vive focada no sepulcro (morte); por isso, “ainda estava escuro”. Mas, ao mesmo tempo, começava a clarear (“ao amanhecer”) e a “pedra estava removida” (a pedra da dúvida, da tristeza e da resignação fatalista). Tudo parece anunciar algo definitivamente novo: é “o primeiro dia da semana”; trata-se, nada menos, que de uma nova Criação.

Segundo os evangelistas, as mulheres são as primeiras testemunhas da ressurreição de Jesus Cristo, pois Ele aparece primeiramente a elas. Segundo Tomás de Aquino o motivo desta precedência é porque elas estavam melhor preparadas que os homens para entender e acolher a maravilha da Vida.

E estavam melhor preparadas porque O tinham amado mais. 

Na ressurreição, a vida emerge de forma misteriosa; ela se impõe, simplesmente. Tal realidade desperta fascinação, provoca admiração e veneração..., porque a vida é sempre sagrada. Diante dela ficamos exta-siados, boquiabertos, escancarados os olhos e afiados os ouvidos. Ela nos atrai por sua força interna.

Portador de uma vida inesgotável, revelada na madrugada pascal, o ser humano vive para mergulhar em algo diferente, novo e melhor. A vida, desde o mais íntimo da pessoa humana, deseja ser despertada e ilu-minada em plenitude. Amar é romper a casca para que a vida se expanda na doação. A morte do falso “eu” é a condição para que a vida se liberte.

Vida plena prometida por Jesus: “Eu vim para que tenham vida e vida em abundância” (Jo. 10,10).

“Viver como ressuscitado” implica esvaziar-se do “ego”, para deixar transparecer o que há de divino. 

Quem se experimenta a si mesmo como “Vida” é já uma pessoa “ressuscitada” e isso faz a grande diferença, pois tem um impacto no seu modo de ser e de viver.

Marcadas pela ressurreição, as pessoas captam muitos detalhes que antes não haviam percebido, vivem intensamente, amam com mais paixão, prestam atenção a muitas coisas que antes lhes passavam desapercebidas. Tem um comportamento diferente para com os outros; há, nestas pessoas, mais ternura, são mais sensíveis à dor e à injustiça. Ao saborear o presente da vida, vivem como se fossem ressuscitadas.  Crêem que, amando mais a vida, se afastarão mais da morte e resistirão às hostilidades do mundo presente. E, no entanto, continuam vivendo na mesma casa, no mesmo trabalho, fazendo as mesmas coisas... , mas seu olhar audacioso desperta as consciências, sacode as velhas estruturas, derruba os muros da exclusão.

A Ressurreição não só “dá o que pensar”, mas sobretudo, “dá o que fazer”. 

O encontro com o Ressuscitado é fonte de vida e vida em crescente amplitude. Quando nos dispomos a caminhar com Ele, sob a ação do Espírito, realiza-se em nós um processo de abertura e de superação, de crescimento e de reconstrução de nós mesmos...; tomamos consciência de uma dimensão profunda de nosso interior, que nos permite experimentar uma outra vida, que supera tudo o que vivemos até então.

A “vida eterna”, então, não é um prolongamento ao infinito de nossa vida biológica. É a dimensão inesgotável e decisiva de nossa existência. Ela torna-se “eterna” desde já.

A experiência da Ressurreição nos revela que a “vida” é uma totalidade, ou seja, a vida presente, a vida atual, é uma vida que tem tal plenitude que, com toda razão, podemos chamá-la de “vida eterna”, uma vida com tal força e tão sem limites, que nem a morte mesma terá poder sobre ela.

Precisamos adquirir uma consciência mais profunda da vida do espírito, perceber as pulsações desta vida eterna que está em nós, do mesmo modo que, prestando atenção, percebemos as batidas de nosso coração.

A experiência do Ressuscitado nos faz ter um “caso de amor com a vida”. Pois a vida autêntica é a vida movida, iluminada, impulsionada pelo amor.

Nem sempre sabemos viver: conformamo-nos com uma vida estreita, estéril, fechada ao novo, carregada de “murmurações”. Quando acolhemos a presença do Ressuscitado, nossa vida se destrava e torna-se potencial de inovação criadora, expressão permanente de liberdade, consciência, amor, arte, alegria, com-paixão.... É vida em movimento, gesto de ir além de nós mesmos; vida fecunda, potencial humano. Vida com fome e sede de significado, que busca o sentido... Vida que é encontro, interação, comunhão, solidariedade. Vida que é seduzida pelo amor, pela ternura. Vida que desperta o olhar para o vasto mundo. Vida que é voz, é canto, é dança, é festa, é convocação...

Com sua presença compassiva, o Ressuscitado desperta nossa vida, arrancando-a de seus limites estreitos e constituindo-a como vida expansiva em direção a novos horizontes. O Ressuscitado nos precede, nos sustenta e, na liberdade de seu amor, nos impele a ampliar nossa vida a serviço. Toda peregrinação, em clima de admiração e assombro, se revela rica em descobertas e surpresas, e desperta o coração para dimensões maiores que a rotina de cada dia. Nesse sentido, a vida tem a dimensão do milagre e até na morte anuncia o início de algo novo; ela carrega no seu interior o destino da ressurreição.

Essa nova Vida é capacidade de amar como Jesus amou; é “passar pela vida fazendo o bem”. Somos seres ressuscitados se vivemos os mesmos critérios e valores de Jesus, engajados em seu mesmo projeto. A “vivência pascal” leva a querer algo mais. É “antecipação criadora”; ela tem “rosto novo”.  É o futuro que ainda pode ser convertido em “história nova”; é vida vivida com encantamento. A “pedra pesada” da nossa impotência diante da dor, do fracasso e da morte, foi tirada pelo Mestre, que, nos chama pelo “nome” e nos desafia a viver como ressuscitados.

Nossa vida é uma experiência a acolher, uma aventura a amar e um mistério a celebrar. Rompido o túmulo, removida a pedra, resta caminhar... Deixemo-nos iluminar, levemos a Luz da Ressurreição nas nossas pobres e frá-geis mãos, iluminando os recantos do nosso cotidiano. Pois vida é um contínuo despedir-se e partir; é inútil permanecer junto ao túmulo. Porque o ausente “aqui” está presente na “Galileia”. E a Galileia é o lugar do compromisso com a vida, a justiça e a paz.

Texto bíblico:  Jo. 20,1-9 

Na oração: Para viver a partir do ser mais profundo, é preciso dedicar uma atenção especial ao próprio coração e aprender a regozijar-se da maravilhosa vida de Deus em cada um. Basta um repouso e o estar presente para fazer acalmar a agitação interior e aproximar-se da fonte da vida.
- É tempo de esvaziar sepulcros; é tempo de remover as pedras da entrada do coração que impedem a entrada da luz, da vida, do canto...? O que lhe impede afastá-las?
- Faça memória das experiências de ressurreição: nos encontros, na missão, sentimentos oceânicos de consolação, clareza diante do sentido da vida, amar e sentir-se amado(a), a vivência da bondade e do bem...

Pe. Adroaldo Palaoro sj

* * *

CACAU EM VERSOS - Cyro de Mattos


Cacau em Versos

                                               Cyro de Mattos* 



          Filho de Francisco Benício dos Santos, conhecido como Chico Benício, pioneiro do comércio em  Itabuna, pecuarista e cacauicultor abastado, Oscar Benício dos Santos  foi um dos rebentos numa prole de dez filhos. Exerceu a profissão de dentista em Salvador e manteve ao longo do tempo fortes relações com a lavoura cacaueira,  chegando  a se tornar também  fazendeiro de cacau.
  
         A arte de versejar foi uma de suas aptidões, marcadas de compulsões criativas, embora publicasse em vida apenas o livro Cacau em Versos (2013), com ilustrações de Alceu Pólvora e prefácio de Hélio Pólvora. O livro é constituído de 63 poemas, a maioria deles no formato de soneto. Vê-se assim que sua poesia obedece à composição em verso de lastro tradicional,  o poeta em nenhum momento exerce o  poema moderno,  de versos livres.

       Usa a rima fácil, a métrica na estrofação, nem sempre com resultados perfeitos, como exige o soneto, uma forma de composição fixa, distribuída em quatorze versos, duas estrofes de quatro e duas de três. Vale notar que o soneto vem atravessando séculos, no Brasil seduziu  poetas de criatividade rara, da grandeza de Cruz e Sousa, Jorge de Lima  Vinicius de Morais,  Sosigenes Costa  e João Carlos Teixeira Gomes.

        No livro Cacau em Versos, como indica o título, a poesia tem como fonte o   cacau e sua lavra, é por excelência temática, daí ser visto nesta o poeta operar seu discurso sensitivo para externar uma realidade objetiva, quase sempre optando pelo descritivo. Não ausculta a problemática interior do indivíduo, não fere a crise do homem moderno, não toca nas feridas sociais. O drama está ausente de horas críticas, dos rumores rumo ao desconhecido, das fissuras e rupturas de caráter metafísico, decorrente da natureza humana na diversidade da vida.
   
          O sentimento que emerge de conteúdo regionalista funde-se com uma visão romântica de vida. Na estrofação   arquitetada com habilidade, o poeta expressa o real exterior que ressoa no coração.   Interessa ao poeta dizer de sua empatia com base na ciclagem vegetal de uma lavoura, em cada situação plasmar os momentos e cenas que o sensibilizaram, causaram impressões e sensações. Existem nesses cantares rurais apenas vestígios do épico, que, como se sabe, dotou a lavra cacaueira de um parto doloroso na selva inexplorada e perigosa. Nessa poesia de vias rurais vê-se que ao invés do drama com suas sombras e abismos pulsar nas veias repercute a alma lírica do poeta, que tudo recorda, anota e não esquece, como no poema “Rio Cachoeira II”.


Rio de minha distante meninice,
Navegado entre margens passageiras,
Carregando sonhos – artífice
De lendárias estrofes feiticeiras.

Rio e suas laboriosas lavadeiras,
Que atapetavam, com branca espuma,
Peraus turvos de alegres brincadeiras
Da criançada que sumia em sua bruma.

Rio das cabeças d’águas temidas,
Que arrastavam desde suas cabeceiras,
Pescadores, crianças e outras vidas,

Que eram levadas por corredeiras,
Boiando e descendo à foz perdidas
No mar, seu final destino, ó Cachoeira!

              
          Sentimentos nos quadros pintados com mãos do pintor atento, a fauna apresentada por alguns de seus habitantes, a flora com seus odores e fragrâncias, lendas e crendices estão presentes na poética singela de Cacau em Versos. 
 
          No poema “Estrelas Secam Cacau”, o poeta faz com que seu estro motivado pela lavoura do cacau mostre a sedução que o trouxe para o reino de mágicos sonhos, pontuados com encanto e fantasia.


Estrelas também secam cacau:
quando exposto em noite estrelada,
sobre a barcaça ou em tosco jirau,
seca e a semente fica dourada;

então será no tabuado pisada
- em noite de festa de alegre sarau –
na madrugada, antes da alvorada,
até que perca o amargor do cacau.

Cada estrela doura uma semente,
cada semente perfuma uma estrela!
Pra ver a amêndoa, a estrela se fez cadente

e desceu do céu só para tê-la.
E a semente, de aroma recendente,
envolveu-a pra prendê-la.


          Certa vez o escritor Euclides Neto disse-me que a literatura é como a floresta, nela todos cabem. Há árvores enormes, grandes, médias e menores. Todas elas contribuem para a formação de um corpo pujante e denso. Estudiosos acham que a força e o valor de uma poesia estão na situação de seus motivos.  Na sua poética, Oscar Benício dos Santos é diferente de seus conterrâneos, os poetas Telmo Padilha, Valdelice Soares Pinheiro e Walker Luna, que não produziram o soneto. Sua poesia, impulsionada pelo ambiente da lavra do cacau, tece o estro com os fios de sonora empatia, transposta em forma de soneto na maioria das vezes.

          Em Chico Benício e Seu Clã, retalhos de prosa biográfica, Oscar Benício dos Santos foge da tônica regionalista e apresenta alguns poemas de costumes, inspirados nas relações mantidas com os familiares.

          Entre os poemas de Cacau em Versos, destaco “Aurora no Cacaual”,  ”Crendices no Cacaual”,  “Velho Cacaueiro I”,  “Tabocas II” e “Perdido na Roça”. Deixo para a crítica e o leitor a tarefa de apreciarem a poética desse poeta de Itabuna, dizendo sobre o que o seu livro tem de vida e de seu valor como obra artística.


Referência

Oscar Benício dos Santos, Cacau em Versos, Editus, Ilhéus, Bahia, 2013.
Chico Benício e sua clã, edição particular, sem data.

.........

*Cyro de Mattos é ficcionista, poeta, cronista, ensaísta e autor de literatura infantojuvenil. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia. Doutor Honoris Causa da UESC (Bahia).  Possui prêmios importantes. Publicado no exterior.

* * *

sábado, 11 de abril de 2020

SÚPLICA – Cyro e Mattos


Súplica
Cyro de Mattos




Se te pus nesse calvário,

 Coroei com cuspe e escárnio,

Ofendi com agudo cravo,

Nada me disse o teu sangue,

Não te vi olhando-me no alto,

Vesti com roxo o dia claro,

A mim atendei, ó pai
  
Derramai o teu perdão

No meu coração abandonado.



Cyro de Mattos escreve crônica, conto, poesia, ensaio e literatura infantojuvenil. Tem no prelo da Editus, editora da UESC, Nada Era Melhor, romance da infância, Pequenos Corações, contos, e O Discurso do Rio, poesia.


* * *

RECITAÇÃO DO EXORCISMO NO SÁBADO SANTO


Comunicado de imprensa de Dom Carlo Maria Viganò convidando Bispos e Sacerdotes para recitar o Exorcismo no Sábado Santo (11 de abril. No Brasil às 11 horas da manhã).


No dia 13 de outubro de 1884, o Papa Leão XIII [quadro ao lado] teve uma visão terrível do ataque dos poderes infernais contra a Santa Igreja, e por isso ordenou que se recitasse a oração a São Miguel Arcanjo no final da Missa. Ele também compôs um exorcismo que inseriu no Ritual Romano, no qual fez menção expressa ao que havia visto: “A Igreja, Esposa do Cordeiro Imaculado, está saturada de amargura e inebriada pelo veneno de inimigos astutos, que impõem suas mãos sacrílegas sobre todas as coisas mais sagradas. Onde residem a Sé do bem-aventurado Pedro e a Cátedra da Verdade, constituídas para iluminar os povos, ali eles estabelecem o trono da abominação e da sua impiedade, a fim de que golpeado o Pastor, o rebanho seja também disperso.”

Nestes dias de grave tribulação, em que a pandemia priva os católicos da Santa Missa e dos sacramentos, o demônio se desencadeia, multiplicando seus ataques para induzir as almas ao pecado. Os dias abençoados da Semana Santa, outrora dedicados à Confissão preparatória para a Comunhão da Páscoa, veem todos nós constrangidos ao confinamento forçado, mas não impedidos de orar ao Senhor.

Sendo um dia de silêncio, na espera do anúncio da Ressurreição, este Sábado Santo pode ser uma ocasião preciosa para todos os Ministros Sagrados. Não é preciso sair de casa, nem violar qualquer proibição da autoridade civil.

Convido-os para que às 15 horas (horário de Roma) do sábado, 11 de abril de 2020 (corresponderá às 11 horas da manhã no Brasil), todos rezemos juntos, na forma estabelecida por Leão XIII para toda a Igreja, o exorcismo contra Satanás e os anjos rebeldes (Exorcismus in Satanam et angelos apostaticos, Rituale Romanum, Tit. XII, Caput III)participando assim de uma batalha espiritual contra o Inimigo comum da humanidade.

O Sábado Santo é o dia em que se celebra a descida de Nosso Senhor Jesus Cristo aos infernos para libertar as almas dos justos do Antigo Testamento das correntes de Satanás. No grande silêncio após a Paixão e Morte do Senhor, a Santíssima Virgem velou e creu, esperando com confiança a Ressurreição de seu amado Filho. Era um momento em que o mundo parecia ter vencido, mas quando tudo estava sendo preparado para a glória da Páscoa.

Peço a todos os meus confrades do episcopado e aos sacerdotes que se unam na recitação do exorcismo, cientes de que este poderoso Sacramental — especialmente se recitado em comunhão com todos os outros Pastores — ajudará a Igreja e o mundo na luta contra Satanás. Recomendo também usar a estola, símbolo do poder sacerdotal, e água benta.

Que a Santíssima Virgem, terrível como um exército em ordem de batalha, e São Miguel Arcanjo, padroeiro da Santa Igreja e Príncipe das Milícias Celestiais, protejam a todos nós.


+ Carlo Maria Viganò, arcebispo titular de Ulpiana
Quinta-feira Santa 2020


* * *