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segunda-feira, 13 de abril de 2020

A PANDEMIA: Atire a primeira pedra


“Aquele que tiver a real solução para esse problema que atire a primeira pedra!

Atire no Prefeito que fechou a cidade e mandou todos para casa.

Atire no Presidente que pede para abrir a cidade e a volta ao trabalho.

Atire nos médicos que pedem o isolamento social para evitar o colapso no sistema de saúde.

Atire nos economistas que pedem para voltar a rotina prevendo um colapso financeiro.

Se voltar tudo a funcionar vai morrer quantas pessoas?

Se ficar em isolamento social vai morrer quantas empresas?

Ninguém sabe!

Quando um problema não tem solução, elegemos um culpado, um inimigo, um vilão...

Não, a culpa não é do Prefeito!

Não, a culpa não é do Governador!

Não, a culpa não é do Presidente!

Nem dos médicos, nem dos economistas e nem do Ministro.

Eles estão tão perdidos quanto todos nós.

Tão perdidos quanto Donald Trump e todos os líderes mundiais.

Fomos pegos de surpresa sem manual de procedimentos. Cada um acha uma coisa, mas ninguém tem certeza.

Então, quem sabe, não é a hora de parar de perder tempo atirando pedras e dando palpites, e começar a orar mais, amar mais, chorar mais, valorizar mais os amigos e a família.

Talvez seja essa a solução!”


(Recebi via Whats - Autor desconhecido)

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domingo, 7 de abril de 2019

PALAVRA DA SALVAÇÃO (125)



 5º Domingo da Quaresma – 07/04/2019

Anúncio do Evangelho (Jo 8,1-11)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós!
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, Jesus foi para o monte das Oliveiras. De madrugada, voltou de novo ao Templo. Todo o povo se reuniu em volta dele. Sentando-se, começou a ensiná-los.
Entretanto, os mestres da Lei e os fariseus trouxeram uma mulher surpreendida em adultério. Colocando-a no meio deles, disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Moisés, na Lei, mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?”
Perguntavam isso para experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão. Como persistissem em interrogá-lo, Jesus ergueu-se e disse: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. E, tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão.
E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos; e Jesus ficou sozinho, com a mulher que estava lá, no meio do povo.
Então Jesus se levantou e disse: “Mulher, onde estão eles?” Ninguém te condenou?”
Ela respondeu: “Ninguém, Senhor”. Então Jesus lhe disse: “Eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Roger Araújo:

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Conversão: passar do desprezo ao apreço do outro
“Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério” (Jo 8,4)

“Um país que empequenece seus cidadãos para que possam ser mais dóceis em suas mãos, logo descobrirá que, com seres humanos apequenados, nenhuma coisa grande poderá ser realizada” (Stuart Mill). Em outras palavras, uma sociedade que “empequenece” as pessoas, nunca realizará grandes obras.

Uma afirmação assim, serve de advertência diante do nosso contexto social, político e religioso em que vivemos, onde a intolerância, o julgamento, o preconceito, a crítica destrutiva... assumem contornos assustadores, humilhando os outros, ridicularizando-os, descartando-os... Quando proferimos, contra uma pessoa ou grupos, acusações ou expressões que ferem a reputação, estamos esvaziando nossas relações de humanismo, desembocando na barbárie. E quando os meios de comunicação, sobretudo as redes sociais, se colocam a serviço deste movimento desumanizador, passamos a viver na “sociedade do desprezo”.

O espírito da acusação e de humilhação do outro, é um espírito de morte. Este mal espírito de nosso tempo, em seu exagero cancerígeno, aparece também, com muita frequência, na Igreja e em suas comunidades e grupos. Por meras aparências, suspeita-se do outro, pensa-se mal dele, condena-o no coração, marginaliza-o. Quantas pessoas já temos “empequenecidas” em nossa opinião! Diante do desapreço generalizado é preciso deixar ressoar em nosso interior as palavras de Jesus: “quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”.

As “pedras na mão” são fáceis de serem encontradas também em nossas vidas. Hoje são as pedras do WhatsApp, do twitter, das mensagens preconceituosas, das fake-news..., que bloqueiam o futuro das pessoas através da crítica sem piedade, do desprezo que destrói, da indiferença que congela as relações... A arrogância também tem raízes em nosso interior; manifesta-se no nosso pensar e agir cotidianos. Ela é a base de nossas intransigências, dos nossos preconceitos, dos nossos dogmatismos, de nossas críticas amargas, dos comentários maldosos... A arrogância mora no nosso desprezo e nas nossas ironias. Ela nos paralisa.

O convite de Jesus a reconhecer nosso pecado é a única via para que essas pedras não caiam sobre nenhum inocente e, ao mesmo tempo, nós possamos encontrar a possibilidade da transformação e da mudança. Enquanto nos habite este “espírito mau”, nada bom, nem grandioso poderá ser construído. Uma sociedade que “empequenece” seus homens e mulheres não poderá ter futuro; uma igreja que “empequenece” seus membros, através de um moralismo e um legalismo doentio, também não poderá ser testemunha do evangelho; um grupo, dentro da igreja, que faça o mesmo, estará traindo o modo compassivo e acolhedor de Jesus. 

“A misericórdia de nosso Senhor se manifesta sobretudo quando Ele se inclina sobre a miséria humana e demonstra sua compaixão, para quem necessita de compreensão, cura e perdão. Tudo em Jesus fala de misericórdia; mais ainda, Ele mesmo é a misericórdia” (Papa Francisco). A presença misericordiosa de Jesus aparece claramente na cena da “mulher adúltera”, relatado pelo evangelho deste domingo. Ali, a mulher é colocada no centro, pelas autoridades religiosas que tem a lei na mão: constrangimento, humilhação, olhares julgadores, juízo de morte... sobre ela. Vítima de julgamento, ela está no centro da morte. Não há saída, perante a lei. Jesus, no entanto, toma outra atitude: desloca-se para o centro das atenções e se faz centro junto com a mulher; sua presença solidária continua deixando a mulher no centro; porém, Ele inverte a situação dela: ela agora está no centro da misericórdia, portanto, no centro da vida. 

Jesus, com sua presença misericordiosa, inverte o sentido do centro: antes, centro de exclusão e violência, agora, centro como ponto de partida para nova vida. Antes, um centro atrofiado que conduzia à morte; agora, centro expansivo, pois ativa e impulsiona a vida em direção a um novo horizonte de sentido.

A partir desse centro, junto a Jesus, a mulher poderá ser autora de sua nova existência; ela é movida a expandir esse centro, indo ao encontro dos outros para testemunhar a experiência que viveu: “vai e não peques mais”. Ela, agora, torna-se centro da vida pois recupera sua autonomia e poderá abrir-se ao novo futuro, como oferta da misericórdia.

Vivamos a Quaresma como um novo tempo para nossa sociedade, para a igreja, para as comunidades! Queira Deus que nos “beatifiquemos” uns aos outros “em vida”! Só reconhecendo, com um olhar apreciativo, o profundo, o que há de bondade no coração, a luz que cada um emite, engrandeceremos os outros e faremos que nossa sociedade, nossa comunidade, seja cada vez maior. A cultura do encontro, da acolhida, do apreço pelo outro, faz chegar o Reino de Deus.

Jesus sempre revelou um “olhar alternativo”, longe do julgamento, do desprezo e da humilhação. Ele não via as pessoas através do filtro “justos ou pecadores”, nem projetava nelas suas simpatias ou antipatias, seus medos e suas necessidades.

Jesus sempre foi a luz, sem sombras nem exclusões. Ninguém nunca ficou à margem da sua luz, pois seu olhar pousava sobre todo rosto, sem diferenças de raças, línguas ou religiões. Quando Jesus se aproximava da realidade condenada, a olhava de maneira diferente do olhar domesticado pelo moralismo. Por isso, diante da insistência das autoridades religiosas que argumentavam com as pedras nas mãos, Jesus faz um silêncio, tempo e espaço que também ajudam os acusadores a olhar de outra maneira. Olhando com amor há, sim, saída para a mulher adúltera. Se não olharmos a realidade com amor, toda a nossa visão estará adulterada. Compreendem-no as autoridades religiosas quando Jesus as convida a olhar a mulher com misericórdia e a partir de sua própria realidade de pecadores. Os varões deixam cair as pedras de sua segurança e da lei, abrindo suas mãos para acolher outra visão. Assim, a mulher é salva da morte, da lei, de seu pecado e do cerco social que lhe negava a vida, simbolizado nesse grupo de homens que a rodeava. Jesus olha a interioridade, ali onde essa mulher é amada pelo Pai, e resgata sua vida dos olhares de morte que a capturam. Nesse dia, o povo que rodeava Jesus aprendeu a olhar. 

Jesus é o mestre do olhar alternativo. Precisamente porque conhece o coração humano, Jesus acerta ao dizer: “Quem não tem pecado, que atire a primeira pedra”. Diante destas palavras, que desnudam as atitudes farisaicas daqueles que se achavam “justos”, todos se afastam. Ninguém é melhor que ninguém. Com quê direito julgamos, desqualificamos e condenamos? 

Texto bíblico:  Jo 8,1-11

Na oração: Em muitas situações difíceis da vida, o que salva é o olhar. Olhar com os “olhos cristificados”: eis o desafio. Não se trata de qualquer olhar. É o olhar limpo, diáfano, que desarma, que não esconde engano ou segundas intenções.
Contemplar o rosto do outro é sentir sua presença, sem pré-conceitos e pré-juízos..., vendo nele o sinal da ternura de Deus. Olhar admirado e gratuito, como aquele de Jesus, que transforma, que liberta e que se comove diante da realidade, especialmente da frágil realidade humana.

- Seu olhar: marcado pelo peso da lei ou pelo peso do amor? 

Pe. Adroaldo Palaoro sj

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segunda-feira, 26 de junho de 2017

ATIRE A PEDRA – Agenilda Palmeira


Atire a Pedra


As redes sociais e a imprensa veicularam o linchamento de uma senhora no Guarujá(SP), informações desencontradas levaram uma turba a cometer uma atrocidade em plena metade da segunda década do século XXI. Não vamos aqui, caro leitor, especular a novidade do fato, pois não o há. Na Palestina, há mais de dois mil anos, uma mulher foi pega em flagrante adultério – para tanto, imagina-se que foi posta para fora, completamente despida. E todos sem exceção aguardavam a ordem para o apedrejamento. Na realidade o que se ouviu não foi uma ordem sumária de execução, mas o estabelecimento de critérios, “quem for isento de pecado, que atire a primeira pedra” e a execução foi cancelada.

Entretanto, Fabiane Maria de Jesus, não teve a mesma sorte. A justiça foi feita, mesmo que com as próprias mãos. Mas por que faltou bom senso em uma tragédia desta? Ela foi injustamente acusada de bruxaria, sequestro, infanticídio e os boatos garantiram a “legítima defesa coletiva”, pois os agressores usaram o argumento de que fizeram tal barbárie para proteger as crianças. Agora fala-se em arrependimento. Voltamos aqui ao texto Pedrinhas, rolezinhos e Revolução Francesa. No Guarujá foi feito um rolezinho e o divertimento era trucidar uma senhora, mãe de dois filhos. É o fenômeno das multidões, já não vimos tal situação no futebol? O fato é que o linchamento é covarde pois garante o anonimato.

Se juridicamente, o Estado não agir de forma rápida, estas cenas tendem a se repetir, é preciso que medidas sejam tomadas para que o monopólio da justiça volte às mãos do Estado É fato que o Estado ainda apresenta uma conta deficitária saúde, moradia, cultura, justiça e principalmente educação de qualidade que aliada a cultura promove uma vida pensante. A educação pode até estar massificada mas sua qualidade ainda é muito baixa. O resultado é que os equipamentos culturais da grande maioria populacional, não promovem uma reflexão sobre a notícia e para tanto; informação pura e simples, fica refém do achismo e o “eu acho que é ela” ganha força. .

Um linchamento nos leva a refletir sobre a ausência do Estado. Gradativamente, o poder político afastou-se das comunidades carentes, fazendo surgir zonas de exclusão e essas lacunas sociais se agravaram nas décadas de oitenta e noventa promovendo o surgimento de Estados embrionários como o narcotráfico e as milícias, que promovem justiciamento à margem do Estado Democrático de Direito. Assim, qualquer um pode cair nas mãos dos justiceiros, mas na prática a teoria é outra e as pessoas mais pobres são e estão mais vulneráveis por conta da lacuna da legalidade, pelo fato do braço estatal que as comunidades carentes conhecem é a polícia. Como se vê a violência não é só um caso de polícia. É sobretudo de política social. Não há uma fórmula capaz de, por si, assegurar a convivência pacífica entre as pessoas. Mas é certo que sem justiça social, sem ações contra o fosso social e sem investimentos em áreas básicas como educação e saúde, persistirá o quadro de desigualdades, insegurança e medo que marca o cotidiano e a realidade de todos nós.

Os políticos prometem proteger os princípios constitucionais. Atribuir culpa as esferas Estadual. Federal, Municipal é pura generalização. O fato de o tecido social está gangrenado pela corrupção, a educação que promove uma ética estimuladora de cidadania e que o caldeirão da ignorância não entorne na forma de violência como vimos. Os justiceiros surgem por conta da anomia e da impunidade, que os tornam pessoas acima das leis e das autoridades. Temo tal cenário, pois esta sociedade doente pode legitimar um regime autoritário que se julgue capaz de por ordem na bagunça.

O que não seria necessário pois o império das leis (Estado Democrático de Direito) tem remédios constitucionais como o habeas corpus que protegem o indivíduo dos abusos estatais. Não nos falta justiça. Falta juízo e isto quem pode nos dar é a educação. Ela deve ser prioridade porque é um fator que contribui para o desenvolvimento do país. Essa é em geral a ideia dos que defendem a revolução pela educação. Mas a instrução universal, por si, não produz toda a mudança social no sentido de
mocrático. Antes, é a mudança social profunda que permite chegar a uma verdadeira instrução para todos. Se a sociedade é a morada do homem, a educação é alicerce e teto dessa construção.

Agenilda Palmeira, professora

Membro da Academia Grapiúna de Letras (AGRAL) Itabuna – Bahia.

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