O ensaísta, escritor e professor Evando Nascimento abordará
a categoria “uma literatura pensante” com o objetivo de desenvolver algumas
relações entre literatura e filosofia.
A Academia Brasileira de Letras encerra seu Ciclo de
Conferências do mês de julho de 2018, intitulado Poesia e filosofia, com
palestra do ensaísta, escritor e professor universitário Evando Nascimento.
O tema escolhido foi Uma literatura pensante: Pessoa, Clarice e as plantas.
A Acadêmica e escritora Ana Maria Machado, Primeira-Secretária
da ABL, é a Coordenadora-Geral dos Ciclos de Conferências deste ano.
Serão fornecidos certificados de frequência.
De acordo com o conferencista, sua palestra pretende abordar
a categoria uma literatura pensante, elaborada, desde os anos 1990, pelo
autor, a fim de desenvolver algumas das relações entre literatura e filosofia.
“Em linhas gerais, segundo Evando Nascimento, a noção se
refere ao modo pelo qual poetas, ficcionistas e dramaturgos, tais como Carlos
Drummond de Andrade, Marcel Proust, J.M. Coetzee, Virginia Woolf e William
Shakespeare desenvolvem questões normalmente ignoradas ou pouco exploradas pela
tradição metafísica. Nos últimos anos, a temática dos animais e das plantas tem
sido revista por filósofos e cientistas, tentando redimensioná-la à luz dos
direitos humanos. Em termos literários, o projeto atual procura interpretar a
forma original como Clarice Lispector, Esopo, Jorge Luis Borges, Fernando
Pessoa, entre diversos outros escritores, expõem o modo de existir das plantas. Na conferência, o enfoque maior será dado à poesia do heterônimo Alberto
Caeiro, de Fernando Pessoa, com referência também a textos de Clarice.
Propõe-se, finalmente, discutir o que se nomeia como um pensamento vegetal”.
O CONFERENCISTA
Ensaísta, escritor e professor universitário, Evando
Nascimento é doutor pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Nos anos
1990, foi aluno de Jacques Derrida, na École des Hautes Études en Sciences
Sociales, e de Sarah Kofman, na Sorbonne. Em 2007, realizou pós-doutorado em
Filosofia na Universidade Livre de Berlim.
Evando Nascimento ministrou cursos e conferências em
diversas instituições nacionais e internacionais. Foi organizador do último
colóquio de que Derrida participou, o “Jacques Derrida: pensar a
desconstrução”, realizado no Rio de Janeiro, em agosto de 2004, numa parceria
da Universidade Federal de Juiz de Fora e do Consulado Francês.
Em 2016, publicou na França, com Jacques Derrida, o
livro La Solidarité des vivantes et le pardon (edições Hermann). Esse
volume foi o tema de um Colóquio Internacional, realizado na Universidade do
Estado do Rio de Janeiro, entre os dias 17 e 20 de abril de 2017.
Publicou, também, os livros de ficção Retrato
desnatural (Record), Cantos do mundo (Record, finalista do
Prêmio PortugalTelecom) e Cantos profanos (Globo). Dirige para a
editora Civilização Brasileira a Coleção Contemporânea: Literatura, Filosofia
& Artes.
Os evangelhos nos fornecem poucos dados sobre Maria Madalena
Lucas 8,2 diz-nos que, entre as mulheres que seguiam Jesus e
o assistiam com seus bens, estava Maria Madalena, ou seja, uma mulher chamada
Maria, que era originária de Migdal Nunayah, Tariquea em grego,
uma pequena povoação junto ao lago da Galileia, a 5,5 km ao norte de
Tiberíades. Dela Jesus havia expulsado sete demônios, o que
equivale dizer “todos os demônios”. A expressão pode ser entendida tanto como
uma possessão diabólica quanto como uma doença do corpo ou do espírito. Os
Evangelhos sinópticos a mencionam como a primeira de um grupo de mulheres que
contemplou, de longe, a crucificação de Jesus (Mc. 15, 40-41 e par.) e que
permaneceu sentada em frente ao sepulcro (Mt 27,61), enquanto sepultavam Jesus
(Mc. 15,47). Assinalam que, na madrugada do dia depois do sábado, Maria
Madalena e outras mulheres voltaram ao sepulcro para ungir o corpo com os
perfumes que haviam comprado (Mc 16, 1-7 e par); é, então, que um anjo lhes
comunica que Jesus havia ressuscitado e as encarrega de levarem a notícia aos
discípulos (cf. Mc. 16, 1-7 e par). São João apresenta os mesmos fatos com
pequenas variações. Maria Madalena está junto à Virgem Maria ao pé da cruz.
Depois do sábado, quando ainda era noite, ela se aproxima do
sepulcro, vê a pedra afastada e avisa Pedro, pensando que alguém tinha roubado
o corpo de Jesus . Voltando ao sepulcro, enquanto chora, encontra-se com Jesus
ressuscitado que a encarrega de anunciar aos discípulos a Sua volta ao Pai .
Esta é a sua glória. Por isso, a Tradição, na Igreja Oriental, a chamou
de isapóstolos “igual a um apóstolo” e, na Igreja Ocidental, apostola
apostolorum “apóstolo dos apóstolos”. Uma tradição do Oriente diz que ela
foi enterrada em Éfeso e que suas relíquias foram levadas para Constantinopla
no século IX.
Maria Madalena foi identificada frequentemente com outras
mulheres que aparecem nos Evangelhos. Na Igreja Latina, a partir dos séculos VI
e VII, houve a tendência de identificar Maria Madalena com a mulher pecadora
que na casa de Simão, o fariseu, ungiu os pés de Jesus com suas lágrimas (Lc.
7,36-50). Por outro lado, alguns Padres a escritores eclesiásticos,
harmonizando os evangelhos, já haviam identificado esta mulher pecadora com
Maria, irmã de Lázaro, que em Betânia unge com um perfume a cabeça de Jesus;
Mateus e Marcos, no trecho correspondente, não mencionam o nome de Maria,
apenas dizendo tratar-se de uma mulher e que a unção ocorreu na casa de Simão,
o leproso. Em consequência disso, no Ocidente, devido principalmente a São
Gregório, generalizou-se a ideia de que as três mulheres eram uma só pessoa.
Mas os dados evangélicos sugerem apenas que se deve identificar
Maria Madalena com a Maria que unge Jesus em Betânia, pois presumivelmente é a
irmã de Lázaro (João 12,2-3). Os evangelhos também não permitem deduzir que
seja a mesma que a pecadora que, segundo Lc. 7,36-49, ungiu Jesus, embora a
identificação seja compreensível pelo fato de São Lucas, imediatamente depois
do relato em que Jesus perdoa esta mulher, mencionar que algumas mulheres o
ajudavam, entre elas Maria Madalena, de quem ele havia expulsado sete demônios.
Além disso, Jesus elogia o amor da mulher pecadora: muitos pecados lhe são
perdoados porque muito amou (Lc. 7,47) e também se percebe um grande amor no
encontro entre Maria e Jesus depois da Ressurreição (João 20,14-18). Em todo
caso, mesmo em se tratando da mesma mulher, seu passado de pecados não é um
desdouro. Pedro foi infiel a Jesus e Paulo um perseguidor dos cristãos. A
grandeza deles não está na sua imunidade ao pecado, mas no seu amor.
Por seu papel de relevo no Evangelho, Maria Madalena foi uma
protagonista que recebeu especial atenção em alguns grupos marginais na Igreja
primitiva. Estes são constituídos fundamentalmente por seitas gnósticas, cujos
escritos relatam revelações secretas de Jesus depois da Ressurreição e recorrem
à figura de Maria para transmitir suas ideias. São relatos que não têm
fundamento histórico. Padres da Igreja, autores eclesiásticos e outras obras
destacam o papel de Maria como discípula do Senhor e anunciadora do Evangelho.
A partir do século X surgem narrações fictícias que elogiam sua pessoa e que se
difundem principalmente na França. É aí que nasce a lenda, que não tem nenhum
fundamento histórico, de que Madalena, Lázaro e outros mais, foram de Jerusalém
a Marselha, quando se iniciou a perseguição contra os cristãos, e evangelizaram
a Provença. Segundo esta lenda, Maria morreu em Aix-en-Provence ou Saint
Maximin e suas relíquias foram levadas a Vezelay.
BIBLIOGRAFIA
V.SAXER. Maria Magdalena. Biblioteca Sanctorum VIII. Roma,
1966, 1078-1104. M. FRENSCHKOWSKI. “Maria Magdalena”, in Biographisch-Bibliographischen
Kirchenlexikons.
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As Solidões de Sonia Coutinho
Cyro de
Mattos
Sabemos que a morte é o que temos de mais certo na vida.
Nunca nosacostumamos com o quadro
irreversível dessa senhora que não sabe o que é remorso.Pensei nisso quando tomeiconhecimentoda notícia chocante de que a escritoraSonia Coutinho foi encontrada morta pela filha em seu apartamento, no
Rio de Janeiro.Aos 74 anos de idade, a
escritora baiana morava sozinha.Comentou-se que haviacomunicado
à filha pouco antes um mal-estar.
A visita dessa senhoracor de luto é amarga.Em algunscasos,quando se vive muito,
preenche-se a vida com ganhos, formando-se uma biografia bem-sucedida no plano
familiar, econômico e profissional, ocorre o consolo entre os parentes, amigos
e conhecidos do falecido. O trauma é atenuado como fatode que não se podia querer mais do morto. A dura lei davida foi para elerecheada de trunfos. Assim, o falecido, de
saudosa memória, deixa boas marcas e lembranças.
Com Sonia Coutinho, a traiçoeira invenção da vida não
permitiu sob vários aspectos que os fatos acontecessem no lado azul da canção.
Masnão é o momento agora para se falar
das amargas que perseguiram essa admirávelescritora baiana.Se Virgínia
Woolf disse que viver é perigoso, verdade que alcança todos nós,em nossa condição de solitários no
mundo,com Sonia Coutinho, autora de uma
obra na moderna literatura brasileira ao nível de Clarice Lispector, foi para
lá de lastimável.
Ela nasceu em Itabuna, em 1939, filha do promotor NatanCoutinho, homem culto, poeta parnasiano,
inteligência brilhante, que chegou a serdeputado estadual na Bahia. Com a família, ainda menina,mudou-se para Salvador. Na capital baiana graduou-se
em Letras pela Universidade Federal da Bahia.Depois que estreou com Do Herói Inútil, em 1966, contos, pequeno grande
livro, que já prenunciava uma ficcionista de boas qualidades na sondagem e
exposição contraditória da alma humana, ela foi morar no Rio onde exerceu o
jornalismo. Viveu para sobreviver no Sul do Brasiltambém como tradutora de grandes romancistas
edeu prosseguimento à sua carreira
literária.
Publicou, entre outros,Nascimento de Uma Mulher, 1971, Uma Certa Felicidade,1976, O Último
Verão de Copacabana, 1985, livros de contos. E osromances: O Jogo de Ifá,1980, Atire em Sofia, 1989,O Caso Alice, 1991,e Os Seios de Pandora, 1999. Eratambém ensaísta. Seus textos participamde importantesantologias do conto, no Brasil e exterior.
Conquistou prêmios literários expressivos, com destaque para o Jabuti da Câmara
Brasileira do Livro (SP), duas vezes, o da Revista Status, para literatura
erótica, e o da Fundação Biblioteca Nacional.
Sua ficção une arte e documento para situar o real como
vínculo de gravidade nas limitações da condição humana. Desenganos,desencontros, problemas existenciais e
psicológicos de natureza aguda na cidade grande, informam o herói em crise, que
a autora logra questionar através de cortes e monólogos interiores,em suas narrativas curtas e longas, de
densidade existencial surpreendente.
Sonia Coutinho pertenceuà geração desse escriba interiorano.Dizia-se entre os de sua geraçãoque tinha temperamento difícil no trato com os companheiros de letras na
Bahia. Comigo não foi bem assim. Gostava de privacidade. Cultivava o pensamento
livre e semostrava contrária à atitude
postiça da família burguesa em sua maneira de conceber as pessoas no mundo.
Sempre quis ser uma escritora com circulação nacional. Em Salvador foi casada
com o poeta Florisvaldo Mattos. Quando foi morar no Rio, viveuaventura amorosa com o romancista Marcos
Santarrita e, por último,Hélio Pólvora,
autor de qualidades expressivasna arte
da criação literária, também nascido em Itabuna.
Asolidão e sua
vocação legítima para escrever o bom texto deram-lhe o convívio íntimo e
pessoal para erguerumaleitura crítica da vida como poucos.Um ritual doloroso de intensa celebração dos
escombros e ruínas humanas ante aindiferença da existência.Seugrande ponto de gravidade
para construir uma obra literária de dimensão maior, com umaestrutura criativa coesa,encontrou eco numa durasolidão, que abraçou como maneira de vida e
nunca se afastou dela. Criatura incompreendida por companheiros de geração,
foiautêntica na sua maneira particular
de sentir os seres humanos em trânsito no mundo.
Como ícone da moderna literatura brasileira no século XX, há
anos ela já é reconhecida,nos meios
avançadose da melhor crítica.
* Cyro de Mattos é
escritor e poeta. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia. Doutor
Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz. Premiado no Brasil,
Portugal, Itália e México. Tem livro publicado em Portugal, Itália, França,
Alemanha, Espanha e Dinamarca. Conquistou o Segundo Lugar do Prêmio
Internacional de Literatura Maestrale Marengo d’Oro ,duas vezes, em Gênova, Itália, oAfonso Arinos da Academia Brasileira de
Letras,o da Associação Paulista de
Críticos de Artee o Prêmio Nacional
Pen Clube do Brasil.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Marcos.
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, os apóstolos reuniram-se com Jesus e
contaram tudo o que haviam feito e ensinado.
Ele lhes disse: “Vinde sozinhos para um lugar deserto e
descansai um pouco”. Havia, de fato, tanta gente chegando e saindo que não
tinham tempo nem para comer.
Então foram sozinhos, de barco, para um lugar deserto e
afastado. Muitos os viram partir e reconheceram que eram eles. Saindo de
todas as cidades, correram a pé, e chegaram lá antes deles. Ao
desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como
ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas.
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão de Dom Pedro Carlos
Cipolini, bispo da diocese de Amparo – São Paulo:
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COMPAIXÃO: compartilhar a
mesma humanidade
"Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve
compaixão” (Mc 6,34)
No evangelho deste domingo(16º dom do Tempo Comum),
contemplamos Jesus olhando a realidade para além da superfície evidente de
abandono em que vive o povo, até chegar a outra dimensão mais profunda onde
descobre o rosto de um Pai compadecido, que sofre o abandono e a dor de seus
filhos e filhas. Jesus olha e vê. Esse é o primeiro passo. Não desvia de seus
olhos a realidade dura de seu povo. “Contemplava”, ou seja, olhava atentamente,
uma e outra vez, pousava o olhar sobre a crosta ressecada e sem beleza
provocada por golpes mal curados. E, nesse primeiro olhar, vê a miséria da
multidão dispersa frente a ausência de verdadeiros pastores que cuidassem de
suas ovelhas; vê as mordidas mal cicatrizadas dos lobos. Desse primeiro olhar
nascem a compaixão, a misericórdia. Seu coração sensível deixa-se afetar pela
miséria e abandono de seu povo.
Como em outras passagens do Evangelho, Jesus muda o plano do
dia de descanso com seus discípulos para acolher a dor das pessoas que surge de
repente em seu caminho; contempla-as, e em sua maneira de se fazer próximo está
já encarnado, em gestos, palavras e olhares, o Reino que anuncia.
Deus é compassivo: esta é a base da atuação de Jesus. É
precisamente esta compaixão de Deus aquela que move Jesus em direção das
vítimas inocentes: as maltratadas pela vida ou pelas injustiças dos poderosos.
É a compaixão de Deus que faz Jesus tão sensível ao sofrimento e à humilhação
das pessoas. Sua paixão pelo Deus da compaixão se traduz em compaixão pelo ser
humano.
A partir desta experiência de um Deus compassivo, Jesus vai
introduzir um princípio de atuação, a compaixão. Chegou o momento de recuperar
a compaixão como a herança decisiva que Jesus deixou à humanidade, a força que
deve impregnar a marcha do mundo, o princípio de ação que deve mover a história
para um futuro mais humano. É a compaixão, ativa e solidária, aquela que nos há
de conduzir para esse mundo mais digno e ditoso querido por Deus para todos.
“Com-paixão”, palavra de etimologia latina, significa
“padecer-com”, “sentir-com”, vibrar-com”, “afetar-se-com”... Seu equivalente,
derivado do grego, seria a palavra “sim-patia”, termo ao qual se opõe
diretamente o de “a-patia”, ausência de sentimentos, de vibração, de capacidade
de proximidade... Muitos se referem à compaixão como uma paixão, outros como
uma emoção forte, outros ainda, como um sentimento...; mas todos coincidem em
um ponto: ela tem a ver com nossa comum humanidade.
A compaixão nos situa em uma espécie de irmandade entre
seres radicalmente iguais em sua humanidade. É um dinamismo natural que
expressa a bondade original do ser humano, a origem dos sentimentos altruístas,
a sensibilidade solidária...
A compaixão é força que impulsiona à ação; não se trata de
uma relação de cima para baixo, de quem, a partir de uma situação superior e
distante, faz concessões a quem lhe é inferior. A compaixão é, antes de tudo,
uma situação na qual prevalecem a igualdade, a dignidade básica e comum do ser
humano; ela capacita a superar barreiras e condicionamentos que impedem uma
vinculação fraterna entre as pessoas, para chegar a se colocar no lugar do
outro e atuar por e para ele.
A compaixão é essa capacidade de sentir com o outro,
particularmente o outro golpeado pelas circunstâncias da vida. É a valentia
para compartilhar sua paixão, é participação imediata no seu sofrimento e
buscar com ele a esperança, o alívio e a alegria. A compaixão desvela o
sentimento profundo de amor para com aqueles que sofrem, buscando eficazmente
aliviar sua situação, através de uma ação bondosa e serviçal.
Por isso o outro deixa de ser um estranho e se converte em
próximo.
Mas a compaixão genuína nasce de uma fonte ainda mais
profunda: não é só a experiência da própria vulnerabilidade, mas a consciência
de uma identidade compartilhada. Não somos seres separados que, eventualmente,
se ajudam uns aos outros, mas que constituímos uma Unidade, pela qual ninguém
nos é indiferente. O bem dos outros é nosso bem; sua dor, nossa dor. “Sou
humano, e nada do humano me é alheio” (escritor romano Lactancio). Por isso,
podemos afirmar que o obstáculo comum para viver a compaixão é a identificação
com o ego. Tal identificação apoia-se na crença fundamental de que somos seres
separados. Dessa crença nascem, entre outras coisas, o individualismo, a
egocentrismo, a indiferença, a intolerância...
O ego busca a comodidade, porque se rege pela lei do mínimo
esforço, ou seja, pelo apego ao “agradável” e a aversão para o “desagradável”.
Tende a evitar tudo aquilo que lhe implica mudança em suas rotinas ou
expectativas e busca, acima de tudo, “sentir-se bem”. Dado que a necessidade do
outro o implicaria em um compromisso, o ego tende a refugiar-se na indiferença,
que não é outra coisa que a “cegueira” diante da realidade, porque, como diz o
refrão popular “olhos que não veem, coração que não sente”.
Em definitiva, para poder viver a compaixão, precisamos
ativar os recursos internos que potenciam nossa capacidade de sentir e nossa
capacidade de amar e, simultaneamente, o empenho pessoal que nos permita
libertar-nos da identificação com o ego, assumindo um compromisso solidário com
quem mais sofre.
A compaixão esvazia toda pretensão de poder, pois ela
projeta a pessoa para o outro, torna a pessoa sensível ao clamor e às
necessidades do outro. A compaixão rompe a couraça do “eu” constituída pelo
poder. A vida do outro é a razão única da autoridade.
Um dos sintomas que definem a nossa época é o fato de ser um
tempo de “sem-compaixão”, um tempo no qual se faz muito difícil vibrar de
verdade com os outros, alegrar-se com quem se alegra, caminhar juntos,
com-viver, oferecendo-se mutuamente o ombro e dando-se as mãos. O outro,
sua necessidade e sofrimento, será sempre a alavanca que gera no coração humano
a compreensão e o exercício da autoridade como verdadeiro serviço.
Só a compaixão desloca cada um para o lugar do outro. Só a
compaixão ilumina a realidade do sofrimento do outro. Só a compaixão move na
direção da oferta do outro. A compaixão é a entrada do ser humano no mundo do
humano; ela é o perfume do humano que invade a chão da vida, a sua fragilidade
e sofrimento, e torna operativo o processo de humanização.
Texto bíblico: Mc 6,30-34
Na oração: A experiência de viver permanentemente sob o
olhar compassivo de Deus nos permite descobrir que “o ser-com” e “o
ser-para” é a autêntica condição humana que se desloca em direção ao
outro, na arte de deixar e abrir lugar ao excluído, ao estranho, ao sobrante...
- Sua vivência do Seguimento de Jesus é marcada pelo “olhar
compassivo e comprometido” ou por práticas piedosas alienadas, que não o(a)
projetam em direção aos mais sofredores?
Os detalhes desconhecidos e extraordinários do milagre que
Jesus fez na Tailândia nos últimos dias:
1º - Eles foram encontrados e resgatados através de
situações impossíveis.
2º -A corda dos mergulhadores britânicos estava usando para
guiá-los na caverna acabou, então ele subiu para pegar ar e nesse momento ele
encontrou os meninos sentados na frente dele! Ele disse que se a corda fosse
mais longa, teria passado direto debaixo d'água e não os encontrado!
3º -Apenas um dos meninos sabia inglês e pode comunicar com
os mergulhadores britânicos. Ele é o único cristão do grupo, e aprendeu o
idioma no projeto missionário que acontece em sua pequena igreja.
4º -A chuva se manteve discreta durante a missão de resgate
por 3 dias e não afetou a operação ... choveu em áreas ao redor.
5º - Assim que o último mergulhador saiu da caverna ontem
(depois de todos os garotos estarem seguros) a bomba que retirava água da
caverna quebra (Teria sido um desastre!!!)
6º -Choveu a manhã toda e hoje (11/07) ao meio-dia a
caverna está completamente inundada!
7º - Todos os meninos foram resgatados e em condições
surpreendentes de saúde, que nem os médicos budistas "sabem como"
explicar
8º - A unidade envolvida na ação de resgate: pessoas
trabalhando juntas através de barreiras linguísticas e culturais. Decisões e
escolhas importantes foram tomadas em consenso até a execução dos planos. O
trabalho excelente e determinação de uma equipe com tantas pessoas e
nacionalidades diferentes.
9º - A igreja de Cristo em todo o mundo, se uniu para clamar
a Deus por Sua intervenção. Discípulos de todos os cantos da terra oravam, na
esperança que o Senhor podia fazer o impossível acontecer... e aconteceu!!!!
Sem dúvidas, Deus fez este milagre que o mundo presenciou e
se comoveu!
Agora é hora de celebrar o poder e graça de Deus, que
diferente dos ritos budistas, não precisou de oferendas nem sacrifícios, mas em
amor, se lançou mais uma vez na história para resgatar os que estavam perdidos.
Que a nossa resposta seja gratidão e adoração ao único Deus
tem quem todo o poder em suas cravejadas e ressurretas mãos.
Texto traduzido e adaptado da família Ben and Kiesha
Jones que serve no norte da Tailândia.