O cara se separa da esposa, conhece uma nova mulher que
entra pra família e vende todos os bens sem o marido saber, então torra toda a
grana com ele e as crianças. Um dia a grana acaba e ela dá no pé. A mãe das
crianças volta pra casa e começa a recolocar tudo em ordem.
Mas com a nova realidade de gastos controlados a molecada
sente falta da madrasta: – No tempo dela que era bom, a gente vivia gastando
dinheiro e viajando.
Quanto tempo até as crianças crescerem e, olhando pra trás,
entenderem que na verdade a madrasta não trouxe felicidade e sim destruiu a
estabilidade da família?
É o caso de parte dos brasileiros, que até hoje fala do Lula
como "aquele que trouxe avanços na área social".
Lula chegou ao poder e literalmente torrou todo o dinheiro
público em programas mal gerenciados (como o Fome Zero e o PAC) e na criação do
maior sistema de compra de votos da história da humanidade (Mensalão).
Mas até hoje somos obrigados a ouvir especialistas na TV
dizendo que "houve avanços indiscutíveis".
Estão com saudades da madrasta que vendeu a casa e levou
todo mundo pra Disney.
Fernando Mendes, recém-empossado presidente da Associação
dos Juízes Federais (Ajufe), acaba de divulgar a seguinte nota sobre ameaças
feitas ao juiz Sergio Moro — a Polícia Federal investiga:
“A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe),
entidade de âmbito nacional representativa dos magistrados federais, vem a
público defender, mais uma vez, a necessidade de respeito à independência
judicial dos Magistrados que atuam em processos que envolvem ações de combate à
corrupção.
A atuação da Justiça Federal em processos criminais,
inclusive os que envolvem agentes públicos ou políticos acusados de corrupção,
é isenta e imparcial, não havendo razão para se estranhar decisões que condenem
e prendam pessoas consideradas culpadas, após o devido processo legal,
independentemente do poder ou condição econômica e social. Trata-se de
obrigação imposta pelo princípio da igualdade de todos perante a lei.
É importante destacar que os Juízes Federais entendem que o
direito à livre manifestação é constitucional, mas não pode transbordar para
ofensas, agressões verbais, nem atentar contra instituições. É inadmissível que
Magistrados, no exercício das funções constitucionais, sejam alvos de ataques
pessoais, provenientes de figuras públicas ou de dirigentes de partidos
políticos. Atitudes como essa, refletem uma visão autoritária e atentam contra
o Estado Democrático de Direito.
A Ajufe, ao mesmo tempo em que se solidariza com os
Magistrados que vêm sendo afrontados publicamente, não vai admitir qualquer
ameaça que possa atentar contra as prerrogativas da Magistratura Federal. Não
reconhecer a realidade dos fatos e não adotar medidas voltadas a sanar as
distorções identificadas, com a devida punição dos responsáveis por desvios
criminosos, é abrir caminho para o atraso que macula a legitimidade das
instituições e afronta a sociedade brasileira.”
Um
episódio marcante provou a fé dos neoadventistas. Vislumbro neste caso uma
semelhança com a história narrada no Segundo Livro de Crônicas, capítulo 20,
quando o rei de Judá, Josafá, foi afrontado e insultado por três nações
cananeias. Faço aqui rapidamente um resumo de fato bíblico e, a seguir, passarei
a relatar o que aconteceu no Boqueirão.
Moabitas,
amonitas e meunitas, povos vizinhos de Judá, resolveram se unir e pelejar
contra os hebreus. Um mensageiro avisa ao rei Josafá sem esconder de que se
tratava de grande multidão. O monarca teve medo e buscou ao Senhor e apregoou
de imediato um jejum generalizado à nação. Diante do Templo, em prece, ele
clama por socorro urgente, pois o inimigo já estava a caminho, não deixando de
relembrar feitos antigos quando o Eterno libertara seu povo. Confiado na
onipotência de Jeová e consciente da pequenez dos judeus, o rei clamou: “Ah!
Nosso Deus, acaso, não executarás Tu o Teu julgamento contra eles? Porque em
nós não há força para resistirmos a essa grande multidão que vem contra nós, e
não sabemos o que fazer; porém os nossos olhos estão postos em Ti”. Toda a
gente ali presente, calada, esperava uma resposta, um alento, um sopro de
segurança. O Espírito Santo Se utiliza do levita Jaasiel e acalenta a multidão,
afirmando não ter o que temer, pois Ele próprio, Deus, se encarregaria de
protegê-los e guerrear contra a tríade inimiga: “Não temais nem vos assusteis
por causa dessa grande multidão, pois a peleja não é vossa, mas de Deus”. E o
mais interessante foi o que Deus mandou Judá fazer, em termos militares,
bélicos e em relação ao uso da força – NADA! Para ouvintes boquiabertos, o
Senhor falou: “Neste conflito, não tereis que pelejar; tomai posição, ficai
parados e vede o salvamento que o SENHOR vos dará... Não temais, nem vos
assusteis; amanhã saí-lhes ao encontro, porque o SENHOR é convosco”. Diante de
tamanha promessa, Josafá teve certeza do livramento e, ali mesmo, ajoelhando-se
com a nação, adorou por meio de um louvor comunitário.
Em ato de
obediência, no outro dia pela manhã, Josafá dispôs o exército e, à frente, o
coral do Templo. Entendeu que,numa
guerra, o exército, mesmo que não fosse lutar, deveria estar presente, cabendo
ao povo e aos cantores o louvor. Não teriam que se preocupar senão em prestar
culto por meio do louvor. A fé viva e atuante é aquela que espera no Senhor:
“Tendo eles começado a cantar e a dar louvores, pôs o SENHOR emboscadas contra
os filhos de Amon e de Moabe e os do monte Seir que vieram contra Judá, e foram
desbaratados”. Sem levantar uma espada, Judá venceu. Sem matar um judeu, os
inimigo se autodestruíram, confusos,sem
entender, inicialmente, o porquê daquele momento adverso, infausto e
tormentoso. O autoextermínio foi assim retratado: “Os filhos de Amon e de Moabe
se levantaram contra os moradores do monte Seir, para os destruir e exterminar;
e tendo eles dado cabo dos moradoresde
Seir, ajudaram uns aos outrosa
destruir-se.” Assim foi o fim daqueles que tentaram incomodar os eleitos do
Senhor.
E o que a
comunidade adventista do Boqueirão, o primeiro núcleo de guardadores do sábado
em Itabuna, tem a ver com essa história?
Após a
aceitação da mensagem bíblica por parte de alguma agricultores e trabalhadores
rurais da comunidade que se uniram à IgrejaAdventista, houve uma mudança radical na forma de se comercializar,
falar, reunir e escolher amigos. Novos hábitos, bem mais sadios, foram
implantados. As rotinas foram alteradas, buscando-se algo mais próximo do
Criador. Conversações frívolas, festividades vãs e ajuntamentos inúteis foram
deixados para trás. Talvez o conjunto disso tudo acabou provocando despeito,
zanga e mal-estar em alguns vizinhos não tão crédulos e zelosos pela causa de
Deus. Um temerário fazendeiro da família Badaró, que morava nas adjacências,
não aceitando ou mesmo aturando aquelas inusitadas reuniões de crentes, mandou
um recado para João Roberto Ramos. “Se continuassem a ocorrer as reuniões
sabáticas, ele mesmo iria com seus capangas obstruí-las, utilizando se
necessário da força física e das armas”.
Em período anterior, pré-aceitação do
Adventismo, João Roberto resolveria a pendenga de outra forma, pois a coragem e
a bravura sempre lhes foram características congênitas. Mas agora seria
diferente, entregou o problema e o insulto nas mãos divinas. Diante da afronta
ele confiaria em Deus. Apresentaria seus louvores e orações Àquele que poderia
livrar os devotos.
Chegando o
sábado, os membros apresentaram-se na congregação como de costume, mas foram
aconselhados pelo líder que não se sentassem em seus locais habituais. O grupo
foi dividido em dois: homens na frente, armados com suas respectivasBíblias, e mulheres e crianças nos bancos
derradeiros. Orações, louvores e intercessões levantadas aos céus pedindo
livramento. E assim começou o culto. Sem alterações do ponto de vista do ritual
sabático.
Mais tarde
ocorreu algo que fez alterar o batimento cardíaco dos fiéis mais inconstantes. Tiros
são ouvidos! Pensavam tratar-se de um aviso dado pelo algoz de que ele estaria
chegando com seu bando. O que fazer? A recomendação é que se continuasse com a
programação e não fosse esquecido em momento algum que a proteção vem do Senhor.
Mais estampidos! Orações e louvores redobrados, então! Assim foi durante toda a
programação matinal. Mas os valentões não apareceram. O que aconteceu
finalmente?
Culto realizado,
toda a membresia, agradecida, retornou aos seus respectivos lares. No trajeto
ou mesmo durante aquela tarde tomaram ciência do que havia acontecido. Quando o
grupo ofensor se preparava para ir ao local de culto, foi surpreendido por
outro bando oponente, que estava ali para acertar antigas diferenças e rixas. O
grupo que se preparava para atacar foi fortemente atacado! O temerário
fazendeiro não morreu em virtude de ter se refugiado num local pantanoso
existente nas cercanias de sua propriedade, ficando somente com a cabeça de
fora para conseguir respirar enquanto os oponentes se rivalizavam!
Que belo
testemunho de fé viveram nossos pioneiros. Não tentaram promover defesa com
suas próprias forças, mas confiaram em quem os podia ajudar. Enquanto o inimigo
se preparava para atacar, os fiéis, tal qual no tempo de Josafá, oravam e
cantavam louvores. E a Providência encontrou um meio de socorrê-los.
Os essênios seriam uma antiga irmandade de seres divinamente
iluminados que acreditavam estarem aqui para compartilhar a iluminação com
o planeta. Eles seriam fortes defensores do auto-domínio e da vida
baseada no Amor com os ensinamentos dos sete espelhos. Estamos criando o
tempo todo, estejamos conscientes disto ou não. Os sete espelhos dos
Essênios estão constantemente nos avisando que, o que estamos criando
ou estamos refletindo, continuamente voltam para nós.
Quando emitimos uma vibração positiva, o Universo nos
mostra seu efeito para apoiar o nosso aprendizado. O Universo gentilmente
nos lembra o que acontece dentro de nós, para nos tornar conscientes de que nós
mesmos estamos criando. Quando não despertamos para isto e não tomamos
consciência, o efeito dos sete espelhos aumentam em intensidade. O
amor incondicional do Universo não tem piedade, ele respeita. É como ter que
melhorar infinitamente o original.
O Universo não discrimina sobre o que espelhamos para
nós. É incondicionalmente amável, refletindo para nós exatamente o que quer que
seja que estejamos projetando para fora - positivo ou negativo. Quando
estamos emitindo positividade, isto torna tudo bastante delicioso para nossa
vida nesse plano. Desta forma, o Universo segue amoroso conosco e acredita
em nós, esperando que superemos os desafios que surgem através do efeito
infinito dos sete espelhos. O Universo acredita em nós e nos respeita o
suficiente para refletir incondicionalmente o que estamos projetando para fora,
para que nosso crescimento e expansão ocorram. Em sua benevolência, o
Universo é a misericórdia absoluta.
COMO MENTALIZAR OS ENSINAMENTOS DOS SETE ESPELHOS DA
SABEDORIA DOS ESSÊNIOS
PRIMEIRO ESPELHO – Nosso Reflexo - O que vemos fora de
nós, é um reflexo exato do que somos neste momento. Lembremo-nos de que os
espelhos estão refletindo tanto a mente consciente quanto o
subconsciente.
SEGUNDO ESPELHO - Atração - Atraímos o que julgamos.
Muitas vezes, veremos isso ocorrer em um mesmo padrão em várias áreas de nossa
vida, se prestarmos atenção. Entendamos que existe uma grande diferença entre
julgamento e discernimento. Uma coisa é termos preferências – discernimentos.
Algo completamente diferente é emitirmos julgamentos carregados sobre qualquer
situação. No caso de um julgamento equivocado, estamos resistindo, e
simultaneamente refletindo infinitamente nossa negatividade.
TERCEIRO ESPELHO – Nossas Perdas - Este espelho nos
mostra algo que perdemos, nos foi tirado, ou realocado no Universo. Cultivemos
a capacidade de ver cada evento negativo em nossa vida como uma poderosa
oportunidade de cura, que anteriormente não tivemos o poder consciente.
QUARTO ESPELHO – Nossa Intensa Dor - Os espelhos nos entregam ferramentas
específicas que nos ajudarão a mudar a maneira como interagiremos com o
sofrimento, com a oportunidade de mudar a percepção que temos de nós mesmos. O
sofrimento é o nosso mentor, que destrói o que já não nos serve mais para que
possamos nos aproximar de nossa verdadeira essência.
QUINTO ESPELHO – Ausência da Alma - As partes reprimidas que condenamos
são refletidas de volta para nós, pelas pessoas ou circunstâncias que
apareceram em nossa vida. Se tivemos uma pessoa ou experiência negativa sobre a
qual nos sentimos muito exigidos, precisamos descobrir o que isto está
espelhando para nós e como representa um elemento profundo ou desrespeito de
nós mesmos de alguma forma. Assim que entendermos isto, surge espaço para
a cura profunda acontecer. Desta forma, nos veremos por inteiro, para que
possamos nos reintegrar e sermos completos.
SEXTO ESPELHO – Nossa Genética - Um espelho do aspecto de nossa genética
familiar surge pra mostrar nossa conexão com nossos ancestrais que viveram e
tornaram possível nossa presença nesse plano.
SÉTIMO ESPELHO - Auto Conceito - O espelho de nosso auto conceito, tanto
consciente como subconsciente. As pessoas surgirão em nossa vida para
refletirmos sobre como nós as tratamos como nossos semelhantes. Este pode ser o
espelho mais poderoso, porque nem sempre estamos conscientes de como somos no
relacionamento com nós mesmos. Se constantemente ouvimos falar sobre como
as pessoas aproveitam-se de nossa inocência, é provável que nós aproveitemos
nosso próprio tempo, recursos ou energia para agradar outras pessoas, apesar
disto ser maléfico pra nossa existência. As pessoas que aparecem em nosso
caminho e se aproveitam de nós, são nossos mentores, nos ensinando a sermos
melhor e não aceitarmos o tratamento a nós dispensado, incluindo também nossa
reação, como nós refletiremos de volta.
...
Cada evento de espelhamento é uma oportunidade para
reconhecermo-nos mais claramente. Dor ou frustração estão aqui para nos
guiar para a parte fragmentada de nós mesmos que está pedindo integração.
Quando estamos desmotivados, agindo automaticamente, não estamos criando
conscientemente. Quaisquer que sejam as crenças que escolhemos acreditar,
elas criam em nosso nome. Quanto mais intencionalmente
vivermos a cada momento, decisão, emoção e pensamento, mais
seguiremos radiantes no fluxo natural da vida. Quanto mais conscientes
estamos em cada momento, mais fácil se torna reconhecer as lições que o
Universo está trazendo para nós.
Seria eu um brasileiro pouco patriota se não escrevesse,
também, alguma coisa sobre nossa fragorosa e inesperada derrota da Seleção Brasileira
de Futebol, para a Bélgica!
Essa ocorrência insípida e de grande surpresa, nos causou um
desanimo brutal, tristeza absoluta e, pior ainda, tirou a alegria temporária do
povo que, devido as falcatruas políticas, tem sofrido as agruras do inferno. E,
tudo isso de podre, sem uma esperança de soluções contundentes e rígidas,
exonerando e castigando severamente, os verdadeiros e comprovados bandidos!
É de dar dó a falta de vergonha geral e o corporativismo
existente nessa alta cúpula, que através de pagamentos de verbas, favores ou
nomeações, acomodam as coisas, dão perdões, relaxamento de prisões e outras
benevolências mais!
Enquanto isso, nosso muro de lamentações cresce e fica mais
alto e intransponível, com relação as necessidades básicas existentes há várias
dezenas de anos.
Infelizmente, quando surge algo como esse grandioso evento
da Copa do Mundo, que movimenta os mercados e turismos em dezenas de países,
sempre para nós, cheios de esperanças, acontece uma inesperada derrota, nos
deixando cabisbaixos, tristes e envergonhados, já que nossos jogadores são
considerados os melhores do mundo, com ganhos de salários nababescos e
inacreditáveis!
Com uma “corruptela” dos versos do magistral poeta português
Fernando Pessoa, só me resta dizer que: “LAMENTAR É PRECISO, MAS VIVER FELIZ
TAMBÉM É PRECISO”!
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Marcos.
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, Jesus foi a Nazaré, sua terra, e seus
discípulos o acompanharam. Quando chegou o sábado, começou a ensinar na
sinagoga.
Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam: “De onde
recebeu ele tudo isto? Como conseguiu tanta sabedoria? E esses grandes milagres
que são realizados por suas mãos? Este homem não é o carpinteiro, filho de
Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram
aqui conosco?” E ficaram escandalizados por causa dele.
Jesus lhes dizia: “Um profeta só não é estimado em sua
pátria, entre seus parentes e familiares”. E ali não pôde fazer milagre
algum. Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. E admirou-se com
a falta de fé deles. Jesus percorria os povoados da redondeza, ensinando.
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Padre Paulo Ricardo:
---
Num mundo de
indiferença, ser presença que faz diferença
“E ficaram escandalizados por causa dele” (Mc 6,3)
Marcos não tem relatos da infância de Jesus. Por isso, busca
narrar alguns encontros dele com seu povo e sua família. No entanto, para
aqueles que melhor O conheciam, Jesus era visto como um homem a mais, um
galileu a mais do povo. Seus conterrâneos estavam tão seguros de que Ele era
uma “pessoa normal”, que não podiam aceitar Seu modo original de ser. Eram seus
companheiros de infância, tinham brincado juntos, trabalhado com Ele, sabiam
perfeitamente quem Ele era. “Enquadraram-no” numa família, requisito indispensável,
naquela época, para ser alguém. Até esse momento não haviam descoberto n’Ele
nada fora do “normal”. Como não esperassem nada extraordinário, de onde Ele
tirava tanta sabedoria?
O relato deste domingo é surpreendente. Jesus foi rejeitado
precisamente pelos seus parentes e familiares. É a primeira vez que Ele
experimenta uma rejeição coletiva, não dos dirigentes religiosos, mas de sua
comunidade familiar, com quem convivera tanto tempo. Jesus se sente
“desprezado”: os seus não o aceitam como portador da mensagem profética de
Deus. Por isso, fecham-se em suas ideias preconcebidas a respeito do seu
vizinho Jesus e resistem a abrir-se à novidade revolucionária de sua mensagem e
ao mistério que se revela em sua pessoa.
Porque estavam acostumados a ouvir sempre o mesmo,
rejeitam-no por ensinar “coisas novas”. Mas Jesus não se deixou domesticar
e nem se acomodou às expectativas de seus conterrâneos.
Sua vida desconcertou a todos; seu modo de falar, seus
critérios, seu compromisso em favor da vida, sua liberdade de espírito suscitou
um espanto em todos. Sua presença despertou perguntas, dúvidas e até
discussões. Quem será Ele? Será o Messias? Ou não será? Como explicar sua vida?
Porque, “sendo um entre tantos”, atuava, pensava e vivia um
estilo único que o diferenciava de todos?
Sua postura de mestre e sua atuação desencadearam no seu
povo uma crise, ou seja, romperam com a “normalidade doentia” das pessoas
e se revelou imprevisível e desconcertante.
Na realidade, a reação dos familiares e parentes de Jesus é
expressão da mesma reação que surge em todos nós quando, diante de alguém
que se revela original, com um novo modo de ser e viver, manifestamos suspeitas,
dúvidas, indiferença... O ser humano, em todos os tempos, tende a instalar-se,
acomodando-se facilmente ao conhecido e se deixando levar pela rotina que evita
sobressaltos; isso lhe confere uma certa sensação de segurança e
tranquilidade: “para quê e por quê mudar...?”
E isso ocorre também com suas idéias, crenças, visões...
Habituado a ver a realidade a partir de uma determinada
perspectiva, custa-lhe abrir-se a outras percepções, novas ou desconhecidas.
Tem medo de ser diferente e reage com indiferença frente àqueles que são
diferentes. E a indiferença mata.
Prefere a vulgaridade de ser como todo mundo à originalidade
de ser diferente; prefere a monotonia de ser como todos e passar desapercebido
na multidão, sem chamar a atenção por ser distinto a todos, sendo ao mesmo
tempo, como todos.
Podemos, então, afirmar que o mais anti-evangélico será
sempre uma pessoa, um grupo ou uma instituição instalada em suas ideias,
posturas normóticas, preconceituosas, intolerantes...
Todos sabemos que isso constitui um mecanismo de defesa
através da qual a pessoa busca proteger-se frente àquilo que poderia
questioná-la ou trata de desqualificar a alguém diante de quem se sentiria
inferi-or. Aqui aparece claro como a desqualificação do outro esconde medo ao
diferente ou, simplesmente, ao novo, e algum sentimento oculto de
inferioridade.
O filósofo Gabriel Marcel escreveu que “a indiferença é
o grau mais baixo da liberdade” e o Pastor negro, Martin Luther king Jr,
concordava com isso, ao dizer que se assustava mais com a indiferenças dos bons
do que com as atitudes dos maus. De fato, ele tinha razão.
Se, por um lado ela é “a maneira mais polida de
desprezar alguém” (Mario Quintana), a indiferença, em relação ao
outro, é terreno fértil para alimentar o ego, levando-o à cobiça e à inveja.
Não admira o semelhante a não ser para desconstruir ou
destruir a sua imagem.
De fato, a indiferença é como uma praga no jardim, vai se
espalhando e contaminando e pode revelar, em sua raiz, uma insegurança
estonteante em relação ao outro. Psicologicamente, diríamos que a indiferença é
um mecanismo de defesa, é negação. Na negação do outro se escondem sentimentos
de auto-destruição e um deles é a inveja. Quem cultiva a indiferença,
facilmente sente-se alegre ao saber que o outro está numa pior. Nietzsche
afirma que não saber voar é a qualidade dos indiferentes que, cada vez menos,
enxergam aqueles voam alto e, se os enxergam, é a partir de uma ótica
corrompida pela forma ofuscada de ver a vida. Jesus foi aquele que começou a
voar alto e sua comunidade tentou cortar suas asas.
Também para nós hoje continua sendo difícil crer n’Aquele
que simplesmente se revela “como um de nós”. Não é fácil reconhecer a
passagem de Deus por nossa vida, especialmente quando essa passagem se reveste
de “roupagem comum”; às vezes, gostaríamos que Deus se manifestasse de maneiras
espetaculares, mas o enviado d’Ele, seu próprio Filho, come em nossas mesas,
caminhas nossos passos e veste nossas roupas. Rejeitamos, quase que por
instinto, a revelação de um Jesus muito humano e que não esteja de acordo com o
que aprendemos desde pequenos. Acostumados a ouvir sempre o mesmo, se alguém
diz algo diferente, mesmo que esteja mais de acordo com o Evangelho, rejeitamos
de imediato.
Estamos seguros de que “tudo o que não corresponde ao
sabido, ao esperado, não pode vir de Deus”. Em outras palavras, temos medo
do Jesus humano, porque Ele coloca em questão nossa segurança, nosso estilo de
vida e nossa vivência religiosa.
Entrar no caminho do seguimento de Jesus implica estar desapegado
de todas as falsas imagens que podemos fazer sobre Ele. Sempre que nos fechamos
em ideias fixas sobre Jesus, estamos nos preparando para o escândalo.
O Jesus do Evangelho nunca se apresenta duas vezes com o
mesmo rosto. Se O buscarmos de verdade, descobri-Lo-emos sempre diferente e
desconcertante. Se esperamos encontrar um “Jesus domesticado”, nos enganamos a
nós mesmos, aceitando o ídolo que já nos é familiar. A consequência é uma vida
cristã atrofiada e pesada, centrada na doutrina, na lei, na moral, e não no
seguimento d’Aquele que, na “normalidade da vida”, deixou trans-parecer o
extraordinário Amor do Pai.
Texto bíblico: Mc 6,1-6
Na oração: Marcos não narra este episódio em Nazaré
para satisfazer a curiosidade de seus leitores, mas para advertir às
comunidades cristãs que Jesus pode ser rejeitado justamente por aqueles que
acreditam conhece-Lo melhor: aqueles que se fecham em suas ideias
pré-concebidas, sem abrir-se à novidade de sua mensagem e nem ao mistério de
sua pessoa.
- Esta era a preocupação de Paulo: “Não apagueis o Espírito,
não desprezeis o dom de Profecia, mas examinai tudo e ficai só com o que é bom”
(1Tes. 5,19-21). Nós cristãos deste tempo pós-moderno estamos precisando
alimentar esta atitude. Estamos vivendo demasiado indiferentes frente à
novidade revolucionária da mensagem de Jesus. Com o peso do legalismo, do
moralismo, do ritualismo... estamos correndo o risco de apagar seu Espírito e
desprezar sua Profecia.
- Rezar sua presença cristã no cotidiano da vida: faz
diferença? Presença inspiradora e provocativa? Ou presença acomodada, sem
deixar-se interpelar pelo modo original de ser e viver de Jesus?...