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sábado, 7 de abril de 2018

ENQUANTO ISSO, NO SUPREMO – Carlos José Marques

06/abr/18
Enquanto isso, no Supremo 



Estão expostas, não é de hoje, as vísceras e mazelas de um Supremo claramente contaminado pelo cancro político. Em estágio avançado de metástase. Trata-se, no caso, de uma doença implacável já que dos tribunais é esperada a tão imperiosa máxima da isenção sem limites. Ao menos no que tange um punhado de doutos ministros o princípio virou quimera. Para essa ala restrita de togados, ao que tudo indica, as simpatias pessoais e eventuais prestações de favores podem sobrepor-se inclusive ao mérito das causas. Aqui e acolá uma jurisprudência sob encomenda é sacada do colete, a depender do freguês, para justificar viradas de opinião de última hora de vossas excelências. Nenhum dos 11 magistrados que participaram da solene sessão que desaguou no pedido de encarceramento de Lula sabe dizer exatamente a razão pela qual a Suprema Corte voltou a discutir a prisão em segunda instância, justamente nesse momento, menos de dois anos após o colegiado firmar entendimento sobre o tema. Como indagou o ministro Barroso, referindo-se a oscilação jurisprudencial: “mudar para quê? Pior, mudar para quem?”. Não há argumento convincente que não o do mero casuísmo, atendendo às necessidades de um ex-presidente que se encontra no cadafalso do rigor penal por crime de corrupção. É fato sacramentado nessas paragens: o nome de capa nos processos pesa. Prevalece o prestígio e aparato legal do “paciente”. Vigora, sem sombra de dúvidas, o arbítrio de quem pode mais, a reforçar as distâncias abissais de tratamento judicial entre os que se encontram no andar de cima e os do andar de baixo da pirâmide social. Simples assim. As disfunções do sistema judicial são por demais conhecidas do grande público. A rotina do batedor de carteira, do ladrão de galinhas, do garoto flagrado com 100 gramas de droga é cadeia na certa – lugar onde majoritariamente mofam sem chances, sequer pecuniárias, de frequentar as várias instâncias de apelação. Já para aqueles condenados abonados, de dinheiro farto, capazes de bancar bons advogados, e para os poderosos influentes, a vida segue sem punições por anos a fio, na base dos embargos infringentes, declaratórios, protelatórios e quetais. Os verdadeiros bandidos do Brasil, cujas abomináveis práticas de desvios públicos e privados colocam de joelhos uma nação inteira, quase nunca ou nunca são presos. O sistema estimula o avanço acelerado do contingente de ricos delinquentes por aqui.

A ecoar, mais uma vez, a histórica defesa do magistrado Barroso, o que se tem no Brasil não é a sensação de impunidade, é a própria impunidade em si, com efeitos devastadoramente negativos. É bem verdade que a primeira prisão por delito de um ex-presidente brasileiro denota um ponto de inflexão importante. Pode estar aberto o caminho para a retomada da credibilidade e dignidade da Justiça junto à população. Um sistema legal que estimula a obstinação procrastinatória dos condenados faz as pessoas acreditarem que o crime compensa. A expectativa e o desejo da sociedade é que a detenção de Lula puxe ainda mais a fila de malfeitores do colarinho branco para as cadeias, onde é seu lugar. Lamentavelmente, no que se refere ao chefão petista, pode ser por pouco tempo. Há uma tropa de choque suprema, claramente inconformada com o resultado, que ainda tenta brechas para de novo ressuscitar a discussão do ordenamento jurídico em vigor, embora o tema já tenha sido votado por três vezes nos últimos tempos. O relator das chamadas ADCs (Ações Declaratórias de Constitucionalidade), Marco Aurélio Mello, promete botar o País mais uma vez em desassossego, requisitando à plenária do STF a votação de uma liminar neste sentido. E mais: ameaça, abertamente, a desobediência aos preceitos estabelecidos no colegiado quando for avaliar os processos sob seus cuidados. Cabe aqui a questão: pode um ministro, vencido na sua arguição pelo voto dos demais, simplesmente se postar contra a orientação da maioria? Não deveria. É o que gera insegurança jurídica. O STF tem como missão fundamental uniformizar o entendimento geral. Mas a imprevisibilidade segue como tônica naquela Corte. Por conta disso, juízes de tribunais inferiores são induzidos a tomar decisões levados quase que pelas próprias convicções. O que pode fazer se as regras seguem cambiantes por força das interpretações de veneta de vossas excelências? Observe-se, por exemplo, o comportamento do ministro Gilmar Mendes que ora advoga pela prisão em segunda instância, ora a abomina por provocar o que chama de “onda de neopunitivismo”. Gilmar Mendes se sente admoestado pela imprensa. Diz que a “mídia é opressiva” e atribui a ela a responsabilidade por ser perseguido nas ruas por cidadãos que reclamam da impunidade. Não são seus atos o motivo de tamanha impopularidade. Da mesma maneira, no seu entender, não é abusiva a permissividade que se estabelece com os recursos em cascata, misturando presunção de inocência e punição. A Lei não diz que “ninguém pode ser preso antes do trânsito em julgado”. Ela aponta que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado”. Coisas bem diferentes. Desde 1941, incluindo o período da Constituinte de 1988, vem sendo adotada a prisão em segunda instância. A interpretação contrária só vigorou no curto espaço de tempo entre 2009 e 2016. A singularidade brasileira quanto ao critério do trânsito em julgado não impede, decerto, o cumprimento de pena. Mas alguns magistrados insistem em rever esse preceito. Por que agora? Com qual objetivo?

Sobre o autor
Carlos José Marques é diretor editorial da Editora Três



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DA IMPORTÂNCIA DA ALEGRIA – Paulo Coelho


O lavrador e o sábio
O sábio indiano Narada pediu que Deus lhe mostrasse um homem amado por Ele. O Senhor aconselhou-o a procurar certo lavrador.
- O que você faz para que o Senhor lhe ame tanto? - perguntou Narada ao lavrador, quando encontrou-o.
- Digo Seu nome de manhã. Trabalho o dia inteiro, de noite divirto-me um pouco, e digo de novo o Seu nome antes de dormir.
- Só isso?
- Só isso.
"Acho que errei de homem", pensou Narada. Naquela noite, ele teve um sonho: O Senhor aparecia pedindo:
"Encha uma tigela de leite, vá até a cidade e volte - sem derramar uma gota sequer".
Na manhã seguinte Narada - acostumado a seguir os sinais - fez o que o Senhor lhe ordenava. E de noite, teve outro sonho, onde Deus aparecia perguntando:
"Quantas vezes você pensou em mim, enquanto carregava o leite?".
"Como podia pensar no Altíssimo? Estava preocupado para não derramar o conteúdo da tigela!".
"Uma simples tigela fez você Me esquecer. E o lavrador, como todos os seus afazeres e com sua diversão noturna, pensa em Mim duas vezes ao dia".

A loja em Bagdá
Abu Sari tinha uma loja de quinquilharias no meio do principal mercado de Bagdá. Passava o dia vendendo, comprando, e barganhando com os fregueses.
Mas, toda tarde saía para seu pequeno jardim nos fundos, e rezava.
Certa vez foi procurado por um monge, que dizia estar próximo de Deus, e queria compartilhar com Abu Sari sua felicidade.
- Onde você vive? - perguntou o comerciante.
- Nas montanhas. Ali consigo contemplar a face do Altíssimo, e mergulhar em suas bênçãos.
- Se você mora nas montanhas, isto significa que está distante dos homens, e quem se afasta das criaturas que Ele criou não pode estar próximo do mundo espiritual.
"Um homem iluminado vive no meio de um mercado, cuida de seus filhos, protege sua família, e é justamente sua vida normal que o faz estar sempre perto da presença de Deus".

Só a metade é sagrada?
O venerável Nitju aproximou-se do mestre, fez uma reverência, e sentou-se ao seu lado.
- Tenho feito as meditações, preces, e os exercícios que o senhor mandou. Mas eles não ocupam todo o meu tempo, e então saio com amigos e amigas.
O mestre não disse nada. Nitju continuou:
- E fico com a sensação de que só metade do que faço é sagrado.
- Você, quando está na mesa com os amigos, aplica os conhecimentos adquiridos durante as práticas espirituais?
- Não. Apenas me divirto.
- Então, o seu dia é inteiramente sagrado. Porque equilibra a disciplina da Busca com a alegria da Vida - concluiu o mestre.

Na estrada de Damasco
O homem caminhava pela estrada de Damasco. Lembrava seu amor perdido, e sua alma estava em prantos. "Pobre do ser humano que conhece o amor", pensava. "Jamais será feliz, com o medo de perder a quem ama".
Neste momento, escutou um rouxinol cantando.
- Por que você age assim? - disse o homem ao rouxinol. - Não vê que minha amada, que gostava tanto de seu canto, já não está mais aqui ao meu lado?
- Canto porque estou contente - respondeu o rouxinol.
- Você nunca perdeu alguém? - insistiu o homem.
- Muitas vezes - respondeu o rouxinol. - Mas meu amor continuou o mesmo.
E o homem sentiu mais esperança em seu caminho.

Diário do Nordeste , 31/03/2018
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Paulo Coelho - Oitavo ocupante da Cadeira nº 21da ABL, eleito em 25 de julho de 2002 na sucessão de Roberto Campos e recebido em 28 de outubro de 2002 pelo Acadêmico Arnaldo Niskier.

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DA APRENDIZAGEM A CRIAÇÃO - Jennifer Hoffman


Os desejos de nosso coração estão entrelaçados com as lições e feridas da alma, que são a nossa experiência humana.. O desejo de maior realização, amor e abundância origina-se do nosso conhecimento da limitação, que resulta de estarmos desconectado da fonte. Faz parte da humanidade conhecer o medo antes que possa abraçar o amor! Faz parte da humanidade conhecer a dúvida antes que possa confiar! Faz parte da humanidade conhecer a tristeza antes que possa permitir a alegria!

O conhecimento das limitações da experiência humana pode levar-nos a crer que as energias superiores estão fora de nosso alcance. Isso ocorre porque a energia de polaridade da Terra  nos permite vivenciar todos os aspectos e âmbitos de toda energia. Cada um de nós vive a vida por meio de duas etapas: Aprendizagem e Criação. Quando estamos aprendendo, estamos experimentando a vida através da alma ferida, atraindo e manifestando a partir das energias que viemos curar.

Esses tempos são desafiadores para nós, mas, por meio do nosso contrato de alma, nós concordamos em compreender a origem da nossa desconexão e como o nosso medo a criou. Porém, ficamos ancorados no medo ao invés de ficarmos na luz de nossa verdade como criadores, nos esquecemos de que há sempre outro caminho, uma verdade mais elevada, um caminho mais gratificante e uma luz mais luminosa que brilha até mesmo nos momentos mais sombrios. Logo que terminemos a etapa de aprendizagem, entramos na etapa de criação, que ocorre quando abraçamos nosso poder cocriativo, alinhamos com os nossos sonhos e começamos a manifestar a partir do nível energético acima da dor. Cada nível acima da dor e do medo é um aspecto mais elevado dessas energias.

Se experimentarmos desafios contínuos é porque ainda não concluímos o perdão, que é passar da aprendizagem para a criação. A vibração energética da dor é aquela com que o ego está mais familiarizado e confortável, mas é liberada logo que o perdão, a nós e aos demais, seja consumado. A dor faz parte da experiência humana, mas é um caminho que escolhemos quando estamos na etapa de aprendizagem e somos conduzidos pelo ego ou pelas emoções.

Cada momento de desespero inclui uma escolha da energia oposta, da alegria. Quando soubermos que podemos escolher um aspecto mais elevado de toda energia, passamos da aprendizagem para a criação. Lembremos de nós mesmos como co-criadores, como mestres da energia da Terra. Podemos transformar qualquer coisa, porque  nosso poder é ilimitado. Estejamos atentos ao fato de que com todos os pensamentos estamos aprendendo ou criando, na dor ou na alegria, expressando medo ou amor, e que o caminho que nós tomamos é sempre de nossa livre escolha.


 "Gotas de Crystal" <gotasdecrystal@gmail..com>

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sexta-feira, 6 de abril de 2018

ABL: FELIPE FORTUNA FAZ NA ABL A SEGUNDA PALESTRA DO CICLO AS CIDADES DOS POETAS SOB COORDENAÇÃO DO ACADÊMICO ANTONIO CARLOS SECCHIN


O poeta, ensaísta e diplomata Felipe Fortuna faz, na Academia Brasileira de Letras, a segunda palestra do ciclo de conferências do mês de abril de 2018, intitulado As cidades dos poetas. O tema escolhido foi João Cabral: Recife e Sevilha. O evento está programado para terça-feira, dia 10 de abril, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca.

Serão fornecidos certificados de frequência.

A Acadêmica e escritora Ana Maria Machado, Primeira-Secretária da ABL, é a Coordenadora-Geral dos ciclos de conferências de 2018.

As outras duas palestras do mês de abril serão proferidas pelos professores, poetas e ensaístas Emmanuel Santiago(Olavo Bilac, dia 17) e Adriano Espínola (Ferreira Gullar, dia 24). Sempre às terças-feiras, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr, da ABL.

Sobre sua conferência, Felipe Fortuna adiantou: “Trata-se de uma interpretação sobre o impacto das duas cidades nas quais o poeta viveu e trabalhou –  não apenas na sua poesia, mas também na maneira de elaborar uma visão sobre os elementos do seu fazer poético”.

“O período no Recife”, disse Felipe Fortuna, “salientou as preocupações sociais e políticas do poeta. A fase profissional em Sevilha deu vazão a uma sensualidade que não se limitou à atração pelo feminino, mas se projetou também às artes plásticas, às touradas e à admiração pelo cantar flamenco. Como diplomata e poeta, Cabral sempre foi sensível às cidades nas quais habitou, mas somente Recife e Sevilha tiveram o poder de transformar a sua concepção de poesia”.

O CONFERENCISTA

Poeta, ensaísta e diplomata, Felipe Fortuna é mestre em Literatura Brasileira pela PUC-Rio de Janeiro, com tese sobre o simbolismo brasileiro. Estreou na poesia em 1986, com o livro Ou vice-versa e, desde então, publicou um total de 15 livros.

Em 2005, reuniu sua obra poética no volume Em seu lugar, prefaciado por Sergio Paulo Rouanet. Mais recentemente, lançou O mundo à solta (2014) e Taturana (2015), ambos de poemas; Esta poesia e mais outra (2010), de crítica literária, que mereceu apresentação de Antonio Cicero; e a tradução pioneira do longo poema Briggflatts (2016), do poeta inglês Basil Bunting.

Felipe Fortuna escreveu o prefácio para a edição em espanhol de Piedra fundamental (2000), antologia da obra de João Cabral de Melo Neto, na prestigiosa Biblioteca Ayacucho; e, em 2004, da edição inglesa de Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus. Colabora com frequência para a imprensa com artigos e resenhas.

Como diplomata, já serviu em duas ocasiões na Embaixada em Londres, bem como nas Embaixadas em Caracas e em Moscou. Atualmente, é chefe da Assessoria Internacional do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações

04/04/2018



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DOM CESLAU STANULA – Páscoa. Magistério da Igreja




Páscoa
Depois de uma vivencia profunda do Mistério da Salvação durante a Semana Santa e principalmente do Tríduo Santo, estamos na Páscoa. Ecoa em todos os recantos do orbe o desejo: FELIZ PÁSCOA.

Páscoa é a maior festa para o cristão, a comemoração da Ressurreição do Cristo e a nossa. 

Porque a comemoração da Páscoa não tem a data  fixa, como por exemplo, o Natal?

Antes de os cristãos comemorassem a Pascoa,  faziam-no os judeus. Eles comemoravam a saída da escravidão do Egito, que coincidiu com a primavera no mês  judaico nissan, que corresponde no nosso calendário entre o fim de março a meados de abril.

Os Cristãos dando o outro sentido a Páscoa, mas  seguindo a data,  fixaram-na para o 1º domingo depois da primavera no hemisfério norte, ou outono no hemisfério sul, que cai entre 22 de março a 25 de abril. Por isso a Páscoa não tem a data  fixa no calendário nosso.

Que Cristo Ressuscitado ilumine a sua e a minha vida. Uma excelente  noite. Com a benção e oração.

Dom Ceslau

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04/04/2018
O Magistério da Igreja

Depois da Semana Santa voltamos ao nosso estudo sobre o magistério da Igreja. O Magistério da Igreja pode ser (como já vimos) ordinário e extraordinário. O extraordinário se desenvolve por meio dos Concílios Ecumênicos e as nossas Conferências Latino Americanas, às quais dedicamos bastante tempo, principalmente para Aparecida.

O Papa no seu Magistério Ordinário se serve de muitas formas. Além das suas homilias, reflexões semanais nas audiências gerais  ensina ainda por meio de: Encíclicas, Exortações Apostólicas, Cartas Apostólicas, Bulas etc. Cada um destes documentos tem o seu valor e peso doutrinário variado, mas todos são um ensinamento ordinário do Papa. Lembro: o Magistério da Igreja não trata das ciências humanas, mas da transmissão autentica da Palavra de Deus para fortalecer a nossa fé.

Com a minha oração e benção, uma noite tranquila e de muita paz.

Dom Ceslau.

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05/04/2018
Encíclica

Encíclica (vem da palavra latina  encyclicus,a,um - que significa circular, que  circula). 

É uma comunicação escrita papal, um documento pontifício, dirigido aos bispos de todo o mundo e, por meio deles, a todos os fiéis.

O termo ‘Encíclica’ foi introduzido pelo Papa Bento XIV (1740-1758).

A encíclica é usada pelo Papa para exercer o seu magistério ordinário.

Geralmente as encíclicas se dirigem Arcebispos, Bispos, Presbíteros, e fiéis, mas pode estender-se,  como o fazem os últimos papas desde o João Paulo II, a todo o "homem de boa vontade"

A Encíclica trata de matéria doutrinária em variados campos: fé, costumes, culto, ecologia, doutrina social, etc.

Com a benção e oração, uma repousante noite. Que os Anjos velem sobre o seu sono.

Dom Ceslau

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quinta-feira, 5 de abril de 2018

O CÉU DOS HERÓIS O ACOLHA! - Roberto de Mattei


3 de Abril de 2018

Roberto de Mattei *

Na Semana da Paixão, o sangue europeu e cristão foi novamente derramado, ao grito de Allah Akbar!, como aconteceu em Londres, em Barcelona, em Berlim, em Nice, e agora em Carcassonne. Um grito que nos recorda que a Europa está em guerra.

Essa guerra é religiosa e conduzida pelo Islã com todas as armas, não necessariamente sangrentas: até a invasão migratória faz parte dessa estratégia de conquista. O objetivo é o mesmo: a submissão da Europa e do Ocidente ao Islã, uma palavra que etimologicamente significa submissão.

Não podemos escapar dessa guerra, mas a primeira diferença fundamental entre nós e nossos inimigos é que a nossa guerra é defensiva, não ofensiva: o Ocidente a sofre, não a declarou.

A segunda diferença é que nossa guerra não prevê o massacre, mas a salvação dos inocentes. Nesse sentido, o Tenente-coronel da Gendarmeria, Arnaud Beltrame [foto acima e abaixo], que em 23 de março de 2018 ofereceu sua vida para salvar uma mulher refém de um terrorista, pode ser considerado um herói francês, europeu e cristão.

Francês, porque cumpriu o dever de militar de seu país como tenente-coronel da tropa de paraquedistas da Gendarmeria; europeu, porque foi vítima de um conflito que se estende de um extremo a outro da Europa e que a tem em situação de risco; cristão, porque foi certamente da fé cristã que o coronel Beltrame extraiu o espírito de sacrifício de seu gesto, que aparece como uma realização das palavras do Evangelho: “Não há maior amor do que dar a vida pelos amigos” (Jo. 15,13).

O Coronel Beltrame cresceu em um ambiente laico e frequentou a maçonaria, mas nos últimos anos aproximou-se da Igreja e sua conversão ocorreu sob o signo da Tradição. Ele frequentava os cônegos da Mãe de Deus na Abadia de Lagrasse, um dos lugares na França onde a Missa é celebrada de acordo com o antigo rito romano.

Casado civilmente, o coronel se preparava para o casamento religioso sob a orientação do Padre Jean-Baptiste, daquela abadia, e certamente seu percurso de formação se deu de acordo com o ensinamento tradicional da Igreja, e não com a nova moralidade introduzida pela exortação Amoris laetitia. O referido sacerdote, na noite de 23 de março, ministrou ao coronel, no hospital de Carcassonne, a extrema-unção e a bênção apostólica in articulo mortis.

A misericórdia do Senhor abre as portas do Céu para aqueles que sincera e coerentemente procuram o verdadeiro ensinamento da Igreja, mas não nos iludamos de que as abra para aqueles que julgam encontrar um compromisso entre o Evangelho e seu próprio prazer e egoísmo. O Coronel Beltrame teve a graça de testemunhar que a vida do cristão é uma luta, até o martírio. O Céu dos heróis certamente o acolherá.

Dos bispos, dos cardeais, do Papa, não esperamos apenas palavras de louvor por seu brilhante exemplo. Esperamos que ao programa de islamização da Europa, resumido no grito Allah Akbar!, se oponha a voz da Igreja através de um firme e solene programa de reevangelização da Europa expresso pelas palavras de São Paulo que ressoam na Semana Santa: “Em o nome de Jesus todo joelho se dobre nos céus, na terra e no inferno; e toda língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai” (Fil. 2, 9-11).

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(*) Fonte: “Corrispondenza romana”, 28-3-2018. Matéria traduzida do original italiano por Hélio Dias Viana.


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NEGUINHA DESASSUNTADA – Ariston Caldas


Neguinha Desassuntada

            Virgínia. “Neguinha desassuntada”, como dizia Emília, filha de dona Honorata. Dez anos, nem parecia ter só essa idade. “Cada coxa!”. Dizia André da venda,  sujeito enxerido, metido na vida dos outros.

            Pelada embaixo de um ponche puído, ela se arreganhava toda para Pedrinho, menino ainda tolo, neto de dona Honorata; ele nem ligava para as doideiras, mas Virgínia insistia, cínica, dentes brancos de fora, alheia a quem estivesse em redor, Pedrinho desviava os olhos. Nessa situação, ela dava um muxoxo para o vento, juntava a frente do ponche encardido e o abotoava, cobrindo as coxas robustas, saindo depois como um redemoinho, articulando outras patacoadas. Mas era amorosa e meiga a momentos; penteava o cabelo de Emília e fazia cafuné em dona Honorata. “Bênção, seu Crispim”. Era o marido de Emília.

            A família tinha uma fazenda cheia de bois de raça, vacas leiteiras e um mundo de criações. Virgínia fora dada a eles pelos próprios pais que sumiram depois para o Sul. Cresceu num abrir e fechar de olho, bonitinha; aprendeu a lavar roupa, cozinhar, levar recados, e alguma leitura numa escola ruim. Aos oito de idade quase morria de catapora e no auge da coceira saltou da cama e ganhou a rua, cheia de febre,  xingando, gritando, danada se coçando aos pulos; foi uma luta reconduzi-la para a cama.

            Era criada sem nenhuma surra, somente dono Honorata corrigia-lhe com beliscões ou puxões de orelha. Emília prendia-lhe vez em quando no quarto escuro que ficava no fundo do quintal, amarrando-lhe os pulsos e os rejeitos com corda de pindoba; nem uma lágrima. “A neguinha tem natureza de cão”. Estrebuchava, gemia baixinho, tremia. Quem mandou fazer encrencas? Era também pela cor, pelo cabelo de pixaim, pelo cheiro embaixo dos braços. E o corpo bem-feito, os peitos duros, as pernas torneadas cor de chocolate puro? Olhavam, sim, como André da venda.

            Emília gostava dela penteando-lhe  os cabelos finos, as mechas entre os dedos iam virando caracóis enfileirados, como tubos de seda;  Emília nem sabia ajeitar o cabelo como fazia Virgínia;  a carícia das mãos, o jeito de passar o pente. Olhava-se ao espelho e via os tubos sedosos transformados em cachos caídos pelos ombros. Nesses momentos queria bem a Virgínia, não teria coragem de prendê-la no quarto escuro, com os pulsos e os rejeitos amarrados. Gemia e esperneava-se até às tantas; “Só vou te soltar à tardinha”.

            Num esfregar de olho Virgínia explodia com novas invenções, soltava traques  nos ouvidos das cabras, jogava lagartixas gargueladas nos bolsos dos meninos. Amarrava uma linha  numa tira de pano preto e puxava-a rente aos pés das pessoas; fez isso uma vez com dona Honorata: “uma cobra!”. Dona Honorata caiu da cadeira, pernas pra cima, gemendo. Virgínia passou o resto do dia amarrada no quarto escuro, sem comer. Uma desassuntada. Falava putaria com Pedrinho, mostrava-lhe o bico do peito, “pegue aqui”, desabotoando a frente do ponche. Pedrinho nem ligava. Neguinha boa para levá-lo ao colégio, vigiá-lo tomando banho na represa da fazenda; penteá-lo, ajeitar a farda da escola. As descarações dela nem deviam ser por maldade. Se Emília aparecesse no momento! “Pega aqui”. Virginia nunca pensava que ela aparecesse, não levava nada a sério, nem as intenções parecendo maldosas. Mas não eram, somente deboche, boca porca até junto de dona Honorata, soltando nomes descarados. Fingia timidez com Emília que não vacilava em jogá-la dentro  do quarto escuro do fundo do quintal.

            Casualmente lembrava-se do pai e da mãe, “sai daqui, pestinha!”. Não apanhava nem ficava presa em  quarto escuro, mas passava fome e outras necessidades, por isso não sentia lá essas saudades do passado ainda próximo, somente uma compaixão sutil pelo pai magro, cor de jabuticaba, olhos brancos, cabelo betumoso, barbicha rala na ponta do queixo; pela mãe, mulata tisnada de sol, de saia velha de chitão atada à cintura. “Vim lhe trazer a menina, dona Emília”. Virgínia se lembrava do dia, do momento. Teria guardado alguma mágoa dos pais? Morava numa casa boa e bem pertinho da fazenda cheia de bois de raça, vacas leiteiras, cabras por todo canto; uma represa para tomar banho com Pedrinho. Tinha o que comer, cama macia para dormir. Lembrava-se do quarto escuro onde pagava suas dívidas, as presepadas que fazia com dona Honorata. “Neguinha desassuntada”.

(LINHAS INTERCALADAS)
Ariston Caldas

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