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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

POESIA PONTE ENTRE ITÁLIA E BRASIL

"Hai mai corso fra le Nuvole?" Poesie di Lorenzo Cioce (ed. Minerva)


Na cidade eterna de Roma. na celebre Livraria Mondadori da via Piave n.18, a Poesia aproximou Itália e Brasil.  O poeta italiano Lorenzo Cioce lançou a sua obra "Hai mai corso tra le nuvole?", ed. Minerva  ("Jà correu entre as nuvens?") que contém também a seção "Squanderink" com poesias traduzidas para o inglês por Gaia Celeste, e para o portugûes por Antonella Rita Roscilli.

Foram leituras e debate com o público. Junto com o autor, o público ouviu a professora e critica literária Daniela Carmosino, as poesias declamadas pela bela voz da atriz Sharon Alessandri e a fala da brasilianista Antonella Rita Roscilli.

Lorenzo Cioce respondeu no debate às muitas perguntas do público. Antonella Rita  declamou a poesia dele "Culla di civiltà", dedicada a Roma antiga, e que se ouviu pela primeira vez na língua de Camões: "Berço da civilização". Ela traduziu também "Jà correu entre as nuvens" "Respirar", "A justiça pinta o coração do rebelde"e "Queria, simplesmente queria".

Definiu a poesia de Lorenzo Cioce etica e universal, "a poesia de um jovem cujos versos lembram o conceito da Beleza e da Leveza de Italo Calvino. Espalham valores positivos, mas ao mesmo tempo educam e criticam o perigo do vazio da sociedade na época do mundo virtual". Depois falou sobre o valor da Poesia contemporânea no Brasil, o seu trabalho de autora e tradutora que acredita firme na importância das pontes culturais. Nesse proposito destacou que as  nuvens, como metáfora, estão presentes em obras de autores brasileiros contemporâneos, algumas das quais traduziu para o italiano. 
Assim falou do ilustre poeta e romancista Carlos Nejar que escreveu "A engenhosa Leticia do Pontal" (ed. Objetiva) em que a protagonista é uma Nuvem.

Por fim lembrou que as nuvens se encontram no titulo de um livro de contos do escritor baiano Aleilton Fonseca, que ela teve o prazer de traduzir e que foi publicado na Itália em edição bilingue: "O Sabor das Nuvens" ("Il Sapore delle Nuvole"), ed. Via Litterarum.




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OBAMA DESRESPEITA TRADIÇÃO REPUBLICANA E DECIDE DAR PITACO EM MEDIDA DE TRUMP

30 de janeiro de 2017


“O segredo do agitador consiste em parecer tão idiota quanto seus ouvintes, de modo que eles acreditem ser tão inteligentes quanto ele.” (Karl Kraus)

Os brasileiros vão achar graça nisso, mas os americanos levam muito a sério a tradição republicana de que o ex-presidente não deve se manifestar sobre as políticas do seu sucessor. É uma postura elegante, civilizada e, acima de tudo, republicana, de respeito às regras do jogo. E trata-se de uma postura que vem sendo mantida desde Jimmy Carter, o bobão que rivaliza com Obama em pusilanimidade e mediocridade em termos de resultados de gestão.

Pois bem: até nisso Obama resolveu disputar com Carter, e pelo visto venceu! Em apenas dez dias de novo governo, o ex-presidente já emitiu um comunicado, por meio de seu porta-voz Kevin Lewis, claramente condenando o banimento temporário de imigrantes do governo Trump. Fez isso de forma “indireta”, sem citar o nome, e “insinuando” que o banimento seria por preconceito religioso.

Descrição: http://ib.adnxs.com/getuid?http%3a%2f%2fdis.criteo.com%2frex%2fmatch.aspx%3fc%3d11%26uid%3d%24UIDÉ Obama colocando sua paixão pelo Islã acima dos valores republicanos que fizeram da América o que ela é: terra da liberdade. Como até mesmo a jornalista da CNN (também conhecida como Clinton News Network) precisou reconhecer, após “compreender” o desrespeito de Obama pela tradição, o próprio ex-presidente havia elogiado a postura de Bush quando assumiu o governo, já que o republicano ficou totalmente de fora da política, sem se manifestar sobre as decisões do novo ocupante da Casa Branca.

Os brasileiros, como eu disse, acham estranho tanto barulho por “nada”, pois estamos acostumados com um fanfarrão como Lula, que jamais saiu do palanque, que nunca parou de fazer política com p minúsculo, sem se preocupar com nossas instituições republicanas. Mas americanos levam isso muito a sério, e essa é uma das tantas diferenças entre os dois países, entre uma República com R maiúsculo e uma republiqueta das bananas.

Ao se colocar claramente ao lado daqueles que têm se manifestado contra as medidas de Trump, Obama demonstra ser apenas um agitador de massas, o que ele sempre foi em Chicago, sob o eufemismo de “community organizer” (uma espécie de líder sindical para nós). Nunca esteve à altura do cargo que ocupou por oito anos. Disse que manteria uma postura de respeito, como Bush no seu caso, mas não conseguiu se segurar, não foi capaz de ficar em silêncio. O palanque está em seu DNA, como no caso de Lula, quem ele chegou a considerar “o cara”.

Uma lástima essa manifestação de Obama, que serve para jogar mais lenha na fogueira. Mas não chega a surpreender. O homem sempre foi um fiasco, a despeito de toda a propaganda enganosa e culto à personalidade por parte das celebridades e imprensa. É apenas mais uma bola fora, entre tantas outras…

Rodrigo Constantino



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Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal

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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

'AEDES BRASILIS' - Cristovam Buarque

‘Aedes brasilis’


O Aedes aegypti é um produto do Aedes brasilis: os brasileiros imprevidentes com saneamento e educação cívica.
A consequência do casamento entre estes dois Aedes é o sofrimento de milhões de doentes contaminados com o vírus da dengue, e milhares com o vírus zika, que, possivelmente, provoca a tragédia da microcefalia.

O cérebro humano cresce três gramas por dia, durante o terceiro trimestre de sua gestação; depois, mais dois gramas diários durante os seis primeiros meses de vida, dependendo da alimentação e de estímulos físicos e educacionais. A partir daí, continua crescendo lentamente, ao longo de alguns anos iniciais de vida, mas seu potencial intelectual cresce indefinidamente graças aos diversos meios de educação, sobretudo na escola. Raramente, a natureza interrompe o crescimento natural do cérebro, mas no Brasil, nós o interrompemos pela omissão como tratamos o locus do seu desenvolvimento: na escola.

Desde a Proclamação da República, provocamos limitações intelectuais em dezenas de milhões de brasileiros, contaminados pelo Aedes brasilis que induz analfabetismo, impedindo brasileiros de reconhecer a própria bandeira, por não serem capazes de ler “Ordem e Progresso”. Este é o grau mais violento, mas não o único, na interrupção do crescimento intelectual do cérebro, provocado pelo Aedes brasilis.

Também é vítima do Aedes brasilis cada criança jogada para fora de uma escola de qualidade antes do fim do ensino médio. Ao longo de nossa história, a maioria da nossa população vem sendo contaminada por um zika social transmitido pelo Aedes brasilis. Ainda mais grave para um país que se diz republicano, o Aedes brasilis seleciona a vítima conforme a renda familiar. As crianças de alta renda dispõem de recursos para protegerem-se do vírus da microcefalia intelectual, são vacinadas em boas escolas, enquanto as crianças da baixa renda ficam condenadas ao vírus social.

A tragédia pessoal destes milhões de contaminados se transforma em tragédia histórica, porque, ao impedir a população de desenvolver plenamente seus talentos intelectuais, o Aedes brasilis limita o aproveitamento de centenas de milhões de cérebros, provocando uma microcefalia social que impede transformar o Brasil em um potente centro de desenvolvimento científico e tecnológico.

As consequências desta microcefalia social são o atraso econômico e social; além de dificultar o avanço político e a construção de uma sociedade democrática, eficiente e harmônica. Ainda mais, é a microcefalia intelectual que impede o Brasil de ter os sistemas de saneamento e de educação cívica propiciando o desenvolvimento do Aedes aegypti. O Aedes brasilis provoca microcefalia social, que termina sendo a principal causa das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti e todas as demais formas de pobreza intelectual.



Cristovam Buarque é professor emérito da UnB e senador pelo PDT-DF

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O PASSEIO AO CORCOVADO – Marília Benício dos Santos

O Passeio ao Corcovado 


          Aprendi a dirigir. Como é bom! Muita gente, na minha idade, parou de dirigir. Costuma dizer: “não dirijo mais”. Pois não é que comecei a dirigir agora! É espetacular pegar o volante e seguir em frente! Sinto-me jovem. É um renascer. É como se estivesse começando a andar. Uma das receitas para permanecermos jovens é aprender algo novo; e é isso que faço no momento. Ainda não saio sozinha. Augusto vai sempre comigo. Ele me dá muita força.
          - Domingo vamos ao Corcovado, Marília.
          - Ótimo! Mas vou chamar Antonia.
          - Pra que Marília? Você tem cada uma!
          - Dar-lhe um pouco de alegria.
          Antonia mora no Vidigal. Chegamos à porta de sua casa e buzinamos. Margarida, a irmã de Antonia, veio trazê-la até o carro.
          - Vamos também, Margarida, tem lugar pra você. 
          - Estou tão desarrumada.
          - Entre “muié”, disse Antonia. Nem sempre a gente tem uma mamata desta.
          Margarida entrou. Seguimos para o Corcovado. Estavam muito contentes, rindo e falando alto. Eu, mais alegre ainda, porque estava proporcionando-lhes um pouco de felicidade.
          O dia não estava muito claro, mas deu para apreciar um pouco a beleza da vista lá do alto. Antonia olhava o Cristo, muito espantada e insistia em procurar uma porta para entrar. Na fantasia dela, lá em cima havia uma igreja. Demoramos por ali algum tempo e, na volta, Antonia entrava nas lojas olhando e querendo comprar. Margarida, porém, não estava com muita paciência. E dizia: “vamos, Antonia”.
          - Será que posso comprar um santinho destes
          - Pode, sim, respondi. Você tem dinheiro?
          - Tenho
          - Então pode comprar. Fique à vontade.
          Mas notei que Margarida continuava ansiosa.
          - Ande Antonia. Quero ir à missa das cinco horas.
          - Você já não foi à Missa, perguntei-lhe um pouco irritada e pensando: será que a pobre da Antonia não pode curtir o seu passeio? E aproximando-me dela, ajudei-a a escolher o que quis comprar: um pequeno binóculo com fotografia do Cristo.
          - Veja como é bonito! Vou levar este!
          - Se fizer a vontade dela, Marília, a gente não sai daqui hoje. Eu, sem entender muito o porquê da pressa de Margarida, resolvi vir embora, mesmo porque já estava esfriando. No carro, as duas não se cansavam de agradecer-me. Deixei-as em casa. Mas continuei intrigada com a ansiedade de Margarida.
          Dias depois, encontrei-a e, para matar a curiosidade perguntei-lhe:
          - Margarida, por que você estava tão aflita, com tanta pressa no dia do passeio?
          Disse-me ela, bem baixinho, perto do ouvido: 
          - Marília, eu estava sem calcinha. Só me lembrei quando entrei no carro. Mas valeu a pena. Deus lhe ajude!


(ARCO ÍRIS)
Marília Benício dos Santos

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PREFÁCIO 
(do livro arco-íris de Marília Benício dos Santos)

          "Depois de CARROSSEL, Marília entrega aos leitores amigos e companheiros de caminhada o seu “ARCO-ÍRIS”.
          Seus  objetivos parecem ser os mesmos: aquela ansiedade e até uma certa pressa, de partilhar com os outros o “ser reflexiva” que já lhe resulta natural, simples, espontâneo a propósito de fatos de seu quotidiano, do convívio de parentes e amigos, do encontro com os pobres de dinheiro e de amor. E tudo isso, a partir de uma vivência de Fé, que se cristaliza no contato permanente com o Evangelho.
          Também a Natureza, em suas variadas manifestações é matéria para o pensar de Marília. O mar, o céu, as estrelas, o arco-íris...  O mar, do qual ela se diz eternamente enamorada e sofre quando não pode vê-lo. As estrelas, que são suas interlocutoras e significam presenças amigas de realidades invisíveis. O arco-íris, que lhe sugere uma simbologia de aliança e compromisso.
          Marília escreve ainda sobre a amizade, o diálogo, a vida, o mundo. E fala de Deus, ou melhor, conversa com Deus na simplicidade das palavras e na grandeza de gestos. E exprime o seu desejo de, num grande abraço, unir-se a todos os irmãos para permitir a circulação do Amor e, assim, realizar o “Amai o Amor que não é amado” de São Francisco de Assis.

Eulina Fontoura de Carvalho"


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OSCAR BENÍCIO DOS SANTOS: Comemorações ao Sesquicentenário de Euclides da Cunha

CANUDOS I


O fogo rijo do canhoneio assassino
incendiava terra e céus em Canudos,
dizimando o desgraçado nordestino,
que não era ouvido por governos surdos.

Não era apenas o humilde campesino
que a metralha matraqueando ceifava,
era a fé, a crença cega num destino
 com que o mago Conselheiro acenava!

E aquela gente, da ignorância escrava,
agrupou-se em humano formigueiro
e, como do vulcão formidável lava,

se fez sentir e ouvir no mundo inteiro
– do inculto ao homem que pensava -
a dolorosa saga do povo brasileiro!


Oscar Benício Dos Santos

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CANUDOS II


Lá pras bandas da caatinga, nos sertões
ressequidos do nordeste da Bahia,
formou-se, entre as gentes das missões,
revolta que as tirou da letargia.

Saindo das chapadas e dos grotões
e seguindo o velho Conselheiro,
o povo, sem saber quais as razões,
seguia cego o carismático milagreiro!

Vendo, naquele movimento, fissões
regionais contra a nova república,
o governo enviou armadas incursões

sucessivas que, sem outras opções,
julgando servir à causa pública,
dizimou os miseráveis e aspirações!


Oscar Benício Dos Santos 


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OSCAR BENÍCIO DOS SANTOS – Nasceu em Itabuna (BA) no dia 08 de dezembro de 1926, filho do desbravador de Itabuna, historiador Francisco Benício dos Santos e de dona Adelaide. Estudou em Itabuna e depois em Salvador no Instituto Baiano de Ensino e no Colégio Maristas. Fez o curso de Odontologia na Faculdade Federal da Bahia. Ao se formar montou consultório em Salvador e também cuidava  das suas fazendas de cacau em Itabuna e de gado em Itaju do Colônia. Hoje reside na sua Fazenda Guanabara em Itabuna. É autor do livro Cacau em Versos lançado com grande sucesso na 1ª Feira Universitária do Livro da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC no dia 21/10/2013.
“Cacau em Versos” foi indicado pela UESC para o Prêmio Portugal Telecom de Literatura/2014.

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30 de Janeiro – DIA DA SAUDADE

Dia da Saudade


Ela abarca a vida inteira
E vem sem ser convidada:
Esta saudade danada
É cativante e arteira!...


Eglê  S Machado
Academia Grapiúna de Letras-AGRAL 

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DUAS "PÉROLAS" DO POETA GERALDO MAIA

Ris, mas é só

Canta a chuva em teus dedos enquanto ouço
o frio do silêncio que roça tua rua e eu
não sei mais ficar sem o solo de tua saliva
sem tua maçã eriçada sem a cantiga de teus
pelos em frente ao azul da espera
tinge o mar de outono e solidão
e só teu porto pode acalmar alma de
vento saciar a sede de horizonte só
teu beijo sem medo de abismo e sem
cor de soluço pode lamber dos olhos
as minúsculas palavras de esquecer e
há em mim um relógio com a gravata
taluda que dança sem asas e nenhum
tango com o estopim desvairado
há minha calma aos berros
um soluço a ferros
há tua queixa de janelas opacas
e tua fome de tempo carícia dentro
e por um momento escuto que ris mas é só
o carteiro bêbado que vomita histórias de
aniversários e outras doses de partir
e então caminho a caminho há carinho
tua sombra parece pétala de fala
fala de perder o que me fazes falta em
meio à chuva sem mais sentido que o
fogo de tua demora mesmo se estás
nua de água em pelo escorre
uma flor de delírio diante de
ti nada em si se traduz ou
tem cheiro de amor vencido
apenas tornar teu sim admissível
e ao chegar por fim tua lua cante para acalmar
o soco da madrugada em sonhos sustenidos
cifras de certas sentinelas açodadas
soldados
sem sentido em celas insignes selam
certas células sibilantes de sol e
alguns signos de malícia

Geraldo Maia

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Gosto

Te gosto com gosto gostoso de goiaba no galho
gosto de gostar de ti sem o sabor de agosto
gosto de tira-gosto de sapoti
gosto do teu rosto em forma de gota
tua pele de puba o abismo do púbis
o mel de tua vulva o volume que abunda
em teu rastro o elástico das mamas
o drástico som de tua gruta
a bruta dança de corpos no encalço
do abraço sem fim nos confins
de teus braços

Geraldo Maia
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Geraldo Maia Santos (Geraldo Maia) - Nasceu em Itabuna (Ba), no dia sete de outubro de 1951. Começou a escrever aos seis anos e ainda se considera um aprendiz repetente da escrita numa sociedade ágrafa com forte ascendência oral. Tem nove livros publicados, seis de poesia (Triste Cantiga de Alguma Terra (esgotado) é seu livro de estréia, em 1978, Kanto de Rua (esgotado) (1986), Em Cantar a Mulher (esgotado) (1996), Sangue e palavra (1998), O chão do meu destino (2000), ÁGUA (2004) (esgotado) e dois de ficção (Atol ou o mar que se perdeu de amor  por um farol (esgotado) (1991) e PUNHAL, prosa de cangaceiro (esgotado) (1992). Todos os livros editados de forma independente, exceto Sangue e Palavra, editado pelo Selo Bahia. E um de cordel: "CORDEL DO MENSALÃO".

Recebeu menção honrosa no concurso de poesia do Banco Capital em 2004 participando da coletânea, Os Outros Poemas de Que Falei, junto com mais seis poetas. É casado com a artista-plástica e  poeta, Márcia Santos, tem três filhos, Pedro Santos, José Flávio Maia Santos e Zag Bertim Maia Santos. 
Ex-aluno de engenharia civil (ufba), jornalismo (puc/rj), é ator, diretor teatral, editor, ambientalista, ecotrofoterapeuta, arte-educador, tendo atuado nos CEUs, em São Paulo, realizando oficinas de poesia e teatro. É um dos fundadores (em janeiro de 1979) do extinto, Movimento Poetas na Praça, que produziu e popularizou a poesia universal através de recitais diários nas praças da cidade, principalmente na Piedade,  nas décadas de oitenta e noventa, reunindo os mais ousados, libertários, criativos e revolucionários poetas da Bahia, a exemplo de Zeca de Magalhães, Ametista Nunes, Antonio Short, Miguel Carneiro, Joelsom Meira, Douglas de Almeida, Eduardo Teles (também biógrafo de Castro Alves), Beto Silva, Gilberto Costa, Gilberto Teixeira, Jairo Rodrigues, César Lisboa, Edésio Lima, Semírames Sé, Margareth Castanheiro, Agenor Campos, Dorival Limoeiro (Dori), "Pica-Pau", e tantos outros que a praça acolheu e escolheu para enfrentar e vencer as trevas da ditadura militar mas que estão excluídos como criadores de literatura, momentaneamente, pelas trevas da intolerância (ditadura) acadêmica. Pertence à Escola Baiana de Poesia.

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