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sábado, 2 de maio de 2020

HISTORINHAS DE ODILON PINTO - Cyro de Mattos

Historinhas de Odilon Pinto

Cyro de Mattos


Na Bíblia encontram-se rápidos relatos em forma de alegoria ou parábola, que contam um acontecimento com vistas a tirar um ensinamento espiritual. Kafka usa a parábola em poucas linhas para mostrar o ilógico como uma coisa natural da vida. No caso de Odilon Pinto adota-se a técnica realista franca para escrever a vida com as suas historinhas, de tema variado, introduzindo-se no conteúdo as coisas que apesar de miúdas correm no mundo e formam um delicioso episódio. Para os gregos quanto menor a extensão, maior a compreensão; se maior a extensão, menor a compreensão. Certo é que do texto de ficção, menor no conto, maior no romance, espera-se do autor que transmita um novo sentido de vida, logrando-se extrair da matéria a parte noturna do ser.

Coisas da Vida (2004) reúne ficções bem escritas em apenas uma página, fantasias que dão prazer na leitura. No conteúdo da vida como ela é, cada uma delas arrasta o leitor com engenho e leveza, surpreende-o no desengano, no amor abortado, na ardência da paixão, no drama recheado de hipocrisia e ciúme. A vida apresentada na narrativa veloz vem quase sempre acompanhada de observações certeiras.

Em “A Doida”, que “se apegava à rua, era o caminho que devia percorrer...”; em “Paixão Recolhida” quando “durante dois anos fora senhor dos seus beijos, do calor do seu corpo, do cheiro dos seus cabelos. Isso tudo, quando se perde, cresce, até ficar do tamanho do mundo” , assim, embaralhando observações com dizeres suficientes, Odilon Pinto pontilha uma sintaxe verbal impregnada de sutilezas, mínimas referências instigantes.

Em Coisas da Vida encontramos, de página em página, a atuação humana na rotina chata da vida, às vezes de amores abortados, em outra hora com a faca que a traiçoeira invenção do gesto suspende e se completa no desfecho inusitado.

Em “Dick”, o cão retira do dono a sensação asfixiante de estar vivo, mas em “Sem Terra” o drama completa-se com o seu instante duro de sofrimento na solidão. No exemplo de “A Família”, a farsa vai tomando forma nas observações feitas pela personagem, uma mulher velha, sobre a palhaçada armada para ela na igreja como ritual de amor dos filhos. Ficam também em nossa lembrança as cenas de que a ocasião faz o ladrão e o acaso torna em vingança. O duelo entre o real e o sonho na doméstica sonhadora, com o sonho vencido pela dura lei da vida.

Com estofo de crônica, anedota esticada, texto motivado por noções de filosofia, fantasia do real fundido com o desastre conjugal, poesia da vida carregada de inconformismo, tristeza e revanche, é visível nesses quadros pintados com rápidas pinceladas por mão de mestre o quanto é rica a humanidade na sua pobreza social, no pequeno mundo rotineiro da vida. Não resta dúvida que desses quadros compostos por Odilon Pinto brilham momentos diletantes de leitura. O valor dessas historinhas primorosas força-nos dizer que nos pequenos frascos é que estão guardados os melhores perfumes.

Ligue o vídeo abaixo:




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Cyro de Mattos é escritor de contos, crônicas, romance, poemas, literatura infantojuvenil, ensaio e memorialista. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia. Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz. Possui prêmios literários importantes. Também é editado no exterior.

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terça-feira, 27 de março de 2018

RESENHA SOBRE O LIVRO 'BOLERUS', DO POETA VANDERLEY SAMPAIO


Resenha: Bolerus, de Vanderley Sampaio

(*) Marcos Fidêncio

Não há como não estabelecer uma relação entre “Bolero” e “Bolerus”. O primeiro é um gênero musical nascido na Europa e depois trazido para a América, em especial para Cuba, onde se misturou com ritmos africanos. Já o segundo é um besouro. Isso mesmo. Um inseto da ordem dos coleópteros. Qual seria então a provocação do autor com tal título? Fazer o nosso pensamento dançar? Colocar um inseto zunindo na nossa cabeça para remexer os neurônios, rearranjando nossas viciadas sinapses, tão acostumadas ao óbvio? Façamos uma síntese: um besouro atrevido, às vezes irritante e desafiador como o grilo falante de Disney ou a mosca da sopa de Raul, que nos tira da nossa cômoda posição e nos faz encontrar novas formas de fazer o pensamento dançar. Talvez seja isso. E não adianta dedetizar!Também é inútil dormir, que a dor não passa.

Mas vamos ao livro. Em primeiro lugar, julgo necessário estabelecer aqui uma definição acerca do estilo de cada escritor. Trata-se do modo com que as palavras são escolhidas e dispostas na prosa ou na poesia. É como se o autor tocasse uma música e as palavras dançassem de acordo com o ritmo dos sons produzidos por ele. Às vezes uma dança lenta, às vezes acelerada, grave ou aguda, harmoniosa... E, em alguns momentos, ele pode até emitir acordes dissonantes pelos cinco mil alto-falantes das páginas da sua obra. Senhoras e senhores, ele também pode pôr os olhos grandes sobre o mundo para cantá-lo do seu próprio modo aos leitores!

Na obra "Bolerus", primeira reunião de poemas de Vanderley Sampaio, a trilha sonora é fortemente marcada pelo concretismo. Na maioria dos poemas, com destaque para "Pingos nos is" e "Um espinho", isso fica muito claro e pode ser facilmente comprovado na própria diagramação dos versos. Sampaio se preocupa com a disposição espacial das palavras em alinhamentos geométricos, buscando com extrema competência uma forma para veicular a expressão poética, concentrando suas preocupações na materialidade da palavra, nos seus aspectos sonoro e visual, tal qual fizeram Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Décio Pignatari, no final dos anos 50, mandando às favas as métricas e rimas tradicionais. Afinal, nem sempre a adequação tem que ser perfeita ao modo de Bilac. Como já disse Caetano, nem tudo é métrica e rima, às vezes é dor! A dor de romper, como faz Sampaio.

Por isso, "Bolerus" tem um leve cheiro de Tropicalismo na medida em que flexibiliza versos, aproveita espaços em branco como parte da significação, transforma as palavras em objetos, explorando a sonoridade e a visualidade. Mas também é deliciosamente contaminado por um sutil sabor de poesia-práxis ao se preocupar com os aspectos semânticos das palavras, fazendo uso de neologismos, decompondo termos, abrindo a possibilidade de múltiplas leituras, levando em conta a capacidade própria de interpretação de cada leitor.

A predominância de um estilo em que conteúdo e forma se enamoram e brigam ao mesmo tempo em cada um dos versos, nos leva a compreender o porquê da escolha de tal canto. Possivelmente, as influências dos estudos semióticos do autor, formado em jornalismo, são sentidas aí. As leituras de Peirce, Pignatari, Umberto Eco e outros grandes pensadores, durante seu período na Unesp (Universidade Estadual Paulista), onde ele concluiu a sua primeira graduação, dão o tom e a partitura para que o poeta torne seus instrumentos afinadíssimos, o papel e a caneta, notadamente em noites solitárias e inquietas, como ele mesmo revela em alguns textos – “Escuridão”, “Sozinho”, “A noite que traiu as águas” e “Carta à Madrugada”, por exemplo – e embale as palavras com tal maestria.

No poema "Semântica", porém, Sampaio dá mostras de que nem só de “gestalt” vivem seus versos ao nos mandar engolir, tirar, jogar ou privar a palavra se não for semântica, ou seja, caso ela não esteja carregada de significado. A psicologia das formas, também apreendida pelo autor em seus estudos unespianos, sugere ao leitor não se ater apenas ao particular da palavra-objeto, mas também ao todo, à imagem produzida, que muitas vezes redunda em figuras geométricas reveladoras. Por outro lado, cada palavra particular tem o seu valor e não pode ser completamente desprezada.

Prova disso está na página seguinte, em "Termo", poema em que ele demonstra que as palavras não devem ser salpicadas ao modo de um saleiro, sem razão, sem destino ou dose certa. Cada termo precisa ser próprio. "E se lhe parecer impróprio, talvez não tenha sido minucioso o suficiente". Ainda bem que, segundo o poeta, generoso com todos os que se arriscam a cantar sem muito critério, "a insuficiência do termo nem sempre prejudica a noite".

Com relação às indagações acerca da minha análise, como amigo e admirador do autor, eu posso garantir que tive o cuidado de tecê-la com o necessário distanciamento. Meus estudos de sociologia neste momento evocam Bordieu: “os circuitos de consagração social serão tanto mais eficazes quanto maior a distância social do objeto consagrado”. Consagro o trabalho de Sampaio pela qualidade, pelo prazer da leitura, pelo compromisso com a seriedade e porque conheço sua trajetória poética, sempre constante e paralela ao oficio de jornalista, que ele igualmente desempenhou com brilhantismo. A poesia acompanha o autor desde a mais tenra idade e tenho certeza de que esse livro é apenas o primeiro de muitos que ainda virão, afinal, eu sei de uma colônia de bolerus que ainda não voaram para as primeiras páginas. Por enquanto, são apenas ninfas em crescimento... Ou, quem sabe, já estão zunindo na cabeça de um certo poeta.

(*) Marcos Fidêncio é jornalista formado pela Unesp (câmpus de Bauru/SP). Também cursou Ciências Sociais na Unesp (câmpus de Marília/SP) e se especializou em Marketing na Univem (Marília/SP).

 Sinopse do livro

Bolerus é um termo instigante para dar nome a um livro que nos sugere uma leitura sem plano de voo definido, em que podemos assistir à dança dos versos construindo imagens, cadências e zumbidos. Nesses poemas e outros delírios líricos de Vanderley Sampaio, somos confrontados com nossos devaneios e temores mais cotidianos ao mesmo passo em que desejamos conhecer o segredo do Universo. O incômodo e inusitado besouro cascudo, que pousa sobre nossas cabeças nas noites quentes e inquietantes, esconde também asas leves e frágeis, que enternecem nossa fúria existencial. E assim, pareando questionamento e desejo, confusão e silêncio, ludicidade e solidão, somos todos convidados a surtar de poesia e a dançar com os insetos barulhentos que sobejam nossos mais profundos pensamentos. (Rose Almeida, bacharel em Letras pela USP e poeta no blog Absurtos).

Sobre o autor
Vanderley Sampaio nasceu em Garça (SP), no ano de 1972. Começou a escrever poesia na adolescência, quando também mergulhou no teatro como ator amador. Jurando que iria voltar, "pediu um tempo" às artes cênicas, para cursar Jornalismo na Unesp, em Bauru (SP). Descumpriu sua promessa e seguiu a vida sem palcos, atuando como jornalista por nove anos e depois como servidor público. Mudou-se para São Paulo (SP) e formou-se em Direito pela USP. Mas a poesia sempre se manteve presente em sua vida. Alguns de seus poemas foram publicados em jornais, sites e nas redes sociais, especialmente no blog Absurtos.


Ficha Técnica
Título: Bolerus
Autor: Vanderley Sampaio
Editora: Scortecci Editora
Edição:
ISBN: 978-85-366-5355-6
Ano: 2017
Formato: 14 x 21 cm - 120 páginas
Gênero: Poesia brasileira
Preço de capa: R$ 35,00
Faixa etária: livre

Onde comprar o livro físico:
Livraria Asabeça: https://goo.gl/Gw3L2z
Site da Amazon: https://goo.gl/W7FnFY
Cia. dos Livros: https://goo.gl/EHvedE
Livraria Martins Fontes: https://goo.gl/u9sBP2
Livraria Cultura: https://goo.gl/749hA8
Onde comprar o livro digital (e-book):
Site da Amazon: https://amzn.to/2AL1uVl
Links de divulgação:
Blog Absurtos: www.absurtos.com.br


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sábado, 4 de fevereiro de 2017

KAFKA, O PAI E A CARTA - Por Raul C. de Albuquerque



Kafka, o pai e a carta

"Minha atividade de escritor tratava de ti, nela eu apenas me queixava daquilo que não podia me queixar junto ao teu peito."



Franz Kafka é um nome inquestionável na literatura moderna. Sua prosa densa e intrapessoal tornou-se referência para os que vieram após ele. Num olhar mais observador, é possível encontrar em toda sua obra uma constante: o sentimento de não pertencimento.

Por muito tempo ignorada, a influência de seu pai na sua produção é inegável e talvez fique mais clara no conto "O veredicto" - onde o filho (que claramente é Kafka) comete suicídio por determinação do pai.

Hermann Kafka, pai de Franz, parece ao filho um super-homem acima da moral e de qualquer outra coisa. A relação entre o pai e o filho era estranhíssima. Tão estranha que o próprio Kafka, aos seus 36 anos, decide escrever ao pai tudo o que o afligia e perturbava nessa relação através de uma carta - que nunca foi entregue a Hermann, mas ficou como uma obra de caráter autobiográfico.

A Carta é sincera e profunda. Sem dúvidas, Kafka relutou muito em escrever tudo aquilo, as palavras foram minuciosamente escolhidas e polidamente dispostas. E Kafka já começa imprimindo um tom de "resposta":
"Tu me perguntaste recentemente por que afirmo ter medo de ti. Eu não soube, como de costume, o que te responder, em parte justamente pelo medo que tenho de ti, em parte porque existem tantos detalhes na justificativa desse medo..."
Um segundo ponto alto da carta é quando reclama: "Tu me proibiste a palavra desde cedo, tua ameaça: 'Nenhuma palavra de contestação!'", revela que vê o pai como "a última instância" - ou seja, o juiz que dá o veredito, problema abordado em "O veredicto" e "O Processo" - e conta também que se sentia num mundo onde havia leis criadas só para ele.

Indiscutível ápice é quando confessa sua visão do pai: "De tua poltrona, regias o mundo." Colocação cheia de um sentimento de pequenez e cega submissão.

No entremeio, Kafka revela que via o casamento como um modo de fugir da dominação do pai. E que o pai sempre se opunha a seus casamentos sugerindo que Kafka só desejava casar-se porque a pretendente "levantou as saias".

Outra confissão que preenche grande parte do vácuo temático de sua obra é: "Minha atividade de escritor tratava de ti, nela eu apenas me queixava daquilo que não podia me queixar junto ao teu peito."

Não condeno absolutamente o pai de Kafka, já que este nunca levou as coisas em sua escala natural, sempre foi cheio de um ímpeto de supervalorizar algumas coisas - o pai, por exemplo - e desprezar outras - ele próprio é um caso -, além de ser tudo isso de tempo e sociedade diferentes da minha. O fato inelutável é que Kafka, o filho, usou de toda essa "dominação" para construir sua obra e...
O que seria de "O veredicto" e de "O Processo" sem o juiz?
O que seria de "O Castelo" sem o ditador?
O que seria de "A metamorfose" sem o ser metamorfoseado pela fuga da realidade que lhe foi imposta?

- Percebeu? O pai de Kafka está em todas!



RAUL C. DE ALBUQUERQUE
Estudante de Direito apaixonado por Letras. Apesar desse quadro, não acha que está no lugar errado, afinal, o amor às palavras demonstra-se de diversos modos. Poeta desde que nasceu, mas só começou a escrever poemas aos sete anos. Apaixonado por livros, chá e música clássica. Tem especial prazer em descrever inutilidades em perfis (como este)..




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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

POETA ITALIANO LORENZO CIOCE APROXIMA O BRASIL E A ITÁLIA ATRAVÉS DA PONTE DA POESIA

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original
Poeta Italiano  Lorenzo Cioce
Aproxima o Brasil e a Itália
Através da Ponte da Poesia



Na cidade eterna de Roma, na celebre Livraria Mondadori , da via Piave, número 18, a Poesia aproximou Itália e Brasil. O poeta italiano Lorenzo Cioce lançou a sua obra "Hai mai corso tra le nuvole?" (Já Correu entre as Nuvens?), publicado pela editora Minerva. Além de poemas traduzidos para o português pela brasilianista Antonella Rita Roscilli, o livro "Jà correu entre as nuvens?" contém também a seção "Squanderink" com poesias traduzidas para o inglês por Gaia Celeste.

Na festa de lançamento do livro, a atriz Sharon Alessandri interpretou poemas do autor, enquanto a professora e crítica literária Daniela Carmosino, a tradutora Antonella Rita Roscilli e o poeta Lorenzo Cioce participaram de um debate com o público. A escritora, tradutora e doutora em Letras, Antonella Rita Roscilli declamou a poesia "Culla di civiltà" (Berço da Civilização), dedicada a Roma antiga, e que foi ouvida pela primeira vez na língua de Camões

Entre os poemas traduzidos por Antonella Rita Roscilli, no livro "Hai mai corso tra le nuvole?" (Já Correu entre as Nuvens?), figuram "Respirar", "A justiça pinta o coração do rebelde"e "Queria, simplesmente queria". Para a tradutora e crítica literária, a poesia de Lorenzo Cioce é etica e universal, "seus versos remetem ao conceito da Beleza e da Leveza de Italo Calvino. Espalham valores positivos, mas ao mesmo tempo educam e criticam o perigo do vazio da sociedade na época do mundo virtual".

Na oportunidade do lançamento, Antonella Rita Roscilli, que no Brasil é membro correspondente da Academia de Letras da Bahia (ALB), do Instituto Geográfico Histórico da Bahia (IGHB) e biógrafa de Zélia Gattai, discorreu sobre o valor da poesia contemporânea no Brasil, ressaltando o seu trabalho de autora e tradutora que acredita firmemente na importância das pontes culturais. Nessa direção, destacou que as nuvens, como metáfora, estão presentes em obras de autores brasileiros contemporâneos, algumas das quais ela traduziu para o italiano. Referiu-se ao grande poeta e romancista Carlos Nejar, autor de "A engenhosa Leticia do Pontal" (editora Objetiva), São Paulo , que tem como protagonista uma nuvem. Por fim lembrou que as nuvens também estão presentes no livro de contos do escritor baiano Aleilton Fonseca, que ela teve o prazer de traduzir e que foi publicado em edição bilingue: "O Sabor das Nuvens" ("Il Sapore delle Nuvole"), da Editora Via Litterarum.

A brasilianista Antonella Rita Roscilli acabou de traduzir para o italiano o livro O Menino Camelô (Il Bambino Camelô), poesia infantil, de Cyro de Mattos, outro escritor baiano, de Itabuna, que com esse livro conquistou em 1992 o Grande Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes. De lá para cá, o livro já teve doze edições, pela Editora Atual, (SP), do Grupo Saraiva, vendeu mais de 100 mil exemplares e tem sido muito estudado em sala de aula das escolas brasileiras.

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POESIA PONTE ENTRE ITÁLIA E BRASIL

"Hai mai corso fra le Nuvole?" Poesie di Lorenzo Cioce (ed. Minerva)


Na cidade eterna de Roma. na celebre Livraria Mondadori da via Piave n.18, a Poesia aproximou Itália e Brasil.  O poeta italiano Lorenzo Cioce lançou a sua obra "Hai mai corso tra le nuvole?", ed. Minerva  ("Jà correu entre as nuvens?") que contém também a seção "Squanderink" com poesias traduzidas para o inglês por Gaia Celeste, e para o portugûes por Antonella Rita Roscilli.

Foram leituras e debate com o público. Junto com o autor, o público ouviu a professora e critica literária Daniela Carmosino, as poesias declamadas pela bela voz da atriz Sharon Alessandri e a fala da brasilianista Antonella Rita Roscilli.

Lorenzo Cioce respondeu no debate às muitas perguntas do público. Antonella Rita  declamou a poesia dele "Culla di civiltà", dedicada a Roma antiga, e que se ouviu pela primeira vez na língua de Camões: "Berço da civilização". Ela traduziu também "Jà correu entre as nuvens" "Respirar", "A justiça pinta o coração do rebelde"e "Queria, simplesmente queria".

Definiu a poesia de Lorenzo Cioce etica e universal, "a poesia de um jovem cujos versos lembram o conceito da Beleza e da Leveza de Italo Calvino. Espalham valores positivos, mas ao mesmo tempo educam e criticam o perigo do vazio da sociedade na época do mundo virtual". Depois falou sobre o valor da Poesia contemporânea no Brasil, o seu trabalho de autora e tradutora que acredita firme na importância das pontes culturais. Nesse proposito destacou que as  nuvens, como metáfora, estão presentes em obras de autores brasileiros contemporâneos, algumas das quais traduziu para o italiano. 
Assim falou do ilustre poeta e romancista Carlos Nejar que escreveu "A engenhosa Leticia do Pontal" (ed. Objetiva) em que a protagonista é uma Nuvem.

Por fim lembrou que as nuvens se encontram no titulo de um livro de contos do escritor baiano Aleilton Fonseca, que ela teve o prazer de traduzir e que foi publicado na Itália em edição bilingue: "O Sabor das Nuvens" ("Il Sapore delle Nuvole"), ed. Via Litterarum.




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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

NINO CAMPOS E SEU ”CAMPOS GERAIS” - Eglê S Machado

Clique sobre as fotos, para vê-las no tamanho original
Nino Campos e seu  ”Campos Gerais”


Ele chegou assim, do nada
Interrompendo descarada e graciosamente
Meu momento na Internet, bem no meio de uma leitura importante.
E eu não resisti... Quem resiste a uma amizade tão especial?

Bateu no meu "inbox" dizendo:
16 DE JANEIRO DE 2017 09:55

- bom dia menina, tudo bem?
- Pronto já me ganhou... - Bom dia, Nino Campos! Tudo nos 'conformes'. Prazer te ver aqui.
-bom dia menina, o prazer é meu. (ora, Nino, o prazer é meu  menina mimada)
Logo vem uma foto verdona de “Campos Gerais” - Esta é a capa do meu livro.

Este meNINO quer me vender o seu livro... - Parabéns, amigo! Comprarei um exemplar!
Boas vendas!
- obrigado
te envio pelo correio.
- Como farei o pagamento?
- depósito na Caixa Econômica (lotérica).
- Então manda os dados da tua conta.
-com as despesas do correio, fica em R$ xxxxx
- Ok.
- me passe o seu endereço completo.

- EIS O MEU ENDEREÇO: x-x-x-x
-obrigado menina, estou te enviando.
-Manda um autógrafo lindo!
-com certeza..
kkkkk
- Realizarei o depósito até amanhã
Abraço.
- abraçosssss.....obrigado.
...

- Oi, Nino... eis o recibo
Boa tarde!
...
17 DE JANEIRO DE 2017 21:07
Nino Campos
- boa noite menina, muito obrigado, logo estará em suas mãos...
20 DE JANEIRO DE 2017 10:54
Nino Campos
- bom dia menina, feliz sexta feira pra ti... beijos.
- Bom dia, Nino...
Para ti também, feliz sexta feira.

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26 DE JANEIRO DE 2017 14:00 – Na minha caixa de correspondência o “Campos Gerais” do Nino Campos: um encanto de livro contendo CONTOS, CRÔNICAS, CORDÉIS, POESIAS EM GERAL, POETRIX, AMORES, PENSAMENTOS, ETC!  - Abro em qualquer página  e...Leio: 

OBSCURO

Obscuro estou.
Penso... Por onde vou!
Será que sei quem sou!
Humano e desarranjado,
Casto por não saber viver.
A senda trilhada por cajado
Do mundo inóspito de saber.
Digo então de cima da varanda.
Vinde brisa mansa do prazer.
Transforma-me em cicerone,
Que te seguirei sem obscurecer..........

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... e falo com os meus botões: esse meNINO vai longe..........

Fecho o livro verdão, lindo, na contracapa contemplo o logo e selo com código de barras do Grupo Editorial BECO dos Poetas e Escritores Ltda. Leio a mensagem do Nino Campos:

      “Prezo pela coerência, escrevi  esse livro pensando na realidade que ele delineia.
      Realmente será e é um sonho realizado, o qual agradeço de coração àquela que deu ênfase e teve a coragem de atirar no escuro.
     Passei três anos nessa região do Paraná, cuja cidade de Ortigueira fica fora desse perímetro, mas bem que poderia fazer parte dos Campos Gerais, o qual é focado a história titular.
     Quanto aos cordéis também teve algo de representativo desse lugar, no entanto falo mais do nordeste com raiz e sotaque.
     E as poesias corriqueiras de amor e saudade de muitas amigas que tive e paixões adquiridas através dos tempos.
     Não falo de política, pois a realidade que coloquei em alguns textos gera esse pensamento.
     Enfim, creio que o gosto vai depender de quem o ler.
     Agradeço desde já a preferencia, pois a verve da escrita é por demais confortante para mim."

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“O ser humano não tem medo de morrer, e sim inveja de deixar o outro vivo”. “O ser humano só poda o outro por inveja... “ (Nino Campos)

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Obrigada, Nino Campos, pelo “Campos Gerais”, que me enviaste.


Eglê S Machado

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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

CYRO DE MATTOS JÁ É O PRIMEIRO DOUTOR HONORIS CAUSA PELA UESC


Momento da outorga: Cyro de Mattos e a reitora Adélia Pinheiro, ladeados pelos professores Reniglei Rehem e Aurélio Macedo

 Por Celina Santos

            O vasto repertório com mais de 50 livros publicados – e traduzidos em diversos países do mundo –, assim como a defesa veemente de valores típicos da cultura sul-baiana. Estes e muitos outros elementos justificam a outorga do primeiro título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc). A honraria, aprovada pelo CONSU (Conselho Superior Universitário), foi concedida ao escritor itabunense Cyro de Mattos, em solenidade na noite de quinta-feira (15), no auditório daquela instituição.
            O evento reuniu professores e estudantes da Uesc; a presidente da Academia de Letras de Itabuna (Alita), Sônia Maron; o presidente da Academia de Letras de Ilhéus, Josevandro Nascimento, imortais das duas instituições, conselheiros da Uesc, devidamente paramentados, entre outras autoridades e demais representantes da sociedade organizada no eixo Itabuna-Ilhéus.
           A madrinha do escritor na entrega do título, professora-doutora Reniglei Rehem, fez um relato emocionado que exaltou a importância de Cyro de Mattos para a literatura regional. Ela lembrou ter todos os livros por ele publicados e, mais do que leitora e admiradora da obra do autor, demonstrou orgulho da amizade que construíram ao longo dos anos.
            Cyro de Mattos, por sua vez, recordou o tempo em que precisou sair de Itabuna para estudar em Salvador, porque à época a região não dispunha de faculdades nem colégios que preparassem para o nível superior. O preâmbulo serviu para evidenciar a importância da Uesc no contexto regional. Para ele, a universidade é um “tesouro que brilha nos olhos de todos por ela atendidos”.
            A reitora Adélia Pinheiro destacou o valor do homenageado que inaugura a outorga de títulos de “Doutor Honoris Causa” e adiantou que os próximos doutores também deverão ter um perfil de defesa da educação e da cultura regionais.

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