Total de visualizações de página

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

GERALDO VAZ DE QUADROS COMENTANDO "A Elaboração do Luto" de Melanie Klein

Olá

Pincei alguns tópicos (comentando-os levemente) de um texto do livro Folha Explica: “A Elaboração do Luto”, da notável psicanalista Melanie Klein; ei-lo:

... É preciso tempo para que se cumpra o processo de luto e para que se aceite a perda de alguém, conformando-se com o veredito da realidade. É preciso tempo... Para elaborar o caos de emoções ambivalentes e aceitar, acolhendo-as, tanto a realidade psíquica quanto a realidade externa, com suas exigências, seus inexoráveis juízos. Transformar em cosmos o caos interior requer tempo...

...Durante a infância celebram-se muitos lutos, pois não apenas criam-se vínculos, como também se inicia um quase interminável processo de separação dos pais, conduzindo à vida adulta e autônoma. Além disso, muita coisa precisa desaparecer: os sonhos de perfeição pessoal, a onipotência, os amores ideais, os devaneios em que tudo parece absoluto, grande e grandioso. Os ídolos e os ideais precisam morrer e renascer modificados.

...E o luto dos muitos microferimentos decorrentes de desatenções vividas ou imaginadas? Eles terão de ser feitos e refeitos milhares de vezes... Não apenas no momento em que ocorre uma perda por morte ou separação, mas porque a transitoriedade de tudo obriga, constantemente, a fazer o luto do momento presente para se ter acesso ao momento seguinte...

...O luto e a melancolia não são episódios contingentes e acidentais, mas partes integrantes e indispensáveis da travessia existencial de cada um de nós – a saúde mental não significa escapar a este destino, e sim, ao contrário, assumi-lo... É preciso renunciar a posse absoluta e exclusiva dos objetos de amor, é preciso aceitar substituições e remanejamentos...

...Em todo processo de luto há aceitação da morte e algum tipo de renascimento.  Morte, luto, renascimento: este movimento cíclico é também a melhor metáfora do processo de constituição do sujeito – de cada um em particular.

A primeira emergência... O luto primordial ocorre, em regra, em torno do desmame, e abrange tudo o que o seio (a “mãe boa”) representa: o amor, a bondade, segurança, a base da sobrevivência...

... Mas, se a função parental e a união conjugal entre os pais favorecer a criação de objetos internos vivos e vitalizados, o luto pode chegar a bom termo... Desses pais internos que se amam brota, de forma viva, um princípio de ordenação que ajuda a transformar o caos interior em cosmos. Por outro lado, se estão em guerra, em litígio, o caos se adensa e se aprofunda.

...Todo prazer sentido junto aos pais é uma garantia de que o objeto interno não está ferido nem se transformou em vingador. As experiências felizes diminuem o medo e aumentam a confiança: isto é crucial para que a depressão e o sentimento de perda sejam superados.

;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;//////////////////////////////;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;

Este resumo é uma pequena observação sobre uma das facetas da constituição do aparelho psíquico em geral, dos homens e mulheres... Mas, qual seria mesmo a utilidade? Bem, a resposta é subjetiva, isto é, depende de quem lê. Talvez, quem sabe, os mais velhos vejam ali, mesmo na penumbra, algumas coincidências com certas passagens de suas vidas, e, os mais novos, além disso, a possibilidade de poder olhar com mais cuidado e carinho, quando da condução dos seus bebês...

Talvez possa despertar a consciência de “alguém” para o fato de que ele não está assim tão desesperado e só. Isto, porque às vezes temos a impressão que estamos lutando contra gigantes (de variados matizes psíquicos e até físicos), como se fôssemos os únicos no mundo – ledo engano. Apesar de sermos absolutamente singulares em relação às demais criaturas humanas, há uma enormidade sem fim de situações que se abatem de igual modo sobre todos, sem exceção...

Talvez alguns nada vejam de interessante no texto acima – talvez isto seja bom... Por outro lado, outros poderão vislumbrar que existe alguma coisa ali que tem a ver consigo, e, ao lembrar que o que está ali é apenas uma pequena parte do todo, poderia até imaginar: “tô ferrado”!

A propósito, lembro que é o interior de cada pessoa em particular que determina como ela enfrentará os seus problemas – são inumeráveis as defesas que ela tem à disposição; entre elas: umas encobrem a cabeça para não vê-los; outras se acham eternas vítimas e vivem na espreita para ferrar quem passar pelo seu caminho, pois “se acham” credoras do mundo (que o mundo foi injusto com ela, etc. etc. e etc.)... Mas, há algumas, a maioria, que, apesar de não afrontá-los, os enfrenta dia após dia e os vence, destemidamente e de frente...

...NÃO, você não está ferrado. Fomos todos dotados (pelo Criador) de poderosos instrumentos internos que nos fazem adaptar a quaisquer circunstâncias... E, para não alongar mais ainda, sugiro lembrar as palavras de Paulo (Fil.3.13,14):

“Irmãos, eu não julgo que eu mesmo o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me do que fica para trás e avançando para o que está diante, prossigo para o alvo, para o prêmio da vocação do alto, que vem de Deus em Cristo Jesus”.

... Além do mais, segundo as Escrituras, “ninguém recebe provação maior do que a que ele possa suportar”... E, complementando, o Mestre disse que: “No mundo teríamos aflições – mas, que as venceríamos”.


Geraldo Vaz de Quadros
Psicanalista – Pós em Filosofia e Doutor em Teologia – Membro efetivo da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL.


Estes tópicos têm destinatário – um (uma pessoa, ou +) dos nossos confrades...

* * *

LULA VIRA RÉU PELA QUINTA VEZ EM TRÊS OPERAÇÕES DIFERENTES

Dida Sampaio - 22.set.2016/Estadão Conteúdo
O ex-presidente Lula durante comício no Recife, em setembro

Lula vira réu pela quinta vez em três operações diferentes 
Do UOL, em São Paulo*
19/12/2016

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tornou-se réu pela quarta vez em processos relacionados à Operação Lava Jato após o juiz federal Sérgio Moro aceitar nesta segunda (19) a denúncia do MPF (Ministério Público Federal) feita na quinta (15). Ele também já foi denunciado na Operação Zelotes (veja abaixo).

O MPF denunciou Lula pelos crimes de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro por contratos firmados entre a Petrobras e a construtora Norberto Odebrecht S/A. O ex-presidente foi apontado como o "responsável por comandar uma sofisticada estrutura ilícita para captação de apoio parlamentar, assentada na distribuição de cargos públicos na administração federal".

Também viraram réus nesta ação o empresário Marcelo Odebrecht, acusado da prática dos crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro; o ex-ministro Antonio Palocci e seu ex-assessor Branislav Kontic, denunciados pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro; e Paulo Melo, Demerval Gusmão, Glaucos da Costamarques, Roberto Teixeira e a ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva, acusados da prática do crime de lavagem de dinheiro.

Compra de imóveis
Na última segunda-feira (12), a PF (Polícia Federal) indiciou Lula, Marisa, Palocci, Gumão, Kontic, Teixeira e Costamarques com base em dois inquéritos: um sobre a frustrada negociação de compra de um terreno em São Paulo para o Instituto Lula e outro sobre a compra de um apartamento em frente ao que o ex-presidente mora, em São Bernardo do Campo (SP).

Descrição: http://t.dynad.net/pc/?dc=5550001892;ord=1482158469197Descrição: https://t.dynad.net/pc/?dc=5550001577;ord=1482158472485
A compra do imóvel que seria usado como sede do Instituto Lula foi realizada em nome da DAG Construtora Ltda., empresa de Demerval Gusmão. No entanto, a transação foi feita com recursos originados da Odebrecht. A transação contou com auxílio de Glaucos da Costamarques, parente de José Carlos Bumlai, sob a orientação de Roberto Teixeira --amigo de Lula e advogado do ex-presidente--, que atuou como operador da lavagem de dinheiro, diz a força-tarefa da Lava Jato.

A denúncia aponta que parte das propinas destinadas a Costamarques foi repassada para o ex-presidente na forma da aquisição da cobertura contígua à sua residência em São Bernardo de Campo (SP). "De fato, R$ 504 mil foram usados para comprar o apartamento vizinho à cobertura do ex-presidente". Costamarques, segundo o MPF, teria atuado como testa de ferro, já que o imóvel foi adquirido em seu nome.

A procuradoria aponta que a mulher do ex-presidente, Marisa Letícia, assinou um contrato fictício de locação com Costamarques em fevereiro de 2011. "Mas as investigações concluíram que nunca houve o pagamento do aluguel até pelo menos novembro de 2015", diz o MPF, que viu a ação como uma tentativa real de dissimular a real propriedade do apartamento.

Executivo da Odebrecht Realizações Imobiliárias, Paulo Ricardo Baqueiro de Melo é citado em decisão de Moro na 35ª fase da Lava Jato, na qual foi preso o ex-ministro Antônio Palocci. Segundo o texto, José Carlos Bumlai apontou Melo, em depoimento à polícia, como um interlocutor "de questões relacionadas à implementação do Instituto Lula, inclusive compra do terreno".

Segundo a denúncia, R$ 75,4 milhões foram repassados a partidos e políticos que davam sustentação ao governo de Lula, especialmente o PT, o PP e o PMDB, "bem como aos agentes públicos da Petrobras envolvidos no esquema e aos responsáveis pela distribuição das vantagens ilícitas, em operações de lavagem de dinheiro que tinham como objetivo dissimular a origem criminosa do dinheiro". Esse valor é o equivalente a percentuais de 2% a 3% dos oito contratos celebrados entre a Petrobras e a Odebrecht.

Na quinta (15), após a denúncia do MPF, o Instituto Lula publicou nota negando que seja proprietário do terreno em São Paulo. A entidade também disse que o apartamento em São Bernardo não pertence ao ex-presidente. "A denúncia repete maluquices da coletiva do Power Point", diz o comunicado, em alusão à apresentação em slides feita pelo procurador Deltan Dallagnol quando Lula foi denunciado, em setembro, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Também no dia 15, a Odebrecht informou que não se manifesta sobre o tema, mas reafirma seu compromisso de colaborar com a Justiça. "A empresa está implantando as melhores práticas de compliance, baseadas na ética, transparência e integridade."

Entenda as acusações anteriores
Lula já era réu em outros quatro processos, sendo dois deles no âmbito da Operação Lava Jato. No primeiro, o ex-presidente responde por tentativa de obstrução das investigações para evitar a colaboração premiada do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. No segundo, é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, supostamente tendo recebido vantagens indevidas na construção e reforma de um tríplex no Guarujá (SP) e no pagamento do armazenamento do acervo pessoal do ex-presidente, ambas custeadas pela construtora OAS, numa soma de R$ 3,8 milhões.

O terceiro processo diz respeito à operação Janus, um desdobramento da Lava Jato. A Justiça aceitou denúncia acusando Lula dos crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e organização criminosa.

No quarto, correspondente à Operação Zelotes, Lula é réu pelos crimes de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A denúncia do MPF apontou a atuação de Lula para interferir na compra de 36 caças do modelo Gripen pelo governo brasileiro e na prorrogação de incentivos fiscais destinados a montadoras de veículos por meio da Medida Provisória 627. 
(Com Estadão Conteúdo)

"PROVEM MINHA CORRUPÇÃO E IREI A PÉ SER PRESO", DISSE LULA



* * *

NESTE LEITO DE AUSÊNCIA – Ferreira Gullar

Neste leito de ausência


Neste leito de ausência em que me esqueço
desperta o longo rio solitário:
se ele cresce de mim, se dele cresço,
mal sabe o coração desnecessário.

O rio corre e vai sem ter começo
nem foz, e o curso, que é constante, é vário.
Vai nas águas levando, involuntário,
luas onde me acordo e me adormeço.

Sobre o leito de sal, sou luz e gesso:
duplo espelho — o precário no precário.
Flore um lado de mim? No outro, ao contrário,
de silêncio em silêncio me apodreço.

Entre o que é rosa e lodo necessário,
passa um rio sem foz e sem começo.


Ferreira Gullar



* * *

domingo, 18 de dezembro de 2016

O BURRINHO SAGRADO – Mirian Warttusch

O Burrinho Sagrado 


Uma cena tão bonita
O Menino que nasceu.
De Maria, Mãe bendita,
O burrinho comoveu.


O animal já pressentia
Que essa Sagrada Família
No seu lombo levaria
Pra fugir num outro dia.


Disse Deus pra se saber:
-O meu filho muito amado
Eu não deixarei morrer
Nas mãos de qualquer soldado.


José, Jesus e Maria 
Pra longe tu vais levar.
Assim que nascer o dia,
Põe-te na estrada a trotar.


Tão satisfeito o burrinho
Animal de tanta luz,
Pôs-se logo no caminho.
Para salvar a Jesus.


Muito anos se passaram
E o animal pôs-se a chorar
Pois Jesus crucificaram,
E ele não pôde salvar...



Mírian Warttusch

* * *

NATAL - Wagner Albertsson

NATAL


HAVERIA DOR
SE NÃO EXISTISSE
O AMOR?

HAVERIA PAZ
SE NÃO EXISTISSE
A GUERRA?


HAVERIA O HOMEM
SE NÃO EXISTISSE
A TERRA?

HAVERIA ROSAS
SE NÃO EXISTISSE
A MULHER?

HAVERIA CRISTO
SE EU NÃO TIVESSE
FÉ?

HAVERIA O BEM
SE NÃO EXISTISSE
O MAL?

HAVERIA ALEGRIA
SE NÃO EXISTISSE
NATAL?



WAGNER ALBERTSSON
Poeta
* * *

GENTE QUE AMA ITABUNA: FÁTIMA BARROS, por Eglê S Machado

Fátima Barros, por Eglê S Machado

Ela tem rosto, porte e jeito de adolescente.
Um coração amoroso e atento para com todos, principalmente para com suas quatro irmãs (só uma é mais jovem do que ela).

Demonstra ternura e carinho especiais pelos sobrinhos. É o tipo de pessoa de bem com a vida, que espalha o aroma da paz onde estiver.

Parece estar sempre a serviço. É nobre, hospitaleira e alegre. Muito bem casada, com o Sr. José Roberto Barros, não gerou filhos, talvez porque tenha sido predestinada para ser mãe de muitos, pois possui alma, coração e gestos maternais, em especial para com os jovens.

Não nasceu, mas reside em Itabuna desde a primeira infância.
Formada em Ciências Sociais pela UESC, iniciou sua carreira profissional em 1985, lecionando no Curso de Alfabetização da Escola Municipal José Oduque Teixeira, passando depois para o Ensino Fundamental da 5ª a 8ª series no Instituto Municipal de Educação Aziz Maron - IMEAM onde foi também vice-diretora.
Ensinou da 5ª a 8ª series do Ensino Fundamental nos Colégios Emílio Garrastazu Médici, no Centro Integrado Oscar Marinho Falcão – CIOMF e no Colégio Amélia Amado. Passou também pelo Colégio Ação Fraternal de Itabuna – AFI (Escola Santo Antonio). 
Como vemos Fátima Barros lecionou em diversas escolas Públicas (Rede Estadual e Municipal). Portanto muitos homens e mulheres itabunenses com até quarenta anos são ex-alunos desta dedicada educadora. Aposentou-se precocemente em razão de problemas na coluna cervical. Adepta do naturalismo investe em qualidade de vida  praticando Pilates, RPG, Cantoterapia. Mantém hábitos alimentares saudáveis, voltados para produtos integrais, verduras e frutas, legumes e grãos.

Fez o curso de Pintura em Tela com o professor José Bay, no Centro de Cultura Adonias Filho. Também foram suas professoras de pintura, as artistas plásticas Karine Lopes e Tânia Suzart.
Sempre traçando um objetivo a ser alcançado sonha, espera e luta.
Por mais obstáculos que encontre no "caminho" não desiste. Se "tropeça" reage de cabeça erguida e, nem pensar em depressão.

É filiada a um partido político por Ideologia, militando há 21 anos. Acredita em Deus, é comprometida com causas sociais, porque crê em um novo mundo, possível a partir de cada pessoa. Como todo ser humano tem defeitos e virtudes. São tantas as suas virtudes que, se possui algum defeito ninguém percebe.
Fátima Barros criou e mantém na Web o Blog www.fatinformativo.blogspot.com que é muito variado e tem a sua cara. 
É de autoria de Fátima Barros o texto abaixo, que “Itabuna Centenária-ICAL” tem a honra de publicar:


Mulher, nome para ser valorizado

Mulher de Itabuna, do Brasil, Cidadã do Mundo.
São Marias, Divas, Fátimas, Eglês, Tânias, Mirians, Lúcias...
Mulheres que anonimamente fazem a história,
Enfrentando desafios, amando, cuidando e embalando,
Compreendendo e querendo ser compreendidas.
Muitas não aparecem na mídia,
Mas de suas forças se sustenta o mundo.
São mulheres com nomes desconhecidos,
Que podem não revelar publicamente a força que carregam.
Força tecida na luta que a elas se impõe a cada dia.
São Hercílias, Socorros, Suzys, Solanges, Eugênias...
Mulheres índias, brancas, negras, jovens, mais velhas.
Mulheres que trabalham que choram que riem,
Educam, cantam, dançam,
Mostrando que se a tristeza existe, há também a alegria,
Quando não se perde a esperança e a fé.
São Poetisas, Artistas plásticas, Do lar...
Fazem da luta do dia-a-dia e do amor a sua marca,
Opção renovada a cada dia.
Mulheres que querem da vida não só o trabalho,
Mas carinho, atenção e reconhecimento do seu nome
Na história que ajudam a construir.

Uma homenagem a nós mulheres que contribuímos a cada dia,
Para construção da História de Itabuna, do Brasil e do Mundo.

 Fátima Barros


***

PALAVRA DA SALVAÇÃO (6)

4º Domingo do Advento - 18/12/2016


Anúncio do Evangelho (Mt 1,18-24)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria, em segredo.
Enquanto José pensava nisso, eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: “José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo de seus pecados”.
Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus está conosco”.
Quando acordou, José fez como o anjo do Senhor havia mandado e aceitou sua esposa.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.


 ---

Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Paulo Ricardo:

 ---

O silêncio do "homem justo"

“José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria, em segredo” 

A única coisa que o Evangelho nos diz de José é que era um homem justo. Este adjetivo, de profundas raízes bíblicas, nos quer dizer que era reto, íntegro, autêntico, bom, etc..., tudo o que podemos encontrar de positivo em uma pessoa humana. O homem justo é aquele que, como Abraão, acolhe na fé o plano de Deus e com Ele colabora. José é “justo” porque adere ao misterioso desígnio de Deus, é justo porque se “ajusta” ao modo de agir de Deus, arrisca com Deus, embora os contornos do Seu Plano permaneçam obscuros e, em certos aspectos, incompreensíveis. 

José se coloca, portanto, na linha das grandes figuras da história da salvação. Sua atitude é um exemplo de silenciosa dedicação ao Reino. É o homem de uma grande nobreza de coração que, no silêncio da fé, acolhe o mistério que não compreende. Ele também teve sua “anunciação”; também teve que dar seu “sim” a Deus no mistério do desconhecido. 

O “justo” José viveu no dia-a-dia a fidelidade a Deus. Mateus repete três vezes que ele se levantou para fazer o que lhe fora revelado como Vontade de Deus. José soube acolher também, na obediência e no amor despojado, a missão que Deus lhe confiou. 

José é o homem do silêncio; de fato, uma das coisas que mais chama a atenção é que ele não pronuncia palavra alguma em nenhum dos relatos evangélicos nos quais aparece. Diríamos que os relatos apresentam a figura de um homem silencioso. Sua existência está atravessada pelo silêncio. José é o homem que vive e atua no silêncio. 

Mas entendamos bem. Este silêncio não se deve a que José seja um homem de caráter introvertido, isolado, fechado sobre si. Pelo contrário, trata-se de um silêncio interior, intenso, grávido de conteúdo. Precisamente o que as cenas evangélicas mais destacam é que José escuta atentamente o que lhe é anunciado e ele responde instantaneamente, com gestos decididos. Poderíamos dizer que suas ações são suas palavras e suas palavras não pronunciadas se convertem em gestos eloquentes que manifestam a grandeza de sua alma. 

Nos relatos de aparição de anjo, normalmente se dá um intercâmbio de palavras entre o mensageiro e a pessoa à qual é enviado. No caso de José, no entanto, nunca há diálogo. Nos três momentos em que o anjo do Senhor aparece a José dá-se o mesmo esquema: o anúncio da mensagem e a resposta decidida de José por meio da ação. José não pede explicações nem sinais confirmadores; obedece e pronto. 

Quando recebe o anúncio de que Maria estava grávida por obra do Espírito Santo, imediatamente faz o que lhe havia dito o anjo do Senhor e toma consigo a sua mulher. No caso da fuga ao Egito, o anjo, além do mais, pede a José colocar-se a caminho: pede-lhe uma prontidão que o desenraiza de seu ambiente, que o desinstala de sua própria terra para viver no estrangeiro. 

Quando o anjo lhe adverte da perseguição de Herodes, imediatamente se levanta, toma o menino e a sua mãe durante a noite e se retira ao Egito. O mesmo acontece quando o anjo do Senhor lhe diz que pode voltar a Israel porque tinham morrido aqueles que buscavam tirar a vida do menino.

Os textos destacam a atitude de disponibilidade obediente e prontidão confiada de José. Seu silêncio não tem nada de ingênuo, não é o silencio daquele que nada sabe ou não quer complicar sua vida. José está, sim, ciente de que sua esposa está grávida; está ciente que o menino está em perigo e, por isso, o leva ao Egito; está ciente de que seu filho se perdeu e, por isso, o busca. E como está ciente, tem medo. Não um medo que o paralisa, mas um medo inquietante, que o impulsiona a buscar soluções respeitosas para com sua esposa e lhe move a tomar decisões valentes, como a de emigrar em busca de um lugar onde refugiar-se. José se arrisca como resultado de uma reflexão, feita possível graças a um silêncio que escuta, valoriza e discerne. 

Toda a vida de José é descrita pelos evangelistas em segundo plano. Esse saber estar na “sombra” para não “fazer sombra” a outros, esse escutar e discernir a vontade divina, essa preocupação pelo bem-estar dos demais, esse silêncio contemplativo e radical que lhe permitia aprofundar na realidade, essa prontidão na “obediência à fé” e essa disponibilidade sem fissuras à graça foram as qualidades com as quais José entrou em sintonia com Deus, dando sua contribuição decisiva ao mistério da salvação. 

A figura silenciosa de José desvela e denuncia o “palavreado crônico” que nos esvazia. Ele nos mobiliza a viver o silêncio atento e que escuta. Quando calamos e fazemos silêncio começamos a escutar a nós mesmos e a Deus, que fala silenciosamente “em sonhos”. 

Há uma diversidade de silêncios. Existe o silêncio dos mortos ou o silêncio daquele que não tem nada que dizer, porque sua vida está vazia. Existe o silêncio cheio de tristeza do desamparado, que sofre, chora e perdeu toda esperança.Existe o silêncio tenso que se estabelece quando duas pessoas que não se amam se veem obrigadas a estar em um mesmo lugar. Existe o silêncio respeitoso diante de um enfermo ou diante de uma tragédia; existe o silêncio cheio de amor que brilha no olhar daqueles que se amam. E existe o silêncio daquele que escuta atentamente o que o(a) amado(a) tem a lhe dizer.

Sem dúvida, este último silêncio é o que melhor caracteriza a José de Nazaré. Os Evangelhos o apresentam como um homem sempre pronto a escutar a voz de Deus que fala através dos acontecimentos de sua vida e da vida daqueles que foram confiados aos seus cuidados. 

Carecemos do silêncio transformador neste nosso mundo. O ruído inunda as ruas, os lugares de trabalho, as casas e até os corações. O ruído atordoa, tem efeito devastador, provoca a revolta, agressividade e um estado de ânimo convulsionado. Com o barulho, o espírito humano se acomoda, se anestesia, se dopa. O funcionamento normal do cérebro fica debilitado. A pessoa não sente, não pensa, não tem serenidade para decidir. Todas as expressões de vida se atrofiam. A criatividade seca, os sonhos desaparecem e o ser humano torna-se incapaz de escutar a música harmoniosa de toda a Criação... 

Num contexto de ruídos atrevidos, tanto na cidade como em nossos lugares de “repouso”, torna-se mais do que necessário uma “cultura do silêncio”, que permita redescobrir o nosso próprio interior, escutar a voz dos anjos indicando os melhores caminhos a serem trilhados. 

Tony de Mello nos diz: “O silêncio não é ausência de som, mas ausência de Ego”. A carência do silêncio em nossa vida nos faz seres superficiais. Com efeito, a cultura pós-moderna decretou o fim do silêncio: vivemos imersos nos mais diferentes ruídos. E o silêncio, por sua vez, está se vingando de nós, criando vazio, superficialidade, palavras sem sentido, já não sabemos quem somos, para onde andamos e o que queremos... 

É indispensável “fazer silêncio” para entrar em contato com a realidade, sobretudo para abrir espaço ao Outro dentro de nós, para acolhê-Lo, para ouví-Lo e entrar em sintonia com sua Vontade.

Nos murmúrios interiores do coração ali encontramos os sinais da presença viva de Deus. 

Texto bíblico:  Mt 1,18-24 

Na oração: Durante a contemplação devemos deter-nos particularmente na figura de José. Ele, no seu silêncio, teve seus pensamentos próprios, suas preocupações, suas perguntas dilacerantes e suas dúvidas angustiantes. Mas Deus nunca deixou de atuar no meio das suas noites, dúvidas, provações. E, no momento oportuno, o libertou dos seus medos e lhe deu a conhecer sua Vontade.

- Neste Advento, reservar momentos de silêncio e preparar-se para acolher Aquele que, no silêncio pleno, vem fazer morada em seu interior.

Pe. Adroaldo Palaoro sj
Itaici-SP



* * *