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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

BOB DYLAN VENCE O PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA DE 2016

Bob Dylan vence o prêmio Nobel de Literatura de 2016
OUTUBRO 13, 2016.

O resultado do Prêmio Nobel de Literatura costuma surpreender, mas quem poderia esperar o nome que seria anunciado na manhã desta quinta-feira (13) pela Academia Sueca?
Aos 75 anos, o cantor e compositor Bob Dylan foi o premiado da vez  por “criar novas expressões poéticas dentro da grande tradição da canção americana”, conforme informou comunicado oficial.

Nascido em Duluth, Minnesota, nos Estados Unidos, o artista é um dos maiores nomes da música americana do século 20 e no último fim de semana se apresenteou no badalado festeival Desert Trip, no qual dividiu o palco com grandes bandas e roqueiros clássicos, como o The Rolling Stones e Eric Clapton.
Durante o anúncio da premiação, a secretária permanente da Academia Sueca, Sara Danius, afirmou que, por mais que a escolha seja surpreendente, ela tem relação com os escritos dos clássicos gregos Homero e Safo. “Eles escreviam textos poéticos que tinham como objetivo serem encenados, e o mesmo acontece com Bob Dylan. Nós ainda lemos Homero e Safo nos dias de hoje e gostamos”.
Ele é o primeiro americano a vencer o Nobel de Literatura desde Toni Morrison, em 1993. Ele se junta agora a um panteão que inclui autores emblemáticos do século 20, como TS Eliot, William Faulkner e Ernest Hemingway.
Em 2012, Dylan chegou a ser considerado seriamente ao prêmio. O nome dele figurava como o segundo entre os mais cotados na lista de apostas da Ladbrokes, atrás de Harumi Murakami, escritor japonês tido como eterno favorito ao Nobel, ao lado do queniano Ngugi wa Thiong’o e do poeta grego Adonis. Este ano, o trovador era azarão, com apostas em 50/1.
Não é a primeira vez que o trovador vence uma premiação literária. Em 2008, ele recebeu uma menção especial do Pulitzer, a principal honraria literária americana, em reconhecimento a seu profundo impacto na música popular e na cultura americana.
Apesar de conhecido e premiado por sua carreira musical iniciada em 1962, traduzida em canções como “Blowin’ in the Wind” e “Like a Rolling Stone”, Dylan também é formalmente autor de livros e já publicou a coletânea de poesia experimental “Tarântula” (1971), além da autobiografia “Crônicas – Volume 1” (2004), que não chegou a ganhar continuação. Seu álbum mais recente, “Fallen Angels”, foi lançado este ano e é o 69o da carreira do artista.
Dylan é também o primeiro compositor e letrista a ser consagrado com o prêmio literário, já entregue para autores de outras linguagens artísticas, como o teatro – é o caso do dramaturgo Dario Fo, morto também nesta quinta (13).
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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

OLIVER HART E BENGT HOLMSTRÖM VENCEM O PRÊMIO NOBEL DE ECONOMIA

Justificativa foi pelas suas contribuições à teoria dos contratos.
Hart é britânico e de Harvard e Holmström é finlandês e do MIT.

10/10/2016
Do G1, em São Paulo
Oliver Hart, de 68 anos, e Bengt Holmström, de 67, venceram o Prêmio Nobel de Economia 2016. O anúncio foi feito na manhã desta segunda-feira (10) em Estocolmo, na Suécia. Eles ganharam o prêmio por suas contribuições para a teoria dos contratos, que têm múltiplas aplicações em diversos contextos da vida real.
Bengt Holmström, um dos ganhadores do Prêmio
Nobel de Economia (Foto: Divulgação)

Hart é britânico e professor de economia da Universidade de Harvard e Holmström é finlandês e professor de economia e administração do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), ambos nos Estados Unidos.
O trabalho de Hart tem ajudado a entender quais companhias devem se fundir, além do equilíbrio correto de financiamentos e quando instituições como escolas devem ser privadas ou públicas. Já o de Holmström ajuda a formular contratos para executivos, informou a Academia em comunicado.
O Nobel de Economia tem uma recompensa de 8 milhões de coroas suecas, equivalente a R$ 3.028.000. O prêmio inclui ainda um diploma e uma medalha de ouro.
"As novas ferramentas teóricas criadas por Hart e Holmström são valiosas para a compreensão dos contratos e instituições da vida real, bem como armadilhas potenciais no projeto de contrato", disse a Real Academia em um comunicado.
Oliver Hart, de 68 anos, um dos vencedores do
Prêmio Nobel de Economia 2016 (Foto: Divulgação)

"[O trabalho deles] estabelece uma base intelectual para traçar políticas e para instituições em muitas áreas, da legislação sobre falências a constituições políticas", disse a Real Academia em Estocolmo.
De acordo com o júri, a teoria do contrato, desenvolvida pelos premiados, é um amplo marco de análises dos múltiplos aspectos do contrato, como a remuneração dos executivos com base em sua performance, as franquias, os copagamentos nos seguros ou a privatização do setor público.
“Me sinto muito sortudo e agradecido. Oliver Hart, estou tão feliz que eu ganhei este prêmio com ele, ele é meu amigo mais chegado”, disse Bengt Holmström em entrevista à organização da premiação.

“As ferramentas teóricas criadas por Hart e Holmström são valiosas para a compreensão dos contratos e instituições da vida real"
Real Academia
"Minhas teorias não se posicionam a respeito (...) Meu ponto de vista pessoal é que (os contratos de diretores de empresas) são muito complicados hoje, e por outro lado o que melhorou nestes últimos anos é (...) que (estes diretores) não conseguem tudo em um período muito curto, conseguem ao longo do tempo", afirmou Holmström à Fundação Nobel.
“Eu acordei por volta de 4h40 e queria saber se estava ficando tarde demais, mas, em seguida, felizmente, o telefone tocou. Minha primeira reação foi abraçar minha esposa, acordar meu filho mais novo. E eu falei com meu companheiro de premiação", disse Hart, também para a Fundação Nobel.
“Contratos são apenas uma forma incrivelmente poderosa de pensar sobre partes da economia. Eles são apenas fundamentais para toda a ideia de que o comércio é um tomar uma coisa por outra e que há dois lados para uma transação”, disse Hart nesta segunda, segundo o Twitter da Fundação Nobel.
Mérito das pesquisas
O tema de estudo dos premiados talvez seja menos prestigioso que as grandes questões de crescimento, desemprego ou pobreza, razão pela qual não apareciam nas previsões. Mas ambos tiveram o mérito de abrir caminho "a um fértil terreno de pesquisa fundamental", disse o júri: Holmström desde o fim dos anos 70 e Hart na década seguinte.
"Graças à pesquisa de Oliver Hart e Bengt Holmström, temos agora os instrumentos para analisar não apenas os termos financeiros dos contratos, mas também a prestação contratual dos direitos de controle, dos direitos de propriedade e dos direitos de decisão entre as partes", explicou a Academia Real de Ciências.
Entre os temas sobre os quais lançaram luz, segundo a Academia, aparecem as seguintes questões: "os fornecedores de serviços públicos, como escolas, hospitais ou prisões, devem permanecer no (setor) público ou privado?".
"Os professores, os funcionários do setor de saúde, os guardas das prisões devem receber um salário fixo ou indexado aos seus resultados?".
"Em que medida os diretores de empresas devem ser remunerados através de prêmios ou de 'stock-options'?".
Premiações anteriores
O júri confirmou a maioria dos americanos premiados no Nobel de Economia, 56 - incluindo os com dupla nacionalidade - de um total de 78.
Há uma tendência de conceder o Nobel de Economia a duplas e trios, mas no ano passado a regra foi quebrada, com a premiação do economista escocês naturalizado americano Angus Deaton, professor na Universidade de Princeton, nos EUA, que ganhou reconhecimento por sua análise do consumo, da pobreza e do bem-estar.
O prêmio de Economia é o único que não remonta ao testamento de Alfred Nobel. Denominado oficialmente Prêmio de Ciências Econômicas do Banco Real da Suécia em Memória de Alfred Nobel, foi criado em 1968 pelo Banco Central sueco para comemorar seu tricentenário e concedido pela primeira vez em 1969. As demais categorias são laureadas desde 1901.
As mulheres permanecem quase ausentes da lista do Nobel de Economia. Apenas uma mulher ganhou a distinção: a americana Elinor Ostrom, em 2009.
Assim como os demais prêmios, o Nobel de Economia será entregue no dia 10 de dezembro, aniversário da morte de Alfred Nobel.
O prêmio de economia é o penúltimo desta temporada Nobel, depois dos de medicina, física e química anunciados em Estocolmo, e do Nobel da paz anunciado na sexta-feira passada em Oslo. O nome do premiado com o Nobel de literatura será anunciado na quinta-feira (13).

http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/10/oliver-hart-e-bengst-holmstrom-vencem-o-premio-nobel-de-economia.html

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sábado, 8 de outubro de 2016

PRESIDENTE DA COLÔMBIA GANHA O NOBEL DA PAZ 2016

Juan Manuel Santos assinou o acordo de paz com as FARC a 26 de setembro. Não escondeu a desilusão com o não no referendo de 2 de outubroFacebookTwitterGoogle Plus

Helena Tecedeiro

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Juan Manuel Santos vence o prémio deste ano pelos esforços de paz com a guerrilha marxista das FARC para pôr fim a 50 anos de guerra civil no país.
Comité norueguês decidiu premiar o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, com o Nobel da Paz 2016 pelos seus "esforços para pôr fim aos mais de 50 anos de guerra civil no país".
De fora de um prémio que foi também "para o povo colombiano" ficou o líder das FARC, Rodrigo Londono, aliás Timochenko, que no dia 26 de setembro assinou com Santos o acordo de paz negociado durante quatro anos em Cuba.
Em Oslo, Kaci Kullmann Five, a presidente do Comité Nobel sublinhou que o resultado do referendo torna ainda mais importante que Santos e as FARC respeitem o cessar-fogo. E garantiu que "o facto de a maioria do povo ter dito não ao acordo não significa que o processo de paz esteja morto".
O acordo veio pôr fim a mais de meio século de uma guerra que deixou mais de 220 mil mortos. E fez dos seus protagonistas os favoritos ao Nobel, mas a vitória do Não no referendo de dia 2 na Colômbia veio pôr em causa esta vitória.
Santos torna-se assim no 26.º chefe do Estado a receber um Nobel. E América Latina volta a receber o galrdão da Paz depois da vitória de Rigoberta Menchu em 1992, pela sua defesa das mulheres indígenas.
O vencedor do Nobel da Paz recebe oito milhões de coroas suecas (mais de 830 mil euros).
Premiar os dois lados em conflito depois de terem chegado a um consenso não poderia estar mais no espírito dos prémios criados em 1895 pelo sueco Alfred Nobel. A última vez que o comité o fez foi em 1998, quando atribuiu o galardão da Paz (o único entregue na Noruega, todos os outros Nobel são entregues na Suécia) a John Hume e a David Trimble "pelos seus esforços para encontrar uma solução pacífica para o conflito na Irlanda no Norte". Mas o passado também já provou que esta pode ser uma escolha arriscada. Em 1994, na sequência dos acordos de Oslo entre israelitas e palestinianos, o recém-falecido Shimon Peres, Yitzhak Rabin e Yasser Arafat receberam o prémio. Mas passados 22 anos, com todos os protagonistas mortos, a paz no Médio Oriente ainda é uma miragem.
Entre os favoritos este ano estavam ainda os negociadores do acordo sobre o nuclear iraniano - entre eles os chefes da diplomacia americana, John Kerry, iraniana, Mohammad Javad Zarif, e europeia, Federica Mogherini. Mas também os habitantes das ilhas gregas, um coletivo para designar todos os voluntários que ajudaram os refugiados - sobretudo sírios, mas também iraquianos, afegãos, etc. - que nos últimos meses chegaram às costas da Grécia em busca de uma vida melhor na Europa.
Em termos coletivos, os Capacetes Brancos , antigos padeiros, professores, alfaiates ou outros profissionais que decidiram dedicar a vida a salvar as vítimas dos bombardeamentos e da guerra na Síria, tinham subido nas apostas nos últimos dias. Em termos individuais, a ativista russa pelos direitos humanos Svetlana Gannushkina era uma das favoritas. Tal como Denis Mukwege, o ginecologista congolês que já ganhou o Prémio Sakharov do Parlamento Europeu por desafiar a morte para ajudar as mulheres violadas durante a guerra civil no seu país. Na lista não falta outro vencedor do Sakharov, o blogger saudita Raif Badawi, detido e condenado a mil chicotadas pela sua defesa da liberdade de expressão.
Nos últimos anos, as instituições dominaram o Nobel da Paz, tendo arrecadado três dos últimos cinco galardões: em 2012 foi a vez da União Europeia, em 2013 da Organização para a Proibição das Armas Químicas e em 2015 do Quarteto para o Diálogo Nacional na Tunísia. Neste ano havia 148 instituições entre os nomeados e a Save the Children era uma das favoritas à vitória. Sobretudo pelo seu trabalho com as crianças nos campos de refugiados na Síria e nos países vizinhos
Com milhares de pessoas, inclusive todos os membros dos parlamentos nacionais, professores universitários ou antigos vencedores, a poderem nomear candidatos ao Nobel, não espanta que da lista constem nomes menos consensuais. Entre os favoritos neste ano voltou a estar Edward Snowden, o ex-analista da NSA que em 2013 divulgou os programas de vigilância secreto dos EUA. Mas também Donald Trump, o candidato republicano às presidenciais de 8 de novembro nos EUA, mais conhecido por querer construir um muro na fronteira com o México ou banir os muçulmanos de entrar na América do que pelos atos a favor da paz.
O Papa Francisco e a chanceler alemã Angela Merkel também voltaram à lista, já sem o favoritismo claro de outros anos.
Os prémios Nobel nasceram da vontade do químico, engenheiro e industrial sueco Alfred Nobel (1833-1896) em doar a sua imensa fortuna para o reconhecimento de personalidades que prestassem serviços à humanidade.
O inventor da dinamite expôs este desejo num testamento redigido em Paris em 1895, um ano antes da sua morte. Os prémios foram atribuídos pela primeira vez em 1901.
Esta semana já foram divulgados os prémios para as categorias Medicina, Física e Química. Faltam Economia, no dia 10, e Literatura.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

NOBEL DE QUÍMICA PARA TRÊS CIENTISTAS PELA INVENÇÃO DAS "MÁQUINAS MOLECULARES"

Nobel de Química para três cientistas pela invenção das "máquinas moleculares"

05/10/2016

Nobel de Química foi atribuído em conjunto ao francês Jean-Pierre Sauvage, o britânico Fraser Stoddart e o holandês Bernard Feringa, pais das minúsculas "máquinas moleculares" que prefiguram os nano-robôs do futuro.
Os três vencedores "conduziram os sistemas moleculares para estados nos quais, ao serem preenchidos de energia, podem controlar seus movimentos", explicou o júri do Nobel.
"O motor molecular está hoje na mesma fase que o motor elétrico nos anos 1830, quando os cientistas exibiam várias manivelas e rodas, sem saber que isto conduziria aos trens elétricos, às máquinas de lavar, aos ventiladores e aos processadores de alimentos", completa.
Jean-Pierre Sauvage, 71 anos, professor na Universidade de Estrasburgo (leste da França), foi o primeiro a imaginar as 'nanomáquinas', que apresenta como uma "montagem molecular capaz de colocar-se em movimento de forma controlada em resposta a diversos sinais: luz, mudança de temperatura, etc".
"Tais sistemas existem, muito numerosos, nas células vivas e intervêm em todos os processos biológicos importantes", ele explicou em 2008.
Na origem de sua descoberta ele uniu duas moléculas em forma de anel para formar uma cadeia, chamada "catenano".
Esta experiência foi desenvolvida depois por Fraser Stoddart, 74 anos, professor na Northwestern University (Estados Unidos), e que criou um "rotaxano": ele enfiou um anel molecular em um fino eixo molecular e demonstrou que o 'anel' poderia deslocar-se ao longo do eixo.
A descoberta permitiu criar um 'elevador molecular' e um 'músculo molecular'.
Fraser Stoddart passou a infância em uma fazenda de sua família na Escócia.
Sem energia elétrica ou as comodidades da vida moderna, ele se divertia com quebra-cabeças, um passatempo que o ajudou a desenvolver uma qualidade essencial para um químico: reconhecer as formas e observar como podem ser unidas", recordou a Academia Real de Ciências da Suécia.
O fascínio com as formas prosseguiu durante o seu trabalho de pesquisa. Stoddart
Bernard "Ben" Feringa, 65 anos, professor na Universidade de Groningen (Holanda), foi o primeiro a desenvolver um "motor molecular", o que permitiu desenvolver um "nanoveículo".
Entrevistado ao vivo pela Academia Sueca, ele disse "ter a impressão de ser um pouco parecido aos irmãos Wright, que voaram (de avião) pela primeira vez há 100 anos. As pessoas perguntaram 'para que precisamos de máquinas voadoras?' E agora temos o Boeing 747 e o Airbus".
"Se pensarmos nos materiais que podemos criar hoje graças à química, em nossa capacidade para introduzir funções dinâmicas e construir máquinas, ou produzir materiais que podem mudar de função, então as possibilidades são infinitas", afirmou.
"As máquinas moleculares serão muito provavelmente utilizadas no desenvolvimento de objetos como os novos materiais, os sensores e os sistemas de armazenamento de energia", explicou o júri do Nobel.
A criação de computadores moleculares, que permitiriam armazenar e tratar a informação a nível molecular, ou robôs microscópicos com capacidade para cumprir uma grande variedade de funções, na Medicina ou na vida diária, estão entre as potenciais aplicações destas máquinas.
O prêmio de 8 milhões de coroas (832.000 euros) será dividido entre os três. No ano passado, o Nobel de Química foi concedido a Aziz Sancar (Turquia/Estados Unidos), Paul Modrich (Estados Unidos) e Tomas Lindahl (Suécia) por suas pesquisas sobre a reparação do DNA.
A categoria Química foi a última dos Nobel científicos a ser anunciada este ano.
gab/fp



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terça-feira, 4 de outubro de 2016

TRIO LEVA NOBEL DE FÍSICA POR ESTUDO QUE PODE TER APLICAÇÃO FUTURA NA ELETRÔNICA

Anúncio foi feito na manhã desta terça. David J. Thouless recebeu metade do prêmio e a outra metade foi para F. Duncan M. Haldane e J. Michael Kosterlitz
Por G1, em São Paulo
04/10/2016
O Prêmio Nobel de Física de 2016 foi para o trio de cientistas britânicos David J. Thouless, F. Duncan M. Haldane e J. Michael Kosterlitz "pelas descobertas teóricas das transições de fase topológica e fases topológicas da matéria". As pesquisas, que revelaram características da chamada "matéria exótica", podem ter aplicações futuras na eletrônica.
"Suas descobertas permitiram avanços na compreensão teórica dos mistérios da matéria e criaram novas perspectivas para o desenvolvimento de materiais inovadores", destacou a Fundação Nobel.
As transições de fase ocorrem quando as fases da matéria transitam entre si, como quando o gelo derrete e se torna água. As fases mais comuns da matéria são gás, líquido e sólido. Mas, em temperaturas extremamente altas ou baixas, a matéria pode assumir outros estados exóticos.
O que os laureados fizeram foi revelar os segredos dessa matéria em estado exótico. Eles criaram métodos matemáticos para estudar essas fases incomuns da matéria que ocorrem, por exemplo, em supercondutores, superfluidos e filmes finos magnéticos.
Topologia e pães
A topologia é o ramo da matemática que descreve as propriedades da matéria que mudam apenas passo a passo. Para tentar explicar ao público leigo o complexo conceito de topologia, um dos membros do comitê para física do Nobel, Thors Hans Hansson, usou um pão, um bagel (pão com um buraco no meio) e um pretzel (tipo de pão cujo formato apresenta dois buracos).
Thors Hans Hansson tenta explicar o complexo conceito de topologia usando um pão, um bagel e um pretzel durante anúncio dos vencedores do Prêmio Nobel de Física deste ano (Foto: JONATHAN NACKSTRAND / AFP)

"Se voce é um topologista, tem uma coisa interessante sobre isso: o pão não tem buraco, o bagel tem um buraco e o pretzel tem dois buracos. O número de buracos é algo que chamamos de invariável topológica", disse. Isso é chamado invariável porque não é possível ter um estágio intermediário entre um buraco e dois buracos (não existe meio buraco, por exemplo).
A esperança, segundo a Academia Real de Ciências da Suécia, que concedeu o prêmio ao trio, é que as pesquisas possam ser usadas em novas gerações de eletrônicos e supercondutores, ou em futuros computadores quânticos.

(Foto: Infográfico G1)

Metade do prêmio total de 8 milhões de coroas suecas (equivalente a R$ 3.028.000) foi concedido a Thouless e a outra metade foi dividida entre M. Haldane e Kosterlitz. O anúncio foi feito na manhã desta terça-feira (4) na Suécia.
Os três cientistas britânicos estão hoje baseados nos Estados Unidos. Thouless, nescido em 1934, é hoje professor emérito da Universidade de Washington. Haldane, nascido em 1951, é professor da Universidade Princeton. Já Kosterlitz, nascido em 1942, é professor da Universidade Brown.

Cientista britânico F. Duncan M. Haldane, um dos laureados com o Prêmio Nobel de Física de 2016, em sua casa em Princeton, New Jersey, nos Estados Unidos, após o anúncio do prêmio nesta terça-feira (4) (Foto: Reuters/Dominic Reuter)

J. Michael Kosterlitz, um dos laureados com o Prêmio Nobel de Física, é fotografado na Universidade Aalto em Espoo, na Finlândia, onde atualmente está como professor visitante, nesta terça-feira (Foto: Roni Rekomaa/Lehtikuva/AFP)

História do prêmio
O Nobel de Física é concedido desde 1901. O mais jovem a ser premiado foi Lawrence Bragg, que em 1915, quando ganhou, tinha apenas 25 anos. Ele é o mais jovem ganhador de qualquer Nobel, não apenas de física.
O mais velho ganhador do de física é Raymond Davis Junior, que tinha 88 anos quando levou o prêmio, em 2002. John bardeen foi o único físico a receber o prêmio duas vezes - uma vez por seu trabalho com semicondutores e outra por sua pesquisa com supercondutividade. Em mais de um século de premiações, apenas duas mulheres ganharam o Nobel de Física.
Medicina, Química, Paz e Literatura
O Nobel de Física é o segundo a ser apresentado este ano, depois doanúncio do japonês Yoshinori Ohsumi na área de medicina, nesta segunda-feira. Na quarta-feira (5), será anunciado o de Química, e na sexta (7) o da Paz. O de Economia será anunciado na segunda-feira da próxima semana (10). O de Literatura ainda não tem data para ser anunciado.
Foto do topo: Jonathan Nackstrand / AFP




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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

MECANISMOS DE AUTOFAGIA CELULAR DÃO NOBEL DA MEDICINA AO JAPONÊS YOSHINORI OHSUMI

  

Yoshinori Ohsumi, Nobel da Medicina 2016
O prémio Nobel da medicina foi atribuído esta segunda-feira ao japonês Yoshinori Ohsumi pelas suas investigações sobre a autofagia.

O biólogo Yoshinori Ohsumi, professor no Frontier Research Center do Instituto de Tecnologia de Tóquio, recebeu o prémio “pelas suas descobertas dos mecanismos de autofagia“.
Ohsumi, de 71 anos, foi pioneiro nesta área, e recebeu em 2012 o Kyoto Prize, o mais alto galardão de carreira no Japão, que distingue “personalidades com inegável contributo para a ciência, cultura e elevação espiritual da Humanidade”.
A autofagia é um processo essencial para o funcionamento das células em que estas “digerem” partes de si mesmas para eliminar organelos envelhecidos.
Em organismos de seres desnutridos, a autofagia é uma das estratégias de sobrevivência e permite que as células redistribuam os nutrientes para conseguir executar as atividades mais essenciais à vida.
O conceito de autofagia já tinha sido descoberto em 1960, quando cientistas observaram que as células eram capazes de destruir os seus próprios componentes e os transportar para a unidade celular chamada de lisossomo.
Em 1990, Yoshinori Ohsumi fez uma série de experiências com levedura para identificar os genes ligados à autofagia.
A temporada dos prémios Nobel 2016 começa hoje com o anúncio do Nobel da Medicina e prossegue com o da Física (terça-feira), da Química (quarta-feira), da Paz (sexta-feira) e da Economia (dia 10).
O Nobel da Literatura será atribuído a 13 de outubro.
Os prémios Nobel, criados em 1895 pelo químico, engenheiro e industrial sueco Alfred Nobel (inventor da dinamite), foram atribuídos pela primeira vez em 1901.
ZAP
http://zap.aeiou.pt/nobel-da-medicina-distingue-especialista-em-biologia-celular-132373