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domingo, 30 de maio de 2021

QUANDO A VERDADE VEM DOS HEREGES – Plinio Maria Solimeo

Plinio Maria Solimeo


Desde os tempos do heresiarca Lutero, eclesiásticos alemães vêm fazendo contestações cada vez maiores à doutrina tradicional da Igreja. Elas atingiram hoje tal virulência, que os aproximam de um verdadeiro cisma.

Isso tem chamado atenção e escandalizado até pessoas dos meios mais contrários ao catolicismo, como luteranos. É o que demonstra Edward Pentin em informativo artigo publicado no National Catholic Register.

O consciencioso jornalista traz nesse sentido declarações de Alexander Garth [foto acima], pastor da igreja onde Martinho Lutero costumava pregar, a qual é conhecida como “Igreja Mãe da Reforma”. Analisando Pentin o que se passa hoje entre os bispos alemães mais avançados, ele diz que Garth “alertou que o caminho sinodal da Igreja [Católica] alemã é o ‘caminho errado’, que está ‘forçando a protestantização da Igreja Católica’”. Isso que é dito por um dos protestantes mais representativos do mundo, só não é visto pelos católicos progressistas.

As declarações de Garth foram reproduzidas na carta que ele enviou ao mensário alemão Vatican Magazin, na qual afirma que estava “observando com preocupação” o Caminho Sinodal dos bispos alemães e o movimento feminista Maria 2.0, também conhecido como “Greve na Igreja”, formado por mulheres soi-disant católicas. O movimento exige o acesso das mulheres a todos os ministérios da Igreja, a abolição do celibato clerical e um esclarecimento cabal sobre os casos de abuso de menores na Igreja. Exigências de um movimento feminista incomodado com o celibato dos padres e cujos fundadores deixaram a Igreja…

Afirma o pastor Alexandre Garth:“A democratização de uma igreja nacional sempre significa que um cristianismo populista e mínimo se torna o padrão eclesial que leva à banalização de toda a igreja e à diluição do evangelho”. Com a mais insofismável lógica, escreve Pentin, citando o pastor: “Esses ‘reformadores’ na Igreja Católica — acredita o Rev. Garth — deveriam se tornar protestantes porque nas igrejas protestantes ‘você encontrará tudo aquilo pelo que está lutando: mulheres sacerdotes, uma constituição sinodal, pastores casados, feminismo’”.

Entretanto, o pastor alerta com toda honestidade que “o estado espiritual e físico da Igreja Protestante é muito pior, e que as repercussões da secularização são ainda mais devastadoras do que na Igreja Católica”.


O que é esse “Caminho Sinodal” da Igreja na Alemanha? Segundo fontes dos bispos alemães, esse “Caminho” busca “tratar de temas que vão da questão de abuso sexual por parte do clero à reflexão sobre o estilo de vida dos sacerdotes, passando pelas dificuldades em aceitar os princípios da moral sexual ao problema de uma comunidade que envelhece e teme mudanças geracionais”. Por isso, entre os temas tratados, está “o poder e divisão de poderes na Igreja [uma “democratização”, com maior participação das mulheres], a vida do sacerdote de hoje [fim do celibato obrigatório], [o papel das] mulheres nos ministérios e nas funções da Igreja 
[sacerdócio feminino], viver o amor na sexualidade e na vida do casal” — quer dizer, esse “amor na sexualidade” pode sugerir até aquele entre pessoas do mesmo sexo e, sobretudo, uma mudança da moral sexual tradicional na Igreja.

Além disso, há bispos alemães que advogam a admissão à Sagrada Comunhão não só de homossexuais e de divorciados em segundas ou terceiras núpcias, mas também de protestantes.

O curioso é que, na citada carta, o pastor Garth se descreve “como um protestante de coração católico e pastor no púlpito de Martinho Lutero”. Segundo Pentin, Garth considera a protestantização da Igreja Católica “um grande infortúnio, pois este mundo precisa do católico com perfil da espiritualidade católica, com fidelidade ao Papa, devoção mariana e o exemplo dos santos da Igreja”.

Tudo o que os progressistas contestam hoje em dia! Parece que ele não poderia ir mais longe. Mais foi ao dizer que o mundo cristão “precisa da identidade católica, porque seria uma grande perda para a cristandade se a cor católica da fé perder a sua intensidade”. O que infelizmente está acontecendo com a “autodemolição” e com a “fumaça de Satanás” que penetrou no seio santíssimo da única e verdadeira Igreja.

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Fonte: Pastor da Igreja de Lutero: Caminho Sinodal é o ‘Caminho Errado’| Registro Católico Nacional (ncregister.com)


https://www.abim.inf.br/quando-a-verdade-vem-dos-hereges/

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domingo, 18 de abril de 2021

RECEBENDO A SAGRADA COMUNHÃO NO ESPAÇO – Plinio Maria Solimeo


Plinio Maria Solimeo

É corrente que aqueles que se dedicam especialmente às ciências e às coisas técnicas, são pouco propensos para seguirem à risca seus deveres religiosos. Pois, em grande número de casos, tratando somente com coisas práticas e concretas, acabam amortecendo o senso religioso e se tornando materialistas ou agnósticos. Isso, que infelizmente é muito frequente, não foi o que ocorreu com quatro astronautas americanos dedicados ao que há de mais moderno na ciência e na técnica, que é a carreira espacial. Pois, não só conservaram e afervoraram sua fé em suas aventuras pelo espaço, mas tiveram a grande graça de nele receber a Nosso Senhor Jesus Cristo na Eucaristia.


A folha de serviço do mais antigo deles, Thomas Jones [foto], nascido em janeiro de 1955 em Baltimore, por exemplo, é considerável. Ele participou de quatro missões espaciais, e quando deixou a NASA em 2001, trabalhou depois como cientista planetário e consultor em operações espaciais, cientista pesquisador sênior no Instituto de Cognição Humana e de Máquina da Flórida, envolvido no planejamento de expedições de robôs e astronautas ao espaço profundo e asteróides próximos à Terra, palestrante e escritor de quatro obras. De 2006 a 2009, ele serviu no Conselho Consultivo da NASA, e foi membro do conselho da Astronauts Memorial Foundation. Por tudo isso, mereceu ser colocado no Astronaut Hall of Fame dos Estados Unidos em 21 de abril de 2018. Portanto, é um cientista de muito renome.

Jones, detentor de quatro prêmios concedidos pela NASA e pela Força Aérea dos Estados Unidos, seu livro autobiográfico Sky Walking: An Astronaut’s Memoir (Caminhando pelo céu: Memória de um astronauta), de 2006, foi escolhido pelo Wall Street Journal como um dos cinco principais relatos dedicados ao assunto do espaço. Católico convicto, Jones narra sua experiência espiritual, no livro acima citado, de receber a Sagrada Comunhão no espaço.

Isso se deu em sua primeira participação em uma missão espacial como membro da tripulação da nau espacial Endeavour no programa STS-59, entre 9 e 20 de abril de 1994. O objetivo da missão era o de colocar em funcionamento, no espaço, um radar para estudo do ecossistema terrestre, além de coletar dados sobre a quantidade e distribuição de monóxido de carbono nos níveis mais altos da atmosfera terrestre e fazer, por radar, observações oceanográficas, geológicas, hidrológicas e estudo e observação de placas tectônicas ao redor do planeta.

O astronauta considerou o participar dessa grande aventura um privilégio pois, além de adquirir experiência e de o familiarizar com a vida no espaço, sobretudo ia lhe proporcionar a possibilidade de ver a Deus em suas obras no imenso firmamento.

Suas expectativas, entretanto, ultrapassaram toda expectativa. Pois ocorreu que, como três dos seis tripulantes da nave espacial eram católicos — ele, o comandante, Gutiérrez, e o piloto Kevin Chilton, que era ministro extraordinário da Eucaristia —, eles puderam receber a Sagrada Comunhão em pleno vôo da nave espacial. Pois Kevin tinha recebido do seu vigário licença para levar consigo em sua missão algumas hóstias consagradas.


Isso ocorreu da seguinte maneira: no domingo, duas semanas depois da Páscoa, quando estavam já no espaço, os três astronautas se reuniram na cabine de vôo para comungar. Nesse momento, diz Jones, “os três agradecemos a Deus pelas vistas de Seu universo, pela boa companhia, e pelo êxito que tínhamos tido até então. Kevin então repartiu o Corpo de Cristo com Sidney e comigo, e permanecemos na cabine de vôo refletindo no silêncio, esse momento de paz e de verdadeira comunhão com Cristo”. Quando acabaram de comungar, conforme narra Jones, ocorreu que, “enquanto meditávamos tranquilamente na escura cabine, uma deslumbrante luz branca irrompeu pelo espaço, e nela penetrou. A luz radiante do sol que se avistou através das janelas dianteiras da nau espacial e nos deu calor, que outro sinal [da presença de Deus] podíamos pedir senão esse? Foi a afirmação gentil de Deus de nossa união com Ele”. Comovido até às lágrimas, o astronauta se afastou de seus companheiros, e contemplou então através das janelas da nave o amanhecer e, debaixo, o Oceano Pacífico, cuja superfície azul resplandecia com a luz do sol. Acrescenta ele que “com esta formosa luz entrando na nave, e o formoso oceano azul em baixo, estive a ponto de chorar”. E então se lembrou das palavras do evangelho de São Mateus (18, 20): “Onde dois ou três estão congregados em meu nome, ali estou Eu no meio deles”.

O astronauta comenta que, “cada vez que tens algum tempo livre [na nave espacial], e olhas pela janela, há um tremendo sentimento de gratidão [para com Deus] por olhar abaixo com esta perspectiva única de teu mundo. Tu te sentes muito especial e muito humilde ao mesmo tempo. É muito comovedor e inspirador”.


Comentando 10 anos depois essa aventura, afirma Jones: “Estamos destinados a nos assombrar no espaço. Se nossa espécie imperfeita encontrou tais cintilações de deleite em nosso primeiro encontro com o cosmos, então verdadeiramente encontramos a um Deus muito carinhoso e generoso”. Ele diz que “era consciente de que cada dia no espaço era um regalo especial [de Deus], e sabia que me havia sido concedido esse regalo único. Cada noite, antes de dormir, agradecia a Deus por essas maravilhosas vistas da Terra, e pelo êxito de nossa missão. Continuamente pedia pela segurança de nossa tripulação, e para que tivéssemos um feliz encontro com nossas famílias”. Ele era casado com Liz Jones, e tinha duas filhas.

Tom Jones confessa que, ao contrário do que se poderia pensar, no espaço sempre lhe foi mais fácil rezar. Ele levava consigo textos das leituras das Missas dos domingos e outras passagens da Sagrada Escritura, anotados em um caderno que tinha para utilizar em suas missões. Sobretudo, afirma ele, o Rosário sempre fez parte de sua equipagem pessoal.

Depois dessa inesquecível viagem espacial, Thomas Jones participou de mais três missões, e realizou três passeios espaciais durante a construção da Estação Espacial Internacional. No total, ele passou 53 dias no espaço o que, segundo afirma, o ajudou a acrescentar ainda mais a fé católica que já professava quando voou ao espaço pela última vez em 2001.

Atualmente Jones é paroquiano na igreja de São João Newmann, em Reston, na Virginia, onde exerce a função de leitor.


Outro astronauta que teve a graça de comungar no espaço foi Michael Hopkins [foto]. Nascido em dezembro de 1968, ele é coronel da Força Espacial dos Estados Unidos e astronauta da Nasa.

Casado com Júlia Stutz e pai de dois filhos, antigo membro da Igreja Metodista, ele se converteu e foi recebido na Igreja Católica em 2013, unindo-se assim na mesma fé à sua esposa e aos filhos.

Hopkins participou de várias missões da NASA, sendo o primeiro membro de sua aula a voar no espaço, e o primeiro astronauta a se transferir para a Força Espacial dos Estados Unidos, participando de uma cerimônia de transferência na Estação Espacial Internacional.

Em setembro do ano de 2013, o astronauta americano foi designado para participar, com seus congêneres soviéticos, da missão Soyuz TMA-10M. Essa nave espacial permaneceu seis meses no espaço, acoplada à Estação Espacial Internacional para servir como veículo de escape em caso de emergência.

Para se ter uma ideia da profundidade da conversão à verdadeira Igreja deste ex-metodista, que ocorrera nesse mesmo ano de 2013, considere-se que, para não ficar durante esse longo período sem receber a Sagrada Comunhão, Hopkins obteve do arcebispo de Galveston-Houston, por intermédio de seu pároco, o Pe. James H. Kuczynsky, que fosse nomeado ministro extraordinário da Eucaristia, e licença para levar consigo ao espaço uma teca com seis hóstias consagradas, número suficiente para que ele pudesse comungar aos domingos, durante as 24 semanas que ficaria no espaço. Afirma ele que isso “foi extremamente importante para mim”.

Desse modo, chegando o domingo, ele se recolhia na Estação Espacial, e preparava-se para a Comunhão com algumas leituras e orações. Depois comungava. Nos dias da semana em que não comungava, Hopkins sempre fazia alguns momentos de adoração do Santíssimo Sacramento.

Esse astronauta genuinamente católico, também procurava ver a Deus no espaço. Para ele, “quando você vê a Terra desde esse ponto de vista [de uma obra de Deus], e a beleza natural que existe, é difícil não sentar-se aí, e dar-se conta de que tem que haver uma força superior que fez tudo isso”. Isto é, um Deus criador do Céu e da Terra, e de tudo quanto existe[i].


[i] Fontes

– https://www.religionenlibertad.com/ciencia_y_fe/734263843/tom-jones-astronauta-catolico-comulgar-espaci-nasa.html?utm_source=boletin&utm_medium=mail&utm_campaign=boletin&origin=newsletter&id=31&tipo=3&identificador=734263843&id_boletin=218880017&cod_suscriptor=452495753

– https://en.wikipedia.org/wiki/Michael_S._Hopkins

– https://www.catholicherald.com/News/Local_News/For_veteran_astronaut_and_Catholic_Tom_Jones,_space_was_a_spiritual_experience/

– https://www.religionenlibertad.com/personajes/55296/astronauta-revela-tremenda-experiencia-comulgar-espacio.html

 

https://www.abim.inf.br/recebendo-a-sagrada-comunhao-no-espaco/

 

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

ENCHENTE COBRE O SACRÁRIO, MAS HÓSTIAS FICAM SECAS E INTACTAS EM MINAS GERAIS



Sacrário e hóstias do milagre em Lacerdina (MG). Foto de Carangola Notícias

Luis Dufaur

 

Na manhã do domingo de 21 de fevereiro 2021, fortes chuvas elevaram o nível do Rio Carangola que aumentava desde a sexta-feira (19 de fevereiro).

Elas provocaram uma enchente que deixou debaixo d’água o bairro Lacerdina, em Carangola, na Zona da Mata Mineira. O município está a 357 km de Belo Horizonte.

As águas invadiram a Capela Santo Antônio onde atingiram mais de 2 metros de altura cobrindo inteiramente o pequeno sacrário onde fica guardado o Santíssimo Sacramento.

Quando as águas desceram e se foi ver a dimensão do dano, aliás previsível, os moradores locais ficaram pasmos.


Capela de Santo Antônio em Lacerdina onde se deu o milagre

A água de fato cobriu totalmente o sacrário, mas as hóstias consagradas que estavam dentro dele, numa âmbula de simples vidro, permaneceram intactas e foram retiradas secas.

O fato correu pelas redes sociais. O fotógrafo Victor Marius, morador de Carangola, em seu perfil de Facebook descreveu o acontecido dizendo “que as hóstias permaneceram intactas demonstrando como nas maiores adversidades Deus permanece o mesmo”.

É o segundo ano consecutivo que acontece a enchente, mas esta foi “de proporções jamais vistas”, segundo Victor.

A Defesa Civil confirmou que esta foi a pior enchente registrada na cidade, deixando cerca de cinco famílias desabrigadas e dezenas de desalojados. Além de Carangola, outras cidades da região foram afetadas pelas enchentes (Cfr. ACIDigital).


Fiéis ficaram surpresos com o que viram. Foto: Victor Marius
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O jornal local “Carangola Notícias” acrescentou que grande parte dos moradores perderam quase tudo que tinham.

O fato humanamente inexplicável não só comoveu os moradores locais mas a todos os católicos que têm fé na presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento e motivou muito reafervoramento nesse dogma através das redes sociais.

Os Evangelhos de São Mateus (14, 22-33), São Marcos (6, 45-52) e em São João (6,16-21) contam que após alimentar miraculosamente uma multidão de cinco mil seguidores que tinham ido ouvir sua palavra, Jesus mandou os discípulos partir numa barca enquanto Ele ficava para rezar sozinho na noite.

Mas, eis que no mar da Galileia “quando já era boa a distância da margem, a barca era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário”.

Os Apóstolos ficaram tomados de medo até que viram a figura do Divino Mestre caminhando sobre as águas.

Ele então lhes disse: “‘Sou eu, não temais’. E subiu para a barca, junto deles, e o vento cessou”.

O prodígio de Lacerdina nos rememora aquele divino feito e nos ensina que por maiores que sejam os perigos e desgraças que o mundo passa ou venha a passar, podemos depositar n´Ele com certeza a nossa esperança de chegar a bom porto.

https://www.abim.inf.br/enchente-cobre-o-sacrario-mas-hostias-ficam-secas-e-intactas-em-minas-gerais/

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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

O QUE SIGNIFICA SER CATÓLICO?



O Presidente, o Cardeal e a Comunhão para os políticos pró-aborto

Luiz Sérgio Solimeo*

Nesta era de secularismo, quando a vida política é separada da vida religiosa, é louvável que um presidente dos Estados Unidos se apresente como um católico praticante e participe publicamente dos sacramentos da Igreja.

No entanto, o catolicismo do presidente Biden é sui generis. Ele não segue a doutrina e a moral católica a respeito do aborto provocado e do pecado homossexual.

Contraste com a Doutrina Católica

Ao longo de sua carreira política, incluindo as eleições gerais de 2020, o Sr. Biden [foto acima] favoreceu a legalização do aborto voluntário. Nos anos mais recentes, ele abraçou o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, oficiando um na qualidade de vice-presidente.

Após a posse, seu governo emitiu um comunicado especificando seu apoio ao aborto e à contracepção, não apenas nos Estados Unidos, mas em todo o mundo:

“Nos últimos quatro anos, a saúde reprodutiva, incluindo o direito de escolha, tem estado sob ataque implacável e extremo. … A administração Biden-Harris [foto acima] está empenhada em regulamentar (a decisão da Suprema Corte) Roe v. Wade e nomear juízes que respeitem precedentes fundamentais como Roe. Também nos comprometemos a nos empenhar no trabalho para eliminar as disparidades entre saúde materna e infantil, aumentar o acesso à contracepção e apoiar economicamente as famílias para que todos possam criar suas famílias com dignidade [sic]. Este compromisso se estende ao nosso trabalho crítico em relação aos padrões de qualidade da saúde em todo o mundo”.(1)

Com relação à homossexualidade e ao “transgenerismo”, é bem conhecida a inclinação pró-LGBT nas nomeações de membros de seu gabinete e para posições em nível de gabinete. O Sr.  Biden também assinou uma ordem executiva afirmando que a política de seu governo é que “as crianças devem poder estudar sem se preocupar se o acesso ao banheiro, ao  vestiário ou esportes escolares vai-lhes ser negado (por causa de seu sexo “escolhido”)” (2).  Da mesma forma, ele restabeleceu o “ transgenerismo” nas Forças Armadas(3), e, de acordo com Antony Blinken, seu agora confirmado Secretário de Estado, “ele planeja nomear rapidamente um emisário internacional LGBT, [e] permitir às embaixadas hastear a bandeira do orgulho (homossexual)”.(4)

Aquele que não aceita totalmente toda a doutrina da Igreja não é católico

O aborto voluntário, o pecado homossexual e o “transgenerismo” são, sem sombra de dúvida, contrários à doutrina e à moral católicas. A Escritura e a Tradição, assim como o Magistério eclesiástico não deixam margem a discussão a esse respeito.[5]

Ora, um católico deve aceitar totalmente e seguir os ensinamentos dogmáticos da Igreja bem como as verdades morais reveladas por Deus. Portanto, quem rejeita uma só dessas verdades reveladas, seja de natureza dogmática ou moral, rejeita todo o depósito da Fé e se expulsa da Igreja. Cada verdade revelada, sem exceção, deve ser aceita.

É o que ensina o Papa Leão XIII na encíclica Satis Cognitum, sobre a unidade da Igreja:

(A Igreja sempre) considerou rebeldes declarados e expulsou de seu seio a todos aqueles que não pensam como Ela sobre qualquer ponto de sua doutrina.…

….aquele que num único ponto recusa o seu assentimento às verdades divinamente reveladas abdica realmente de toda a fé, pois recusa-se a submeter-se a Deus na medida em que Ele é a verdade soberana e o motivo próprio da fé.(6)

“Que ele seja tido por gentio e publicano”

Por sua vez, em sua encíclica Mystici Corporis Christi, o Papa Pio XII afirmou:

“Como membros da Igreja contam-se realmente só aqueles que receberam o lavacro da regeneração (o batismo) e professam a verdadeira fé, nem se separaram voluntariamente do organismo do corpo, ou não foram dele cortados pela legítima autoridade em razão de culpas gravíssimas.

“Portanto …. quem se recusa a ouvir a Igreja, manda o Senhor que seja tido por gentio e publicano (cf. Mt 18, 17). Por conseguinte os que estão entre si divididos por motivos de fé ou pelo governo, não podem viver neste corpo único nem do seu único Espírito divino. …

“Nem todos os pecados, embora graves, são de sua natureza tais que separem o homem do corpo da Igreja como fazem os cismas, a heresia e a apostasia”.(7)

Desse modo, aqueles que defendem o aborto, o pecado homossexual ou o “transgenerismo”,  não apenas teoricamente, mas promovendo ou efetuando sua legalização, não podem ser considerados católicos.

“Sempre que comer este pão …”


Ao tratar da Sagrada Eucaristia, o Concílio de Florença (1438-1445) ensinou que “o efeito que este sacramento opera na alma de quem o recebe dignamente é a união do homem a Cristo”.(8) Como Nosso Senhor disse, “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele”.(9)

Dada a santidade deste sacramento, São Paulo alerta para as consequências de recebê-lo indevidamente:

“Assim, todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice lembrais a morte do Senhor, até que Ele venha. Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação”.(10)

Alguns Prelados alertam o Sr. Biden…

Em uma entrevista com Thomas McKenna, o Cardeal Raymond Burke [foto abaixo] , ex-prefeito do Supremo Tribunal da Signatura Apostólica, advertiu que o Sr. Biden não tem condições de receber a Comunhão:


“Portanto, em primeiro lugar, por caridade para com ele, gostaria de lhe dizer que não se aproximasse da Sagrada Comunhão, porque isso seria um sacrilégio e um perigo para a salvação de sua alma.

“Mas também não deveria se aproximar para receber a Sagrada Comunhão porque causa escândalo a todos. Porque se alguém disser ‘bem, sou um católico devoto’ e ao mesmo tempo promover o aborto, isso dá a impressão de que é aceitável para um católico ser a favor do aborto o que, é claro, não é absolutamente aceitável. Nunca foi, nunca será”.[11]

O Arcebispo emérito da Filadélfia, D. Charles Chaput, comentou na mesma linha: “As figuras públicas que se identificam como ‘católicas’ escandalizam os fiéis ao receberem (indignamente) a comunhão, criando a impressão de que as leis morais da Igreja são opcionais. E os bispos dão escândalo semelhante ao não falar publicamente sobre a questão e o perigo do sacrilégio”.(12)

Outros bispos o apoiam

No entanto, alguns prelados, como o cardeal Wilton Gregory, falaram de maneira diferente. A jornalista do Catholic News Service Cindy Wooden entrevistou o arcebispo de Washington, DC. Ela escreve: “Embora alguns católicos acreditem que Biden não deve receber a comunhão quando vai à missa, o cardeal designado Gregory disse que por oito anos como vice-presidente Biden foi à missa e [recebeu a]  comunhão. ‘Não vou me desviar disso’, disse ele”.(13)

Duas igrejas, lado a lado?

Essas atitudes divergentes na hierarquia católica nos levam a perguntar se uns e outros têm a mesma fé católica ou se vemos uma nova religião emergindo da sombra da Igreja Católica.

Existe uma Igreja, baseada na Revelação, que nega a Sagrada Comunhão a pessoas que falam e agem publicamente contra a doutrina e a moral católicas e “obstinadamente persistem no pecado grave manifesto”?(14) E outra que permite a tais pessoas receberem a Sagrada Comunhão sem qualquer demonstração pública de arrependimento?

Só a primeira posição é legítima e corresponde à da Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo:  “Una, Santa, Católica e Apostólica”, como rezamos no Credo niceno-constantinopolitano (o Credo da Missa). A segunda não.

O que é ser católico?

A conduta do novo presidente dos Estados Unidos e de bispos como o recém-nomeado cardeal Wilton Gregory levanta a questão: o que significa ser católico?

Como mostrado nos trechos acima dos Papas Leão XIII e Pio XII, esta pergunta já foi respondida há muito tempo. Muitas outras declarações de papas, concílios e do Direito Canônico poderiam ser adicionadas. Todas, porém, se resumem nisto: católico é aquele que foi batizado e acredita e professa toda a doutrina revelada e proposta pelo Magistério da Igreja, tanto em questões dogmáticas quanto morais.

Com relação a quem rejeite até mesmo um único ponto da doutrina e da moral católica, o Papa Pio XII ensina: “Manda o Senhor que seja tido por gentio e publicano”.

* Publicado no site da The American Society for the Defense of Tradition, Family and Property em 5 de fevereiro de 2021

Notas

1. Declaração do presidente Biden e da vice-presidente Harris no 48º aniversário de Roe v. Wade”, 22 de janeiro de 2021, https://www.whitehouse.gov/briefing-room/statements-releases/2021/01/22/statement -from-president-biden-and-vice-president-harris-on-the-48-year-of-roe-v-wade /.

2. “Ordem Executiva de Prevenção e Combate à Discriminação com Base na Identidade de Gênero ou Orientação Sexual”, 20 de janeiro de 2021, https://www.whitehouse.gov/briefing-room/presidential-actions/2021/01/20/executive -ordenar-prevenir-e-combater-discriminação-com-base-identidade-gênero-ou-orientação sexual /.

3. “Ordem Executiva Habilitando Todos os Americanos Qualificados a Servirem Seu País em Uniforme”, 25 de janeiro de 2021, https://www.whitehouse.gov/briefing-room/presidential-actions/2021/01/25/executive-order- em-permitindo-todos-americanos-qualificados-para-servir-seu-país-em-uniforme /

4. Paul LeBlanc e Jennifer Hansler, “O escolhido para secretário de estado de Biden promete nomear um enviado LGBTI e permitir às embaixadas hastear a bandeira do orgulho [homossexual]”, CNN, 19 de janeiro de 2021, https://www.cnn.com/2021/01/19/ policy / antony-blinken-lgbti-pride-flag-biden-Administration / index.html.

5. Ver Cardeal Francesco Roberti e Mons. Pietro Palazzini, s.v. “Aborto”, no Dictionary of Moral Theology (Westminster, Md .: The Newman Press, 1962); TFP Committee on American Issues, Defending a Higher Law: Why We Must Resist Same Sex “Marriage” and the Homosexual Movement (Spring Grove, Penn.: The American Society for the Defense of Tradition, Family and Property, 2012)

6. Leão XIII, encíclica Satis Cognitum, 29 de junho de 1896, nn. 17, 20. http://w2.vatican.va/content/leo-xiii/es/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_29061896_satis-cognitum.html

7. Pio XII, encíclica Mystici Corporis Christi, 29 de junho de 1943, nn. 21-22. http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_29061943_mystici-corporis-christi_po.html

8. Denzinger- Hünermann, n. 1322.

9. João 6,56.

10. 1 Cor 11,26-29.

11.  “Cardeal Burke: Joe Biden Não Deve Receber a Sagrada Comunhão”, National Catholic Register, 29 de setembro de 2020, https://www.ncregister.com/news/cardinal-burke-joe-biden-should-not-receive-holy -comunhão.

12. Charles J. Chaput, O.F.M. Cap., “O Sr. Biden e a Questão de Escândalo”. First Things, 4 de dezembro de 2020, https://www.firstthings.com/web-exclusives/2020/12/mr-biden-and-the-matter-of-scandal.

13. Cindy Wooden, “Em Washington, com o novo presidente, o Cardeal-designado tem esperanças de diálogo,” Catholic News Service, 24 de novembro de 2020, https://www.catholicnews.com/in-washington-with-new-president-cardinal -designar esperanças para o diálogo /.

14. Código de Direito Canônico. Cânon 915. 

https://domtotal.com/direito/pagina/detalhe/31867/codigo-de-direito-canonico#ancora-24


https://www.abim.inf.br/o-que-significa-ser-catolico/

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terça-feira, 22 de dezembro de 2020

JESUS CRISTO NO PRESÉPIO E NO SACRÁRIO

22 de dezembro de 2020



Padre David Francisquini *

 

            Cristo foi envolto em panos e reclinado numa manjedoura forrada com palhas, que se tornaram ornamentos do desejado das nações, do Menino-Rei cheio de aromas e encantos que nasce numa gruta em Belém.

            Um anjo do Céu anunciou a grande notícia para alegria dos pastores e regozijo de toda a corte celeste. Seu anúncio ecoou em todos os lares de aldeias, cidades e campinas, até no mais humilde casebre, pois Cristo nasceu como Salvador e Rei de todos os povos.

            O júbilo impera nos corações com as palavras proclamadas pelo Anjo: Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade. A gruta nos faz lembrar o sacrário, pois como nela se encontrava o Deus vivo e verdadeiro, assim Ele quis ficar nos sacrários de todas as igrejas sob a forma da Hóstia consagrada.

            Jesus quis nascer numa manjedoura onde comiam os animais para compreendermos que Ele não nascera apenas como Salvador, mas também como nosso alimento. A representação de Jesus Cristo na História está posta diante de nossos olhos no Santo Presépio de Belém, enquanto no sacrário está representada como objeto de nossa fé, pois Ele vive conosco, pronto para nos receber e alimentar.



            Ao ser consagrado no altar durante a Santa Missa, o pão se transforma em corpo, sangue, alma e divindade do próprio Cristo que nos é dado como alimento, permanecendo conosco nesse peregrinar pela terra. O altar é o presépio em que Cristo está de braços abertos para nos saciar com sua carne divina e seu sangue precioso, pois Ele é o nosso celeste pelicano.

            Como Pai, pensa nos filhos mais que em Si, não mede sacrifício algum que possa beneficiar os filhos, pois lhes quer todo o bem. No altar do Sacrifício é o próprio Jesus Cristo que se imola dia e noite de braços abertos para não nos deixar desamparados nessa peregrinação. A fé nos ensina que o Divino Redentor que nasceu Menino está vivo no sacrário.

            A pequenez das crianças constitui grande atrativo para os nossos corações. Imaginemos Aquele mesmo a Quem os céus não puderam conter, exatamente por ser imenso e infinito, apresentar-se a nós como uma criança pequenina e frágil, para ter certa proporcionalidade conosco e assim Se fazer mais próximo de nós.

            Guiados por essa mesma Fé, o gemido de Jesus Cristo no desconforto físico daquela noite fria e das asperezas das palhas da manjedoura de Belém nos conduz a pensar no mais alto dos panoramas, ou seja, a contemplá-Lo e adorá-Lo. Da mesma forma deveremos fazê-lo sob as espécies eucarísticas.

            Essa criança plena de inocência e pureza, por ser Filho do Padre Eterno e de Maria Santíssima, bendita entre todas as mulheres, quis Se tornar homem e Deus para resgatar a humanidade do pecado de nossos primeiros pais por sua vida, paixão e morte. Ele mesmo quis ficar envolto nos véus eucarísticos, ao alcance de todos nós.

            O Infante Jesus, segunda Pessoa da Santíssima Trindade, encarnou-se no seio puríssimo de Maria para nos salvar com sua morte no madeiro da Cruz. Daí a nossa confiança n’Ele, pois veio para reinar nos corações, concedendo-nos graças nas trilhas do heroísmo e da luta. A fé nos guia na trajetória da vida presente para a futura. O Natal é o marco da História, cheio de esperança e certeza.

            O mundo pagão se desfez com o nascimento de Cristo para dar lugar a uma era cheia de luz que iluminou o mundo, a civilização e a cultura cristãs. Hoje, com o novo paganismo, vivemos o mesmo pesadelo de outrora, se não pior, quando o mundo se debatia e se contorcia sem esperança.

            Nos estertores dessa civilização agonizante, com todos os problemas que a afligem, é o mesmo Jesus Cristo e sua Mãe Santíssima que batem nas portas de nossos corações. Por que Maria, a Mãe admirável de Deus Filho? Porque tendo sido Ela quem nos trouxe Jesus, também será Ela quem O fará reinar sobre toda a Terra.

            Aquela mesma que ofereceu a Jesus o seu sangue virginal pelo seu coração materno, tornando-se o sacrário da divindade, a arca da aliança, será Ela quem fará Jesus reinar sobre as nações e os povos. Não podemos encontrar Jesus sem Maria e nem Maria sem Jesus.

            Se o laço que une um ao outro é tão íntimo, a história da salvação não está desligada deles. As virtudes trazidas por Jesus na gruta de Belém serão disseminadas por todos os cantos do orbe por Maria, quando Ela passar a reinar nos corações.

            Sendo Ela o elo entre Deus e os homens, será Ela quem ligará a Terra a Deus. Que neste Natal envolto em borrascas que nos enche de apreensões, ilumine-se em nós uma lâmpada inextinguível, uma confiança plena de que Cristo reinará no mundo por meio de Maria.

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* Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ).

https://www.abim.inf.br/jesus-cristo-no-presepio-e-no-sacrario/


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domingo, 3 de maio de 2020

BISPOS OU SACERDOTES PODEM PROIBIR A COMUNHÃO NA BOCA? QUAL É A LEGISLAÇÃO DA IGREJA A RESPEITO?


3 de Maio de 2020
Concílio de Trento – Anônimo, séc. XVI. Museu do Louvre, Paris.

Padre David Francisquini
 Fonte: Revista Catolicismo, Nº 832, Abril/2020

Pergunta — Devido à ameaça de epidemia do coronavírus, o bispo da minha diocese impôs que a Sagrada Comunhão seja distribuída exclusivamente na mão dos fiéis, e não mais na boca. Chama-me a atenção que, no mesmo comunicado, proíbe-se o costumeiro aperto de mão na saudação da paz. Se o contato com a mão transmite o vírus, seria lógico proibir também a comunhão na mão, porque o padre poderia estar contaminado, não é? Essa contradição me leva a suspeitar que alguns bispos estejam querendo aproveitar a crise sanitária para tentar acabar com a distribuição da comunhão na boca, que é o modo tradicional. Há muitos anos sou “mal visto” por vários sacerdotes, por não receber a comunhão na mão, e tenho sido interpelado algumas vezes para “fazer como os demais”. Esses padres alegam que na Igreja primitiva se comungava desse jeito, e que o fato de não se permitir aos fiéis tocar na hóstia, como se fazia antes, estabelecia uma distinção excessiva entre os leigos e o clero, dando a entender que os padres eram virtuosos e os fiéis eram pecadores. Gostaria de saber se isso é verdade, e qual é a legislação da Igreja sobre a distribuição da comunhão.
Resposta — O Concílio de Trento declarou que o costume de o sacerdote celebrante comungar de suas próprias mãos, e depois distribuir a hóstia aos fiéis, é uma tradição apostólica (sess. 13, c. 8). São Basílio (330-379) informou que só era permitido receber a comunhão das próprias mãos em tempos de perseguição ou no caso dos monges do deserto — ou seja, quando não havia nem sacerdote nem diácono para dar a comunhão (Carta 93). Com a paz de Constantino essa exceção acabou, pois foi permitido à Igreja sair das catacumbas. Provavelmente isso era desrespeitado em alguns lugares e cometiam-se abusos, porque no ano 650 o Concílio de Rouen definiu: “Não coloques a Eucaristia nas mãos de um leigo ou de uma leiga, mas unicamente na sua boca”.
De fato, à medida que a Igreja foi tomando consciência de quão augusto é o tesouro que Nosso Senhor lhe deixou com o Sacramento da Eucaristia — seu Corpo e Sangue realmente presentes nas espécies consagradas do pão e do vinho —, Ela foi aos poucos aperfeiçoando seu modo de celebrar a Missa, a assiduidade e o modo de distribuir a Sagrada Comunhão, assim como de conservar e transportar o Santíssimo Sacramento. Basta citar, por exemplo, que os primeiros cristãos celebravam a Missa no mesmo local da refeição fraterna que tomavam em comum (ágape), e logo depois de terem comido. Ainda no século V, São Paulino de Nola testemunha a existência desse tipo de reuniões à mesa, não inteiramente separadas da celebração; e foi somente no segundo milênio que se tornou mais rígida a regra do jejum eucarístico prévio à recepção da Sagrada Comunhão.

Certeza da presença de Jesus na hóstia santa
Concomitantemente foi se impondo o costume de dar a comunhão na boca, pela certeza de que o Corpo de Nosso Senhor estava tão presente numa pequena fração quanto numa hóstia inteira, como belamente escreveu Santo Tomás de Aquino no hino Lauda Sion“Quando a hóstia é dividida, não vaciles, mas recorda que o Senhor encontra-se todo debaixo do fragmento, tanto quanto na hóstia inteira”. Ora, durante a distribuição da Sagrada Comunhão é frequente separarem-se da hóstia pequenos fragmentos, e é por isso que o coroinha deve sempre colocar a patena sob o queixo do comungante, a fim de recolher os fragmentos que eventualmente se desprendem da hóstia. Voltando ao altar, o sacerdote limpa a patena, derramando esses minúsculos fragmentos dentro do cálice a ser purificado mediante as abluções.
Essa consciência crescente da presença miraculosa de Jesus na hóstia, e da necessidade de recebê-Lo com a reverência devida, levou também a Igreja a impor aos fiéis recebê-Lo de joelhos, em sinal de adoração. É um sinal exterior para prestar-Lhe homenagem e saudá-Lo com o nosso corpo, num gesto de humildade. A recepção na boca é também um sinal de infância espiritual, pois da mesma forma que as crianças abrem a boca para receber o alimento, abrimos a boca para receber da mão do sacerdote o nosso alimento espiritual. E o sacerdote celebra a Missa “in persona Christi”, ou seja, ao celebrar, assume a própria pessoa de Cristo. Esses gestos de humilhação se fazem, portanto, diante do próprio Deus; e longe de rebaixar, engrandecem quem os pratica, porque são atos de adoração e de reverência a Deus.
Cumprir com santo zelo os deveres religiosos
O inexplicável é que, depois do Concílio 
Vaticano II, a comunhão na mão e outros 
modos de proceder protestante tenham 
começado a se infiltrar na Igreja 
Católica.

No século VI, na Igreja de Roma, a santa hóstia já era depositada diretamente na boca dos fiéis, segundo o testemunho de São Gregório Magno ao contar um milagre de Santo Agapito (Diálogos, livro 3°). E foi na Idade Média que se generalizou a recepção de joelhos, como afirma São Columbano, monge irlandês que cristianizou os escoceses.
A partir da Idade Média, os fiéis tiraram grande proveito espiritual desses gestos de reverência diante das espécies eucarísticas. Basta pensar na instituição da festa de Corpus Christi pelo Papa Urbano IV, em 1264. O primeiro grande fruto desse aperfeiçoamento no trato da Eucaristia foi o aumento da fé na Presença Real de Nosso Senhor no pão e no vinho consagrados, que se transformam no Corpo e no Sangue do Salvador. O segundo grande fruto foi o aumento da piedade, sendo reconhecido que a perfeição da virtude da religião produz nas almas um afeto filial para com Deus e uma terna devoção às Pessoas divinas, aos santos, à Igreja, às Sagradas Escrituras, etc., levando-as a cumprir com santo zelo os deveres religiosos.
Infiltração de costumes protestantes na Igreja
Esse movimento de fervor foi crescendo na Igreja Católica ao longo dos séculos e marcadamente a partir do século XVI em oposição às heresias de Lutero e seus sequazes.
Todas as seitas protestantes negam a transubstanciação, ou seja, negam que o pão e o vinho tornam-se o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor, perdendo sua substância e ficando deles somente os acidentes. Algumas seitas dizem que a presença de Cristo é apenas espiritual, enquanto outras sustentam que, durante a cerimônia, seu Corpo e Sangue se unem à matéria das espécies, mas a substância do pão e do vinho permanece íntegra. Negam também o caráter de sacrifício da Santa Missa; e como consequência, negam o sacerdócio como uma ordem sagrada para realizar o sacrifício in persona Christi. Daí a equiparação dos fiéis aos pastores, que são meros pregadores.
O resultado da disseminação dessas heresias foi a transformação do altar numa mesa, colocada na frente ou no meio dos participantes, e o fazerem uma fila para ir pegar eles mesmos com a mão o pão e o vinho diretamente sobre a mesa. Na óptica herética deles, tudo isso se explica porque o culto é principalmente uma pregação; e a “comunhão” é simplesmente partilhar um pão e vinho não transubstanciados onde haveria uma vaga presença espiritual de Cristo.
O inexplicável é que, depois do Concílio Vaticano II, muito desse modo de proceder protestante tenha começado a se infiltrar na Igreja Católica.
O documento crucial para o abandono da maneira tradicional de receber a Comunhão foi a Instrução Memoriale Domini, publicada pela Sagrada Congregação para o Culto divino em 29 de maio de 1969. Ela explicava que um número reduzido de bispos havia pedido a admissão da comunhão na mão; mas, tendo sido interrogados todos os bispos do mundo pelo Papa Paulo VI, apenas um quarto deles aprovaram essa novidade.
A Instrução acrescentava que, em consequência do que se disse acima, “o Santo Padre decidiu não mudar a forma existente de administrar a Sagrada Comunhão aos fiéis”. Porém aduzia duas linhas adiante: “Onde um uso contrário, o de colocar a Sagrada Comunhão nas mãos prevalece”(?!)as Conferências episcopais devem avaliar “qualquer circunstância especial que possa existir”, e “devem tomar quaisquer decisões” para “regular as situações” (ou seja, regularizar os abusos!).
O caráter insincero da Instrução ficou claro numa nota anexa, na qual se dizia que “o rito da comunhão nas mãos deve ser introduzido com discernimento”, “gradualmente”, “começando com grupos mais instruídos e mais bem preparados” por meio de “uma adequada catequese” que “prepare o caminho”.
Como se tratava apenas de um indulto, as Conferências episcopais deviam aprovar uma resolução por maioria de 2/3, fazendo um pedido à Santa Sé. A imensa maioria acabou introduzindo essa forma de distribuição, de maneira que se tornou o costume prevalente na Igreja latina nos cinco continentes.
A formulação mais recente da legalização dessa anomalia é contida na Instrução Geral do Missal Romano de 2002: “Não é permitido que os próprios fiéis tomem, por si mesmos, o pão consagrado nem o cálice sagrado, e menos ainda que o passem entre si, de mão em mão. Os fiéis comungam de joelhos ou de pé, segundo a determinação da Conferência Episcopal. Quando comungam de pé, recomenda-se que, antes de receberem o Sacramento, façam a devida reverência, estabelecida pelas mesmas normas”. E mais adiante: “Se a Comunhão for distribuída unicamente sob a espécie do pão, o sacerdote levanta um pouco a hóstia e, mostrando-a a cada um dos comungantes, diz: O Corpo de Cristo ou Corpus Christi. O comungante responde: Amém, e recebe o Sacramento na boca; ou, onde for permitido, na mão, conforme preferir”.
A liberdade de escolha foi reiterada pela Congregação para o Culto divino em sua Instrução Redemptionis Sacramentum, de 2004, a qual diz, de maneira assaz enviesada: “Ainda que todo fiel tenha sempre direito a escolher se deseja receber a sagrada Comunhão na boca, se o que vai comungar quer receber na mão o Sacramento, nos lugares onde Conferência de Bispos o haja permitido, com a confirmação da Sé apostólica, deve-se administrar-lhe a sagrada hóstia”.
Argumentação contra a comunhão na mão

Dom Athanasius Schneider,bispo auxiliar de Astana (Cazaquistão)

Dois bispos se têm destacado nos esforços para eliminar o abuso da comunhão na mão, argumentando que um “indulto” foi transformado em regra geral; e os que respeitam a regra litúrgica passaram a ser tratados como indultados. Dom Juan Rodolfo Laise, recentemente falecido, proibiu a comunhão na mão em sua diocese de San Luis (Argentina); e Dom Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Astana (Cazaquistão), escreveu dois livros sobre o assunto e promoveu uma resolução de sua Conferência episcopal, proibindo a comunhão na mão em toda a região.
No livro Corpus Christi, a comunhão na mão no coração da crise da Igreja, Dom Schneider declara que em nossos dias essa prática é “a mais profunda laceração do Corpo Místico da Igreja de Cristo”, porque acarreta quatro consequências, cada qual mais grave que a outra:
● Minimiza os gestos de adoração visível;
● Nas crianças e nos adolescentes que não conheceram o modo tradicional de recepção, cria a ideia de que a Eucaristia é um alimento comum e apenas um símbolo;
● Permite perdas importantes de parcelas de hóstias, que caem por terra e são profanadas involuntariamente;
● Favorece o roubo de hóstias para atos sacrílegos.
Além do que foi exposto acima, pode-se ainda acrescentar algo a mais: é que essa prática leva os fiéis à indiferença e à perda da fé, pois aquelas mesmas mãos que depositaram o dinheiro na coleta vão tocar a hóstia consagrada. Aos poucos, isso induz a pessoa a colocar o dinheiro e a hóstia no mesmo nível, relativizando o valor infinito da Sagrada Eucaristia.
Devemos ressaltar que Nosso Senhor Jesus Cristo, realmente presente e em pessoa, é a vítima dessas quatro atitudes deploráveis.
Em resposta àqueles que dizem que a obrigação de receber a comunhão na boca violaria seus direitos de “cristão adulto”, Dom Athanasius contesta:
“Esses supostos direitos violam os direitos de Cristo, o único Santo, o Rei dos Reis: Ele tem o direito de receber a excelência das honras divinas, mesmo na pequena e santa hóstia. Todas as razões em favor da prática da comunhão em pé e na mão perdem toda consistência diante da gravidade da situação evidente de minimização do respeito e da sacralidade, diante do descuido pelas parcelas eucarísticas que caem por terra e diante do fenômeno crescente do roubo de hóstias consagradas.
“Acima de tudo, qualquer argumento em favor da manutenção da prática da comunhão na mão perde todo fundamento em consideração da diminuição (para não dizer desaparecimento) da integridade da fé católica na Presença Real e na transubstanciação. Tal prática moderna, que jamais existiu na Igreja sob essa forma exterior concreta, acaba incontestavelmente por enfraquecer a plenitude da fé católica na Eucaristia”.
A lição da aparição do Anjo aos pastorinhos de Fátima

O Anjo apareceu-nos pela 
terceira vez, trazendo na 
mão um cálice e sobre ele 
uma Hóstia, da qual 
caíam dentro do cálice 
algumas gotas de Sangue. 
[Foto: Frederico Viotti]

Como recurso de contraste salutar, convém lembrar a terceira aparição do anjo aos três pastorinhos de Fátima. De um lado ela nos mostra a reverência que se deve ter em relação à Sagrada Eucaristia; e de outro, o quanto Nosso Senhor é ofendido pelos sacrilégios. Eis o relato da Irmã Lúcia:
“O Anjo apareceu-nos pela terceira vez, trazendo na mão um cálice e sobre ele uma Hóstia, da qual caíam dentro do cálice algumas gotas de Sangue. Deixando o cálice e a Hóstia suspensos no ar, prostrou-se em terra e repetiu três vezes a oração: ‘Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação pelos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores’.
“Depois, levantando-se, tomou de novo nas mãos o cálice e a Hóstia e deu-me a Hóstia a mim; e o que continha o cálice, deu-o a beber à Jacinta e ao Francisco, dizendo ao mesmo tempo: ‘Tomai e bebei o Corpo e Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus’.
“De novo se prostrou em terra e repetiu conosco mais três vezes a mesma oração: ‘ Santíssima Trindade… etc’. E desapareceu”.
Peçamos a Nossa Senhora de Fátima que obtenha o quanto antes de seu divino Filho ser fechada na Igreja, que é o seu Corpo Místico, essa chaga da comunhão na mão, sintoma de tanta indiferença e causa de incontáveis ultrajes.

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