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sábado, 26 de fevereiro de 2022
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022
A CONSTITUIÇÃO DE PERNAS QUEBRADAS - José Sarney
Luís Maklouf, que escreveu um dos melhores livros para se entender a Constituição e explicar como ela teve uma vida até agora completamente híbrida e incoerente, começa o seu livro 1988: Segredos da Constituinte dizendo que é difícil e quase impossível contar uma história tantas vezes contada.
Seu livro é um conjunto de depoimentos dos constituintes
mais importantes, daqueles que a fizeram, escreveram e receberam a chuva de
lobistas e de seus interesses corporativos. Esse fato dá a noção de como foi
desorganizado o trabalho da Assembleia e como faltou a ela a capacidade de ter
uma visão de conjunto da Constituição.
O livro abre com as declarações do grande Afonso Arinos, um
dos maiores pensadores do Brasil, que afirmou: 'Nós estamos navegando na bruma,
estamos criando nosso próprio caminho no meio da névoa. Não temos aqueles
aparelhos que indicam que a névoa está para se dissipar ou que ela pode ser
vencida, como os aeronautas. Estamos sendo aeronautas a pé.' Afonso presidira a
Comissão de Estudos Constitucionais que Tancredo Neves prometera criar para
fazer um anteprojeto de constituição -, repetindo o papel de seu pai na famosa Comissão
do Itamaraty, que fez o anteprojeto da Carta de 1934.
Tudo isso pela relutância de Ulysses em aceitar oficialmente
o anteprojeto, a que afinal recorreram plagiando em momentos de escuridão. Mas
não só grandes nomes, como Afonso Arinos, constataram as dificuldades da
ausência de um anteprojeto. Gastone Righi, no momento da partida, constatou:
'Somos a figura do navio que zarpa de um porto sem ter plotada sua rota, sem
rumo estabelecido e sequer destino escolhido.' (Depoimento a Maklouf.)
Sem ideal nem rumo partiram para discutir do princípio ao
fim dos trabalhos o tempo do meu mandato, que era de seis anos e eu,
ingenuamente, achando que o efeito seria o mesmo da Constituição de 1946,
quando o Presidente Dutra, que tinha um mandato, como o meu, de seis anos,
abdicou de um e foi recebido como um gesto de grandeza. O meu gesto de abrir
mão de um ano de mandato foi considerado ambição, por uma Constituinte cheia de
candidatos à Presidência da República, a começar pelo Presidente Ulysses. E
criou-se a maior fake news de nossa História: de que meu mandato era de quatro
e eu consegui aumentar para cinco anos!?
Assim, os problemas que vivemos em mais de trinta anos de
existência da Constituição decorrem de sua falta de unidade e hibridez,
parlamentarista e presidencialista, de seu detalhismo e da ausência de um
objetivo comum, um foco de coerência. Perdemos uma oportunidade única: fazer
uma nova Carta que assegurasse novos tempos, inovadora e moderna, com o
objetivo de ver um grande futuro e não fosse uma lanterna na popa, olhando para
o passado.
A consequência é esta Constituição que já ensejou dois
processos de impeachment - quase três, pois o de Michel Temer chegou a ser
votado na Câmara dos Deputados - e é vista como de pernas quebradas.
Jornal O Estado do Maranhão, 26/09/2021
https://www.academia.org.br/artigos/constituicao-de-pernas-quebradas
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José Sarney - Sexto ocupante da Cadeira nº 38, eleito em 17
de julho de 1980, na sucessão de José Américo de Almeida e recebido em 6 de
novembro de 1980 pelo Acadêmico Josué Montello. Recebeu os Acadêmicos Marcos
Vinicios Vilaça e Affonso Arinos de Mello Franco.
* * *
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022
BICHOS – Cyro de Mattos *
Bichos
Cyro de Mattos
Isca
Quando vem à tona
como se arrisca.
Gambá
Com o seu spray
fedorento
afugenta o inimigo.
Leão
O elétrico no ar
até o vento corre.
Hiena
Gargalhada da fome
amedronta até a morte.
Procurado
Procura-se cão pequinês,
é algo fenomenal,
nunca fez pipi
na cama do casal.
Papagaio
De cadeia ao pé
Humanamente bêbado.
Paixão
Com tanta saudade
da bailarina foca,
o solitário camelo
foi morar no gelo.
Caranguejo
Falou tanto dos outros
que perdeu o pescoço
e caiu dentro do poço.
*Cyro de Mattos é ficcionista, poeta e ensaísta
* * *
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022
ITABUNA CENTENÁRIA UM POEMA: Gui Canta para Lou - Guillaume Apollinaire
GUI CANTA PARA LOU
Guillaume Apollinaire
Louzinha querida queria morrer num dia em que tivesses me
amado.
Queria ser bonito para que me amasses,
Queria ser forte para que me amasses,
Queria ser jovem jovem para que me amasses,
Queria que a guerra começasse outra vez para que me amasses,
Queria te agarrar para que me amasses,
Queria te dar palmadas no traseiro para que me amasses,
Queria te pisar para que me amasses,
Queria que fosses minha irmã para eu te amar incestuosamente,
Queria que fosses minha prima que nos amássemos desde
criança,
Queria que fosses o meu cavalo para eu te montar muito muito
tempo,
Queria que fosses meu coração para eu te sentir sempre em
mim,
Queria que fosses um menino e eu o teu preceptor,
Queria que fosses a noite para nos amarmos no escuro,
Queria que fosses a minha vida para eu existir só por ti,
Queria que fosses um obus boche para me matar de súbito amor.
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Guillaume Apollinaire
Escritor
Guillaume Apollinaire foi um escritor e crítico de arte francês, possivelmente o mais importante ativista cultural das vanguardas do início do século XX, conhecido particularmente por sua poesia ...
Nascimento: 26
de agosto de 1880, Roma,
Itália
Falecimento: 9
de novembro de 1918, Paris,
França
(Wikipédia)
* * *
A LITURGIA “NO ALTAR DA HIPOCRISIA”? – Luiz Sérgio Solimeo
O Papa João XXIII celebra Missa Solene na Basílica de São Pedro, no início dos anos 60
Luiz Sérgio Solimeo
No voo de volta a Roma após sua viagem ao Chipre e à Grécia,
em 6 de dezembro passado, respondendo a uma pergunta de jornalistas sobre a
renúncia do arcebispo de Paris, Dom Michel Aupetit, o Papa Francisco explicou:
“Eu aceitei a renúncia de Aupetit, não sobre o altar da
verdade, mas sobre o altar da hipocrisia. Era isto que eu queria dizer.”1
O Papa parece ter tomado a mesma atitude em relação à
liturgia tradicional da Igreja. De fato, apesar dos flagrantes absurdos
litúrgicos vistos nas celebrações do novo rito imposto à Igreja em 1969, tanto
ele quanto o Arcebispo Arthur Roche — o primeiro com o ‘Motu Proprio’ Traditiones
Custodes e o segundo com a Responsa ad dubia — restringiram
drasticamente a celebração da Missa tradicional.2
As razões dadas para tais medidas se resumem em “restaurar a
unidade litúrgica” e impor a aceitação das doutrinas do Concílio Vaticano II.
Abandono do “Altar da Verdade”
Ao deixar de reconhecer que a divisão entre os fiéis em
relação à liturgia se deu precisamente por causa da renúncia ao rito de
tradição apostólica e da imposição de um novo rito romano da Missa, sob a égide
do Concílio, abandonou-se “o altar da verdade”.
Antes dessa mudança, um católico podia viajar para quase
qualquer lugar do mundo e assistir à mesma Missa, na mesma língua universal da
Igreja, com as mesmas orações, paramentos e, sobretudo, com recolhimento.
O Papa Paulo VI celebra missa no Ritus Modernus imposto por ele. A “venerável tradição secular” do rito litúrgico da tradição apostólica estava abolida.
‘Ritus Modernus’ substitui ‘Ritus Romanus’
O liturgista alemão Monsenhor Klaus Gamber prefere
referir-se ao rito tradicional da Missa como Ritus Romanus, e chama
o novo rito do Papa Paulo VI de Ritus Modernus. Ele explica que é
impreciso e até incorreto chamar o rito romano tradicional de “Missa de São Pio
V” ou “Missa tridentina”. Escreve ele: “No sentido estrito, não há
‘Missa Tridentina’, pois, pelo menos na conclusão do Concílio de Trento, não
houve criação de um novo ordinário da Missa; e o ‘Missal de São Pio V’ nada
mais é do que o Missal da Cúria Romana, que havia visto a luz em Roma séculos
antes.”3
Paulo VI anuncia um “novo rito” da Missa
Em seu discurso de 26 de novembro de 1969, anunciando a
entrada em vigor na Itália (e, mais tarde, no mundo inteiro) da “Nova Missa”, o
Papa Paulo VI deixou claro que essa “novidade litúrgica” não
consistia em modificações litúrgicas superficiais, mas em uma mudança completa
no rito da Missa, à qual ele se referiu repetidamente com expressões como o
“novo rito da Missa,” ou simplesmente o “novo rito”:
“Mais uma vez queremos convidar suas almas a se voltarem
para a novidade litúrgica do novo rito da Missa,
que será estabelecido em nossas celebrações do Santo Sacrifício, a partir do
próximo domingo, primeiro domingo do Advento, 30 de novembro.” 4
Rompendo com a tradição da Igreja
Paulo VI reconhecia que, ao impor o seu “novo rito”, estava
rompendo com a tradição litúrgica da Igreja:
“Novo rito da Missa: é uma mudança em uma venerável
tradição secular e por isso toca no nosso patrimônio religioso
hereditário, que parecia ter de gozar de uma fixidez intangível e
dever trazer aos nossos lábios a oração de nossos antepassados e
nossos santos e nos dar o conforto de uma fidelidade ao
nosso passado espiritual, que tornamos atual para transmiti-lo às
gerações futuras. Compreendemos melhor nesta contingência o valor da
tradição histórica e da comunhão dos santos.”
Gravidade da ruptura
Essas afirmações de Paulo VI são tanto mais graves quanto o
Rito Romano (a “Missa Tridentina”) é de tradição apostólica.
Agora, romper com a tradição apostólica acarreta problemas teológicos
extremamente graves.
Mons. Klaus Gamber escreve: “Os papas observaram
repetidamente que o rito [da Missa] é fundado na tradição apostólica”.
Em nota, ele cita cartas dos papas Santo Inocêncio I (402-417) e Vigílio
(538-555), que fazem essa afirmação. E continua comentando as opiniões de
grandes teólogos do passado, como o Cardeal Caetano (+1534) e Suárez (+1617),
de que “um papa seria cismático ‘[…] se ele mudasse
todos os ritos litúrgicos da da
Igreja que foram confirmados pela tradição apostólica’.” 5
Monges cantando gregoriano (Iluminura medieval) – Girolamo da Milano chamado Maestro Olivetano, séc. XV.
Sacrificando o latim, o canto gregoriano e outros
tesouros
Tudo na Missa agora será diferente, acrescenta Paulo VI:
“Esta mudança toca na conduta cerimonial da missa; e
notaremos, talvez com algum desconforto, que as coisas no altar não
acontecem mais com aquela identidade de palavras e gestos a que
estávamos tão acostumados, que quase não prestávamos mais atenção neles.”
Paulo VI tinha bem ciência de que estava sacrificando o
latim, essa insubstituível “língua angélica” e outros
preciosos valores espirituais da Igreja:
“Aqui, é claro, será sentida a maior novidade: a da
língua. O latim não será mais a língua principal da missa, mas a língua falada.
Para quem conhece a beleza, o poder, a expressiva sacralidade do latim,
certamente a substituição pela língua vulgar é um grande sacrifício: perdemos
a linguagem dos séculos cristãos, nos tornamos quase intrusos e profanos no
recinto literário da expressão sagrada, e assim perderemos grande parte desse
maravilhoso e incomparável fato artístico e espiritual, que é o canto
gregoriano.” E prossegue:
“Temos, de fato, motivos para lamentar, quase nos
sentirmos perdidos. O que podemos colocar no lugar dessa língua
angélica? Estamos abrindo mão de algo de valor inestimável.”
Resposta humana banal e prosaica
O Pontífice faz esta pergunta óbvia:
“E por que razão? Que coisa vale mais do que esses
altíssimos valores da nossa Igreja?”
E responde:
“A resposta parece banal e prosaica, mas é válida, porque
é humana, porque é apostólica. O entendimento da oração vale mais do que as
roupas sedosas e vetustas com as quais ela foi regiamente vestida; a
participação do povo vale mais, deste povo moderno saturado de palavras claras
e inteligíveis, traduzíveis em sua conversa profana. Se a divina língua latina
mantivesse a infância, a juventude, o mundo do trabalho e dos negócios
segregados de nós, se ela fosse um diafragma opaco em vez de um cristal
transparente, nós, os pescadores de almas, faríamos bem em preservar para ela o
domínio exclusivo da oração e da conversação religiosa?”
Valeu a pena?
Passado
meio século, cabe perguntar: valeu a pena?
O “grande sacrifício” de abandonar “a
divina língua latina” e substituí-la pela “língua usada na
conversa profana” aproximou da Igreja as crianças, os jovens, “o
mundo do trabalho e dos negócios”?
Não. Aconteceu o contrário: as igrejas esvaziaram-se e
poucos católicos agora vão à missa.
As igrejas que se enchem aos domingos e dias santos de
guarda são precisamente aquelas onde se celebra a Missa segundo o Vetus
Ordo, em latim, e ressoa o canto gregoriano.
Na realidade, foram a banalidade e o prosaismo introduzidos
por Paulo VI na celebração da Missa que, em grande parte, afastaram os fiéis.
Conclui-se a obra demolidora iniciada por Paulo VI?
Em seu motu proprio Traditionis Custodes, de 16 de julho de 2021, e sua carta explicativa aos bispos, o Papa Francisco restringiu brutalmente e o máximo possível (com vistas a extinguir) a celebração da Santa Missa no rito tradicional, embora este seja de origem apostólica, como vimos.
A Responsa ad dubia da Congregação para o
Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, assinada pelo Arcebispo Arthur
Roche em 4 de dezembro de 2021, endureceu ainda mais as disposições já
draconianas do Motu Proprio Traditionis Custodes.
Ao travar sua guerra total contra a liturgia tradicional da
Missa, para destruir este monumento da piedade cristã, o Papa Francisco está
completando o trabalho de autodemolição da “venerável tradição
secular” do rito litúrgico da tradição apostólica.
Apelos foram inúteis
Na época, a notícia do abandono da liturgia tradicional
latina teve um impacto profundo não apenas nos católicos praticantes, mas
também nos não-católicos.
Em 1971, cinquenta intelectuais e artistas, entre católicos,
não-católicos e até judeus, enviaram ao Papa Paulo VI e tornaram público um
apelo implorando a manutenção da liturgia tradicional, como patrimônio da
humanidade.
Entre outras coisas, a Declaração de Acadêmicos,
Intelectuais e Artistas Vivendo na Inglaterra dizia:
“Se algum decreto sem sentido ordenasse a destruição
total ou parcial de basílicas ou catedrais, então obviamente seriam as pessoas
cultas — quaisquer que fossem suas crenças pessoais — que se levantariam
horrorizadas para se opor a tal possibilidade.
“Ora, o fato é que as basílicas e as catedrais foram
construídas para celebrar um rito que, até poucos meses atrás, constituía uma
tradição viva. Estamos nos referindo à Missa Católica Romana. No entanto, de
acordo com as últimas informações em Roma, há um plano para fazer desaparecer
essa Missa até o final do ano em curso…
“Não estamos neste momento considerando a experiência
religiosa ou espiritual de milhões de indivíduos. O rito em questão, em seu
magnífico texto latino, também inspirou uma série de realizações inestimáveis
nas artes — não apenas obras místicas, mas obras de poetas, filósofos,
músicos, arquitetos, pintores e escultores em todos os países e épocas. Assim,
pertence à cultura universal, bem como aos clérigos e cristãos formais.”6
Apelo dos cardeais
Ainda mais críticos do que esse apelo de intelectuais e
artistas, que entenderam bem o vínculo entre beleza e verdade, são os trabalhos
de teólogos, padres e leigos que mostram como a nova Missa se afastou do
Concílio de Trento e se aproximou do protestantismo.
Em junho de 1969, os cardeais Alfredo Ottaviani e Antonio
Bacci enviaram ao Papa Paulo VI uma carta de apresentação de um estudo
intitulado Breve exame crítico do Novus Ordo Missae. Sua
carta contém esta afirmação muito séria:
“O Novo Ordinário representa, tanto em seu todo como nos
detalhes, uma nova orientação teológica da Missa, diferente daquela que foi
formulada na Sessão XXII do Concílio de Trento. Os ‘Canons’ do rito,
definitivamente fixados naquele tempo, proporcionavam uma intransponível
barreira contra qualquer heresia dirigida contra a integridade do Mistério”.7
Exemplo da falta de sacralidade da missa no “novo rito”: na
paróquia da Natividade de Maria, em Aschaffenburg, Alemanha, no passado dia 3
de outubro. O pároco Markus Krauth celebrava oficialmente o Erntedankfest
alemão, a festa anual de ação de graças a Deus pela colheita. Mas decidiu
comemorá-la como Erdedankfest, substituindo a palavra “colheita” (Ernte) pela
palavra “terra” (Erde). O altar foi simbolicamente um monte de terra…
Missa sem sacralidade
O novo rito perdeu aquela sacralidade e mistério que o latim lhe dava, a reverência do sacerdote diante de Deus no altar, rezando em voz baixa, como se aniquilado diante da grandeza de servir como instrumento de Nosso Senhor Jesus Cristo para consagrar e imolar a Vítima divina em forma sacramental, renovando assim o Sacrifício do Calvário.
No “novo rito” de Paulo VI, a Missa tornou-se uma tagarelice
contínua, um diálogo constante e banal entre o celebrante e a assembleia,
sugerindo que os fiéis concelebram com o sacerdote. Ele põe tanta ênfase na
assembleia, que o Pe. Joseph de Sainte-Marie, O.C.D., observou que “ao
absolutizar esse aspecto comunitário”, a nova Missa “levou ao
antropocentrismo, [com] a assembleia celebrando-se a si mesma”.8
Não é de admirar, então, que tenha havido tantas aberrações
e absurdos na celebração da Missa de acordo com o Novus Ordo
Missae ao longo desses cinquenta anos.
____________
Notas:
- Viagem
Apostólica do Papa Francisco ao Chipre e à Grécia (2-6 de dezembro de
2021). Coletiva de Imprensa durante o voo de retorno a Roma
(6-12-21). https://www.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2021/december/documents/20211206-grecia-volodiritorno.html. Acessado em 27-12-21.
- Ver:
Lettera Apostolica in forma di Motu «Proprio» del Sommo Pontefice
Francesco «Traditionis Custodes» Sull’uso della Liturgia Romana anteriore
alla Riforma del 1970. (16-7-21). https://www.vatican.va/content/francesco/it/motu_proprio/documents/20210716-motu-proprio-traditionis-custodes.html; Lettera del Santo Padre
Francesco ai Vescovi di tutto il Mondo per presentare il Motu Proprio
«Traditionis Custodes» Sull’uso Della Liturgia
RomanaAnteriore Alla Riforma Del 1970. Roma, 16-7-21; Congregazione per il
Culto Divino e la Disciplina dei Sacramenti. Responsa Ad Dubia su alcune
disposizioni della Lettera Apostolica in forma di «Motu Proprio»Traditionis
Custodes del
Sommo PonteficeFrancesco ai Presidenti delle Conferenze dei Vescovi. https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/ccdds/documents/rc_con_ccdds_doc_20211204_responsa-ad-dubia-tradizionis-custodes_it.html. Acessados em 27-12-21.
- Monsenhor
Klaus Gamber, The Reform of the Roman Liturgy: Its problems and
Background, (San Juan Capistrano, Califórnia: Una Voce Press;
Harrison, N.Y.: The Foundation for Catholic Reform, 1993), p. 23.
- Paolo
VI. Udienza Generale. Mercoledì, 26 novembre 1969. “Effusione degli animi
nella Assemblea Comunitaria, ricchezza del nuovo rito della Santa
Messa”. https://www.vatican.va/content/paul-vi/it/audiences/1969/documents/hf_p-vi_aud_19691126.html, acessado em 22-12-21
(Tradução nossa).
- Monsenhor
Klaus Gamber, op. cit., pp. 34-36 (grifo nosso), e nota 26. Ver também
Arnaldo Xavier da Silveira, Theological and Moral Implication of
the “Novus Ordo Missae”, (Cleveland, Ohio: Lumem Mariae Publications),
p. 258ss.
- “1971
Statement by Scholars, Intellectuals, and Artists Living in
England,” https://web.archive.org/web/20161020002716/http:/www.institute-christ-king.org/uploads/main/pdf/england– statement.pdf, acessado em
29-12-21.
- Carta
dos Cardeais Ottaviani e Bacci à Sua Santidade Papa Paulo VI. Roma, 25 de
setembro, 1969. https://pelafecatolica.com/2016/05/25/breve-exame-carta-cardeais-ottaviani-bacci/ (grifo nosso),
acessado em 12-01-22. O fato, sobre o qual há muita confusão, de que o
Cardeal Ottaviani tenha retirado seu nome dessa iniciativa não altera a
veracidade da afirmação. A crítica é comprovada pelo estudo que os
Cardeais encaminharam, e também por publicações de inúmeros autores como,
por exemplo, a de Arnaldo Xavier da Silveira, citada acima.
- P.
Joseph de Sainte-Marie, O.C.D., L’Eucharistie Salut du Monde, Ed.
Dominique Martin Morin (Paris: Les Éditions du Cèdre, 1982), p. 134.
(Tradução nossa).
https://www.abim.inf.br/a-liturgia-no-altar-da-hipocrisia/
domingo, 20 de fevereiro de 2022
PALAVRA DA SALVAÇÃO (256)
7º Domingo do Tempo Comum – 20/02//202
Anúncio do Evangelho (Lc 6,27-38)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Lucas.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “A vós,
que me escutais, eu digo: Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos
odeiam, bendizei os que vos amaldiçoam, e rezai por aqueles que vos
caluniam.
Se alguém te der uma bofetada numa face, oferece também a
outra. Se alguém te tomar o manto, deixa-o levar também a túnica.
Dá a quem te pedir e, se alguém tirar o que é teu, não peças
que o devolva. O que vós desejais que os outros vos façam, fazei-o também
vós a eles.
Se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa
tereis? Até os pecadores amam aqueles que os amam.
E se fazeis o bem somente aos que vos fazem o bem, que
recompensa tereis? Até os pecadores fazem assim.
E se emprestais somente àqueles de quem esperais receber,
que recompensa tereis? Até os pecadores emprestam aos pecadores, para receber
de volta a mesma quantia.
Ao contrário, amai os vossos inimigos, fazei o bem e
emprestai sem esperar coisa alguma em troca. Então, a vossa recompensa será
grande, e sereis filhos do Altíssimo, porque Deus é bondoso também para com os
ingratos e os maus. Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é
misericordioso.
Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não
sereis condenados; perdoai e sereis perdoados. Dai e vos será dado. Uma
boa medida, calcada, sacudida, transbordante será colocada no vosso colo;
porque, com a mesma medida com que medirdes os outros, vós também sereis
medidos”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
http://liturgia.cancaonova.com/pb/
---
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe.
Donizete Ferreira – Comunidade Canção Nova:
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“Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é
misericordioso” (Lc 6,36)
O Evangelho deste 7º domingo do Tempo comum nos situa diante
desta convicção: Deus é Misericórdia e nossa vocação cristã é viver
misericordiosamente.
Em sua misericórdia, Deus sempre nos surpreende,
sempre excede nossas estreitas expectativas, para abrir caminho a partir de
nossas fragilidades. Só o amor misericordioso de Deus nos
reconstrói por dentro, destrava nosso coração e nos move em direção a
horizontes maiores de busca, responsabilidade e compromisso.
Duas razões que deveriam estar presentes em quem se diz
cristão, algo tão natural no seguimento de Jesus Cristo: alegria pela
experiência de que Deus nos ama com um coração misericordioso e misericórdia como
conduta libertadora que nasce de tal experiência. Aqui nos encontramos
envolvidos por uma mensagem que é essencial e decisiva no nosso “ser cristão”.
Ser misericordiosos e compassivos é a vocação à qual todos
nós, seres humanos, fomos chamados, inclusive aqueles que ainda não
experimentaram o dom da fé ou mesmo a esvaziaram. É o caminho para conseguir
uma convivência leve, acolhedora e aberta. As Bem-aventuranças vão nesta
direção, abrindo espaço para que o Amor misericordioso de Deus se transforme em
motor da história.
Misericórdia. É a primeira, a última, a única verdade
na Igreja, em todas as suas doutrinas, cânones e ritos. É o “atributo primeiro”
de Deus proclamado por todas as religiões e que deve inspirar o modo de
proceder de todo ser humano. E, - por que não dizer? -, também no campo da
política ou da gestão da vida pública com todas as suas instituições, partidos,
programas e conferências climáticas. Ai das políticas sem entranhas, sem alma,
sem misericórdia!
A misericórdia é a luz e a chave de nossa vida,
tão preciosa e frágil, de nosso pequeno planeta tão vulnerável, do universo
imenso e interrelacionado e do qual fazemos parte.
Misericórdia, segundo sua etimologia, significa
“entranha”, coração, ternura diante da fragilidade e miséria do outro. Por isso
é um dos nomes mais belos de Deus; é o mesmo que dizer “coração da Vida” e de
tudo quanto existe.
A força criativa da misericórdia de Deus põe em movimento os
grandes dinamismos de nossa vida; debaixo do modo paralisado e petrificado
de viver, existe uma possibilidade de vida nova nunca ativada.
Se recuperarmos as atitudes de misericórdia e compaixão,
teremos entrado na vivência essencial do Evangelho. O decisivo é que a Igreja
toda se deixe reger pelo “Princípio-Misericórdia”, sem ficar
reduzida simplesmente a somar “obras de misericórdia”.
A misericórdia é para os audazes e criativos,
capazes de revolucionar a existência com atitudes maduras de amor profético,
alargando espaços onde imperam somente a doutrina, os esquemas rígidos e as
retóricas de poder e de juízo daqueles que não se deixam conduzir pela força
humanizadora da mesma Misericórdia.
À imagem do Deus de Misericórdia fomos criados, e
somos seres capazes e necessitados de misericórdia. Uma faísca da misericórdia
Deus está presente no interior de cada ser humano, pálido reflexo dessa “forma
suprema de ternura” que é o Amor de Deus, que rompe as distâncias e se aproxima
da realidade humana como Ternura amorosa. Ou seja, se Deus não se revelasse
como “misericórdia”, não poderia ser amado pela pessoa humana como se
ama o pai ou a mãe.
Deus misericordioso nos educa e nos impulsiona a viver
misericordiosamente. Sua misericórdia penetra até o mais profundo de nosso ser,
individual e comunitário, para que pensemos, falemos, escutemos e atuemos
misericordiosamente. “Oxalá vos sintais sempre misericordiados, para
serdes, por sua vez, miseri-cordiosos” (Papa Francisco).
No princípio era a Misericórdia. Por ela fomos
criados. Foi um ato de Misericórdia que nos deu vida. A Misericórdia
é sempre geradora de vida. A Misericórdia é o Amor que vai além
da justiça, e vir à vida foi fruto de Amor em excesso,
não um ato de justiça.
Fomos criados por um coração misericordioso, fomos
feitos por mãos misericordiosas, pensados por uma mente
misericordiosa. Vivemos imersos na Misericórdia.
Se Deus não fosse misericordioso, não teríamos jamais
existido; e se essa Misericórdia existe desde o princípio do nosso
viver, ela ainda agora é fonte de vida, graça da qual temos continuamente necessidade
e que constantemente está agindo em nós para alimentar o impulso da
reconciliação com tudo e todos.
A misericórdia constitui a resposta de Deus à
indigência do ser humano: ela destrava a vida, potencializa o dinamismo do
“mais” e o coloca em movimento em direção a um amplo horizonte de
sentido.
O teólogo Jon Sobrino formulou a expressão “princípio-misericórdia”, porque
a misericórdia foi a que moveu toda a ação de Deus no AT e de Jesus no NT.
Jesus realizou muitas coisas e em muitos lugares (ensinou,
curou, denunciou, alimentou, dialogou, etc.), mas a misericórdia foi a que
inspirou e moveu tudo em sua vida e ação. Sentiu profundamente o sofrimento das
pessoas, preocupando-se sempre em aliviar sua dor. Mas é preciso destacar, no
entanto, que Jesus não se limitou à esfera do privado, mas estendeu a
misericórdia a dimensões coletivas e públicas: repartiu o alimento a uma
multidão, interpelou os ricos, pregou às massas e as alentou, denunciou os
abusos das autoridades religiosas e políticas, entrou em conflito com os
manipuladores da religião do Templo...
De acordo com o Evangelho deste domingo, só quem entra no
fluxo do “princípio Misericórdia”, será capaz de amar até os inimigos, de
quebrar o círculo de toda violência, de bem-dizer quem amaldiçoa e rezar pelos
que caluniam. Assim, a misericórdia, recebida e experimentada, é a
base da atitude compassiva, não como ato ocasional mas como estilo de vida evangélico.
Torna-se o fundamento e a perene inspiração de uma existência de partilha e solidariedade.
“Ser humano” é, para Jesus, agir com misericórdia; do
contrário, fica viciada na raiz a essência do humano, como acontece com aqueles
que fazem da lei e da doutrina o centro de suas vidas, “passando do outro lado”
da dor e da exclusão do outro.
A misericórdia, como estilo-de-vida cristã, é
força oblativa que rompe distâncias e faz “morada no outro”.
Ela se constitui como uma “caridade-em-ação” perante
o sofrimento alheio, numa atitude fundamental de solidariedade. É
a ternura que se traduz em atos em favor da vida e não da
morte.
Ela nos descentraliza e nos coloca no caminho do
co-irmão, sobretudo daquele mais fragilizado e excluído.
É a misericórdia que desperta em nós uma nova
sensibilidade a partir do outro, almejando com todas as forças
aquilo que é o melhor para ele.
Trata-se de uma “escuta existencial” feita de
profundo respeito pela alteridade do irmão. Não pretende que o outro se amolde
à nossa maneira de ver ou sentir, mas deixa o outro ser
profundamente ele mesmo.
Assim lançamos a base para um autêntico encontro fraterno,
inspirando-nos na própria atitude de Jesus para com as pessoas. Abrimo-nos
por dentro para captar o diferente do outro e acolhê-lo com
o coração.
Texto bíblico: Lc 6,27-38
Na oração: A experiência da oração implica
escancarar as portas de nossa interioridade, abrindo passagem para que a
Misericórdia divina transite com liberdade pelos recantos escondidos e
sombrios, ativando e despertando dinamismos e recursos que ainda não tiveram
oportunidade de se expressar.
- O atual contexto social-político-cultural-religioso revela
sua terrível face desumanizadora, através da cultura do ódio, da intolerância,
das mentiras... Como você, seguidor(a) de Jesus, tem reagido diante disso? Sua
presença tem a marca da misericórdia ou da indiferença? Está a serviço da vida
ou da morte?...
Pe. Adroaldo Palaoro sj
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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022
ITABUNA CENTENÁRIA UM SONETO: Saudade - Ciro Vieira da Cunha
SAUDADE
Saudade! o teu olhar longo e macio
Derramando doçura em meu olhar...
Um bocado de sol sentindo frio,
Uma estrela vestida de luar...
Saudade! um pobre beijo fugidio
Que tanto quis e não cheguei a dar...
A mansidão inédita de um rio
Na volúpia satânica do mar...
Saudade! o nosso amor... o teu afago...
O meu carinho... o teu olhar tão lindo...
Um pedaço de céu dentro de um lago...
Saudade! um lenço branco me acenando...
Uma vontade de chorar sorrindo,
Uma vontade de sorrir chorando!...
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CIRO VIEIRA DA CUNHA
Nasceu na capital de São Paulo, em 1º de junho de 1897. Publicou: Pontos de química fisiológica, em colaboração com Alberto Moreira (1918); Contra o alcoolismo no Brasil (1922); O dialeto brasileiro, tese para a cátedra de Português da Escola Normal Pedro II (Vitória, 1933); Espera inútil (1933); Oração de paraninfo (1937); Alguma poesia (1942); Sinfonia das ruas de Vitória (versos, em parceria,1943); Chuva de rosas (1947); No tempo de Paula Nei (Prêmio Carlos Laet da Academia Brasileira de Letras,1950); O cadete 308 (1956); No tempo de José do Patrocínio (1960); Memórias de um médico da roça (1956); Arte de colar (1970); Guia de civismo (em colaboração com Terezinha Saraiva,1972). Foi autor do hino da cidade de Vitória. Teve trabalhos inseridos em várias antologias. Faleceu no Rio de Janeiro, em 26 de junho de 1976.
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