Santa Casa de Misericórdia
Cyro de Mattos
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Cyro de Mattos é escritor e poeta. Membro Titular da
Academia de Letras da Bahia e do Pen Clube do Brasil. Primeiro Doutor Honoris
Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz.
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Santa Casa de Misericórdia
Cyro de Mattos
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Cyro de Mattos é escritor e poeta. Membro Titular da
Academia de Letras da Bahia e do Pen Clube do Brasil. Primeiro Doutor Honoris
Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz.
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Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo | Domingo, 21/11/2021
Anúncio do Evangelho (Jo 18,33b-37)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós!
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
João.
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, Pilatos chamou Jesus e perguntou-lhe:
“Tu és o rei dos judeus?” Jesus respondeu: “Estás dizendo isto por ti
mesmo ou outros te disseram isto de mim?”
Pilatos falou: “Por acaso sou judeu? O teu povo e os sumos
sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste?”
Jesus respondeu: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu
reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse
entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui”.
Pilatos disse a Jesus: “Então tu és rei?”
Jesus respondeu: “Tu o dizes: eu sou rei. Eu nasci e vim ao
mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade
escuta a minha voz”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
http://liturgia.cancaonova.com/pb/
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Ligue o vídeo abaixo, e acompanhe a reflexão de Dom Sérgio
Aparecido – Bispo da Diocese de Bragança Paulista SP:
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VOCÊ NASCEU PARA SER REI
João 18,33-37
É muito
importante que tenhamos uma pequena ideia do momento e do porquê desta festa
ter sido instituída. Era Pio XI em 1925, quando a Igreja perdia o seu poder e o
seu prestígio assolado pela modernidade. COM ESTA FESTA, foi feita uma
tentativa de recuperar o terreno perdido para um mundo secular, laicista e
descrente. A ENCÍCLICA DÁ AS RAZÕES PARA INSTITUIR A FESTA: “RECUPERAR O REINO
DE CRISTO E DA SUA IGREJA”. Para um papa daquela época, era inaceitável que as
nações fizessem suas leis fora da Igreja.
É uma grande alegria e
esperança para mim descobrir numa homilia nesta festa do Papa Francisco uma
visão muito mais conforme com o evangelho. pio XI fala em recuperar o poder de
Cristo e de sua Igreja. o papa Francisco fala repetidamente de Jesus e a sua
igreja se colocando a serviço dos mais desfavorecidos. Não se trata de uma
mudança de linguagem, mas de uma superação da IDEIA DE PODER em que a igreja
viveu durante tantos séculos. A mudança deve ser aceita e promovida por todos
os cristãos.
O contexto do evangelho, que
lemos, é o julgamento perante Pilatos, após as negações de Pedro, onde fica
claro que Pedro não era rei de si mesmo nem sincero. É muito improvável que o
diálogo seja histórico, mas está nos transmitindo o que comunidade muito
avançada dos finais do século I (100anos após a morte de Jesus) PENSAVA SOBRE
JESUS. Duas breves frases colocadas na boca de Jesus podem nos dar o fio
condutor para a reflexão: “o meu Reino não é deste mundo” e “para isso vim,
para ser testemunha da verdade”.
O que significa um Reino
que não é deste mundo? É uma expressão que não podemos "compreender" por
que todos os conceitos que podemos usar são deste mundo. O que nós, cristãos,
pensamos quando, depois dessas palavras, nomeamos Cristo Rei, não apenas do
mundo, mas do universo? com o evangelho em mãos, é muito difícil justificar o
poder absoluto que a igreja exerceu durante séculos.
Talvez possamos
encontrar uma pista na outra frase: "Vim para testemunhar a verdade."
Mas somente se não entendermos a VERDADE como verdade lógica (adequação de uma
formulação racional à realidade), mas sim como verdade ontológica, isto é, como
a adaptação de um ser ao que deveria ser de acordo com sua natureza. Jesus
sendo autêntico, sendo verdadeiro, é o verdadeiro Rei. mas o que o seu
verdadeiro ser (Deus) lhe pede é que se ponha a serviço de todos os que dele
precisam, não impor nada aos outros.
Não se trata
de morrer para defender uma doutrina. É sobre morrer pelo homem. Trata-se de
testemunhar o que o homem é em sua verdadeira realidade. O “Filho do homem” (o
único título que Jesus aplica a si mesmo), nos dá a chave para entender o que
ele pensava de si mesmo. Ele se considera o homem autêntico, o modelo de homem,
o homem acabado, o homem verdadeiro. Sua intenção é que todos se identifiquem
com ele. Jesus é a referência para quem deseja manifestar a verdadeira
qualidade humana.
Pilatos leva Jesus
para fora, após ser açoitado, e diz à multidão: "Este é o homem". Jesus
não é apenas o modelo do homem e exige que seus seguidores correspondam ao
modelo que veem nele. JESUS DIZ SOU REI, ELE NÃO DIZ EU SOU O REI. indicando
assim que todo aquele que se identifica com ele também será rei. essa é a meta
que deus deseja para todos os seres humanos. Rei do poder, só pode haver um.
REIS SERVIDORES DEVEMOS SER TODOS. Não se trata de um homem reinando sobre
outro, mas de um Reino onde todos se sentem reis.
Quando os hebreus
(nômades) entram em contato com as pessoas que viviam nas cidades, descobrem as
vantagens daquela estrutura social e pedem a Deus um rei. Os profetas
interpretaram isso como uma traição (o único rei de Israel é Deus). O rei era
quem cuidava de uma cidade ou de um pequeno grupo de vilas. Ele era o
responsável pela ordem; Ele os defendia dos inimigos, cuidava da comida, fazia
justiça... o Messias esperado sempre respondeu a esta dinâmica. os seguidores
de Jesus não aceitaram uma mudança tão radical.
Somente neste
contexto podemos entender a pregação de Jesus sobre o Reino de Deus. No
entanto, o conteúdo que ele oferece é mais profundo. No tempo de Jesus, o
futuro Reino de Deus era entendido como uma vitória do povo judeu sobre os
gentios e uma vitória dos bons sobre os maus. Jesus prega um reino de deus do
qual ninguém será excluído. o reino que jesus anuncia nada tem a ver com as
expectativas dos judeus da época. infelizmente, também não tem nada a ver com
as expectativas dos cristãos hoje. (belas igrejas e os pobres e oprimidos
relegados a um segundo plano)
Jesus, no deserto,
percebeu o poder como uma tentação: “Eu te darei todo o poder destes reinos e
sua glória”. Em João, após a multiplicação dos pães, a multidão quer
proclamá-lo rei, mas ele foge sozinho para a montanha. Toda a pregação de Jesus
gira em torno do "Reino"; mas não é seu reino, mas de Deus. Jesus
nunca se propôs como objeto de sua pregação. É um erro confundir o Reino de
Deus com o reino de Jesus. Maior disparate é querer
identificá-lo com a Igreja, que era o que pretendia esta festa.
A característica
fundamental do reino pregado por Jesus é que ele já está aqui, embora não se
identifique com as realidades do mundo. não devemos esperar por um tempo
escatológico, mas ele já começou. “Não se dirá, é aqui ou ali, porque vejam: o
reino de Deus está entre vocês. “Não se trata de preparar um reino para Deus, é
sobre um reino que é Deus. Quando dizemos
”a paz reina", não estamos dizendo que a paz tem reino, trata-se de
tornar deus presente entre nós, ser o que devemos ser.
Qualquer
conotação que o título tenha com PODER deturpa a mensagem de Jesus. uma coroa
de ouro na cabeça e um cetro de diamantes nas mãos são muito mais degradantes
do que a coroa de espinhos. Se não percebemos isso, estamos projetando nossos
próprios anseios de poder em Jesus. nem o "Deus todo-poderoso" nem o
"Cristo do grande poder" não têm absolutamente nada a ver com o Evangelho.
Jesus nos
disse: quem quiser ser o primeiro, seja o último e quem quiser ser grande, seja
servo. Esse desejo de identificar Jesus com poder e glória é uma forma de
justificar nosso desejo de poder. Nosso eu (ego), sustentado pela razão, não vê
futuro senão se potencializar ao máximo. Visto que não gostamos do que Jesus
diz, tentamos por todos os meios fazê-lo dizer o que nos interessa. Isso é o
que sempre fizemos com as Escrituras.
Meditação
Jesus está falando da autenticidade de seu ser. Falso é tudo o que parece ser o que não é. Ser verdade é ser o que somos, sem falsificá-lo.
O objetivo da sua vida é descobrir o seu VERDADEIRO EU
(imagem e semelhança de Deus) e manifestá-lo em todos os momentos.
FREI MARCOS
* * *
HINO À BANDEIRA
Letra de Olavo Bilac / Música de Francisco Braga
Salve, lindo pendão da esperança,
Salve, símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.
Contemplando teu vulto sagrado
Compreendemos o nosso dever
E o Brasil por seus filhos amado
Poderoso e feliz há de ser
Sobre a imensa Nação Brasileira
Nos momentos de festa ou de dor
Paira sempre, sagrada bandeira
Pavilhão de Justiça e Amor!
* * *
Abolição
Cyro de Mattos
Na zoeira do terreiro
batucam que batucam
tambores sem cambão.
Trepidam nesses punhos
o suor, a lágrima, o sangue
nos rastros do negro fujão.
Todos batem nesse tambor,
pode até não ser de fato
a tão esperada abolição.
Mas é o começo duma hora
que se faz tão grandiosa
como o verde na amplidão.
África agora é uma só
voz
na esperança das manhãs
sem o ferro do vilão.
Cyro de Mattos é jornalista, cronista, contista,
romancista, poeta e autor de livros para crianças. Membro efetivo da Academia
de Letras da Bahia, Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras de
Itabuna. Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz.
* * *
Quão ricos e tocantes se nos afiguram os ensinamentos do Nosso divino Redentor em forma de modelares parábolas. Bons tempos em que todos os brasileiros as conheciam das narrações feitas dos púlpitos das igrejas. Era a parábola do bom samaritano, a do semeador, a do joio e do trigo, a do grão de mostarda, a da rede lançada ao mar…
Em todas elas, com bonita narrativa sobre alguma ocorrência
do dia a dia ao alcance de seus discípulos, o Homem-Deus transmitia seus
ensinamentos sobre o Reino dos Céus. Referimo-nos à do grão de mostarda,
considerado no Evangelho como a menor das sementes, mas do qual Jesus Cristo
extraiu grande lição moral. Assim, a Boa Nova com suas parábolas desvendou a
verdade que ganhou o mundo e dominou toda a Terra.
Ao aludir à beleza da narração, referi-me à do trigo e do
joio, encontrada no capítulo 13 do livro de São Mateus. O inimigo lançou a
semente má, do joio, sobre a semeadura do trigo, e eles cresceram juntos,
indistintamente, causando confusão ao agricultor. Sabiamente, o dono da
plantação instruiu seus serviçais a esperarem até a colheita para fazer a
separação, atar em feixes o joio, levá-lo ao fogo e destinar ao celeiro a parte
boa, o trigo.
Na vida de todos os dias, quantas vezes nos deparamos com
situações semelhantes, em que não sabemos no quê, ou em quem confiar, já que as
palavras, as obras e os exemplos induzidos podem facilmente nos levar a fazer
escolhas erradas, sobretudo quando influenciados pela má propaganda que tudo
relativiza, estabelecendo meias verdades, tornando confusos os critérios de
alternativa entre o bem e o mal, entre a justiça e o erro.
Assim, ao longo dos séculos, foram surgindo inúmeros
heresiarcas revestidos de pele de cordeiro, com seus engodos maquiavélicos,
extraviando do rebanho santo um número incontável de almas, ora disfarçando a
falsa doutrina que pregavam, ora desviando as consciências do seu reto pensar e
agir, ora levando multidões ao descaminho com ensinamentos diferentes daqueles
que sempre ensinou a Santa Igreja. Por isso mesmo, uma grande denúncia foi
registrada em documento pontifício, a Encíclica Pascendi, do Papa São Pio
X.
Em sua denúncia, o santo Pontífice alertava o mundo católico
para a atuação do inimigo oculto no próprio seio da Santa Igreja. Clérigos e
leigos que pregavam, sem embasamento sério, uma reforma que procurava desfazer
de tudo o que havia de mais santo, não poupando sequer a pessoa divina do
Fundador, a Ele mesmo se referindo como um simples homem. Assim, a perniciosa
trama do progressismo, que naquele tempo se denominava modernismo, foi
classificada pelo Papa como a pior de todas as heresias.
Já 1846, em La Salette, Nossa Senhora, entre lágrimas,
revelara a duas crianças que essa seria a pior crise de todos os tempos. Mais
recentemente, esses revolucionários conspiradores, através de movimentos
culturais, infiltraram-se nos meios universitários e intelectuais, a fim de
colocar em prática os ensinamentos de Antonio Gramsci, o comunista finório que
visou conquistar as mentes.
É doloroso afirmar, mas quem em nossos dias não viu e não vê
que nos meios católicos a cizânia penetrou de modo surpreendente, fazendo uma
devastação dos valores perenes do Santo Evangelho em favor do comunismo internacional?
Já não é de hoje que sistematicamente a infiltração do esquerdismo nos meios
católicos vem ocupando lugar de destaque na direção dos rumos da Igreja.
Ela, que há dois milênios combatia primorosamente as
heresias utilizando aquilo que lhe é próprio, ou seja, a pregação e os
ensinamentos emanados da apologética de grandes santos teólogos, cuja pena nos
legou valiosíssimos tratados teológicos de grande profundidade e perfeita
clareza de raciocínio. Santo Agostinho, figura de excelência entre esses luminares,
pregava o uso da razão, da argumentação fundamentada na boa doutrina.
Entretanto, é difícil explicar a ação do mistério da
iniquidade que hoje assola a sociedade como um todo. Chega-se a um ponto em que
o pecado alcança grande vulto e assume uma perversidade sem medidas, visando
atingir todos os homens sem exceção, a fim de corrompê-los em todas as
manifestações de sua personalidade, tanto individuais quanto sociais,
políticas, e mesmo religiosas.
Com efeito, vivemos um trágico momento, amargamos uma
situação da mais completa escuridão intelectual e espiritual, resultante de um
processo iniciado há séculos, quando se tramou a marcha paulatina do
desfazimento da sociedade moldada nos ensinamentos do Evangelho, cujos
vestígios hoje apenas se vislumbram.
Essa conspiração do mal exige reação enérgica e eficaz das
forças vivas da sociedade que ainda teimam em subsistir, denunciando em todas
as ocasiões oportunas os planos dos inimigos da fé católica. Invoquemos, pois,
Nossa Senhora Aparecida, para que venha em nosso auxílio com a coorte de Anjos
de quem é igualmente Rainha.
Façamos a nossa parte, que na verdade não passará muito do
tamanho de um grão de mostarda, mas que posto na terra e regado pela Mãe de
Deus poderá se transformar num carvalho.
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*Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria –
Cardoso Moreira (RJ).
https://www.abim.inf.br/como-enfrentar-as-crises/
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