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terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

TE ESTREMECES POR EL LOBO Y EL CORDERO - Alfredo Pérez Alencart



TE ESTREMECES POR EL LOBO Y EL CORDERO                                    

Alfredo Pérez Alencart *


 

Te estremeces por el lobo y al cordero.

Amas ultrahumanamente, sin límites, como la música

del universo. Oh profunda sinfonía forjando

lo sagrado de principio a fin, alto asidero donde sobrepuja

la esperanza. Oh sucesión eterna que desatas

unisonancias, instintos trajinando hacia el magma

de lo trascendente, de la cadencia absolutoria

concebida compartiendo a ultranza las aguas profundas

y las hondas delicias de un contravuelo angélico

que se abroquela para recibir al Viento más feraz.

Siempreviva estás, trashumante presencia.

Te hospedas en la Luz que no aniquilan los ocasos.

Estando sin estar, eres evidencia,

cerebro verbal resaltando chispas de pureza,

latidos sin cautiverio, ciertísimo llamado de traslación

más allá de anhelos y desveladas ensoñaciones.

Pertenencia al páramo del Desprendido de sí,

a su oculto ritmo, a su lenta llama venturosamente

extemporal, cual indescifrable alianza.

Pertenencia al portal de los testigos,

al presagio de otro Reino, al aliento acrisolado

cual plenitud donde prospera lo sublime.

Pertenencia al verbo de una estrella.

Pertenencia al llagado cuerpo de doliente ternura.

Pertenencia al ala que se desvanece por los aires.

Pertenencia al linaje que acopia inocencias de siete en siete.

Te perpetúas en la antelación de la alegría

y asciendes, porque tu Unidad sabe la fórmula

de diásporas y deslumbramientos.

Clamas por tu orfandad. Clamas contra látigos agresivos,

fraternizando con los perseguidos, abrazándoles,

compartiéndoles la realidad que hay en los milagros.

Nada te desmide,

Criatura de nombre hermosamente pronunciado,

piel consumante, contorno que se aviene a penetrar

en frondas de cálido renacer.

Mantienes el don de ser el antes y el después,

lámpara alumbrando los vuelos breves del pájaro, su sombra

en la alta noche del abismo.

Conduces los fervores hacia el alba adolescente,

pulsas con tu estatura de Árbol de vida, riegas violetas

con el cause de tus transpiraciones.

¡Horizontal ejemplo el de las manos extendidas,

el del pulso que sustenta! ¡Belleza de la Forma en el paisaje!

¡Oh Dios, qué desnudo afán el de este Amor

avanzando eterno, dándose así, tan pródigo!

 

¿Qué savias vas donando?, ¿qué otras luciérnagas te rondan?


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Te Agitas pelo Lobo e o Cordeiro

Poema de Alfredo Pérez Alencart

Tradução de Cláudio Aguiar*

 

Te estremeces pelo lobo e pelo cordeiro.

Amas de forma ultra-humana, sem limites, como a música

do universo. Oh profunda sinfonia forjando

o sagrado do começo ao fim, alto pretexto onde domina

a esperança. Oh sucessão eterna que desencadeias

assonâncias, instintos laborando rumo ao magma

do transcendente, da cadência absoluta

concebida com o compartilhamento das águas profundas

e das saborosas delícias de um contravoo angelical

acomodadas para suportar o Vento mais copioso.

Estarás como a sempre-viva, qual presença transumante.

Ficarás na luz que não mata o pôr do sol.

Estando sem estar, tu eres evidência,

cérebro verbal destacando faíscas de pureza,

pulsações sem cativeiro, correta chamada de translação

além de anseios e de desvelados sonhos.

Pertencias ao terreno do Despretensioso,

ao seu ritmo oculto, à sua chama lenta, felizmente

extemporânea, qual aliança indecifrável.

Pertencias ao portal das testemunhas,

para profecia de outro Reino, ao refinado alento,

cuja plenitude reside onde floresce o sublime.

Integravas o verbo de uma estrela.

Pertencias ao corpo ferido de ternura sofredora.

Pertencendo à asa que desaparece pelos ares.

Pertencias à linhagem que coleta inocências de sete em sete.

Te perpetuas na antecipação da alegria

e ascendes, porque tua Unidade conhece a fórmula

das diásporas e dos deslumbramentos.

Clamas por tua orfandade. Clamas contra chicotes agressivos,

confraternizando com os perseguidos, abraçando-os,

compartilhando com eles a realidade dos milagres.

Nada te rebaixa,

criatura de nome formosamente pronunciado,

pele aliciante, contorno para penetrar

em frondes de renascimento quente.

Tu manténs o dom de ser o antes e o depois,

lâmpada iluminando os breves voos do pássaro, sua sombra

na alta noite do abismo.

Conduzes os fervores rumo ao amanhecer adolescente,

pulsas com tua estatura de Árvore da vida, regas violetas

com o leito de tuas transpirações.

Exemplo horizontal o das mãos estendidas,

o do pulso que sustenta! Beleza da forma na paisagem!

Oh Deus, que desejo nu é este Amor

avançando eterno, dando-se, assim, tão pródigo!

 

Que seivas estás doando? Que outros vaga-lumes te rodeiam?

 

 


*Poeta peruano-espanhol, Alfredo Pérez Alencart reside em Salamanca, Espanha, onde é professor universitário e organizador dos Encontros de Poetas Ibero-Americanos. Poeta premiado, de reconhecimento internacional. Já publicou mais de uma vintena de livros de poesia, é traduzido e publicado em inúmeros idiomas.

O poema   TE ESTREMECES POR EL LOBO Y EL CORDERO faz parte do livro Prontuário de Infinito (Verbum, Madrid, 2021)



** Cláudio Aguiar é ficcionista e ensaísta. Autor premiado com o Jabuti e pela União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro. Foi presidente do Pen Clube do Brasil.


* * *

Deputado quer me processar, TRETA no MEC e Ivete Sangalo lacrando

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

O QUE SIGNIFICA SER CATÓLICO?



O Presidente, o Cardeal e a Comunhão para os políticos pró-aborto

Luiz Sérgio Solimeo*

Nesta era de secularismo, quando a vida política é separada da vida religiosa, é louvável que um presidente dos Estados Unidos se apresente como um católico praticante e participe publicamente dos sacramentos da Igreja.

No entanto, o catolicismo do presidente Biden é sui generis. Ele não segue a doutrina e a moral católica a respeito do aborto provocado e do pecado homossexual.

Contraste com a Doutrina Católica

Ao longo de sua carreira política, incluindo as eleições gerais de 2020, o Sr. Biden [foto acima] favoreceu a legalização do aborto voluntário. Nos anos mais recentes, ele abraçou o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, oficiando um na qualidade de vice-presidente.

Após a posse, seu governo emitiu um comunicado especificando seu apoio ao aborto e à contracepção, não apenas nos Estados Unidos, mas em todo o mundo:

“Nos últimos quatro anos, a saúde reprodutiva, incluindo o direito de escolha, tem estado sob ataque implacável e extremo. … A administração Biden-Harris [foto acima] está empenhada em regulamentar (a decisão da Suprema Corte) Roe v. Wade e nomear juízes que respeitem precedentes fundamentais como Roe. Também nos comprometemos a nos empenhar no trabalho para eliminar as disparidades entre saúde materna e infantil, aumentar o acesso à contracepção e apoiar economicamente as famílias para que todos possam criar suas famílias com dignidade [sic]. Este compromisso se estende ao nosso trabalho crítico em relação aos padrões de qualidade da saúde em todo o mundo”.(1)

Com relação à homossexualidade e ao “transgenerismo”, é bem conhecida a inclinação pró-LGBT nas nomeações de membros de seu gabinete e para posições em nível de gabinete. O Sr.  Biden também assinou uma ordem executiva afirmando que a política de seu governo é que “as crianças devem poder estudar sem se preocupar se o acesso ao banheiro, ao  vestiário ou esportes escolares vai-lhes ser negado (por causa de seu sexo “escolhido”)” (2).  Da mesma forma, ele restabeleceu o “ transgenerismo” nas Forças Armadas(3), e, de acordo com Antony Blinken, seu agora confirmado Secretário de Estado, “ele planeja nomear rapidamente um emisário internacional LGBT, [e] permitir às embaixadas hastear a bandeira do orgulho (homossexual)”.(4)

Aquele que não aceita totalmente toda a doutrina da Igreja não é católico

O aborto voluntário, o pecado homossexual e o “transgenerismo” são, sem sombra de dúvida, contrários à doutrina e à moral católicas. A Escritura e a Tradição, assim como o Magistério eclesiástico não deixam margem a discussão a esse respeito.[5]

Ora, um católico deve aceitar totalmente e seguir os ensinamentos dogmáticos da Igreja bem como as verdades morais reveladas por Deus. Portanto, quem rejeita uma só dessas verdades reveladas, seja de natureza dogmática ou moral, rejeita todo o depósito da Fé e se expulsa da Igreja. Cada verdade revelada, sem exceção, deve ser aceita.

É o que ensina o Papa Leão XIII na encíclica Satis Cognitum, sobre a unidade da Igreja:

(A Igreja sempre) considerou rebeldes declarados e expulsou de seu seio a todos aqueles que não pensam como Ela sobre qualquer ponto de sua doutrina.…

….aquele que num único ponto recusa o seu assentimento às verdades divinamente reveladas abdica realmente de toda a fé, pois recusa-se a submeter-se a Deus na medida em que Ele é a verdade soberana e o motivo próprio da fé.(6)

“Que ele seja tido por gentio e publicano”

Por sua vez, em sua encíclica Mystici Corporis Christi, o Papa Pio XII afirmou:

“Como membros da Igreja contam-se realmente só aqueles que receberam o lavacro da regeneração (o batismo) e professam a verdadeira fé, nem se separaram voluntariamente do organismo do corpo, ou não foram dele cortados pela legítima autoridade em razão de culpas gravíssimas.

“Portanto …. quem se recusa a ouvir a Igreja, manda o Senhor que seja tido por gentio e publicano (cf. Mt 18, 17). Por conseguinte os que estão entre si divididos por motivos de fé ou pelo governo, não podem viver neste corpo único nem do seu único Espírito divino. …

“Nem todos os pecados, embora graves, são de sua natureza tais que separem o homem do corpo da Igreja como fazem os cismas, a heresia e a apostasia”.(7)

Desse modo, aqueles que defendem o aborto, o pecado homossexual ou o “transgenerismo”,  não apenas teoricamente, mas promovendo ou efetuando sua legalização, não podem ser considerados católicos.

“Sempre que comer este pão …”


Ao tratar da Sagrada Eucaristia, o Concílio de Florença (1438-1445) ensinou que “o efeito que este sacramento opera na alma de quem o recebe dignamente é a união do homem a Cristo”.(8) Como Nosso Senhor disse, “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele”.(9)

Dada a santidade deste sacramento, São Paulo alerta para as consequências de recebê-lo indevidamente:

“Assim, todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice lembrais a morte do Senhor, até que Ele venha. Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação”.(10)

Alguns Prelados alertam o Sr. Biden…

Em uma entrevista com Thomas McKenna, o Cardeal Raymond Burke [foto abaixo] , ex-prefeito do Supremo Tribunal da Signatura Apostólica, advertiu que o Sr. Biden não tem condições de receber a Comunhão:


“Portanto, em primeiro lugar, por caridade para com ele, gostaria de lhe dizer que não se aproximasse da Sagrada Comunhão, porque isso seria um sacrilégio e um perigo para a salvação de sua alma.

“Mas também não deveria se aproximar para receber a Sagrada Comunhão porque causa escândalo a todos. Porque se alguém disser ‘bem, sou um católico devoto’ e ao mesmo tempo promover o aborto, isso dá a impressão de que é aceitável para um católico ser a favor do aborto o que, é claro, não é absolutamente aceitável. Nunca foi, nunca será”.[11]

O Arcebispo emérito da Filadélfia, D. Charles Chaput, comentou na mesma linha: “As figuras públicas que se identificam como ‘católicas’ escandalizam os fiéis ao receberem (indignamente) a comunhão, criando a impressão de que as leis morais da Igreja são opcionais. E os bispos dão escândalo semelhante ao não falar publicamente sobre a questão e o perigo do sacrilégio”.(12)

Outros bispos o apoiam

No entanto, alguns prelados, como o cardeal Wilton Gregory, falaram de maneira diferente. A jornalista do Catholic News Service Cindy Wooden entrevistou o arcebispo de Washington, DC. Ela escreve: “Embora alguns católicos acreditem que Biden não deve receber a comunhão quando vai à missa, o cardeal designado Gregory disse que por oito anos como vice-presidente Biden foi à missa e [recebeu a]  comunhão. ‘Não vou me desviar disso’, disse ele”.(13)

Duas igrejas, lado a lado?

Essas atitudes divergentes na hierarquia católica nos levam a perguntar se uns e outros têm a mesma fé católica ou se vemos uma nova religião emergindo da sombra da Igreja Católica.

Existe uma Igreja, baseada na Revelação, que nega a Sagrada Comunhão a pessoas que falam e agem publicamente contra a doutrina e a moral católicas e “obstinadamente persistem no pecado grave manifesto”?(14) E outra que permite a tais pessoas receberem a Sagrada Comunhão sem qualquer demonstração pública de arrependimento?

Só a primeira posição é legítima e corresponde à da Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo:  “Una, Santa, Católica e Apostólica”, como rezamos no Credo niceno-constantinopolitano (o Credo da Missa). A segunda não.

O que é ser católico?

A conduta do novo presidente dos Estados Unidos e de bispos como o recém-nomeado cardeal Wilton Gregory levanta a questão: o que significa ser católico?

Como mostrado nos trechos acima dos Papas Leão XIII e Pio XII, esta pergunta já foi respondida há muito tempo. Muitas outras declarações de papas, concílios e do Direito Canônico poderiam ser adicionadas. Todas, porém, se resumem nisto: católico é aquele que foi batizado e acredita e professa toda a doutrina revelada e proposta pelo Magistério da Igreja, tanto em questões dogmáticas quanto morais.

Com relação a quem rejeite até mesmo um único ponto da doutrina e da moral católica, o Papa Pio XII ensina: “Manda o Senhor que seja tido por gentio e publicano”.

* Publicado no site da The American Society for the Defense of Tradition, Family and Property em 5 de fevereiro de 2021

Notas

1. Declaração do presidente Biden e da vice-presidente Harris no 48º aniversário de Roe v. Wade”, 22 de janeiro de 2021, https://www.whitehouse.gov/briefing-room/statements-releases/2021/01/22/statement -from-president-biden-and-vice-president-harris-on-the-48-year-of-roe-v-wade /.

2. “Ordem Executiva de Prevenção e Combate à Discriminação com Base na Identidade de Gênero ou Orientação Sexual”, 20 de janeiro de 2021, https://www.whitehouse.gov/briefing-room/presidential-actions/2021/01/20/executive -ordenar-prevenir-e-combater-discriminação-com-base-identidade-gênero-ou-orientação sexual /.

3. “Ordem Executiva Habilitando Todos os Americanos Qualificados a Servirem Seu País em Uniforme”, 25 de janeiro de 2021, https://www.whitehouse.gov/briefing-room/presidential-actions/2021/01/25/executive-order- em-permitindo-todos-americanos-qualificados-para-servir-seu-país-em-uniforme /

4. Paul LeBlanc e Jennifer Hansler, “O escolhido para secretário de estado de Biden promete nomear um enviado LGBTI e permitir às embaixadas hastear a bandeira do orgulho [homossexual]”, CNN, 19 de janeiro de 2021, https://www.cnn.com/2021/01/19/ policy / antony-blinken-lgbti-pride-flag-biden-Administration / index.html.

5. Ver Cardeal Francesco Roberti e Mons. Pietro Palazzini, s.v. “Aborto”, no Dictionary of Moral Theology (Westminster, Md .: The Newman Press, 1962); TFP Committee on American Issues, Defending a Higher Law: Why We Must Resist Same Sex “Marriage” and the Homosexual Movement (Spring Grove, Penn.: The American Society for the Defense of Tradition, Family and Property, 2012)

6. Leão XIII, encíclica Satis Cognitum, 29 de junho de 1896, nn. 17, 20. http://w2.vatican.va/content/leo-xiii/es/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_29061896_satis-cognitum.html

7. Pio XII, encíclica Mystici Corporis Christi, 29 de junho de 1943, nn. 21-22. http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_29061943_mystici-corporis-christi_po.html

8. Denzinger- Hünermann, n. 1322.

9. João 6,56.

10. 1 Cor 11,26-29.

11.  “Cardeal Burke: Joe Biden Não Deve Receber a Sagrada Comunhão”, National Catholic Register, 29 de setembro de 2020, https://www.ncregister.com/news/cardinal-burke-joe-biden-should-not-receive-holy -comunhão.

12. Charles J. Chaput, O.F.M. Cap., “O Sr. Biden e a Questão de Escândalo”. First Things, 4 de dezembro de 2020, https://www.firstthings.com/web-exclusives/2020/12/mr-biden-and-the-matter-of-scandal.

13. Cindy Wooden, “Em Washington, com o novo presidente, o Cardeal-designado tem esperanças de diálogo,” Catholic News Service, 24 de novembro de 2020, https://www.catholicnews.com/in-washington-with-new-president-cardinal -designar esperanças para o diálogo /.

14. Código de Direito Canônico. Cânon 915. 

https://domtotal.com/direito/pagina/detalhe/31867/codigo-de-direito-canonico#ancora-24


https://www.abim.inf.br/o-que-significa-ser-catolico/

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domingo, 14 de fevereiro de 2021

 PIN Aves exóticas:







PALAVRA DA SALVAÇÃO (221)



6º Domingo do Tempo Comum – 14/02/2021


Anúncio do Evangelho (Mc 1,40-45)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.

— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, um leproso chegou perto de Jesus e, de joelhos, pediu: “Se queres, tens o poder de curar-me”. Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero: fica curado!”. No mesmo instante a lepra desapareceu e ele ficou curado. Então Jesus o mandou logo embora, falando com firmeza: “Não contes nada disso a ninguém! Vai, mostra-te ao sacerdote e oferece, pela tua purificação, o que Moisés ordenou, como prova para eles!”

Ele foi e começou a contar e a divulgar muito o fato. Por isso Jesus não podia mais entrar publicamente numa cidade; ficava fora, em lugares desertos. E de toda parte vinham procurá-lo.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

https://liturgia.cancaonova.com/pb/

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Roger Araújo:


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Deus estende a mão e toca o intocável, contra toda a lei e toda a prudência

 


Entra em cena um leproso (Marcos 1, 40-45), um desesperado que perdeu tudo: casa, trabalho, amigos, abraços, dignidade e até Deus. É um homem que se está a decompor estando vivo, para a sociedade é um pecador, recusado por Deus e castigado com a lepra.

Vem e aproxima-se de Jesus, e não deve, não pode, a lei impõe-lhe a segregação absoluta. Mas Jesus não escapa, não evita, não o manda embora, está de pé diante dele e escuta. O leproso devia gritar de longe, a quem encontrava, «imundo, contagioso»; em vez disso, tu a tu, sussurra: se quiseres, podes tornar-me puro.

«Se quiseres.» O leproso náufrago agarra-se a um «se», é o seu gancho no meio do Céu, terra firme depois do pântano. E parece-me que vejo Jesus vacilar diante do pedido submetido por esta criatura à deriva. Vacilar, como quem recebeu um murro no estômago, uma unhada no coração: «Foi tomado nas entranhas de compaixão».

«Se quiseres»… grande pedido: diz-me o coração de Deus! Que queres verdadeiramente para mim? Queres a lepra? Que eu seja a imundície da região? É Ele que envia o cancro? Jesus vê, detém-se, comove-se e toca. Desde há muito que ninguém ousava tocá-lo, a sua carne morria de solidão. Jesus estende a mão e toca o intocável, contra toda a lei e toda a prudência, toca-o enquanto ainda está contagioso; e é assim que começa a curá-lo, com uma carícia que chega antes da voz, com o dedo mais eloquente do que as palavras.

Tocar, experiência de comunhão, de corpo a corpo, ação sempre recíproca (toca-se e é-se tocado, incindivelmente), um comunicar a sua proximidade, um desflorar-se, um arrepio, um vibrar de Deus comigo, de mim com Ele.

Depois, a resposta belíssima, a pedra angular sobre a qual se apoia a nova imagem de Deus: «Quero!». Um verbo total, absoluto. Deus quer, está envolvido, importa-se, está no seu coração, padece comigo, urge nele uma paixão por mim, um tormento e um apaixonar-se.

A segunda palavra ilumina a vontade de Deus: «Sê purificado». Deus é intenção de bem. Ninguém é recusado. Segundo a lei, o leproso estava excluído do templo, não podia aproximar-se de Deus até que estivesse puro. Ao contrário, naquele dia acontece a reviravolta: aproxima-te de Deus e serás purificado. Acolhe-o e serás curado.

E mandou-o embora, com tom severo, ordenando-lhe que não dissesse nada. Mas o curado não obedece: e pôs-se a proclamar a mensagem. O excluído torna-se fonte de espanto. Exibe a sua felicidade, a sua experiência feliz de Deus.

Antes, tinha de fugir das povoações, e agora é precisamente nas povoações que entra, procura as pessoas de quem antes tinha de fugir, para dizer que mudou tudo, porque mudou, com Jesus, a imagem de Deus.

 


Ermes Ronchi


In Avvenire
Trad.: Rui Jorge Martins

https://centroloyola.org.br/revista/outras-palavras/espiritualidade/2267-deus-estende-a-mao-e-toca-o-intocavel-contra-toda-a-lei-e-toda-a-prudencia

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Saiba quem está por trás da Campanha da Fraternidade!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

PRESIDÊNCIA DA CNBB DIVULGA NOTA SOBRE A CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA 2021

 

IMPRENSA CNBB

12/02/2021

DESTAQUE ESPECIALFRATERNIDADE

 


A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou, nesta terça-feira, 9 de fevereiro, uma nota na qual esclarece pontos referentes à realização da Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano, cujo tema é: “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” e o lema: “Cristo é a nossa paz. Do que era dividido fez uma unidade”,  (Ef 2,14a).

O documento reafirma a Campanha da Fraternidade como uma marca e, ao mesmo tempo, uma riqueza da Igreja no Brasil que deve ser cuidada e melhorada sempre mais por meio do diálogo. Iluminado pela Encíclica Ut Unum Sint, de 1999, do Papa São João Paulo II, o texto aponta também ser necessário cuidar da causa ecumênica. 

Sobre o texto-base da CFE deste ano, os bispos afirmam que a publicação seguiu a estrutura de pensamento e trabalho do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), conselho responsável pela preparação e coordenação da campanha da fraternidade em seu formato ecumênico. “Não se trata, portanto, de um texto ao estilo do que ocorreria caso fosse preparado apenas pela comissão da CNBB”, aponta a Nota.

No documento, a presidência da CNBB reafirma que a Igreja Católica tem sua doutrina estabelecida a respeito das questões de gênero e se mantém fiel a ela. “A doutrina católica sobre as questões de gênero afirma que ‘gênero é a dimensão transcendente da sexualidade humana, compatível com todos os níveis da pessoa humana, entre os quais o corpo, a mente, o espírito, a alma. O gênero é, portanto, maleável sujeito a influências internas e externas à pessoa humana, mas deve obedecer a ordem natural já predisposta pelo corpo” (Pontifício Conselho para a Família, Lexicon – Termos ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas., pág. 673).

A nota informa que os recursos do Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) seguem rigorosa orientação, obedecendo não apenas a legislação civil vigente para o assunto, mas também a preocupação quanto à identidade dos projetos atendidos. “Os recursos só serão aplicados em situações que não agridam os princípios defendidos pela Igreja Católica”, reforça a nota.

A presidência da CNBB afirma, no parágrafo final, que apesar de nem sempre ser fácil cuidar das dificuldades levantadas pela realização de uma Campanha da Fraternidade e da caminhada ecumênica e de muitos outros aspectos da ação evangelizadora da Igreja, nem por isso se deve desanimar e romper a comunhão, o que segundo os bispos é uma das maiores marcas dos cristãos. “Não desanimemos. Não desistamos. Unamo-nos”, exorta a presidência da CNBB.

Conheça, abaixo, a íntegra do documento. Aqui a versão em PDF:

 

NOTA DA PRESIDÊNCIA DA CNBB

Irmãos e irmãs em Cristo Jesus,

“Não apagueis o Espírito, não desprezais as profecias,
mas examinai tudo e guardai o que for bom” (1 Ts 5,21)

1. No exercício de nossa missão evangelizadora, deparamo-nos com inúmeros desafios, diante dos quais não podemos esmorecer, mas, ao contrário, buscar forças para responder com tranquilidade e esperança.
2. Nosso país vive um tempo entristecedor, com tantas mortes causadas pela covid-19, um processo de vacinação que gostaríamos fosse mais rápido e uma população que se cansou de seguir as medidas de proteção sanitária. Nosso coração de pastores sofre diante de tantas sequelas que surgem a partir da pandemia, em especial o empobrecimento e a fome.

A Campanha da Fraternidade 2021 e suas características
3. Em meio a tudo isso e atendendo à solicitação de irmãos bispos, desejamos abordar a Campanha da Fraternidade deste ano. Algumas afirmações têm ocasionado insegurança e mesmo perplexidade.
4. Como sabemos, a Campanha da Fraternidade é uma riqueza da Igreja no Brasil, nascida e amadurecida não sem dificuldades e mesmo sofrimentos. A cada Campanha, o aprendizado se fortalece e se mostra continuamente necessário. Assim acontece com cada tema escolhido e assim acontece quando as Campanhas, desde o ano 2000, são feitas em modo ecumênico.
5. Para este ano, o tema escolhido foi o diálogo, com o tema, portanto, fraternidade e diálogo: compromisso de amor. Trata-se, como explicado nas formações feitas pelo nosso Setor de Campanhas, do recolhimento dos temas anteriores, em especial desde 2018, que tratou da superação da violência, até 2020, quando apresentou-se a proposta cristã do cuidado.
6. Para 2021, conforme aprovação em nossa Assembleia Geral de 2018, a Campanha foi construída ecumenicamente e, conforme costume desde o ano 2000, sob a responsabilidade do CONIC. Nas primeiras reuniões, discerniu-se pelo tema do diálogo, urgência num tempo de polarizações e fanatismos, cabendo então ao CONIC a construção do texto-base. Isso foi feito conforme está explicado na apresentação do mesmo, com detalhamento da equipe elaboradora, na pág. 9.
7. Consequentemente, o texto seguiu a estrutura de pensamento e trabalho do CONIC. Foram realizadas várias reuniões, o texto passou por revisão da assessoria teológica do CONIC, uma assessoria com membros das diversas igrejas, chegando, então, ao que hoje temos. Não se trata, portanto, de um texto ao estilo do que ocorreria caso fosse preparado pela comissão da CNBB, pois são duas compreensões distintas, ainda que em torno do mesmo ideal de servir a Jesus Cristo. O texto-base desse ano, por conseguinte, deve ser assim compreendido, como o foi nas Campanhas da Fraternidade levadas a efeito de modo ecumênico.

Algumas questões específicas
8. Nos últimos dias, reações têm surgido quanto ao texto. Apresentam argumentos que esquecem da origem do texto, desejando, por exemplo, de uma linguagem predominantemente católica. Trazem ainda preocupações com relação a aspectos específicos, a saber, as questões de gênero, conforme os números 67 e 68 do referido texto.
9. A doutrina católica sobre as questões de gênero afirma que “gênero é a dimensão transcendente da sexualidade humana, compatível com todos os níveis da pessoa humana, entre os quais o corpo, a mente, o espírito, a alma. O gênero é, portanto, maleável sujeito a influências internas e externas à pessoa humana, mas deve obedecer a ordem natural já predisposta pelo corpo” (Pontifício Conselho para a Família, Lexicon – Termos ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas., pág. 673).

Uma ajuda destacável
10. Já pronto o texto-base, fomos presenteados com a Fratelli Tutti, que recomendamos vivamente seja também utilizada como subsídio para a Campanha da Fraternidade deste ano. Ela estabelece forte conexão entre o tema de 2020 e o de 2021, cuidado e diálogo, e muito ajudará na reflexão sobre o diálogo e a fraternidade.

Coleta da Solidariedade
11. Junto com essas preocupações de conteúdo, surgiu ainda a sugestão de que não se faça a oferta da solidariedade no Domingo de Ramos, uma vez que existiria o risco de aplicação dos recursos em causas que não estariam ligadas à doutrina católica.
12. Lembramos que, em 2019, foi distribuída pelo Fundo Nacional de Solidariedade – FNS a quantia de R$3.814.139,81, fruto da generosidade de nossas comunidades, não se incluindo nessa quantia o que foi destinado aos fundos diocesanos. Em 2020, por causa da pandemia, não ocorreu arrecadação. Somente com a ajuda da instituição alemã Adveniat conseguimos atender a 15 projetos.
13. Sobre isso, recordamos que o FNS segue rigorosa orientação, obedecendo não apenas a legislação civil vigente para o assunto, mas também preocupação quanto à identidade dos projetos atendidos. Desde o início da construção da Campanha da Fraternidade de 2021, temos informado ao CONIC a respeito da dificuldade e até mesmo da impossibilidade de mantermos a estrutura do Fundo de Solidariedade como ocorrido nas Campanhas ecumênicas anteriores. Sobre este ponto, tendo como base a última dessas Campanhas, a de 2016, esta Presidência já manifestou ao CONIC as dificuldades e, por espírito de comunhão e corresponsabilidade, vai conversar sobre o assunto na próxima reunião do CONSEP. A conclusão será informada em seguida.

Desse modo:
14. Em consequência, respeitando a autonomia de cada irmão bispo junto aos seus diocesanos e como não poucos irmãos nos têm solicitado indicações para informar ao povo sobre a CF 2021, consideramos importante que sejam destacados os seguintes aspectos:

  A Campanha da Fraternidade é um valor que não podemos descartar.

 Alguns temas, conforme seu modo de ser apresentado, tornam-se mais difíceis que outros.

 A Igreja tem sua doutrina estabelecida a respeito das questões de gênero e se mantém fiel a ela.

 Os recursos do Fundo Nacional de Solidariedade serão aplicados em situações que não agridam os princípios defendidos pela Igreja Católica.

 A causa ecumênica se mantém importante. “Uma comunidade cristã que crê em Cristo e deseja com o ardor do Evangelho a salvação da humanidade não pode de forma alguma fechar-se ao apelo do Espírito que orienta todos os cristãos para a unidade plena e visível … O ecumenismo não é apenas uma questão interna das comunidades cristãs, mas diz respeito ao amor que Deus, em Cristo Jesus, destina ao conjunto da humanidade; e criar obstáculos a este amor é uma ofensa a Ele e ao Seu desígnio de reunir todos em Cristo” (S. João Paulo II, Encíclica Ut Unum Sint, 99)

15. Concluímos lembrando a importância da Campanha da Fraternidade na história da evangelização do Brasil. É nossa marca. Cabe-nos cuidar dela, melhorá-la sempre mais por meio do diálogo, assim como nos cabe cuidar da causa ecumênica, um ideal que se nos impõe. Se nem sempre é fácil cuidar de ambos e de muitos outros aspectos de nossa ação evangelizadora, nem por isso devemos desanimar e romper a comunhão, uma de nossas maiores marcas, um tesouro que o Senhor Jesus nos deixou e do qual não podemos abrir mão. Não desanimemos. Não desistamos. Unamo-nos.

Brasília-DF, 09 de fevereiro de 2021


Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
Primeiro Vice-Presidente da CNBB

Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima (RR)
Segundo Vice-Presidente da CNBB

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
Secretário-geral da CNBB

 

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