(Uma reflexão profunda sobre os sentimentos de quem dá e de
quem recebe.)
"Quando eu participava de um grupo em uma de uma casa
espírita, todos os meses doávamos alimentos para compor cestas básicas que eram
distribuídas às famílias carentes da comunidade.
A cada mês, um grupo se encarregava de trazer arroz, outro,
feijão, e assim por diante, a fim de que se compusesse a cesta. Em determinado
mês, coube ao meu grupo trazer café. Nada poderia ser mais simples: um quilo de
café, não importava a marca.
No entanto, a coordenadora nos alertou: “Combinem entre
vocês para trazerem apenas café em pó ou café solúvel. Porque as pessoas
reclamam que receberam de um tipo e as outras de outro. Então, melhor que seja
tudo igual.”
Por muito tempo, refleti sobre isso. As famílias eram
carentes, recebiam cestas de alimentos que com certeza supriam suas
necessidades imediatas. Então por que reclamavam? Afinal, não pagavam nada!
Um dia, me caiu nas mãos um livro, intitulado “Trapeiros de
Emaús”.
Contava a história de uma comunidade iniciada por um padre,
para pessoas que eram o que chamaríamos de “Sem Teto”.
Um trecho me chamou a atenção. O padre contava suas
experiências em caridade.
Quando menino, ele costumava acompanhar seu pai que todos os
meses, doava um dia de seu tempo para atender pessoas carentes. O pai era
médico, mas como já havia quem atendesse às pessoas nesse setor, ele se
dedicava a cortar cabelos, profissão que também exercera.
O menino percebia que embora seu pai executasse seu serviço
de graça e com amor, as pessoas reclamavam muito. Exigiam tal ou tal corte e às
vezes quando iam embora, xingavam o pai, porque não tinham gostado do corte.
Mas o pai tinha uma paciência infinita, tentava atender ao
que lhe pediam e jamais revidava as ofensas, chegando até mesmo a pedir
desculpas, quando alguém não gostava do trabalho que ele realizara.
Então, um dia, o menino perguntou ao pai por que ele agia
assim. Por que as pessoas reclamavam de algo que recebiam de graça, que não
teriam de outra forma.
“Para essas pessoas, disse o pai, receber é muito difícil.
Elas se sentem humilhadas porque recebem sem dar nada em troca. Por isso elas
reclamam, é uma maneira de manterem a autoestima, de deixar claro que ainda
conservam a própria dignidade”.
“É preciso saber dar, disse o pai. Dar de maneira que a
pessoa que recebe não se sinta ferida em sua dignidade.”
Depois li um livro de Brian Weiss em que ele contava que uma
moça estava muito zangada com Deus. A mãe dela morrera, depois de vários anos
de vida vegetativa, sendo cuidada pelos outros como um bebê indefeso.
“Minha mãe sempre ajudou os outros, nunca quis receber nada,
não merecia isso”, dizia ela.
Então, ela recebeu uma mensagem dos Mestres:
"A doença de sua mãe foi uma bênção. Ela passou a vida
ajudando os outros, mas não sabia receber. Durante o tempo da doença, ela aprendeu.
Isso era necessário para a sua evolução".
Depois de ler esses dois livros, comecei a entender a
atitude das pessoas que reclamavam do que recebiam nas cestas básicas.
Comecei também a refletir sobre essa frágil e necessária
ponte entre as pessoas que se chama “dar e receber”.
Quando ajudamos alguém em dificuldade, quando damos alguma
coisa a alguém que a necessita, seja material ou “imaterial”, estamos
teoricamente em posição de superioridade. Somos nós os doadores, isso nos faz
bem e às vezes tendemos a não dar importância à maneira como essa ajuda é dada.
Por outro lado, quando somos nós a receber, ou nos sentimos
diminuídos, ou recebemos como se aquilo nos fosse devido.
E quantas vezes fizemos dessa ponte uma via de mão única?
Quantas vezes fomos apenas aquele que dá, aparentemente com
generosidade, mas guardando lá no fundo nosso sentimento de superioridade sobre
o outro... Ou esperando sua eterna gratidão.
E recusamos orgulhosamente receber, porque “não precisamos
de nada, nem de ninguém” … Ou porque temos vergonha de mostrar nossa
fragilidade, como se isso nos fizesse menores aos olhos dos outros.
E quantas vezes fomos apenas aquele que tudo recebe, sem
nada dar em troca, egoisticamente convencidos de nosso direito a isso…
A Lei é “dar com liberalidade e receber com gratidão”,
ensina São Paulo. Que cada um de nós consiga entender as lições de “dar e
receber” e agradeça a Deus as oportunidades de aprendê-las."
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
João.
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, João estava de novo com dois de seus
discípulos e, vendo Jesus passar, disse: “Eis o Cordeiro de Deus!” Ouvindo
essas palavras, os dois discípulos seguiram Jesus. Voltando-se para eles
e vendo que o estavam seguindo, Jesus perguntou: “O que estais procurando?”
Eles disseram: “Rabi (que quer dizer: Mestre), onde moras?” Jesus
respondeu: “Vinde ver”. Foram, pois, ver onde ele morava e, nesse dia,
permaneceram com ele. Era por volta das quatro da tarde.
André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram
as palavras de João e seguiram Jesus. Ele foi encontrar primeiro seu
irmão Simão e lhe disse: “Encontramos o Messias” (que quer dizer:
Cristo). Então André conduziu Simão a Jesus. Jesus olhou bem para ele e
disse: “Tu és Simão, filho de João; tu serás chamado Cefas” (que quer dizer:
Pedra).
“Foram, pois, ver onde Ele morava e, nesse dia, permaneceram
com Ele” (Jo 1,39)
Queremos marcar a experiência da caminhada contemplativa com
Jesus, ao longo deste ano litúrgico, fazendo referência ao início da sua
atividade pública, no evangelho do João: um relato de busca e
de seguimento. Dois discípulos, que escutaram o Batista, começam a
seguir o Mestre de Nazaré, sem dizer palavra alguma. Há algo n’Ele que os
atrai, embora ainda não sabem quem Ele é nem para onde os levará. No entanto,
para seguir a Jesus não basta escutar o que os outros dizem dele. É necessária
uma experiência pessoal.
Por isso, Jesus se volta e lhes faz uma pergunta muito instigante: “quê
buscais?”. Estas são as primeiras palavras de Jesus no quarto evangelho.
Não se pode caminhar atrás de Seus passos de qualquer maneira; é preciso
verificar as reais motivações.
Aqueles dois primeiros discípulos ainda não conseguem
imaginar até onde a aventura de seguir Jesus poderá levá-los, mas intuem que
Ele poderá ensinar-lhes algo que ainda não conhecem; por isso, a resposta deles
é outra pergunta sábia: “Mestre, onde moras?”
Não buscam n’Ele grandes doutrinas nem sábias filosofias.
Querem que lhes mostre onde vive, como vive e para quê vive. Desejam que lhes
ensine a viver. A resposta de Jesus é a de um verdadeiro mestre: “Vinde e
vede”. “Experimentai vós mesmos, percorrei meu caminho, caminhai por ele...” Não
lhes dá explicações ou uma exortação, nem lhes impõe condições, nem exige deles
algum tipo de submissão.
A pergunta de Jesus – “quê buscais?” – levará os
dois discípulos a conectar com seu ser mais profundo, com sua realidade mais
íntima, com os desejos de seu coração, ainda não configurados pelo amor. Uma
pergunta vital, que desperta a consciência e os conduz a um diálogo consigo
mesmos.
Por outro lado, a pergunta dos discípulos – “Mestre,
onde moras” – não significa limitar-se a entrar em um determinado espaço
físico, mas é expressão do desejo de um retorno à “morada interna”.
Os novos seguidores de Jesus não lhe perguntam sobre o seu
ensinamento, nem o que faz, mas onde Ele mora para poder, dessa maneira, estar
com Ele, compartilhar sua casa, sendo seus amigos. O verdadeiro discipulado é
“estar com”, morar juntos... Esta é a missão chave de Jesus e de sua nova
comunidade de seguidores: abrir a casa, não ocultar nada, oferecer com
transparência sua vida e caminho aos outros.
“Vinde e vêde!”: Jesus lhes oferece sua morada, com tudo o
que há nela, para que aprendam, vivendo com Ele, a fazer o percurso interior,
para descobrindo a identidade original, ali presente..
Estes discípulos acolhem o convite, vão com Jesus, veem e
convivem com Ele naquele dia; sentem-se impactados e transformados pelo estilo
de vida de Jesus, mais que por aquilo que Ele diz. Não há necessidade de mais
discursos, de palavras fortes: veem como vive Jesus, vivem com Ele e descobrem
que Ele é o Messias de Israel. Esta foi e continua sendo a missão de Jesus e de
seus seguidores: criar espaços de vida messiânica, ou seja, vida
compartilhada...
As primeiras palavras que Jesus, pronunciadas no evangelho
de João, também nos deixam desconcertados, porque vão ao fundo e tocam as
raízes mesmas de nossa vida. Jesus continua se dirigindo a cada um de nós com
uma pergunta que nos remete ao centro do nosso coração, àquilo que nos
move: “quê estais buscando?” Sua pedagogia é a da pergunta que
desvela, pois nos move a fazer um percurso interior e a encontrar-nos com a
fonte que alimenta e inspira.
O desejo do encontro é força determinante para se
manter acesa a chama da dinâmica da busca. É uma chama que se mantém
acesa em proporção ao sentido e à importância grande de quem ou do que se busca. A
sintonia com Deus que é buscada, justifica, com razões de sobra, o esforço e a
recompensa do encontro. Vale a pena buscar o que é importante e
encontrar Aquele que responde às razões mais profundas da busca.
É preciso aceitar viver à busca de Deus. A Ele é
que se deve buscar. Por iniciativa, Ele busca a todos, vai ao encontro de cada
um. Ninguém fica de fora.
Uma lógica de contínua busca deve permear o
coração de cada um(a), para aprender a viver da busca d’Ele, o
Senhor, e da busca de todos os outros, colocando-se a serviço da
vida, unicamente por amor.
No fundo, como todo ser humano, também nós andamos buscando
algo mais que uma simples melhora de nossa situação; aspiramos algo que,
certamente, não podemos esperar de nenhum projeto político ou social.
Na verdade, quando nos interrogamos sobre o que buscamos,
sobre o sentido de nossa existência, deixamos transparecer, nas profundezas do
nosso coração, a “nostalgia da dimensão perdida”, ou seja, nossa morada interior.
Podemos, então, afirmar que a busca de Deus e o encontro
com Ele, a partir de Sua iniciativa, coincidem com a busca e o encontro
de nós mesmos, de modo que buscar a Deus é buscar-nos a nós mesmos, a
nossa própria interioridade.
Buscamos plenitude, felicidade, quietude, unidade, paz,
verdade, amor, harmonia… Pois bem, é justamente isso que somos no nosso “eu”
mais profundo. Temos nos distanciado de nossa interioridade e esquecemos as
beatitudes originais; com isso nos reduzimos ao ego carente e insatisfeito. Ao
aquietar o pensamento e voltar ao momento presente, caem todas as nossas
antigas identificações egóicas e fica, simplesmente, o que somos. A busca chega
a seu fim no dia em que descobrimos que o buscador é o buscado. Somos já – e
sempre foi assim – aqueles que buscamos.
No contexto social pós-moderno, as pessoas relatam que
perderam não somente seu lar exterior, mas também o interior. Elas se percebem
sem o sentimento de acolhida e proteção; elas já não sabem mais quem são.
Perderam seu sentimento de pertença, além de não mais saberem o que as
sustenta. Não sabem mais onde poderão encontrar segurança e acolhimento.
O que é “estar em casa” para nós hoje, num mundo estranho e
em constante mutação? O que significa “morada” para nós atualmente? Que tipo de
sentimento está conectado a ela? Onde nos sentimos em casa?
A imagem dos dois discípulos atrás de Jesus é uma excelente
mediação para termos acesso à “morada” em nós mesmos.
Neste mundo disperso, o percurso contemplativo da pessoa de
Jesus nos dá referências e amparo. A pergunta que Ele dirige aos seus futuros
discípulos nos remete à vivência em nossa casa interior. Entramos em contato
com algo que sabemos estar encoberto pelas cinzas existenciais. É anseio pelas
raízes, a partir das quais podemos viver com mais intensidade e sentido.
Ansiamos um espaço onde possamos ser nós mesmos. Espaço no
qual podemos entrar em contato com algo que nos plenifica e nos expande. Nós
temos o sentimento de viver das forças que procedem desse local.
É o espaço no qual Deus mesmo habita em nós. Ali, nós somos
plenamente nós mesmos, salvos e íntegros. Verdadeiramente em casa. Precisamos
apenas olhar para dentro. O céu está em nós e ali, no céu interior, está a
verdadeira pátria que ninguém pode nos roubar ou pode destruir.
Texto bíblico: Jo 1,35-42
Na oração: Deixe ressoar em seu interior as perguntas
mobilizadoras: o que, ou quem você busca? Por que busca? Tem sentido e
valor o que você busca? Para onde o leva a força da busca?...
Estas perguntas ficam ali, continuamente presentes
em um rincão de nossa vida; mas enquanto permanecem vivas são como brasas que
voltam a acender-se cada vez que a vida as sopra.
Estas perguntas nos fazem humanos e são tão
importantes como o ar que respiramos.
Em Coisas da
Vida* (2004), Odilon Pinto reúne ficções escritas em apenas uma página,
fantasias que dão prazer na leitura. No conteúdo da vida como ela é, cada uma
delas segue arrastando o leitor com engenho e leveza, surpreende-o no
desengano, no amor abortado, na ardência da paixão, no drama recheado de
hipocrisia e ciúme.A vida apresentada
na narrativa veloz vem quase sempre acompanhada de observações certeiras.
Em “A Doida”,
que “se apegava à rua, era o caminho que devia percorrer...”, em “Paixão
Recolhida” quando “durante dois anos fora senhor dos seus beijos, do calor do
seu corpo, do cheiro dos seus cabelos. Isso tudo, quando se perde, cresce, até
ficar do tamanho do mundo”, fica patente que as observações são realizadas com
dizeres apropriados do coloquial. O autor pontilha uma sintaxe verbal
impregnada de sutilezas, mínimas referências instigantes. Em Coisas da Vida
encontramos, de página em página, aatuação humana na rotina chata da vida, às vezes de amores abortados, em
outra hora com a faca que a traiçoeira invenção do gesto suspende e se completa
no desfecho inusitado.
Em “Dick”, o
cão retira do dono a sensação asfixiante de estar vivo, mas em “Sem terra” o
drama completa-se com o seu instante duro de sofrimento na solidão.No exemplo de “A família”, a farsa vai
tomando forma nas observações feitas pela personagem, uma mulher velha, sobre a
palhaçada armada para ela na igreja como ritual de amor dos filhos.Ficam também em nossa lembrança as cenas de
que a ocasião faz o ladrão e o acaso torna em vingança.O duelo entre o real e a ilusão na doméstica
sonhadora, com o sonho vencido pela dura lei da vida.
Com estofo de
crônica, anedota esticada, texto motivado por noções de filosofia, fantasia do
real fundido com o desastre conjugal, poesia da vida carregada de
inconformismo, tristeza e revanche, é visível nesses quadros pintados com
rápidas pinceladas por mão segura o quanto é rica a humanidade na sua pobreza
social, no pequeno mundo rotineiro da vida. Não resta dúvida que desses quadros
compostos por Odilon Pinto brilham momentos diletantes de leitura. O valor
dessas historinhas primorosas força-nos a dizer que nos pequenos frascos é que
estão guardados os melhores perfumes.
*Coisas da Vida, continhos, Odilon Pinto, Editora Via Litterarum,
Ibicaraí, Bahia, 2004.
Cyro de Mattos - escritor e poeta. Primeiro Doutor Honoris
Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz. Membro efetivo da Academia
de Letras da Bahia, Pen Clube do Brasil, Academia de Letras de
Ilhéus e Academia de Letras de Itabuna. Autor premiado no Brasil,
Portugal, Itália e México.
Já comecei
os festejos pelo meu aniversário, ontem à meia noite.
Minha filha Aitana
e minha neta Ayla ficaram acordadas para juntas me dar os parabéns.
Melhor: com
presente nas mãos. E que presente!
Um
livro com folhas em branco, cujo título é:
Vó,
Me
Conta
A sua
História?
É um livro
para receber, e depois devolver para Aylinha, com as páginas preenchidas contendo
coisas que ela deseja saber da minha vida: um pouco da minha história.
Resumidamente,
porque a história da minha vida ainda não acabou, e espero vivê-la por muitos e
muitos anos e que a cada ano as primaveras cheguem mais floridas, intensas e
perfumadas. Porque Deus com seu Poder e SUA sabedoria faz os anos passarem para
nós de forma a aprendermos MAIS.
É a melhor e
maior oportunidade de nossas vidas: Viver para aprender. Se possível também
ensinar aos nossos filhos, netos, bisnetos... e que eles continuem através da
nossa história fazendo suas próprias histórias. ESSA é a maior razão de viver
para dar continuidade à família que construímos. A família é e será eternamente
o maior bem e amor doado por Deus.
Pontuarei
aqui, algumas das COISAS que minha neta quer saber sobre mim:
“- Me fale
sobre sua infância e como você cresceu (infância, pais e avós, sua família);
- Me fale
sobre o amor e sobre ser avó;
- Me fale
sobre seus hobbies;
- Me fale
sobre quem você se tornou (sobre suas lembranças, seus pensamentos, sonhos
desejos);
- Agora fale
sobre nós duas (você e eu sua neta).”
E muito mais
ela quer saber, Inclusive, como me senti quando sua mãe anunciou a
sua gravidez e depois quando nasceu.
Até sobre
meu primeiro encontro com seu avô Júlio?
Gente, é
mesmo a história da minha vida:
Meus ídolos...
Onde nasci...
Meu nome
completo,
Como eu era quando
criança...
Se tinha
algum apelido...
Se tímida ou
extrovertida...
O que eu
e minha família fazíamos juntas.
Sobre meus
pais, meus avós, minha filha (sua mãe rsrs).
Enfim... essa
será a primeira parte da peça ou primeiro ato da minha vida contada para
Ayla.
É... com a
idade que hoje completo (e não sejam indiscretos querendo saber kkk); espero pôr
no livro em branco, muitos e muitos atos, antes de fechar a cortina desse
imenso palco da vida, com a certeza de que não atuamos de brincadeira, embora
as brincadeiras sejam muitas, vida a fora.
Mas é uma
peça que, apesar de algumas dores, encontros, desencontros, faltas, alegrias, paixões,
decepções e muito mais... VIVER, e mais ainda ANIVERSARIAR, é a maior CERTEZA
que ESTAMOS VIVAS E PRONTAS PARA O QUE DER E VIER.
Que neste
dia e em todas as primaveras que virão, claro, Deus me dê o maior presente
de todos: saúde física, mental, espiritual, e disposição para a
vida.
Ah... Mais
um pouquinho:
Com muita, muita alegria junto a meu marido,
filha, neta, genro, familiares e amigos
E um
comerciante disse: “Fala-nos das Compras e Vendas”.
E ele
respondeu:
“A vós, a
terra oferece seus frutos, e nada vos faltará se somente souberdes como encher
as mãos.
É trocando
as dádivas da terra que encontrareis a abundância e sereis satisfeitos.
E,
contudo, a menos que a troca se faça no amor e na justiça. Ela conduzirá, uns à
avidez e outros à fome.
Quando
vós, trabalhadores dos campos e dos vinhedos, encontrardes no mercado os
tecelões, os oleiros e os colhedores de especiarias,
Invocai o
espírito mestre da terra para que desça sobre vós e santifique as balanças e os
cálculos que comparam valor com valor.
E não
permitais que aqueles que têm as mãos vazias tomem parte nas vossas transações,
eles que vos venderiam suas palavras em troca de vosso labor.
A tais
homens deveríeis dizer:
‘Vinde
conosco aos nossos campos ou ide com nossos irmãos para o mar e jogai vossa
rede:
Pois tanto
quanto a nós, a terra e o mar vos serão generosos.’
Mas quando
vierem os cantores e os bailarinos e os flautistas, comprai de suas ofertas.
Pois eles
também colhem frutos e incensos e, embora feitos de sonhos, seus produtos são
vestimentas e alimentos para vossas almas.
E antes de
deixardes o mercado, vede que ninguém se retire de mãos vazias.
Pois o
espírito mestre da terra não descansará em paz sobre o vento enquanto as
necessidades do mais humilde entre vós não tiverem sido satisfeitas.”
(O PROFETA)
Gibran Khalil Gibran
----------
Gibran Khalil Gibran - Poeta libanês, viveu na
França e nos EUA. Também foi um aclamado pintor. Seus textos apresentam a
beleza da alma humana e da Natureza, num estilo belo, místico, conseguindo com
simplicidade explicar os segredos da vida, da alegria, da justiça, do amor, da
verdade.
.........................
VIDA E OBRA DE GIBRAN (2)
1894 Emigra para os Estados Unidos, com a mãe, o irmão Pedro
e as duas irmãs Mariane e Sultane. Instalam-se em Boston. O pai permanece em
Bicharre.
1898 –1902 Volta ao Líbano para completar seus estudos
árabes. Matricula-se no Colégio da Sabedoria, em Beirute. Ao diretor, que
procurava acalmar sua ambição impaciente, dizendo-lhe que uma escada deve ser
galgada degrau por degrau, Gibran retruca: “mas as águias não usam escadas!”
No dia 21 de dezembro, o Papa Francisco em mensagem de Natal
para a Cúria Romana repentinamente desfechou: “E recordo o que dizia
aquele santo bispo brasileiro: ‘Quando me ocupo dos pobres, dizem de mim que
sou um santo; mas, quando me pergunto e lhes pergunto: ‘Por que tanta
pobreza?”, chamam-me ‘comunista’”.
Também vou recordar, apontando evidências. O “santo bispo
brasileiro” a quem ele se refere é Dom Hélder Câmara (1909 – 1999) [foto acima].
E a frase lembrada não passa de uma “boutade” de Dom Hélder, frasista
conhecido, foi pirueta para escapar de censura pertinente de que sua ação
favorecia o comunismo.
A alusão inesperada do Papa Francisco — é penoso constatar,
contudo inevitável, incoercível a lógica, foi propaganda mundial para Dom
Hélder, com reflexo caloroso também para o comunismo, nomeado sem reservas como
movimento que luta pelos pobres — suscitou esperada alegria na esquerda. Apenas
como exemplo, festejou-a Fernando Haddad, candidato derrotado do PT nas últimas
eleições presidenciais: “Dom Hélder foi citado pelo Papa Francisco na sua
mensagem de Natal. Não poderia ser mais inspirador”. Inspirador aqui significa
animador. Em sentido contrário, tais palavras contristaram os setores que temem
a ascensão do petismo. Desconcertaram, jogaram muitos no desânimo.
De passagem, em perspectiva ampla, a alusão do Pontífice é
de molde a agravar a exclusão social, racha a sociedade ainda mais, piora as
perspectivas para os menos favorecidos. Na prática, agride a causa dos pobres e
bafeja estruturas de opressão. Falarei sobre isso abaixo.
Agora, recordações esclarecedoras, pingo sobre alguns dos
principais iis. Dom Hélder teve carreira versátil. Integralista desenvolto nos
primeiros anos de sacerdócio (ordenado em 1931), acabou aclamado por correntes
de esquerda no mundo inteiro por sua ação contínua a favor da pauta dela, em
especial nos anos de episcopado (sagrado em 1952). Aliás, não saiu do
integralismo batendo a porta: “Nunca rompi com o integralismo”, observou
em 1983.
Assim, depois de alguns anos como ativista saliente do
integralismo, migrou resolutamente para se transformar no Brasil no mais
decisivo promotor da agenda do progressismo e do esquerdismo nas fileiras do
Clero e do Episcopado.
Ainda na década de 30 Dom Hélder se aproximou do ideário e
das propostas de Jacques Maritain (1882-1973), pensador de grande influência na
Ação Católica brasileira. O filósofo francês, corifeu do liberalismo católico,
promovia a junção das doutrinas da Revolução Francesa com o ensinamento da
Igreja, expressa de forma concisa em sua formulação “sociedade laica,
vitalmente cristã”. Já não se procuraria a ordem temporal cristã, ideal de
restauração, mas se aceitaria (ou pelo menos se toleraria) a sociedade nascida
da Revolução Francesa, objetivo de acomodação. Nela, na sociedade laica,
moldada pelo racionalismo, buscar-se-ia insuflar uma vida evangélica.
A Ação Católica no Brasil, influenciada pelo maritainismo,
da qual Dom Hélder foi assistente geral e grande impulsionador, está nas
nascentes da esquerdização do Clero e do laicato. Neste quadro, Dom Hélder foi
ainda o motor da criação da CNBB, da qual foi secretário-geral por muitos anos
entre 1952 e 1964. A entidade, todos sabem, tornou-se correia de transmissão
das palavras de ordem da esquerda brasileira, do PT tem sido fiel e
disciplinada companheira de viagem nos últimos lustros. Da Ação Católica nasceu
a JUC; no caldo de cultura da mencionada organização universitária surgiu a AP,
marxista e guerrilheira — e aqui lembro o fato apenas como ilustração de
realidade generalizada nos ambientes da Ação Católica. Ali também medraram a
JEC, JOC, JAC, todas favorecedoras de programas de esquerda radicalizados. O
mais simbólico rebento da JEC é frei Betto. Do mesmo modo, daí vieram as
comunidades eclesiais de base (CEBs), ali teve seu começo a Teologia da
Libertação. Para a gestação e nutrição de todas essas entidades e correntes
doutrinárias que pululavam no seio da Igreja Católica colaborou Dom Hélder. E
por isso, era natural, tornou-se a figura símbolo do esquerdismo católico no
Brasil. O PT fincou um de seus esteios em dito universo agitado — as CEBS e a
esquerda católica em geral. As outras duas estacas foram o movimento sindical e
a esquerda universitária.
“Pelos frutos os conhecereis”, não pelas palavras. Os frutos
pestilenciais estão à vista, corrupção, roubalheira e empobrecimento causados
pelos anos do PT no poder. E apoio às tiranias na América Latina, Cuba,
Venezuela, Nicarágua, onde, em situação totalitária, perpetuam a miséria.
Se a mencionada corrente voltar ao poder entre nós,
trabalhará para fazer do País, logo que possível, uma cópia da Venezuela ou de
Cuba. Para tanto, temos visto já atuando agora a CNBB, a CPT e o MST, todos
ligados umbilicalmente à esquerda católica. Nas raízes estão Jacques Maritain,
a Ação Católica e o ativismo de Dom Hélder.
O que tal movimento trouxe para os pobres em todos os
lugares em que venceu? Somente atraso, destruição dos horizontes de
crescimento, agravamento da pobreza. O que mais? Estruturas de opressão na
sociedade e no Estado. E exclusão social. Onde se instalou se pavoneia
arrogante a casta dirigente e padece manietado décadas afora o povo oprimido,
os excluídos. E não nos iludamos, é cenário trágico de retrocesso
obscurantista, mas possível, de alto a baixo, toda a América Latina está agora
ameaçada por tais programas de destruição. A atuação de Dom Hélder os
beneficiou de forma relevante e por isso multidões de católicos estão perplexos
com seu elogio pelo Papa Francisco.