Por meio de seus cantos natalinos,
cada povo glorifica a seu modo o Menino Jesus
Plinio Corrêa de Oliveira
Nas diversas nações, os cânticos de Natal variam de acordo com a índole
nacional, mas em todos estão sempre presentes as mesmas notas apropriadas à
Noite Santa. Há canções natalinas norte-americanas, brasileiras, italianas,
alemãs, francesas, espanholas etc. São bem diferentes umas das outras,
entretanto manifestam-se em todas os mesmos sentimentos despertados pelo Menino
Jesus, por Nossa Senhora, por São José, pelo presépio. Quais são esses sentimentos?
O primeiro é a inocência. Os vários povos souberam compor
verdadeiramente hinos de entusiasmo à inocência do Menino Jesus, que repercutem
sob a forma de acordes a inocência de cada um ao glorificá-Lo. O entusiasmo que
cada povo manifesta pela inocência do Divino Menino reflete um elemento de
inocência que há em nós. Se não tivéssemos inocência alguma, não nos
interessaríamos por Ele. Há quem não se interesse por Ele, ou aparenta
interesse por pura formalidade. Como há em nós uma inocência, nos interessamos
e cantamos a inocência presente n’Ele.
Está presente também o sentimento de ternura, pelo fato de o Menino
Jesus ser tão frágil e pequeno, sendo ao mesmo tempo Deus. Há uma espécie de
ternura, de compaixão, pois Ele é o Homem Deus — tão grande, entretanto contido
naquela Criancinha. Disso decorre a vontade de proteger o Menino Jesus contra
qualquer fator agressivo. Assim, algumas canções de Natal sugerem uma nota de
defesa do Divino Infante.
As canções natalinas dos diversos países apresentam certa analogia com o
sol, cuja luz tem a mesma cor; porém, quando ela atravessa um vitral, seus
raios tomam coloridos diferentes, mas harmoniosos. A luz do sol que incide
sobre o vitral projeta belezas como a de pedras preciosas.
Da mesma forma, o Menino Jesus é um só. Mas, quando cantado pela alma
anglo-saxônica, notamos certo tipo de beleza; pela alma germânica, outro
aspecto do belo; pela alma latina, brasileira, hispano-americana, surgem outras
belezas. Já ouvi canções eslavas, inclusive russas; muito bonitas, mas com
outras notas. Todas essas canções formam como que um vitral do Menino Jesus.
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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira
em 30 de dezembro de 1988. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
João.
— Glória a vós, Senhor.
Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João. Ele
veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé
por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da
luz. Este foi o testemunho de João, quando os judeus enviaram de Jerusalém
sacerdotes e levitas para perguntar: “Quem és tu?” João confessou e não
negou. Confessou: “Eu não sou o Messias”. Eles perguntaram: “Quem és,
então? És tu Elias?” João respondeu: “Não sou”. Eles perguntaram: “És o
Profeta?” Ele respondeu: “Não”.
Perguntaram então: “Quem és, afinal? Temos que levar uma
resposta para aqueles que nos enviaram. O que dizes de ti mesmo?” João
declarou: “Eu sou a voz que grita no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor’” —
conforme disse o profeta Isaías. Ora, os que tinham sido enviados
pertenciam aos fariseus e perguntaram: “Por que então andas batizando, se
não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?”
João respondeu: “Eu batizo com água; mas no meio de vós está
aquele que vós não conheceis, e que vem depois de mim. Eu não mereço
desamarrar a correia de suas sandálias”. Isso aconteceu em Betânia, além
do Jordão, onde João estava batizando.
“Quem és, afinal? Temos que levar uma resposta para aqueles
que nos enviaram. O que dizes de ti mesmo? (Jo 1,22)
Vivemos um tempo de múltiplas imagens e estímulos, de novas
versões e mudanças radicais, de diversidade de comunidades, religiões e
línguas, de quebras de paradigmas em todos os campos da humanidade, de
profundas transformações sociais, de rompimento de fronteiras... Este contexto
de pluralidade faz com que todos se perguntem sobre sua identidade: “quem
sou eu? quem somos nós?”
O ser humano está sempre em busca de sua identidade; não
lhe basta existir, ele quer saber quem é, para se compreender e
encontrar o sentido de sua própria existência.
Como cristãos que somos, não estamos protegidos dos ventos
do momento em que vivemos; quem não se define, morre. Por isso, somos
desafiados a falar de nossa identidade e adentrar-nos nas profundezas
da nossa vida, para apresentar, num contexto global e totalmente mudado, qual é
o nosso “rosto” hoje.
Frente às nossas falsas imagens e mentiras, frente às
mascaras que nos escondem, frente às convenções sem alma, frente aos silêncios
cúmplices, frente à impossível busca da perfeição, frente à negação das nossas
próprias capacidades..., o tempo do Advento nos inspira a
despojar-nos de capas ridículas que nos cobrem, para deixar aflorar nossa
verdade desnuda, nosso “eu original”. É preciso atrever-nos a ser nós
mesmos, a partir do mais interior e nobre. Há um grito que se eleva das
profundezas existenciais: Viva!
O evangelho deste domingo (3o Dom Advento) quer ser um
convite a “desvelar nossa identidade”, descobrindo o que é mais
original em nós, lançando-nos a superar aquilo que talvez nos impeça manifestar
o que somos e expressar aos outros a riqueza que trazemos dentro de
nós...
Sabemos que o ser humano age de acordo com a visão que
tem de si mesmo. A percepção íntima da própria identidade é o supremo
motivo e explicação das opções e mudanças importantes na
vida pessoal.
João Batista tem consciência de sua identidade profunda
e por isso proclama: “eu sou a voz que grita no deserto”. Ao
mesmo tempo, deixa transparecer uma íntima sintonia entre sua identidade e
sua missão; ou melhor, sua identidade se visibiliza na missão
de “aplainar o caminho do Senhor”.
Minha identidade determina o meu
comportamento. “O que eu sou determina o que eu faço”. O “quem
sou eu?” é a base do “que faço eu?” Todo ser age de acordo com
sua própria autoimagem.
O agir se segue ao ser. Assim,
conhecendo a mim mesmo acabo conhecendo o segredo de minhas ações e, fazendo
emergir o que é mais nobre em mim, posso dirigir o curso dos meus atos,
tornando-os mais oblativos e descentrados.
“Eu sou as minhas ações”, porque o que “eu sou” é
o que positiva e visivelmente aparece em minhas ações. Quanto mais sou eu mesmo
mais amplo é o alcance de minhas atitudes e mais transcendente o sentido de
minhas opções.
Portanto, da identidade, assumida e vivida, é que
brota a missão.
A identidade faz parte da missão, está
em função dela, a inspira, a anima e é por ela configurada.
Com isso fica claro que a Identidade e Missão são
inseparáveis, assim como a unidade insuperável entre ser e agir. Não
é suficiente continuar adiante com a missão se não o fazemos como João Batista:
abrasado com o amor de Deus, deixa transparecer sua verdadeira identidade na
missão de ser o “precursor” do Messias.
Ter uma missão sem uma identidade que a
inspire é cair no ativismo, na tarefismo, na ação insensata, ou seja, sem
sentido, sem motivação e sem horizonte (para quê? para quem?).
Por outro lado, uma identidade que não se expressa
na missão é vazia, é carente de humanidade e se fecha num intimismo
alienante. Portanto, a identidade já é missão e a missão é
revelação da identidade.
A identidade nos dá um rosto, centra-se tanto no ser como
no fazer.
Toda pessoa é um mistério para si mesma e para os
outros. E quanto mais rica for sua vida, mais profundo o mistério. Mas é
no coração que está a fonte, a origem e o mistério do ser
humano.
O coração é a expressão da pessoa em sua
interioridade e totalidade.
É no coração que se origina a necessidade de
comunicação, de relacionamento e de comunhão.
É preciso ter a coragem de mergulhar até o mais
profundo de si mesmo, em busca dessa luz infinita que emerge de
dentro, quando se tira tudo o que é máscara e revestimento. O “eu original”
é livre, criativo, transparente, iluminado... Ele escolhe os melhores
caminhos que levam à plena realização de si e à transcendência.
Se a maneira pela qual nos conhecemos determina a maneira
pela qual nos comportamos, quanto mais nós nos conhecemos e a tudo o que existe
dentro de nós, melhor poderemos orientar nossa vida e dirigir conscientemente
nossas opções.
Somos ainda, em grande parte, uma “terra desconhecida” para
nós mesmos, e a viagem de descoberta é como a viagem imaginária a uma nova
terra, estranha e bela, que desperta assombro frente aos seus encantos e à
novidade de suas mil maravilhas. Perceberemos, depois, com surpresa e alegria,
que a bela terra nova a que chegamos sem saber é nosso próprio país natal
esquecido, subestimado e abandonado. A redescoberta de nós mesmos é a
maior e sem dúvida a mais gratificante aventura de nossa vida.
Redescobrindo a nós mesmos, vamos encontrar o nosso lugar na
história. Quanto melhor conhecemos o nosso verdadeiro ser, melhor será o valor
de nossa vida para os outros.
De onde minha identidade ganha seus contornos
originais? No mistério da alteridade, no encontro com o outro que me
provoca a ser. A alteridade está no centro da construção da identidade, porque
esta não se acha totalmente dada (como a existência), mas está para ser
construída.
A identidade de João Batista é realçada pela alteridade do
Messias que “está no meio de vós...; e eu não mereço desamarrar a correia
de suas sandálias”.
A alteridade é fator constitutivo da identidade. O
outro não é o inimigo, o intruso, mas facilitador de minha identidade. O outro
é exatamente aquele que, justo por sua alteridade, chama-me, convoca-me e assim
me faz sair do enclausuramento em mim mesmo. Aqui se revela o dinamismo
mobilizador presente no próprio nome
Cada um de nós tem um nome, que é próprio, não
comum. É de uma pessoa. Ele expressa o nosso ser, indica uma missão a
realizar, uma vocação, um apelo a responder.. Somos chamados. É
isso que significa ter um nome. É preciso crescer na consciência de
que o próprio nome tem uma história e manifesta uma identidade única,
irrepetível, original. O nome próprio está relacionado com nossa
realidade pessoal, responsável, criativa e livre.
Na Bíblia, o nome é algo dinâmico, é um programa.
A troca de nome implica uma missão que deve ser realizada
pela pessoa (Gen, 17,5; Jo. 1,42).
Um nome novo: uma aventura que começa; uma
história a ser construída. Nosso nome secreto Deus o conhece. Ter
recebido um nome de Deus significa tomar um lugar na história, uma
missão a cumprir.
Texto bíblico: Jo 1,6-8.19.28
Na oração: Diante da presença de Deus, procure
estar aberto ao contato com a própria realidade interior, para que venha à
superfície aquilo que o sustenta e dignifica o seu viver.
- Dirija seu olhar para o que é mais íntimo em você, onde
nascem sentimentos e valores, desejos e atitudes... onde você é convidado a se
alegrar com os rastros da Graça.
- Qual é a verdade original presente no seu nome?
- Quê você acredita ser o mais autêntico em sua maneira de
ser e viver?
Quanto mais aumenta a Luz, mais limpeza acontece, pois tudo
vem à superfície. Estamos vivendo um dezembro diferente de tudo o que já
aconteceu no Planeta Terra. O Flash Solar que já chegou devagarinho há alguns
meses, foi se intensificando aos poucos, de forma a não causar nenhum problema
por aqui, quer seja na natureza, nas pessoas e nos equipamentos eletro
eletrônicos, ou mesmo nos satélites estacionados ao redor da Terra.
Dezembro será um mês em que essa Luz será mais notada, pois
há um aumento significativo em seu potencial. Já recebemos algumas orientações
do Alto de que desde o dia 01-12 ela está aumentando mais rapidamente que
antes. Tanto é que até a Ciência, que é cética naquilo que não é
comprovado cientificamente, está dizendo que há algo incomum por estes
dias.
Hoje, 12-12-2020, estamos bem no meio de um pulso forte de
Luz fotônica. Serão 72 horas incríveis que correspondem aos dias 11, 12 e 13 de
dezembro, portanto, sexta, sábado e domingo. A energia elevada deste pulso de
Luz vai agir diretamente nas pessoas, pois ela fará um ajuste nos corpos
humanos.
Amados! Não fiquem preocupados! Ao contrário, sintam-se
privilegiados em estar aqui agora fazendo a Transição junto com o Planeta.
Essas energias estão fazendo atualizações necessárias pois o corpo humano
precisa mudar a sua energia carbono para uma base cristalina.
Quanto mais mudamos o corpo físico, mais saudáveis seremos.
Mas a mudança sempre traz um certo desconforto. Nestes três dias aqui citados,
embora cada um possa ter sintomas diferentes dos outros, há uma recomendação
que serve para todos.
Fiquem tranquilos pois as atualizações são benéficas. É fim
de semana, então aproveite para descansar e relaxar. Escute o teu corpo e
atenda-o. Se pede para dormir mais, durma. Se pede para meditar, medite. Se
sente a necessidade de estar na natureza, vá. Mas preste atenção na
alimentação. Coma produtos de fácil digestão. Evite bebidas alcoólicas e beba
bastante água, de preferência pura ou filtrada.
Muitos sintomas podem surgir, embora não os mesmos para
todos, pois cada encarnado possui um grau diferente de energia. Não existe dois
corpos energeticamente iguais, mas pode haver muitos com sintonia
parecida.
A noite passada, muitos tiveram insônia. Acordaram várias
vezes, além do habitual. Alguns sentiram a necessidade de esvaziar a bexiga
mais vezes do que as outras noites. Outros tiveram sonhos estranhos. Pessoas ou
situações que nem lembravam mais, ressurgiram nestes sonhos.
Sintomas físicos também podem aumentar pois a liberação das
velhas energias causam algum desconforto também. Tonturas, moleza no corpo,
dores nas articulações, cansaço, rinite, dores de garganta, de cabeça ou em
outras áreas do corpo também. Há uma certa atividade maior do sistema renal
também. Alguns sentem que o intestino está se limpando e o alívio no abdome é
bem notado.
Tudo isso que está acontecendo neste final de semana, é uma
preparação para o que está vindo por volta do solstício de 21-12-2020[veja vídeo abaixo] . O
aumento gradativo da Luz e das energias é imparável. Tudo se acelera pois vamos
fechar o ano atual e iniciar o 2021 num nível energético nunca antes atingido.
Não há mais retorno ao que era antes! A Transição Planetária se encaminha para
os anos finais e as mudanças que antes nem eram percebidas, agora ficam cada
vez mais visíveis.
As vibrações baixas, ou seja, as emoções, os medos, os
traumas e as dores do passado, pedem passagem agora. Ressurgem de forma repentina,
às vezes intensa, e pedem a atenção devida, a fim de serem compreendidas,
aceitas, reconhecidas e, de forma amorosa, liberadas, pois elas são partes
nossas que precisam ser deixadas para trás. São energias 3D que a Nova Terra
não pode receber, pois como energia, a sua vibração já está em 5D.
Você pediu para estar encarnado aqui agora para fazer parte
da Transição Planetária. É um privilégio pois apenas uma minoria dos Espíritos
espalhados pelos Universos infinitos podem passar por tal experiência. E
lembre-se sempre: você é muito amparado! O tempo todo e em todas as
circunstâncias. Essa é a garantia que recebemos antes de vir para a atual
encarnação. Fazemos parte deste processo que é único, pois a Terra nunca passou
por uma Transição de tamanha envergadura! Podemos afirmar com toda a convicção
que A LUZ VENCEU!
Eu sou Vital Frosi e minha missão é o esclarecimento!
Namastê!
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Ligue o vídeo abaixo:
https://youtu.be/2cIuCR3OzwA
FENÔMENO DIA 21 DE DEZEMBRO 2020 SERÁ MUNDIAL - O Céu Está
Falando!
Há
tempos vinha enviando em dezembro para pessoas de meu círculo afetivo,
parentes, amigos e escritores, minha mensagem de Natal acompanhada de um poema.
Penso que decorreram mais de trinta anos quando fiz o primeiro poema motivado
pelo Natal com essa intenção. Lembro do primeiro que enviei. Manjedoura — O
que mais encanta/ é acontecer o menino/ nas migalhas/ deste chão sonoro/ e
ganhar grãos azuis/na manjedoura dos ares.
Certa
vez ousei enviar para o poeta Carlos Drummond de Andrade a mensagem com um
desses poemas. Era um soneto, um soneto menor, com versos de cinco sílabas, que
contava a alegria de bichos e gente com o nascimento do menino pobre nas
palhas, que depois viria ser o bem-amado salvador da humanidade. Assim era o
sonetinho: Historinha do Menino Jesus — O galo cantou, / A vaca mugiu, / O
burro zurrou, / A ovelha baliu. // A rosa acordou, / O peixe sorriu, / A cabra
contou/ Que a cobra sumiu.// Foi tanto balão/ que subiu ao céu,/ Foi tanta canção//
Que ventou ao léu/ Que até hoje luz/ Do menino a cruz.
Não
demorou, um milagre aconteceu quando recebi do poeta Carlos Drummond de
Andrade, como retribuição à minha mensagem de Natal, o poemeto seguinte: A
Cyro de Mattos no Natal — Uma notícia irrompe desta árvore/ e ganha o mundo:
verde anúncio eterno/ Certo invisível pássaro presente/ murmura uma esperança a
teu ouvido. Depois de receber esse rico presente de um poeta grandão, de
minha predileção, que poderia um poeta inventor de ingenuidades, desconhecido,
morando e vivendo no interior da Bahia, querer mais naquele Natal?
O
poema de quatro versos do trivial lírico de Itabira, com suas ondas cheias de
ternura, dava-me a mesma sensação que tive quando era menino e acreditava em
Papai Noel. Como até hoje acredito, não sorria, faz favor. Recebi naquele Natal
que já vai muito longe como presente do bom velhinho uma bola de couro, que
encontrei no outro dia pelo amanhecer sobre meu par de sapatos. Era o que mais
queria, aquela bola de couro, para jogar futebol com meus queridos amigos nos
campinhos improvisados dos terrenos baldios. Atordoado, não sabia, naquele
instante, se o presente que me chegava do céu por encanto, com uma bola de
couro, novinha, era sonho ou verdade. Neste caso, eu havia feito um bilhete a
Papai Noel pedindo para que ele me desse no Natal a bola de couro e fui
atendido naquilo que tanto desejava. No caso dos versos de Carlos Drummond de
Andrade, chegou-me aquele presente de um coração lírico como era o do nosso
poeta maior, sem que eu nada lhe ter pedido. Sustos esplêndidos do Natal
aqueles, quer num caso, quer no outro.
Transcorridos dez anos, dei conta que
já havia enviado a cada dezembro para as pessoas um conjunto de poemas
inspirados no Natal. Resolvi reunir e publicar os poemas no pequeno livro Natal
Permanente, que teve ilustrações de Calasans Neto e o selo das Edições
Macunaíma, de Salvador. Naquele dezembro de 1986, enviei para as pessoas esse pequeno
livro, ao invés de um novo poema com tema do Natal, como eu vinha fazendo. Uma
das surpresas agradáveis que tive foi quando recebi da poeta conterrânea Valdelice
Soares Pinheiro uma pequena carta agradecendo o envio do meu pequeno livro. Ela
me dizia que Natal Permanente lembrava-lhe “fonte, peixe e comunhão”,
fazendo-a sentir “nesse caminho por onde os homens deveriam passar colhendo
mel, preparando o pão”. Observava: “Traz-me a alegria de descobrir que sou
cavalo, viagem, travessia desse menino, esse distante, mas ainda agora menino,
que um dia, trinta e três anos depois, pregado em uma cruz, sonhou ser a luz
dos homens, despregando, de seus braços doloridos, o amor e o perdão para a
compreensão de sua presença de Pai e Filho, que, em um só, queria criar o Reino
da Paz no Espírito Santo”. A certa altura, tomando emprestados alguns dos meus
versos, ela perguntava: “Terão os homens entendido essas proezas numa só
mesa de todas as mãos?”
Até hoje vou aos meus guardados e
busco a carta da conterrânea Valdelice Soares Pinheiro. Fico comovido quando a
leio na época do Natal. Ela termina por me dizer que meu pequeno livro, além de
estendê-la na consciência de não solidão, “me trouxe de volta a criança que um
dia, queira ou não queira, a gente pensa que perde”.
Natal
Permanente é o mesmo livrinho que passou a ser
chamado Oratório de Natal, publicado pela Fundação Cultural da Bahia, em
primeira edição, e, acrescido de mais dez poemas, em segunda, pela editora Duna
Dueto, do Rio de Janeiro.Com as
ilustrações singelas do desenhista Ângelo Roberto, baiano nascido em Ibicaraí,
que residiu muitos anos em Salvador, onde ficou conhecido como o poeta do
traço.
O
livrinho Oratório de Natal, que vem me dando alegria, continua
circulando em época ou não do Natal. Para que a vida seja sempre verde como na
campina. Para que a vida seja sempre mansa como na colina. Para que a vida como
a do menino dormindo no presépio seja sempre amiga e no meu peito cresça.
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Cyro de Mattos é escritor e poeta. Doutor Honoris Causa da
Universidade Estadual de Santa Cruz. Publicado em Portugal, Itália, Espanha,
Alemanha, França, Dinamarca, Rússia e Estados Unidos. Premiado no Brasil e
exterior. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia e de Ilhéus. Comendador
da Ordem do Mérito do Governo da Bahia.
Órfãos (1885), pintura de Thomas Benjamin Kennington
(1856-1916)
Péricles Capanema
Fiquei órfão de pai aos cinco anos. Esconderam-me a perda,
era natural não me quisessem ciente, evitavam sofrimentos de um toquinho de
gente despreparado para o choque. Estava viajando, voltaria logo, diziam.
Menino acredita em tudo. Um primo, seis meses mais novo, revelou-me a verdade
no meio da rua. Ele nunca se deu conta que dele veio a revelação atroz. Até
hoje tenho nítida a cena, navalha na carne, das dilacerações mais traumáticas
da vida. Contudo vou tratar hoje de outra orfandade, também dilacerante e
trágica, não a de um menino desconhecido do interior mineiro, que afeta
multidões mundo afora.
Fernando Haddad, calculista como todo político de muita
estrada, vem se posicionando como intelectual com tintas de moderação, procura
atrair a atenção no palco por desvestir em ocasiões escolhidas a capa do PT e
enfiar no lugar a toga do professor; sob aspectos de um Fernando Henrique uns
30 anos mais moço. O prócer petista falou sobre as últimas eleições e, no meio
de enxurrada de reflexões carregadas de segundas intenções, veio o que ninguém
ou quase ninguém quis dizer: “Houve um deslocamento do eleitorado para
direita e para a extrema direita”. Haddad também em tais declarações tinha
segundas intenções, mas não julgo o momento de destacá-las. Em política, nada é
ocioso.
Ele caminhou na contramão das opiniões em geral
divulgadas: “Houve um deslocamento do eleitorado para a direita e para a
extrema direita”. É natural, nada poderia irritar mais um político de esquerda.
E por isso procura macular tal migração. Não embarco aí, meu foco é outro.
Concordo com Fernando Haddad em um ponto. Apesar de todas as decepções, apesar
de todas as contrafações, apesar de todas e piores surpresas, o sentimento
conservador resiste. Permanece um substrato na opinião pública que recusa a
desordem, antipatiza com a desonestidade, anseia por rumo estável de decência e
crescimento. É a parte que mais presta, a parte mais saudável, a sanior
pars; e boa parte dela hoje está órfã. Não tem em quem confiar, nem vê
perspectivas no horizonte. Provavelmente continuará órfã, é longo e difícil
trabalho resgatá-la da orfandade; ou, pior, temo muito, a experiência anterior
me deixa escaldado, embarque em algum momento em alguma nova aventura
destrutiva, engolindo utopias, que intoxicarão esperanças sadias.
Os órfãos (órfãos políticos, fique claro) do Brasil, assim
como os órfãos da Argentina, os órfãos dos Estados Unidos, os órfãos mundo afora,
em geral sentem faltam de ideal sistematizado e alcançável; e em decorrência de
tal ausência, de um programa e de um caminho. Em duas palavras, não está claro
o ponto de chegada; digo logo, deveria ser a ordem temporal cristã. E não
enxergam quem a ele deverá conduzir.
E então, muitas vezes no passado, na correria irrefletida e
atabalhoada em busca da solução (espécie de pai mítico), agarraram-se a uma
pessoa ou movimento que lhes parecia ter pelo menos um ponto favorável em
relação a todo o resto: com ele podia dar certo, podiam conseguir pelo menos
parte do que almejavam. A aparente eficácia encobria em geral defeitos que
depois se revelariam, acabariam destruindo o personagem fictício, tornariam
inviável a obtenção das soluções esperadas e lançariam descrédito, desânimo e
dúvidas sobre o movimento.
Terrível e repetido desfecho, filme que se assiste desde
pelo menos o começo do século XIX. De passagem deixa ver a profundidadedo
enraizamento conservador. Desde o século XIX? Sim, desde o começo. Pelo menos.
Exemplo? Com Napoleão já foi assim, talvez tenha sido o maior exemplo. O vivido
chefe militar aproveitou-se do horror que a Revolução Francesa tinha provocado,
o povo estava exausto de sangue e anarquia. Puxou para si as simpatias de
grande parte dos que queriam reagir. O Corso era forte e próximo, Luís XVIII
era distante e fraco; o Corso não mostrava escrúpulos, prendia e arrebentava,
Luís XVIII ainda tinha hábitos da corte do Ancien Régime; o Corso sabia
mandar, Luís XVIII parecia indeciso. A comparação deprimente continuava sem
fim. Em resumo, no jovem e enérgico general se farejavam vitórias, Luís XVIII,
liderança mofada, cheirava a naftalina. O bonapartismo triunfante impôs sua
concepção de ordem, estatizante e autoritária rescendendo a solução genial. Por
alguns anos fez delirar parte da França, despertou admiradores no exterior,
formou imitadores. Depois vieram as decepções, a derrota, a humilhação da
França invadida, a juventude sacrificada nas batalhas, as famílias destroçadas.
Luís XVIII assumiu, ainda arrumou um pouco a casa. A transposição com
adaptações para outros personagens ao longo da história não será difícil.
Realço um dos motivos dessa anomalia mortal. Talvez seja o
verso mais famoso do “Cantar de Mio Cid”: “Dios, qué buen vassalo, si oviesse
buen señor”. O vassalo ansiava por bom senhor, via nele ocasião de ótimos
serviços e aperfeiçoamentos. Empurro de lado as disputas eruditas a respeito e
jogo para o primeiro plano a importância central do bom senhor naquela canção
de gesta. O anelo, o sonho, o sebastianismo avant la lettre, aqui e em
tantos outros lugares, evidenciam um lado louvável, a disposição da adesão
fácil e entusiasmada a uma liderança que leva a bom porto. De outro lado, no
reverso da medalha, muitas vezes tal postura esconde deficiências, entre os
quais desponta a preguiça demolidora de desconfiar das soluções fáceis e de
olhar de frente, riscados nas testas de supostos salvadores, os sintomas
preocupantes, na verdade claros sinais precursores de desastres futuros. É
penoso sondar autenticidade e rumo certo em chefes aclamados que irradiam
atmosfera de vitória.
Um rumo certo, um sintoma de autenticidade. Lembrei acima,
um teste do tornassol para reação conservadora salutar: a defesa da ordem
temporal cristã, fundada na família, no princípio de subsidiariedade, (entre
outras instituições e princípios); enfim, buscar a continuidade e
aperfeiçoamento do que a Civilização Cristã produziu no Ocidente. Na presente
quadra histórica, não vejo outro bom começo. Sem o trânsito por este vestíbulo,
repetiremos fracassos do passado, passando da ilusão para a orfandade, da
orfandade para a ilusão; serão descaminhos e derrotas. Pensemos todos nisso
neste fim de ano. Feliz e Santo Natal, bom ano novo para todos.
A nova Diretoria da Academia Brasileira de Letras,
eleita no dia 3 de dezembro, toma posse na próxima sexta, dia 11 de dezembro,
às 17h, em cerimônia virtual. O modelo inédito da sessão solene estará
disponível para o público no portal da ABL. Ao final da sessão, os musicistas
Kiko Horta, David Chew e Franklin da Flauta farão uma apresentação musical em
celebração ao evento.
O Acadêmico Marco Lucchesi tomará posse para o cargo de
presidente no mandato de 2021. Tomarão posse, ainda, os seguintes Diretores:
Secretário-Geral: Merval Pereira; Primeiro-Secretário: Antônio Torres;
Segundo-Secretário: Edmar Bacha; e Tesoureiro: José Murilo de Carvalho.
DIRETORIA 2021
MARCO LUCCHESI – Sétimo ocupante da Cadeira n.° 15 da
ABL, eleito em 3 de março de 2011, na sucessão de Padre Fernando Bastos de
Ávila, Marco Lucchesi, nascido no Rio de janeiro em 9 de dezembro de 1963, é o
mais jovem Presidente da Academia Brasileira de Letras dos últimos 70 anos. O
mais novo, em toda a história da ABL, foi o Acadêmico Pedro Calmon (1902-1985),
que assumiu, em 1945, com 43 anos de idade.
Escritor muitas vezes premiado, tanto no Brasil quanto no
exterior, Lucchesi é autor de uma obra que abarca poesia, romance, ensaios,
memórias e traduções. Publicou mais de 40 livros ao longo de sua trajetória.
Professor titular de Literatura Comparada da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ), tem pós-doutorado em Filosofia da Renascença na Alemanha.
Formado em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), possui mestrado
e doutorado em Ciência da Literatura. Ganhou três Prêmios Jabuti da Câmara
Brasileira do Livro, o Prêmio italiano Pantera d 'Oro, o Prêmio romeno George
Bacovia, entre outros. Recebeu os títulos de Doutor Honoris Causa,
Universitatea Tibiscus (2016) e Doutor Honoris Causa, Universidade Aurel Vlaicu
de Arad (2020).
MERVAL PEREIRA – Oitavo ocupante da Cadeira n.° 31,
eleito em 22 de junho de 2011, na sucessão de Moacyr Scliar, Merval Pereira é
jornalista e comentarista da GloboNews e da CBN, e colunista de O Globo. Foi
eleito Correspondente Brasileiro da Academia das Ciências de Lisboa em novembro
de 2016. Em 1979, recebeu o Prêmio Esso pela série de reportagens “A segunda
guerra, sucessão de Geisel”, publicada no Jornal de Brasília e escrita em
parceria com o então editor do jornal, André Gustavo Stumpf. A série virou livro,
considerado referência para estudos da época e citado por brasilianistas, como
Thomas Skidmore. Em 2009, recebeu o prêmio Maria Moors Cabot da Universidade de
Columbia de excelência jornalística, a mais importante premiação internacional
do jornalismo das Américas.
ANTÔNIO TORRES – Nascido na Bahia, Antônio Torres
estreou na literatura em 1972, com o romance Um cão uivando para a Lua,
considerado pela crítica a revelação daquele ano. Hoje, entre os seus 17
títulos publicados, destaca-se a trilogia formada por Essa terra (1976), O
cachorro e o lobo (1997) e Pelo fundo da agulha (2006). Em 1998, foi
condecorado pelo governo francês como Chevalier des Arts et des Lettres, pelos
seus livros traduzidos na França. Em 2000, teve o reconhecimento nacional ao receber
o Prêmio Machado de Assis, da ABL, pelo conjunto da sua obra. Em 2001, ganhou o
Prêmio Zaffari & Bourbon. Recebeu ainda, entre outros, o Grande Prêmio
Cidade do Rio de Janeiro, da Academia Carioca de Letras, e o Prêmio da Academia
Petropolitana de Letras, ambos pelo conjunto da sua obra, da 9.a Jornada
Nacional de Literatura, da Universidade de Passo Fundo, RS, pelo romance Meu
querido canibal. Em 2007, Pelo fundo da agulha foi um dos ganhadores do Prêmio
Jabuti. Seus livros, que passeiam por cenários rurais, urbanos e da História,
têm tido várias edições no Brasil e traduções em muitos países; da Argentina ao
Vietnã.
EDMAR BACHA – Economista, fundador e diretor do
Instituto de Estudos de Política Econômica/Casa das Garças, um centro de
pesquisas e debates no Rio de Janeiro, nasceu em Lambari, Minas Gerais, de uma
família de escritores, políticos e comerciantes. Sexto ocupante da Cadeira n.°
40, eleito em 3 de novembro de 2016, na sucessão de Evaristo de Moraes Filho,
concluiu a Faculdade de Ciências Econômicas na Universidade Federal de Minas
Gerais e, em seguida, obteve o ph.D. em Economia na Universidade de Yale, EUA.
É autor de inúmeros livros e artigos em revistas acadêmicas brasileiras e
internacionais. Recebeu o Prêmio Jabuti em 2020 pela obra "130 anos:
em busca da República”, junto com outros coautores.
JOSÉ MURILO DE CARVALHO – Historiador e professor
emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nascido em
Andrelândia (MG), fez sua graduação em Sociologia e Política na Universidade Federal
de Minas Gerais (UFMG) e é ph.D. pela Universidade de Stanford. Atuou como
professor visitante e pesquisador em diversas universidades estrangeiras, como
Oxford, Leiden, Londres, Stanford e Princeton. É autor de vasta produção de
artigos e crônicas publicados em jornais e revistas, no Brasil e exterior, e de
livros, como Os bestializados (1987), Pontos e bordados (1998), A formação das
almas – o imaginário da República no Brasil (1990), Cidadania no Brasil: o
longo caminho (2001) e Dom Pedro II (2007). Recebeu o Prêmio Jabuti em 2020
pela obra "130 anos: em busca da República”, junto com outros
coautores.