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domingo, 13 de dezembro de 2020

VARIEDADE E UNIDADE NAS CANÇÕES DE NATAL – Plinio Corrêa de Oliveira

13 de dezembro de 2020


Por meio de seus cantos natalinos, cada povo glorifica a seu modo o Menino Jesus

Plinio Corrêa de Oliveira

 

Nas diversas nações, os cânticos de Natal variam de acordo com a índole nacional, mas em todos estão sempre presentes as mesmas notas apropriadas à Noite Santa. Há canções natalinas norte-americanas, brasileiras, italianas, alemãs, francesas, espanholas etc. São bem diferentes umas das outras, entretanto manifestam-se em todas os mesmos sentimentos despertados pelo Menino Jesus, por Nossa Senhora, por São José, pelo presépio. Quais são esses sentimentos?

O primeiro é a inocência. Os vários povos souberam compor verdadeiramente hinos de entusiasmo à inocência do Menino Jesus, que repercutem sob a forma de acordes a inocência de cada um ao glorificá-Lo. O entusiasmo que cada povo manifesta pela inocência do Divino Menino reflete um elemento de inocência que há em nós. Se não tivéssemos inocência alguma, não nos interessaríamos por Ele. Há quem não se interesse por Ele, ou aparenta interesse por pura formalidade. Como há em nós uma inocência, nos interessamos e cantamos a inocência presente n’Ele.

Está presente também o sentimento de ternura, pelo fato de o Menino Jesus ser tão frágil e pequeno, sendo ao mesmo tempo Deus. Há uma espécie de ternura, de compaixão, pois Ele é o Homem Deus — tão grande, entretanto contido naquela Criancinha. Disso decorre a vontade de proteger o Menino Jesus contra qualquer fator agressivo. Assim, algumas canções de Natal sugerem uma nota de defesa do Divino Infante.


As canções natalinas dos diversos países apresentam certa analogia com o sol, cuja luz tem a mesma cor; porém, quando ela atravessa um vitral, seus raios tomam coloridos diferentes, mas harmoniosos. A luz do sol que incide sobre o vitral projeta belezas como a de pedras preciosas.

Da mesma forma, o Menino Jesus é um só. Mas, quando cantado pela alma anglo-saxônica, notamos certo tipo de beleza; pela alma germânica, outro aspecto do belo; pela alma latina, brasileira, hispano-americana, surgem outras belezas. Já ouvi canções eslavas, inclusive russas; muito bonitas, mas com outras notas. Todas essas canções formam como que um vitral do Menino Jesus.

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 30 de dezembro de 1988. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

https://www.abim.inf.br/variedade-e-unidade-nas-cancoes-de-natal/

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PALAVRA DA SALVAÇÃO (213)


3º Domingo do Advento – 13/12/2020

Anúncio do Evangelho (Jo 1,6-8.19-28)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.

— Glória a vós, Senhor.

 

Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João. Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Este foi o testemunho de João, quando os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar: “Quem és tu?” João confessou e não negou. Confessou: “Eu não sou o Messias”. Eles perguntaram: “Quem és, então? És tu Elias?” João respondeu: “Não sou”. Eles perguntaram: “És o Profeta?” Ele respondeu: “Não”.

Perguntaram então: “Quem és, afinal? Temos que levar uma resposta para aqueles que nos enviaram. O que dizes de ti mesmo?” João declarou: “Eu sou a voz que grita no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor’” — conforme disse o profeta Isaías. Ora, os que tinham sido enviados pertenciam aos fariseus e perguntaram: “Por que então andas batizando, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?”

João respondeu: “Eu batizo com água; mas no meio de vós está aquele que vós não conheceis, e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias”. Isso aconteceu em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

https://liturgia.cancaonova.com/pb/

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Padre Roger Araújo:


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Deixar o Advento des-velar nosso "eu verdadeiro"

 


imagem: pexels.com/andrea-piacquadio

“Quem és, afinal? Temos que levar uma resposta para aqueles que nos enviaram. O que dizes de ti mesmo? (Jo 1,22) 

 

Vivemos um tempo de múltiplas imagens e estímulos, de novas versões e mudanças radicais, de diversidade de comunidades, religiões e línguas, de quebras de paradigmas em todos os campos da humanidade, de profundas transformações sociais, de rompimento de fronteiras... Este contexto de pluralidade faz com que todos se perguntem sobre sua identidade: “quem sou eu? quem somos nós?”

O ser humano está sempre em busca de sua identidade; não lhe basta existir, ele quer saber quem é, para se compreender e encontrar o sentido de sua própria existência.

Como cristãos que somos, não estamos protegidos dos ventos do momento em que vivemos; quem não se define, morre. Por isso, somos desafiados a falar de nossa identidade e adentrar-nos nas profundezas da nossa vida, para apresentar, num contexto global e totalmente mudado, qual é o nosso “rosto” hoje.

Frente às nossas falsas imagens e mentiras, frente às mascaras que nos escondem, frente às convenções sem alma, frente aos silêncios cúmplices, frente à impossível busca da perfeição, frente à negação das nossas próprias capacidades..., o tempo do Advento nos inspira a despojar-nos de capas ridículas que nos cobrem, para deixar aflorar nossa verdade desnuda, nosso “eu original”. É preciso atrever-nos a ser nós mesmos, a partir do mais interior e nobre. Há um grito que se eleva das profundezas existenciais: Viva! 

O evangelho deste domingo (3o Dom Advento) quer ser um convite a “desvelar nossa identidade”, descobrindo o que é mais original em nós, lançando-nos a superar aquilo que talvez nos impeça manifestar o que somos e expressar aos outros a riqueza que trazemos dentro de nós...

Sabemos que o ser humano age de acordo com a visão que tem de si mesmo. A percepção íntima da própria identidade é o supremo motivo e explicação das opções e mudanças importantes na vida pessoal.

João Batista tem consciência de sua identidade profunda e por isso proclama: “eu sou a voz que grita no deserto”. Ao mesmo tempo, deixa transparecer uma íntima sintonia entre sua identidade e sua missão; ou melhor, sua identidade se visibiliza na missão de “aplainar o caminho do Senhor”.

Minha identidade determina o meu comportamento. “O que eu sou determina o que eu faço”. O “quem sou eu?” é a base do “que faço eu?”  Todo ser age de acordo com sua própria autoimagem.

O agir se segue ao ser. Assim, conhecendo a mim mesmo acabo conhecendo o segredo de minhas ações e, fazendo emergir o que é mais nobre em mim, posso dirigir o curso dos meus atos, tornando-os mais oblativos e descentrados.

“Eu sou as minhas ações”, porque o que “eu sou” é o que positiva e visivelmente aparece em minhas ações. Quanto mais sou eu mesmo mais amplo é o alcance de minhas atitudes e mais transcendente o sentido de minhas opções.

Portanto, da identidade, assumida e vivida, é que brota a missão.

A identidade faz parte da missão, está em função dela, a inspira, a anima e é por ela configurada.

Com isso fica claro que a Identidade e Missão são inseparáveis, assim como a unidade insuperável entre ser e agir. Não é suficiente continuar adiante com a missão se não o fazemos como João Batista: abrasado com o amor de Deus, deixa transparecer sua verdadeira identidade na missão de ser o “precursor” do Messias.

Ter uma missão sem uma identidade que a inspire é cair no ativismo, na tarefismo, na ação insensata, ou seja, sem sentido, sem motivação e sem horizonte (para quê? para quem?).

Por outro lado, uma identidade que não se expressa na missão é vazia, é carente de humanidade e se fecha num intimismo alienante. Portanto, a identidade já é missão e a missão é revelação da identidade.

A identidade nos dá um rosto, centra-se tanto no ser como no fazer.  

Toda pessoa é um mistério para si mesma e para os outros. E quanto mais rica for sua vida, mais profundo o mistério. Mas é no coração que está a fonte, a origem e o mistério do ser humano.

O coração é a expressão da pessoa em sua interioridade e totalidade.

É no coração que se origina a necessidade de comunicação, de relacionamento e de comunhão.

É preciso ter a coragem de mergulhar até o mais profundo de si mesmo, em busca dessa luz infinita que emerge de dentro, quando se tira tudo o que é máscara e revestimento. O “eu original” é livre, criativo, transparente, iluminado... Ele escolhe os melhores caminhos que levam à plena realização de si e à transcendência.

Se a maneira pela qual nos conhecemos determina a maneira pela qual nos comportamos, quanto mais nós nos conhecemos e a tudo o que existe dentro de nós, melhor poderemos orientar nossa vida e dirigir conscientemente nossas opções.

Somos ainda, em grande parte, uma “terra desconhecida” para nós mesmos, e a viagem de descoberta é como a viagem imaginária a uma nova terra, estranha e bela, que desperta assombro frente aos seus encantos e à novidade de suas mil maravilhas. Perceberemos, depois, com surpresa e alegria, que a bela terra nova a que chegamos sem saber é nosso próprio país natal esquecido, subestimado e abandonado. A redescoberta de nós mesmos é a maior e sem dúvida a mais gratificante aventura de nossa vida.

Redescobrindo a nós mesmos, vamos encontrar o nosso lugar na história. Quanto melhor conhecemos o nosso verdadeiro ser, melhor será o valor de nossa vida para os outros.

De onde minha identidade ganha seus contornos originais? No mistério da alteridade, no encontro com o outro que me provoca a ser. A alteridade está no centro da construção da identidade, porque esta não se acha totalmente dada (como a existência), mas está para ser construída.

A identidade de João Batista é realçada pela alteridade do Messias que “está no meio de vós...; e eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias”.

A alteridade é fator constitutivo da identidade. O outro não é o inimigo, o intruso, mas facilitador de minha identidade. O outro é exatamente aquele que, justo por sua alteridade, chama-me, convoca-me e assim me faz sair do enclausuramento em mim mesmo. Aqui se revela o dinamismo mobilizador presente no próprio nome

Cada um de nós tem um nome, que é próprio, não comum. É de uma pessoa. Ele expressa o nosso ser,  indica uma missão a realizar, uma vocação, um apelo a responder.. Somos chamados. É isso que significa ter um nome. É preciso crescer na consciência de que o próprio nome tem uma história e manifesta uma identidade única, irrepetível, original. O nome próprio está relacionado com nossa realidade pessoal, responsável, criativa e livre.

Na Bíblia, o nome é algo dinâmico, é um programa. A troca de nome implica uma missão que deve ser realizada pela pessoa (Gen, 17,5; Jo. 1,42).

Um nome novo: uma aventura que começa; uma história a ser construída. Nosso nome secreto Deus o conhece. Ter recebido um nome de Deus significa tomar um lugar na história, uma missão a cumprir. 

Texto bíblico:   Jo 1,6-8.19.28 

Na oração:  Diante da presença de Deus, procure estar aberto ao contato com a própria realidade interior, para que venha à superfície aquilo que o sustenta e dignifica o seu viver.

- Dirija seu olhar para o que é mais íntimo em você, onde nascem sentimentos e valores, desejos e atitudes... onde você é convidado a se alegrar com os rastros da Graça. 

- Qual é a verdade original presente no seu nome?

- Quê você acredita ser o mais autêntico em sua maneira de ser e viver?


Pe. Adroaldo Palaoro sj

https://centroloyola.org.br/revista/outras-palavras/espiritualidade/2207-deixar-o-advento-des-velar-nosso-eu-verdadeiro

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sábado, 12 de dezembro de 2020

ALGUNS CUIDADOS NESTES DIAS 11, 12 E 13 DE DEZEMBRO - Vital Frosi

 


Amados!

Quanto mais aumenta a Luz, mais limpeza acontece, pois tudo vem à superfície. Estamos vivendo um dezembro diferente de tudo o que já aconteceu no Planeta Terra. O Flash Solar que já chegou devagarinho há alguns meses, foi se intensificando aos poucos, de forma a não causar nenhum problema por aqui, quer seja na natureza, nas pessoas e nos equipamentos eletro eletrônicos, ou mesmo nos satélites estacionados ao redor da Terra.

Dezembro será um mês em que essa Luz será mais notada, pois há um aumento significativo em seu potencial. Já recebemos algumas orientações do Alto de que desde o dia 01-12 ela está aumentando mais rapidamente que antes. Tanto é que até a Ciência, que é cética naquilo que não é comprovado cientificamente, está dizendo que há algo incomum por estes dias. 

Hoje, 12-12-2020, estamos bem no meio de um pulso forte de Luz fotônica. Serão 72 horas incríveis que correspondem aos dias 11, 12 e 13 de dezembro, portanto, sexta, sábado e domingo. A energia elevada deste pulso de Luz vai agir diretamente nas pessoas, pois ela fará um ajuste nos corpos humanos. 

Amados! Não fiquem preocupados! Ao contrário, sintam-se privilegiados em estar aqui agora fazendo a Transição junto com o Planeta. Essas energias estão fazendo atualizações necessárias pois o corpo humano precisa mudar a sua energia carbono para uma base cristalina.

Quanto mais mudamos o corpo físico, mais saudáveis seremos. Mas a mudança sempre traz um certo desconforto. Nestes três dias aqui citados, embora cada um possa ter sintomas diferentes dos outros, há uma recomendação que serve para todos.

Fiquem tranquilos pois as atualizações são benéficas. É fim de semana, então aproveite para descansar e relaxar. Escute o teu corpo e atenda-o. Se pede para dormir mais, durma. Se pede para meditar, medite. Se sente a necessidade de estar na natureza, vá. Mas preste atenção na alimentação. Coma produtos de fácil digestão. Evite bebidas alcoólicas e beba bastante água, de preferência pura ou filtrada. 

Muitos sintomas podem surgir, embora não os mesmos para todos, pois cada encarnado possui um grau diferente de energia. Não existe dois corpos energeticamente iguais, mas pode haver muitos com sintonia parecida. 

A noite passada, muitos tiveram insônia. Acordaram várias vezes, além do habitual. Alguns sentiram a necessidade de esvaziar a bexiga mais vezes do que as outras noites. Outros tiveram sonhos estranhos. Pessoas ou situações que nem lembravam mais, ressurgiram nestes sonhos. 

Sintomas físicos também podem aumentar pois a liberação das velhas energias causam algum desconforto também. Tonturas, moleza no corpo, dores nas articulações, cansaço, rinite, dores de garganta, de cabeça ou em outras áreas do corpo também. Há uma certa atividade maior do sistema renal também. Alguns sentem que o intestino está se limpando e o alívio no abdome é bem notado. 

Tudo isso que está acontecendo neste final de semana, é uma preparação para o que está vindo por volta do solstício de 21-12-2020 [veja vídeo abaixo] . O aumento gradativo da Luz e das energias é imparável. Tudo se acelera pois vamos fechar o ano atual e iniciar o 2021 num nível energético nunca antes atingido. Não há mais retorno ao que era antes! A Transição Planetária se encaminha para os anos finais e as mudanças que antes nem eram percebidas, agora ficam cada vez mais visíveis.

As vibrações baixas, ou seja, as emoções, os medos, os traumas e as dores do passado, pedem passagem agora. Ressurgem de forma repentina, às vezes intensa, e pedem a atenção devida, a fim de serem compreendidas, aceitas, reconhecidas e, de forma amorosa, liberadas, pois elas são partes nossas que precisam ser deixadas para trás. São energias 3D que a Nova Terra não pode receber, pois como energia, a sua vibração já está em 5D. 

Você pediu para estar encarnado aqui agora para fazer parte da Transição Planetária. É um privilégio pois apenas uma minoria dos Espíritos espalhados pelos Universos infinitos podem passar por tal experiência. E lembre-se sempre: você é muito amparado! O tempo todo e em todas as circunstâncias. Essa é a garantia que recebemos antes de vir para a atual encarnação. Fazemos parte deste processo que é único, pois a Terra nunca passou por uma Transição de tamanha envergadura! Podemos afirmar com toda a convicção que A LUZ VENCEU!

Eu sou Vital Frosi e minha missão é o esclarecimento!

Namastê!

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Ligue o vídeo abaixo:


https://youtu.be/2cIuCR3OzwA

FENÔMENO DIA 21 DE DEZEMBRO 2020 SERÁ MUNDIAL - O Céu Está Falando!

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quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

NATAL COM DOIS POETAS – Cyro de Mattos


                     Natal com dois poetas

Cyro de Mattos

 

Há tempos vinha enviando em dezembro para pessoas de meu círculo afetivo, parentes, amigos e escritores, minha mensagem de Natal acompanhada de um poema. Penso que decorreram mais de trinta anos quando fiz o primeiro poema motivado pelo Natal com essa intenção. Lembro do primeiro que enviei. Manjedoura — O que mais encanta/ é acontecer o menino/ nas migalhas/ deste chão sonoro/ e ganhar grãos azuis/na manjedoura dos ares.

Certa vez ousei enviar para o poeta Carlos Drummond de Andrade a mensagem com um desses poemas. Era um soneto, um soneto menor, com versos de cinco sílabas, que contava a alegria de bichos e gente com o nascimento do menino pobre nas palhas, que depois viria ser o bem-amado salvador da humanidade. Assim era o sonetinho: Historinha do Menino Jesus — O galo cantou, / A vaca mugiu, / O burro zurrou, / A ovelha baliu. // A rosa acordou, / O peixe sorriu, / A cabra contou/ Que a cobra sumiu.// Foi tanto balão/ que subiu ao céu,/ Foi tanta canção// Que ventou ao léu/ Que até hoje luz/ Do menino a cruz.


Não demorou, um milagre aconteceu quando recebi do poeta Carlos Drummond de Andrade, como retribuição à minha mensagem de Natal, o poemeto seguinte: A Cyro de Mattos no Natal — Uma notícia irrompe desta árvore/ e ganha o mundo: verde anúncio eterno/ Certo invisível pássaro presente/ murmura uma esperança a teu ouvido. Depois de receber esse rico presente de um poeta grandão, de minha predileção, que poderia um poeta inventor de ingenuidades, desconhecido, morando e vivendo no interior da Bahia, querer mais naquele Natal?

O poema de quatro versos do trivial lírico de Itabira, com suas ondas cheias de ternura, dava-me a mesma sensação que tive quando era menino e acreditava em Papai Noel. Como até hoje acredito, não sorria, faz favor. Recebi naquele Natal que já vai muito longe como presente do bom velhinho uma bola de couro, que encontrei no outro dia pelo amanhecer sobre meu par de sapatos. Era o que mais queria, aquela bola de couro, para jogar futebol com meus queridos amigos nos campinhos improvisados dos terrenos baldios. Atordoado, não sabia, naquele instante, se o presente que me chegava do céu por encanto, com uma bola de couro, novinha, era sonho ou verdade. Neste caso, eu havia feito um bilhete a Papai Noel pedindo para que ele me desse no Natal a bola de couro e fui atendido naquilo que tanto desejava. No caso dos versos de Carlos Drummond de Andrade, chegou-me aquele presente de um coração lírico como era o do nosso poeta maior, sem que eu nada lhe ter pedido. Sustos esplêndidos do Natal aqueles, quer num caso, quer no outro.

         Transcorridos dez anos, dei conta que já havia enviado a cada dezembro para as pessoas um conjunto de poemas inspirados no Natal. Resolvi reunir e publicar os poemas no pequeno livro Natal Permanente, que teve ilustrações de Calasans Neto e o selo das Edições Macunaíma, de Salvador. Naquele dezembro de 1986, enviei para as pessoas esse pequeno livro, ao invés de um novo poema com tema do Natal, como eu vinha fazendo. Uma das surpresas agradáveis que tive foi quando recebi da poeta conterrânea Valdelice Soares Pinheiro uma pequena carta agradecendo o envio do meu pequeno livro. Ela me dizia que Natal Permanente lembrava-lhe “fonte, peixe e comunhão”, fazendo-a sentir “nesse caminho por onde os homens deveriam passar colhendo mel, preparando o pão”. Observava: “Traz-me a alegria de descobrir que sou cavalo, viagem, travessia desse menino, esse distante, mas ainda agora menino, que um dia, trinta e três anos depois, pregado em uma cruz, sonhou ser a luz dos homens, despregando, de seus braços doloridos, o amor e o perdão para a compreensão de sua presença de Pai e Filho, que, em um só, queria criar o Reino da Paz no Espírito Santo”. A certa altura, tomando emprestados alguns dos meus versos, ela perguntava: “Terão os homens entendido essas proezas numa só mesa de todas as mãos?”

          Até hoje vou aos meus guardados e busco a carta da conterrânea Valdelice Soares Pinheiro. Fico comovido quando a leio na época do Natal. Ela termina por me dizer que meu pequeno livro, além de estendê-la na consciência de não solidão, “me trouxe de volta a criança que um dia, queira ou não queira, a gente pensa que perde”.

Natal Permanente é o mesmo livrinho que passou a ser chamado Oratório de Natal, publicado pela Fundação Cultural da Bahia, em primeira edição, e, acrescido de mais dez poemas, em segunda, pela editora Duna Dueto, do Rio de Janeiro.  Com as ilustrações singelas do desenhista Ângelo Roberto, baiano nascido em Ibicaraí, que residiu muitos anos em Salvador, onde ficou conhecido como o poeta do traço. 

O livrinho Oratório de Natal, que vem me dando alegria, continua circulando em época ou não do Natal. Para que a vida seja sempre verde como na campina. Para que a vida seja sempre mansa como na colina. Para que a vida como a do menino dormindo no presépio seja sempre amiga e no meu peito cresça.

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Cyro de Mattos é escritor e poeta. Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz. Publicado em Portugal, Itália, Espanha, Alemanha, França, Dinamarca, Rússia e Estados Unidos. Premiado no Brasil e exterior. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia e de Ilhéus. Comendador da Ordem do Mérito do Governo da Bahia.

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quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

ORFANDADE - Péricles Capanema

9 de dezembro de 2020


Órfãos (1885), pintura de Thomas Benjamin Kennington (1856-1916)

 

Péricles Capanema

Fiquei órfão de pai aos cinco anos. Esconderam-me a perda, era natural não me quisessem ciente, evitavam sofrimentos de um toquinho de gente despreparado para o choque. Estava viajando, voltaria logo, diziam. Menino acredita em tudo. Um primo, seis meses mais novo, revelou-me a verdade no meio da rua. Ele nunca se deu conta que dele veio a revelação atroz. Até hoje tenho nítida a cena, navalha na carne, das dilacerações mais traumáticas da vida. Contudo vou tratar hoje de outra orfandade, também dilacerante e trágica, não a de um menino desconhecido do interior mineiro, que afeta multidões mundo afora.

Fernando Haddad, calculista como todo político de muita estrada, vem se posicionando como intelectual com tintas de moderação, procura atrair a atenção no palco por desvestir em ocasiões escolhidas a capa do PT e enfiar no lugar a toga do professor; sob aspectos de um Fernando Henrique uns 30 anos mais moço. O prócer petista falou sobre as últimas eleições e, no meio de enxurrada de reflexões carregadas de segundas intenções, veio o que ninguém ou quase ninguém quis dizer: “Houve um deslocamento do eleitorado para direita e para a extrema direita”. Haddad também em tais declarações tinha segundas intenções, mas não julgo o momento de destacá-las. Em política, nada é ocioso.

Ele caminhou na contramão das opiniões em geral divulgadas: “Houve um deslocamento do eleitorado para a direita e para a extrema direita”. É natural, nada poderia irritar mais um político de esquerda. E por isso procura macular tal migração. Não embarco aí, meu foco é outro. Concordo com Fernando Haddad em um ponto. Apesar de todas as decepções, apesar de todas as contrafações, apesar de todas e piores surpresas, o sentimento conservador resiste. Permanece um substrato na opinião pública que recusa a desordem, antipatiza com a desonestidade, anseia por rumo estável de decência e crescimento. É a parte que mais presta, a parte mais saudável, a sanior pars; e boa parte dela hoje está órfã. Não tem em quem confiar, nem vê perspectivas no horizonte. Provavelmente continuará órfã, é longo e difícil trabalho resgatá-la da orfandade; ou, pior, temo muito, a experiência anterior me deixa escaldado, embarque em algum momento em alguma nova aventura destrutiva, engolindo utopias, que intoxicarão esperanças sadias.

Os órfãos (órfãos políticos, fique claro) do Brasil, assim como os órfãos da Argentina, os órfãos dos Estados Unidos, os órfãos mundo afora, em geral sentem faltam de ideal sistematizado e alcançável; e em decorrência de tal ausência, de um programa e de um caminho. Em duas palavras, não está claro o ponto de chegada; digo logo, deveria ser a ordem temporal cristã. E não enxergam quem a ele deverá conduzir.

E então, muitas vezes no passado, na correria irrefletida e atabalhoada em busca da solução (espécie de pai mítico), agarraram-se a uma pessoa ou movimento que lhes parecia ter pelo menos um ponto favorável em relação a todo o resto: com ele podia dar certo, podiam conseguir pelo menos parte do que almejavam. A aparente eficácia encobria em geral defeitos que depois se revelariam, acabariam destruindo o personagem fictício, tornariam inviável a obtenção das soluções esperadas e lançariam descrédito, desânimo e dúvidas sobre o movimento.

Terrível e repetido desfecho, filme que se assiste desde pelo menos o começo do século XIX. De passagem deixa ver a profundidadedo enraizamento conservador. Desde o século XIX? Sim, desde o começo. Pelo menos. Exemplo? Com Napoleão já foi assim, talvez tenha sido o maior exemplo. O vivido chefe militar aproveitou-se do horror que a Revolução Francesa tinha provocado, o povo estava exausto de sangue e anarquia. Puxou para si as simpatias de grande parte dos que queriam reagir. O Corso era forte e próximo, Luís XVIII era distante e fraco; o Corso não mostrava escrúpulos, prendia e arrebentava, Luís XVIII ainda tinha hábitos da corte do Ancien Régime; o Corso sabia mandar, Luís XVIII parecia indeciso. A comparação deprimente continuava sem fim. Em resumo, no jovem e enérgico general se farejavam vitórias, Luís XVIII, liderança mofada, cheirava a naftalina. O bonapartismo triunfante impôs sua concepção de ordem, estatizante e autoritária rescendendo a solução genial. Por alguns anos fez delirar parte da França, despertou admiradores no exterior, formou imitadores. Depois vieram as decepções, a derrota, a humilhação da França invadida, a juventude sacrificada nas batalhas, as famílias destroçadas. Luís XVIII assumiu, ainda arrumou um pouco a casa. A transposição com adaptações para outros personagens ao longo da história não será difícil.

Realço um dos motivos dessa anomalia mortal. Talvez seja o verso mais famoso do “Cantar de Mio Cid”: “Dios, qué buen vassalo, si oviesse buen señor”. O vassalo ansiava por bom senhor, via nele ocasião de ótimos serviços e aperfeiçoamentos. Empurro de lado as disputas eruditas a respeito e jogo para o primeiro plano a importância central do bom senhor naquela canção de gesta. O anelo, o sonho, o sebastianismo avant la lettre, aqui e em tantos outros lugares, evidenciam um lado louvável, a disposição da adesão fácil e entusiasmada a uma liderança que leva a bom porto. De outro lado, no reverso da medalha, muitas vezes tal postura esconde deficiências, entre os quais desponta a preguiça demolidora de desconfiar das soluções fáceis e de olhar de frente, riscados nas testas de supostos salvadores, os sintomas preocupantes, na verdade claros sinais precursores de desastres futuros. É penoso sondar autenticidade e rumo certo em chefes aclamados que irradiam atmosfera de vitória.

Um rumo certo, um sintoma de autenticidade. Lembrei acima, um teste do tornassol para reação conservadora salutar: a defesa da ordem temporal cristã, fundada na família, no princípio de subsidiariedade, (entre outras instituições e princípios); enfim, buscar a continuidade e aperfeiçoamento do que a Civilização Cristã produziu no Ocidente. Na presente quadra histórica, não vejo outro bom começo. Sem o trânsito por este vestíbulo, repetiremos fracassos do passado, passando da ilusão para a orfandade, da orfandade para a ilusão; serão descaminhos e derrotas. Pensemos todos nisso neste fim de ano. Feliz e Santo Natal, bom ano novo para todos.

https://www.abim.inf.br/orfandade/

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terça-feira, 8 de dezembro de 2020

ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS EMPOSSA SUA NOVA DIRETORIA PARA 2021

 


A nova Diretoria da Academia Brasileira de Letras, eleita no dia 3 de dezembro, toma posse na próxima sexta, dia 11 de dezembro, às 17h, em cerimônia virtual. O modelo inédito da sessão solene estará disponível para o público no portal da ABL. Ao final da sessão, os musicistas Kiko Horta, David Chew e Franklin da Flauta farão uma apresentação musical em celebração ao evento.

O Acadêmico Marco Lucchesi tomará posse para o cargo de presidente no mandato de 2021. Tomarão posse, ainda, os seguintes Diretores: Secretário-Geral: Merval Pereira; Primeiro-Secretário: Antônio Torres; Segundo-Secretário: Edmar Bacha; e Tesoureiro: José Murilo de Carvalho.

DIRETORIA 2021


MARCO LUCCHESI – Sétimo ocupante da Cadeira n.° 15 da ABL, eleito em 3 de março de 2011, na sucessão de Padre Fernando Bastos de Ávila, Marco Lucchesi, nascido no Rio de janeiro em 9 de dezembro de 1963, é o mais jovem Presidente da Academia Brasileira de Letras dos últimos 70 anos. O mais novo, em toda a história da ABL, foi o Acadêmico Pedro Calmon (1902-1985), que assumiu, em 1945, com 43 anos de idade.

Escritor muitas vezes premiado, tanto no Brasil quanto no exterior, Lucchesi é autor de uma obra que abarca poesia, romance, ensaios, memórias e traduções. Publicou mais de 40 livros ao longo de sua trajetória. Professor titular de Literatura Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tem pós-doutorado em Filosofia da Renascença na Alemanha. Formado em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), possui mestrado e doutorado em Ciência da Literatura. Ganhou três Prêmios Jabuti da Câmara Brasileira do Livro, o Prêmio italiano Pantera d 'Oro, o Prêmio romeno George Bacovia, entre outros. Recebeu os títulos de Doutor Honoris Causa, Universitatea Tibiscus (2016) e Doutor Honoris Causa, Universidade Aurel Vlaicu de Arad (2020).


MERVAL PEREIRA – Oitavo ocupante da Cadeira n.° 31, eleito em 22 de junho de 2011, na sucessão de Moacyr Scliar, Merval Pereira é jornalista e comentarista da GloboNews e da CBN, e colunista de O Globo. Foi eleito Correspondente Brasileiro da Academia das Ciências de Lisboa em novembro de 2016. Em 1979, recebeu o Prêmio Esso pela série de reportagens “A segunda guerra, sucessão de Geisel”, publicada no Jornal de Brasília e escrita em parceria com o então editor do jornal, André Gustavo Stumpf. A série virou livro, considerado referência para estudos da época e citado por brasilianistas, como Thomas Skidmore. Em 2009, recebeu o prêmio Maria Moors Cabot da Universidade de Columbia de excelência jornalística, a mais importante premiação internacional do jornalismo das Américas.


ANTÔNIO TORRES – Nascido na Bahia, Antônio Torres estreou na literatura em 1972, com o romance Um cão uivando para a Lua, considerado pela crítica a revelação daquele ano. Hoje, entre os seus 17 títulos publicados, destaca-se a trilogia formada por Essa terra (1976), O cachorro e o lobo (1997) e Pelo fundo da agulha (2006). Em 1998, foi condecorado pelo governo francês como Chevalier des Arts et des Lettres, pelos seus livros traduzidos na França. Em 2000, teve o reconhecimento nacional ao receber o Prêmio Machado de Assis, da ABL, pelo conjunto da sua obra. Em 2001, ganhou o Prêmio Zaffari & Bourbon. Recebeu ainda, entre outros, o Grande Prêmio Cidade do Rio de Janeiro, da Academia Carioca de Letras, e o Prêmio da Academia Petropolitana de Letras, ambos pelo conjunto da sua obra, da 9.a Jornada Nacional de Literatura, da Universidade de Passo Fundo, RS, pelo romance Meu querido canibal. Em 2007, Pelo fundo da agulha foi um dos ganhadores do Prêmio Jabuti. Seus livros, que passeiam por cenários rurais, urbanos e da História, têm tido várias edições no Brasil e traduções em muitos países; da Argentina ao Vietnã. 


EDMAR BACHA – Economista, fundador e diretor do Instituto de Estudos de Política Econômica/Casa das Garças, um centro de pesquisas e debates no Rio de Janeiro, nasceu em Lambari, Minas Gerais, de uma família de escritores, políticos e comerciantes. Sexto ocupante da Cadeira n.° 40, eleito em 3 de novembro de 2016, na sucessão de Evaristo de Moraes Filho, concluiu a Faculdade de Ciências Econômicas na Universidade Federal de Minas Gerais e, em seguida, obteve o ph.D. em Economia na Universidade de Yale, EUA. É autor de inúmeros livros e artigos em revistas acadêmicas brasileiras e internacionais. Recebeu o Prêmio Jabuti em 2020 pela obra  "130 anos: em busca da República”, junto com outros coautores.


JOSÉ MURILO DE CARVALHO – Historiador e professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nascido em Andrelândia (MG), fez sua graduação em Sociologia e Política na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e é ph.D. pela Universidade de Stanford. Atuou como professor visitante e pesquisador em diversas universidades estrangeiras, como Oxford, Leiden, Londres, Stanford e Princeton. É autor de vasta produção de artigos e crônicas publicados em jornais e revistas, no Brasil e exterior, e de livros, como Os bestializados (1987), Pontos e bordados (1998), A formação das almas – o imaginário da República no Brasil (1990), Cidadania no Brasil: o longo caminho (2001) e Dom Pedro II (2007). Recebeu o Prêmio Jabuti em 2020 pela obra  "130 anos: em busca da República”, junto com outros coautores.

07/12/2020

 

https://www.academia.org.br/noticias/academia-brasileira-de-letras-empossa-sua-nova-diretoria-para-2021

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