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sábado, 24 de outubro de 2020

CYRO DE MATTOS Vai receber Medalha Zumbi dos Palmares


                  Cyro de Mattos Vai Receber

Medalha Zumbi dos Palmares

 

          O escritor e poeta Cyro de Mattos vai ser distinguido pela Câmara de Vereadores de Salvador com a Medalha Zumbi dos Palmares, em sessão virtual solene que será realizada no próximo dia 3 de novembro, às 19 horas. O projeto de outorga da Medalha Zumbi dos Palmares ao escritor baiano é de autoria do jurista e vereador Edvaldo Brito, que é membro da Academia de Letras da Bahia.


O Homenageado

         Autor premiado, Cyro de Mattos pertence a instituições culturais importantes, e, entre elas, a Academia de Letras da Bahia e o Pen Clube do Brasil. Tem no seu currículo um enorme acervo literário, com cerca de 50 livros publicados, de vários gêneros, além de ser também editado em Portugal, Espanha, França, Itália e Alemanha. Um dos temas de seus livros é o da valorização do negro com a sua cultura e valores, suas tradições e modos de ser na vida, os quais até hoje vêm sendo alvo da injustiça, preconceito e violência.

        Além de contos, poemas e crônicas que tratam das questões do negro em vários de seus livros, de sua obra destacam-se a narrativa Natal das Crianças Negras, em seis idiomas, editada também na Itália pela Editora Aracne, a história infantojuvenil O Menino e o Trio Elétrico, Prêmio da União Brasileira de Escritores (RJ), também publicada em Milão pela Editora Romar, na tradução da poeta Mirella Abriani, assistente cultural da Casa de Verdi, e Poemas de Terreiro e Orixás, das Edições Mazza, casa especializada na publicação de livros com assuntos do negro.


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sexta-feira, 23 de outubro de 2020

O MAL NÃO PREVALECERÁ - Padre David Francisquini

23 de outubro de 2020

Pe. David Francisquini*


Enquanto o Supremo Tribunal Federal revoga a prisão de uma enfermeira acusada de realizar centenas de abortos clandestinos, condena o Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz [foto] que impediu, via judicial, um só aborto.

A enfermeira encontra-se livre por força de liminar concedida pelo relator do caso no STF, Marco Aurélio Melo, por ter um filho portador de transtorno de espectro autista, dependente de seus cuidados. Para o ministro, a prisão que já durava nove meses excedeu o prazo razoável, pois foi presa em flagrante no ano passado, num hotel, em Belo Horizonte, quando se preparava para praticar ali mais um aborto clandestino.

Em sua sentença, o ministro Barroso afirmou que a criminalização do aborto viola os direitos fundamentais das mulheres pobres, já que elas não podem ter acesso às clínicas de luxo… Por sua vez, a ministra Rosa Weber alegou que sendo a sociedade machista, não valoriza e nem reconhece os direitos reprodutivos da mulher… Alexandre de Moraes sentenciou que a soltura da enfermeira para cuidar de um filho menor ressalta que o distanciamento dos fatos a impedirá de atitudes criminosas. (Jornal online: Conexão política, Publicado por Marcos Rocha. Acesso em 17-10-20).

Já o referido caso do Padre Lodi, por ter impedido a realização de um aborto, foi condenado a pagar uma indenização de quase R$ 400 mil por ‘danos morais’ causados aos pais que desejariam abortar o filho. Antes, no Supremo Tribunal de Justiça, a ministra Nancy Andrighi, que se declara católica, na sua sentença afirma que o sacerdote teria abusado de seus direitos ao pedir liminar para que a realização do aborto não fosse levada a cabo.

Enquanto nos é negada a liberdade de ir e vir a propósito da epidemia, de trabalhar, de frequentar a igreja, de impedir que cada qual procure resolver o seu problema de saúde, a magistrada — para condenar o padre — discorre sobre a liberdade que a pessoa tem para proceder um aborto a fim de evitar traumas.


Tal ‘liberdade’, aliás muito particular de se fazer aborto, vem sendo imposta pela agenda esquerdista de todos os naipes ao fornecer os instrumentos legais para o judiciário, sob pretextos diversos, como no caso em pauta, de evitar traumas para a mãe. Contudo, um ponto importante é omitido nessa trama, pois o aborto pode ocasionar traumas ainda maiores como desequilíbrios psíquicos, loucuras, depressões, podendo chegar até mesmo ao suicídio pelo problema de consciência causado, pois está inscrito no coração da mãe a proibição de matar o próprio filho.

O carinho e o afeto maternos são proibidos de ter a sua livre expansão no coração de uma jovem mãe que pede proteção, evitando usar de crueldade. Abusar dessa liberdade é um ato cruel. A Ministra sentenciou que o padre “buscou ao menos por via estatal a imposição de seus conceitos e valores a terceiros, retirando deles a mesma liberdade de ação que vigorosamente defende para si”.

Afirmou ainda que o sacerdote violou a liberdade do casal para fazer prevalecer a sua “posição particular”, tendo pois agredido a honra da família ao denominar a atitude tomada por eles de “assassinato”, além de ter agido de forma temerária ao impor a eles “sentimento inócuo”. A criança a ser abortada, segundo os médicos, não teria condições de sobreviver após o nascimento. O que de fato sucedeu.

Salta aos olhos que a nossa legislação não está sendo feita para favorecer a vida, mas para implantar a cultura da morte. A propósito, levanto algumas questões. Qual a relação entre a interrupção do curso normal de uma criança que virá à luz do mundo com o poder das trevas e o obscurantismo? Já estaríamos na época das trevas? Haveria ainda uma relação entre aborto e drogas, homicídios, amor livre, libertinagem, eutanásia, liberdade dos traficantes?

Esta sentença que caiu sobre o Padre Luiz Lodi é um fato inédito no Brasil, por isso não deixa de ser para os defensores do aborto uma ocasião a ser comemorada. Do ponto de vista judicial, tal medida tem um papel preponderante de inibir a voz da Igreja em questões morais e religiosas, pois ninguém se atreverá a impedir o avanço da agenda pró-aborto, mesmo via judicial, como fez esse zeloso sacerdote.

Pelo que eu saiba, nunca ocorrera na América Latina repercussão tão grave no edifício multissecular do Mandamento da Lei de Deus, ancorado na lei natural, que proíbe matar, principalmente em se tratando de um inocente e indefeso no ventre materno.

Talvez nem todo leitor saiba da existência de entidades que ajudam mulheres entrarem na justiça para receber danos morais reais ou pretensos. Uma delas é o “Fundo Vivas”, que presta auxílio financeiro, por meio de doações a essas mulheres e que tem também como objetivo arrecadar dinheiro para auxiliá-las em situações similares.


Seus dirigentes partem do princípio de que não se pode defender o nascituro, mas sim os que livremente procederam a geração de uma criança, isso acima de qualquer princípio moral e ético. Os responsáveis pelo filho em gestação têm o direito de matá-lo, pois um nascimento indesejado iria atrapalhar suas vidas despreocupadas e indiferentes a Deus. Imaginam eles que a liberdade consiste apenas em gozar a vida e ser feliz.

Para eles, o papel do Estado moderno é fazer leis pelas quais cada indivíduo possa afirmar que ‘na minha vida quem manda sou eu’, e ai de quem discordar, poderá de ser punido! A isso eu dou o nome de ditadura do hedonismo, pois a liberdade é para se fazer o bem, e não o que cada um quiser. Há advogados que afirmam que a interrupção da gravidez é um direito da gestante e opção do casal, do qual se pode fazer uso, sem persecução penal posterior e até mesmo sem a interferência de terceiros.

Fatos como esse, poderão abrir precedentes para qualquer pessoa que queira se utilizar de meios legais para o planejamento e a execução do crime de assassinato da vida intrauterina, pois terão a garantia da impunidade. Isso representa de fato um enorme rompimento na história do cumprimento às Leis de Deus, pois é o homem querendo se sobrepor a Deus!

Com certeza atrairá sobre si e sobre nossa nação terríveis castigos. Vozes como a do Padre Luiz Lodi precisam ser ouvidas e apoiadas. Não é permitido que o mal e o erro triunfem sobre a verdade e a virtude! Aqui poderemos parafrasear David dizendo a Saul que não quis estender a sua mão contra ele, pois queria conservar a sua mão sem mancha, sem nenhuma iniquidade, para não pecar contra o ungido do Senhor, mesmo quando Saul o procurava para matar.

Os abortistas não sossegam, não dão tréguas contra a vida do inocente: dos ímpios sairá a impiedade; as mãos dos abortistas estão carregadas de sangue contra as crianças inocentes, clamando a Deus por vingança.

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*Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ).

 

https://www.abim.inf.br/o-mal-nao-prevalecera/

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BOM BRASILEIRO General Augusto Heleno


Para mim, bom brasileiro se une a seus concidadãos, em busca de soluções viáveis para os problemas nacionais. Bom brasileiro analisa os desafios a enfrentar e se dedica a construir pontes para o futuro.

Bom brasileiro não se une a organizações estrangeiras, com interesses explicitamente contrários aos nossos, e cujos objetivos são intervir em assuntos internos do Brasil para tirar enormes proveitos econômicos e nos desqualificar internacionalmente.

Bom brasileiro é o que defende a soberania nacional e acredita que a Amazônia Brasileira nos pertence e cabe a nós explorá-la, de forma sustentável, para o bem da nossa gente.

Bons brasileiros discordam, discutem, ponderam, divergem, mas têm orgulho de saber que, durante séculos, gerações que nos antecederam preservaram nosso território, nossa cultura, nossas incalculáveis riquezas e nossa liberdade. Deu pra entender ou precisa desenhar?

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General Augusto Heleno – General do Exército Brasileiro e Ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. Governo Jair Bolsonaro.


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quinta-feira, 22 de outubro de 2020

CARÊNCIA DE AFETO - Zuenir Ventura


Só espero que não se repita mais o que aconteceu este ano, quando, por causa da pandemia, não pude abraçar meu netos Alice e Eric nos seus aniversários. Beijar, então, nem pensar. Até o parabéns teve que ser cantado com máscara. É fácil imaginar o que foi para um beijoqueiro que, como diz minha mulher, beija até cachorro na rua.

Realmente, afeto para mim se confunde com afago, se traduz em gesto, é tátil. Quando recebo um telefonema ou e-mail de uma amiga ou amigo, a sensação de falta, ou seja, a saudade aumenta. Entendo o que Gilberto Gil disse uma vez — que só sentia saudade das pessoas quando as encontrava. Aliás, vocês se lembram do resultado da pesquisa que Ancelmo publicou? Mais de 80% responderam que o abraço dos parentes e amigos era do que mais sentiam falta. O que talvez vocês não saibam (eu não sabia) é que existe a “síndrome da cabana”, um estresse que pode acometer as pessoas que estão voltando ao trabalho, ao “normal”, depois, por exemplo, de sete meses confinados em casa.

O fenômeno foi descrito pela primeira vez em 1900 nos EUA, referindo-se aos caçadores que no inverno ficavam muito tempo trancados em suas cabanas e que em seguida retomavam o convívio social. Não é uma boa notícia para todos nós que passamos sete meses isolados e sonhando em retornar à velha rotina. Será que vamos sentir falta do confinamento? Acho que não. Embora pessoal e diretamente não tenhamos sido atingidos pela pandemia, é impossível não ser afetado pelo desfile mórbido que aumenta a cada dia. No momento em que escrevo são mais de 150 mil pessoas, que serão mais quando vocês estiverem lendo.

Acaba de sair o livro “A bailarina da morte”, de Lilia Schwarcz e Heloisa Starling, sobre a gripe espanhola, que, entre 1918-19, matou mais do que a Primeira Guerra, cerca de 50 milhões de pessoas no mundo, e, só no Brasil, entre 35 mil e 50 mil. É de imprescindível leitura não só porque é um admirável trabalho de pesquisa sobre o que aconteceu naquele período tão mal estudado como porque mostra que o país teve um século para aprender e aprendeu pouco.

 O Globo, 21/10/2020

 https://www.academia.org.br/artigos/carencia-de-afeto

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Zuenir Ventura - Sétimo ocupante da Cadeira n.º 32 da ABL, eleito no dia 30 de outubro de 2014, na sucessão do Acadêmico Ariano Suassuna, e recebido no dia 6 de março de 2015, pela Acadêmica Cleonice Berardinelli.

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quarta-feira, 21 de outubro de 2020

UMA BONECA LOURA - Ariston Caldas

Uma boneca loura

(Ariston Caldas)

 

            Era véspera de Natal, chegou em frente a uma vitrine e fascinou-se com uma boneca loura em exposição, de olhos verdes, vestido azul celeste, sapatinhos prateados. Se tivesse dinheiro, a compraria para Verinha, a filha mais nova. “Para presente?”, perguntaria a balconista. “Sim, quero o papel mais bonito que você tiver”, responderia ele, entusiasmado, como se estivesse vendo a caixa com a boneca, num papel bonito, cruzada com uma fitinha vermelha, um adesivo em forma de coração. Chegou a sentir a emoção da menina recebendo o presente.

            Enquanto vislumbrava essas coisas, não tirava os olhos da boneca que parecia gente viva, cabelo dourado cheios de reflexos, uma etiqueta com o preço – 40 Reais. Uma dinheirama para ele. Se fosse trapaceiro e estivesse sozinho, a rua deserta, sem nenhuma pessoa passando, poderia, num lance rápido, apanhar a boneca, saindo depois rua afora, a boneca em baixo do braço, a polícia atrás, pessoas gritando: “Ladrão, ladrão!”. Sentiu um calafrio, mudou de pensamento, mas continuou de olho duro para a boneca de cabelo louro em cachos. Em todo caso, havia conseguido o medicamento para a filha, há três dias queimando de febre. Apalpou a caixa do remédio num bolso traseiro da calça. “Doutor Renato é um sujeito humanitário”, pensou. Na mesma vitrine havia um macaquinho peludo, cor-de-chocolate, de olhos miúdos, bem mais barato que a boneca de sapatinhos prateados.

            Que adiantava o preço menor do macaco se ele se encontrava sem um centavo? Além disso, a filha teria preferência indiscutível pela boneca de olhos verdes, nem tinha dúvidas. Assim, se tivesse que apanhar escondido, seria a boneca.

            Olhou para trás, quase assustado, dois soldados de polícia passavam emparelhados, sisudos, calados, lembrou novamente de Verinha ardendo em febre, o remédio no bolso da calça. Saiu apressado. A momento esquecera a boneca, os dois soldados.

            Pela frente, a avenida extensa, iluminada, cheia de vitrinas enfeitadas, árvores de Natal artificiais entremeadas de lâmpadas multicolores, gente passando com sacolas, com pacotes bem-feitos, atados com fitas, certamente levando muitas bonecas louras, macaquinhos marrons mais baratos, de olhos redondos. “Trouxe meu presente?”. Tinha certeza de que Verinha lhe perguntaria assim, quando ele chegasse, sentada num banquinho de madeira, ao lado da cama, embrulhada numa coberta de tacos. “Quando eu ia comprar uma boneca, um grupo de ladrões roubou meu dinheiro”, ele responderia assim, constrangido por mentir e por não haver levado um presente para a filha. Olharia para ela que não iria entender a explicação, tornando-se mais triste, a carinha aureolada pela coberta de tacos. Agora, muita gente passando apressada, buzinas de carros, sinos badalando e a noite cheia de estrelas. A boneca loura continuaria na vitrine? Ou já teria sido vendida? Se não, estaria exposta, de olhos verdes, sapatos prateados. Não tinha nem um tostão, só uma caixa de remédio num bolso da calça. Lembrava do doutor Renato: “Um comprimido pela manhã e outro á noite”. Dois soldados de polícia passando sisudos, um macaquinho peludo bem mais barato, pessoas gritando: “Ladrão, ladrão!”.

            E foi caminhando, ideias difusas chegando e sumindo, arrodeado de sombras, badaladas de sinos anunciando a missa do galo. Aumentou os passos, chegou em casa, bateu na porta assustado. “Como está Verinha? Eu trouxe o remédio”, falou para a mulher, voz meio embargada. “Parece que a febre baixou um pouco. Ela tomou um chá e agora está dormindo”, disse-lhe a mulher ajeitando a popa do cabelo, entrando para o quarto onde a menina se encontrava com febre.


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Ariston Caldas nasceu em Inhambupe, norte da Bahia, em 15 de dezembro de 1923. Ainda menino, veio para o Sul do estado, primeiro Uruçuca, depois Itabuna. Em 1970 se mudou para Salvador onde residiu por 12 anos. Jornalista de profissão, Ariston trabalhou nos jornais A Tarde, Tribuna da Bahia e Jornal da Bahia e fundou o periódico Terra Nossa, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado da Bahia; em Itabuna foi redator da Folha do Cacau, Tribuna do Cacau, Diário de Itabuna, dentre outros. Foi também diretor da Rádio Jornal.

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terça-feira, 20 de outubro de 2020

GERSON BARACHO, por Antônio Baracho

 


Gerson Baracho

  (In memoriam)

 

As lágrimas silentes

foram-se todas já.

Baixa o silêncio

nessa hora de despedida!

 

Venho de longe

com o olhar nevado

para trazer-te o pranto derradeiro.

 

Não trago flores,

venho sufocado nas lágrimas

que derramaram pelo caminho.

 

Trago-te o meu último beijo

na mística do crente;

revejo aqueles passos taciturnos,

sob o peso imortal da enciclopédia.

 

Além, a mocidade pressurosa,

sugando o mel que brota dos teus lábios.

Retorno a Itapitanga,

onde os teus filhos perpetuam

a tua imagem heroica e permanente,

enaltecendo os teus lindos sonetos.

 

A tua casa,

oh paladino augusto,

lembra o fastígio

de uma Academia!

 

 

Antônio Baracho, Poeta Psicólogo.

Membro da Academia Grapiúna de Letras- AGRAL e do Clube do Poeta Sul da Bahia.

Tel. (73) 98801-1224 / 99102-7937

E-mail: antoniobaracho@hotmail.com

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segunda-feira, 19 de outubro de 2020

AS ROUPAS – Gibran Khalil Gibran


As Roupas

 

            E um tecelão disse: “Fala-nos das Roupas”.

            E ele respondeu:

            “Vossos trajes ocultam muito de vossa beleza, porém não escondem o que não é belo.

            Embora procureis nos trajes a proteção libertadora de vossa intimidade, neles podeis encontrar arreios e cadeias.

            Pudésseis enfrentar o sol e o vento com mais epiderme e menos roupa;

            Pois o sopro da vida está na luz do sol e a mão da vida está no vento.

 

            Alguns dentre vós dizeis: O vento do norte foi quem teceu os trajes que vestimos.

            Eu, porém, vos digo: Sim, foi o vento do Norte.

            Mas a desonra foi o seu tear e o relaxamento dos nervos, o seu fio.

            E quando completou seu trabalho, riu na floresta.

            Não esqueçais que a modéstia é um escudo contra o olhar do impuro.

            E quando o impuro desaparecer, que será a decência senão um obstáculo e uma mancha na alma?

            E não esqueçais que a terra se rejubila de sentir vossos pés desnudos e que os ventos anseiam por brincar com vosso cabelo.”

 

(O PROFETA)

Gibran Khalil Gibran

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Gibran Khalil Gibran - Poeta libanês, viveu na França e nos EUA. Também foi um aclamado pintor. Seus textos apresentam a beleza da alma humana e da Natureza, num estilo belo, místico, conseguindo com simplicidade explicar os segredos da vida, da alegria, da justiça, do amor, da verdade.

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PARA OS QUE TÊM SAUDADE DA PRIMAVERA

 


          O que o presente livro oferece ao leitor?

          Um enriquecimento espiritual e uma visão de beleza raramente igualados.  A sabedoria oriental, produto daquela terra onde nasceram os profetas e as religiões, sempre fascinou as almas sensíveis.

          Este livro contém a essência dessa sabedoria, aplicada não a problemas transcendentais, mas à nossa vida cotidiana, e expressada num dos estilos mais fascinantes de toda a literatura contemporânea.

          As edições anteriores desta tradução têm-se esgotado com excepcional rapidez. E raros são aqueles que, após ler o seu exemplar, não voltam, à livraria comprar outros exemplares para seus amigos.

          Pois a leitura deste livro é mais do que uma leitura: é uma deliciosa renovação da alma.

          Quando uma pessoa está fisicamente esgotada, vai respirar o ar vivificante das montanhas. Espiritualmente também, as pessoas se esgotam: o egoísmo, a concorrência feroz, o automatismo, a solidão moral, a insensibilidade que caracterizam os tempos modernos afetam nossas almas mais ainda do que a exaustão afeta nossos corpos. E livros como O Profeta são as alturas vivificantes de que a alma precisa.

          Comece a ler este livro hoje mesmo. Sua leitura não lhe tomará mais de duas horas. Mas a beleza de suas parábolas, a melodia de seu estilo, o estímulo de seus pensamentos, a profundidade dos seus conceitos o acompanharão durante meses.

          O Profeta, escrito originalmente em árabe e, depois, em inglês, por um dos escritores mais extraordinários do século XX, já foi traduzido para mais de 30 idiomas. E em toda parte, das agitadas metrópoles às aldeias sonolentas, centenas de milhares de pessoas fazem dele o seu livro de cabeceira e para ele se voltam cada vez que sentem saudade das alturas e da primavera. Aproveite também este livro, e deixe que o leve sobre as asas da poesia ao mundo maravilhoso da sabedoria e da beleza.

 

MANSUOR CHALLITA

(Tradutor e Apresentador)

 

Editora Vozes Ltda.

BRASIL 1974

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