O projeto de Resolução Nº 16/2020, da Câmara Municipal de
Salvador, publicado no Diário Oficial, em 20 de março de 2020, concedeu ao
escritor baiano Cyro de Mattos a Medalha Zumbi dos Palmares, uma das mais altas
honrarias daquela instituição legislativa.Foi criada para homenagear a pessoas atuantes no combate ao racismo,
discriminação e intolerância na cidade de Salvador e Bahia, bem como na
valorização da cultura do negro afrodescendente baiano.
O projetoé de
autoria do professor e vereador Edvaldo Brito, que salienta em sua
justificativa a ênfaseque o autor
baiano vem dando na sua vasta obra para a valorização donegro,através de publicação decontos,
crônicas,poemas e artigos, em especial
com os seus livros O Menino e o Trio Elétrico, Prêmioda União Brasileira de Escritores (Rio),
também editado na Itália, Natal das Crianças Negras, em seis idiomas, e Poemas
de Terreiro e Orixás, das Edições Mazza (BH).
Em Natal das
Crianças Negras, Cyro de Mattos conta o encontro pela primeira vez de duas
crianças negras e pobres comPapai Noel
na véspera de Natal. Na loja de brinquedos, o velhinho aparece na telinha da
televisão, de rosto alegre, com suas promessas de presentear as crianças
naquele dia cheio de inocência e esperança.As crianças Bel e Nel colocam os chinelos na janela. No outro dia, nada
encontram neles. E então souberam que o Natal era a lágrima que pelo rosto
descia. Já em O Menino e o Trio Elétrico, narra a história de Chapinha, um
menino pobre e negro, que vende amendoim no ônibus para ajudar a mãe viúva e a
vó Pequena no sustento da vida.Ele
sonha em ter o seu abadá para sair atrás de um trio elétrico de arromba, puxado
por um astro da música popular baiana, mas em face de suas condições pobres não
vê como esse sonho possa ser realizado.Cyro toca aqui nas contradições do carnaval baiano, bom para turista se
divertir e quem tem condições econômicas de viver a festa.Em Poemas de Terreiro e Orixás, comparece
com o seu modo solidário e encantatório de pensar o negro. Sentimentos refletem
um jeito comovente de ser negro, ritmado no canto vindo da África, que
transforma a alma em crença e magia.Imagens dizem de coisas tristes, que não se apagam no rastro das
distâncias, na sucessão infeliz dos momentos e gritantes situações adversas.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
João.
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, ao passar, Jesus viu um homem cego de
nascença. E cuspiu no chão, fez lama com a saliva e colocou-a sobre os
olhos do cego. E disse-lhe: “Vai lavar-te na piscina de Siloé” (que quer
dizer: Enviado). O cego foi, lavou-se e voltou enxergando. Os vizinhos e
os que costumavam ver o cego — pois ele era mendigo — diziam: “Não é aquele que
ficava pedindo esmola?” Uns diziam: “Sim, é ele!” Outros afirmavam: “Não é
ele, mas alguém parecido com ele”. Ele, porém, dizia: “Sou eu mesmo!”
Levaram então aos fariseus o homem que tinha sido
cego. Ora, era sábado, o dia em que Jesus tinha feito lama e aberto os
olhos do cego. Novamente, então, lhe perguntaram os fariseus como tinha
recuperado a vista. Respondeu-lhes: “Colocou lama sobre os meus olhos, fui
lavar-me e agora vejo!”
Disseram, então, alguns dos fariseus: “Esse homem não vem de
Deus, pois não guarda o sábado”. Mas outros diziam: “Como pode um pecador fazer
tais sinais?”
E havia divergência entre eles. Perguntaram outra vez ao
cego: “E tu, que dizes daquele que te abriu os olhos?” Respondeu: “É um
profeta”.
Os fariseus disseram-lhe: “Tu nasceste todo em pecado e
estás nos ensinando?” E expulsaram-no da Comunidade. Jesus soube que o
tinham expulsado. Encontrando-o, perguntou-lhe: “Acreditas no Filho do
Homem?” Respondeu ele: “Quem é, Senhor, para que eu creia nele?” Jesus
disse: “Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo”. Exclamou
ele: “Eu creio, Senhor!” E prostrou-se diante de Jesus.
Tem-se dito, e com razão, que a espiritualidade cristã é uma
“espiritualidade de olhos abertos”.
Na realidade, isso vale para toda espiritualidade genuína,
ou, em outras palavras, não seria verdadeira aquela espiritualidade que nos
alienasse ou nos isolasse da realidade, em particular da realidade mais
dolorida e sofredora. Há motivos para suspeitar de uma espiritualidade que não
desemboca na compaixão, entendida esta como a capacidade de entrar em sintonia
com o outro que sofre, e que se traduz numa ação eficaz a seu favor.
A CF deste ano nos apresenta o samaritano como personagem
inspirador na nossa vivência da espiritualidade cristã: “Viu, sentiu compaixão
e cuidou dele”.
Todos nós, de uma maneira ou de outra, somos cegos de
nascimento, porque nascemos e crescemos em meio a sistemas sociais e religiosos
que domesticaram nosso olhar, nos educaram a ter um olhar avesso e atrofiado. A
cura do cego de nascimento, apresentado pelo evangelista João, é o sinal que
nos fala daquilo que o Senhor nos oferece: caminhar na claridade do dia.
Este homem está cego, já que nasceu no mundo fechado e ao
longo de toda a sua vida aprendeu a ver com o olho cego da sinagoga. Jesus vai
curá-lo através de um gesto de íntima proximidade; não realiza um espetáculo
para provocar espanto, nem diz palavras ininteligíveis. Simplesmente agachou-se,
cuspiu no chão e com sua própria saliva fez um pouco de barro; com a gema de
seus dedos tocou com ternura os olhos do cego e o enviou a lavar-se na piscina
de Siloé. É uma cena de reconstrução de uma pessoa quebrada e que nos recorda o
primeiro barro com que Deus oleiro criou o primeiro ser humano.
No cego curado se revela a ação permanente de Deus:
despertar a luz escondida em nosso interior, ativar a vida para dar-lhe
amplitude maior.
Com o relato do cego de nascença, o evangelista João
está propondo um processo catecumenal que com-duz o ser humano das trevas à
luz, da opressão à liberdade, da identidade ferida à identidade reconstruída,
da exclusão à participação. Mas, para isso, é preciso deslocar-se, fazer a
travessia e descer em direção a Siloé, lugar das águas recriadoras. Este texto
remete à experiência fundante da vida.
O caminho de “descida” é o caminho da vida. Siloé está
situada na parte baixa da cidade, afastada daqueles que, na parte alta,
controlam e manipulam religião e as pessoas, através da centralidade da lei, do
culto, da tradição... Ali não há possibilidade da vida se expandir e se
expressar em todas as suas potencialidades.
O reservatório de Siloé estava situado fora das muralhas, na
parte baixa de Jerusalém e recolhia a água da fonte de Guijón e que chegava até
ele conduzida por um canal-túnel (daí o nome aramaico de “siloah”=
emissão-envio, água emitida-enviada). Era uma maravilha de engenharia, mandado
construir pelo rei Ezequias no ano 700 ac, para fazer a água chegar à cidade.
No final daquele túnel o cego se faz presente, lava-se,
assume sua vida, torna-se independente: um novo nascimento. Agora ele começa a
acreditar em si mesmo, em seu valor como ser humano, em sua capacidade de ver e
de dar direção à sua vida; assume sua condição humana e deixa de se sentir
escravo dos outros, controlado por pais e mestres, como um mendigo inútil; na
sua liberdade, ele agora pode assumir sua vida, decidir, dizer,
afirmar-se...
Inspirados no evangelista João poderíamos dizer: a doença é
a manifestação da perda do contato do ser humano com sua fonte divina. As duas
narrativas de cura mais importantes no 4º. evangelho, ocorrem no tanque de
Betesda e no reservatório de Siloé. Quando o ser humano é separado de sua fonte
divina, ele adoece, e a cura acontece, quando esse contato com a fonte interior
é reestabelecido. Para que isso aconteça, Jesus não precisa levar o doente até
a piscina de Siloé; bastam o encontro com Ele e a força de Sua palavra para
reconectar o enfermo com sua fonte profunda, da qual estivera separado.
Jesus reconstrói o cego quebrado em sua dignidade, mas
motiva-o a assumir sua responsabilidade, deslocando-se ao reservatório de água
de Siloé e rompendo sua dependência para com os fariseus e sacerdotes que o
oprimiam, mantendo-o preso à sua situação de cegueira existencial. O apelo de
Jesus é para que o cego seja ele mesmo, em liberdade; com seus gestos e com a
força de sua palavra, Jesus despertou no cego a mobilidade e independência.
Nesse sentido, caminhar em direção a Siloé é descer em
direção à própria humanidade, ao mais profundo de si mesmo, para lavar-se no
manancial das águas puras. O cego seguiu as instruções, recuperou a vista e
atingiu a integridade humana: passou da morte à vida, da opressão à
liberdade.
Todos sabemos que o ser humano é dotado de recursos internos
inesgotáveis. Cada um possui dentro de si uma fonte de forças reconstrutoras,
renováveis, resilientes. Mas, muitas vezes, é preciso de um estímulo externo
para reconectar-se com essa fonte.
Sabemos e sentimos, no mais profundo, o que é mais saudável
e vital para nós, porém precisamos do encorajamento externo para voltar a
confiar em nossas próprias potencialidades. O evangelho deste domingo nos
ensina o caminho através do qual descemos a uma dimensão mais profunda e assim
chegamos à corrente subterrânea; aqui experimentamos a unidade de nosso ser;
aqui é o lugar da transcendência, onde nossa transformação realmente
acontece.
Tal experiência significa abertura, dilatação do coração,
expansão da consciência ao ver que tudo parte de Deus (Fonte do rio da vida) e
tudo volta para Deus (rio que mergulha no Mar). A experiência de oração, junto
à Piscina de Siloé, nos conduzirá à outra fonte, aquela que brota do coração, e
que estava ressequida, impedindo-nos de reconhecer o murmúrio da água viva.
Sentados à beira da fonte silenciosa, poderemos, também nós,
atingir experiências imprevistas e surpreendentes, ou reconhecer, através do
murmúrio das águas, “vozes novas” que nos incitam a peregrinar para as regiões
desconhecidas do nosso próprio interior. Só assim, poderemos vislumbrar o outro
lado e tocar as raízes mais profundas que dão sentido e consistência ao nosso
viver.
O manancial de nosso ser essencial constitui nossa autêntica
vida. Descobri-lo, abrir-nos a ele, fazer-nos transparentes a ele e vivê-lo
cada dia..., constituem a plenitude de nossa realização. A“descida” até o mais
profundo de nós mesmos, requer que deixemos para trás um contexto de
competição, de rivalidade e vazio, de fechamento e rigidez, de superficialidade
e isolamento...
O encontro com a “água viva” abre futuro novo,
motivando-nos à tomada de decisões, a assumir um estilo de vida coerente com
aquilo que encontramos no fundo do nosso próprio coração.
Texto bíblico: Jo 9,1-38
Na oração: sente-se junto à sua Siloé interior;
mergulhe na “fonte” que corre, desça às “águas” do amor do Pai, deixe-se molhar
pelas Palavras do Filho e receba a força e a luz do Espírito.
- Na sua vida, o que está bloqueando, impedindo a
manifestação das melhores forças, inspirações, criatividade?
Tornou-se parada obrigatória o novo coronavírus. Não é para
menos, basta atentar para o que os infectologistas estão advertindo. Não será
diferente comigo, ponho o pé na estrada fazendo eco a declarações. Nos últimos
dias duas me chamaram especialmente a atenção pelo que apresentam de auspicioso
e relevante. Logo chegarei à decepção, objeto do artigo.
Sobre a disseminação do vírus, assisti na internet análise
circunstanciada do Prof. Roberto de Mattei, que soube unir em uma só palestra a
erudição segura, a profundeza da análise e o sensus fidei (o senso da
fé).
Título da postagem de Mattei: “Nuevo escenario mundial”.
Circunspecto (aquele que olha em torno de si, considera toda a realidade),
discorreu como scholar e líder católico. Em suma, não escondeu o perigo,
mas o observou com olhar sobrenatural; poucos o têm, faz falta enorme.
Nossa Senhora de Chiquinquirá, Padroeira e Rainha da
Colômbia
Falei em líder. Palavras singelas vieram de outro dirigente,
Ivan Duque, presidente da Colômbia — potência emergente, 50 milhões de
habitantes, mais de um milhão de quilômetros quadrados. Ali, de igual modo, transpareci
a fé: “Tenho em meu escritório o quadro de Nossa Senhora de Chiquinquirá
[foto ao lado], padroeira da Colômbia. Esta manhã me levantei pedindo à
padroeira da Colômbia que nos consagre como sociedade, que consagre nossa
família, nossos filhos. Que me consagre, tenho responsabilidades. A padroeira
da Colômbia nunca nos abandonou. Sei, palavras as sim não são comuns em minha
posição”.
Pelo que consta, nenhum chefe de Estado até agora usou
palavras assim. No mínimo, o primeiro mandatário colombiano considera que, no
fundo, pedir orações, exame de consciência, penitência, espírito sobrenatural
ajudará o povo a trilhar o rumo certo.
Em tal caminhada, opinião generalizada, teremos pela frente
meses de incerteza e sofrimento. Noto aqui, pois nada disso percebi nas
análises. A provação criará condições melhores para orações, exames de
consciência, elevação de vistas, emenda de vida. Ad augusta per
angusta (às coisas excelentes, pelos caminhos mais estreitos). Em tal
caso, o sofrimento terá sido, tudo pesado, uma bênção. Lembrará a Nínive do
profeta Jonas. De outro lado, como evitar ter em vista os anos loucos, les
années folles da década de 1920, em que os pavorosos sofrimentos da
Primeira Guerra Mundial trouxeram, como desabafo e ricochete, explosões de desregramentos?
O mundo civilizado em boa medida desperdiçou oportunidade extraordinária de
regeneração, para muitos dele terá acontecido o pior, o naufrágio.
Passo agora ao tema do cabeçalho. Por que decepção? Decepção
com o quê? Promessa, e promessa é dívida; a mais acho importante levantar a
matéria. De maneira crescente amigos me têm feito comentários exasperados sobre
a qualidade pessoal dos políticos que nos governam, esperavam muito mais —
decepção enorme. A respeito de alguns, pairavam esperanças. As deblaterações
não são de agora, já borbotavam antes do estouro do coronavírus, que só agravou
o quadro. Prometi algumas linhas a respeito e só vou tratar agora de um
aspecto, em geral silenciado. Em artigo futuro, cuidarei de outros aspectos.
Era justificável a esperança? Foi surpresa a decepção? Sob
certo ângulo, entro por assunto antigo, já no Império se criticava a classe política.
Com palavras talvez um pouquinho diferentes, Ulysses Guimarães comentou décadas
atrás a respeito: “Está achando ruim essa composição do Congresso? Então
espera a próxima: será pior. E pior, e pior.”
Por quê? Culpa só dos políticos? Ou culpa sobretudo do
eleitor que é quem os despacha para Brasília? A grossa maioria da população
brasileira hoje já não sabe que deputado federal sufragou em 2018. Votou pouco
informada, desatenta, desinteressada em candidatos que de fato não conhecia. À
vera, nem interesse tinha de conhecê-los. Depois, uma minoria vociferante
reclama, repercutindo sentimento geral.
A representatividade política no Brasil vem caindo, repito,
já constatava Ulysses Guimarães. Outros ainda. Faz parte de fenômeno mais
amplo, descrito com vivacidade e realismo contundente por Nelson Rodrigues, que
em parte colocava sua origem na falta do hábito de observar e raciocinar.
Recolho dele observações de quente atualidade: “Somos mais idiotas do que
nunca. Ninguém tem vida própria, ninguém constrói um mínimo de solidão. Pensam
por nós, sentem por nós, gesticulam por nós. No vasto passado humano, o idiota
como tal se comportava. Os personagens da História e da Lenda eram os melhores.
Em nosso Brasil, o que havia era o ‘o grande ministro’, ‘o grande deputado’, ‘o
grande jornalista’, ‘o grande tribuno’. Os idiotas não exalavam um suspiro.
Antigamente, o silêncio era dos imbecis. E, de repente, tudo muda. Hoje, são os
melhores que emudecem. Quem não percebeu a invasão dos idiotas não entenderá
jamais o Brasil de nossos dias. Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas;
hoje, os idiotas pensam pelos melhores. O grande acontecimento do século foi a
ascensão espantosa e fulminante do idiota”.
Detive-me nas palavras do dramaturgo recifense por um
motivo: padecemos, décadas afora, o achatamento generalizado das
personalidades, mesmo as mais relevantes, fenômeno moral, psicológico e social,
mas com reflexos daninhos na política, na economia, na vida econômica. É
fenômeno algum tanto notado e pouco estudado. Atinge sobretudo os interiores
das personalidades. Nunca diminuirá a decepção que hoje se espraia Brasil
afora, se não for mudado nosso interior. E então, em consequência de seiva
nova, surgirá naturalmente o reconhecimento, a relevância e a premiação do que
melhor existir na moral, na cultura, na inteligência. E na política. Concluo. O
sofrimento que de momento assoma no horizonte e nos atemoriza, se bem aceito,
ajudar-nos-á a retificar disposições interiores tortas, os grandes obstáculos
ao progresso autêntico do Brasil.
(Texto parcialmente meu, parcialmente de várias reflexões
anônimas que recebi.)
Não sabemos se estamos diante de uma arma biológica.
Não sabemos se a China arquitetou esse caos em benefício
próprio.
Ninguém sabe se é consequência da própria intervenção
do homem na natureza.
Alguns até dizem ser punição de Deus.
Outros falam sobre teoria da conspiração.
De qualquer maneira isto é apenas turbulência mental para
tentar explicar o desconhecido, uma pretensão de que o seu saber mude a
realidade.
Uns são otimistas, outros não. Mas isto não muda os
fatos. Serve apenas para o conforto ou a angústia pessoal.
Alguns dizem que estamos vivendo o apocalipse. Outros
comemoram uma oportunidade de renascimento de uma nova humanidade.
Há todavia uma verdade irônica e incontestável:
O MUNDO PAROU.
Independentemente das diferentes formas de pensamento.
E este “God's break” veio em tempo mais que oportuno.
A humanidade está desenfreadamente enlouquecida.
O homem não tem tempo para pensar, para refletir sobre
si mesmo, nem olhar para o outro.
Essa oportunidade, é para colocarmos a própria vida em
ordem.
Rever conceitos, valores e ressignificar a própria existência.
Este silêncio oportuno é CURATIVO.
As ruas estão vazias. As estradas, os bares, os
templos, as escolas, as universidades, os aeroportos... e isto provoca
questionamentos. Será que eles eram tão necessários?
E há certamente, para quem está atento, um silêncio no
céu.
Algo profundamente espiritual está acontecendo e poucos
conseguem perceber.
Este é um silêncio de reverência.
Deus está falando.
Ou escolham qualquer outro nome que acreditem, Eu Superior,
Vazio etc. ou qualquer coisa que prefiram. Pouco importa, está sendo
transmitida uma mensagem.
A DOR FALA.
Porque ela só cessa com o desapego, com uma mudança de
consciência.
É tempo de endireitarmos os nossos caminhos.
Muitos estão morrendo pelo Corona.
Mas há outros vírus muito piores matando milhares de pessoas
todos os dias.
O medo.
A fome.
A injustiça.
A manipulação do semelhante.
A omissão.
Algo invisível chegou e colocou tudo no lugar. De repente os
combustíveis baixaram, a poluição baixou, as pessoas passaram a ter tempo,
tanto tempo que nem sabem o que fazer com ele, os pais estão com os filhos em
família, o trabalho deixou de ser prioritário, as viagens e o lazer também. De
repente silenciosamente voltamo-nos para dentro de nós próprios entendemos o
valor das palavras solidariedade, amor, força, fé.
Num instante damos conta que estamos todos no mesmo barco,
ricos e pobres, que as prateleiras dos supermercados estão vazias e os
hospitais cheios e que o dinheiro e os seguros de saúde já não têm importância,
porque os hospitais privados são os primeiros a fechar, quando a lotação
compromete a eficiência. Compaixão surge nos locais menos técnicos.
Nas garagens estão parados igualmente os carros novos e
velhos, simplesmente porque ninguém pode sair.
Bastaram meia dúzia de dias para que o Universo
estabelecesse a igualdade social que se dizia ser impossível.
E o mais interessante é que isto não veio de ideologias, de
políticas, de dogmas, de verdades absolutas prontas.
O MEDO invadiu a todos.
Que ao menos isto sirva para nos darmos conta da
vulnerabilidade do ser humano.
Mesmo aqueles que não temem a morte preocupam-se com seus
entes amados. A impermanência da vida tornou-se algo explícito. A noção de que
tudo é efêmero minou nossa onipotência, nossas fantasias de controle, nossa
visão da realidade da existência.
Não se esqueçam...
BASTARAM MEIA DÚZIA DE DIAS.
Um minuto de silêncio pode trazer mais consciência de que
uma vida de agitação.
Que cada um possa fazer do silêncio deste momento, reconciliação
com o Todo. Somos todos UM.
Neste momento de solidão que surja a percepção de
que nunca estivemos separados.
De repente os combustíveis baixaram, a poluição baixou, as
pessoas passaram a ter tempo, tanto tempo, que nem sabem o que fazer com ele.
Os pais estão com os filhos, em família.
O trabalho deixou de ser prioritário, as viagens e o
lazer também.
De repente silenciosamente, voltamo-nos para dentro de nós,
para entendemos o valor da palavra solidariedade.
Num instante damos conta que estamos todos no mesmo barco,
ricos e pobres, que as prateleiras dos supermercados estão vazias e os
hospitais cheios e que o dinheiro e os seguros de saúde, que o dinheiro pagava,
não têm nenhuma importância neste momento, porque os hospitais privados foram
os primeiros a fechar.
As garagens e parques estão parados, igualmente os carros
top de linha ou ferro velhos antigos, simplesmente porque ninguém pode sair.
Bastaram meia dúzia de dias para que o universo estabelecesse
a igualdade social, que se dizia ser impossível novamente.
O medo invadiu todos.
Que isto sirva para nos darmos conta da vulnerabilidade do
ser humano.
Vale a pena parar para refletir.
......
O texto não é meu e nem sei o autor, mas achei extremamente
oportuno e real.Vamos aprender com as lições que este vírus nos trouxe.
Pupitre na sede do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira,
decorada pelo próprio Prof. Plinio. O leão à esquerda está lutando contra uma
serpente bicéfala simbolizando o orgulho e a sensualidade, as duas molas
propulsoras da Revolução. E o da direita está enfrentando uma serpente com três
cabeças, em recordação das três Revoluções. Ao centro, a frase “Residuum
revertetur” (O resto voltará). O ano de 1571 evoca a vitória da Cristandade em
Lepanto.
Pe. David Francisquini *
Enquanto processo multissecular de destruição paulatina da
civilização cristã nascida na Idade Média, a Revolução atua em todos os campos
da atividade humana para corroer os fundamentos dessa civilização. Quem o
afirma é o intelectual católico Plinio Corrêa de Oliveira em seu livro Revolução
e Contra-Revolução: “Claro está que um processo de tanta profundidade, de
tal envergadura e tão longa duração não pode desenvolver-se sem abranger todos
os domínios da atividade do homem, como por exemplo a cultura, a arte, as leis,
os costumes e as instituições”.
Para o mestre da Contra-Revolução “Este inimigo
terrível tem um nome: ele se chama Revolução. Sua causa profunda é uma explosão
de orgulho e sensualidade que inspirou, não diríamos um sistema, mas toda uma
cadeia de sistemas ideológicos. Da larga aceitação dada a estes no mundo
inteiro, decorreram as três grandes revoluções da História do Ocidente: a
Pseudo-Reforma, a Revolução Francesa e o Comunismo”.**
A causa mais profunda da baldeação ideológica de fiéis para
as hostes contrárias à Igreja reside em larga medida na ignorância religiosa e
doutrinária que grassa nos meios católicos. A propósito, recordo-me de que nos
idos de 1960 um jornalista muito arguto, mas pouco fiel à nossa santa fé,
chegou a afiançar que o Brasil não tardaria a se transformar no maior país
ex-católico do mundo.
São Pio X ensina que a debilidade das almas, da qual derivam
os maiores males, provém sobretudo da ignorância das coisas divinas. As obras
da ignorância religiosa são a paganização da sociedade, a germinação de
doutrinas contrárias à fé e a adoção de costumes hostis à nossa santa religião.
Tal ignorância é o resultado da educação deficiente em matéria de moral e
religião, que desde a infância prepara o homem contemporâneo para a aceitação
de doutrinas errôneas. Haja vista a maldita ideologia de gênero que tenta
relativizar uma das maiores obviedades existentes na natureza, a diferença
entre homem e mulher.
Sabemos pelo profeta Isaías que o caminho do ímpio e seus
iníquos pensamentos e obras agridem o Senhor. Deus é generoso para perdoar, mas
desde que haja arrependimento e contrição, pois tão-só aí a alma encontrará a
felicidade, existente apenas dentro da lei divina. Os que se afastam dela e
promovem a iniquidade, seus pensamentos e caminhos não são os de Deus, cujas
cogitações e vias se elevam muito acima deles. O profeta Isaías diz ainda que
assim como a chuva e o orvalho caem do céu para irrigar a terra e fazer
germinar a semente, a palavra de Deus produz o efeito de reconduzir o homem ao
caminho do bem, fazendo frutificar nele os efeitos da virtude.
A mídia revolucionária vomita diuturnamente as mais
escabrosas blasfêmias contra Deus e Nossa Senhora. O mesmo acontece com as
chamadas exposições de “arte”, com filmes e programas de televisão, com escolas
de sambas, com obras literárias etc. Com efeito, a presente etapa da Revolução
não se limita apenas em implantar o socialismo, mas vai muito além, agindo na
alma do homem com a intenção de destruir todos os valores cristãos existentes
nele e na família. De onde o ódio e blasfêmia, cujo fim é o culto ao próprio
demônio.
Não pensem os teimosos revolucionários que conseguirão
implantar o reino satânico desejado pelo príncipe das trevas; não creiam que a
implantação de leis iníquas conseguirá vencer as leis e a obra divinas, porque
paira sobre a Igreja a promessa de que as portas do inferno não prevalecerão.
______________
* Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria –
Cardoso Moreira (RJ).
** Cfr. Leão XIII, Encíclica “Parvenus à la Vingt-Cinquième
Année”.