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domingo, 9 de maio de 2021

GOVERNO DE ISOPOR - Eugenio Trujillo Villegas



Eugenio Trujillo Villegas*


A arremetida terrorista que deixou a Colômbia de joelhos nos deixa com várias conclusões fundamentais: Primeiro, temos um governo de isopor, incapaz de enfrentar a gravíssima situação. E, em segundo lugar, o erroneamente denominado “protesto pacífico” não é senão o nome dado a uma operação de guerra urbana, articulada e financiada por uma organização criminosa, preparada com meses de antecedência para derrubar o governo, tomar o poder e impor uma ditadura marxista na Colômbia.

Infelizmente, esta óbvia realidade ainda não foi compreendida pelo presidente Iván Duque, após oito dias de guerra. A Colômbia não tem cabeça! Não há governo e nas ruas das principais cidades há uma verdadeira guerra civil. Grande parte do mobiliário urbano de Bogotá, Medellín e Cali, as três cidades mais importantes da Colômbia, foi destruído por hordas terroristas articuladas, pagas e dirigidas por alguém.

A “paz do Acordo com as FARC

Esta é a “paz” do Acordo com as FARC. E foi o próprio ex-presidente Juan Manuel Santos quem anunciou que a guerra urbana chegaria à Colômbia, como mecanismo de imposição do Acordo que lhe rendeu o Prêmio Nobel. Estabeleceu-se a impunidade total para os terroristas, a liberdade de plantar 200.000 hectares de coca, o suposto direito de transformar o protesto em terrorismo, o controle político que as FARC agora exercem no Congresso e o enorme custo para financiar os acordos com as FARC.

Esta é a consequência inevitável da rendição do Estado. As FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), o ELN (Exército de Libertação Nacional), os terroristas, os cartéis de drogas, os movimentos indígenas, os infiltrados chavistas venezuelanos e os políticos que lideram essas hordas subversivas do Congresso da República articulam um golpe para derrubar a ordem institucional.

Enquanto isso, apesar de ter passado uma semana no meio desse “bogotazo”, o presidente Duque está trancado em seu gabinete, não faz nenhuma declaração pública, não decreta a comoção interna, não dá nenhuma ordem, nem estabelece diretrizes vigorosas para a Polícia e o Exército. Mas, acima de tudo, não põe a cara diante do País, para que os 50 milhões de seus compatriotas sintam que alguém está à frente nos defendendo, sabendo o que está fazendo, e, com mão firme e determinada, comandando de uma nação que enfrenta uma das maiores tempestades de sua história.

Mas não é assim. O presidente tem estado na televisão todos os dias em seu programa diário sobre a pandemia, dizendo-nos para sermos vacinados e usarmos máscara. Sua preocupação é a nomeação de novos ministros e a elaboração de uma nova reforma tributária, como se fosse o mais urgente no momento. Enquanto isso, o País está pegando fogo!

Cali não é protegida pelo governo

Ele nem sequer se referiu à situação angustiante de Cali, a cidade mais afetada pelos acontecimentos. A responsabilidade por grande parte deles recai sobre o prefeito Jorge Ivan Ospina que, como Chefe da Polícia, tem sido o patrocinador do vandalismo, trazendo milhares de indígenas de Cauca para aumentar o caos e impedindo a Polícia e o Exército de atuar diante da extrema gravidade da situação. Mas isso também não incomoda o governo, que não diz ou faz nada, nem mesmo quando os senadores comunistas Wilson Arias, Alexander López e Gustavo Petro estimulam os protestos com sua presença em meio ao vandalismo e à destruição. Enquanto isso, Cali e toda a Colômbia estão mergulhadas no caos. 

Empresários e sindicatos colombianos divulgam tímidos comunicados à imprensa, demonstrando total desconhecimento da realidade dos fatos. Todos eles começam por defender o “direito de protestar”, como se quisessem cair nas boas graças dos responsáveis ​​pela destruição. Nenhum exige do Governo as respostas elementares que deveriam ter sido dadas desde o primeiro dia. As Câmaras de Comércio, que representam os milhares de comerciantes e empresários falidos, também não dizem absolutamente nada. As universidades, que treinam seus alunos nos postulados do protesto, silenciam. As autoridades eclesiásticas, tão loquazes na defesa dos direitos do povo e tão hábeis em se reunir com as FARC e o ELN, tampouco se manifestaram.

Enquanto isso, o País está sangrando. Estamos à deriva. Sequer foi cogitado nenhum dos instrumentos previstos na Constituição para enfrentar uma crise de extrema gravidade, como a declaração de comoção interna. Se o que está acontecendo não justifica a tomada dessas medidas extraordinárias, por favor, alguém do governo nos explique em que consiste a extrema perturbação da ordem pública.

Fraqueza, fonte de grandes tragédias

Estamos vivendo um daqueles momentos trágicos da História, em que os governantes não estiveram à altura de sua tarefa, permitindo assim que as maiores tragédias acontecessem. Luís XVI divertia-se consertando relógios e fechaduras, enquanto os inimigos da França preparavam um dos maiores matadouros da História, liquidando a monarquia e levando-o para a guilhotina. Nicolau II, Czar de todas as Rússias, deixou que as decisões do governo fossem tomadas por um demônio que se fazia passar por “santo”, chamado Rasputin, enquanto os comunistas radicais preparavam outro banho de sangue, que se espalhou pelo mundo até agora. A inexplicável fraqueza do Czar levou à sua execução, junto com toda sua família.

Presidente Duque: Ainda dá tempo de salvar a Colômbia! Mas lhe cabe assumir seu papel de Chefe de Estado, o que não se faz abrindo diálogos inúteis com terroristas. Eles querem destruí-lo e toda a Colômbia. Incumbe-lhe enfrentá-los, com o apoio de todos os colombianos!

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* Diretor da Sociedad Colombiana Tradición y Acción

  https://www.abim.inf.br/governo-de-isopor/

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quarta-feira, 29 de julho de 2020

UM ARCEBISPO CAPAZ DE EMPUNHAR ARMAS – Eugenio Trujillo Villegas

28 de julho de 2020

Da esquerda para a direita: Joaquín Gómez, chefe dos negócios de Narcotráfico das FARC; Dom Darío Monsalve, Arcebispo de Cali; Iván Márquez, segundo comandante das FARC, atualmente prófugo; padre Francisco de Roux, superior dos jesuítas na Colômbia.

 Eugenio Trujillo Villegas *

 

São muitos os contratempos com os quais se defronta o arcebispo de Cali, Dom Dario de Jesus Monsalve, no exercício de sua controvertida missão pastoral.

Ele não se destaca exatamente pelo zelo em defender as ovelhas de seu rebanho dos muitos inimigos da Fé Católica — como é dever do verdadeiro pastor, especialmente nestes tempos de confusão —, pois pouco ou nada fala sobre a crise religiosa em que nós, católicos, vivemos.

Tampouco o preocupa a perda da fé de inúmeros católicos que se afastam da Igreja para aderir aos diversos cultos cristãos, ou que se distanciam dos sacramentos e se esquecem da doutrina santa e milenar da Igreja pelo simples fato de não haver quem a ensine e proclame, ou porque os chamados a fazê-lo a trocaram por um novo “evangelho” marxista.

As preocupações do arcebispo vão infelizmente por outros caminhos bem diferentes daquele da verdadeira Igreja. Sua voz de pastor de almas só ressoa com firmeza quando se trata de defender os inimigos ateus de nossa Fé, os terroristas destruidores da Nação e os grupos subversivos que semearam o ódio e o crime no seio da nossa sociedade enferma e decadente.

Há pouco, por ocasião dos 50 anos da morte do padre apóstata Camilo Torres, o arcebispo Dom Monsalve não hesitou em pedir a sua canonização. Esse sacerdote, juntamente com outros padres guerrilheiros, como Domingo Laín e Manuel Pérez, foram os fundadores por volta de 1970 do ELN (Exército de Libertação Nacional). Esta organização terrorista adquiriu importância ultimamente porque, na falsa pacificação promovida pelo governo anterior, as chamadas dissidências das FARC se uniram a ela.

Quando os Acordos com as FARC estavam sendo assinados, Dom Monsalve não julgou nada melhor do que convidar a cúpula dessa organização para um retiro espiritual dirigido por ele numa casa religiosa perto de Cali. Ignoramos qual tenha sido a conveniência para o clero arquidiocesano ouvir as façanhas terroristas de alguns dos piores criminosos da Nação. Pouco antes do plebiscito através do qual a Colômbia recusou os Acordos com as FARC, o arcebispo anunciou que não eram bons católicos aqueles que pensavam em votar pelo NÃO, pois, segundo ele, aceitar a capitulação do País diante da extorsão das FARC seria uma atitude de cristãos.

Mais recentemente, ele e o padre Francisco de Roux, superior dos jesuítas na Colômbia, se tornaram intermediários de uma nefasta negociação com o ELN, grupo que não dá qualquer sinal de querer a paz. Antes pelo contrário, vem redobrando seus atentados e crimes, como o do carro-bomba que fizeram explodir na Escola de Polícia em Bogotá em janeiro de 2019, com um saldo de 21 cadetes covardemente assassinados e centenas de feridos.

Com uma total falta de senso moral, o inquieto arcebispo voltou na semana passada a gerar polêmica, ao acusar o governo de promover um genocídio contra o ELN. Isso obrigou o Núncio Apostólico, Dom Luis Mariano Montemayor, a esclarecer que tal afirmação não era compartilhada pelos outros bispos, nem pelo Papa Francisco e demais autoridades do Vaticano.

 Uma amizade inexplicável

        Como explicar uma amizade tão estreita do arcebispo com os piores terroristas da Colômbia? Dom Monsalve deve a este respeito uma muito necessária explicação ao País e a Cali. Sobretudo porque seus devaneios com esses grupos terroristas são objeto da mais profunda rejeição de seus fiéis diocesanos. E também porque esses grupos subversivos perpetraram em passado recente os atropelos mais espantosos contra os fiéis governados por Dom Monsalve. Este talvez se tenha esquecido de que seu antecessor na Arquidiocese de Cali, Dom Isaías Duarte, no término da celebração de uma missa por sequestrados em 2002, foi vilmente assassinado por pistoleiros das FARC, num ato de barbárie com poucos antecedentes na história milenar da Igreja.

Como se o anterior não bastasse, nessa mesma época o ELN sequestrou cerca de 200 paroquianos que assistiam a uma missa na igreja La María, em Cali. E, de forma quase simultânea, perpetrou análogo crime contra 50 pessoas que se encontravam num restaurante nos arredores dessa cidade. Ambas as ações foram planejadas com a maior perfídia, tendo alguns dos sequestrados sido friamente assassinados, enquanto outros permaneceram durante quase dois ano sem cativeiro. Em 1989 o ELN sequestrou, torturou com requintes de maldade e depois assassinou friamente o bispo diocesano de Arauca (Colômbia), Dom Jesús Emilio Jaramillo.

Diante desses fatos aterrorizantes, jamais houve o menor sinal de arrependimento, reparação ou pedido de perdão da parte das FARC e do ELN. Tais crimes constituem para eles atos legítimos de uma guerra declarada contra a nossa sociedade com o objetivo de nos impor o sistema marxista vigente em Cuba e na Venezuela. Querem o desaparecimento de todas as liberdades e a imersão da população colombiana na miséria e na opressão. É porventura esse o evangelho pregado por Dom Monsalve? Essa é a fé que ele deseja nos impor, a nós, habitantes de Cali? Sua opção preferencial é o evangelho do marxismo, da miséria e do crime?

É o que parece. E é precisamente isso que não queremos, nós, católicos desta importante arquidiocese que reúne cerca de quatro milhões de pessoas entre os habitantes de Cali e das cidades próximas. Tampouco o querem pessoas que vivem aqui e que, apesar de não serem católicas, se veem obrigadas a padecer das atitudes insensatas do prelado.

Nestes tempos de confusão e de perda da Fé, as atitudes depredadoras de Dom Monsalve geram escândalo entre seus fiéis. Elas são tão impróprias a seu cargo, que começam a aparecer nas extremidades de sua batina episcopal as garras e as presas do lobo que ele é, sem que tenha o menor cuidado de ocultá-las. A realidade é que esse pastor, que deveria apascentar as ovelhas de Jesus Cristo, se converteu no lobo que as dispersa e as conduz à perdição.

Terrível e espantosa situação! Ela seria menos grave se houvesse na Igreja quem exercesse a autoridade para colocar as coisas em ordem, exigindo do Pastor que se comporte como tal. Ou, à falta disso, que o destituísse do cargo e nomeasse outro que soubesse cumprir com o mandado de Nosso Senhor Jesus Cristo a Pedro, o escolhido como Chefe dos Apóstolos: “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21, 16).

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(*) Diretor da Sociedad Colombiana Tradición y Acción.

http://www.abim.inf.br/um-arcebispo-capaz-de-empunhar-armas/


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sábado, 21 de março de 2020

DECEPÇÃO – Péricles Capanema


21 de março de 2020

Péricles Capanema

Tornou-se parada obrigatória o novo coronavírus. Não é para menos, basta atentar para o que os infectologistas estão advertindo. Não será diferente comigo, ponho o pé na estrada fazendo eco a declarações. Nos últimos dias duas me chamaram especialmente a atenção pelo que apresentam de auspicioso e relevante. Logo chegarei à decepção, objeto do artigo.

Sobre a disseminação do vírus, assisti na internet análise circunstanciada do Prof. Roberto de Mattei, que soube unir em uma só palestra a erudição segura, a profundeza da análise e o sensus fidei (o senso da fé).

Título da postagem de Mattei: “Nuevo escenario mundial”. Circunspecto (aquele que olha em torno de si, considera toda a realidade), discorreu como scholar e líder católico. Em suma, não escondeu o perigo, mas o observou com olhar sobrenatural; poucos o têm, faz falta enorme.

Nossa Senhora de Chiquinquirá, Padroeira e Rainha da Colômbia
Falei em líder. Palavras singelas vieram de outro dirigente, Ivan Duque, presidente da Colômbia — potência emergente, 50 milhões de habitantes, mais de um milhão de quilômetros quadrados. Ali, de igual modo, transpareci a fé: “Tenho em meu escritório o quadro de Nossa Senhora de Chiquinquirá [foto ao lado], padroeira da Colômbia. Esta manhã me levantei pedindo à padroeira da Colômbia que nos consagre como sociedade, que consagre nossa família, nossos filhos. Que me consagre, tenho responsabilidades. A padroeira da Colômbia nunca nos abandonou. Sei, palavras as sim não são comuns em minha posição”.

Pelo que consta, nenhum chefe de Estado até agora usou palavras assim. No mínimo, o primeiro mandatário colombiano considera que, no fundo, pedir orações, exame de consciência, penitência, espírito sobrenatural ajudará o povo a trilhar o rumo certo.

Em tal caminhada, opinião generalizada, teremos pela frente meses de incerteza e sofrimento. Noto aqui, pois nada disso percebi nas análises. A provação criará condições melhores para orações, exames de consciência, elevação de vistas, emenda de vida. Ad augusta per angusta (às coisas excelentes, pelos caminhos mais estreitos). Em tal caso, o sofrimento terá sido, tudo pesado, uma bênção. Lembrará a Nínive do profeta Jonas. De outro lado, como evitar ter em vista os anos loucos, les années folles da década de 1920, em que os pavorosos sofrimentos da Primeira Guerra Mundial trouxeram, como desabafo e ricochete, explosões de desregramentos? O mundo civilizado em boa medida desperdiçou oportunidade extraordinária de regeneração, para muitos dele terá acontecido o pior, o naufrágio.

Passo agora ao tema do cabeçalho. Por que decepção? Decepção com o quê? Promessa, e promessa é dívida; a mais acho importante levantar a matéria. De maneira crescente amigos me têm feito comentários exasperados sobre a qualidade pessoal dos políticos que nos governam, esperavam muito mais — decepção enorme. A respeito de alguns, pairavam esperanças. As deblaterações não são de agora, já borbotavam antes do estouro do coronavírus, que só agravou o quadro. Prometi algumas linhas a respeito e só vou tratar agora de um aspecto, em geral silenciado. Em artigo futuro, cuidarei de outros aspectos.

Era justificável a esperança? Foi surpresa a decepção? Sob certo ângulo, entro por assunto antigo, já no Império se criticava a classe política. Com palavras talvez um pouquinho diferentes, Ulysses Guimarães comentou décadas atrás a respeito: “Está achando ruim essa composição do Congresso? Então espera a próxima: será pior. E pior, e pior.”

Por quê? Culpa só dos políticos? Ou culpa sobretudo do eleitor que é quem os despacha para Brasília? A grossa maioria da população brasileira hoje já não sabe que deputado federal sufragou em 2018. Votou pouco informada, desatenta, desinteressada em candidatos que de fato não conhecia. À vera, nem interesse tinha de conhecê-los. Depois, uma minoria vociferante reclama, repercutindo sentimento geral.

A representatividade política no Brasil vem caindo, repito, já constatava Ulysses Guimarães. Outros ainda. Faz parte de fenômeno mais amplo, descrito com vivacidade e realismo contundente por Nelson Rodrigues, que em parte colocava sua origem na falta do hábito de observar e raciocinar. Recolho dele observações de quente atualidade: “Somos mais idiotas do que nunca. Ninguém tem vida própria, ninguém constrói um mínimo de solidão. Pensam por nós, sentem por nós, gesticulam por nós. No vasto passado humano, o idiota como tal se comportava. Os personagens da História e da Lenda eram os melhores. Em nosso Brasil, o que havia era o ‘o grande ministro’, ‘o grande deputado’, ‘o grande jornalista’, ‘o grande tribuno’. Os idiotas não exalavam um suspiro. Antigamente, o silêncio era dos imbecis. E, de repente, tudo muda. Hoje, são os melhores que emudecem. Quem não percebeu a invasão dos idiotas não entenderá jamais o Brasil de nossos dias. Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, os idiotas pensam pelos melhores. O grande acontecimento do século foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota”.

Detive-me nas palavras do dramaturgo recifense por um motivo: padecemos, décadas afora, o achatamento generalizado das personalidades, mesmo as mais relevantes, fenômeno moral, psicológico e social, mas com reflexos daninhos na política, na economia, na vida econômica. É fenômeno algum tanto notado e pouco estudado. Atinge sobretudo os interiores das personalidades. Nunca diminuirá a decepção que hoje se espraia Brasil afora, se não for mudado nosso interior. E então, em consequência de seiva nova, surgirá naturalmente o reconhecimento, a relevância e a premiação do que melhor existir na moral, na cultura, na inteligência. E na política. Concluo. O sofrimento que de momento assoma no horizonte e nos atemoriza, se bem aceito, ajudar-nos-á a retificar disposições interiores tortas, os grandes obstáculos ao progresso autêntico do Brasil.


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domingo, 7 de abril de 2019

EXTORSÃO INDÍGENA – Eugenio Trujillo Villegas*


7 de abril de 2019

Eugenio Trujillo Villegas*


O sudoeste da Colômbia continua inexplicavelmente paralisado, situação que persiste há quase um mês. O exército, a polícia, o governo e o presidente da república tornaram-se meros observadores de uma das mais espantosas chantagens ocorridas no país, sem nada fazer para evitá-la. Com efeito, menos de 300 mil indígenas do Departamento de Cauca colocaram as instituições colombianas de joelhos e exigem furibundamente uma série de disparates que nenhum Estado legítimo pode aceitar.

Entre os absurdos, pedem que nunca mais se fumigue plantações de coca com glifosato; que helicópteros e aviões das Forças Armadas fiquem proibidos de sobrevoar áreas indígenas; que o governo aumente mais três trilhões de pesos/ano — cerca de um bilhão de dólares — os subsídios concedidos às comunidades indígenas, para que possam continuar a viver sem trabalhar; que 49.000 hectares de terras produtivas, pertencentes a particulares, sejam desapropriados e entregues aos concelhos indígenas; que seja proibidaa extração de petróleo por fracking no país; que se restrinja a mineração em larga escala; que a impunidade seja garantida aos indígenas que cometeram crimes durante os protestos; e, finalmente, como demonstração do delírio de suas pretensões, que o senhor Juan Guaidó não seja reconhecido como presidente da Venezuela…

A análise mais elementar dos fatos mostra que os índios não estão sozinhos, e nem foram eles os autores dessas exigências absurdas. Forças sinistras com grande poder destrutivo encontram-se por trás deste protesto, dirigindo, ordenando e estabelecendo o seu curso, com óbvios interesses subversivos, a fim de liquidar com a unidade nacional e levar o país ao caos, à anarquia, à tomada do poder pela esquerda marxista, ansiosa por trilhar os passos do chavismo e do castrismo.

O país assistiu tudo isso às claras, pois seus fautores sequer tiveram a precaução de se disfarçar. Nas mesas de negociação, junto aos representantes do Estado, estavam os “honoráveis” deputados das FARC para estimular e dirigir o protesto. Compareceu também aí para negociar o incendiário senador Gustavo Petro, com a sua apavorante comitiva de ódio da autoproclamada Colômbia Humana.

Como ele mesmo disse, no dia em que perdeu a eleição presidencial, sua intenção é de queimar o país, derrubar o presidente legítimo e tomar o poder pela força e implantar uma ditadura como a de Maduro, Castro e Ortega, seus amigos íntimos e fiéis seguidores, e assim impor a revolução bolivariana na Colômbia.

Nesta tentativa de destruir o país existem outros vermes além dos já mencionados. Há as FARC (Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia), supostamente pacificadas, com as suas armas reluzentes, que segundo Santos teriam sido entregues à ONU… E há também o ELN (Ejército de Liberación Nacional), que não quer saber de negociações, mas sim das mancadas do Estado, alcançadas aqui com extrema facilidade. E existem também os numerosos cartéis de drogas que abundam nas Américas, porque é exatamente nessa região de concelhos indígenas onde a coca é cultivada. Igualmente estão presentes os proprietários das rotas de droga produzida em outras regiões que depois é levada para o Oceano Pacífico, de onde é remetida ao seu destino final: os EUA.

E como se isso não fosse um quadro assustador, agora prometem que muitas outras comunidades indígenas em diferentes regiões, e também as chamadas negritudes e outras minorias raciais manipuladas pela subversão, querem aderir à greve a fim de estendê-la ao país inteiro.

É fato que para este objetivo a mobilização já começou em vários departamentos. O que é chamado de “protesto pacífico” já começou a matar policiais, soldados e opositores; dinamitar pontes e estradas; aterrorizar cerca de 50 milhões de colombianos, que espantados assistem a aplicação do “processo de paz”, imposto por meio do engano e manipulação do ex-presidente Santos, ao conceder aos guerrilheiros espaços de impunidade para os protestos ilegais como o atual.

Tal situação paralisa cinco departamentos colombianos nos quais já há falta de comida, de suprimentos médicos urgentes, de combustíveis e muitas outras necessidades básicas. Até quando? Ninguém sabe… Há muitas questões óbvias em meio à emergência que estão sem resposta. Onde está o presidente? E os ministros? E a polícia? E o exército?

Não vemos as autoridades legítimas atenderem o clamor dos milhões de afetados, pois impedidos de ir a suas propriedades, levar seus produtos agrícolas para alimentar a população colombiana, exercer o seu direito ao trabalho, à mobilização, ao comércio, à indústria, educação, saúde e vida. Tudo isso desapareceu do horizonte dos direitos dos cidadãos para que seja imposta a ditadura das minorias subversivas.

Se existe algum exemplo atual de violação dos direitos humanos é este que estamos testemunhando. No entanto, aqueles que pregam tanto a defesa desses direitos, agora ficam em silêncio. Para essas pessoas perversas, os direitos humanos nada mais são do que um instrumento de guerra em favor da revolução marxista.

Enquanto as pessoas estão morrendo de fome nos paraísos comunistas, eles só querem destruir a economia de livre mercado que produz riqueza, e também torna possível a generosa ajuda que salva muitas vidas mesmo nos países comunistas.

Mas não apenas os comunistas hipócritas se calam. Muitos líderes religiosos e empresariais também estão calados e intimidados. Os bispos, os líderes dos sindicatos, os políticos, pouco ou nada dizem sobre isso. E devido a esse silêncio, as chamas se espalham e o perigo apenas aumenta.

Colômbia! Acorde! Esta é a paz mentirosa que nos prometeram! Votamos contra isto no referendo, elegemos Duque presidente para nos salvar dessa tragédia e, apesar de tudo isso, contra a nossa vontade, arrastam-nos para o cadafalso do socialismo. É para lá que eles estão nos levando!

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(*) O autor é diretor da Sociedad Colombiana de Tradición y Acción. Matéria traduzida do original castelhano por Paulo Henrique Chaves.


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