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domingo, 23 de fevereiro de 2020

PALAVRA DA SALVAÇÃO (171)


7º Domingo do Tempo Comum 23/02/2020

Anúncio do Evangelho (Mt 5,38-48)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Vós ouvistes o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’ Eu, porém, vos digo: Não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda!
Se alguém quiser abrir um processo para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto!
Se alguém te forçar a andar um quilômetro, caminha dois com ele!
Dá a quem te pedir e não vires as costas a quem te pede emprestado.
Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’
Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre justos e injustos.
Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa?
E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito!”

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Roger Araújo:

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O labirinto do perfeccionismo



“Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48)


O evangelho deste domingo é continuação do discurso de Jesus sobre o Monte, onde apresenta o modo original de ser e de viver dos seus seguidores; trata-se da nova justiça do Reino, onde Jesus vai até às raízes mais profundas de nosso ser para ativar o amor ali presente; este amor, aberto, oblativo, gratuito..., é capaz de uma nova relação até com os inimigos, em profunda sintonia com o modo de agir do Pai, que ama a todos, bons e maus, pois todos são seus filhos e filhas.

Mas, quando Jesus fala em amar os inimigos, não se refere somente àqueles inimigos externos. Suas palavras se referem também a um acontecimento interior. Quando o inimigo é uma força externa nem sempre há motivos para assumirmos a culpa. Mas quando o inimigo se encontra no nosso interior e nós não conseguimos entrar em acordo com ele, os responsáveis somos nós mesmos; precisamos saber lidar com nossas sombras e fragilidades e, assim, reconciliar-nos com o inimigo interno que rejeitamos.

Reconciliar-nos com nossas fraquezas e nossos lados sombrios é um processo doloroso, mas, quando tentamos evitar essa dor e ignoramos o nosso adversário interior, acabamos gastando muita energia na ilusão de mantê-lo afastado. Se não chegarmos a um acordo com o inimigo em nosso interior, ele se transformará em um tirano que nos dominará; aquilo que rejeitamos em nós se transforma em juiz interior e esse nos manterá confinados na prisão do nosso próprio medo e da auto-rejeição. 

A cura significa também reconciliação; nosso inimigo interior só se transformará em nosso amigo e ajudante no nosso caminho de vida se nos reconciliarmos com ele. Ao oferecer-nos um gesto de perdão em vez de um gesto de repulsão ou de condenação, tornamo-nos mais humanos.  Demonstramo-nos humanos com quem mais precisa de humanidade: nós mesmos.

É o momento da compaixão para conosco mesmo. 

Diante da necessidade de reconciliação com nossas sombras, limites, fragilidades e fracassos..., pode parecer estranho a afirmação final, no evangelho de hoje: “Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”. Lucas, no entanto, modifica as palavras de Jesus para escrever: “Sede misericordiosos, como vosso Pai é misericordioso”. Sem dúvida, esta expressão parece mais ajustada, inclusive por todo o contexto. E tem razão, porque não se pode exigir que o ser humano seja “perfeito”; não só não está ao seu alcance, mas essa demanda pode conduzi-lo a um perfeccionismo estéril e esgotador.

Foi assim que, ao longo da história, surgiu uma cultura da perfeição; por séculos, a perfeição seduziu, modelou, dominou e controlou a existência de comunidades e sociedades inteiras. A nossa cultura é controlada pela ideia de que o ser humano pode e deve ser “perfeito”. Desde a nossa infância fomos impelidos a procurar a perfeição.

Anos e anos, essa ideia de “perfeição” foi modelando nossa mente e petrificando nosso coração. Também na vida cristã, inúmeras pessoas e grupos religiosos nasceram e cresceram seguindo as pautas de formação do chamado “ideal de perfeição”, gerando muita rigidez, moralismos, culpabilidades, escrúpulos... e farisaísmo. O seguimento da pessoa de Jesus foi se esvaziando, dando lugar a um voluntarismo centrado na prática minuciosa de leis e normas (legalismo).

Esse conceito assumiu um valor central na compreensão e na orientação da nossa vida espiritual, reforçando-se a ideia de que tudo aquilo que diz respeito a Deus deve ser perfeito. E a santidade passou a ser considerada como sinônimo de perfeição. No entanto, transitar pelo labirinto da perfeição é desumano. Caminhar por ele é uma luta árdua e solitária, pois torna-se difícil pedir ajuda e arriscar-se a que as próprias imperfeições sejam expostas aos outros.

A expressão “atingir a perfeição” revela-se uma imprudência. A procura da perfeição não ajuda a pessoa a viver, a amar, a sonhar, a sorrir, a perdoar, a ser feliz... Nas suas formas mais graves, a busca da perfeição é estressante, conduz ao desprezo de si mesmo, torna insuportável a relação com os outros e pode conduzir à automutilação. 

Quem tem sua vida centrada na busca da perfeição, aceitar o erro é uma tarefa muito humilhante e dificultosa. Longe de ser uma oportunidade, o fato de equivocar-se representa uma ameaça à sua dignidade. Para ele não basta ser bom, é preciso ser perfeito. E, embora, no segredo mais íntimo aceita que jamais será perfeito, pelo menos tenta aparentar isso diante dos outros. Este modo de proceder tem um nome – perfeccionismo – e são muitos os que caminham por seu labirinto.

Isso não é vida. Queremos habitar e transitar por lugares onde a compaixão e o cuidado possam abraçar nossas fragilidades e limites. Devemos passar de um humanismo da “auto-exaltação” para um humanismo da “auto-acolhida”. 

A compaixão afirma o “eu real” contra as pretensões do “eu ideal”.

A compaixão orienta-nos para a realidade profunda da nossa fragilidade; na compaixão alcançamos a nós mesmos; a compaixão nos leva de volta à casa, revestindo-nos de uma atitude amorosa para conosco. 

O tecido da vida cotidiana nos oferece muitas ocasiões para esta prática de bondade para conosco. E a compaixão faz parte da essência de nosso ser. É a mais humana de todas as virtudes humanas. É ela que nos oferece inúmeras ocasiões para tratar-nos como amigos, em vez de nos tratar como estranhos. 

Graças à compaixão, podemos nos levantar depois de cada queda, abrir-nos novamente à presença da Graça de Deus, continuar a amar tudo aquilo que dentro e fora do nosso ser se apresenta sob as vestes do humano. Deste modo, realizamos uma orientação sadia no fundo do nosso ser. Assim, o discípulo de Jesus deve ser perfeito no Amor como o Pai celestial é perfeito no Amor. Ele ama a todos sem distinção, “fazendo nascer o sol e cair a chuva sobre maus e bons, justos e injustos”.

Neste sentido, o chamado do Evangelho a ser “perfeitos como o Pai” está em um contexto do amor incondicional e envolvente de Deus, um amor que faz com que o sol se levante para as pessoas más e boas, e que permite que a chuva caia sobre justos e pecadores. Em outras palavras, a perfeição cristã é o convite a um amor que nunca se esgota; é o convite para aprender a perdoar como Deus perdoa e a amar como Deus ama. 


Alguns exegetas interpretam que, em hebraico, a expressão “perfeito” faz alusão a algo “completo”. Nesse sentido, o apelo a ser “perfeitos” deve ser entendido como um chamado a aceitar-se em toda a sua verdade. Este sentido seria totalmente aceito a partir de uma antropologia humanista, como um princípio básico de unificação e crescimento: “aceita-te com toda tua verdade, com tua luz e tua sombra, teus acertos e erros, tuas qualidades e defeitos...!” 


Somos chamados a ser “completos”, aceitando nossa verdade e abrindo-nos à nossa verdadeira identidade que transcende nosso ego; só assim poderemos viver a misericórdia ou compaixão.

Textos bíblicos:   Mt 5,38-48 
Na oração: A aceitação do limite nos ajuda a celebrar a vida em todas as circunstâncias e a saborear a realidade, cheia de riscos, incerta e insegura para todos, mas, ao mesmo tempo, única e irrepetível para sempre. 
Longe da tirania do perfeccionismo, saberemos conviver com a rica pobreza de nossa condição humana; é a calma e o silêncio da oração que irão nos libertar da banalidade e do perfeccionismo, fazendo-nos reconciliar  com as fragilidades, próprias e alheias.

- Sua vida é regida pela “pauta da perfeição” ou da “misericórdia”?

Pe. Adroaldo Palaoro sj


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sábado, 22 de fevereiro de 2020

ACONSELHAMENTO DE UM MÉDICO PARA MULHERES EM 2020


Um médico decidiu compartilhar algumas palavras de aconselhamento para as mulheres via WhatsApp.  O conselho é simples e direto:

1. Você não pode terminar todas as tarefas da casa em um dia.  Aquelas que o fizeram estão estressadamente doentes e algumas já estão enterradas...

2. Por favor, crie um tempo para descansar, não é pecado sentar-se, colocar as pernas em cima da mesa e pegar pipoca enquanto assiste TV.

3. Por favor, durma o tempo necessário para que a dor de cabeça se vá.  Aquelas que se recusam a tirar férias, ou sair, ou descansar, suas famílias estão sentindo falta delas porque foram prematuras ao encontro do Criador.

4. Pare de tomar sedativos para dormir, você está destruindo seu cérebro e órgãos.  Em um ponto, você começará a esquecer as coisas.  Relaxe o cérebro, se preocupe menos, pense menos, ria mais, sorria mais.  Tudo vai passar com o tempo.

5. Às vezes, sente-se do lado de fora em silêncio por conta própria, não diga nada, apenas admire a obra de Deus, respire ar fresco com calma.  Não se apresse.

6. Mantenha seu sorriso no espelho para si mesma, ria, dance e cante, que ativa a  memória positiva ao seu redor para que você possa brilhar.

7. Compre um lanche ou dois e beba um bom suco de uva.
Se cuide, se ame antes de depender do amor de outros.

8. Obtenha os aparelhos domésticos necessários para facilitar o seu trabalho, a fim de evitar o estresse.  O estresse é o maior assassino silencioso de mulheres.

9. Se você não está se sentindo bem, diga algo, faça algo a respeito, vá ao centro de saúde, hospital ou chame uma enfermeira próxima, não fique esperando o marido ou os filhos comprarem remédios.  Eles podem voltar tarde demais, sua vida importa.

10. Verifique de vez em quando a pressão arterial e o nível de açúcar, se você está doente ou não.  Isso salvou muitas mulheres no passado.  Confie em mim nisso.

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Aqui vai um recadinho: 

Antes de tudo, gaste um tempo com Deus. Faça Dele a sua prioridade , se relacione com Ele e Ele te organizará de dentro pra fora e trará sentido a sua caminhada. Nunca se esqueça que Deus tem um propósito para você cumprir na terra.

Cuide-se.


(Recebi via WhatsApp, sem menção de autoria)


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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

COMO CONHECI PADRE JOZEF GRZYWACZ – Eglê S. Machado


Os católicos costumam argumentar sobre as pessoas que, por qualquer motivo se afastam da Igreja: "vamos à Igreja, não pelas pessoas, pelos movimentos, pelas pastorais, pelo padre, mas por Jesus Cristo". 
Eu costumo  retrucar: "claro que vou à Igreja por Jesus Cristo, mas, como me alegra contemplar o rosto humano de Jesus Cristo, na pessoa do Padre"!
....

      Meu primeiro contato com o Padre José   foi através da Internet. Ele apareceu pedindo registro no nosso site e foi aprovado. Ao ver sua foto do perfil percebi que aquele rosto alegre e sereno não me era estranho, afirmei comigo mesma, eu conheço este padre... Mas de onde?! Pouco depois o vi na foto de capa da minha página no Facebook, comigo e várias outras pessoas do clero e confrades meus. Fomos fotografados no dia da posse do nosso bispo diocesano Dom Ceslau Stanula, na Academia Grapiúna de Letras (AGRAL).

      Ficamos na amizade virtual por algum tempo. Um dia ele me convidou para visitar o Santuário da Piedade em dia de Romaria e prometi que iria, porém sem vontade alguma de subir a colina já que muitos aqui em baixo diziam que no bairro  imperava a violência, que só doido lá iria. Continuei de longe, acessando o blog da paróquia e me encantando cada vez mais com a simplicidade daquele Missionário Redentorista de sobrenome estrambótico cheio de consoantes, até que decidi enfrentar a ‘bandidagem’. Foi um final de tarde profícuo e delicioso que tive, pois não apareceu bandido algum para me atacar e naquela maravilhosa nave reinava a paz. Não fui reconhecida, não me apresentei, já que sou  tabaroa, mas fui tratada com tanta delicadeza pelo padre e pelos paroquianos, que me apaixonei por tudo aquilo. Um dia ele me cobrou uma visita à Piedade e eu disse-lhe que já estivera lá. Pronto, virei freguesa.
    
      Sempre tratando a todos igualmente, o pároco do Santuário da Piedade, padre José  nunca mudava de humor. Nem mesmo quando doente deixou de ser legal e alegre. Eu percebia que ele não estava bem, não por mudanças de comportamento, mas pelo meu sexto sentido muito aguçado que percebia certa inquietação escondida naquele olhar azul.

      Em dois ‘Caruru da Piedade’ que participei, ele era um dos últimos a se servir, pegava os pratos para nós, fazia-nos companhia à mesa, parecia um menino. E é de fato um menino vivaz e ao mesmo tempo de uma quietude que só existe mesmo na alma criança.

      Na Paróquia Santuário da Piedade rezei as Mil Ave-Marias, participei das carreatas que antecedem a novena da Padroeira,  visitei  as comunidades, me encantei com as crianças coroinhas, tão organizadas e fervorosas, aprendi a rezar a Novena Perpétua e recebi a bênção da Saúde. Ao final da cada peregrinação que acontece sempre no dia 15 de cada mês rezei aos pés de N.S. da Piedade no Momento Mariano e fui aspergida com água benta. Quando da visita do Senhor Bom Jesus da Lapa estive com o povo louvando e rendendo graças. Nos folguedos juninos festejamos o ‘forró da Piedade’. O padre José e seu colega, Pe. Cristóvão Dworak ficaram engraçados vestidos de caipiras.

      Também chorei com o povo do Maria Pinheiro a morte de alguns membros das comunidades.

      A Igreja esteve sempre tão limpa que, se fosse preciso podíamos sentar no chão. No Natal o presépio chamava a atenção, pela simplicidade e bom gosto com que o pessoal o ornamentava orientado pelo pároco. Em todos os momentos fortes a Igreja Santuário primou pelo bom gosto e aconchego.

      Em 2013, durante o Retiro Espiritual da Irmandade, o Pe. José nos falou da entrega do Ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro aos Redentoristas pelo Papa Pio  IX,  enriquecendo a história com  inúmeras fotos. Educador, com muito cuidado para não ferir sensibilidades chamava a atenção dos participantes para conter-se às refeições, ao servir seu prato, e também solicitou de todos, o cuidado com o arvoredo e as flores, para  deixarmos tudo intocado.

      Das suas viagens  coleciona  camisetas com a imagem da Virgem do Perpétuo Socorro, cada uma diferente da outra. Interessei-me por uma bege - achava que era a ‘minha cara’. Quis comprá-la, não estava à venda. Negou-me cortesmente. Tenho quatro outras camisetas, duas das quais levei de graça. Ao saber que mudaria para Salvador, imaginei: quem sabe, agora, aquela camiseta bege...  Pelo Facebook perguntei-lhe se a coleção ficaria ou iria com ele...  Resposta: já foram.........

      Esmerado na missão em Itabuna mereceu o título de Cidadão Itabunense da Câmara Municipal,   criou o CEMI – Centro de Espiritualidade Mariana de Itabuna,  incentivou o “Arte na Periferia” – Concurso de criatividade em várias modalidades, premiando os participantes. Sempre tratou  com educação, carinho e respeito, o povo daquelas comunidades, objeto do seu desvelo. Ele conhecia de perto cada pessoa da paróquia; era capaz de citar cada paroquiano pelo nome.
  
       Afligiu-se com os problemas de cada um, vibrou com as vitórias de muitos, contribuiu com afinco pelo crescimento espiritual de todos. Nas comunidades ninguém se destacava por estar bem ou mal vestido, pois todos usavam uma camiseta da paróquia (quem não podia pagar levava de graça, claro). Esse cidadão do infinito nas horas vagas cultivava uma  horta aos pés da imagem do Cristo Redentor que fez questão de colocá-la de costas para a cidade – quando lhe falei que estranhava a estátua não estar do alto abraçando a cidade de Itabuna respondeu-me que  a imagem abraçaria o povo amado da colina. Depois de tudo acabado tive a grata surpresa de constatar  quão  feliz  foi a sua decisão, pois à frente, à direita e à esquerda do Cristo Redentor no Monte Calvário estava o povo da paróquia e ao fundo o mais belo pedaço de céu de Itabuna com suas mais belas nuvens, suas luzes, seus prédios majestosos, - um encanto! Essa imagem ficou tão impregnada na minha vida que em qualquer lugar que eu esteja, vendo um céu azul coalhado de nuvens, me vem à lembrança aquele lugar.

      O Santuário esteve lotado, no dia 14 de janeiro de 2015. Muitos dos seus colegas de sacerdócio, diáconos permanentes, irmãs consagradas, movimentos, pastorais, grupos, e o povo de Deus da Diocese estiveram representados na concelebração de envio do Padre José, presidida pelo Bispo Diocesano de Itabuna Dom Ceslau Stanula. No final, muitas homenagens, com votos de sucesso, presentes, e manifestações de saudades, sem chororô, sem ninguém  contra sua partida, porque o Padre José soube muito bem transmitir a mensagem de missionário sem apegos. Partiu levando tão somente o que trouxe: um coração voltado para os menos favorecidos e muita, muita paz!

      E o pessoal da Diocese de Itabuna, sente aquela doce saudade. E a Paróquia Santuário da Piedade, depois da sua passagem por aqui ficou mais rica e bem mais feliz! Que as nossas luzes interiores e o estímulo desse Missionário nas nossas vidas nos impulsionem a seguir com um serviço  acolhedor, apesar dos conflitos e medos deste mundo inquieto,  em desarmonia!


Eglê S Machado
Academia Grapiúna de Letras-AGRAL
Itabuna (BA), 23/02/2015

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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

PUDIM – Martha Medeiros



Não há nada que me deixe mais frustrada
do que pedir pudim de sobremesa,
contar os minutos até ele chegar
e aí ver o garçom colocar na minha frente
um pedacinho minúsculo do meu pudim preferido.
Um só.

Quanto mais sofisticado o restaurante,
menor a porção da sobremesa.
Aí, a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência,
comprar um pudim bem cremoso
e saborear em casa com direito a repetir quantas
vezes a gente quiser,
sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.

O PUDIM é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.

A vida anda cheia de meias porções,
de prazeres meia-boca,
de aventuras pela metade.
A gente sai para jantar, mas come pouco.

Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.

Conquista a chamada liberdade sexual,
mas tem que fingir que é difícil
(a imensa maioria das mulheres
continua com pavor de ser rotulada de 'fácil').

Adora tomar um banho demorado,
mas se contém para não desperdiçar os recursos do planeta.

Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo,
mas tem medo de fazer papel ridículo.

Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD,
esparramada no sofá,
mas se obriga a ir malhar.
E por aí vai.

Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar',
tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação...

Aí a vida vai ficando sem tempero,
politicamente correta
e existencialmente sem-graça,
enquanto a gente vai ficando melancolicamente
sem tesão...

Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'.
Deixar de lado a régua,
o compasso,
a bússola,
a balança
e os 10 mandamentos.

Ser ridícula, inadequada, incoerente
e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.
Recusar prazeres incompletos e meias porções.

Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou
e disse uma frase mais ou menos assim:
'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'...

Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem,
podemos (devemos?) desejar
vários pedaços de pudim,
bombons de muitos sabores,
vários beijos bem dados,
a água batendo sem pressa no corpo,
o coração saciado.

Um dia a gente cria juízo.
Um dia.
Não tem que ser agora.

Por isso, garçom, por favor, me traga:
um pudim inteiro
um sofá para eu ver 10 episódios do 'Law and Order',
uma caixa de trufas bem macias
e o Richard Gere, nu, embrulhado para presente.
OK?
Não necessariamente nessa ordem.

Depois a gente vê como é que faz para consertar o estrago.

 ..........

Martha Mattos Medeiros é uma escritora, aforista e poetisa brasileira. É conhecida como uma das melhores cronistas brasileiras. Entre suas obras mais conhecidas estão Divã, Doidas e Santas e Feliz Por Nada. Seus livros já ultrapassaram a marca de 1 milhão de exemplares vendidos. 

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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

ENTRAMOS NA ERA DA REGENERAÇÃO PLANETÁRIA – Chico Xavier

Não só a terra, mas o sistema solar inteiro já está imerso no cinturão de fótons que emana de alcyonne, o sol central da galáxia, vem recebendo sua energia para a transmutação e para o salto quântico evolutivo.....

 O cansaço e as novas frequências:
  
O cansaço físico que estamos sentindo é devido às novas frequências eletromagnéticas inteligentes que estão chegando do Sol Central. 
Estas estão mexendo radicalmente em nossas estruturas físicas, emocionais e espirituais.


O QUE FAZER?

Mentalmente:

Vibrar em alta ressonância, de preferência na mais alta energia possível, a energia da gratidão, da compaixão, da generosidade, da benevolência e do compartilhamento mútuo das ideias.
Faça diferente, Pare de reclamar e comece a agradecer, a gratidão é a energia que moldará o novo mundo.

Fisicamente:

Fazer exercícios calmos e concentrados, emitindo, ao mesmo tempo em que os faz, ondas azuis para todos os locais onde sente supostamente dor, desconforto ou fadiga muscular.
Coloque para dentro do seu corpo sentimentos bonitos, e saudáveis para a tua vida. 
Mergulhar na água do mar ou na água de rio corrente para entrar na frequência nova da Natureza.


Espiritualmente:

Prestar atenção na intuição, pois ela está chegando com mais força e é a primeira informação que chega do mundo espiritual para adentrar em sua mente.


Relacionamentos:

Não precisa mais gritar com ninguém, seu coração já não suporta mais gritos e discussões, ele só quer harmonia e entendimento, a época dos sofrimentos terminou, quem ainda continuar nesta ideia passará por grandes provações.

Trabalho:

Seu espirito não está mais querendo fazer o que não faz sentido e não preenche o seu propósito de vida. 
Se não mudar ou melhorar sua relação com seu trabalho, sua vida vai ficando cada vez mais vazia, mesmo que através dele receba bastante dinheiro, nada disso poderá dar um sentido real para a sua existência daqui em diante.               
O estado da gratidão pura e silenciosa.
Sintonia consigo mesmo.


 O PROCESSO OBSESSIVO EM SUA VIDA


Nem sempre conseguimos perceber, porém principiam de bagatelas:

- O olhar de desconfiança…
- Um grito de cólera…
- Uma frase pejorativa…
- A Maledicência sem pensar..
- A ponta de sarcasmo…
- O momento de irritação…
- A tristeza sem motivo…
- O instante de impaciência…


Estabelecida a ligação com as sombras por semelhantes tomadas de invigilância, eis que surgem as grandes brechas na organização da vida ou na moradia da alma:

- A desarmonia em casa…
- A discórdia nos grupos…
- O fogo da crítica…
- O veneno da queixa…
- A doença imaginária…
- A treva do ressentimento…
- A discussão infeliz…
- A rixa sem propósito…


As obsessões que envolvem individualidades devem ser evitadas. Para isso, dispomos todos de recursos infalíveis, quais sejam:

- A dieta do silêncio;
- A vacina da tolerância
- O detergente do trabalho 
- O antisséptico da oração.



EMMANUEL - publicada em 12.02.19 na Revista Chico de Minas Xavier

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terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

CARNAVAL 2020: G.R.E.S. ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA

"A verdade vos fará livre"

Autores do Samba: Manu da Cuíca e Luiz Carlos Máximo
Intérprete: Marquinho Art Samba
A Mangueira contará a história de Jesus Cristo como se ele fosse morador de uma comunidade.

Ligue o vídeo:
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Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do Samba também


Eu sou da Estação Primeira de Nazaré
Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher
Moleque Pilintra no Buraco Quente
Meu nome é Jesus da Gente

Nasci de peito aberto, de punho cerrado
Meu pai carpinteiro desempregado
Minha mãe é Maria das Dores Brasil
Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira
Me encontro no amor que não encontra fronteira
Procura por mim nas fileiras contra a opressão

E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão

Eu tô que tô dependurado
Em cordéis e Corcovados
Mas será que todo povo entendeu o meu recado?
Porque de novo cravejaram o meu corpo
Os profetas da intolerância
Sem saber que a esperança
Brilha mais na escuridão


Favela, pega a visão
Não tem futuro sem partilha
Nem Messias de arma na mão
Favela, pega a visão
Eu faço fé na minha gente
Que é semente do seu chão

Do céu deu pra ouvir
O desabafo sincopado da cidade
Quarei tambor, da cruz fiz esplendor
E ressurgi no cordão da liberdade



Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do Samba também



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CONTEÚDOS INADEQUADOS - Arnaldo Niskier


Onde estiver, agora, o escritor Carlos Heitor Cony deve estar sorrindo com as trapalhadas cometidas pelo governo de Rondônia, ao mandar recolher 43 livros, a maioria do autor de “O ato e o fato”.  A determinação, depois revogada, incluída obras de Franz Kafka, Euclides da Cunha, Ferreira Gullar e Rubem Fonseca, entre outros.

Parece incrível que essas coisas ainda aconteçam em nosso país.  Consequência, é claro, do clima que se armou no atual governo.  A desculpa é de que as obras vetadas contêm “conteúdos inadequados” quando se referem a leitores como crianças e adolescentes, embora haja incongruência como o veto a “Macunaíma”, de Mário de Andrade, obra normalmente muito solicitada  em exames vestibulares.

A violência da Secretaria de Educação de Rondônia atingiu também o escritor Rubem Alves, morto em 2014, que se especializou em escrever sobre educação.  De onde terá saído tamanha barbaridade?

A acusação oficial de que há muita doutrinação nas escolas brasileiras não justifica a censura aos nossos livros didáticos e paradidáticos.  Para serem distribuídos, foram  antes objeto de uma seleção por parte dos programas oficiais, que certamente não primam pela coerência.

A essa decisão absurda devemos somar o que houve recentemente, quando livros foram atirados pela janela de outra Secretaria de Educação, sob a alegação de que estariam “ultrapassados”.  Custa a crer que exista entre nós tamanho desperdício.

Também é relevante pensar nas pessoas que promovem esse tipo de censura.  Quem são elas? Estudaram até que nível, para achar que livros como “Memórias Póstumas de Braz Cubas”, de Machado de Assis, “Mar de História”, de Aurélio Buarque de Holanda, e “os Sertões da Luta”, de Euclides da Cunha, são extremamente perigosos e devem por isso ser proibidos.  Parece  piada de mau-gosto.

Sinceramente, achamos que isso tudo é resultado de um descontrole oficial, a partir de posicionamentos dúbios do próprio Ministério da Educação.  O seu programa do livro didático parece uma nau sem rumo, embora se reconheça a sua indiscutível importância.  Não se trata de falta de recursos financeiros, mas sim da ausência de uma orientação segura.

A Academia Brasileira de Letras protestou contra esse gesto deplorável.  Considerou um desrespeito à Constituição de 1988: “É um despautério  imaginar, em pleno século XXI, a retomada de índice de livros proibidos.”

Tribuna do Sertão , 17/02/2020



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Arnaldo Niskier Sétimo ocupante da Cadeira nº 18 da ABL, eleito em 22 de março de 1984, na sucessão de Peregrino Júnior e recebido em 17 de setembro de 1984 pela acadêmica Rachel de Queiroz. Recebeu os acadêmicos Murilo Melo Filho, Carlos Heitor Cony e Paulo Coelho. Presidiu a Academia Brasileira de Letras em 1998 e 1999.

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