O Papa Francisco disse que, em seu aniversário, em 17 de
dezembro, ele viu uma imagem de um presépio diferente, chamada de “Deixemos a
mãe descansar”. Na representação, que está circulando nas mídias sociais, Maria
dorme enquanto José segura o Menino Jesus.
O Papa disse que a imagem mostra “a ternura de uma família,
de um casamento”:
“Quantos de vocês têm que dividir a noite entre marido e
mulher pelo menino ou menina que chora, chora e chora”, refletiu.
Esta é, precisamente, a mensagem do presépio, explicou o
Papa, acrescentando:
“E também podemos convidar a Sagrada Família para o nosso
lar, onde há alegrias e preocupações, onde todos os dias acordamos, comemos e
dormimos perto de nossos entes queridos. O presépio é um evangelho doméstico.”
Tradição dos presépios
Este ano, Francisco enfatizou a importância de manter a
tradição dos presépios. Ele viajou para Greccio, onde São Francisco criou o
primeiro presépio vivo e lançou uma carta apostólica que fala sobre o
simbolismo e o propósito das representações do nascimento de Jesus.
O pontífice também visitou uma exibição de 100 presépios de
todo o mundo, que acontece no Vaticano.
Em uma Audiência Geral, ele lembrou que o presépio é uma
maneira “simples, mas eficaz” de preparar nossos corações para o nascimento de
Jesus.
“De fato, o presépio é como um evangelho vivo (Carta
Apostólica Admirabile signum, 1). Traz o Evangelho para os lugares onde se
vive: para as casas, escolas, os locais de trabalho e de reunião, hospitais,
asilos, prisões e praças.
E lá, onde moramos, isso nos lembra algo essencial: que Deus
não permaneceu invisível no céu, mas veio à Terra, tornou-se homem, criança.
Montar o presépio é celebrar a proximidade de Deus. Deus
sempre esteve perto de Seu povo, mas quando Ele encarnou e nasceu, Ele estava
muito próximo, muito próximo.
Montar o presépio é redescobrir que Deus é real, concreto,
vivo e respira. (…)
Algumas imagens retratam a Criança de braços abertos para
nos dizer que Deus veio abraçar nossa humanidade.
Por isso, é bom estar na frente da manjedoura e ali confiar
nossa vida ao Senhor, conversar com Ele sobre as pessoas e situações com as
quais nos preocupamos, fazer um balanço do ano que está chegando ao fim,
compartilhar com Ele as nossas expectativas e preocupações.”
As palavras do Papa nos lembram a importância de parar um
pouco para refletir. Somente se deixarmos o barulho do mundo fora de
nossas casas, nos abriremos para ouvir Deus, que fala em silêncio.
Espero, então, que, ao montarmos o presépio, encontremos uma
oportunidade de convidar Jesus para a nossa vida. É como abrir a porta e dizer:
“Jesus, entre!”. É preciso tornar tangível essa proximidade, este convite a
Jesus para entrar em nossas vidas. Porque se Ele habita em nossas vidas, a
vida renasce. E se a vida renasce, é realmente Natal.
Em sua reflexão no Angelus, o Papa Francisco comentou o modo
como São José nos ensina a confiança em Deus
O Papa Francisco falou no Angelus desse domingo sobre a
figura de São José.
De acordo com o Papa, nessa “figura aparentemente
secundária” encontra-se a atitude que inspira “toda a sabedoria cristã”.
José é um homem modesto, “não prega, não fala, mas busca
fazer a vontade de Deus; e a cumpre no estilo do Evangelho e das
Bem-aventuranças”, enfatiza o Papa. Pensemos: “Bem-aventurados os pobres de
espírito, porque deles é o reino dos céus”.
E José é pobre porque vive do essencial, trabalha, vive do
trabalho; é a pobreza típica daqueles que tem consciência de depender
totalmente de Deus e nele depositam toda sua confiança.
A situação narrada pelo Evangelho é constrangedora, pois
José e Maria estão prometidos como esposos, ainda não vivem juntos, mas “ela
espera um filho por ação de Deus”.
José, diante dessa surpresa, naturalmente fica perturbado,
mas, ao invés de reagir de maneira impulsiva e punitiva – como se costumava
fazer, a lei o protegia – busca uma solução que respeite a dignidade e a
integridade de sua amada Maria.
José sabia que consequências teria uma possível denúncia
sua, mas “tem total confiança em Maria, a quem ele escolheu como esposa. Não
entende mas busca outra solução (…), com grande sofrimento, decide se separar
de Maria sem criar escândalo”.
Diante de tal decisão, entra em ação um anjo do Senhor que
lhe diz que a solução por ele pensada “não é aquela desejada por Deus. Antes,
pelo contrário, o Senhor abre a ele um novo caminho, um caminho de união, de
amor e de felicidade e diz a ele: “José, Filho de Davi, não tenhas medo de
receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito
Santo”.
A este ponto, José confia totalmente em Deus, obedece às
palavras do anjo e toma consigo Maria. Precisamente essa confiança inabalável
em Deus permitiu a ele aceitar uma situação humanamente difícil e, em certo
sentido, incompreensível.
Pela fé, José passa a compreender que a criança gerada no
ventre de Maria não é seu filho, mas é o Filho de Deus e que ele “será seu
protetor, assumindo plenamente sua paternidade terrena”.
O exemplo desse homem manso e sábio nos exorta a elevar o
olhar, procurando ver além. Trata-se de resgatar a surpreendente lógica de Deus
que, longe dos pequenos ou grandes cálculos, é feita de abertura a novos
horizontes, a Cristo e à Sua Palavra.
Que a Virgem Maria e seu castíssimo esposo José – foi a
exortação final do Santo Padre – nos ajudem a nos colocar à escuta de Jesus que
vem e que pede para ser acolhido em nossos projetos e nas nossas escolhas.
Capturadas pela Polícia Federal, as conversas da dupla no
aplicativo Telegram revelam que Gregorio Duvivier e Walter Delgatti Neto
nasceram um para o outro. “Feliz de conhecer o hacker”, festejou o humorista na
manhã de 14 de julho, ao receber o primeiro recado do chefe da quadrilha que
estuprara o sigilo de mensagens atribuídas a Sergio Moro e procuradores
federais engajados na Operação Lava Jato. Em seguida, cumprimentou Delgatti
pelo crime praticado em parceria com Glenn Greenwald, receptador do material
roubado. “Você vai mudar o destino do país”, derramou-se Duvivier. Algumas
dezenas de palavras depois, o tom íntimo do diálogo digital lembrava um
reencontro de amigos de infância.
“Tem algo da Globo?, pergunta Duvivier. Animado com o recado
seguinte — “Peguei bastante” —, quer saber os nomes das vítimas. Decepcionado
com a informação de que o único alvo fora William Bonner, o comediante trucida
valores morais, códigos éticos e a língua portuguesa com apenas oito palavras:
“Cara os chefões da Globo vale pegar hein”. A risada eletrônica que encerra a
resposta informa que Delgatti acha a ideia divertida: “Me fala nomes kkkk”. A
conversa é retomada com a Lista de Duvivier. Começa com Carlos Schroder,
diretor-geral da Globo, e Ali Kamel, diretor de jornalismo da rede de televisão
em que o comediante frequentemente se apresenta.
Tão agressivo nos discursos de palanqueiro do PT, tão
atrevido ao invocar o direito de ofender a religiosidade alheia, o Duvivier
beligerante sumiu assim que a Polícia Federal apreendeu o palavrório sórdido.
Entrou em cena o pusilânime pronto para a rendição desonrosa. “Ele entregou
espontaneamente todas as mensagens trocadas com o hacker, com o objetivo de
cooperar com as investigações”, disse o advogado Augusto de Arruda Botelho. Ao
declamar sua versão no depoimento à PF, o humorista confirmou que certas
demonstrações de covardia requerem mais coragem do que atos de bravura em
combate que rendem medalhas e condecorações.
Segundo o advogado, “Gregorio explicou detalhadamente que,
aleatoriamente, mencionou uma série de nomes, em uma conversa informal, sem
qualquer intenção ou interesse de que tais nomes de fato fossem interceptados
ou muito menos investigados”. As “menções aleatórias, fruto de mera
curiosidade”, não incluíram alguma professora de matemática que o perseguia, ou
a namorada com quem dividiu o primeiro beijo, ou o vizinho que lhe confiscava o
sono ouvindo música sertaneja no último volume. Sem saber por que, o depoente
foi logo pensando nos diretores da Globo, no governador Wilson Witzel, no juiz
Marcelo Bretas, responsável pelas ações da Lava Jato no Rio, além de outros
inimigos do tempo presente. É muito cinismo e pouca vergonha.
O que deveria ser um depoimento foi uma piada sussurrada por
um humorista apavorado. Foi também uma prova de que medo de cadeia cura
insolência.
..........
Augusto Nunes
Estudou na Escola de Comunicação e Artes da
Universidade de São Paulo (USP) e começou sua carreira como revisor no Diário
dos Associados. Foi repórter em O Estado de S.Paulo e da revista Veja. Dirigiu
jornais e revistas como O Estado de S.Paulo, Jornal do Brasil (SP), Veja, Época
e Forbes. Apresentou o Roda Viva, da TV Cultura.
Augusto foi quatro vezes vencedor do Prêmio Esso de Jornalismo e considerado
pela Fundação Getúlio Vargas (FVG) um dos mais importantes profissionais da
área do país. Envolvido com literatura, um dos livros que organizou e editou
foi o Minha Razão de Viver: Memórias de Um Repórter. Escreveu as biografias de
Tancredo Neves e de Luís Eduardo Magalhães, além de A Esperança Estilhaçada —
Crônica da Crise que Abalou o PT e o Governo Lula
“Era sábio [o Menino Jesus] de maneira inexplicável, de uma
sabedoria unida à infância”.
(Santo Agostinho)
***
“Meu divino Redentor, na medida em que vos abaixastes,
fazendo-vos homem e criança, brilharam a misericórdia e o amor que nos
mostrastes, a fim de ganhar os nossos corações”.
(São Bernardo)
***
“Que alma haverá tão feroz que não se deixe vencer pelos
encantos dessa criança? Que coração tão duro que não se enterneça à sua vista?”
(São Pedro Crisólogo)
***
“Oh acontecimento admirável! Uma virgem se torna mãe,
permanecendo virgem! Considera a nova ordem da natureza. Qualquer outra mulher,
se permanece virgem, não pode tornar-se mãe; tornando-se mãe, já não conserva a
virgindade. Neste caso, porém, as duas qualidades se mantêm. A mesma pessoa é
mãe e virgem. A virgindade não a impediu de gerar, o parto não lhe tirou a
virgindade. Era conveniente que, vindo para tornar os homens íntegros e
incorruptos, o Salvador fizesse seu ingresso na vida humana a partir da
integridade total, consagrada a Ele sem reserva”.
“Faça-se em mim segundo a tua palavra”… E o Filho de Deus se
fez homem. Também poucas palavras bastam para Jesus Cristo descer ao altar como
sacramento e vítima, e imolar-se por nós. Enquanto Deus tira do nada todas as
coisas, para fazer-se homem quis depender do consentimento da Virgem Maria:
— “Como se fará isto se não conheço varão?”
Disse-lhe o Anjo: — “A virtude do Altíssimo te cobrirá
com a sua sombra, portanto o santo que há nascer de ti será chamado Filho do
Altíssimo”. No consentimento da Santíssima Virgem, o Filho de Deus se
encerrou em seu ventre e “habitou entre nós, e vimos a sua glória, glória
como de unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”, (Jo 1, 14).
João descreve a geração eterna do Filho — que quer dizer
Verbo —, gerado antes de todas as coisas, proclamando a divindade de Nosso
Senhor Jesus Cristo que se torna homem. Com duas naturezas unidas numa só
pessoa, que é a pessoa do Verbo, Ele veio a este mundo sem deixar de ser Deus e
toma a forma de servo para remir a humanidade pecadora.
No Natal comemoramos o homem-Deus que se tornou criança,
singela, encantadora, cintilante de luz divina, pequeno para conduzir os
pequenos, e grande, imenso, para atear o fogo do divino amor nos corações dos
homens. Não há língua capaz de descrever a sublimidade da noite de Natal, que
se tornou noite de luz, noite em que Maria e José contemplaram o Menino-Deus
reclinado em um presépio.
Noite em que a Terra se liga ao Céu, a natureza toda se
reluz de uma alegria sem par, noite em que os Anjos cantam o mais belo hino ao
Deus-Menino que enche de luz os corações dos homens. Quem Vos fez nascer num
pobre estábulo, reclinado numa manjedoura? Vós que estais acima dos Céus, acima
dos astros e de todo o firmamento? Quem Vos arrancou do seio do Eterno Pai para
se reclinar numa gruta fria, sendo o Senhor do universo?
Entre os Serafins e Querubins, entre os esplendores e
belezas do Céu, Vós vos reclinais agora em um presépio? Para quê, Senhor? Vós
que num só movimento determinais as funções dos astros e de todo firmamento,
Vos reclinais, pobre e indefeso, diante de uma Mãe que Vos contempla? Vós que
concedeis alimento aos homens e aos animais, necessitais de um pouco de leite
para Vos manter sobre a Terra.
Por ora gemeis e chorais, ó pequena criança, mas o vosso
pranto é como uma melodia que se ergue da Terra ao Céu; precisando de amparo,
sobe às alturas como um incenso de suave odor, como uma oração sublime, pois
saída dos lábios divinos. Quem Vos contempla no presépio não deixa de se
enternecer diante de tão encantadora e divina presença.
Quem analisa o vosso olhar celeste que penetra no fundo das
almas e vê o recôndito dos corações, ajoelha-se em profunda adoração, percebe a
solução de todos os problemas! Vós sois o Senhor do universo, Aquele que existe
antes de todas as coisas, nada havendo de criado que não fosse feito por Vós,
dignai-Vos a nos contemplar nesta noite em que nascestes.
Vosso olhar, pleno de ternura e bondade, possui uma
movimentação de tal modo harmoniosa, que o universo não pode explicar sua
grandeza e melodia. Aquele que os Céus e a Terra não podem conter está
reclinado num presépio pobre e humilde.
Os Natais de outrora, meu Senhor Jesus, eram revestidos de
doçura e beleza sem par, mas eis que nos encontramos no Século XXI depois do
primeiro Natal, e tudo o que nos rodeia é tristeza e apreensão pelo que se
passa com a vossa Esposa santíssima, o vosso Corpo Místico, a Santa Igreja Católica
Apostólica Romana.
A cristandade foi envolta pelas trevas e erros, desilusões e
desamparos por parte daqueles que, em vez de ser o sal que salga, a luz que
ilumina e o fermento que fermenta, se transformaram em elemento de
autodemolição, de apodrecimento, de desunião. Há, contudo, uma esperança que
não morre, há uma certeza que não desmorona, há uma vida que não se desfaz,
pois o vosso presépio é um marco de certeza, de esperança, de vida, de virtude
que continua sob as cinzas.
O fogo de vosso amor é mais forte que a morte, a vossa vida
é mais invencível do que todos os infernos, porque Vós tendes palavras de vida
eterna, Vós sois o Rei do universo. Nessa perspectiva, ó Senhor, que ora
contemplamos na manjedoura — ali encontramos José e Maria, os pressurosos
pastores, e os reis cheios de esplendores e grandezas —, Vós vindes para
reinar. Reinai, Senhor Jesus, nos corações dos homens!
São súplicas que Vos dirigimos. O Natal para os homens é o
anúncio de uma grande nova, pois Cristo se fez carne por nós. O Anjo disse aos
pastores para não temerem, pois anunciava uma boa-nova que seria de grande
alegria para todo o povo. Disse ele, nasceu hoje um Salvador, que é o Cristo
Senhor. Eis o sinal:“Encontrareis o menino envolto em panos e deitado numa
manjedoura”. Ao mesmo tempo uma multidão da milícia celeste se uniu ao Anjo a
louvar a Deus: “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens
de boa vontade” (Lc II, 8 e sg.).
Envoltos nesta luz, comemoremos o Natal de Nosso Senhor
Jesus Cristo.
______________
*Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso
Moreira (RJ)
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Mateus.
— Glória a vós, Senhor.
A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava
prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida
pela ação do Espírito Santo. José, seu marido, era justo e, não querendo
denunciá-la, resolveu abandonar Maria, em segredo. Enquanto José pensava
nisso, eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: “José,
Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela
concebeu pela ação do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe
darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados”.
Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia
dito pelo profeta: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho. Ele
será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus está conosco”. Quando
acordou, José fez conforme o anjo do Senhor havia mandado e aceitou sua esposa.
“Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor havia
mandado e aceitou sua esposa”
Estamos já no centro do mistério da Encarnação. Os relatos
“da infância de Jesus” (Mt e Lc), não são crônicas de acontecimentos, não são
“história” no sentido que hoje damos à palavra. São “teologia narrativa”.
O relato do evangelho deste domingo nos revela que Deus
dirige a história. Para isso se serve de pessoas eleitas. Cada vez que há um
acontecimento importante na história da salvação, ali aparece um homem ou uma
mulher como mediadores da obra de Deus ou transmissores de sua vontade.
O acontecimento mais importante da história da salvação é o
Nascimento do Filho de Deus. Para “fazer-se homem”, Deus precisava de uma
família. O nome de José está profundamente ligado ao mistério de Jesus. E se o
anjo é um sinal de que Deus se faz presente na vida de uma pessoa para
comunicar-lhe algum de seus desígnios, Deus mesmo se fez presente a José, por
meio de seu anjo. Segundo o evangelho de Mateus, José é a pessoa a quem
primeiro lhe é revelado o mistério que sua esposa guardava em seu ventre.
Quantas coisas acontecem envolvidas pela noite e pelo mistério!
Enquanto o agricultor dorme, na noite rompe-se a casca e cresce a semente
lançada na escura terra, acompanhada de renovadas expectativas e esperança.
Tudo começa na noite: na noite dos pensamentos, dos corações, das intenções,
das esperas, dos encontros. Eis o mistério, eis a noite! A noite, a nossa
noite, é habitada por Aquele que vem. Até na noite da desolação, na solidão, no
deserto, é possível encontrá-Lo.
Contemplando a noite de José, nosso coração se alarga até o
assombro, nossos braços se abrem para a acolhida, nossos olhos se aquecem ao
reconhecer Àquele que vem e na brisa pronuncia o nosso nome. Nas sombras da
vida Ele se faz encontrar, na solidão revela sua presença, na fragilidade
mostra seu rosto.
O mistério da Encarnação de Jesus, sem dúvida, significou
também “a paixão vivida por José, esposo de Maria”. Momentos de angústia, de
dúvida; momentos de obscuridade em seu coração; momentos de pura fé na palavra
de Deus.
José, assim como Maria, vai além da lógica e das condições
humanas; também ele termina se apresentando como “o servo do Senhor”, dizendo
em seu coração: “faça-se em mim segundo tua palavra”.
Como a Maria, Deus também diz a José: “Não tenhas medo de
receber Maria como tua esposa”. Há homens que são importantes não pelo que fazem,
mas pelo que são no coração. Há homens que são grandes não por suas grandes
ideias, mas por acolher a lógica de Deus, que quebra toda lógica humana. José
foi o homem humilde de um povoado como carpinteiro; mas José foi grande por ser
o “homem da fé”.
É preciso recuperar o sentido da surpresa, que é a atmosfera
própria do tempo do Advento; é preciso recordar que a visão bíblica da
história, dirige-se para uma meta surpreendente. Para isso, faz-se necessário
despertar novamente a capacidade de maravilhar-se.
José era um pobre noivo, pertencente a uma nação oprimida e
a uma categoria social esquecida, mas conservava límpidos os olhos do espírito,
prontos para perceber a maravilha que estava acontecendo na sua vida e na vida
de Maria. Nele, devemos recobrar o sentido da expectativa, da novidade, da
coragem.
Deus é encontrado, não na estrada suntuosa do domínio e do
triunfo, mas na estrada do desapego, da doação, do despojamento e da
fragilidade. Para entrar em sintonia com sua Vontade e deixar-se conduzir pelo
seu Anjo, não é preciso estar coberto de títulos honoríficos, nem envolto pelo
manto de obras realizadas; é preciso, isto sim, ser como José, sem títulos e
sem riquezas, mas justo e humano, como o seu Filho que “não veio para ser
servido, mas para servir, e para dar a sua vida”.
Como costuma acontecer com todas aquelas pessoas às quais
lhes são confiadas missões importantes, José é um homem discreto. Sua presença
é silenciosa. Na relação de José com Jesus, poderíamos aplicar a ele estas
palavras: “é preciso que ele (Jesus) cresça e que eu diminua” (Jo 3,30).
Não podemos entender a presença de José em função de si
mesmo, mas a serviço de Jesus e de seu mistério. Saber estar em função de outro
não é fácil, mas é um dos modos mais belos de amar. O silêncio de José não tem
nada de ingênuo. É o silêncio daquele que escuta atentamente para assim poder
servir melhor.
José, “homem justo”: para alguns o têrmo é sinônimo de
“delicadeza ou piedade”, para outros significa “respeito, reverência” em
relação ao mistério de Maria; para outros ainda, é um título jurídico, ou seja,
“obediente à lei”. Sabemos que o “Justo” por excelência é Deus, fiel à
Aliança e que, com constância, continua seu projeto salvífico, apesar das
rupturas provocadas pela infidelidade humana.
O “homem justo” é aquele que, como Abraão, na fé acolhe o
plano de Deus e com Ele colabora. José é “justo” porque adere ao misterioso
desígnio de Deus, é justo porque confia em Deus, arrisca com Deus, ainda que os
contornos do Seu Plano permaneçam obscuros e, em certos aspectos,
incompreensíveis.
José e “justo” porque se ajusta ao modo de agir
surpreendente de Deus. É “justo” porque se abre para o infinito, inspirando-se
em Deus mesmo, o Justo; à justiça exterior, farisaica, ele opõe a justiça da fé
e do coração. Portanto, o termo justo quer indicar a abertura e a adesão à ação
suprema de Deus.
Nesse sentido, José se coloca na linha das grandes figuras
da história da salvação. Sua vida é um exemplo de silenciosa dedicação ao
Reino.
Este José é hoje o homem do Advento, e nos alegramos que ele
tenha se mantido firme e mudado seus critérios para estar a serviço da Vida.
Também nós somos “josés”, neste domingo final de Advento. Também nós, algumas
vezes, nos encontramos em momentos de obscuridade, marcados por dúvidas e
crises, pensando em fugir, abandonar a missão. É normal que, ao adentrar-nos em
nosso próprio mistério, nos encontremos com nossos medos e preocupações, nossas
feridas e tristezas, nossa mediocridade e incoerência.
Mas Deus quer atuar em nós e através de nós; Ele sempre
conta conosco para uma nobre missão.
Não devemos nos inquietar, mas permanecer no silêncio. A
presença amistosa, que está no mais íntimo de nós, irá nos pacificando,
libertando e sanando. “Esta experiência do coração é a única com a qual se pode
compreender a mensagem de fé do Natal: Deus se fez homem” (Karl Rahner).
Este mistério último da vida é um mistério de bondade, de
perdão e salvação, que está em nós: dentro de todos e cada um de nós. Se o
acolhemos em silêncio, conheceremos a alegria do Natal.
Na vida, há muitos momentos nos quais só cabe o silêncio, em
vez do alvoroço, só cabe a serenidade, em vez da precipitação; cabe a nós
renunciar aos nossos próprios critérios e esperar que Deus fale.
Isso pede de nós confiança total, muitas vezes sem
compreender nem conhecer o “por quê e o como”; o decisivo é “deixar-nos fa-zer”
por Deus, deixar-nos conduzir por Aquele que, a partir do mais profundo de nós
mesmos, abre um horizonte de sentido e de surpresas. Aprendamos de José a abrir
nosso interior e deixar-nos surpreender por Deus.
Texto bíblico: Mt 1,18-24
Na oração: Durante a oração devemos nos deter
particularmente na figura de José. Ele teve seus pensamentos próprios, suas
preocupações e suas provações, suas perguntas dilacerantes e suas dúvidas
angustiantes.
Mas Deus nunca deixa de atuar no meio das nossas noites,
dúvidas, provações. Ele conhece nossos pensamentos e temores. E, no momento
certo, nos liberta dos nossos medos e nos dá a conhecer sua Vontade.
- Recordar momentos de dúvidas, incertezas, desolações...,
mas que lhe ajudaram a amadurecer na fé e na adesão ao projeto de Deus.