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quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

“DEIXEMOS A MÃE DESCANSAR”: O PRESÉPIO QUE COMOVEU O PAPA





Que pai ou mãe não se identifica com a imagem?

O Papa Francisco disse que, em seu aniversário, em 17 de dezembro, ele viu uma imagem de um presépio diferente, chamada de “Deixemos a mãe descansar”. Na representação, que está circulando nas mídias sociais, Maria dorme enquanto José segura o Menino Jesus.

O Papa disse que a imagem mostra “a ternura de uma família, de um casamento”:

“Quantos de vocês têm que dividir a noite entre marido e mulher pelo menino ou menina que chora, chora e chora”, refletiu.

Esta é, precisamente, a mensagem do presépio, explicou o Papa, acrescentando:

“E também podemos convidar a Sagrada Família para o nosso lar, onde há alegrias e preocupações, onde todos os dias acordamos, comemos e dormimos perto de nossos entes queridos. O presépio é um evangelho doméstico.”

Tradição dos presépios

Este ano, Francisco enfatizou a importância de manter a tradição dos presépios. Ele viajou para Greccio, onde São Francisco criou o primeiro presépio vivo e lançou uma carta apostólica que fala sobre o simbolismo e o propósito das representações do nascimento de Jesus.


O pontífice também visitou uma exibição de 100 presépios de todo o mundo, que acontece no Vaticano.

Em uma Audiência Geral, ele lembrou que o presépio é uma maneira “simples, mas eficaz” de preparar nossos corações para o nascimento de Jesus.

“De fato, o presépio é como um evangelho vivo (Carta Apostólica Admirabile signum, 1). Traz o Evangelho para os lugares onde se vive: para as casas, escolas, os locais de trabalho e de reunião, hospitais, asilos, prisões e praças.
E lá, onde moramos, isso nos lembra algo essencial: que Deus não permaneceu invisível no céu, mas veio à Terra, tornou-se homem, criança.
Montar o presépio é celebrar a proximidade de Deus. Deus sempre esteve perto de Seu povo, mas quando Ele encarnou e nasceu, Ele estava muito próximo, muito próximo.
Montar o presépio é redescobrir que Deus é real, concreto, vivo e respira. (…)
Algumas imagens retratam a Criança de braços abertos para nos dizer que Deus veio abraçar nossa humanidade.
Por isso, é bom estar na frente da manjedoura e ali confiar nossa vida ao Senhor, conversar com Ele sobre as pessoas e situações com as quais nos preocupamos, fazer um balanço do ano que está chegando ao fim, compartilhar com Ele as nossas expectativas e preocupações.”

As palavras do Papa nos lembram a importância de parar um pouco para refletir.  Somente se deixarmos o barulho do mundo fora de nossas casas, nos abriremos para ouvir Deus, que fala em silêncio.

Espero, então, que, ao montarmos o presépio, encontremos uma oportunidade de convidar Jesus para a nossa vida. É como abrir a porta e dizer: “Jesus, entre!”. É preciso tornar tangível essa proximidade, este convite a Jesus para entrar em nossas vidas. Porque se Ele habita em nossas vidas, a vida renasce. E se a vida renasce, é realmente Natal.

Feliz Natal a todos!


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terça-feira, 24 de dezembro de 2019

PAPA FRANCISCO EXPLICA COMO CONFIAR EM DEUS



Redação da Aleteia | Dez 23, 2019


Em sua reflexão no Angelus, o Papa Francisco comentou o modo como São José nos ensina a confiança em Deus


O Papa Francisco falou no Angelus desse domingo sobre a figura de São José.

De acordo com o Papa, nessa “figura aparentemente secundária” encontra-se a atitude que inspira “toda a sabedoria cristã”.

José é um homem modesto, “não prega, não fala, mas busca fazer a vontade de Deus; e a cumpre no estilo do Evangelho e das Bem-aventuranças”, enfatiza o Papa. Pensemos: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus”.

E José é pobre porque vive do essencial, trabalha, vive do trabalho; é a pobreza típica daqueles que tem consciência de depender totalmente de Deus e nele depositam toda sua confiança.

A situação narrada pelo Evangelho é constrangedora, pois José e Maria estão prometidos como esposos, ainda não vivem juntos, mas “ela espera um filho por ação de Deus”.

José, diante dessa surpresa, naturalmente fica perturbado, mas, ao invés de reagir de maneira impulsiva e punitiva – como se costumava fazer, a lei o protegia – busca uma solução que respeite a dignidade e a integridade de sua amada Maria.

José sabia que consequências teria uma possível denúncia sua, mas “tem total confiança em Maria, a quem ele escolheu como esposa. Não entende mas busca outra solução (…), com grande sofrimento, decide se separar de Maria sem criar escândalo”.

Diante de tal decisão, entra em ação um anjo do Senhor que lhe diz que a solução por ele pensada “não é aquela desejada por Deus. Antes, pelo contrário, o Senhor abre a ele um novo caminho, um caminho de união, de amor e de felicidade e diz a ele: “José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo”.

A este ponto, José confia totalmente em Deus, obedece às palavras do anjo e toma consigo Maria. Precisamente essa confiança inabalável em Deus permitiu a ele aceitar uma situação humanamente difícil e, em certo sentido, incompreensível.

Pela fé, José passa a compreender que a criança gerada no ventre de Maria não é seu filho, mas é o Filho de Deus e que ele “será seu protetor, assumindo plenamente sua paternidade terrena”.

O exemplo desse homem manso e sábio nos exorta a elevar o olhar, procurando ver além. Trata-se de resgatar a surpreendente lógica de Deus que, longe dos pequenos ou grandes cálculos, é feita de abertura a novos horizontes, a Cristo e à Sua Palavra.

Que a Virgem Maria e seu castíssimo esposo José – foi a exortação final do Santo Padre – nos ajudem a nos colocar à escuta de Jesus que vem e que pede para ser acolhido em nossos projetos e nas nossas escolhas.

(Com Vatican News)



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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

A LISTA DE DUVIVIER É UM MONUMENTO À SORDIDEZ


O depoimento do comediante à PF confirma que certas demonstrações de covardia requerem mais coragem que atos de bravura em combate (*)


Do R7

O ator Gregório Duvivier
Thiago Duran/AgNews


Capturadas pela Polícia Federal, as conversas da dupla no aplicativo Telegram revelam que Gregorio Duvivier e Walter Delgatti Neto nasceram um para o outro. “Feliz de conhecer o hacker”, festejou o humorista na manhã de 14 de julho, ao receber o primeiro recado do chefe da quadrilha que estuprara o sigilo de mensagens atribuídas a Sergio Moro e procuradores federais engajados na Operação Lava Jato. Em seguida, cumprimentou Delgatti pelo crime praticado em parceria com Glenn Greenwald, receptador do material roubado. “Você vai mudar o destino do país”, derramou-se Duvivier. Algumas dezenas de palavras depois, o tom íntimo do diálogo digital lembrava um reencontro de amigos de infância.

“Tem algo da Globo?, pergunta Duvivier. Animado com o recado seguinte — “Peguei bastante” —, quer saber os nomes das vítimas. Decepcionado com a informação de que o único alvo fora William Bonner, o comediante trucida valores morais, códigos éticos e a língua portuguesa com apenas oito palavras: “Cara os chefões da Globo vale pegar hein”. A risada eletrônica que encerra a resposta informa que Delgatti acha a ideia divertida: “Me fala nomes kkkk”. A conversa é retomada com a Lista de Duvivier. Começa com Carlos Schroder, diretor-geral da Globo, e Ali Kamel, diretor de jornalismo da rede de televisão em que o comediante frequentemente se apresenta.

Tão agressivo nos discursos de palanqueiro do PT, tão atrevido ao invocar o direito de ofender a religiosidade alheia, o Duvivier beligerante sumiu assim que a Polícia Federal apreendeu o palavrório sórdido. Entrou em cena o pusilânime pronto para a rendição desonrosa. “Ele entregou espontaneamente todas as mensagens trocadas com o hacker, com o objetivo de cooperar com as investigações”, disse o advogado Augusto de Arruda Botelho. Ao declamar sua versão no depoimento à PF, o humorista confirmou que certas demonstrações de covardia requerem mais coragem do que atos de bravura em combate que rendem medalhas e condecorações.

Segundo o advogado, “Gregorio explicou detalhadamente que, aleatoriamente, mencionou uma série de nomes, em uma conversa informal, sem qualquer intenção ou interesse de que tais nomes de fato fossem interceptados ou muito menos investigados”. As “menções aleatórias, fruto de mera curiosidade”, não incluíram alguma professora de matemática que o perseguia, ou a namorada com quem dividiu o primeiro beijo, ou o vizinho que lhe confiscava o sono ouvindo música sertaneja no último volume. Sem saber por que, o depoente foi logo pensando nos diretores da Globo, no governador Wilson Witzel, no juiz Marcelo Bretas, responsável pelas ações da Lava Jato no Rio, além de outros inimigos do tempo presente. É muito cinismo e pouca vergonha.

O que deveria ser um depoimento foi uma piada sussurrada por um humorista apavorado. Foi também uma prova de que medo de cadeia cura insolência.
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Augusto Nunes 
Estudou na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP) e começou sua carreira como revisor no Diário dos Associados. Foi repórter em O Estado de S.Paulo e da revista Veja. Dirigiu jornais e revistas como O Estado de S.Paulo, Jornal do Brasil (SP), Veja, Época e Forbes. Apresentou o Roda Viva, da TV Cultura.
Augusto foi quatro vezes vencedor do Prêmio Esso de Jornalismo e considerado pela Fundação Getúlio Vargas (FVG) um dos mais importantes profissionais da área do país. Envolvido com literatura, um dos livros que organizou e editou foi o Minha Razão de Viver: Memórias de Um Repórter. Escreveu as biografias de Tancredo Neves e de Luís Eduardo Magalhães, além de A Esperança Estilhaçada — Crônica da Crise que Abalou o PT e o Governo Lula




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NATAL — Algumas frases para refletirmos diante do Santo Presépio


23 de dezembro de 2019

“Era sábio [o Menino Jesus] de maneira inexplicável, de uma sabedoria unida à infância”.
(Santo Agostinho)

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“Meu divino Redentor, na medida em que vos abaixastes, fazendo-vos homem e criança, brilharam a misericórdia e o amor que nos mostrastes, a fim de ganhar os nossos corações”.
(São Bernardo)

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“Que alma haverá tão feroz que não se deixe vencer pelos encantos dessa criança? Que coração tão duro que não se enterneça à sua vista?”
(São Pedro Crisólogo)

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“Oh acontecimento admirável! Uma virgem se torna mãe, permanecendo virgem! Considera a nova ordem da natureza. Qualquer outra mulher, se permanece virgem, não pode tornar-se mãe; tornando-se mãe, já não conserva a virgindade. Neste caso, porém, as duas qualidades se mantêm. A mesma pessoa é mãe e virgem. A virgindade não a impediu de gerar, o parto não lhe tirou a virgindade. Era conveniente que, vindo para tornar os homens íntegros e incorruptos, o Salvador fizesse seu ingresso na vida humana a partir da integridade total, consagrada a Ele sem reserva”.
(São Gregório de Nissa)


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domingo, 22 de dezembro de 2019

É NATAL!



Cada vez que duas pessoas se entendem e se perdoam, é Natal.

Cada vez que você mostra paciência com quem convive, é Natal.

Cada vez que você ajuda uma pessoa, é Natal.

Cada vez que alguém decide ser honesto em tudo o que faz, é Natal.

Cada vez que nasce uma criança, é Natal.

Cada vez que se respeita e se auxilia um idoso, é Natal.

Cada vez que duas pessoas se amam com um amor limpo, profundo e sincero, é Natal.

Cada vez que você olhar alguém com os olhos do coração, sem julgamentos ou críticas, é Natal.

Cada vez que alguém socorre e devolve dignidade a um animalzinho, é Natal.

Cada vez que você divide o pão da sua mesa, é Natal.

Cada vez que se demonstra amor ao próximo, é Natal.

Cada vez que você faz uma reforma íntima e procura dar conteúdo novo a sua vida, é Natal."


PORQUE NATAL é:

Amor todo dia.
Paz todo dia.
Generosidade todo dia.
Justiça, todo dia. 
Compreensão todo dia.
Respeito todo dia.
Auto amor todo dia.
Ação positiva todo dia.
Amor à vida, todo dia.

E é a partir dessas atitudes que:
Nasce a Esperança
Nasce a Alegria
Nasce a Paz.

Nunca será um verdadeiro Natal enquanto comemorarmos apenas uma noite com amor e nos esquecermos e nos desrespeitarmos o resto do ano! 
Seguramente não é isto que Jesus quer de nós!
Então façamos uma reflexão e cuide para que nossa vida seja um constante Natal.

Feliz Natal!


(Recebi via Whats, sem menção de autoria)



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“EIS AQUI A ESCRAVA DO SENHOR!” – Pe. David Francisquini

Publicado em 22 de dezembro de 2019

Pe. David Francisquini *

“Faça-se em mim segundo a tua palavra”… E o Filho de Deus se fez homem. Também poucas palavras bastam para Jesus Cristo descer ao altar como sacramento e vítima, e imolar-se por nós. Enquanto Deus tira do nada todas as coisas, para fazer-se homem quis depender do consentimento da Virgem Maria: — “Como se fará isto se não conheço varão?”

Disse-lhe o Anjo: — “A virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra, portanto o santo que há nascer de ti será chamado Filho do Altíssimo”. No consentimento da Santíssima Virgem, o Filho de Deus se encerrou em seu ventre e “habitou entre nós, e vimos a sua glória, glória como de unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”, (Jo 1, 14).

João descreve a geração eterna do Filho — que quer dizer Verbo —, gerado antes de todas as coisas, proclamando a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo que se torna homem. Com duas naturezas unidas numa só pessoa, que é a pessoa do Verbo, Ele veio a este mundo sem deixar de ser Deus e toma a forma de servo para remir a humanidade pecadora.

No Natal comemoramos o homem-Deus que se tornou criança, singela, encantadora, cintilante de luz divina, pequeno para conduzir os pequenos, e grande, imenso, para atear o fogo do divino amor nos corações dos homens. Não há língua capaz de descrever a sublimidade da noite de Natal, que se tornou noite de luz, noite em que Maria e José contemplaram o Menino-Deus reclinado em um presépio.

Noite em que a Terra se liga ao Céu, a natureza toda se reluz de uma alegria sem par, noite em que os Anjos cantam o mais belo hino ao Deus-Menino que enche de luz os corações dos homens. Quem Vos fez nascer num pobre estábulo, reclinado numa manjedoura? Vós que estais acima dos Céus, acima dos astros e de todo o firmamento? Quem Vos arrancou do seio do Eterno Pai para se reclinar numa gruta fria, sendo o Senhor do universo?

Entre os Serafins e Querubins, entre os esplendores e belezas do Céu, Vós vos reclinais agora em um presépio? Para quê, Senhor? Vós que num só movimento determinais as funções dos astros e de todo firmamento, Vos reclinais, pobre e indefeso, diante de uma Mãe que Vos contempla? Vós que concedeis alimento aos homens e aos animais, necessitais de um pouco de leite para Vos manter sobre a Terra.

Por ora gemeis e chorais, ó pequena criança, mas o vosso pranto é como uma melodia que se ergue da Terra ao Céu; precisando de amparo, sobe às alturas como um incenso de suave odor, como uma oração sublime, pois saída dos lábios divinos. Quem Vos contempla no presépio não deixa de se enternecer diante de tão encantadora e divina presença.

Quem analisa o vosso olhar celeste que penetra no fundo das almas e vê o recôndito dos corações, ajoelha-se em profunda adoração, percebe a solução de todos os problemas! Vós sois o Senhor do universo, Aquele que existe antes de todas as coisas, nada havendo de criado que não fosse feito por Vós, dignai-Vos a nos contemplar nesta noite em que nascestes.

Vosso olhar, pleno de ternura e bondade, possui uma movimentação de tal modo harmoniosa, que o universo não pode explicar sua grandeza e melodia. Aquele que os Céus e a Terra não podem conter está reclinado num presépio pobre e humilde.

Os Natais de outrora, meu Senhor Jesus, eram revestidos de doçura e beleza sem par, mas eis que nos encontramos no Século XXI depois do primeiro Natal, e tudo o que nos rodeia é tristeza e apreensão pelo que se passa com a vossa Esposa santíssima, o vosso Corpo Místico, a Santa Igreja Católica Apostólica Romana.

A cristandade foi envolta pelas trevas e erros, desilusões e desamparos por parte daqueles que, em vez de ser o sal que salga, a luz que ilumina e o fermento que fermenta, se transformaram em elemento de autodemolição, de apodrecimento, de desunião. Há, contudo, uma esperança que não morre, há uma certeza que não desmorona, há uma vida que não se desfaz, pois o vosso presépio é um marco de certeza, de esperança, de vida, de virtude que continua sob as cinzas.

O fogo de vosso amor é mais forte que a morte, a vossa vida é mais invencível do que todos os infernos, porque Vós tendes palavras de vida eterna, Vós sois o Rei do universo. Nessa perspectiva, ó Senhor, que ora contemplamos na manjedoura — ali encontramos José e Maria, os pressurosos pastores, e os reis cheios de esplendores e grandezas —, Vós vindes para reinar. Reinai, Senhor Jesus, nos corações dos homens!

São súplicas que Vos dirigimos. O Natal para os homens é o anúncio de uma grande nova, pois Cristo se fez carne por nós. O Anjo disse aos pastores para não temerem, pois anunciava uma boa-nova que seria de grande alegria para todo o povo. Disse ele, nasceu hoje um Salvador, que é o Cristo Senhor. Eis o sinal: “Encontrareis o menino envolto em panos e deitado numa manjedoura”. Ao mesmo tempo uma multidão da milícia celeste se uniu ao Anjo a louvar a Deus: “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens de boa vontade” (Lc II, 8 e sg.).

Envoltos nesta luz, comemoremos o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo.

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*Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ)


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PALAVRA DA SALVAÇÃO (162)


4º Domingo do Advento – 22/12/2019

Anúncio do Evangelho (Mt 1,18-24)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor. 

A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria, em segredo. Enquanto José pensava nisso, eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: “José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados”.

Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus está conosco”. Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor havia mandado e aceitou sua esposa.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do  Padre Roger Araújo:


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“Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor havia mandado e aceitou sua esposa”

Estamos já no centro do mistério da Encarnação. Os relatos “da infância de Jesus” (Mt e Lc), não são crônicas de acontecimentos, não são “história” no sentido que hoje damos à palavra. São “teologia narrativa”.

O relato do evangelho deste domingo nos revela que Deus dirige a história. Para isso se serve de pessoas eleitas. Cada vez que há um acontecimento importante na história da salvação, ali aparece um homem ou uma mulher como mediadores da obra de Deus ou transmissores de sua vontade.

O acontecimento mais importante da história da salvação é o Nascimento do Filho de Deus. Para “fazer-se homem”, Deus precisava de uma família. O nome de José está profundamente ligado ao mistério de Jesus. E se o anjo é um sinal de que Deus se faz presente na vida de uma pessoa para comunicar-lhe algum de seus desígnios, Deus mesmo se fez presente a José, por meio de seu anjo. Segundo o evangelho de Mateus, José é a pessoa a quem primeiro lhe é revelado o mistério que sua esposa guardava em seu ventre.

Quantas coisas acontecem envolvidas pela noite e pelo mistério! Enquanto o agricultor dorme, na noite rompe-se a casca e cresce a semente lançada na escura terra, acompanhada de renovadas expectativas e esperança. Tudo começa na noite: na noite dos pensamentos, dos corações, das intenções, das esperas, dos encontros. Eis o mistério, eis a noite! A noite, a nossa noite, é habitada por Aquele que vem. Até na noite da desolação, na solidão, no deserto, é possível encontrá-Lo.

Contemplando a noite de José, nosso coração se alarga até o assombro, nossos braços se abrem para a acolhida, nossos olhos se aquecem ao reconhecer Àquele que vem e na brisa pronuncia o nosso nome. Nas sombras da vida Ele se faz encontrar, na solidão revela sua presença, na fragilidade mostra seu rosto.

O mistério da Encarnação de Jesus, sem dúvida, significou também “a paixão vivida por José, esposo de Maria”. Momentos de angústia, de dúvida; momentos de obscuridade em seu coração; momentos de pura fé na palavra de Deus.

José, assim como Maria, vai além da lógica e das condições humanas; também ele termina se apresentando como “o servo do Senhor”, dizendo em seu coração: “faça-se em mim segundo tua palavra”.

Como a Maria, Deus também diz a José: “Não tenhas medo de receber Maria como tua esposa”. Há homens que são importantes não pelo que fazem, mas pelo que são no coração. Há homens que são grandes não por suas grandes ideias, mas por acolher a lógica de Deus, que quebra toda lógica humana. José foi o homem humilde de um povoado como carpinteiro; mas José foi grande por ser o “homem da fé”.

É preciso recuperar o sentido da surpresa, que é a atmosfera própria do tempo do Advento; é preciso recordar que a visão bíblica da história, dirige-se para uma meta surpreendente. Para isso, faz-se necessário despertar novamente a capacidade de maravilhar-se.

José era um pobre noivo, pertencente a uma nação oprimida e a uma categoria social esquecida, mas conservava límpidos os olhos do espírito, prontos para perceber a maravilha que estava acontecendo na sua vida e na vida de Maria. Nele, devemos recobrar o sentido da expectativa, da novidade, da coragem.

Deus é encontrado, não na estrada suntuosa do domínio e do triunfo, mas na estrada do desapego, da doação, do despojamento e da fragilidade. Para entrar em sintonia com sua Vontade e deixar-se conduzir pelo seu Anjo, não é preciso estar coberto de títulos honoríficos, nem envolto pelo manto de obras realizadas; é preciso, isto sim, ser como José, sem títulos e sem riquezas, mas justo e humano, como o seu Filho que “não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida”.

Como costuma acontecer com todas aquelas pessoas às quais lhes são confiadas missões importantes, José é um homem discreto. Sua presença é silenciosa. Na relação de José com Jesus, poderíamos aplicar a ele estas palavras: “é preciso que ele (Jesus) cresça e que eu diminua” (Jo 3,30).

Não podemos entender a presença de José em função de si mesmo, mas a serviço de Jesus e de seu mistério. Saber estar em função de outro não é fácil, mas é um dos modos mais belos de amar. O silêncio de José não tem nada de ingênuo. É o silêncio daquele que escuta atentamente para assim poder servir melhor.

José, “homem justo”: para alguns o têrmo é sinônimo de “delicadeza ou piedade”, para outros significa “respeito, reverência” em relação ao mistério de Maria; para outros ainda, é um título jurídico, ou seja, “obediente à lei”.  Sabemos que o “Justo” por excelência é Deus, fiel à Aliança e que, com constância, continua seu projeto salvífico, apesar das rupturas provocadas pela infidelidade humana.

O “homem justo” é aquele que, como Abraão, na fé acolhe o plano de Deus e com Ele colabora. José é “justo” porque adere ao misterioso desígnio de Deus, é justo porque confia em Deus, arrisca com Deus, ainda que os contornos do Seu Plano permaneçam obscuros e, em certos aspectos, incompreensíveis.

José e “justo” porque se ajusta ao modo de agir surpreendente de Deus. É “justo” porque se abre para o infinito, inspirando-se em Deus mesmo, o Justo; à justiça exterior, farisaica, ele opõe a justiça da fé e do coração. Portanto, o termo justo quer indicar a abertura e a adesão à ação suprema de Deus.

Nesse sentido, José se coloca na linha das grandes figuras da história da salvação. Sua vida é um exemplo de silenciosa dedicação ao Reino.

Este José é hoje o homem do Advento, e nos alegramos que ele tenha se mantido firme e mudado seus critérios para estar a serviço da Vida. Também nós somos “josés”, neste domingo final de Advento. Também nós, algumas vezes, nos encontramos em momentos de obscuridade, marcados por dúvidas e crises, pensando em fugir, abandonar a missão. É normal que, ao adentrar-nos em nosso próprio mistério, nos encontremos com nossos medos e preocupações, nossas feridas e tristezas, nossa mediocridade e incoerência.

Mas Deus quer atuar em nós e através de nós; Ele sempre conta conosco para uma nobre missão.

Não devemos nos inquietar, mas permanecer no silêncio. A presença amistosa, que está no mais íntimo de nós, irá nos pacificando, libertando e sanando. “Esta experiência do coração é a única com a qual se pode compreender a mensagem de fé do Natal: Deus se fez homem” (Karl Rahner).

Este mistério último da vida é um mistério de bondade, de perdão e salvação, que está em nós: dentro de todos e cada um de nós. Se o acolhemos em silêncio, conheceremos a alegria do Natal.

Na vida, há muitos momentos nos quais só cabe o silêncio, em vez do alvoroço, só cabe a serenidade, em vez da precipitação; cabe a nós renunciar aos nossos próprios critérios e esperar que Deus fale.

Isso pede de nós confiança total, muitas vezes sem compreender nem conhecer o “por quê e o como”; o decisivo é “deixar-nos fa-zer” por Deus, deixar-nos conduzir por Aquele que, a partir do mais profundo de nós mesmos, abre um horizonte de sentido e de surpresas. Aprendamos de José a abrir nosso interior e deixar-nos surpreender por Deus.

Texto bíblico: Mt 1,18-24

Na oração:  Durante a oração devemos nos deter particularmente na figura de José. Ele teve seus pensamentos próprios, suas preocupações e suas provações, suas perguntas dilacerantes e suas dúvidas angustiantes.
Mas Deus nunca deixa de atuar no meio das nossas noites, dúvidas, provações. Ele conhece nossos pensamentos e temores. E, no momento certo, nos liberta dos  nossos medos e nos dá a conhecer sua Vontade.
- Recordar momentos de dúvidas, incertezas, desolações..., mas que lhe ajudaram a amadurecer na fé e na adesão ao projeto de Deus.

Pe. Adroaldo Palaoro sj
18.12.2019

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