Com o expressivo título: Cidade húngara constrói igreja
católica na antiga propriedade comunista, o site Churchmilitant.com levanta
um tanto o véu sobre que ocorre no Leste europeu. As estatísticas nos mostram
uma Europa Ocidental decadente em sua Fé: fechamento de igrejas por falta de
fieis, diminuição do número de batismos, casamentos, praticas religiosas —
frutos da relativização decorrente do Concílio Vaticano II.
Na Hungria, vemos pelo contrário um belo exemplo do que fez
a Igreja dos primeiros séculos transformando antigos templos pagãos em lugares
sagrados do culto católico.
Assim fez a Hungria neste ano com um antigo centro comunista
transformado em igreja católica.
Um pouco de História
Em 1552, os turcos já haviam conquistado grande parte da
Hungria, e a fortaleza de Eger tornou-se o baluarte de proteção das regiões do
Norte.
Depois de Buda (a capital) ter sido dominada pelos turcos,
esses tentaram estender seu domínio para o norte do país, a fim de realizar
movimentos de flanquear para Viena os territórios do Sul da Polônia.
A fortaleza de Eger já era famosa por sua força, construída
por especialistas italianos em fortificação, e protegeu o vale que era uma
linha natural de avanço para o norte.
O capitão István Dobó liderou as forças húngaras compostas
por soldados, homens e mulheres camponesas locais num total aproximado a duas
mil pessoas.
Kara Ahmed Pasha comandou o ataque muçulmano com soldados
estimados em mais de 35 mil combatentes. Assim, os otomanos esperavam uma
vitória fácil. Entretanto, foram rechaçados.
“As mulheres de Eger”, obra de Bertalan Székely
As mulheres de Eger marcaram a história durante tal batalha.
Algumas delas pegaram as espadas de seus maridos mortos, outras jogaram pedras
ou caldeirões de água fervente e alcatrão nos soldados inimigos que subiam as
escadas para invadir o forte.
O cerco de Eger é emblemático da defesa nacional húngara e
do heroísmo patriótico em resistir aos turcos otomanos. A nova igreja em Eger é
emblemática da resistência do povo húngaro e o triunfo sobre o regime soviético
ateísta.
Lições ao Ocidente
O secretário de Estado húngaro Miklós Soltész disse que é
significativo que a nova igreja seja construída em um conjunto habitacional da
era comunista, projetado para formar as letras CCCP (abreviação russa para
URSS) quando vistas do ar.
“Foi um grande esforço da União Soviética e do comunismo
para erradicar completamente a fé, a religião e o cristianismo, e onde quer que
novos conjuntos habitacionais fossem construídos […] igrejas não podiam ser
construídas”, disse Soltész.
Soltész observou a corrida da Hungria na contramão da Europa
Ocidental: “Estamos muito satisfeitos que, ao contrário da prática muito
triste ocidental europeu de fechar igrejas e transformá-las em locais de
entretenimento e ginásios, a Hungria está fazendo o oposto.”
Também é sintomático que o Estado húngaro financie a
construção de igrejas, em feliz concórdia com o Episcopado, enquanto que no
Brasil o Sínodo Pan Amazônia quer caminhar na contramão do Estado e chega ao
absurdo de vetar a participação de políticos com mandato no evento.
Quem vai entender a má vontade expressa do Vaticano e do
Sínodo em relação ao governo brasileiro? Só porque o Brasil desbancou o PT?
É o caso de concluir que também o Sínodo anda na contramão
da História.
Nossa Senhora Aparecida, rainha do Brasil, apresse a vitória
definitiva das forças do bem e fortaleça os brasileiros na defesa da Fé e da
soberania nacional.
Academia Brasileira de Letras dá
continuidade à sua série de Seminários “Brasil, brasis” de 2019 com o
tema A Ação Cultural Emergente nas Comunidadescoordenada pela
Acadêmica Ana Maria Machado. Participam da palestra o
comunicador Rene Silva e o escritor Julio Ludemir.
O coordenador geral dos Seminários “Brasil, brasis” de 2019 é o Acadêmico e
professor Domício Proença Filho.
O seminário está programado para o
dia 24 de setembro, terça-feira, às 17h30, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida
Presidente Wilson, 203 - Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca.
O Seminário “Brasil, brasis”, com
entrada franca e transmissão ao vivo pelo Portal da ABL, tem o patrocínio
do Bradesco.
Os convidados
JulioBernardoLudemir nasceu no Rio de Janeiro, mas foi criado em Olinda, Pernambuco.
Estudou jornalismo, mas nunca concluiu o curso. Tem dez livros
publicados, a maioria ambientados nas favelas cariocas. A reportagem “Rim por
Rim” foi finalista do Prêmio Jabuti de 2008. É um dos roteiristas de
“400 contra um”, que o cineasta Caco de Souza adaptou da autobiografia de
William da Silva Lima, um dos criadores do Comando Vermelho.
É um dos idealizadores da FLUP, Festa
Literária das Periferias, cuja principal característica é
acontecer em favelas cariocas. A iniciativa ganhou o prêmio Faz
Diferença de 2012 do jornal O Globo, o Excellence Awards de
2016 da London Book Fair e Retratos da Leitura de 2016 do Instituto Pró-Livro.
É também um dos idealizadores da
Batalha do Passinho, que levou para Londres e Nova York. Com os dançarinos do
Passinho, criou o espetáculo “Na Batalha”, primeiro grupo de funk a
se apresentar no Teatro Municipal do Rio deJaneiro, tema de
documentário que estreou em 2016.
Rene Silva, de 25 anos,
nasceu na comunidade do Morro do Adeus, uma das 13 favelas que formam hoje o
Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Sua trajetória de empreendedor
começou quando era criança. Aos 9 anos vendia doce na porta de sua casa. Com
10, reuniu amigos da escola e juntos decidiram fazer algo pela comunidade onde
viviam. Entra para Escola Municipal com 11 anos, cursando a 5ª série, atual 6º
ano. Logo se engaja em projetos diferentes no Grêmio Estudantil. Começa a fazer
parte do Jornal escolar. Em pouco tempo, cursando a escola em um turno e
colaborando com o jornal estudantil em outro, percebe que pode fazer mais.
Sempre com olhar atendo para seu entorno, lança em 2005, mídia voltada para a
comunidade. No início, no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, ainda como um
jornal impresso.
Atualmente, Rene Silva dos Santos é
presidente da ONG Voz das Comunidades e editor-chefe do Jornal Voz das
Comunidades, veículo que circula mensalmente em 15 favelas do Rio de Janeiro. E
ao longo de sua carreira, recebeu o prêmio Shorty Awards, considerado o Oscar
do twitter pelo The New York Times e Prêmio FAZ
DIFERENÇA, do Jornal O GLOBO, Orilaxé, do grupo cultural AfroReggae e o
Prêmio ANU da Central Única das Favelas.
Como pai e mãe educam os filhos? Começo
por um dos fundamentos, o que interessa no caso. A preparação para a vida entre
os homens apresenta marcantes traços comuns com o modo de, por exemplo, a onça
e outros animais prepararem os filhotes para a sobrevivência. Pela imitação,
lei da natureza; outro jeito, pela força do exemplo. Gradualmente, ensina-os a
se defender dos perigos, a caçar, a procurar abrigos. E o homem é mamífero,
guiado pela razão.
De igual maneira, enorme papel tem a
imitação na educação infantil. Forma o caráter o bom exemplo dos superiores, no
caso, os mais naturais e imediatos, os pais. No ambiente da família, o filho em
especial imita o pai, a filha em particular a mãe, ambos movidos fortemente
pela admiração. Nada mais normal que, aperfeiçoando a imitação, buscando
padrões de comportamento, o filho idealize os pais, para ele causa, modelos,
mestres e regentes. E assim tantas vezes, para bem formar o filho, pais e mães
ocultam vícios e má conduta — exemplo corrente, os fumantes. Se não são, pelo
menos precisam ser visto como sendo modelos. A educação pela imitação
admirativa repercute desde a mais tenra infância até a extrema ancianidade.
Qualquer desarranjo em tal processo traumatiza, deixa sequelas vida afora.
Depois na educação temos os ambientes familiares, sociais, rodas de amigos, a
escola. E então se avulta o papel do professor.
Mas não pretendo falar de pedagogia do
infante. Meu assunto é outro, governo — pedagogia adulta. Sei, uma tem relação
com a outra. Vamos lá. O Estado existe para a promoção do bem comum (o bonum
commune da Escolástica). João XXIII na “Pacem in Terris” lembrou esta
verdade, hoje tão esquecida, em palavras precisas: “[A] realização
do bem comum constitui a própria razão de ser dos poderes públicos”. Emerge
a pergunta: o que é o bem comum? Volto a João XXIII: “o conjunto de
todas as condições de vida social que consintam e favoreçam o desenvolvimento
integral da personalidade humana”.
Destaco o enunciado “desenvolvimento
integral da personalidade humana”. Integral. Para tal crescimento, contam
fatores materiais, contam sobretudo fatores morais. E aqui entra o papel de
formador do governante. Na mais funda raiz, a obrigação do decoro, bem como a
chamada liturgia do cargo e a sujeição ao cerimonial se assentam na
contribuição ao bem comum advinda do bom exemplo do governante. Em decorrência,
a lesão ao bem comum que seu mau exemplo acarreta. E a congruência da punição a
tal conduta. Expressão de tal verdade temos no artigo 9º da lei 1079 de
10/4/1950 que tipifica como crime de responsabilidade “proceder de modo
incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo”. O que pode
levar à perda do cargo.
Na vida de uma nação todo esse edifício
se apoia na noção idônea de bem comum. A ideia de bem comum sem simplismos,
rica, multifacetada, abarcando toda a realidade, que incorpora com
discernimento os fatores morais, intelectuais, psicológicos e materiais é
pressuposto da democracia autêntica, da saudável participação popular, do
governo realmente voltado para os interesses populares e nacionais. Sem tal
concepção, tornam-se desnaturadas as noções de democracia, participação e
governo; funcionam mal as instituições e se escancaram as portas para a
demagogia.
Fato ilustrativo, em 25 de agosto de
1928 o presidente Washington Luís [foto ao lado] inaugurou a
Rio-Petrópolis, a primeira rodovia asfaltada no Brasil, e na ocasião pronunciou
frase que se tornou célebre: “Governar é abrir estradas”. Parece,
nem ele julgava que governar se reduz essencialmente a abrir estradas. Mas a
afirmação simplista ficou no anedotário político. Exagerando, puxando a corda
para o outro lado se poderia dizer: “Governar é dar bom exemplo”. Nem um, nem
outro. Governar é promover o bem comum, simples assim, fazer estradas e dar bom
exemplo forma parte do todo.
Também a ideia correta de
representatividade tem relação com o bem comum. A promoção do bem comum supõe
via de regra que a nação se faça representar pelo que tem de mais expressivo. É
parte da exemplaridade própria às funções públicas — probidade, decoro, brilho.
Nunca ali deveria estadear o extravagante, excêntrico e estapafúrdio. No
Brasil, cada vez mais, pecamos aqui, todos sabem.
Por que tratei hoje do tema? As
reflexões brotaram ao ler entrevista recente de Dom Rafael de Orleans e
Bragança e ali o príncipe dizia: “Fomos ensinados desde pequenos a ser
vistos como exemplos”. Amplio o tema na mesma direção e fecho com episódio
talvez um tanto legendário, ligado ao que se poderia chamar com alguma
liberdade o bem comum das almas (a salusanimarum). São
Francisco de Assis [quadro ao lado] certa vez convidou um jovem do
convento para acompanhá-lo em pregação. Caminharam em conversa animada até o
povoado. Percorreram as ruas, cumprimentaram pessoas, uma prosinha aqui e ali;
para os transeuntes ensinamento vivo de simplicidade, desapego e espírito
sobrenatural. Na tardinha retornaram à residência. O moço recordou a São
Francisco, haviam esquecido a pregação. Respondeu o santo mais ou menos assim:
“Enquanto andávamos, era uma pregação o que fazíamos. Nossas vestes, nosso
porte, revelavam que servíamos a Deus. Pregamos sermão mais tocante do que se
tivéssemos falado na praça, exortando o povo à santidade”.
Verba movent, exempla trahunt(Palavras
comovem, exemplos arrastam). Faz muita falta o arrastão do bom exemplo.
Ajudaria o bem comum, facilitaria o apostolado.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Lucas.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, Jesus dizia aos discípulos: “Um homem
rico tinha um administrador que foi acusado de esbanjar os seus bens. Ele
o chamou e lhe disse: ‘Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua
administração, pois já não podes mais administrar meus bens’.
O administrador então começou a refletir: ‘O senhor vai me
tirar a administração. Que vou fazer? Para cavar, não tenho forças; de
mendigar, tenho vergonha. Ah! Já sei o que fazer, para que alguém me
receba em sua casa, quando eu for afastado da administração’.
Então ele chamou cada um dos que estavam devendo ao seu
patrão. E perguntou ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu patrão?’ Ele
respondeu: ‘Cem barris de óleo!’ O administrador disse: ‘Pega a tua conta,
senta-te, depressa, e escreve cinquenta!’
Depois ele perguntou a outro: ‘E tu, quanto deves?’ Ele
respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. O administrador disse: ‘Pega tua conta e
escreve oitenta’.
E o senhor elogiou o administrador desonesto, porque ele
agiu com esperteza. Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos em seus
negócios do que os filhos da luz. E eu vos digo: usai o dinheiro injusto
para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eterna, Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes,
e quem é injusto nas pequenas também é injusto nas grandes. Por isso, se
vós não sois fiéis no uso do dinheiro injusto, quem vos confiará o verdadeiro
bem? E se não sois fiéis no que é dos outros, quem vos dará aquilo que é
vosso?
Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou odiará um e
amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a
Deus e ao dinheiro”.
“Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Lc 16,13)
O evangelho deste domingo (25 Dom TC) dá margem a toda uma
série de questionamentos. Será que somos tão espertos nas “coisas” de Deus como
somos com as nossas coisas? Somos tão astutos no serviço ao Reino como somos
para com nossos interesses? Somos criativos no anúncio do evangelho como somos
no empenho por manter nosso prestígio, vaidade e poder?...
A parábola narrada por Lucas é tremendamente provocativa: é
como se Jesus estivesse nos colocando frente a um autêntico dilema de nossa
vida; ou, é como se Ele estivesse nos despertando para tomar consciência de
quem controla nossa vida; ou, é como se Ele nos sacudisse para cair na conta de
quem somos em seu projeto e em seu sonho; ou, ainda, é como se Jesus estivesse
nos animando a viver o dia-a-dia com sagacidade e sabedoria em vez de nos
acomodar em uma ou outra margem de nossa vida.
Todos temos consciência que, em cada um de nós, convivem a
luz e as trevas, e a experiência nos diz que, quando nosso ego está em jogo,
ativamos meios, recursos, táticas, argúcias, estratégias e decisões..., com o
objetivo de sairmos vencedores e assegurarmos a sobrevivência – a segurança, o
dinheiro, o prestígio...
Embora, no Sermão das Bem-aventuranças, Jesus tenha
declarado que o Reino dos céus é dos humildes e simples, no entanto, este Reino
não pode ser construído com ingenuidade, pois “os filhos deste mundo são mais
espertos em seus negócios do que os filhos da luz”. Mas, o que acontece quando
está em jogo a luz que somos? Que fazemos com o melhor que há em nós mesmos?
Onde está nossa sagacidade para investir a vida em favor da vida? Onde está
nossa sabedoria para que o Reino atraia, seduza, mobilize...?
Se colocássemos tanto empenho, tantos meios, astúcia e
sabedoria para que nossa verdadeira identidade – a luz que somos e carregamos –
se manifestasse, nosso mundo seria bem diferente e a mensagem da Boa Nova teria
ressonância em todos os lugares e em todos os corações.
Devemos nos examinar se não é tempo de colocar a serviço da
luz toda a capacidade e inteligência que colocamos a serviço de nossos
interesses…. Devemos nos perguntar se não é tempo de sermos tão criativos e
ambiciosos, no bom sentido da palavra, quando se trata de questões do Reino
como quando se trata de questões de negócios. Talvez, é chegado o momento de
tomarmos consciência daquilo que Deus nos pede: que não sejamos perfeitos e
imaculados, refugiando-nos em nosso metro quadrado de luz, mas que sejamos
espertos e busquemos maneiras de gerar luz para todos, mesmo que isso implique
enfrentar as nossas próprias sombras.
Hoje, a sagacidade e a esperteza se disparam quando se trata
do “deus” dinheiro. Naturalmente nenhum de nós vai a um banco para rezar ao
deus dinheiro, nem faz novena aos banqueiros. Mas, no fundo, podemos estar
alimentando a idolatria do dinheiro.
Não se pode servir a dois senhores com pretensões e atitudes
radicalmente opostas. É impossível sentir-se bem com os dois. E isso é o que
acontece entre Deus e o dinheiro. “Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”.
O texto grego usa a expressão “mamwna”. “Mammon” era um deus cananeu, o deus
dinheiro. Não se trata, pois, da oposição entre Deus e um objeto material, mas
da incompatibilidade entre dois deuses. Servir ao dinheiro significa que toda
nossa existência está orientada à acumulação de bens materiais; é buscar, como
objetivo de vida, a segurança que as riquezas proporcionam; significa que
colocamos no centro de nossa vida o ego e o impulso para potenciá-lo o máximo
possível.
Podemos, então, afirmar que o “dinheiro” é imagem do ego e
de uma vida egocentrada, que se apoia no ter e no benefício próprio. Servir ao “dinheiro”
significa deixar-se conduzir pelas necessidades e pelos medos do ego, numa
existência vazia e insatisfeita. A divinização do dinheiro não é outra
coisa senão expressão da divinização do próprio ego.
Falamos do dinheiro como “deus”: todas as funções religiosas
que antes eram dirigidas a Deus, agora são desviadas para o “deus” dinheiro. A
religião centrada no “dinheiro” também se apresenta como uma “experiência da
totalidade”. Contudo é uma religião apenas de culto: sem dogmas nem moral. Esse
culto é realizado mediante o consumo. Também é uma religião de culto contínuo,
no qual todos os dias são “de preceito”; religião que se sustenta na culpa,
pois viver com uma dívida equivale a viver com uma culpa contínua. O deus
dinheiro dá segurança e garante o futuro; dá segurança porque é o todo-poderoso
e onipresente: não se pode conseguir nada sem ele. Além disso, o dinheiro é
fecundo: no capitalismo financeiro o dinheiro já não é usado como meio para
criar riqueza, mas ele mesmo produz mais dinheiro: “especular se torna então
mais lucrativo que investir”. E, a tudo isso poderíamos acrescentar: o dinheiro
também é invisível, como Deus, apesar de seu poder e onipresença. Se ele é o
último ponto de referência, também se pode falar dele como “o ser necessário”.
Para a pessoa que tem “afeição desordenada” ao dinheiro,
Deus não pode ter lugar em seu coração, pois sua religião é o mercado: tudo se
compra, tudo se vende. Tudo isso se configura como uma forma mundana de
consagração a um ídolo, algo para o qual a pessoa está disposta a oferecer a
própria vida, sacrificando para isso a própria liberdade e dignidade. Segundo
Lutero, o dinheiro é “o ídolo mais comum na terra”.
De fato, o culto ao “deus dinheiro” alimenta uma lógica
perversa de desumanização, rompendo laços de comunhão, alimentando poder e
competição, gerando divisões e conflitos... Eis que nos encontramos todos
diante desta realidade que nos afeta: um mundo rompido e cruel, um planeta
massacrado, inabitável. Nesse mundo vivemos.
Como seguidores(as) de Jesus, nossa presença nesse mundo faz
diferença? Qual deveria ser nossa esperteza e nossa astúcia? Na parábola de
hoje, Jesus não justifica a injustiça do mal administrador; justifica a astúcia
que tinha para buscar uma saída ao ser despedido da administração. Ser astuto,
esperto, não é mau. Tudo depende para que coisas somos mais astutos. Ser astuto
é ser criativo. O astuto busca soluções, justas ou injustas, mas busca
saídas.
Na realidade, com esta parábola, Jesus nos faz uma série de
advertências: ser seu seguidor não significa ser um ingênuo, um inocente, um
alienado... que se deixa enganar facilmente, que é “levado” pelas
circunstâncias, que não sabe buscar caminhos, que se revela um passivo sem
criatividade. O seguidor de Jesus revela esperteza para as coisas do Reino; ele
precisa estar desperto e ser ousado para ser presença visível dos valores do
Evangelho hoje; precisa ser mais arguto para mudar as coisas.
Jesus quer seguidor(a) atento(a), quer gente criativa,
pensante, capaz de arriscar-se. Na criação da “nova comunidade” dos seguidores
de Jesus, a partilha substitui a acumulação e a abertura aos outros se
apresenta como alternativa às relações interpessoais regidas pelo deus
dinheiro; aqui está configurada uma das propostas mestras na proclamação do
Reino de Deus.
Na partilha, a primitiva tendência egoísta e agressiva dá
lugar a uma atitude aberta, acolhedora e benevolente frente ao outro. Além
disso, onde há partilha, sempre há superabundância.
Texto bíblico: Lc 16,1-13
Na oração: O verdadeiro sentido de nossa existência
está em investir numa única fortuna: a do amor, do favorecimento da vida, a do
descentramento de nós mesmos, a da santidade solidária em favor dos mais
pobres.
- Seu compromisso com o Reino afeta seu “bolso”?
- Olhe no mais íntimo de você mesmo e pergunte-se: há um
coração que deseja coisas grandes ou um coração atrofiado pelas “afeições
desordenadas”? Seu coração conservou a inquietude da busca ou você tem se
deixado sufocar pelas “coisas”, que acabam atrofiando sua existência?
Os encontros de Pedrinho com Tereza
davam-se no Jardim antigo ao lado da igreja matriz. Se o banco onde sentavam
agora era outro, pelo menos ficava no mesmo local, é verdade que o coreto do meio
desaparecera, lá havia, agora, um canteiro de Flamboyants entremeados de rosas
vermelhas.
O primeiro encontro dele com Naína
dera-se também ali, havia quinze anos, justamente numa noite fria de junho; olhava
para as moças passando ao redor, umas com blusas de lã; música de alto-falante
chegando do cinema em frente, ruídos de carros passando. O cinema não existia
mais, substituído por um edifício de oito andares iluminado, vidraças em cores,
uma sorveteria embaixo, antenas na cobertura.
Naína fora embora para o Rio,
tanto tempo, quase morta para os sentidos dele lembrando assim por acaso, sem
reagir, sem nenhuma emoção. Certo que a momentos, uma vez por outra , os
cabelos de Naína apareciam-lhe jogados para um lado, para outro; os pés dela,
numas sandálias de tirinhas, surgiam como sombra, às vezes um sobre o outro, descruzando-se
depois, sutis, brancos, unhas pintadas de vermelho; tudo como imagem surgindo
de susto , sumindo num instante; as mãos franzinas, uma volta de ouro reluzindo
pendurada no pescoço, com um crucifixo na ponta. Gostava do perfume discreto
das mãos de Naína, do cabelo para um lado, para o outro. Timidamente apalpara
os seios dela robustos e firme, macios, antes lhe havia beijado a boca, de
leve, sem agressividade. Naína não era uma moça qualquer, gente de boa família,
educada no melhor colégio do lugar. Lembrava do casamento na igreja iluminada
cheia de corbelhas, de imagens cor de ouro, Naína levantava-se cedo, tomava
banho frio, maquiava-se frente ao espelho do quarto, cabelo ainda umedecido, bonita
de batom, bem penteada; saía às oito para o trabalho num escritório de uma
empresa de transportes aéreos. Cinco anos depois veio a separação. Nem um filho.
Pensando nessas coisas, Pedrinho
saiu para encontrar-se com Tereza. E se em lugar dela encontrasse Naína! “Besteira”,
retorquiu a si mesmo. Chegou meia hora antes do horário costumeiro, olhou para
o céu, nem uma estrela aparecendo; vento brando e frio circulava. “Se Naína
aparecesse agora!”
Sentou-se no banco bem no meio do
Jardim, ajeitando a meia de um pé, olhou à toa para os flamboyants, para as
rosas vermelhas no lugar onde foram o coreto. Era ali que Naína chegava
introspectiva, discreta, como quem não deseja; ele suspirava, feliz. Naína
estaria mais velha? Talvez nem tanto. O cabelo de Tereza era preso com uma
argola de plástico azul, jogado para trás, sem pender para um lado, para o outro;
as mãos dela não eram perfumadas; as unhas, sem esmaltes, curtas; os pés
escondidos numas sapatilhas fechadas com fivelas douradas dos lados. Chegava a
mão para as mãos de Naína postas sobre os joelhos; lembrou do primeiro beijo,
olhou para o edifício de oito andares, colorido, uma sorveteria em baixo. As
mãos de Tereza estavam sem nenhum perfume exalando; ela abriu a mão,
lentamente, ajeitou-a à dele, cruzaram os dedos. “Vamos reconciliar?” Sentiu Naína
dizer assim dentro de seu juízo. Ele disse que sim, no íntimo, sem falar,
apertando as mãos de Tereza, frias, não por nenhum susto, mas pelo vento
gelando; não pelas rugas que imaginara no rosto de Naína falando dentro de sua
cabeça , baixinho; julgava sentir o perfume antigo saindo das mãos, das unhas
de pontinhas bem feitas pintadas de esmalte brilhante. A boca de Tereza estaria
úmida e morna? Tentaria senti-la, de leve, mordendo os lábios sutilmente,
sugando a ponta da língua. Mas a boca de Tereza estaria fria e seca, nem se
abria um segundo, trancada, os lábios enxutos.
Toda boquinha de noite, quando saía
do escritório, Pedrinho sentava-se no banco do meio do Jardim para esperar Tereza;
agora, não sabia por que, lembrava de Naína, das mãos dela perfumadas, de seus
lábios molhados, do cabelo jogado para um lado, para o outro; dos pés, das
sandálias de tirinhas. Ela estaria envelhecida? ‘Dez anos!” As brigas , o
ciúme, as dúvidas.
Havia-se acostumado com a
ausência dela, o hábito agora era o de sentar-se no banco do meio do Jardim que
não tinha mais o coreto onde agora estavam os flamboyants entremeados de rosas
vermelhas. Ao anoitecer encontrava-se com Tereza de cabelo dourado, os pés
escondidos nas sapatilhas com fivelas cor de bronze dos lados, a boca trancada,
os lábios secos.
(LINHAS INTERCALADAS – 2ª Edição
2004)
Ariston Caldas
..........
Ariston
Caldas nasceu em Inhambupe, norte da Bahia, em 15 de dezembro de
1923. Ainda menino, veio para o Sul do estado, primeiro Uruçuca, depois
Itabuna. Em 1970 se mudou para Salvador onde residiu por 12 anos. Jornalista de
profissão, Ariston trabalhou nos jornais A Tarde, Tribuna da Bahia e
Jornal da Bahia e fundou o periódico ‘Terra Nossa’, da Federação dos
Trabalhadores na Agricultura do Estado da Bahia; em Itabuna foi redator
da Folha do Cacau, Tribuna do Cacau, Diário de Itabuna, dentre outros. Foi
também diretor da Rádio Jornal.
Ysani Kalapalo foi convidada pelo próprio governo Bolsonaro
21/09/2019
Ysani Kalapalo é youtuber e fala sobre vida dos indígenas do
Xingu Foto: Reprodução
O presidente Jair Bolsonaro embarca para os Estados Unidos
nesta segunda-feira (23), junto com sua esposa, a primeira-dama Michelle
Bolsonaro, e comitiva.
Eles irão para Nova Iorque para a Assembleia Geral da
Organização das Nações Unidas (ONU). Junto com a comitiva está a indígena Ysani
Kalapalo, convidada pelo próprio presidente para participar do evento.
Ysani é youtuber e influenciadora digital. Ela faz vídeos
sobre a vida em sua aldeia no Xingu e costuma comentar os rumos da política.
Ysani é apoiadora do governo atual, de direita, e crítica da grande mídia.
A indígena afirmou, inclusive, que as queimadas na Amazônia
não tem a ver com decisões de Bolsonaro e configuravam fake news para
prejudicar o governo.
Ela sentará ao lado dos ministros Ricardo Salles, do Meio
Ambiente, e Ernesto Araújo, de Relações Exteriores, durante o discurso do
presidente.