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terça-feira, 24 de setembro de 2019

EXCELENTE EXEMPLO PROVENIENTE DOS HÚNGAROS – Marcos Machado


24 de setembro de 2019
Hungria dá lições de Fé à Europa decadente

Marcos Machado

Com o expressivo título: Cidade húngara constrói igreja católica na antiga propriedade comunista, o site Churchmilitant.com levanta um tanto o véu sobre que ocorre no Leste europeu. As estatísticas nos mostram uma Europa Ocidental decadente em sua Fé: fechamento de igrejas por falta de fieis, diminuição do número de batismos, casamentos, praticas religiosas — frutos da relativização decorrente do Concílio Vaticano II.

Na Hungria, vemos pelo contrário um belo exemplo do que fez a Igreja dos primeiros séculos transformando antigos templos pagãos em lugares sagrados do culto católico.

Assim fez a Hungria neste ano com um antigo centro comunista transformado em igreja católica.

Um pouco de História

Em 1552, os turcos já haviam conquistado grande parte da Hungria, e a fortaleza de Eger tornou-se o baluarte de proteção das regiões do Norte.

Depois de Buda (a capital) ter sido dominada pelos turcos, esses tentaram estender seu domínio para o norte do país, a fim de realizar movimentos de flanquear para Viena os territórios do Sul da Polônia.

A fortaleza de Eger já era famosa por sua força, construída por especialistas italianos em fortificação, e protegeu o vale que era uma linha natural de avanço para o norte.

O capitão István Dobó liderou as forças húngaras compostas por soldados, homens e mulheres camponesas locais num total aproximado a duas mil pessoas.

Kara Ahmed Pasha comandou o ataque muçulmano com soldados estimados em mais de 35 mil combatentes. Assim, os otomanos esperavam uma vitória fácil. Entretanto, foram rechaçados.

“As mulheres de Eger”, obra de Bertalan Székely

As mulheres de Eger marcaram a história durante tal batalha. Algumas delas pegaram as espadas de seus maridos mortos, outras jogaram pedras ou caldeirões de água fervente e alcatrão nos soldados inimigos que subiam as escadas para invadir o forte.

O cerco de Eger é emblemático da defesa nacional húngara e do heroísmo patriótico em resistir aos turcos otomanos. A nova igreja em Eger é emblemática da resistência do povo húngaro e o triunfo sobre o regime soviético ateísta.

Lições ao Ocidente

O secretário de Estado húngaro Miklós Soltész disse que é significativo que a nova igreja seja construída em um conjunto habitacional da era comunista, projetado para formar as letras CCCP (abreviação russa para URSS) quando vistas do ar.

“Foi um grande esforço da União Soviética e do comunismo para erradicar completamente a fé, a religião e o cristianismo, e onde quer que novos conjuntos habitacionais fossem construídos […] igrejas não podiam ser construídas”, disse Soltész.

Soltész observou a corrida da Hungria na contramão da Europa Ocidental: “Estamos muito satisfeitos que, ao contrário da prática muito triste ocidental europeu de fechar igrejas e transformá-las em locais de entretenimento e ginásios, a Hungria está fazendo o oposto.”

Também é sintomático que o Estado húngaro financie a construção de igrejas, em feliz concórdia com o Episcopado, enquanto que no Brasil o Sínodo Pan Amazônia quer caminhar na contramão do Estado e chega ao absurdo de vetar a participação de políticos com mandato no evento.

Quem vai entender a má vontade expressa do Vaticano e do Sínodo em relação ao governo brasileiro? Só porque o Brasil desbancou o PT?

É o caso de concluir que também o Sínodo anda na contramão da História.

Nossa Senhora Aparecida, rainha do Brasil, apresse a vitória definitiva das forças do bem e fortaleça os brasileiros na defesa da Fé e da soberania nacional.
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Fonte:https://www.churchmilitant.com/news/article/hungarian-town-builds-catholic-church-on-former-communist-estate


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O discurso de Bolsonaro na ONU - Este é o PRESIDENTE DO BRASIL!...

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

O ESCRITOR JULIO LUDEMIR E O COMUNICADOR RENE SILVA SÃO OS CONVIDADOS DO SEMINÁRIO “BRASIL, BRASIS” DE SETEMBRO NA ABL


Academia Brasileira de Letras dá continuidade à sua série de Seminários “Brasil, brasis” de 2019 com o tema A Ação Cultural Emergente nas Comunidades coordenada pela Acadêmica Ana Maria Machado. Participam da palestra o comunicador Rene Silva e o escritor Julio Ludemir. O coordenador geral dos Seminários “Brasil, brasis” de 2019 é o Acadêmico e professor Domício Proença Filho.

O seminário está programado para o dia 24 de setembro, terça-feira, às 17h30, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson, 203 - Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca.
O Seminário “Brasil, brasis”, com entrada franca e transmissão ao vivo pelo Portal da ABL, tem o patrocínio do Bradesco.
Os convidados
Julio Bernardo Ludemir nasceu no Rio de Janeiro, mas foi criado em Olinda, Pernambuco. Estudou jornalismo, mas nunca concluiu o curso. Tem dez livros publicados, a maioria ambientados nas favelas cariocas. A reportagem “Rim por Rim” foi finalista do Prêmio Jabuti de 2008. É um dos roteiristas de “400 contra um”, que o cineasta Caco de Souza adaptou da autobiografia de William da Silva Lima, um dos criadores do Comando Vermelho.
É um dos idealizadores da FLUP, Festa Literária das Periferias, cuja principal característica é acontecer em favelas cariocas. A iniciativa ganhou o prêmio Faz Diferença de 2012 do jornal O Globo, o Excellence Awards de 2016 da London Book Fair e Retratos da Leitura de 2016 do Instituto Pró-Livro.
É também um dos idealizadores da Batalha do Passinho, que levou para Londres e Nova York. Com os dançarinos do Passinho, criou o espetáculo “Na Batalha”, primeiro grupo de funk a se apresentar no Teatro Municipal do Rio deJaneiro, tema de documentário que estreou em 2016.
Rene Silva, de 25 anos, nasceu na comunidade do Morro do Adeus, uma das 13 favelas que formam hoje o Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Sua trajetória de empreendedor começou quando era criança. Aos 9 anos vendia doce na porta de sua casa. Com 10, reuniu amigos da escola e juntos decidiram fazer algo pela comunidade onde viviam. Entra para Escola Municipal com 11 anos, cursando a 5ª série, atual 6º ano. Logo se engaja em projetos diferentes no Grêmio Estudantil. Começa a fazer parte do Jornal escolar. Em pouco tempo, cursando a escola em um turno e colaborando com o jornal estudantil em outro, percebe que pode fazer mais. Sempre com olhar atendo para seu entorno, lança em 2005, mídia voltada para a comunidade. No início, no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, ainda como um jornal impresso.
Atualmente, Rene Silva dos Santos é presidente da ONG Voz das Comunidades e editor-chefe do Jornal Voz das Comunidades, veículo que circula mensalmente em 15 favelas do Rio de Janeiro. E ao longo de sua carreira, recebeu o prêmio Shorty Awards, considerado o Oscar do twitter pelo The New York Times e Prêmio FAZ DIFERENÇA, do Jornal O GLOBO, Orilaxé, do grupo cultural AfroReggae e o Prêmio ANU da Central Única das Favelas.
18/09/2019


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GOVERNAR PELO BOM EXEMPLO – Péricles Capanema


22 de setembro de 2019

·    Péricles Capanema

Como pai e mãe educam os filhos? Começo por um dos fundamentos, o que interessa no caso. A preparação para a vida entre os homens apresenta marcantes traços comuns com o modo de, por exemplo, a onça e outros animais prepararem os filhotes para a sobrevivência. Pela imitação, lei da natureza; outro jeito, pela força do exemplo. Gradualmente, ensina-os a se defender dos perigos, a caçar, a procurar abrigos. E o homem é mamífero, guiado pela razão.
De igual maneira, enorme papel tem a imitação na educação infantil. Forma o caráter o bom exemplo dos superiores, no caso, os mais naturais e imediatos, os pais. No ambiente da família, o filho em especial imita o pai, a filha em particular a mãe, ambos movidos fortemente pela admiração. Nada mais normal que, aperfeiçoando a imitação, buscando padrões de comportamento, o filho idealize os pais, para ele causa, modelos, mestres e regentes. E assim tantas vezes, para bem formar o filho, pais e mães ocultam vícios e má conduta — exemplo corrente, os fumantes. Se não são, pelo menos precisam ser visto como sendo modelos. A educação pela imitação admirativa repercute desde a mais tenra infância até a extrema ancianidade. Qualquer desarranjo em tal processo traumatiza, deixa sequelas vida afora. Depois na educação temos os ambientes familiares, sociais, rodas de amigos, a escola. E então se avulta o papel do professor.
Mas não pretendo falar de pedagogia do infante. Meu assunto é outro, governo — pedagogia adulta. Sei, uma tem relação com a outra. Vamos lá. O Estado existe para a promoção do bem comum (o bonum commune da Escolástica). João XXIII na “Pacem in Terris” lembrou esta verdade, hoje tão esquecida, em palavras precisas: [A] realização do bem comum constitui a própria razão de ser dos poderes públicos”. Emerge a pergunta: o que é o bem comum? Volto a João XXIII: “o conjunto de todas as condições de vida social que consintam e favoreçam o desenvolvimento integral da personalidade humana”.
Destaco o enunciado desenvolvimento integral da personalidade humana. Integral. Para tal crescimento, contam fatores materiais, contam sobretudo fatores morais. E aqui entra o papel de formador do governante. Na mais funda raiz, a obrigação do decoro, bem como a chamada liturgia do cargo e a sujeição ao cerimonial se assentam na contribuição ao bem comum advinda do bom exemplo do governante. Em decorrência, a lesão ao bem comum que seu mau exemplo acarreta. E a congruência da punição a tal conduta. Expressão de tal verdade temos no artigo 9º da lei 1079 de 10/4/1950 que tipifica como crime de responsabilidade “proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo”. O que pode levar à perda do cargo.
Na vida de uma nação todo esse edifício se apoia na noção idônea de bem comum. A ideia de bem comum sem simplismos, rica, multifacetada, abarcando toda a realidade, que incorpora com discernimento os fatores morais, intelectuais, psicológicos e materiais é pressuposto da democracia autêntica, da saudável participação popular, do governo realmente voltado para os interesses populares e nacionais. Sem tal concepção, tornam-se desnaturadas as noções de democracia, participação e governo; funcionam mal as instituições e se escancaram as portas para a demagogia.

Fato ilustrativo, em 25 de agosto de 1928 o presidente Washington Luís [foto ao lado] inaugurou a Rio-Petrópolis, a primeira rodovia asfaltada no Brasil, e na ocasião pronunciou frase que se tornou célebre: “Governar é abrir estradas”. Parece, nem ele julgava que governar se reduz essencialmente a abrir estradas. Mas a afirmação simplista ficou no anedotário político. Exagerando, puxando a corda para o outro lado se poderia dizer: “Governar é dar bom exemplo”. Nem um, nem outro. Governar é promover o bem comum, simples assim, fazer estradas e dar bom exemplo forma parte do todo.

Também a ideia correta de representatividade tem relação com o bem comum. A promoção do bem comum supõe via de regra que a nação se faça representar pelo que tem de mais expressivo. É parte da exemplaridade própria às funções públicas — probidade, decoro, brilho. Nunca ali deveria estadear o extravagante, excêntrico e estapafúrdio. No Brasil, cada vez mais, pecamos aqui, todos sabem.

Por que tratei hoje do tema? As reflexões brotaram ao ler entrevista recente de Dom Rafael de Orleans e Bragança e ali o príncipe dizia: “Fomos ensinados desde pequenos a ser vistos como exemplos”. Amplio o tema na mesma direção e fecho com episódio talvez um tanto legendário, ligado ao que se poderia chamar com alguma liberdade o bem comum das almas (a salus animarum). São Francisco de Assis [quadro ao lado] certa vez convidou um jovem do convento para acompanhá-lo em pregação. Caminharam em conversa animada até o povoado. Percorreram as ruas, cumprimentaram pessoas, uma prosinha aqui e ali; para os transeuntes ensinamento vivo de simplicidade, desapego e espírito sobrenatural. Na tardinha retornaram à residência. O moço recordou a São Francisco, haviam esquecido a pregação. Respondeu o santo mais ou menos assim: “Enquanto andávamos, era uma pregação o que fazíamos. Nossas vestes, nosso porte, revelavam que servíamos a Deus. Pregamos sermão mais tocante do que se tivéssemos falado na praça, exortando o povo à santidade”.


Verba moventexempla trahunt (Palavras comovem, exemplos arrastam). Faz muita falta o arrastão do bom exemplo. Ajudaria o bem comum, facilitaria o apostolado.

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domingo, 22 de setembro de 2019

PALAVRA DA SALVAÇÃO (149)


25º Domingo do Tempo Comum, 22/09/2019


Anúncio do Evangelho (Lc 16,1-13)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus dizia aos discípulos: “Um homem rico tinha um administrador que foi acusado de esbanjar os seus bens. Ele o chamou e lhe disse: ‘Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, pois já não podes mais administrar meus bens’.
O administrador então começou a refletir: ‘O senhor vai me tirar a administração. Que vou fazer? Para cavar, não tenho forças; de mendigar, tenho vergonha. Ah! Já sei o que fazer, para que alguém me receba em sua casa, quando eu for afastado da administração’.
Então ele chamou cada um dos que estavam devendo ao seu patrão. E perguntou ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu patrão?’ Ele respondeu: ‘Cem barris de óleo!’ O administrador disse: ‘Pega a tua conta, senta-te, depressa, e escreve cinquenta!’
Depois ele perguntou a outro: ‘E tu, quanto deves?’ Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. O administrador disse: ‘Pega tua conta e escreve oitenta’.
E o senhor elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza. Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz. E eu vos digo: usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eterna, Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes, e quem é injusto nas pequenas também é injusto nas grandes. Por isso, se vós não sois fiéis no uso do dinheiro injusto, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não sois fiéis no que é dos outros, quem vos dará aquilo que é vosso?
Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do teólogo leigo Afonso Giglio Junior:
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“Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Lc 16,13)

O evangelho deste domingo (25 Dom TC) dá margem a toda uma série de questionamentos. Será que somos tão espertos nas “coisas” de Deus como somos com as nossas coisas? Somos tão astutos no serviço ao Reino como somos para com nossos interesses? Somos criativos no anúncio do evangelho como somos no empenho por manter nosso prestígio, vaidade e poder?... 

A parábola narrada por Lucas é tremendamente provocativa: é como se Jesus estivesse nos colocando frente a um autêntico dilema de nossa vida; ou, é como se Ele estivesse nos despertando para tomar consciência de quem controla nossa vida; ou, é como se Ele nos sacudisse para cair na conta de quem somos em seu projeto e em seu sonho; ou, ainda, é como se Jesus estivesse nos animando a viver o dia-a-dia com sagacidade e sabedoria em vez de nos acomodar em uma ou outra margem de nossa vida. 

Todos temos consciência que, em cada um de nós, convivem a luz e as trevas, e a experiência nos diz que, quando nosso ego está em jogo, ativamos meios, recursos, táticas, argúcias, estratégias e decisões..., com o objetivo de sairmos vencedores e assegurarmos a sobrevivência – a segurança, o dinheiro, o prestígio...

Embora, no Sermão das Bem-aventuranças, Jesus tenha declarado que o Reino dos céus é dos humildes e simples, no entanto, este Reino não pode ser construído com ingenuidade, pois “os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz”. Mas, o que acontece quando está em jogo a luz que somos? Que fazemos com o melhor que há em nós mesmos? Onde está nossa sagacidade para investir a vida em favor da vida? Onde está nossa sabedoria para que o Reino atraia, seduza, mobilize...? 

Se colocássemos tanto empenho, tantos meios, astúcia e sabedoria para que nossa verdadeira identidade – a luz que somos e carregamos – se manifestasse, nosso mundo seria bem diferente e a mensagem da Boa Nova teria ressonância em todos os lugares e em todos os corações. 

Devemos nos examinar se não é tempo de colocar a serviço da luz toda a capacidade e inteligência que colocamos a serviço de nossos interesses…. Devemos nos perguntar se não é tempo de sermos tão criativos e ambiciosos, no bom sentido da palavra, quando se trata de questões do Reino como quando se trata de questões de negócios. Talvez, é chegado o momento de tomarmos consciência daquilo que Deus nos pede: que não sejamos perfeitos e imaculados, refugiando-nos em nosso metro quadrado de luz, mas que sejamos espertos e busquemos maneiras de gerar luz para todos, mesmo que isso implique enfrentar as nossas próprias sombras.

Hoje, a sagacidade e a esperteza se disparam quando se trata do “deus” dinheiro. Naturalmente nenhum de nós vai a um banco para rezar ao deus dinheiro, nem faz novena aos banqueiros. Mas, no fundo, podemos estar alimentando a idolatria do dinheiro.

Não se pode servir a dois senhores com pretensões e atitudes radicalmente opostas. É impossível sentir-se bem com os dois. E isso é o que acontece entre Deus e o dinheiro. “Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. O texto grego usa a expressão “mamwna”. “Mammon” era um deus cananeu, o deus dinheiro. Não se trata, pois, da oposição entre Deus e um objeto material, mas da incompatibilidade entre dois deuses. Servir ao dinheiro significa que toda nossa existência está orientada à acumulação de bens materiais; é buscar, como objetivo de vida, a segurança que as riquezas proporcionam; significa que colocamos no centro de nossa vida o ego e o impulso para potenciá-lo o máximo possível. 

Podemos, então, afirmar que o “dinheiro” é imagem do ego e de uma vida egocentrada, que se apoia no ter e no benefício próprio. Servir ao “dinheiro” significa deixar-se conduzir pelas necessidades e pelos medos do ego, numa existência vazia e insatisfeita.  A divinização do dinheiro não é outra coisa senão expressão da divinização do próprio ego. 

Falamos do dinheiro como “deus”: todas as funções religiosas que antes eram dirigidas a Deus, agora são desviadas para o “deus” dinheiro. A religião centrada no “dinheiro” também se apresenta como uma “experiência da totalidade”. Contudo é uma religião apenas de culto: sem dogmas nem moral. Esse culto é realizado mediante o consumo. Também é uma religião de culto contínuo, no qual todos os dias são “de preceito”; religião que se sustenta na culpa, pois viver com uma dívida equivale a viver com uma culpa contínua. O deus dinheiro dá segurança e garante o futuro; dá segurança porque é o todo-poderoso e onipresente: não se pode conseguir nada sem ele. Além disso, o dinheiro é fecundo: no capitalismo financeiro o dinheiro já não é usado como meio para criar riqueza, mas ele mesmo produz mais dinheiro: “especular se torna então mais lucrativo que investir”. E, a tudo isso poderíamos acrescentar: o dinheiro também é invisível, como Deus, apesar de seu poder e onipresença. Se ele é o último ponto de referência, também se pode falar dele como “o ser necessário”. 

Para a pessoa que tem “afeição desordenada” ao dinheiro, Deus não pode ter lugar em seu coração, pois sua religião é o mercado: tudo se compra, tudo se vende. Tudo isso se configura como uma forma mundana de consagração a um ídolo, algo para o qual a pessoa está disposta a oferecer a própria vida, sacrificando para isso a própria liberdade e dignidade. Segundo Lutero, o dinheiro é “o ídolo mais comum na terra”. 

De fato, o culto ao “deus dinheiro” alimenta uma lógica perversa de desumanização, rompendo laços de comunhão, alimentando poder e competição, gerando divisões e conflitos... Eis que nos encontramos todos diante desta realidade que nos afeta: um mundo rompido e cruel, um planeta massacrado, inabitável. Nesse mundo vivemos.

Como seguidores(as) de Jesus, nossa presença nesse mundo faz diferença? Qual deveria ser nossa esperteza e nossa astúcia? Na parábola de hoje, Jesus não justifica a injustiça do mal administrador; justifica a astúcia que tinha para buscar uma saída ao ser despedido da administração. Ser astuto, esperto, não é mau. Tudo depende para que coisas somos mais astutos. Ser astuto é ser criativo. O astuto busca soluções, justas ou injustas, mas busca saídas. 

Na realidade, com esta parábola, Jesus nos faz uma série de advertências: ser seu seguidor não significa ser um ingênuo, um inocente, um alienado... que se deixa enganar facilmente, que é “levado” pelas circunstâncias, que não sabe buscar caminhos, que se revela um passivo sem criatividade. O seguidor de Jesus revela esperteza para as coisas do Reino; ele precisa estar desperto e ser ousado para ser presença visível dos valores do Evangelho hoje; precisa ser mais arguto para mudar as coisas.

Jesus quer seguidor(a) atento(a), quer gente criativa, pensante, capaz de arriscar-se. Na criação da “nova comunidade” dos seguidores de Jesus, a partilha substitui a acumulação e a abertura aos outros se apresenta como alternativa às relações interpessoais regidas pelo deus dinheiro; aqui está configurada uma das propostas mestras na proclamação do Reino de Deus.

Na partilha, a primitiva tendência egoísta e agressiva dá lugar a uma atitude aberta, acolhedora e benevolente frente ao outro. Além disso, onde há partilha, sempre há superabundância.

Texto bíblico:  Lc 16,1-13 

Na oração: O verdadeiro sentido de nossa existência está em investir numa única fortuna: a do amor, do favorecimento da vida, a do descentramento de nós mesmos, a da santidade solidária em favor dos mais pobres.
- Seu compromisso com o Reino afeta seu “bolso”?
- Olhe no mais íntimo de você mesmo e pergunte-se: há um coração que deseja coisas grandes ou um coração atrofiado pelas “afeições desordenadas”? Seu coração conservou a inquietude da busca ou você tem se deixado sufocar pelas “coisas”, que acabam atrofiando sua existência?

Pe. Adroaldo Palaoro sj

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AO LADO DOS FLAMBOYANTS – Ariston Caldas


   
        
Os encontros de Pedrinho com Tereza davam-se no Jardim antigo ao lado da igreja matriz. Se o banco onde sentavam agora era outro, pelo menos ficava no mesmo local, é verdade que o coreto do meio desaparecera, lá havia, agora, um canteiro de Flamboyants entremeados de rosas vermelhas.

            O primeiro encontro dele com Naína dera-se também ali, havia quinze anos, justamente numa noite fria de junho; olhava para as moças passando ao redor, umas com blusas de lã; música de alto-falante chegando do cinema em frente, ruídos de carros passando. O cinema não existia mais, substituído por um edifício de oito andares iluminado, vidraças em cores, uma sorveteria embaixo, antenas na cobertura.

            Naína fora embora para o Rio, tanto tempo, quase morta para os sentidos dele lembrando assim por acaso, sem reagir, sem nenhuma emoção. Certo que a momentos, uma vez por outra , os cabelos de Naína apareciam-lhe jogados para um lado, para outro; os pés dela, numas sandálias de tirinhas, surgiam como sombra, às vezes um sobre o outro, descruzando-se depois, sutis, brancos, unhas pintadas de vermelho; tudo como imagem surgindo de susto , sumindo num instante; as mãos franzinas, uma volta de ouro reluzindo pendurada no pescoço, com um crucifixo na ponta. Gostava do perfume discreto das mãos de Naína, do cabelo para um lado, para o outro. Timidamente apalpara os seios dela robustos e firme, macios, antes lhe havia beijado a boca, de leve, sem agressividade. Naína não era uma moça qualquer, gente de boa família, educada no melhor colégio do lugar. Lembrava do casamento na igreja iluminada cheia de corbelhas, de imagens cor de ouro, Naína levantava-se cedo, tomava banho frio, maquiava-se frente ao espelho do quarto, cabelo ainda umedecido, bonita de batom, bem penteada; saía às oito para o trabalho num escritório de uma empresa de transportes aéreos. Cinco anos depois veio a separação. Nem um filho.

            Pensando nessas coisas, Pedrinho saiu para encontrar-se com Tereza. E se em lugar dela encontrasse Naína! “Besteira”, retorquiu a si mesmo. Chegou meia hora antes do horário costumeiro, olhou para o céu, nem uma estrela aparecendo; vento brando e frio circulava. “Se Naína aparecesse agora!”

            Sentou-se no banco bem no meio do Jardim, ajeitando a meia de um pé, olhou à toa para os flamboyants, para as rosas vermelhas no lugar onde foram o coreto. Era ali que Naína chegava introspectiva, discreta, como quem não deseja; ele suspirava, feliz. Naína estaria mais velha? Talvez nem tanto. O cabelo de Tereza era preso com uma argola de plástico azul, jogado para trás, sem pender para um lado, para o outro; as mãos dela não eram perfumadas; as unhas, sem esmaltes, curtas; os pés escondidos numas sapatilhas fechadas com fivelas douradas dos lados. Chegava a mão para as mãos de Naína postas sobre os joelhos; lembrou do primeiro beijo, olhou para o edifício de oito andares, colorido, uma sorveteria em baixo. As mãos de Tereza estavam sem nenhum perfume exalando; ela abriu a mão, lentamente, ajeitou-a à dele, cruzaram os dedos. “Vamos reconciliar?” Sentiu Naína dizer assim dentro de seu juízo. Ele disse que sim, no íntimo, sem falar, apertando as mãos de Tereza, frias, não por nenhum susto, mas pelo vento gelando; não pelas rugas que imaginara no rosto de Naína falando dentro de sua cabeça , baixinho; julgava sentir o perfume antigo saindo das mãos, das unhas de pontinhas bem feitas pintadas de esmalte brilhante. A boca de Tereza estaria úmida e morna? Tentaria senti-la, de leve, mordendo os lábios sutilmente, sugando a ponta da língua. Mas a boca de Tereza estaria fria e seca, nem se abria um segundo, trancada, os lábios enxutos.

            Toda boquinha de noite, quando saía do escritório, Pedrinho sentava-se no banco do meio do Jardim para esperar Tereza; agora, não sabia por que, lembrava de Naína, das mãos dela perfumadas, de seus lábios molhados, do cabelo jogado para um lado, para o outro; dos pés, das sandálias de tirinhas. Ela estaria envelhecida? ‘Dez anos!” As brigas , o ciúme, as dúvidas.

            Havia-se acostumado com a ausência dela, o hábito agora era o de sentar-se no banco do meio do Jardim que não tinha mais o coreto onde agora estavam os flamboyants entremeados de rosas vermelhas. Ao anoitecer encontrava-se com Tereza de cabelo dourado, os pés escondidos nas sapatilhas com fivelas cor de bronze dos lados, a boca trancada, os lábios secos.


(LINHAS INTERCALADAS – 2ª Edição 2004)

Ariston Caldas
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Ariston Caldas nasceu em Inhambupe, norte da Bahia, em 15 de dezembro de 1923. Ainda menino, veio para o Sul do estado, primeiro Uruçuca, depois Itabuna. Em 1970 se mudou para Salvador onde residiu por 12 anos. Jornalista de profissão, Ariston trabalhou nos jornais A Tarde, Tribuna da Bahia e Jornal da Bahia e fundou o periódico ‘Terra Nossa’, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado da Bahia; em Itabuna foi redator da Folha do Cacau, Tribuna do Cacau, Diário de Itabuna, dentre outros. Foi também diretor da Rádio Jornal.

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sábado, 21 de setembro de 2019

CONHEÇA A INDÍGENA QUE IRÁ À ASSEMBLEIA GERAL DA ONU

Ysani Kalapalo foi convidada pelo próprio governo Bolsonaro

21/09/2019 

Ysani Kalapalo é youtuber e fala sobre vida dos indígenas do Xingu Foto: Reprodução

O presidente Jair Bolsonaro embarca para os Estados Unidos nesta segunda-feira (23), junto com sua esposa, a primeira-dama Michelle Bolsonaro, e comitiva.

Eles irão para Nova Iorque para a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Junto com a comitiva está a indígena Ysani Kalapalo, convidada pelo próprio presidente para participar do evento.

Ysani é youtuber e influenciadora digital. Ela faz vídeos sobre a vida em sua aldeia no Xingu e costuma comentar os rumos da política. Ysani é apoiadora do governo atual, de direita, e crítica da grande mídia.

A indígena afirmou, inclusive, que as queimadas na Amazônia não tem a ver com decisões de Bolsonaro e configuravam fake news para prejudicar o governo.

Ela sentará ao lado dos ministros Ricardo Salles, do Meio Ambiente, e Ernesto Araújo, de Relações Exteriores, durante o discurso do presidente.


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