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quinta-feira, 29 de agosto de 2019

CAÇADOR GUINÓ – Cyro de Mattos


Caçador Guinó
Cyro de Mattos

             Quando era pequeno ouviu o caçador Guinó dizer no alpendre da casa de quatro águas: ”Os netos dos fazendeiros de cacau  não serão fazendeiros de cacau...” Voz lerda: ”Cacau gosta de chuva. E as chuvas vão escassear com tanto desmatamento que não para.” Não chegou a compreender o que o caçador Guinó quis dizer com o futuro sombrio que o tempo estava reservando para a lavoura.  As matas eram profundas de tão escuras e se estendiam por baixadas e serras, até lá onde ninguém consegue alcançar e o céu acurva. As chuvas caíam sempre grossas, demoradas, os homens nunca iriam conseguir desbastar tantas léguas de mata, que cobriam a terra por léguas e léguas.

            Vivera na fazenda períodos felizes da vida, infância despreocupada, dias alegres chegados dos campos de chuva e flor. Passavam ligeiros sem que percebesse, de tanto prazer que lhe davam. Derrubava na jaqueira a fruta madura com o podão. Comia a jaca mole e doce sem pressa, sob a sombra dos cacaueiros. Andava de volta para a casa com os passos misturando-se com as folhas secas do chão, os ruídos quebrando o silêncio das roças. O suor molhava a camisa, respirava o ar puro feito de árvore e flor, que o envolvia dos pés à cabeça.

            Quando anoitecia, colocava o banquinho para o caçador Guinó sentar-se junto dele no alpendre. Aquele negro de corpo roliço, olhos quase imóveis, nariz achatado, lábios grossos, sabia contar como ninguém histórias com bichos, pássaros, peixes e assombrações. Era o único que podia andar dias na mata turva. Os homens curvavam–se à sua vontade quando o assunto era a mata trevosa. Os pés descalços, pequenos, mas resistentes. Munido de farinha, carne-seca e aguardente, cruzava a mata fechada em todas as direções, como que guiado pelo faro invisível de um bicho atento.  Conhecia as árvores pela casca e folhas. Os pássaros pelos pios e cantos. Os bichos pelos ruídos e odores. As flores pelos cheiros e cores. Tinha dois cães espertos, que o acompanhavam em suas andanças pela mata. Um colar com dentes de caititu no pescoço. Espingarda e bornal a tiracolo.

            A primeira vez que apareceu no terreiro já tinha uma cicatriz feia no braço esquerdo, marca deixada pela dentada de uma onça. Pelos cabelos brancos e pele com vincos no rosto, dava para se observar que era um homem idoso, boca quase desdentada, apenas quatro dentes, dois na parte de cima e dois na de baixo. O pai Alvinho perguntou uma vez onde ele morava, respondeu que era numa caverna abandonada por uma onça pintada com duas crias já grandes, bem longe dali, perto de uma cachoeira que caía da serra numa pancada forte e formosa. Tinha aberto uma clareira lá, onde plantou uma roça de milho e feijão, não adiantou nada, não vingou nenhuma coisa nem outra, as chuvas grossas que caíram nas semanas azedaram tudo. Adiantou que só caçava para comer o necessário, o mesmo fazia quando pescava num ribeirão de águas claras. Só matava o macho de cada caça, de preferência quando o bicho estava velho. Conhecia a idade do bicho perseguido pelo fôlego. Bicho velho não corre muito, cansa mais rápido e se entrega. Quando uma fêmea ou filhote caía no laço, soltava.

           Uma vez por mês aparecia na fazenda, os cachorros rodeando a casa, farejando tudo. O pai perguntou se ele quisesse morar na fazenda, escolhesse o tipo de serviço que mais agradasse, nas roças de cacau ou na lida com os animais de serviço ou até mesmo derrubando pau grande na mata. Ninguém nasce sabendo, tudo na vida tem um começo, o pai incentivando para ele ficar com a gente. Terminou aceitando, vindo trabalhar como apontador dos pedações de mata contendo árvores com muita madeira de lei.

               Durante o tempo que ficou na fazenda, nunca deixou de ir caçar à noite na mata fechada. Uma vez falou para os trabalhadores que a onça não mete medo nestas bandas, nem o gavião-gigante, nem a cobra enorme da lagoa. O que mete medo mesmo é um bicho que anda em duas pernas aqui em cima, este é o mais perigoso. Onde só um manda, os demais não andam porque vivem se arrastando com a canga que lhes foi botada. Ele mesmo já tinha passado por isso na pele, no tempo que foi escravo, lá no Engenho de Porto Verde. Num momento de distração do feitor, fugiu da senzala, saiu disparado pelo canavial, ganhando cortes das folhas da cana, ferindo-se no corpo todo. Passou fome, sede, frio, noites acordadas. Rezou para os espíritos da mata, dormiu em cima de árvore, mas ficou livre para sempre, melhor do que ser escravo é viver como caçador dentro da mata braba.

            Pai Alvinho, ao saber daquelas falas dele, achou que era uma afronta que merecia ser corrigida. Mandou que ele não ficasse mais na fazenda, fosse morar na mata, era lá o seu lugar, no meio dos bichos de pelo e de pena, que ele tão bem conhecia e entendia como ninguém neste mundo.

           Foi justamente o que aconteceu.  O caçador Guinó foi morar na mata, perigosa, escura, de tão fechada. Nunca mais se ouviu falar dele.

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Cyro de Mattos é escritor e poeta. Editado no exterior. Membro da Academia de Letras da Bahia. Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz -Uesc.

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PIROTECNIA - Alexandre Garcia


O Papa Francisco e o Presidente Macron geraram a centelha e reacenderam os ânimos daqueles que não perdoam os brasileiros que os derrotaram em outubro. Do outro lado do Atlântico e das redações urbanas a milhares de quilômetros da floresta, atearam fogo à Floresta Amazônica, para demonstrar que o vencedor de outubro é um Nero suicida; é um erro cometido pelos eleitores que ousaram derrotar os que acreditam que detêm o poder de domar neurônios alheios. Desconhecedores da Floresta, não sabem que para ela queimar, precisa antes ser derrubada, secar por meses, e aí atear fogo. É assim que os indígenas ensinaram e sempre fizeram na coivara, usada para criar roças e pastagens. O nome em inglês – rainforest – floresta úmida, não foi entendido por muitos.

No ápice das queimadas de mata derrubada, há uns 15 anos, fecharam os aeroportos da região, como testemunham meus amigos pilotos, que hoje voam sobre a Amazônia sem restrições. E isso acontecia com frequência na primeira década deste século. A diferença é que o presidente era Lula, um santo, e hoje é o maldito Bolsonaro, que ousou derrotar os que só aceitam a ideia única – sem dinheiro, sem marqueteiro, sem TV, apenas com a vontade do eleitor. Agora eles viram a chance de mostrar que o povo errou, mas precisam ser rápidos, porque já começam os sinais de sucesso em todos os campos da recuperação econômica e moral do país.

Os número mostram que a quantidade de incêndios está dentro da média, mas isso não nos deve tranquilizar. A histeria pirotécnica quase tendeu a provocar estragos nas nossas exportações do agronegócio. Oportunidade para entidades como as Confederações da Indústria e da Agricultura tomarem iniciativas para fiscalizar e conter a grilagem e os desafios à lei, como o que aconteceu no Pará, no Dia do Fogo, 10 de agosto. Serviu também para alertar os governos estaduais e federal para o problema sazonal crônico da Amazônia; mas sobretudo serviu para confirmar como real a cobiça que é a causa da tese de “soberania relativa” do Brasil sobre a Amazônia.

No caso do Presidente Macron, o tiro saiu pela culatra. Num usual diversionismo, ele tentou desviar de seus problemas internos com os coletes amarelos, os imigrantes e os eleitores, para a distante Amazônia. Mas nada conseguiu no G7 e só fez catalisar no Brasil a defesa da soberania sobre a nossa Amazônia. Chamou-nos a atenção para as ONGS que não evitam fogo, os estrangeiros que fingem turismo, desconfiamos do dinheiro estrangeiro e suas intenções de intrometer-se nas nossas questões e Macron sequer conseguiu fingir que defendia seus agricultores que não têm área para expandir. Reagimos com altivez de quem tem noção de que o futuro a nós pertence. Quanto aos pirotécnicos, só nos ofuscaram por alguns segundos, enquanto duraram as cores de seus fogos passageiros; na excitação da revanche, geram a autocombustão de sua credibilidade.

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Alexandre Garcia - Jornalista com atuação na TV e rádio, como apresentador, repórter, comentarista e diretor de jornalismo.

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quarta-feira, 28 de agosto de 2019

ADEUS, MR. HILTON – Érico Veríssimo


            
James Hilton está em San Francisco. Anda a percorrer a Costa do Pacífico num rápido giro de conferências. Vai falar hoje à tarde na Galeria da Livraria de Paul Elder. Encontro-o a experimentar o microfone. É um homem de estatura meã não terá mais de quarenta anos e os cabelos, dum pardo esverdinhado, estriado, de muitos fios brancos, dão um ar respeitável a este rosto de expressão quase juvenil. A cara é vermelha, o queixo saliente, os olhos, macios e azuis. Veste-se com uma simplicidade um pouco desleixada, e quem o vê ali de mãos nos bolsos pode pensar que ele é um dos empregados da Livraria, um vendedor de praça, um gerente de restaurante, tudo - menos o autor de Não Estamos Sós e Adeus, Mr. Chips.

            Com sua voz calma, despretensiosa, conta-me que mora em Hollywood e que nunca vai a festas.

            - Minha vida não é nada sensacional. Sou um tipo muito quieto. Acredita que não sei onde fica o Ciro’s?

            Trabalha para a Metro-Goldwyn-Mayer, escreve cenários, transforma os romances alheios e os seus próprios em scripts de cinema e adora a atividade dos estúdios.

            - Fico horas olhando aquela gente trabalhar. Não conheço nada mais absorvente que a tarefa de um diretor. Ele lida com um material vivo, com pessoas e não com palavras, como nós os escritores. – e sorrindo, as mãos enfiadas nos bolsos, acrescenta: - Acho que um dia ainda vou dirigir um filme.

            Peço-lhe que me conte como iniciou sua carreira literária.

            - Comecei num jornal, fazendo reportagens e, mais tarde, crítica literária.

            - Em que jornal?

            - No Daily Telegraph. Lia uns vinte romances por semana...

            - Já escrevia novelas nesse tempo?

            - Escrevia e, o que é pior, publiquei uma quando tinha 19 anos. No momento em que cheguei a perceber a asneira que tinha cometido, saí a comprar todos os exemplares do livro que existiam no mercado. Era uma novela horrorosa. E não foi a única... - acrescenta. - Muitos de meus primeiros livros foram verdadeiros fracassos. Aconteceu apenas que, no fim de algum tempo, eram tantos que eu não tive mais dinheiro suficiente para resgatá-los.

            Pergunto-lhe se escreve sistematicamente ou espera que lhe venha o que em geral se chama “inspiração”. Ele leva a mão à gravata desbotada e diz:

            - Eu escrevo só quando tenho vontade... Nada mais.

            - Pareceu-lhe satisfatória a versão cinematográfica de Adeus, Mr. Chips?

            - Quando me propuseram filmar o livro, achei que ele não daria coisa que prestasse. Mas, quando vi o filme, gostei tanto que fiquei alvorotado. É verdade que nunca imaginei o velho Chips no Danúbio...Mas apesar disso, tudo estava muito bem.

            - Inspirou-se em alguma pessoa viva para criar a figura de Mr. Chips?

            James Hilton entorna a cabeça, ergue as sobrancelhas e responde, com ar meio vago:

            - Numa pessoa propriamente... não. Mas em várias professores que conheci. Sempre tive uma simpatia especial pelos velhos mestres. O mundo depende muito dos professores... hoje mais que nunca. Meu pai mesmo é um professor, se bem que muito diferente de Chips. Mora em Hollywood comigo. Como eu, é um homem caseiro.

            Quanto ao método que segue na composição dos romances, informa:

            - Às vezes escrevo uma sinopse que, de tão simples e resumida chega a ser ridícula. Mas o principal para se fazer o romance é, primeiro, a ideia central, depois, a disposição de espírito. O resto vem mais tarde, naturalmente.

            - No seu último livro, Random Harvest, julguei ver no destino da personagem central uma alusão à Inglaterra. Pareceu-me que Rainier é uma espécie de símbolo, é a velha Britânia trilhando um caminho errado, mas percebendo em tempo o seu erro e recuperando o antigo espírito. Será que acertei?

            - Perfeitamente. Alegro-me de ver que compreendeu. Foi o que eu quis dizer nesse romance. Não gosto dos livros com finalidade, das obras de propaganda. A simbologia no meu último romance está diluída na história.

            Para Hilton, o maior de todos os romancistas que o mundo produziu foi Destoievsky. Na América, hesita entre Ernest Hemingway e John Steinbeck. Tem um encanto especial pelas irmãs Bronté e acha “O Morro dos Ventos Uivantes” um dos mais belos romances que já se escreveram.

            Com relação às personagens de seus livros, nega que elas sejam copiadas da vida. Mas esclarece:

            - Não podemos, entretanto, deixar de sofrer a influência das pessoas que encontramos, das criaturas com quem vivemos.

            - Onde descobriu o nome Xangri-lá, o Paraíso do seu Horizonte Perdido?

            - Pura invenção. Inventei-o numa viagem de ônibus. Eu estava procurando um lugar pano situar o meu “paraíso”. Pensei na Arábia: era muito arenosa. Pensei no Brasil: tinha muitas tarântulas...

            - Não esperava encontrá-lo também influenciado pelas “fórmulas” segundo as quais o Brasil é um país de palmeiras, índios, florestas e tarântulas... Mas prossiga.

            - Sorry. A gente ignora muita coisa. E a propósito de suscetibilidade vou lhe contar uma dificuldade de Hollywood. Por causa da política de boa vizinhança os “homens maus” dos filmes não podem nunca ser brasileiros, peruanos, mexicanos, argentinos. Têm que ser necessariamente norte-americanos... ou ingleses.

            - Mas... voltando às tarântulas.

            - Ah... Por fim achei que o melhor lugar para o teatro da minha história era um monastério dos lamas no Tibete. Inventei aquele nome. E sabe qual é a minha maior glória?

            - Não.

            - Existe em Los Angeles um campo de nudistas chamado Xangri-lá. Não é só isso. Xangri-lá também é o nome do uma tenda que vende cachorros quentes nos arredores de Hollywood.

            Passamos a falar na guerra. James Hilton tem uma fé inabalável na Inglaterra. E que ele está convencido de que sua pátria se tem de redimir dos erros do passado, o seu “Random Havest” é uma prova admirável. Declara-me que está pronto a servir, e que seu nome se acha na lista dos combatentes.

            - Não sei em que departamento me vão por, quando me chamarem. Mas já ofereci meus serviços. Penso que serei mais útil no trabalho de propaganda.

            Acrescenta que os amigos da Inglaterra que lhe escrevem, esperam com coragem e Fortaleza de ânimo o ataque que pode ser desfechado sobre a ilha a qualquer instante.

            Quando nos despedimos com um aperto de mão James Hilton me diz:

            - Dentro de duas semanas estarei em Hollywood. Quando chegar lá, não deixe de telefonar para o estúdio. Vamos almoçar um dia juntos.

            E, parodiando a personagem da história de Mr. Chips, volto-me da porta e lhe digo:

            - Adeus, Mr. Hilton!


(GATO PRETO EM CAMPO DE NEVE)
Érico Veríssimo
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Érico Veríssimo - (Cruz Alta17 de dezembro de 1905 — Porto Alegre28 de novembro de 1975) foi um dos escritores brasileiros mais populares do século XX.

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FUNCIONARIA NO BRASIL RETIRO ESPIRITUAL PARA PRESIDIÁRIOS? - Plinio Maria Solimeo

28 de agosto de 2019
Plinio Maria Solimeo


                 Há pouco o Brasil estarreceu com a notícia do massacre perpetrado em prisão do Amazonas, no qual foram assassinados dezenas de presidiários com requintes verdadeiramente satânicos. Esse não foi caso isolado, pois já ocorreram antes fatos semelhantes em outros presídios.

                Como podem seres humano chegar a esse grau inimaginável de selvageria? Haveria um modo de lhes dar um pouco de sentimento cristão através de assistência religiosa, psicológica e mesmo material que os levasse a atitudes mais humanas? Ou será que não há mais esperança para eles, sendo tempo perdido qualquer iniciativa nesse sentido?

                A esse propósito, chamou-me a atenção notícia publicada em um site católico sob o título “As autoridades boquiabertas com os retiros com Adoração ao Santíssimo Sacramento em prisão: mudança total nos prisioneiros”.[i] Afirma a notícia: “Os retiros espirituais estão se convertendo numa fonte de conversão e transformação para milhares de presos nos Estados Unidos. Esta experiência está se realizando no Texas, em prisões onde há reclusos muito problemáticos e conflitos constantes, e tem chamado a atenção dos responsáveis dos cárceres pelos efeitos benéficos que estão tendo com os condenados.”

                 A origem disso está numa iniciativa do diácono permanente Tommy Ewing, ordenado há doze anos. Mas apenas recentemente ocorreu-lhe fazer apostolado nas prisões, pois antes, afirma ele muito compreensivelmente, tinha medo, e não queria entrar em suas portas”. Mas um impulso divino o levou a entregar-se a isso e, “uma vez que entras e tomas contato com estas pessoas, te dás conta de que és um instrumento da graça de Deus”.

                Tommy pertence agora à diocese texana de Beaumont, em cuja sede há uma prisão federal e algumas privadas. Nela alistou-se no ministério carcerário, juntando-se a algumas centenas de voluntários que tornam possível a realização de retiros em cárceres masculinos e femininos.


                Ewing chegou com seu plano de retiro nas prisões dessa diocese em 2012. Voluntários o apresentaram então aos responsáveis pela segurança da prisão federal da cidade, para que pudesse propô-lo. No começo encontrou animadversão e ceticismo. Mas depois concordaram, com a condição de que, se o retiro funcionasse, poderia ter continuidade; se não, não se falaria mais nele.

                A experiência foi feita. Diz Ewing que, “três semanas depois do primeiro retiro, nos reunimos com o responsável da prisão” para ouvir sua opinião sobre o retiro feito, do qual haviam participado 66 presos. Em resposta, o diretor tirou da gaveta uma pilha de mais de 60 cartas dos presidiários, elogiando a iniciativa e muito contentes com o que tinham recebido no retiro. Um dos seus frutos foi que os detentos se tornaram muito colaborativos com os guardas.

              O sucesso não podia ter sido maior. Por isso a reação do diretor da prisão foi perguntar: “Quando poderiam organizar outro?”

              Essa boa repercussão da iniciativa naturalmente repercutiu em outros cárceres do Estado, que pediram análogos retiros. O resultado foi que isso está favorecendo as próprias instituições prisionais, cujos responsáveis e os próprios funcionários notam que esses retiros são particularmente efetivos para trazer à luz problemas que podem estar preocupando o preso, e assim permitir que sejam tratados e solucionados.

              Um dos resultados colaterais do retiro foi o fato de que o número detentos que dele participam cresceu de maneira notável, favorecendo muito a sua reabilitação.

Adoração ao Santíssimo Sacramento e confissão

                Intensivos nos fins de semana, os retiros são feitos em comunidade. Dividem-se os presos em grupos de 66, por temas logísticos. Os que já participaram de retiro anterior são selecionados por sorteio para compartir sua experiência no retiro em curso. Além dos temas tradicionais da doutrina da Igreja sobre os Sacramentos e o catecismo, durante o fim de semana há Missa, Adoração Eucarística, confissão, e Via Sacra.

                Uma coisa que surpreende nesses atos, segundo Ewing, é que “podes ver como os presos se emocionam visivelmente”. Isso principalmente durante a Adoração ao Santíssimo Sacramento, feita numa dependência separada, onde é colocado um pequeno altar com uma custódia contendo Jesus Hóstia. A semi obscuridade da prisão cria um ambiente propício para a oração. Assim, “trazes a luz de Cristo, e estes homens podem senti-la. Isso marca a diferença”. É comum ver, em várias horas do dia ou da noite, algum presidiário de joelhos adorando Jesus na Sagrada Hóstia.

                Outra coisa que faz a diferença é o sacramento da Confissão. Evidentemente os voluntários devem explicar bem o poder desse Sacramento que só os católicos têm, e que permite a uma pessoa com problemas de consciência a descarregá-los junto a um ministro de Deus que tem o poder de absolvê-lo de todos seus pecados. E ensinam aos presos que nunca se confessaram, ou que o fizeram há décadas, como fazê-la. A paz de alma que muitos presidiários sentem após descarregarem todas as faltas de uma vida e receber a absolvição é impressionante. Por isso, diz Ewing, “o acesso à confissão e a adoração eucarística suavizam inclusive o mais duro dos corações. É uma grande experiência que muda a vida”.

                O Pe. Michael Rugledge, diretor da capelania do Departamento de Justiça Criminal do Texas, falando sobre o resultado dos retiros, afirma que eles “estão provocando uma transformação. Não se pode obter a transformação de ninguém sem que lhe toque o coração”.

                Para terminar, convém notar que vários dos presos que mudaram de vida após esses retiros escreveram aos voluntários que os ajudaram, para lhes agradecer e dar suas impressões. Diz Ewing que, em geral, eles dizem que “encontraram amizade, amor e irmandade, muitos deles já tinham perdido a esperança”. No fundo, é o que afirma um preso em sua carta aos voluntários: “Deus me criou, mas vós me fizestes o que sou hoje, e o que Deus queria que eu fosse. Seguirei na minha vida este caminho de fé em Cristo até o fim de meus dias, e continuarei lutando para que o amor de Deus prossiga em mim”.

                Isso teria resultado no Brasil, onde os religiosos encarregados da pastoral carcerária geralmente são adeptos da execrável Teologia da Libertação, não transmitindo mais os ensinamentos tradicionais da Igreja? Como vimos, nos Estados Unidos tanto a iniciativa como a sua colocação prática partiu de leigos. Poderá ocorrer o mesmo no Brasil? Isso certamente teria um resultado semelhante, ou pelo menos muito alentador, não só para os presos, mas também para todos nós.



http://www.abim.inf.br/funcionaria-no-brasil-retiro-espiritual-para-presidiarios/#.XWZwaehKjIU

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DIPLOMATA RUBENS RICUPERO DISCORRE SOBRE O TEMA “UM FUTURO PIOR QUE O PASSADO? REFLEXÕES NA ANTEVÉSPERA DO BICENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA”


O diplomata e ex-Ministro da Fazenda Rubens Ricuperoé o palestrante convidado da última conferência do ciclo O que falta ao Brasil?, que tem como coordenadora a Acadêmica e escritora Rosiska Darcy de Oliveira. O tema será Um futuro pior que o passado? Reflexões na antevéspera do bicentenário da Independência. O evento será realizado no dia 29 de agosto, quinta-feira, às 17h30, no Teatro R. Magalhães Jr. (Avenida Presidente Wilson, 203 - Castelo, Rio de Janeiro). Entrada franca.
A Acadêmica e escritora Ana Maria Machado é a coordenadora geral dos Ciclos de Conferências de 2019.
Os Ciclos de Conferências, com transmissão ao vivo pelo portal da ABL, têm o patrocínio da Light.
Serão fornecidos certificados de frequência.
O Convidado
Rubens Ricupero nasceu em São Paulo (1.° de março de 1937), foi diplomata de carreira e aposentou-se após ocupar a chefia das embaixadas do Brasil em Genebra, Washington e Roma. Exerceu os cargos de Ministro do Meio Ambiente, da Amazônia Legal e da Fazenda (governo Itamar Franco). Entre 1995 e 2004, dirigiu, como Secretário-Geral, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) em Genebra. No mesmo período, foi Subsecretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
Atualmente é Diretor da Faculdade Armando Álvares Penteado (FAAP) em São Paulo. Foi professor de História das Relações Diplomáticas do Brasil do Instituto Rio Branco e de Teoria das Relações Internacionais da Universidade de Brasília. É autor de vários livros e ensaios sobre história diplomática, relações internacionais, desenvolvimento econômico e comércio mundial. Seu livro A diplomacia na construção do Brasil recebeu o Prêmio Senador José Ermírio de Moraes da Academia Brasileira de Letras em 2018.

Leitura complementar
Biblioteca Rodolfo Garcia disponibiliza seu acervo para pequisa e leitura de obras relacionadas ao tema desta conferência, como "A Crise Internacional e seu Impacto no Brasil;""Intérpretes do pensamento desenvolvimentista" e "Bicentenário da Independência".
Para consultar mais materiais como os citados, acesse o link abaixo e visite os "Levantamentos bibliográficos" realizados para este evento.




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terça-feira, 27 de agosto de 2019

LEITURA DRAMATIZADA DE AGOSTO APRESENTA “O CASAMENTO SUSPEITOSO”, DE ARIANO SUASSUNA, NA ABL


Acadêmico Ariano Suassuna, autor de importantes obras como “O santo e a porca” e “O auto da compadecida”, escreve, em 1957, “O casamento suspeitoso”, uma comédia de costumes nordestinos escrita em forma de peça. Suas personagens são caricaturadas e fazem uso de linguagem e expressões próprias da região Nordeste brasileira.

Em 2019, uma parceria entre a Academia Brasileira de Letras e a Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Pena promove apresentações teatrais da peça “O casamento suspeitoso” adaptadas para o formato de leitura dramatizada. Com um pouco mais de uma hora de duração, jovens e adultos poderão se encantar com uma divertida história que tem como tema central o casamento por interesse ou, como o dito popular, o “golpe do baú”. A apresentação é realizada pelo grupo de alunos e ex-alunos da Escola e tem a direção de Cecília Vaz.

Na história, Lúcia vem do Recife, acompanhada do seu amante e de sua mãe, para casar-se com um ingênuo herdeiro de uma fortuna na cidade de Taperoá, interior da Paraíba. Os golpistas, porém, não esperavam se deparar com a esperteza da dupla de empregados, Cancão e Gaspar, que armam várias situações para provar que Lúcia é uma impostora e interesseira. Mas ao perceber que será desmascarada, a trambiqueira tentará reverter a situação, criando uma cilada para os dois serviçais. Em quem o herdeiro acreditará?

Quanto à vulgaridade dos meios cômicos de que lanço mão, é coisa que não me incomoda absolutamente. Não tenho nenhuma tendência para a finura – pelo menos para isso a que os distintos chamam de finura. Ao humor educado e delicado deles, prefiro o rasgado e franco riso latino, que inclui, entre outras coisas, uma loucura sadia, uma sadia violência e um certo disparate.”
- Comentário de Ariano Suassuna publicado em 1984 na 6.a edição de O casamento suspeitoso.

Os personagens Canção e Gaspar, que dão um show à parte, retomam a tradição do teatro popular. 
“Eles são a dupla circense que o povo, com seu instinto certeiro, batizou admiravelmente de o palhaço e o besta”, comentou Suassuna.

O casamento suspeitoso será apresentado no dia 28 de agosto, quarta-feira, às 15h15 no Teatro R. Magalhães Jr., na Academia Brasileira de Letras. A entrada é franca.
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Como chegar no evento
Academia Brasileira de Letras
Teatro R. Magalhães Jr.
Av. Presidente Wilson, 203 - 1º andar
Castelo

Rio de Janeiro - RJ
Brasil
(21) 3974-2500


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O BRASIL JÁ É UM PAÍS DIFERENTE - J. R. Guzzo


”O jornalista José Roberto Guzzo, colunista da Exame, produziu uma das mais lúcidas análises sobre o presente e o futuro do governo do Presidente Jair Bolsonaro.
Sob o título, "O Brasil já é um país diferente", o renomado jornalista desenvolveu a seguinte reflexão:


”O presidente da República pode ser ruim, ou muito ruim, conforme a definição que deixar o leitor mais confortável.

Também pode ser bom, caso se leve em conta a opinião dos que acham que ele está sempre certo.

Na verdade, para simplificar a conversa, o presidente pode ser o que você quiser.

Mas os fatos que podem ser verificados na prática estão dizendo que seu governo, depois dos primeiros sete meses, é bom — ou, mais exatamente, o programa de governo é bom, possivelmente muito bom.

Esqueça um pouco o Jair Bolsonaro que aparece em primeiríssimo plano no noticiário, todo santo dia, em geral falando coisas que deixam a maioria dos comunicadores deste país em estado de ansiedade extrema.

Em vez disso, tente prestar atenção no que acontece.

O que acontece, seja lá o que você acha de Bolsonaro, é que seu governo está conseguindo resultados concretos.

Mais:
É um governo que tem planos, e tem a capacidade real de executar esses planos.

Enfim, é um governo que tem uma equipe muita boa fazendo o trabalho que lhe cabe fazer.

O ministro Paulo Guedes tem um plano, e seu plano está sendo transformado em realidades — a começar pela aprovação de uma reforma da Previdência que todos os cérebros econômicos do Brasil julgavam, até outro dia, ser uma impossibilidade científica.

A reforma tributária virá; seja qual for sua forma final, ela deixará um país melhor.

Uma bateria de outras mudanças, basicamente centradas no avanço da liberdade econômica e na faxina administrativa para melhorar a vida de quem produz, está a caminho — diversas delas, por sinal, já foram feitas e estão começando a funcionar.

Guedes é um ministro de competência comprovada, e sua equipe, que ele deixa em paz para trabalhar, tem qualidade de país desenvolvido.

É bobagem, simplesmente, apostar contra ele.

Os ministros Tarcísio de Freitas, da Infraestrutura, Bento Albuquerque, de Minas e Energia, e Tereza Cristina, da Agricultura, são craques indiscutíveis — e estão mudando, em silêncio, o sistema nervoso central das estruturas de produção do país.

Há mais.

O ministro Sérgio Moro, que seria destruído numa explosão nuclear, está mais vivo do que nunca.

Há todo um novo ambiente, voltado para as realidades e para a produção de resultados, em estatais como a Petrobras ou a Caixa Econômica Federal, a Eletrobras ou o BNDES.

As mudanças, aí e em muitos outros pontos-chave do Estado nacional, estão colocando o Brasil numa estrada oposta à que vem sendo seguida desde 2003 — e é claro que a soma de todos esses esforços, por parciais, imperfeitos e deficientes que sejam, vai criar um país diferente.

Os avanços são pouco registrados na mídia?
São.

O governo comete erros, frequentemente grosseiros?
Comete.

Suas propostas sofrem deformações, amputações e alterações para pior?
Sofrem.

O presidente é uma máquina de produzir atritos, problemas de conduta e confusões inúteis?
É.

Mas nada disso tem impedido, não de verdade, que o governo esteja conseguindo obter a maioria das coisas que quer.

Já conseguiu uma porção delas em seus primeiros sete meses.

Não há fatos mostrando que vá parar de conseguir nos próximos três anos e meio.

O governo Bolsonaro é ruim?

De novo, dê a resposta que lhe parecer melhor.

Mas sempre vale a pena lembrar que a maioria das coisas só é ruim ou boa em comparação com outras da mesma natureza.

O atual governo seria pior que o de Dilma Rousseff ou de Lula?

E comparando com o de Fernando Collor, então, ou o de José Sarney?

Eis aí o problema real para quem não gosta do Brasil do jeito que ele está — o governo Bolsonaro não vai ser um desastre.

A possibilidade de repetir o que houve nos períodos citados acima é igual a zero.

Impeachment?

Sonhar sempre dá.

Mas onde arrumar três quintos contra Bolsonaro no Congresso?

Na última vez que a Câmara votou uma questão essencial, a reforma da Previdência, deu 74% dos votos para o governo.

Melhor pensar em outra coisa — ou aceitar o fato de que o homem vai estar aí pelo menos até 2022."“


#GoBolsonaro #SeNaoVaiAjudarEntaoNaoAtrapalhe #EsquerdoidesDeixemOHomemTrabalhar #BrasilAcimaDeTudoDeusAcimaDeTodos

 (Recebi via WhatsApp)

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José Roberto Guzzo, mais conhecido como J.R. Guzzo, jornalista brasileiro, diretor editorial do grupo EXAME e colunista das revistas Exame e Veja.

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