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domingo, 23 de janeiro de 2022

AMAZÔNIA NO CENTRO – Péricles Capanema

 


Estados que compõem a Amazônia Legal

 

Péricles Capanema

 

No Exterior, ponto candente. Se você fosse um leitor comum (ou um cidadão comum) dos Estados Unidos ou de algum país europeu (Inglaterra, França, Alemanha, Itália, Espanha, por exemplo), você saberia vaga e distraidamente que longe de suas antenas palpita uma imensa área política chamada América Latina, onde existem cidades grandes chamadas Buenos Aires, São Paulo e Rio de Janeiro. Saberia ainda que por lá se sucedem meio confusamente golpes de Estado, pobreza, tráfico de drogas, roubalheira política. Um ponto e só um ponto lhe chamaria vivamente a atenção: a Amazônia. Conexo com ele, desmatamento ilegal, florestas pegando fogo, devastação ambiental. Situação normal? Bastante anormal. Ajuda o Brasil? Prejudica, e muito; em especial, aos mais pobres daquela região, são dezenas de milhões, irmãos nossos, merecem ainda (dever solidário de todos) ação eficaz contra os que sofrem. Porção das flechas que perfura a carne dos mais pobres é afiada pela ação dos corifeus da propaganda hostil contra a Amazônia.

Dados úteis. Vamos dividir o grosso do problema em seções, ficará mais fácil entender o caso. A Amazônia não é só Brasil. Mas a grande antipatia mundial pelo suposto descaso em relação à Amazônia recai quase tão-só sobre Pindorama, o vilão da história. A Amazônia é uma floresta tropical úmida que cobre a maior parte da Bacia Amazônica. Esta bacia hidrográfica está localizada no Brasil, Bolívia, Colômbia, Guiana, Guiana Francesa, Suriname, Peru, Venezuela, Equador. Sete milhões de quilômetros quadrados, dos quais cinco e meio cobertos pela floresta. A maioria da floresta tropical está no Brasil — 60% dela. A Amazônia abriga mais da metade das floretas tropicais da Terra e tem a maior biodiversidade no mundo em uma floresta tropical. A chamada Pan-Amazônia tem área de aproximadamente 7,8 milhões de km2 e abriga por volta de 40 milhões de habitantes. Amazônia Legal, tantas vezes falada, é outra coisa. Corresponde à área de atuação da SUDAM (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia). Compreende floresta tropical, cerrado e ainda outras formações. É região composta de 772 municípios localizados em Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará, Amapá, Tocantins, Mato Grosso, Maranhão. Tem superfície aproximada de 5.015.067,75 km2, 58,9% do território brasileiro. 45% do território da Amazônia Legal constitui área protegida legalmente. Ela abriga cerca de 30 milhões de brasileiros e seu PIB é por volta de 9% do PIB nacional. Agricultura, pecuária, mineração representam o futuro da região.

A Amazônia Legal (assinalada em verde no mapa) ocupa 58,9% do nosso território

Tema envenenado. Aqui, realidade e propaganda se mesclam, acavalam-se desconhecimento de fatos e sobrevalorização de versões. É comum, grassam versões fantasiosas, fatos reais são ouvidos com apatia. Para o bem e para o mal, a Amazônia foi lançada no centro do interesse mundial. Na questão se aninha não apenas o interesse razoável e fundamentado, mas ainda crepita um desvelo artificial, novo, irritadiço, inflado. Cada vez mais incendeiam os espíritos a sustentabilidade ameaçada e o desmatamento desbragado. A fermentação induzida no Ocidente leva as populações do mundo desenvolvido a ter birra do Brasil (e não apenas do governo), supostamente desleixado com a preservação de uma das maiores riquezas da Terra, penhor de futuro de prosperidade, patrimônio comum da humanidade.

Obrigação de esclarecimento. Preocupa a opinião hostil que se alastra; é ônus grave de todo brasileiro, na medida de suas possibilidades, procurar virar o jogo no cenário internacional (lá fora). No particular, tem pouco valor redarguir que os fatos apontam em direção contrária. Em geral se atribui a Gustavo Capanema observação sempre útil de lembrar quando nos debruçamos no exame dos cenários públicos: na política a versão vale mais que os fatos. As versões falsas precisam ser desinfladas, em boa parte, aí sim, pela difusão inteligente dos fatos que as desmontam. É ainda necessário somar esforços internamente para que consertemos tudo o que possa estar errado.

Lenha na fogueira. Não acho direito nesse momento, irrefletidamente (no mínimo), jogar lenha na fogueira, quando o importante é procurar extinguir o fogo. Pois o Brasil vai perdendo apoios importantes no Estados Unidos e na Europa, setores importantes estão sendo fermentados por propaganda inamistosa. Ao mesmo tempo, outro fato enorme assoma: a China está silenciosa e de sorriso enigmático. Duas forças de tração opostas, uma atrai, outra afasta. Para onde iremos?

Rumo que faz falta enfatizar. Destaco agora observações lúcidas, enraizadas na experiência e na erudição, impulsionam rumo de solução efetiva. Alysson Paolinelli é dos agrônomos de maior reputação no Brasil. Professor universitário, antigo secretário da Agricultura e ministro da Agricultura, opiniões pé no chão, sempre enfatizou a importância da ciência, pesquisa e experiência na solução dos problemas da agropecuária. Observou em entrevista recente sobre a Amazônia: “O Brasil está como vilão há muito tempo. As viúvas do Muro de Berlim não morreram. É evidente que a Amazônia está sendo desmatada. Mas 90% ainda estão preservados. Os outros 10% me preocupam. Agora, não será só proibindo o desmatamento que vamos resolver o problema. Enquanto a árvore valer mais deitada do que em pé não há polícia, não há exército que controle o desmatamento. O caminho é a biotecnologia. Temos de achar pela ciência uma forma de tirar rentabilidade sem degradar o bioma. No momento em que a ciência botar a árvore em pé valendo mais do que deitada, pode tirar a polícia da floresta. A primeira forma é o manejo sustentável da árvore. Hoje, temos técnicas de manejo sustentado com belíssimos resultados. Você corta a árvore que lhe interessa e dá dinheiro, planta duas ou três no lugar dela”.

Extrativismo de sobrevivência. Paolinelli colocou então cores fortes, talvez exagerou em muitos aspectos, mas mostrou por onde se pode resolver sensata e permanentemente o problema: “Nós temos na Amazônia mais de 25 milhões de pessoas famintas com o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) mais baixo do país. Estão fazendo extrativismo. Elas precisam de renda. Você tem de arrumar uma forma de garantir renda para a população para que, pelo menos, o trópico úmido não seja mexido. Ele não serve para plantar, para boi. Chove demais”. De outro modo, só pelo estímulo a novas formas de exploração econômica (na agricultura e pecuária), bem como pelo aumento da produtividade, será possível impedir que a floresta seja utilizada para subsistência pura; cessaria então o extrativismo da sobrevivência. Foi além: “A organização do produtor é outro problema. As cooperativas do sul conseguem entrar na casa do consumidor europeu, asiático, porque os produtores são organizados. E na Amazônia e no Nordeste a gente não tem isso”.

Impulso sensato no rumo certo. Em resumo, os problemas da Amazônia poderiam ser minorados com policiamento mais efetivo, vigilância mais estrita. São medidas necessárias e urgentes. Contudo, só serão enfrentados com sabedoria efetiva se, ao longo dos anos, houver aumento expressivo de pesquisas, procura de métodos novos, aplicação de capitais e organização da produção. A demagogia vai pelo rumo contrário: com ela, a pobreza se agravará, generalizar-se-á a miséria, teremos na raiz agravamento das principais causas da presente degradação ambiental. Caminhando pela estrada iluminada parcialmente pela lanterna de Paolinelli, lucrarão (e muito) as populações residentes na Amazônia, o Brasil e o mundo.

https://www.abim.inf.br/amazonia-no-centro/

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sábado, 5 de setembro de 2020

AMAZÔNIA – REALIDADES E SOLUÇÕES

5 de setembro de 2020



Evaristo de Miranda *


Qual a situação real da Amazônia? O que o Brasil pretende fazer com a Amazônia? Essas duas perguntas precisam ser respondidas. A Amazônia é apresentada de forma fragmentada, aqui e no exterior, em função de grupos de interesse, ideologias, oportunidades, oportunismos etc. É urgente superar o paradoxo colocado em 1909 por Euclides da Cunha: “A Amazônia, ainda sob o aspecto estritamente físico, conhecemo-la aos fragmentos. Mais de um século de perseverantes pesquisas e uma inestimável literatura, de numerosas monografias, mostram-no-la sob incontáveis aspectos parcelados. […] A inteligência humana não suportaria, de improviso, o peso daquela realidade portentosa”.

Quem quer saber a real situação da Amazônia se perde num cipoal de opiniões, informações e desinformações de instituições governamentais ou não, multiplicas via redes sociais, com pouca participação regional e muitos interesses geopolíticos. É preciso unificar os conhecimentos e produzir um relatório anual completo sobre a região. Uma espécie de State of de Amazon Region, com ciência, dados, sínteses e análises dos principais temas, desafios e processos.

A Amazônia precisa ser conhecida e reconhecida em sua história e complexidade em pelo menos cinco dimensões inseparáveis: as dos quadros natural, agrário, agrícola, de infraestrutura e socioeconômico.

quadro natural inclui 50 tipos de vegetações florestais, mistas e não florestais. Desmatamento e regeneração vegetal são indicadores. O tema ainda inclui solos, riquezas minerais, recursos hídricos, energéticos etc.

No quadro agrário cabe considerar as 330 terras indígenas, as 204 unidades de conservação integral (parques nacionais, estações ecológicas…), as muitas reservas extrativistas, de desenvolvimento sustentável, áreas de proteção permanente e terras quilombolas. Além dos 2.132 assentamentos, onde foram instaladas 499.586 famílias, e da urgente regularização fundiária de posses e terras não tituladas, áreas devolutas e títulos sobrepostos.

O quadro agrícola traz o rosto de 1 milhão de produtores e unidades de produção da Amazônia. Não há agropecuária mais diversificada: desde os mais simples sistemas extrativistas até as mais modernas fazendas de grãos e algodão, no norte de Mato Grosso. Quase 90% são pequenos agricultores, desde os 116.118 cadastrados em Rondônia até os de origem japonesa, campeões na produção de pimenta-do-reino, no Pará.

quadro de infraestrutura varia desde Roraima, o único Estado não interligado ao sistema elétrico nacional, até o Pará, exportador de eletricidade. A rede viária é precária e regrediu. Estradas asfaltadas até os anos 1980 perderam operacionalidade, caso da Porto Velho-Manaus. A hidrovia do Madeira cresceu e a do Tocantins não existe, mesmo com a eclusa de Tucuruí concluída. Cada Estado tem demandas muito diversas.

quadro socioeconômico apresenta os piores indicadores, salvo onde prosperou o agronegócio. Na pandemia, o Amazonas — Estado mais preservado da região — é retrato dessa tragédia social. De seus 62 municípios, apenas Manaus tinha UTIs. Faltaram caixões para enterrar os mortos. Culpa da covid ou da infraestrutura de saúde? Na Amazônia, mais de 25 milhões de brasileiros vivem em 500 e tantas cidades. Todos têm direito à alimentação, a saneamento, educação, saúde e progresso.

Tais dimensões, além das institucionais, deveriam estar num Relatório Anual da Amazônia. Oferecendo aos interessados dados idôneos, abertos, amplos. Pautando debates. Instigando contribuições efetivas. Definindo prioridades. A portentosa realidade amazônica é desafio, e não obstáculo às inteligências.

Mas também é preciso um plano de ação. Desde a Coroa portuguesa, passando pelo Império do Brasil, pelo Estado Novo e pelo regime militar, o País sempre teve planos para a região. O último foi o Programa Nossa Natureza, do governo Sarney, há 25 anos. Criou o Ibama, o monitoramento do desmatamento e uma série de leis. Desde então se amontoam iniciativas setoriais, parciais, desencontradas e conflitivas. Muitas criminalizam atividades humanas e fortalecem, na prática, os conflitos e a Amazônia Ilegal. Esse plano de Estado, estratégico, de longo prazo, deve ser definido com a população da Amazônia.

Qual o plano, nos próximos 10, 30 e 50 anos, para as áreas intocadas, as áreas de agropecuária e urbanização consolidadas e as fronteiras de expansão? Quais são os grandes objetivos e metas? Como o plano deve ser comunicado, a brasileiros e estrangeiros, para provocar discussões pertinentes e produtivas? Como Estados, setor privado, países e instituições internacionais poderiam contribuir?

Dezenas de universidades e centros de pesquisa da Amazônia têm dados e estudos sobre a realidade e sua dinâmica. O Conselho da Amazônia, coordenado pelo vice-presidente Hamilton Mourão, pode ser o locus da produção anual do relatório e um núcleo de cristalização do plano para o futuro.

E é bem disso que se trata: o futuro fica em cima do futuro, e não embaixo do passado!

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* Doutor em Ecologia, é pesquisador da Embrapa Territorial.

Fonte: “O Estado de S. Paulo”, 22-8-20 – Caderno A2 – Espaço Aberto

 

https://www.abim.inf.br/amazonia-realidades-e-solucoes/

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sexta-feira, 1 de novembro de 2019

PE. ZEZINHO AFIRMA QUE “GRITARIA MUNDIAL SOBRE INCÊNDIOS NA AMAZÔNIA É HISTÉRICA”


Aleteia Brasil | Ago 25, 2019

E arremata: “No Congresso e no Judiciário estão alguns dos maiores incendiários”

Em sua página no Facebook, o pe. Zezinho se manifestou a respeito da guerra de narrativas ideológicas que vem sendo alimentada mundo afora no tocante às queimadas na Amazônia:

“Estão é botando fogo no Brasil”

Fiz uma canção sobre a Amazônia e assino embaixo até hoje. Mas sou bem inteligente para saber que estes incêndios já têm mais de 40 anos. Não aconteceram apenas hoje e não é só porque o atual governo não legislou que as chuvas destes períodos apagassem tais incêndios.

Há o fenômeno natural da seca nestes meses e há o crime dos que intencionalmente fazem queimadas.

Assim como não culpei nem FHC, nem Lula, nem Dilma, nem Temer, não culpo Bolsonaro. Eu não odiava os outros presidentes e não odeio Bolsonaro.

Esta gritaria mundial é histérica. Não vejo ninguém culpando Trump pelos incêndios na Califórnia, nem o Governo Português pelos incêndios em Portugal.

Continuarei a cantar “AMAZÔNIA, É PROIBIDO QUEIMAR E MATAR“, mas sei que tudo não começou apenas há seis meses.

Bom senso ajudará a ler a mídia, determinada em arrasar com o Bolsonaro. Todos sabem das dívidas impagáveis de alguns inimigos do atual presidente!

Não votei nele, nem em Haddad, mas se Haddad tivesse ganho, os incêndios continuariam, até porque o país não tem como controlar o clima nem a maioria dos incendiários que querem tudo, menos que a atual democracia dê certo. Querem outro regime político no Brasil.

No Congresso e no Judiciário estão alguns dos maiores incendiários.

Apelos do Papa Francisco
Que há incêndios na região amazônica, tanto em partes do Brasil quanto de países vizinhos como a Bolívia, é um fato berrante e aberrante há décadas. Não é isto o que está sendo contestado pelo pe. Zezinho. Não há contradição entre a postura do sacerdote brasileiro, que pede mais objetividade e menos viés ideológico, e a postura do Papa Francisco, que tem feito apelos para que se tomem medidas concretas e efetivas em defesa da Amazônia:






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quinta-feira, 29 de agosto de 2019

PIROTECNIA - Alexandre Garcia


O Papa Francisco e o Presidente Macron geraram a centelha e reacenderam os ânimos daqueles que não perdoam os brasileiros que os derrotaram em outubro. Do outro lado do Atlântico e das redações urbanas a milhares de quilômetros da floresta, atearam fogo à Floresta Amazônica, para demonstrar que o vencedor de outubro é um Nero suicida; é um erro cometido pelos eleitores que ousaram derrotar os que acreditam que detêm o poder de domar neurônios alheios. Desconhecedores da Floresta, não sabem que para ela queimar, precisa antes ser derrubada, secar por meses, e aí atear fogo. É assim que os indígenas ensinaram e sempre fizeram na coivara, usada para criar roças e pastagens. O nome em inglês – rainforest – floresta úmida, não foi entendido por muitos.

No ápice das queimadas de mata derrubada, há uns 15 anos, fecharam os aeroportos da região, como testemunham meus amigos pilotos, que hoje voam sobre a Amazônia sem restrições. E isso acontecia com frequência na primeira década deste século. A diferença é que o presidente era Lula, um santo, e hoje é o maldito Bolsonaro, que ousou derrotar os que só aceitam a ideia única – sem dinheiro, sem marqueteiro, sem TV, apenas com a vontade do eleitor. Agora eles viram a chance de mostrar que o povo errou, mas precisam ser rápidos, porque já começam os sinais de sucesso em todos os campos da recuperação econômica e moral do país.

Os número mostram que a quantidade de incêndios está dentro da média, mas isso não nos deve tranquilizar. A histeria pirotécnica quase tendeu a provocar estragos nas nossas exportações do agronegócio. Oportunidade para entidades como as Confederações da Indústria e da Agricultura tomarem iniciativas para fiscalizar e conter a grilagem e os desafios à lei, como o que aconteceu no Pará, no Dia do Fogo, 10 de agosto. Serviu também para alertar os governos estaduais e federal para o problema sazonal crônico da Amazônia; mas sobretudo serviu para confirmar como real a cobiça que é a causa da tese de “soberania relativa” do Brasil sobre a Amazônia.

No caso do Presidente Macron, o tiro saiu pela culatra. Num usual diversionismo, ele tentou desviar de seus problemas internos com os coletes amarelos, os imigrantes e os eleitores, para a distante Amazônia. Mas nada conseguiu no G7 e só fez catalisar no Brasil a defesa da soberania sobre a nossa Amazônia. Chamou-nos a atenção para as ONGS que não evitam fogo, os estrangeiros que fingem turismo, desconfiamos do dinheiro estrangeiro e suas intenções de intrometer-se nas nossas questões e Macron sequer conseguiu fingir que defendia seus agricultores que não têm área para expandir. Reagimos com altivez de quem tem noção de que o futuro a nós pertence. Quanto aos pirotécnicos, só nos ofuscaram por alguns segundos, enquanto duraram as cores de seus fogos passageiros; na excitação da revanche, geram a autocombustão de sua credibilidade.

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Alexandre Garcia - Jornalista com atuação na TV e rádio, como apresentador, repórter, comentarista e diretor de jornalismo.

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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

O SÍNODO SOBRE A AMAZÔNIA E A SOBERANIA NACIONAL – Fernando Oliveira Diniz


13 de Fevereiro de 2019
   Fernando Oliveira Diniz

Acabou acontecendo. Sendo o Brasil um Estado que se declara laico, está agora envolvo num turbilhão internacional de fundo religioso que poderá custar sua soberania sobre a Amazônia.

E quem brande a ameaça não é o poderio militar da Rússia ou da China, mas a força institucional de um Estado com 0,44 km² de território e uma população estimada em 1.000 habitantes.

Tempo houve em que o Brasil não tinha nada a temer do Vaticano. Mas agora sopram por lá ventos da mais bem articulada e virulenta esquerda do planeta, a qual possui a arma mais mortífera até hoje descoberta: a capacidade de mover as consciências.

E o fato está consumado. Sob o poder de Francisco, realizar-se-á em Roma, entre os dias 6 e 29 de outubro próximo, o Sínodo sobre a Amazônia.

Que orientação terá esse Sínodo? A depender do quadro de seus organizadores, a predominância será a da Teologia da Libertação. E a partir dela, uma orquestração internacional envolvendo o Vaticano, a ONU, a União Europeia, as ONGs do mundo inteiro, que clamariam pela internacionalização da Amazônia.

Seria o lançamento de uma nova catequese, onde catequizar seria secundário e até supérfluo, porque, segundo tal catequese, os índios já vivem as bem-aventuranças: eles não conhecem a propriedade privada, o lucro, a competição. Então, para quê Pátria, se o verdadeiro seria a apologia do coletivismo tribal?

Estaríamos, portanto, diante de uma “Igreja-Nova” de inspiração comunista, onde a propriedade é a heresia e o proprietário o herege, e a vida selvagem a plena realização do ideal humano.

Quem quiser conhecer os desígnios dessa teologia em matéria indigenista, leia o livro Tribalismo indígena, ideal comuno-missionário para o século XXI. Escrito em 1977 pelo renomado presidente do Conselho Nacional da TFP, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, o livro previa esse ataque da nova missiologia e enunciava as teses que, ainda com mais radicalidade, serão certamente defendidas no Sínodo de outubro de 2019 e abrirão caminho para o pedido de internacionalização da Amazônia.

Em sua época, esse livro foi um sucesso de venda. Ele teve nove edições, num total de 82 mil exemplares. Caravanas de propagandistas da TFP levaram-no a 2.963 cidades, em todos os quadrantes do Brasil.

Reeditado em 2008, ele foi acrescido de uma segunda parte, na qual os jornalistas Nelson Ramos Barretto e Paulo Henrique Chaves contam o que viram na reserva Raposa-Serra do Sol, em Roraima, e o que pesquisaram em Mato Grosso e em Santa Catarina. Eles transcrevem reveladoras entrevistas com várias personalidades e confirmam em tudo as teses sustentadas pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 1977.

Expressiva repercussão do alcance desse livro veio do Ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal, que em sua declaração de voto durante o julgamento da polêmica demarcação das terras indígenas da reserva Raposa-Serra do Sol, afirmou:

“Também vale registrar que o professor Plinio Corrêa de Oliveira, autor de ‘Tribalismo Indígena — Ideal Comuno-Missionário para o Brasil no Século XXI’, diante dos trabalhos de elaboração da Carta de 1988, advertiu: ‘O Projeto de Constituição, a adotar-se em uma concepção tão hipertrofiada dos direitos dos índios, abre caminho a que se venha a reconhecer aos vários agrupamentos indígenas uma como que soberania diminutae rationis. Uma autodeterminação, segundo a expressão consagrada (Projeto de Constituição angustia o País, Editora Vera Cruz, São Paulo, 1987, p. 182; e p. 119 da obra citada). Proféticas palavras tendo em conta, até mesmo, o fato de o Brasil, em setembro de 2007, haver concorrido, no âmbito da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, para a aprovação da Declaração Universal dos Direitos dos Indígenas” (cfr. Catolicismo n° 700, abril de 2009).

Prevenido o Brasil foi. Resta agora esperar que a diplomacia brasileira saiba, com todo o respeito devido às autoridades eclesiásticas, mas também com toda a firmeza necessária, fazer conhecer ao Vaticano e aos padres sinodais que o Brasil não aceitará pressões de governos, nem de nenhum organismo internacional, no sentido de fazer ingerências descabidas no governo de seu próprio território.

Segundo a doutrina católica, não está na missão da Igreja defender — conforme o fez D. Erwin Krütler (cfr. “O Estado de S. Paulo, 10-2-19), bispo emérito do Xingu, no Pará — o bioma ameaçado, nem definir se é supérfluo ou não fiscalizar as ONGs, ou saber se o governo mudou ou não mudou a demarcação das áreas indígenas. Também não cabe aos bispos fiscalizar se o governo cumpre ou não cumpre a Constituição.

O que sobretudo o Estado brasileiro não poderá de nenhum modo aceitar é a renúncia à sua soberania sobre a Amazônia. Ele terá todo o direito e todo o dever de garantir a integridade territorial brasileira.

Para terminar, uma reflexão que se impõe.

Do atual governo podemos esperar uma política eficaz de defesa da integridade do nosso território. O que seria impensável se ainda estivesse no poder o Partido dos Trabalhadores, que coadjuvaria o Sínodo sobre Amazônia no desmantelamento do Brasil…


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sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

ENREDO REVELA UMA AMAZÔNIA DESCONHECIDA POR MUITOS

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Isaías Oliveira, 64 anos, é jornalista com 41 anos de profissão (1976-2017), nascido em Manaus (AM), tendo exercido durante 30 anos atividades de assessoria de imprensa e cargos públicos. Durante os anos 1970 militou na política de esquerda no MDB e foi articulista no jornal A Notícia, de Manaus, onde trabalhou dois períodos sob censura prévia.
Participou do movimento em defesa das artes e das tradições populares do Amazonas, com o jornalista Bianor Garcia e artistas, como os pintores Moacir Andrade e Afrânio de Castro; os poetas Jorge Tufic e Aníbal Beça; e o escritor Anthístenes Pinto.
Nos últimos anos tem se dedicado ao estudo de temas amazônicos, sobretudo a cultura e o saber tradicionais dos povos da floresta, com quem teve convívio desde a infância, nas viagens com o pai para extração de madeira nos confins da floresta; e na juventude, como membro de grupos de caça e pesca na Amazônia.
O romance “A Dimensão dos Encantados” é uma reflexão do autor encarnando dois personagens verdadeiros, pessoas que existiram no contexto da aventura e que realmente a viveram e acreditaram em tudo o que viveram, criando, a partir dessa crença, uma verdade absoluta.
Além de “A Dimensão dos Encantados”,possui finalizados “O Diário em Branco”, em revisão; e “A Casa do Fim da Rua”; e em elaboração “O refúgio do Grande Espírito da Vida”, além de poemas e contos ainda por organizar para edição. A veia poética surgiu na convivência com o poeta Thiago de Mello, em seu retorno do exílio, de quem se tornou o primeiro novo amigo no dia de sua chegada a Manaus.

“O interessante é que esse enredo revela uma Amazônia desconhecida do mundo então, e ainda não descoberta pelo homem moderno.”

Boa leitura!

Escritor Isaías Oliveira, é um prazer contarmos com a sua participação na Revista Divulga Escritor. Conte-nos, como surgiu inspiração para a escrita do romance “A Dimensão dos Encantados”?

Isaías Oliveira - Bom. Não chegou a ser uma “inspiração”, mas uma coisa até natural. Meu pai, também Isaías, foi um dos maiores aventureiros da Amazônia. E era também um exímio contador de histórias. Isso numa época – década de 1950, início de 60 – em que não conhecíamos nem rádio portátil; ele tornava-se a principal atração para os curumins da floresta.
Assim, “A Dimensão dos Encantados” acaba sendo uma história bem familiar, da nossa família: meu pai, Isaías, minha mãe, Marina, e os sete filhos. Porque todos nós, embora na época não compreendêssemos, participamos dessa aventura.

Apresente-nos a obra.

Isaías Oliveira - Eu diria que “A Dimensão dos Encantados” é um conto de duas histórias, reunidas numa única narrativa. Por meio de uma leitura paralela a gente acompanha um navegador aventureiro e um caçador perdido na mata, rememorando passagens de suas vidas antes de se encontrarem, num fim de tarde, nos confins da Amazônia, onde o caçador, já com aparência de animal e sem lembrar mais a linguagem humana, quase é abatido a tiros pelo aventureiro.
O interessante é que esse enredo revela uma Amazônia desconhecida do mundo então, e ainda não descoberta pelo homem moderno. Nela, o sobrenatural e o humano se misturam na dimensão fantástica da mente, um espaço onde o caçador, o pescador e o ribeirinho vivem a brutalidade, o medo e a magia dos encantamentos da floresta, como verdades absolutas. São homens verdadeiros vivendo uma realidade intangível.

Então, “A Dimensão dos Encantados” é uma obra baseada em fatos reais?

Isaías Oliveira - Por se tratar de uma história que lida com o imaginário fértil do homem amazônico, povoado de lendas, mitos e assombrações, não posso afirmar que os fatos são reais. Mas posso garantir que a história de vida dos dois personagens realmente aconteceu. O relato do livro saiu da mente do meu pai. As histórias de ambos, porém, foram construídas por duas mentes sintonizadas com a vivência, os costumes e a natureza da Amazônia selvagem.

Quais critérios foram utilizados para a escolha do título?

Isaías Oliveira - Aí foi inspiração mesmo. No meu roteiro seria uma crônica de viagem. Quando comecei a escrever despertou-me a constatação de que não se tratava de uma simples história de noites de “serão”. Ela retratava uma passagem de duas vidas diferentes, que se identificavam pelo ambiente em que foram vividas, uma Amazônia, ainda naqueles tempos, desconhecida, selvagem, onde índios guerreavam com brancos invasores e onças atacavam pessoas no terreiro das casas.
Nesse ambiente sem tecnologia nem meios de comunicação a distância, a mente do caboclo era povoada de medo das assombrações da mata. E esse homem acreditava de corpo e alma nos seres encantados que dominavam a sua cultura empírica. O saber tradicional, a medicina da selva, as profecias sobre o futuro provinham de espíritos que se comunicavam com pajés e feiticeiros. Na realidade, eu estava escrevendo sobre um mundo encantado...

Quais os principais personagens que compõem a trama?

Isaías Oliveira - Nós temos apenas dois personagens centrais, vivendo duas histórias paralelas. Um, o aventureiro sem nome, narrador da trama, navegando o curso de um rio com um destino certo. O outro, o caçador Berenício, vagando perdido no setentrião da floresta amazônica, cuja história é narrada na segunda pessoa. No relato de ambos se identifica uma sintonia, quase simbiose espiritual, cultural e até biológica com o meio ambiente selvagem.
Podemos dizer que são dois homens selvagens vivendo aventuras convergentes na selva. Mas não se trata apenas da história de dois homens da selva. Porque é também uma parte da história de um mundo verdadeiramente encantado, a Amazônia. Naquilo que ela tem de mais selvagem, onde se percebe a existência de um “encantamento” maior, essa coisa espiritual que transcende, permeia e ao mesmo tempo movimenta todos os mecanismos de vida da floresta.

Que momento mais o marcou enquanto escrevia o enredo que compõe a obra?

Isaías Oliveira - O capítulo Viagem ao círculo de luz. Foi claramente uma irradiação mediúnica. Eu tirei de um fôlego, sem parar. Simplesmente sentei-me, liguei o PC e escrevi. Sem pensar. Por que? Porque eu estava vendo mentalmente aquela cena.  Fui levado àquele “conclave” na clareira encantada, nessa dimensão do astral que envolve a todos nós no mundo tridimensionado.
Aqui cabe uma explicação:tanto meu pai quanto o homem perdido, Mestre Bené, eram médiuns. Assim como eu próprio e duas de minhas filhas, que hoje trabalham comigo no centro espírita Cedecom, uma Base de Mentalização que se dedica à proteção espiritual da Amazônia.

Quais os principais desafios para a escrita do livro?

Isaías Oliveira - Na verdade, não houve propriamente nenhum “desafio”. Eu já tinha uma agenda de livros para escrever e vinha trabalhando nisso nas horas vagas. Nesse período, entre 1983 e 2002, fiquei envolvido no meio político assessorando parlamentares, prefeitos e governadores e minha vida era muito atribulada. “A Dimensão dos Encantados” era apenas uma das ideias. Na verdade, já tinha começado outros dois romances – “Ana da Escadaria” e “A Casa do Fim da Rua”, ainda não publicados.
Mas aí surgiu a oportunidade. Quando fui trabalhar numa secretaria de governo somente um expediente, isso em 1997. Ficava de folga o período da tarde e me veio a vontade de começar a escrever as memórias do meu pai. No fim daquele ano assumi o cargo de subsecretário de Comunicação do governo do Amazonas, mas não dava mais para parar. O prólogo e o epílogo do livro registram as datas.

Onde podemos comprar seu livro?

Isaías Oliveira - O livro “A Dimensão dos Encantados” é publicado e vendido pela editora Biblioteca24Horas – www.biblioteca24horas.com.br.
E também na Amazon – https://www.amazon.com.br.

Quais seus principais objetivos como escritor? Pensa em publicar novos livros?

Isaías Oliveira - Bem direto: continuar escrevendo, divulgar o livro já publicado e publicar novos livros. Paralelamente: aos 65 anos, que completarei em julho, me aposentar até o fim do ano e ter mais tempo para escrever sobre a Amazônia. No meu trabalho mental/espiritual como médium tenho coletado um grande volume de conhecimentos sobre a Amazônia. Esse conhecimento transcendental precisa ser organizado e divulgado para que as gerações em formação despertem para a real finalidade desse “Jardim da Criação”, que é a nossa Terra; e para a importância do “Berçário de Vida”, que é a Amazônia.

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor Isaías Oliveira. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Isaías Oliveira - Primeiro, quero agradecer esse espaço privilegiado que a Revista Divulga Escritor me oferece. Nós, iniciantes, sabemos das dificuldades para publicar e mais ainda divulgar num espaço qualificado uma obra literária. Quanto à mensagem, pode parecer óbvio e oportuno, mas ela é: leiam! Não apenas o meu livro. A leitura engrandece a cultura do ser humano. E digo mais: passem adiante o conhecimento que adquirirem. Contem histórias aos seus filhos, publiquem suas histórias com o conhecimento que elas lhes proporcionaram.
Não esqueçam de que o maior ser humano que já pisou este planeta viveu neste plano numa época em que ler e escrever era privilégio de castas da nobreza. E mesmo assim Ele, contando histórias, deixou o maior legado filosófico e espiritual da nossa civilização.
E acreditem: da mesma forma que Ele, todos nós somos responsáveis pelo aperfeiçoamento da espécie humana nesta Terra abençoada. Tudo acontece a partir de um pensamento; e nós vivemos hoje em um mundo onde os nossos pensamentos podem alcançar a todos.

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segunda-feira, 5 de junho de 2017

DIA DO MEIO AMBIENTE: AMAZÔNIA – Oscar Benício dos Santos

Amazônia

Quando o verde da Amazônia esmaece
furtivo em criminosa fumaça,
nosso hipócrita planeta se esquece
ser o responsável pela desgraça. 

Agora o primeiro mundo carece,
- Já que seu triste verde se esgarça -
desse pulmão que a Amazônia oferece
em troca de algo, mas sem trapaça. 

Suprimiram seus índios e florestas,
de maneiras desumanas e funestas,
sem pensar no futuro do planeta. 

Hoje, furos na camada de ozônio
levaram o mundo a um pandemônio,
Receoso do raio ultravioleta. 


Oscar Benício Dos Santos
Faz. Guanabara


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