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quarta-feira, 5 de junho de 2019

JOSÉ VICENTE, REITOR DA FACULDADE ZUMBI DOS PALMARES, FAZ A PALESTRA DE ABERTURA DO CICLO DE CONFERÊNCIAS ‘VOZES D’ÁFRICA NA CULTURA BRASILEIRA’ NA ABL



Advogado, sociólogo e reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, José Vicente abre, na Academia Brasileira de Letras, o Ciclo de Conferências “Vozes d’África na cultura brasileira” sob a coordenação do Acadêmico e professor Domício Proença Filho. O evento está programado para o dia 6 de junho, quinta-feira, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr. (Avenida Presidente Wilson, 203, Castelo, Rio de Janeiro). Entrada franca.

A Acadêmica e escritora Ana Maria Machado é a coordenadora geral dos Ciclos de Conferências de 2019.

Serão fornecidos certificados de frequência.

O Ciclo terá mais duas conferências no mês de junho, às quintas-feiras, no mesmo local e horário. No dia 13, “O negro no cinema brasileiro”, com o Acadêmico e cineasta Carlos (Cacá) Diegues, e no dia 27, “Vozes d’África na música brasileira”, com o ator, escritor, produtor e sambista Haroldo Costa.

O CONFERENCISTA

José Vicente é Mestre em administração; Doutor em educação pela Universidade Metodista de Piracicaba; Fundador e presidente do Instituto Afro-brasileiro de Ensino Superior; Fundador presidente da Afrobras – Sociedade Afro-brasileira de Desenvolvimento Sociocultural; Membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República – CDES; Membro do Conselho de Autorregulação Bancária – Federação Brasileira de Bancos – Febraban; Membro do Conselho Superior de Responsabilidade Social da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP; Membro do Conselho Consultivo do Centro de Integração Empresa Escola – CIEE; Membro titular do Movimento Nossa São Paulo; Conselheiro diretor da Fundação Care/SP; Membro titular do movimento Todos pela Educação; Membro do Conselho do Memorial da América Latina; Fundador da Ong Afrobras; Reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares.

Filho caçula de boias-frias, José Vicente nasceu e cresceu no Morro do Querosene, bairro pobre de Marília, no interior de São Paulo. A partir dos 7 anos, trabalhou como engraxate, vendedor ambulante, pintor de paredes, entre muitas outras ocupações. Aos 21 anos, tendo cursado somente até o 2.° ano do Ensino Médio, foi soldado da Polícial Militar e mudou-se para a capital paulista. A vida de José Vicente começou a se modificar quando entrou em bandas marciais da cidade, dentre elas a da Associação de Ensino de Marília. Através da banda, conseguiu um emprego na área administrativa da Faculdade de Odontologia.

Na década de 90, quando Vicente ganhava a vida como advogado criminalista, também encabeçava um grupo de pessoas que conseguiam bolsas de estudos para negros em universidades particulares. Em 1997, fundou a Afrobras, ONG que existe até hoje e administra a faculdade. Em 2004, após a colaboração de diversas pessoas e empresas, começavam as aulas na Zumbi dos Palmares. Hoje são oferecidos cinco cursos (Administração, Direito, Publicidade, Pedagogia e Tecnologia de Transportes Terrestres).

30/05/2019



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A ÁRVORE E O COGUMELO – Oscar Benício dos Santos


A Árvore e o Cogumelo


05 de junho, Dia do Meio Ambiente


O Big Bang foi o início de tudo, 
pulverizando de astros o nada.
E o Planeta Terra, só e desnudo,
logo sentiu a vida despertada.


A célula (cissípara) inicial 
dividiu-se e, uma a uma cada,
bipartiu-se sob força vital,
dando origem à celular camada...


...e o vento da vida soprou forte!
Agora, a humanidade suicida,
sem amor, sem paz e sem norte,


abandonou-o à malfadada sorte
– transmudando a árvore da vida
em sombrio cogumelo da morte!



Oscar Benício dos Santos, 
poeta itabunense.
1926 - 2019

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terça-feira, 4 de junho de 2019

EUCLIDES NETO E SEU ROMANCE MACHOMBONGO – Cyro de Mattos



 Euclides Neto e Seu Romance 
Machombongo 
Cyro de Mattos

          Se com o romance Comercinho do Poço Fundo e a novela Os genros o ficcionista Euclides Neto passa a ocupar um lugar de destaque na expressiva literatura da região cacaueira na Bahia, é com o livro Machombongo que o escritor de Ipiaú consegue realizar a sua obra de ficção mais bem estruturada em termos de novelística moderna.

          Escritor que dá, em alguns de seus romances, um testemunho significativo de acontecimentos e vivências nas terras do cacau, outrora ricas, registrando emoções, expressões e cenas típicas de uma realidade que tão bem conhece, Euclides Neto não coloca no coração do camponês a alegria que ele não possui. Não caminha também por certo regionalismo espiritual em que as impressões colhidas pelo ficcionista vão formando o clima da história, a atmosfera que sustenta a narrativa, deixando num plano secundário o ambiente onde os personagens vão mover seu drama.

          Euclides Neto não transfigura a realidade da região cacaueira na Bahia e nesta não instaura um império de tragicidade por onde as criaturas terão de inexoravelmente cavar as próprias sepulturas. O seu compromisso é antes de tudo com a realidade social, de exploradores e explorados em torno da lavoura cacaueira, da terra que brota o seu processo econômico com novos aspectos nos tempos atuais.

          Escritor experimentado, fiel à problemática social de sua região, Euclides Neto evita a gratuidade de certo esteticismo regionalista. Com um estilo vigoroso, impregnado de oralidade, muitas vezes com a linguagem recriada de maneira feliz, o romancista em Machombongo mais uma vez mostra ser conhecedor de sua arte, da psicologia de sua gente, da condição de miséria em que populações abandonadas vivem em sua região. E com isso nos dá em Machombongo um romance que é o resultado bem-acabado de ficção imbricada na realidade, envolvendo aspectos sociais, econômicos e culturais do homem como animal político.

         
 Machombongo trata dos desmandos do deputado Rogaciano, homem prepotente e atrabiliário, fazendeiro de cacau e pecuária, que antes do golpe militar de 64 já possuía muitas terras, mas que foi ampliando seu império durante o tempo da ditadura, quando passou a ter ampla influência na vida dos habitantes de sua região, no sudoeste baiano. Romance poderoso, de tema atual, relato da escalada ao poder do deputado Rogaciano em um teatro típico, com suas implicações psicológicas do coronel da região cacaueira na Bahia.

          Romance que, se fosse assinado por Jorge Amado, teria certamente grande ressonância no Brasil e, como sempre, correria o mundo.


Cyro de Mattos é poeta e escritor.

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OGUM OXALÁ ANTONIO! - Antonio Nunes de Souza



Estamos, com muita alegria e fé, entrado nas famosas e religiosas novenas do meu querido e padroeiro Santo Antonio!
Geralmente, essa linda celebração, vai até o dia treze de junho que é o dia que foi consagrado para sua pessoa, ou santidade.

Contudo, como junho é o mês das grandes festanças com licores, pamonhas, bolos, fogueiras, fogos, etc., muitos dos devotos fazem suas rezas e orações até o dia vinte e quatro, ou seja, no famoso festejo dedicado a São João. Isso quando não vão até o final do mês encontrado com São Pedro, o velho e querido santo que, além de porteiro do céu, na terra é o grande padroeiro e defensor das viúvas!

Nosso Santo Antonio, conhecido e batizado em outras seitas como no Candomblé e Macumba, como o Orixá OGUM. É respeitado e dignificado com as mais completas honrarias em todo mundo, pois, naturalmente, foi instituído como o maior fazedor de casamentos, estimulando os namorados, noivos e aos solteiros também, para que logo formem as suas famílias pela união divina! Milhares de pessoas, seus fiéis, juram que Ele é eficiente e eficaz nessa área casamenteira!

Essa é o começo das preparações juninas que, para nossa alegria, são trinta dias de alegrias, forrós, namoricos, boas comilanças e, principalmente, fazendo com que o povo esqueça um pouco das agonias e faltas de assistências básicas!

Começamos com OGUM (nosso Santo Antonio) e terminamos dando vivas aos festeiros São João e São Pedro!

Antonio Nunes de Souza, escritor
Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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segunda-feira, 3 de junho de 2019

ITABUNA CENTENÁRIA REFLETINDO: E depois?


E depois?

Por que deixamos tudo para depois?
Depois eu ligo.
Depois eu faço.
Depois eu falo.
Depois eu mudo.
Depois eu vou
Depois, Depois?!

Deixamos tudo para depois, como se depois fosse o melhor.

O que não entendemos é que…
Depois o café esfria,
Depois a prioridade muda,
Depois o encanto se perde,
Depois o cedo fica tarde,
Depois a saudade chega,
Depois o remorso se instala,
Depois tanta coisa muda,
Depois os filhos crescem,
Depois a gente envelhece,
Depois o dia anoitece,
Depois tudo se perde.
Depois a vida acaba.

Não deixe nada para depois,
porque na espera do depois,
você pode perder os melhores momentos,
 as melhores experiências,
os melhores amigos,
as maiores oportunidades,
o grande amor,
e todas as graças e as bênçãos que Deus tem para você.

Lembre-se que o depois pode ser tarde demais.
O depois é o inimigo do agora. 
Portanto, o dia é hoje, e a ação é Agora!


(Recebi via WhatsApp. Autor não mencionado)

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SERES DE LUZ – Leonardo Boff



Nós todos somos seres de luz. 
Fomos formados originalmente no coração 
das grandes estrelas vermelhas, 
no corpo, no coração e na mente. 
há bilhões de anos. 
Carregamos luz dentro de nós,

 
A luz constitui um dos maiores mistérios do universo. Somente entendendo-a ao mesmo tempo como partícula material e como onda energética podemos ter uma compreensão mais profunda das dimensões da luz. Hoje sabemos que todos os seres vivos emitem luz, biofotons, a partir das células da DNA. Por isso todos nós irradiamos uma bela e brilhante aura.

Fazia-se e faz-se ainda hoje a impressionante comparação com o Sol, com seus raios de luz, que nasce como uma criança. Na medida em que o Sol sobe no firmamento, vai crescendo como um adolescente até chegar à idade adulta ao meio-dia. Pela tarde vai definhando até ficar velho e morrer atrás da linha do horizonte. Mas, passada a noite, ele volta a nascer, limpo, brilhante, sorridente como uma criança.

Como não o celebrar festivamente? Como não o entender como sinal da realidade originadora de todas as coisas?  Nós todos somos seres de luz. Fomos formados originalmente no coração das grandes estrelas vermelhas, há bilhões de anos. Carregamos luz dentro de nós, no corpo, no coração e na mente. Especialmente a luz da mente nos permite compreender os processos da natureza e penetrar no íntimo das pessoas... E assim perceber a grandiosidade e o mistério luminoso do amor de Deus.
 

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domingo, 2 de junho de 2019

ERA UMA VEZ UM SEM-TERRA… Francisco Machado


1 de junho de 2019

Aquilino Sirtoli


·        Francisco Machado

Nas cercanias da cidade de Ronda Alta (RS), no acostamento de uma estrada, aproximadamente 1000 famílias de sem-terra encontravam-se acampadas.

Certo dia, nos idos de 1980, elas receberam a visita do Coronel Sebastião Curió. Este militar perguntou-lhes: gostariam de ir para o norte do Mato Grosso? Era terra promissora no centro-oeste do Brasil, ainda não desbravada.

A proposta era tentadora: o governo bancava a mudança em caminhão, oferecia grátis aos interessados viagem de ônibus, concedia 200 hectares para o plantio e cada família receberia, durante 18 meses, um salário mínimo.

Assim, ambas as partes ganhavam: os sem-terra sairiam das condições inumanas e degradantes do acampamento. O governo colonizaria o interior do país, trazendo desenvolvimento, prosperidade e desinflaria a agitação agrária nascente no agrupamento que se transformaria no MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

Com a desaprovação do líder do acampamento, João Pedro Stedile, Aquilino Sirtoli, de Tapejara, foi uma das 205 famílias que aceitaram a benéfica e vantajosa proposta.

Com a esposa, Jurema e a filhinha de 6 anos foram para o Mato Grosso, numa viagem de três dias, no final da qual recebeu, conforme prometido, 200 hectares de terra.

Hoje, com 70 anos, Aquilino relembra as agruras que passou no acampamento: “A gente era da roça, morávamos num barranco de beira de estrada. Era como pegar uma favela e trazer para cá”, diz Aquilino, com seu inseparável chimarrão. “O governo juntou nossos caquinhos, botou num caminhão e viemos. Chegamos aqui era só terra e mosquito, a única coisa que havia era um batalhão do Exército”, acrescenta.

No início foi difícil. — “Eu pensei em voltar, mas a Jurema me impediu. Ela me disse: ‘Você não dizia que ia vir mesmo sem mim? Agora, nós vamos ficar’. E graças a Deus nós ficamos” — afirma ele.

Após cinco meses morando debaixo de uma lona, ele conseguiu construir sua primeira casa de madeira. Enfrentou também dificuldades com o plantio. O Instituto Nacional para Colonização e Reforma Agrária (Incra), proibia que se plantasse soja.

— “Queriam que a gente cultivasse só frutas e hortaliças para subsistência, diziam que assim era a reforma agrária”, afirma.

Enfrentando toda espécie de problemas, Aquilino não desistiu. No Banco do Brasil pegou seu primeiro empréstimo. Não conseguiu pagá-lo. Ficou com o crédito bloqueado. Perseverou e em 1985 conseguiu comprar um trator, acrescentando que levou mais cinco anos para sair do sufoco.

Em 1990, no Mato Grosso, com o boom da soja, Aquilino conseguiu prosperar. Comprou mais terras. Aumentou a produção. Plantou soja e milho. Emprega hoje, quatro famílias. Tem três filhos trabalhando na terra. Ele diz ter uma admiração enorme pelos militares que o levaram para o Centro-Oeste. 

Ele não concorda com as táticas empregadas pelo MST, movimento de cujo embrião ele, de uma certa forma, participou.

— “O MST é das piores coisas que existem. Invadir as terras dos outros, queimar as coisas, fazer maldade, isso não funciona”, declarou o Sr. Aquilino, acrescentando: “Eu nunca me envolvi com política. Eu só queria plantar”.

Aquilino e sua família moram hoje em Lucas do Rio Verde, cidade que enriqueceu com as culturas do milho e da soja, que cresce em ritmo extraordinário. Com 65 mil habitantes, dobrou de tamanho nos últimos 10 anos. Das 205 famílias pioneiras, 150 já tinham voltado para o Sul nos primeiros dois anos.

Hoje o ex-sem-terra, Aquilino Sirtoli, é dono de fazenda com dois mil hectares (10 vezes o lote original) no Mato Grosso e proprietário de confortável casa no centro de Lucas do Rio Verde (350 km de Cuiabá).

O leitor não concorda, depois desse exemplo, que é melhor ensinar a pescar do que dar o peixe? Deus Nosso Senhor deu ao homem inteligência, saúde e outros dons, que, como sementes, devemos cultivar e fazer prosperar. Assim procedeu o Sr. Aquilino, o ex-sem-terra e hoje próspero fazendeiro.

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