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terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

A FOTO DA EXCLUSÃO – Péricles Capanema


18 de fevereiro de 2020
Péricles Capanema

Outro possível título para este artigo: a política da exclusão. Exclusão, dilaceração social, tensão, vamos falar a respeito. Em 13 de fevereiro (ocasião de perplexidade) o Papa Francisco recebeu no Vaticano, em cordial reunião privada de uma hora, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Praticamente nada foi dito, nem precisava, todos entenderam; política é, em larga medida, imagem.

A Santa Sé não emitiu comunicado sobre a audiência, amplamente noticiada nos meios de divulgação do mundo inteiro. Falar o quê? O chefão petista foi discreto na primeira manifestação: “Encontro com o Papa Francisco para conversar sobre um mundo mais justo e fraterno”. O mais importante em tais ocasiões é a “photo opportunity” e Lula alcançou por inteiro o intento, divulgação mundial. Leonardo Boff comentou satisfeito: “Esse encontro corresponde a um desejo mútuo. Em março, haverá o grande encontro internacional ‘Economia de Francisco’, onde o Papa propõe aos jovens economistas políticas contra a desigualdade social nos países. Quem tem experiência de diminuir a desigualdade, incluir 36 milhões de pessoas na cidadania é Lula, e o Papa queria não só ler, como conversar, saber como se faz isso. É muito possível [a participação de Lula no mencionado encontro dos economistas engajados] porque quando houve o encontro pela primeira vez dos movimentos sociais populares, em Roma, Evo Morales quis participar e os organizadores da cúria proibiram. O papa interveio, disse ‘Evo Morales vem de baixo, é indígena, é meu convidado direto’ e participou. Creio que dessa vez haverá a mesma lógica”. Como Leonardo Boff, exultaram um sem-número de comunistas.

Continuo do mesmo jeito, católico e devoto do Papado; contudo, arrastado pela força incoercível da mais simples lógica, ecoando milhões de irmãos na fé, deploro até o fundo a referida entrevista e as circunstâncias que a cercaram. Representa enorme, revelador e, no caso, escandaloso apoio do Sucessor de Pedro a Lula e ao partido acaudilhado por ele. E por mais doloroso que possa ser para um católico, “veritas liberabit vos” (Jo 8, 32) — não vou tapar o sol com a peneira —, o Papa Francisco se comportou no caso como vem agindo a CNBB há décadas, companheira de viagem dos objetivos petistas no Brasil.

Tal procedimento empurra o Brasil para o atraso hoje padecido, entre outros países, por Cuba e Venezuela, pobres cobaias do veneno socialista. Esse retrocesso, lembro ainda, coloca-nos mais perto da submissão inteira à China e à Rússia. Finalmente, é fator de empobrecimento, crueldade notória para com os pobres, pois lhes barra o caminho para uma existência decente e possibilidades de crescer na vida. Desesperados pela fome e pela atrofia generalizada de alto a baixo da sociedade, milhões deles acabam tentando escapar como podem dos países torturados pela utopia que intoxica o PT e enormes setores eclesiásticos.

Há mais. A conduta costumeira da CNBB, useira e vezeira da opção preferencial pelas minorias revolucionárias mais radicalizadas — e agora, infelizmente, também adotada no recente gesto do Papa Francisco —, ademais de favorecer a eliminação do que ainda resta de ordem temporal cristã, afasta a maioria do povo da área de influência da Igreja, e assim cria obstáculos para a difusão do Evangelho na parcela da população mais sensível a suas palavras. De outro modo, metralha possibilidades de evangelização.

Viro a página. Que efeitos duradouros terá a reunião cordial do Papa Francisco com o morubixaba do PT no Judiciário e nas eleições municipais deste ano? Sobre o povo em geral? No Judicário, não dá para saber; uma coisa ao menos se percebe de plano, em nada atrapalhará a defesa de Lula e dos acusados das roubalheiras amazônicas que padeceu o Brasil.

O outro ponto, nas eleições de outubro próximo? Em 2022? O escandaloso encontro ajudará eleitoralmente o PT e seus aliados? Alentadas por ele, tubas da propaganda internacional e boa parte da interna tentam enfunar as velas da esquerda. Conseguirão?

Caminhemos devagar, de olho sobretudo nos sintomas que denotam o que se passa no interior das consciências, ali está o âmbito decisivo para o futuro pátrio. Por oportuna, uma recordação. Em de 13 de novembro de 1975 o Conselho Nacional da TFP divulgou documento intitulado “Não se iluda, Eminência” endereçado ao cardeal dom Paulo Evaristo Arns (íntegra em “Catolicismo” 299/300, a coleção está na rede), criticando a posição favorecedora da subversão comunista que o episcopado paulista reunido em Itaici havia tomado. Advertiu: “Não se iluda, Eminência. Atitudes como a dos signatários do documento de Itaici vão abrindo um fosso cada vez maior, não entre a religião e o povo, mas entre o Episcopado paulista e o povo. A Hierarquia paulista, na própria medida em que se omite no combate à subversão comunista, vai se isolando no contexto nacional. A Hierarquia paulista tanto menos venerada e querida vai ficando, quanto mais bafeja a subversão”.

O fenômeno para o qual a TFP chamou a atenção em 1975 pode se repetir agora pela ação em especial do mesmo “sensus fidei”, que agiu lá, e pode agir hoje de novo. O senso da fé faz as pessoas perceberam nos seus pastores o timbre da voz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Quando não a ouvem, em atitude de fidelidade à doutrina da Igreja, afastam-se, um fosso vai se agigantando. Aconteceu repetidas ocasiões ao longo da História. “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem” (Jo 10, 27).

De olho em particular no “sensus fidei”, observemos ao longo dos dias as repercussões da funesta “photo opportunity” do dia 13 de fevereiro em Roma. Se há motivos para preocupação (e os há), inexistem justificativas para o abatimento. A maioria do Brasil (os verdadeiros excluídos) não deve e não pode se abater. É preciso resistir ao empurrão.



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segunda-feira, 3 de junho de 2019

SERES DE LUZ – Leonardo Boff



Nós todos somos seres de luz. 
Fomos formados originalmente no coração 
das grandes estrelas vermelhas, 
no corpo, no coração e na mente. 
há bilhões de anos. 
Carregamos luz dentro de nós,

 
A luz constitui um dos maiores mistérios do universo. Somente entendendo-a ao mesmo tempo como partícula material e como onda energética podemos ter uma compreensão mais profunda das dimensões da luz. Hoje sabemos que todos os seres vivos emitem luz, biofotons, a partir das células da DNA. Por isso todos nós irradiamos uma bela e brilhante aura.

Fazia-se e faz-se ainda hoje a impressionante comparação com o Sol, com seus raios de luz, que nasce como uma criança. Na medida em que o Sol sobe no firmamento, vai crescendo como um adolescente até chegar à idade adulta ao meio-dia. Pela tarde vai definhando até ficar velho e morrer atrás da linha do horizonte. Mas, passada a noite, ele volta a nascer, limpo, brilhante, sorridente como uma criança.

Como não o celebrar festivamente? Como não o entender como sinal da realidade originadora de todas as coisas?  Nós todos somos seres de luz. Fomos formados originalmente no coração das grandes estrelas vermelhas, há bilhões de anos. Carregamos luz dentro de nós, no corpo, no coração e na mente. Especialmente a luz da mente nos permite compreender os processos da natureza e penetrar no íntimo das pessoas... E assim perceber a grandiosidade e o mistério luminoso do amor de Deus.
 

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segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

BOFF: “SÉRGIO MORO É PAU-MANDADO” – Péricles Capanema

19 de Janeiro de 2018     

                                                                 
         Péricles Capanema   


O Brasil assiste atônito à inusitada tentativa de acovardar o Judiciário. Fervilham as redes sociais. Os morubixabas e corifeus da esquerda berram a todos os ventos enodoando os juízes. O manifesto “Eleição sem Lula é fraude” é disso claro exemplo.

Tuíte do ex-frei Leonardo Boff [foto acima]: “Não há nenhuma escritura que mostra Lula ser dono do tríplex de Guarujá. Nunca morou lá. Nunca dormiu lá. É condenado por ilações. Moro peca contra a virtude principal de todo juiz: a imparcialidade. Ele só persegue e quer acabar com ele. As ordens vêm de cima. Ele é pau mandado”.

O velho demagogo começa assim o ataque boçal: “Não há nenhuma escritura”. Bem, escritura sem registro não garante a propriedade perante terceiros. A propriedade se prova pela matrícula (registro). Boff tem o vezo de escrever taxativamente do que não entende e sempre em mau português.

Aqui repete o costume. Põe de lado um expediente antigo de malandros brasileiros: o laranja. Umas das possibilidades, o tríplex da propina (é o que dizem o chefe da OAS e outros) poderia até ficar em mãos de laranjas, nunca seria formalmente de Lula, mas o processo foi truncado.

Desce mais: “Nunca morou lá”. Existem milhares de donos de apartamentos que nunca moraram nos imóveis. “Nunca dormiu lá”. Dormir num imóvel é prova de propriedade? “É condenado por ilações. Moro só persegue [a ele]”. Mentira alvar.

O magistrado condenou políticos de outros partidos, doleiros, empresários. O inescrupuloso demagogo não se detém diante da mentira descarada. As ordens vem [sic!] de cima. De fato, o português do enfurecido aldabrão tem o mesmo nível da argumentação, vale nada.

Ele tem alguma prova, ou o mais leve indício, de que Sérgio Moro recebe ordens de pessoas bem situadas? É calúnia [imputação falsa de fato definido como crime]. “Ele é pau mandado”. A objurgatória suprime a decência do magistrado, reduzido a condição infame de pau-mandado.

No caso, Leonardo Boff condena arrogantemente Sérgio Moro ao pelourinho da opinião pública com base em ilações delirantes. Ele pode caluniar por ilação.

A lógica impõe, as acusações valerão para os três desembargadores que julgarão o recurso em 24 de janeiro próximo, caso decidam, com base nos autos, pela condenação de Lula.

Ponderei sobre a campanha de intimidação. Outro tuíte na mesma direção, agora de Emir Sader, professor aposentado da USP (é o nível a que despencou parte da intelectualidade):

“Sim, Moro, o Lula tem 9 dedos (nine, como vc gosta de falar, no seu idioma preferido). Mas tem caráter integral [quis dizer íntegro, provavelmente], ao contrário de vc, juizeco a serviço da elite corrupta do Brasil”.

Pelas redes, João Pedro Stédile, líder do MST, divulgou vídeo amedrontante. Falando no plural, citou como determinação conjunta de 88 partidos e movimentos populares irem a Porto Alegre de 22 a 24 de janeiro para deixar claro ao Poder Judiciário que “eleição sem Lula é fraude e [que] impediremos qualquer retrocesso democrático [quis dizer antidemocrático]”. O aqui soturno “impediremos” abre a porta para todo tipo de conjeturas sinistras.

São exemplos de lideranças atiçando nas bases o ódio contra o Judiciário. Ou cede ou haverá consequências graves. Estamos diante de apocalíptico movimento de aterrorização do Poder Judiciário, nunca havido no País.

Parece claro, seus mentores têm esperança de êxito, ainda que parcial. E também é claro, os juízes estão pensando no que poderão sofrer não apenas eles, mas os filhos, esposas, pais, parentes, amigos. Não será a primeira vez, é o que sucede ao lado, na Venezuela, aconteceu em Cuba, existe na China e na Coreia do Norte, onde governam irmãos ideológicos do PT.

Roberto Veloso, presidente da AJUFE (Associação dos Juízes Federais do Brasil) manifestou temor generalizado na classe quanto à segurança pessoal e quanto à segurança dos prédios públicos: “As ameaças estão sendo públicas, não estão sendo veladas. Temos assistido a vídeos com ameaças públicas”.

A esperança do PT e da frente totalitária em que se integra é, repito, pela intimidação acovardar o Judiciário. Conseguirão? Da resposta a esta questão pode depender o futuro do Brasil. Acarneirado, com a maioria do povo padecendo exclusão e preconceito ou altivo e independente.

Lembro a altanaria tranquila do Judiciário, mesmo nos tempos do absolutismo real. Anos atrás escrevi artigo, “A escabrosa desapropriação da Fazenda Limeira”, do qual pinço: “No século 18, um simples moleiro, diante da pressão de Frederico da Prússia, rei absoluto e grande guerreiro, de expropriar sua propriedade para ali fazer uma extensão do jardim do palácio de ‘Sans Souci’, negou argumentando que naquela terra seu pai havia falecido e seus filhos haveriam de nascer.

O monarca absoluto insistiu, afirmando que poderia lhe tomar a propriedade. O moleiro respondeu tranquilo com palavras singelas, cujos ecos todos os séculos recolhem emocionados: ‘Ainda existem juízes em Berlim’. O rei desistiu, o moinho ficou no meio dos jardins, atestando o império da lei”.

Para que a lei impere é indispensável juízes imparciais, refratários a qualquer tipo de pressão, mesmo as mais violentas. Esperemos que, passada a presente tormenta das pressões à moda da KGB ou Gestapo, possamos constatar o caminho da liberdade ainda aberto. Vamos torcer e rezar.


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