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quinta-feira, 21 de março de 2019

ACIDENTE DE PERCURSO! - Antonio Nunes de Souza


Com a zoada peculiar de suas sirenes, chegavam carros da polícia, já com bastante atraso para pegar os ladrões assassinos que assaltaram o Motel “Amor a Dois” e, por uma grande infelicidade, fui chamada pela direção, uma vez que a pessoa assassinado pelos bandidos era o meu querido e estimado marido Miguel!

Eu chorava com pena do coitado e, ao mesmo tempo, com raiva de ter sido traída pelo cretino, homem boníssimo, excelente pai de família, marido exemplar, cidadão respeitável na sociedade, sem defeitos nenhum aparentes e, de uma hora pra outra me vejo com ele morto em função de estar transando e me enganando num motel. Não sabia se tomava providencias para que fosse levado o corpo o mais rápido possível para o necrotério, ou se abandonava aquele lugar desprezando o marido que eu amava e confiava seriamente. Mas, decepcionada com o vil comportamento!

Já em casa, confortada por amigos e parentes, nossos dois filhos ainda pequenos, não entendiam o âmago da questão, providenciei o velório, sepultura e enterro, uma vez que, mesmo traída, era a pessoa indicada para tomar a frente de toda situação!

Passados uns 15 dias fui chamada pelo banco Bradesco, pois, sem que eu soubesse, havia um seguro por morte que meu marido havia feito, no valor astronômico de um milhão de reais, colocando-me como a beneficiária. Isso me fez chorar novamente de alegria e raiva, pois preferia que ele estivesse vivo e continuasse sendo o homem maravilhoso da minha vida!

Herdei também a sua loja de tecidos e vestuários, muito bem equipada, excelente estoque, dinheiro em caixa e nenhum débito nem pendente, nem a vencer. Ele era um ótimo empreendedor e negociante de primeira linha. Porém, um traidor de qualidade impecável, pois, jamais me deu pistas ou razões para desconfianças!

O fato é que devemos nos preparar para os acidentes de percursos, pois podem acontecer inesperadamente, nos deixando perplexos e boquiabertos, além de uma série de descontentamentos. Sendo pior quando além da tragédia, ainda aparecem quantidades enormes de pepinos e dívidas acumuladas. No caso que estamos tratando tudo foi de benefícios, deixando apenas a sequela da inesperada traição!

Nunca deixe de estar preparada pra essas e outras surpresas que podem despontar em sua calma e suave vida, todos nós estamos passivos de tais angústias e desesperos!


Antonio Nunes de Souza, escritor
Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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DEUS É CULPADO?

Ligue o vídeo abaixo:




Finalmente a verdade foi dita na TV Americana.

A filha de Billy Graham estava sendo entrevistada no Early Show e Jane Clayson perguntou a ela: 'Como é que Deus teria permitido algo horroroso assim acontecer no dia 11 de Setembro?'

Anne Graham deu uma resposta profunda e sábia: 'Eu creio que Deus ficou profundamente triste com o que aconteceu, tanto quanto nós. Por muitos anos temos dito para Deus não interferir em nossas escolhas, sair do nosso governo e sair de nossas vidas. Sendo um cavalheiro como Deus é, eu creio que Ele calmamente nos deixou.

Como poderemos esperar que Deus nos dê a sua bênção e a sua proteção se nós exigimos que Ele não se envolva mais conosco?' À vista de tantos acontecimentos recentes; ataque dos terroristas, tiroteio nas escolas.

Eu creio que tudo começou desde que Madeline Murray O'hare (que foi assassinada), se queixou de que era impróprio se fazer oração nas escolas Americanas como se fazia tradicionalmente, e nós concordamos com a sua opinião. Depois disso, alguém disse que seria melhor também não ler mais a Bíblia nas escolas. A Bíblia que nos ensina que não devemos matar, roubar e devemos amar o nosso próximo como a nós mesmos. E nós concordamos com esse alguém.

Logo depois o Dr. Benjamin Spock disse que não deveríamos bater em nossos filhos quando eles se comportassem mal, porque suas personalidades em formação ficariam distorcidas e poderíamos prejudicar sua auto estima (o filho dele se suicidou) e nós dissemos: 'Um perito nesse assunto deve saber o que está falando'. E então concordamos com ele.

Depois alguém disse que os professores e diretores das escolas não deveriam disciplinar nossos filhos quando se comportassem mal. Então foi decidido que nenhum professor poderia disciplinar os alunos (há diferença entre disciplinar e tocar).

Aí, alguém sugeriu que deveríamos deixar que nossas filhas fizessem aborto, se elas assim o quisessem. E nós aceitamos sem ao menos questionar.

Então foi dito que deveríamos dar aos nossos filhos tantas camisinhas, quantas eles quisessem para que eles pudessem se divertir à vontade. E nós dissemos: 'Está bem!'

Então alguém sugeriu que imprimíssemos revistas com fotografias de mulheres nuas, e disséssemos que isto é uma coisa sadia e uma apreciação natural do corpo feminino. E nós dissemos: 'Está bem, isto é democracia, e eles tem o direito de ter liberdade de se expressar e fazer isso'. Depois uma outra pessoa levou isso um passo mais adiante e publicou fotos de crianças nuas e foi mais além ainda, colocando-as à disposição na internet.

Agora nós estamos nos perguntando porque nossos filhos não têm consciência e porque não sabem distinguir o bem e o mal, o certo e o errado; porque não lhes incomoda matar pessoas estranhas ou seus próprios colegas de classe ou a si próprios.

Provavelmente, se nós analisarmos seriamente, iremos facilmente compreender: nós colhemos só aquilo que semeamos!
É triste como as pessoas simplesmente culpam a Deus e não entendem porque o mundo está indo a passos largos para o inferno.
É triste como cremos em tudo que os Jornais e a TV dizem, mas duvidamos do que a Bíblia diz.
É engraçado como somos rápidos para julgar, mas não queremos ser julgados.

(Recebi via WhatsApp)

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quarta-feira, 20 de março de 2019

A BASÍLICA DE SÃO JOÃO DE LATRÃO E O ARCO DO TRIUNFO – Plinio Corrêa de Oliveira


20 de março de 2019

O açodamento da vida moderna dificulta a boa compreensão dos monumentos históricos

Plinio Corrêa de Oliveira

A primeira foto apresenta a Basílica de São João de Latrão na sua dignidade e distinção de rainha autêntica, mas muito materna. Ao seu lado correm motocicletas e automóveis, com seus ruídos de motores a explosão, corre o formigar de vida moderna. Europeus e turistas do mundo inteiro passam por ali, mas pensando em outras coisas, e não dão o verdadeiro valor à Basílica, que não é tão visitada como merece.

Ela causa a impressão de uma rainha em toda sua majestade e dignidade. Mas não é bem compreendida, pois as pessoas modernas não têm pressupostos para entendê-la, não têm olhos para ver, ouvidos para ouvir, e sobretudo intelecto para entender a majestade do monumento.

No corre-corre da Europa nova as pessoas não mais compreendem a alma da Europa velha. Muitos turistas vão visitar seus belos monumentos, mas admiram mais as novidades do mundo moderno e da técnica.

Na linha “Ambientes e Costumes”, podemos confrontar a Basílica de São João de Latrão com o Arco do Triunfo, em Paris [segunda foto]. É um monumento neoclássico, erigido para celebrar vitórias de Napoleão Bonaparte, portanto estampa uma carranca napoleônica, mas incontestavelmente tem seu mérito.

Situado bem no centro de avenidas muito movimentadas como a Champs-Elysées, um mundo de turistas passa por ele, entretanto sem analisá-lo em profundidade, pois estão mais atraídos pela agitação e os prazeres da vida moderna. Apesar disso, eles são atraídos também por uma vaga ideia de que a velha Europa ainda existe.
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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 9 de novembro de 1965. Esta transcrição não passou pela revisão do autor. Fonte: Revista Catolicismo, Nº 819, Março/2019.




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PRESIDENTE BOLSONARO ENCANTA EUA E A GLOBO BABA ÓDIO (VEJA O VÍDEO) - Luiz Carlos Nemetz


20/03/2019

É impressionante a desfaçatez de grande parte dos comentaristas dessa emissora podre.

Primeiro, que não respeitam a figura política do Chefe da Nação, legitimamente eleito, omitindo em todos os noticiários e vinhetas a sua prerrogativa de "Presidente".

Segundo que, quem só vê a Globo, pode pensar que a viagem está sendo uma tragédia.
Só que não! Está sendo é um sucesso!

A mídia americana em peso e a imprensa internacional estão repercutindo a verdade, reportando o enorme êxito desta histórica missão brasileira.

São várias as conquistas, em muitos setores:
O reposicionamento do Brasil no cenário diplomático internacional, com a retomada do seu protagonismo geopolítico e econômico como expressão de grande potência e de país líder em toda a América Latina;

Os acordos comerciais nas áreas de agricultura, tecnologia e segurança (para ficarmos somente em alguns);

A retomada da confiança internacional que vai reaproximar o Brasil dos investidores; as deferências oferecidas pelo Governo americano ao Chefe de Estado do Brasil e sua comitiva.
Nada, nada, nada disso tem peso ou valor para esse conglomerado decadente de comunicação.

É claro que devemos desligar das emissoras Globo.

Mas a safadeza não pode e não vai passar em brancas nuvens.

As massas não dormem e o mal que essa gente tenta fazer ao país precisa ser, a todo o tempo, denunciado e enfrentado.

Se eles têm o direito e a liberdade de maquiar a verdade e tentar induzir os espectadores em erro; nós temos o dever à crítica, expondo seus ridículos marionetes e ventríloquos.

A Globo é um lixo e como lixo deve ser tratada! Click!

Assista ao meu vídeo (se inscreva no meu canal):

Advogado.Vice-presidente e Chefe da Unidade de Representação em Santa Catarina na empresa Câmara Brasil-Rússia de Comércio, Indústria e Turismo e Sócio na empresa Nemetz & Kuhnen Advocacia.
@LCNemetz


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terça-feira, 19 de março de 2019

O DOM DA ADOÇÃO FILIAL - Dom Athanasius Schneider


16 de março de 2019
A fé cristã, única religião verdadeira e desejada por Deus

Dom Athanasius Schneider*

A verdade da filiação divina em Cristo, que é intrinsecamente sobrenatural, é a síntese de toda a revelação divina. A filiação divina é sempre um dom gratuito da graça, o dom mais sublime de Deus para a humanidade. No entanto esse dom é obtido somente através da fé pessoal em Cristo e da recepção do batismo, como o próprio Senhor ensinou: “Em verdade, em verdade vos digo: se alguém não nasce da água e do espírito, não pode entrar no Reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do espírito é espírito. Não vos surpreendais por eu ter dito que deveis nascer de novo” (João 3, 5-7).

Nas décadas passadas, ouviam-se muitas vezes, mesmo da boca de alguns representantes da hierarquia da Igreja, declarações sobre a teoria dos “cristãos anônimos”. Essa teoria diz o seguinte: a missão da Igreja no mundo consistiria, em última análise, em suscitar em cada homem a consciência de que deve ter a sua salvação em Cristo, e portanto em sua filiação divina, posto que, de acordo com a mesma teoria, cada ser humano já teria a filiação divina na profundidade de sua pessoa. Contudo, tal teoria contradiz diretamente a revelação divina tal como Cristo a ensinou e como seus apóstolos e a Igreja sempre a transmitiram por dois mil anos, de forma imutável e sem sombra de dúvida.

Igreja de São Roque, em Ajaccio, Córsega
Foto: Frederico Viotti
Em seu ensaio Die Kirche aus Juden und Heiden (A Igreja proveniente dos judeus e gentios), o conhecido convertido e exegeta Erik Peterson alertou em 1933 contra o perigo de tal teoria, afirmando que não se pode reduzir o ser cristão (Christsein) à ordem natural, na qual os frutos da redenção operada por Jesus Cristo seriam geralmente atribuídos a cada ser humano como uma espécie de herança, simplesmente porque compartilham a natureza humana com o Verbo Encarnado. Pelo contrário, a filiação divina não é um resultado automático, garantido pelo fato de pertencer à espécie humana.
Santo Atanásio (cf. Discurso contra os Arianos [Oratio contra Arianos], II, 59) nos deixou uma explicação simples e ao mesmo tempo precisa da diferença entre o estado natural dos homens como criaturas de Deus e a glória de serem filhos de Deus em Cristo. Desenvolve seu pensamento a partir das palavras do Evangelho de São João, que diz: “Ele deu poder para se tornarem filhos de Deus àqueles que creem em seu nome, que foram gerados não pelo sangue, nem pela vontade da carne, nem pelo desejo do homem, mas por Deus” (João 1, 12-13).
São João usa a expressão “foram gerados” para dizer que o homem se torna o filho de Deus não por natureza, mas por adoção. Este fato mostra o amor de Deus, pois quem é o Criador também se torna pai. Isso acontece, como diz o Apóstolo, quando os homens recebem em seus corações o Espírito do Filho encarnado que chora neles, “Abba, Pai!”. Santo Atanásio continua sua reflexão dizendo que, como seres criados, os homens podem se tornar filhos de Deus exclusivamente através da fé e do batismo, recebendo o Espírito do verdadeiro e natural Filho de Deus. Precisamente por essa razão, o Verbo se fez carne para tornar os homens capazes de adoção filial e participação na natureza divina. Portanto, estritamente falando, por natureza Deus não é o Pai dos seres humanos. Somente aquele que conscientemente aceita Cristo e é batizado será capaz de bradar em verdade: “Abba, Pai!” (Rom. 8, 15; Gal. 4, 6).
Desde o início da Igreja isso era afirmado, como testifica Tertuliano: “Os homens se tornam cristãos, não nascem cristãos” (Apol. 18, 5). E São Cipriano de Cartago formulou a mesma verdade, dizendo: “Não pode ter Deus como Pai quem não tem a Igreja como Mãe” (De Unit., 6).
A tarefa mais urgente da Igreja em nossos dias consiste em nos ocuparmos com a mudança do clima espiritual e do clima de migração espiritual. Do clima de não-fé em Jesus Cristo, e de rejeição à realeza de Cristo, se deve produzir uma mudança para um clima de fé explícita em Jesus Cristo e aceitação de Sua realeza. Os homens devem migrar da miséria do cativeiro espiritual da não-fé para a felicidade de serem filhos de Deus; e da vida em pecado, migrar para o estado da graça santificante. Estes são os migrantes com os quais devemos lidar urgentemente.

São Cipriano – Gravura, 1665.
The British Museum, Londres

O cristianismo é a única religião desejada por Deus, portanto nunca pode ser colocado de maneira complementar junto com outras religiões. Violaria a verdade da Revelação Divina quem apoiasse a tese de que Deus desejaria a diversidade das religiões, ao contrário do que é inequivocamente afirmado no primeiro mandamento do Decálogo. De acordo com a vontade de Cristo, a fé n’Ele e em seu ensinamento divino deve substituir outras religiões; porém, não pela força, mas com uma persuasão amorosa, como indica o hino de Louvor (Laudes) da festa de Cristo Rei: “Non Ille regno gladibus, non vi metuque subdidit: alto levatus stipite, amore traxit omnia” (Não pela espada, pela força e pelo medo que sujeita os povos, mas que exaltado na Cruz atrai amorosamente todas as coisas para Si).
Existe apenas um caminho para Deus, e este é Jesus Cristo, porque Ele mesmo disse: “Eu sou o caminho” (João 14, 6). Há apenas uma verdade, e esta é Jesus Cristo, porque Ele mesmo disse: “Eu sou a verdade” (João 14, 6). Há apenas uma vida verdadeiramente sobrenatural, e esta é Jesus Cristo, porque Ele mesmo disse: “Eu sou a vida” (João 14, 6).
O Filho de Deus Encarnado ensinou que fora da fé n’Ele não pode haver uma verdadeira religião que agrade a Deus: “Eu sou a porta: se alguém entrar por mim, será salvo” (João 10, 9). Mandou todos os homens, sem exceção, ouvir o seu Filho: “Este é o meu amado filho: escutai-o!” (Marcos 9, 7). Portanto, o que Deus disse não foi: “Podeis ouvir meu Filho ou outros fundadores de religiões, pois é minha vontade que haja diferentes religiões”.
O Bezerro de Ouro – Escola alemã, perto de 1600. Coleção Particular.

Deus proibiu reconhecer a legitimidade da religião de outros deuses: “Não terás outro deus diante de mim” (Êxodo 20, 3). “Que comunhão pode haver entre a luz e as trevas? Que acordo entre Cristo e Belial? Que colaboração entre crente e não crente? Que acordo entre o templo de Deus e os ídolos?” (2 Cor. 6, 14-16).

Se as outras religiões correspondessem igualmente à vontade de Deus, não haveria condenação divina ao culto do bezerro de ouro no tempo de Moisés (ver Êxodo 32, 4-20). Se assim fosse, os cristãos de hoje poderiam praticar impunemente a religião de um novo bezerro de ouro, já que todas as religiões, de acordo com essa teoria, seriam igualmente agradáveis ​​a Deus.

Deus deu aos apóstolos — e através deles à Igreja, para todos os tempos — a solene ordem de ensinar a todas as nações e seguidores de todas as religiões a única fé verdadeira, ensinando-os a observar todos os seus mandamentos divinos e batizá-los (Mateus 28, 19-20). Desde o início da pregação dos apóstolos e do primeiro Papa (São Pedro), a Igreja proclamou que a salvação não tem outro nome. Ou seja, não há sob o céu outra fé, outro nome pelo qual os homens podem ser salvos (cf. Atos 4, 12).

Nas palavras de Santo Agostinho, a Igreja ensinou em todos os momentos: “Somente a religião cristã indica o caminho aberto a todos para a salvação da alma. Sem ela nenhuma alma se salvará. Esta é a via régia, pois somente ela conduz, não a um reinado vacilante para a altura terrena, mas a um reino duradouro na eternidade estável” (De Civitate Dei, 10, 32, 1).

As seguintes palavras do Papa Leão XIII testemunham o mesmo ensinamento imutável do Magistério em todos os momentos: “O grande erro moderno do indiferentismo religioso e da igualdade de todos os cultos é o caminho oportuníssimo para aniquilar todas as religiões, e em particular a Igreja Católica. Sendo a única verdadeira, ela não pode, sem enorme injustiça, ser colocada em pé de igualdade com as demais” (Encíclica Humanum Genus, nº 16).

Nos últimos tempos, o Magistério apresentou substancialmente o mesmo ensinamento imutável no documento Dominus Jesus (6 de agosto de 2000), do qual transcrevemos algumas declarações relevantes:

 “Amiúde se identifica a fé teológica, que é a recepção da verdade revelada por Deus uno e trino, e a crença em outras religiões, que é uma experiência religiosa ainda em busca da verdade absoluta e ainda privada do acesso a Deus que se revela. Esta é uma das razões pelas quais se tende a reduzir, às vezes até cancelar, as diferenças entre o cristianismo e outras religiões” (nº 7).

“Seriam contrárias à fé cristã e católica essas propostas de solução que contemplam uma ação salvífica de Deus fora da única mediação de Cristo” (nº 14).

“Não raro se propõe evitar na teologia termos como ‘unidade’, ‘universalidade’, ‘absoluto’, cujo uso daria a impressão de uma ênfase excessiva no significado e valor do evento salvífico de Jesus Cristo em relação a outras religiões. Na realidade, esta linguagem expressa simplesmente a fidelidade ao dado revelado” (nº 15).

“Seria contrário à fé católica considerar a Igreja como um caminho de salvação junto com aqueles constituídos por outras religiões, que seriam complementares à Igreja, de fato substancialmente equivalentes a ela, embora convergindo com isso para o Reino escatológico de Deus” (nº 21).

“A verdade da fé exclui radicalmente essa mentalidade de indiferença”, marcada por um relativismo religioso que leva à crença de que “uma religião é a mesma que a outra” (João Paulo II, Encíclica Redemptoris Missio, 36) (nº 22).

Os apóstolos e os incontáveis ​​mártires cristãos de todos os tempos, especialmente os dos três primeiros séculos, teriam evitado o martírio se tivessem dito: “A religião pagã e seu culto é algo que também corresponde à vontade de Deus”. Não teria havido, por exemplo, uma França cristã (“a primogênita da Igreja”), se São Remígio tivesse dito a Clóvis, rei dos francos: “Não deves abandonar tua religião pagã; podes praticar a religião de Cristo com tua religião pagã”. De fato, o santo bispo falou de maneira diferente, embora de forma bastante rigorosa: “Adora o que queimaste e queima o que adoraste!”.

A verdadeira fraternidade universal só pode existir em Cristo, isto é, entre os batizados. A plena glória da filiação divina só será alcançada na visão bem-aventurada de Deus no céu, como ensina a Sagrada Escritura: “Veja que grande amor o Pai nos deu para sermos chamados filhos de Deus, e nós o somos de fato! É por isso que o mundo não nos conhece: porque não O conhece. Queridos, somos filhos de Deus a partir de agora, mas ainda não foi revelado o que vamos ser. Sabemos, no entanto, que quando se manifestar, seremos como Ele, porque O veremos como Ele é” (1 João 3, 1-2).

Nenhuma autoridade na Terra — nem mesmo a autoridade suprema da Igreja — tem o direito de conceder a qualquer seguidor de outra religião a isenção da fé explícita em Jesus Cristo, isto é, no Filho encarnado de Deus, único Redentor dos homens; e também não tem o direito de assegurar-lhes que as diferentes religiões são desejadas pelo próprio Deus. Ao contrário, permanecem indeléveis as palavras do Filho de Deus, porque estão escritas com o dedo de Deus e são cristalinas em seu sentido: “Quem acredita no Filho de Deus não é condenado, mas quem não crê já foi condenado, porque não creu no nome do unigênito Filho de Deus” (João 3:18).

Algumas pessoas na Igreja de nosso tempo — tão instáveis, covardes, sensacionalistas e conformistas — reinterpretam essa verdade num sentido contrário ao teor das palavras, colocam esta reinterpretação como continuidade no desenvolvimento da doutrina. Mas esta verdade foi válida até agora em todas as gerações cristãs, e assim permanecerá até o fim dos tempos. Fora da fé cristã, nenhuma outra religião pode ser um verdadeiro caminho e amada por Deus, porque esta é a vontade explícita de Deus: “Esta é realmente a vontade de meu Pai: todo aquele que conhece o Filho e crê n’Ele tenha vida eterna” (João 6, 40).

Fora da fé cristã, nenhuma outra religião é capaz de transmitir a verdadeira vida sobrenatural, de acordo com a oração que o próprio Cristo dirigiu ao Pai: “A vida eterna consiste em que conheçam a Ti, único e verdadeiro Deus, e a Jesus Cristo como aquele que enviaste” (João 17, 3).

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* Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Maria Santíssima em Astana (Cazaquistão).
Fonte: Revista Catolicismo, Nº 819, Março/2019.


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segunda-feira, 18 de março de 2019

ORAÇÃO A SÃO JOSÉ


18 de março de 2019

[Composta pelo Papa São Pio X]

Glorioso São José, modelo de todos os que se dedicam ao trabalho, obtende-me a graça de trabalhar com espírito de penitência, para a expiação de meus numerosos pecados; de trabalhar com consciência, pondo o culto do dever acima de minhas inclinações; de trabalhar com recolhimento e alegria, olhando como uma honra empregar e desenvolver pelo trabalho os dons recebidos de Deus; de trabalhar com ordem, paz, moderação e paciência, sem nunca recuar perante o cansaço e as dificuldades; de trabalhar sobretudo com pureza de intenção e com desapego de mim mesmo, tendo sempre diante dos olhos a morte e a conta que deverei dar do tempo perdido, dos talentos inutilizados, do bem omitido e da vã complacência no sucesso, tão funesta à obra de Deus.

Tudo para Jesus, tudo por Maria, tudo à vossa imitação, ó Patriarca São José! Tal será a minha divisa na vida e na morte. Amém.

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Comentário

José Antonio Rocha
18 de março de 2019

Amém. Que São José abençoe o Brasil com seu Amor ao trabalho, à honestidade e às Virtudes divinas. Que os nossos novos governantes ouçam a vos que vem do imaculado coração da Virgem Maria, do coração de São José e do Espírito de Jesus Cristo, Filho unigénito de Deus, verdadero homem, verdadeiro Deus. Que Jesus Cristo, Luz do mundo, Luz que nos conduz, conceda aos governantes brasileiros a Luz do discernimiento e da sabedoria para que eles, em duas decisões, possam discernir o certo do errado, o real do irreal, o Cristão do não cristão. Amém.



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O TRIUNFO DO AMOR - Cyro de Mattos


O moço morava no outro lado do rio. Lá havia uma olaria. Trabalhava ali, fazia moringa, panela, bonecos e santos. Mãos caprichosas, artesão afamado. A moça morava no lado de cá, margem esquerda do rio, onde havia a pequena cidade com o seu comércio próspero. Fazia toalha, tapete, rede. As mãos delicadas, tecelã admirada.

Em cada domingo, empreendia o caminho das águas. Na canoa remava. Sentia-se bem com a manhã clara, a aflorar sentimentos de ternura, a cada lance que remava. ”Rema, rema, remador, se queres ver o teu amor”.

Manejava o remo com serenidade, a canoa singrava no espelho das águas. Prosseguia na manhã sem nuvens, o moço concentrado em cada remada que dava, a canoa como uma folha deslizando nas águas claras, de fontes puríssimas. “Se a canoa não virar, devagar chegarás lá, o teu amor vais encontrar.”

O casamento foi marcado para maio, mês de nascimento do moço artesão e da moça tecelã. Era para acontecer num desses domingos de sol radiante. Na igrejinha de paredes alvas, erguida na colina, no pátio enfeitada de bandeirolas. Lá dentro os vasos com cravos e rosas, os ares ativados com o perfume das flores. O sino velho na torre saudaria os noivos, as batidas fazendo blem, blem, blem, alegrando a cidadezinha na manhã luminosa.

Vontade de chegar depressa, abreviar o caminho das águas. Bater à porta da casa onde a moça o esperava desde cedo, o coração temeroso, o rosto de ânsia. A canoa impelida pelo remo em lances cadenciados. O vento, a princípio manso, de repente assoviou forte, no peito do moço bateu enraivado. Mostrava que também estava enamorado da moça. Vento virado em bicho ciumento, danado, como se quisesse derrubar nas águas o moço, impedindo-o de se encontrar com a moça. Bateu mais forte na canoa, que bateu na pedra, virou de lado, encheu de água. Desceu para o fundo do poço.

Nadou com firmes braçadas. Para se encher de ânimo, o moço dizia para si, entre os redemoinhos da alma. “Nada, nada, nadador, se queres ver o teu amor.” Até que pisou em terra firme. Estava cansado, o peito arfava. Colheu flores silvestres no barranco, antes de prosseguir na jornada.

Já desanimada, a moça não mais esperava que ele aparecesse. Ouviu alguém bater palmas lá fora. “Tem alguém aí em casa?” Apressada foi abrir a porta. Queria saber de quem eram as palmas fortes. Assustada, viu o moço que aparecia risonho, um rosto de expressão vitoriosa.

Entregou à moça o buquê de flores. Pediu uma xícara de café quente. Sentou na cadeira da sala, vestido com outras roupas, limpas e engomadas, que a própria moça providenciara. Depois de aquecer o peito com o café, bebido aos poucos, começou a contar por que se atrasara. O vento cheio de ciúme bateu na canoa com uma rajada medonha, suficiente para fazer um rombo na popa. A canoa afundou. Para não esmorecer na travessia, fortaleceu a vontade com uma coragem impressionante. Impeliu-se em arrojadas braçadas. Nada o atemorizava. Nem o poço fundo, a correnteza poderosa, o vento incontrolável, que enciumado assoviava na manhã tormentosa.

Durante a difícil travessia, só queria que chegasse aquela hora para dizer à moça o que sempre desejara:
- Estou esperando na igrejinha para receber você como a minha esposa.

Como havia prometido, desde aquele dia em que o artesão afamado deu o seu primeiro beijo na tecelã amada.


* Cyro de Mattos é escritor e poeta. Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz. Possui prêmios literários expressivos no Brasil e exterior. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia.


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