Total de visualizações de página

sábado, 1 de setembro de 2018

ITABUNA CENTENÁRIA: SEMANA DA PÁTRIA 2018



HINO DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL
Letra: Evaristo da Veiga. Música: D. Pedro I
 ----
Ligue o vídeo abaixo:


 ----

Já podeis da Pátria filhos
Ver contente a mãe gentil
Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil
Já raiou a liberdade
Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil!

Brava gente brasileira!
Longe vá temor servil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil!

Os grilhões que nos forjavam
Da perfídia astuto ardil
Houve mão mais poderosa
Zombou deles o Brasil
Houve mão mais poderosa
Houve mão mais poderosa
Zombou deles o Brasil

Brava gente brasileira...

Não temais ímpias falanges
Que apresentam face hostil
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil
Vossos peitos, vossos braços
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil

Brava gente brasileira...

Parabéns, ó brasileiros!
Já, com garbo juvenil
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil
Do universo entre as nações
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil.

Brava gente brasileira...


* * *

COMO É VIVER NA LETÔNIA, O PAÍS DOS INTROVERTIDOS




Estudos mostram a relação entre introversão e criatividade, que é importante para a identidade da Letônia Imagem: Gunita Metlane/Eyeem/Getty Images

Christine Ro
da BBC Travel

31/08/2018 08h34


Um livro de histórias em quadrinhos mostra um morador da Letônia, no Leste Europeu, abrindo um raro sorriso ao perceber que o clima daquele dia está "perfeito". Ou seja, nevando muito. Assim, ele não terá o desprazer de encontrar ninguém na rua. Como ele mesmo diz: "Temperatura abaixo de zero = risco abaixo da média de um encontro ao acaso".

O livro em quadrinhos foi apresentado pela organização Latvian Literature para promover a literatura da Letônia na Feira do Livro de Londres, realizada em abril. Junto à publicação, foi lançada a campanha #IAMINTROVERT ("Sou introvertido"), que celebra - e carinhosamente faz piada de - sua população reservada. "Nossa campanha não tem nenhum exagero. Na realidade é até pior", comenta a escritora e publicitária letã Anete Konste, que idealizou o projeto.

Veja também


Entendi o que ela queria dizer assim que cheguei à república báltica. Meu primeiro dia andando por Riga, capital da Letônia, foi diferente de qualquer outra capital europeia. Foi mais sereno. O sol brilhava enquanto eu me dirigia ao Parque Kronvalda, e às vezes parecia que o único barulho vinha de carros passando ou turistas conversando.

Quando enfim vi letões caminhando juntos, eles eram em geral silenciosos e mantinham um bom espaço entre eles. Foi aí que percebi que não era um povo dos mais sociáveis.

Campanha da organização Literatura da Letônia #IAMINTROVERT carinhosamente brinca com a tendência introvertida de seu povo Imagem: Toms Harjo/Latvian Literature

Confirmei essa sensação na viagem de uma hora de trem entre Riga e Silguda. Enquanto seguíamos rumo ao nordeste por uma densa floresta de pinheiros, eu e meus amigos brincávamos de adivinhar o nome de filmes. Começávamos a nos animar e a gritar as respostas quando notamos que éramos os únicos falando no trem.

Mas por que os letões são tão reservados, pelo menos à primeira vista?

Não há uma resposta simples, mas estudos mostram uma relação entre a criatividade e uma preferência pela solidão. Konste percebe isso em sua área de trabalho. Ela acredita até que a introversão é mais forte no meio criativo, como entre escritores, artistas e arquitetos.

E psicólogos letões sugerem que a criatividade é tão importante para a identidade do país que se tornou uma prioridade dos planos educacional e econômico de governo.

De fato, segundo a Comissão Europeia, a Letônia é o país europeu com uma das maiores proporções de trabalhadores do campo criativo.

Bairro Solidão

Letões geralmente usam referências autodepreciativas quando fazem alusão a essa tendência à introversão - que evita o excesso de estímulos e prefere a solidão, o silêncio e a reflexão.

Exemplos não faltam e vão desde o nome dado a um bairro de Riga – Zolitūde (Solidão) - a vários hábitos comuns, como o de não sorrir para estranhos.

Guia turístico de Riga, Philip Birzulis mudou-se para a Letônia em 1994 - e se surpreendeu ao notar que os letões cruzavam a rua para evitar o contato com outra pessoa. "Percebi que as pessoas deliberadamente evitavam umas às outras e mantinham entre cinco e dez metros de distância", lembra-se.

Até mesmo o Festival de Dança e Música da Letônia, uma enorme celebração que reúne mais de dez mil cantores de todas as partes do país, tem traços dessa introversão: ele ocorre apenas a cada cinco anos.

Birzulis brinca que o esforço seria demasiado se ele fosse mais frequente e diz que esse tipo de "contato íntimo" é exceção, e não a regra na cultura do país.

Konste dá outro exemplo: é muito comum o letão esperar o vizinho sair do saguão do prédio para "não ter que cumprimentar um estranho", diz ela.

Se os letões evitam puxar conversa, isso não significa, necessariamente, que sejam frios. Afinal, alguns dos passageiros silenciosos do trem rapidamente nos ofereceram ajuda quando nos mostramos perdidos com o mapa.

Como explica Justīne Vernera, tradutora e jornalista freelancer da cidade medieval de Cēsis, no nordeste da Letônia: "No país, não manter uma conversa o tempo todo não é rude ou desconfortável. Falar o tempo todo que é mais visto como arrogância do que ficar em silêncio às vezes".

 Apesar de sua população esparsa, a Letônia tem uma das maiores proporções de moradia em apartamentos da Europa  Imagem: Reinis Hofmanis

Mas se esse comportamento reservado pode parecer difícil para quem chega, alguns letões logo apontam que outros países também têm predisposição para a introversão.

Birzulis menciona o exemplo dos suecos, enquanto Konste cita os filandeses. E a arquiteta Evelina Ozola, cofundadora do site Fine Young Urbanists, comenta: "No quesito introversão, não somos tão diferentes dos estonianos".

Também é importante lembrar que a população letã não é homogênea.

No país, há russos e outros grupos minoritários, com seus vários níveis de integração linguística e cultural. Também há diferenças geracionais daqueles que cresceram no período de forte vigilância e estilo de vida coletivo da União Soviética.

A geração mais jovem foi criada sob ares mais cosmopolitas e um sistema capitalista. Por isso, é impossível definir um traço cultural único e universal - ainda que a valorização do espaço privado ultrapasse as gerações.

Uma pista para explicar a introversão dos letões pode estar na geografia do país: baixa densidade populacional e florestas densas. Ozola explica que os letões "simplesmente não estão acostumados a ver muitas pessoas ao redor. É bastante incomum ter de esperar por uma mesa no restaurante ou se sentar muito perto de outra pessoa no jantar. Há espaço suficiente no país para manter a distância".

Até os moradores urbanos da Letônia têm forte apreço pela natureza e visitam regularmente a zona rural.

É particularmente romantizada na cultura letã a imagem da casa na fazenda: uma construção isolada na área rural, autossuficiente e tipicamente de madeira. Ela faz inclusive parte do Cânone Cultural da Letônia - uma lista de 99 itens e pessoas consideradas muito importantes para o país.

 Apego cultural

Na realidade, esse tipo de propriedade praticamente desapareceu no século 20 por conta da imposição do estilo coletivista soviético. "Entre 1948 e 1950, a proporção de habitações rurais caiu de 89,9% para 3,5% e, assim, os padrões tradicionais de vida foram praticamente erradicados ", comenta Ozola.

Mesmo assim, o apego por essa imagem persiste.

Vernera ressalta que a autossuficiência faz parte da identidade letã. "Ainda temos essa mentalidade de viver isoladamente: não nos encontramos em cafés durante o dia, não abordamos pessoas na ruas", diz.

Hoje, apesar de ser um dos países menos habitados da Europa, quase dois terços dos moradores da Letônia vivem em apartamentos (relativamente pequenos). Esta é uma das maiores proporções da Europa, de acordo com estatísticas do Eurostat.

"A Letônia é povoada de maneira desigual, com a maioria das pessoas vivendo perto umas das outras nos centros urbanos", diz Ozola.

Uma pesquisa da empresa imobiliária Ektornet, entretanto, aponta que mais de dois terços dos letões gostariam de morar em casas isoladas. Ozola especula que essa desconexão pode explicar em parte por que o espaço privado é tão importante para os letões.

Eles precisam, contudo, ter cuidado com o que desejam.

De acordo com o site de notícias Politico, a população da Letônia está diminuindo rapidamente devido à migração para o exterior e registra um dos declínios populacionais mais intensos do mundo.

Assim, a nação que adora espaço está conseguindo exatamente isso.

Psicólogos têm investigado como os traços psicológicos, incluindo a introversão, afetam as atitudes dos letões em relação aos refugiados, já que a migração pode ser uma ferramenta necessária para conter a perda populacional.

Aos visitantes e recém-chegados que se surpreendem com a característica, Vernera sugere: "Diria a qualquer estrangeiro que não tenha medo desse silêncio inicial. Quando o estrangeiro conhece um letão e passa um tempo com ele, percebe que somos realmente amigáveis. Não somos uma nação muito teatral, somos geralmente bastante honestos. Não vamos dizer a todos que gostamos deles - então se um letão diz isso, é realmente verdade".



* * *

CARTA ABERTA AO MINISTRO EDSON FACHIN - Fayez Feiz José Rizk

01/09/2018 às 10:39

Caro Ministro:

Não sou advogado, mas não sou idiota.

O senhor, no seu voto memorável e desprezível, não só a mim me qualificou como um idiota, mas a todo o povo brasileiro.

Afinal, o motivo para barrar a candidatura de um criminoso condenado, com fartas provas, ao contrário do que dizem os fanáticos seguidores desse malandro, é um artigo de uma Lei, de origem popular, votada pelos representantes do povo, por unanimidade e, suprema ironia, promulgada por esse mesmo hoje prisioneiro.

Com suas firulas e linguagem empolada, com emaranhado de citações, o senhor revogou a soberania nacional, a soberania do povo brasileiro e nos submeteu à recomendação, isso, a uma recomendação e não uma decisão, de um comitê, que o senhor mesmo (e eles também) reconhecem que não tem caráter jurídico, não investigam, não produzem provas, não interrogam e não dão direito ao contraditório.

O senhor, com esse voto vergonhoso, rasgou a bandeira brasileira e proclamou a nossa servidão, à feitores que nem mesmo no solo pátrio estão.

Fomos enlameados na nossa honra e dignidade.

Independente do resultado, o seu voto manchou indelevelmente e vergonhosamente a sua biografia.

Um minuto de silêncio pela morte da Nação brasileira.

Arquiteto em Campo Grande-MS.

https://www.jornaldacidadeonline.com.br/noticias/11240/carta-aberta-ao-ministro-edson-fachin

* * *

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

ABL ELEGE CARLOS (CACÁ) DIEGUES PARA A CADEIRA 7, NA SUCESSÃO DO CINEASTA NELSON PEREIRA DOS SANTOS



A Academia Brasileira de Letras elegeu, quinta-feira, dia 30 de agosto, o novo ocupante da Cadeira 7, na sucessão do Acadêmico e cineasta Nelson Pereira dos Santos, falecido no dia 21 de abril deste ano. O vencedor foi o também cineasta Cacá Diegues, que recebeu 22 votos. Participaram da eleição 24 Acadêmicos presentes e 11 por cartas (três não votam por motivo de saúde). Os ocupantes anteriores da cadeira 7 são: Valentim Magalhães (fundador) – que escolheu como patrono Castro Alves –, Euclides da Cunha, Afrânio Peixoto, Afonso Pena Júnior, Hermes Lima, Pontes de Miranda, Dinah Silveira de Queiroz e Sergio Corrêa da Costa.
 
O NOVO ACADÊMICO

Carlos (Cacá) Diegues nasceu em Maceió, Alagoas, no dia 19 de maio de 1940, filho do antropólogo Manuel Diegues Jr. e de Zaira Fontes Diegues. Cinéfilo desde a adolescência, também era poeta e trabalhava como jornalista.
Em 1958, aos 18 nos de idade, teve seus poemas publicados no Jornal do Brasil pelo ensaísta e crítico Mario Faustino, que o apresentou como uma revelação na poesia brasileira. Por essa mesma época, participou ativamente do movimento cineclubista no Rio de Janeiro, quando se integrou à nova geração de cineastas que buscava registrar a verdadeira imagem do Brasil, num movimento que seria conhecido como Cinema Novo, sob a liderança de Nelson Pereira dos Santos.

Depois de realizar alguns curta-metragens, Cacá estreou profissionalmente em 1962, dirigindo um dos episódios do filme “Cinco vezes Favela”, produzido pelo Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE – um filme que se tornaria uma das obras inaugurais do Cinema Novo.

Ao longo de sua carreira de cineasta, realizou mais de 20 filmes de longa-metragem, entre os quais “Ganga Zumba” (1964), “Os herdeiros” (1969), “Joanna Francesa” (1973), “Xica da Silva” (1976), “Chuvas de verão” (1978), “Bye Bye Brasil” (1980), “Quilombo” (1984), “Um trem para as estrelas” (1987), “Tieta do Agreste” (1995), “Orfeu” (1999), “Deus é brasileiro” (2003), “O maior amor do mundo” (2005) e agora “O grande circo místico” (2018), inspirado na obra do poeta Jorge de Lima. Todos esses filmes foram lançados comercialmente em diferentes países do mundo, nas salas de cinema e na televisão, além de sua presença e de prêmios nos festivais internacionais mais importantes, como Cannes, Veneza, Berlim, San Sebastian, Toronto, Nova York, Mar del Plata e outros.

Cacá publicou alguns livros, nem sempre sobre cinema, tendo começado com Ideias e Imagens, de 1988. Seus livros mais recentes são "Vida de Cinema”, mais de 600 páginas sobre o Cinema Novo, e “Todo Domingo”, uma coletânea de seus textos publicados semanalmente no jornal Globo. Recebeu homenagens de diversas naturezas, no Brasil e no mundo, entre as quais o titulo de Officier de l’Ordre des Arts et des Lettres, do governo francês; o Prix de la Célebration du Centenaire du Cinématographe, do Instituto Lumière de Lyon; o Golden Reel Award, do Grupo HBO; o Lifetime Achievement Award, concedido pela cidade de Chicago; o Prêmio Roberto Rosselini, pelo conjunto de sua obra, dado pela Associação Nacional dos Críticos de Cinema da Itália; eleito Personalidade do Cinema Latino-Americano, pela Associação Internacional de Críticos (Fipresci); Ordem do Mérito Cultural de Portugal; Comendador da Ordem de Rio Branco, do governo brasileiro; Comendador da Ordem do Mérito Cultural do Brasil; e outros.

Casado com a produtora de cinema Renata Magalhães, Cacá tem um filho e 3 filhas.

30/08/2018



* * *

BOLSONARO FOI BOLSONARO – Adriano Soares da Costa




29/08/ 2018

Adriano Soares da Costa é um grande doutrinador de direito eleitoral. Olha o que ele escreveu, que resume com exatidão a entrevista de ontem:

 Ligue o vídeo abaixo:




Jair Bolsonaro foi entrevistado no Jornal Nacional por Bonner e Renata Vasconcelos. Mais uma vez, os entrevistadores se portaram como escoteiros que acham que o politicamente correto do Leblon vale para o Brasil e que eles, empregados da Rede Globo - embora contratados como pessoas jurídicas - seriam representantes do povo brasileiro.

Bolsonaro foi Bolsonaro. Diferentemente de Ciro Gomes, Bolsonaro se apresentou de cara limpa, sendo quem é, conservando o mesmo discurso e o defendendo sem meias palavras. Disse que policial que matasse bandido armado mereceria medalha; falou com firmeza contra a erotização de crianças nas escolas e contra o kit-gay; expôs a hipocrisia do discurso de igualdade de gêneros quando disse que os salários dos dois apresentadores do Jornal Nacional era maior para Bonner (Renata Vasconcelos se perdeu totalmente nessa hora...); citou textualmente as palavras de Roberto Marinho sobre a “revolução democrática de 1964 feita pelos militares” (os filhos de Roberto Marinho não honraram as suas palavras como Bolsonaro o fez); sobre Paulo Guedes, diante da insistência de Bonner sobre problemas eventuais na relação de ambos, Bolsonaro alfinetou o entrevistador falando sobre casamento, juramento de fidelidade eterna e separação, invocando indiretamente no imaginário feminino a figura de Fátima Bernardes; e fez um encerramento redondo com todos os valores que defende.

Com mais uma entrevista dessas, Bolsonaro ganha no primeiro turno, eleito com a ajuda da Rede Globo e de seus editoriais tolos. Como eu disse ontem, a melhor estratégia era tirar aquele ar de superioridade da dupla do JN, quebrar a falsa neutralidade, atacar a hipocrisia do discurso politicamente correto. Bolsonaro fez com sobras o dever de casa: não se combate criminosos armados com rosas..., não se sai bem de uma sabatina dessas sem tratar os entrevistadores como adversários que querem sangrar a sua imagem. Bolsonaro fez isso e saiu muito bem.

É simplista a afirmação que a criminalidade se combate na bala. Bolsonaro diz algo que a intelectualidade tenta fazer cara de horror, mas que a indignação das vítimas da violência armada pedem: em épocas brutais, pulso. Bolsonaro se porta como macho alfa em um cenário político de invertebrados, de discursos empolados ou de conversa econômica cansativa, de números estranhos à realidade das dores dos viventes em favelas, subúrbios e grotas.

Sinceramente, Bolsonaro saiu maior do que entrou no estúdio do JN. Devorou Bonner e Renata, simplesmente porque os tratou como infantes engomadinhos. E é o que a maioria pensa e acha. Deu certo!

(Recebi via WhatsApp)

* * *

“EU NÃO VOU DIZER UMA PALAVRA SOBRE ISSO”

31 de agosto de 2018 
♦  Roberto de Mattei *

“Eu não vou dizer uma palavra sobre isso.” Com esta frase, pronunciada em 26 de agosto de 2018 no voo de volta de Dublin a Roma, o Papa Francisco [foto abaixo] reagiu às impressionantes revelações do arcebispo Carlo Maria Viganò [foto acima], que o colocavam diretamente em causa. Para a jornalista Anna Matranga (NBC), que lhe perguntara se era verdade o que foi escrito pelo ex-núncio nos Estados Unidos, o Papa respondeu: “Li essa declaração esta manhã. Eu a li e sinceramente tenho que lhe dizer isso, para você e para todos aqueles que estão interessados: leia, cuidadosamente, a declaração e faça seu próprio julgamento. Não vou dizer uma palavra sobre isso. Eu acredito que a declaração fala por si, e você tem capacidade jornalística suficiente para tirar conclusões. É um ato de confiança: quando tiver passado algum tempo e você tiver tirado conclusões, talvez eu fale. Mas eu gostaria que sua maturidade profissional fizesse esse trabalho: vai te fazer bem, de verdade. Fica bem assim.”

Um arcebispo rompe o clima de silêncio e conivência e denuncia, com nomes e circunstâncias específicos, a existência de uma corrente filo-homossexual favorável a subverter a doutrina católica em relação à homossexualidade” e a presença de “redes de homossexuais difundidas atualmente em muitas dioceses, seminários, Ordens religiosas, etc.”, que “encobrem o segredo e a mentira com o poder dos tentáculos de um polvo e esmagam vítimas inocentes, vocações sacerdotais e estrangulam toda a Igreja”. Diante dessa voz corajosa que rompe o silêncio, o Papa Francisco se cala e confia aos meios de comunicação de massa a tarefa de julgar segundo seus critérios políticos e mundanos, muito diferentes dos critérios religiosos e morais da Igreja. Um silêncio que parece ainda mais grave do que os escândalos revelados pelo arcebispo Viganò.

Esta lepra se desenvolveu após o Concílio Vaticano II [foto abaixo, à dir.], como resultado de uma nova teologia moral que negava os absolutos morais e reivindicava o papel da sexualidade fora do casamento, hétero e homossexual, considerada como um fator de crescimento e desenvolvimento da pessoa humana. A homossexualização da Igreja se espalhou nos anos setenta e oitenta do século XX, como testemunha o livro, meticulosamente documentado, do padre Enrique Rueda, The Homosexual Network: Private Lives And Public Policy [A rede homossexual: vidas privadas e políticas públicas], publicado em 1982 [foto abaixo, à esq.].

Para se entender como a situação não fez desde então senão agravar-se, é essencial ler o estudo Homossexualidade e sacerdócio — O nó górdio dos católicos? (PoznańTheological Studies, 31, 2017, pp. 117-143), pelo Prof. Andrzej Kobylinski, da Universidade Cardeal Stefan Wyszynskide Varsóvia (https://journals.indexcopernicus.com/api/file/viewByFileId/261531.pdf). Kobylinski cita um livro intitulado The Changing Face of the Priesthood: A Reflectionon the Priest’sCrisis of Soul [A face mutante do sacerdócio: uma reflexão sobre a crise de alma do sacerdote], de Donald Cozzens, Reitor do Seminário em Cleveland, Ohio, onde o autor diz que, no início do século XXI, o sacerdócio tornou-se uma “profissão”, eminentemente exercida por homossexuais, podendo-se falar de um “êxodo heterossexual do sacerdócio”.

Há um caso emblemático que Kobylinski recorda — aquele do arcebispo de Milwaukee (Wisconsin), Rembert Weakland, aclamado expoente da corrente progressista e “liberal” americana: “Weakland encobre, há décadas, casos de abuso sexual de padres, apoiando uma visão da homossexualidade contrária à do Magistério da Igreja Católica. No final do exercício episcopal, ele também deu um desfalque enorme, roubando quase meio milhão de dólares dos cofres de sua arquidioce separa pagar seu ex-parceiro que o acusava de assédio sexual. Em 2009, Weakland fez o seu ‘coming out’, publicando uma autobiografa intitulada A Pilgrimin a Pilgrim Church [Um peregrino em uma Igreja peregrina], na qual ele admitiu ser homossexual e ter tido durante décadas relações sexuais seguidas com muitos parceiros. Em 2011, a Arquidiocese de Milwaukee foi forçada a declarar falência, devido ao alto custo das indenizações devidas às vítimas de padres pedófilos”.

Em 2004 apareceu o John Jay Report [título baseado no nome da seção especializada em justiça penal da Universidade da Cidade de Nova Iorque, que o preparou], documento preparado a pedido da Conferência Episcopal Americana, no qual foram analisados todos os casos de abuso sexual de menores por padres e diáconos católicos nos EUA nos anos 1950-2002. “Este documento de quase 300 páginas tem um valor informativo extraordinário — escreve Kobyliński. O John Jay Report demonstrou a ligação entre a homossexualidade e o abuso sexual de menores pelo clero católico. De acordo com o relatório de 2004, na grande maioria dos casos de abuso sexual, não é uma questão de pedofilia, mas de efebofilia, ou seja, uma perversão que não consiste em atração sexual pelas crianças, mas por adolescentes na puberdade. O John Jay Report mostrou que cerca de 90% dos padres condenados por abuso sexual infantil são padres homossexuais”.

Portanto, o escândalo de McCarrick não é senão o último ato de uma crise que vem de longe. No entanto, na Carta do Papa ao Povo de Deus, e ao longo de sua jornada na Irlanda, o Papa Francisco nunca denunciou essa desordem moral. O Papa acredita que no abuso sexual pelo clero o principal problema não é a homossexualidade, mas o clericalismo. Referindo-se a esses abusos, o historiador progressista Alberto Melloni escreve que “Francisco finalmente confronta o crime no plano eclesiológico: e o confia àquele agente teológico que é o povo de Deus. Ao povo Francisco diz sem rodeios que é o‘clericalismo’ que incubou essas atrocidades, não um excesso ou uma insuficiência de moral” (La Repubblica, 21 de agosto de 2018).

“Lecléricalisme, voilà l’ennemi!” — “O clericalismo, eis o inimigo!” A famosa frase pronunciada em 4 de maio de 1876 na Câmara de Deputados francesa por Léon Gambetta (1838-1882), um dos expoentes máximos do Grande Oriente da França, poderia ser adotada pelo Papa Francisco. Essa frase, no entanto, é considerada a palavra de ordem do laicismo maçônico do século XIX e foi por sua aplicação que os governos da Terceira República Francesa realizaram nos anos seguintes um programa político “anticlerical” que teve como etapas a laicização completa do ensino, a expulsão dos religiosos do território nacional, o divórcio, a abolição da concordata entre a França e a Santa Sé.

O clericalismo de que fala o Papa Francisco é aparentemente diferente, mas no final das contas ele corresponde àquela concepção hierárquica tradicional da Igreja, que foi combatida ao longo dos séculos pelos galicanos, pelos liberais, pelos maçons e pelos modernistas. Para reformar a Igreja, purificando-a do clericalismo, o sociólogo italiano Marco Marzano sugere ao Papa Francisco este caminho: Pode-se, por exemplo, começar a retirar completamente dos párocos o governo das paróquias, privando-os das funções de governo (financeiro e pastoral) absoluto e monocrático das quais se beneficiam hoje. Introduzindo um elemento importante de democracia, poder-se-ia tornar os bispos elegíveis. Poder-se-ia fechar os seminários, instituições da Contra-Reforma nas quais o clericalismo como espírito de casta é ainda hoje exaltado e cultivado, substituindo-os por estruturas de formação abertas e transparentes. Pode-se, sobretudo, suprimir a regra sobre a qual o clericalismo na maioria das vezes se funda hoje (e que é também a base da grande maioria dos crimes sexuais do clero), que é o celibato obrigatório. É justamente a suposta castidade do clero, com todo o corolário de pureza e sacralidade sobre-humana que a acompanha, que estabelece a premissa principal do clericalismo” (Il Fatto quotidiano, 25 de agosto, 2018).

Quem quer eliminar o clericalismo, quer de fato destruir a Igreja. E se, em vez disso, se entende o clericalismo como o abuso de poder exercido pelo clero quando abandona o espírito do Evangelho, não há clericalismo pior do que o daqueles que renunciam a estigmatizar pecados gravíssimos como a sodomia e deixam de recordar que a vida cristã deve necessariamente terminar no céu ou no inferno.

Nos anos seguintes ao Vaticano II, grande parte do clero abandonou o ideal da realeza social de Cristo e aceitou o postulado da secularização como um fenômeno irreversível. Mas quando o Cristianismo se submete ao laicismo, o Reino de Cristo é transformado em um reino mundano e reduzido a uma estrutura de poder. O espírito militante é substituído pelo espírito do mundo. E o espírito do mundo impõe silêncio sobre o drama que a Igreja está vivendo atualmente.
____________
(*) Fonte: “Corrispondenza romana”, 29-8-2018. Matéria traduzida do original italiano por Hélio Dias Viana.

http://www.abim.inf.br/eu-nao-vou-dizer-uma-palavra-sobre-isso/#.W4lzR85KjIU

* * *

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

SER BOM É BOM? - Antonio Nunes de Souza



Deixa em princípio transparecer uma pergunta tola e ingênua, mas, profundamente analisada, chega-se a uma conclusão sábia de que a bondade nunca fez mal a ninguém, em nenhuma das circunstância das nossas vidas!

Infelizmente, a parcimônia com que utilizam esse comportamento, faz com que tenhamos medos e precauções quando estamos lidando com pessoas que não conhecemos de perto, logicamente, dando o mesmo comportamento para a outra pessoa que, talvez já tenha sido uma vítima, tome também seus justos cuidados.

Essas situações corriqueiras do dia a dia, juntamente, com as decepções “tarde e noite”, nos colocam em guardas fechadas, especulando os mínimos detalhes, no sentido das coisas andarem corretamente, não nos dando os aborrecimentos de praxe no futuro.

As já normais faltas de palavras, enganações nas propostas, falhas nas entregas, objetos ou instrumentos fora dos padrões combinados, empresas fictícias, falsos boletos bancários, etc., logicamente, deixam as pessoas apavoradas, aflitas e, completamente, desconfiadas!

Claro que ser bom é muito bom, porém, como ter esse comportamento cheio de lisuras, se sabemos que do outro lado as intenções tem provado, na grande maioria, que são malévolas?

O que jamais devemos fazer é entrar para o bloco dos “sujos”, disputando para ver quem é o mais ruim. Ao contrário, meu amigo! Vamos trabalhar para fazer a esses oportunistas desonestos que, ser ruim, nunca será um vencedor, pois, cedo ou tarde a casa cai e seus esfomeados lucros vão embora da mesma forma que vieram, pois, sempre existirá alguns mais ruins que eles, que não os perdoarão!

Só posso dizer que “ser bom é bom”, inclusive deixando a sua consciência aliviada por estar sendo um exemplo de humanitarismo, solidariedade, respeito e cidadania!


Antonio Nunes de Souza, escritor.
Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

* * *