(Tradução livre de Fabio Rocha e Luis
Cubas Vivanco, do livro Pablo Neruda – poemas para recordar – Selección de
Óscar Hahn, 4a edição. Santiago do Chile: Fundación Pablo Neruda, Outubro de
2012, ps. 15 e 16 – poema original do livro “Veinte poemas de amor y una
canción desesperada” (é o poema 20). Enviado como imagem pela leitora Tirene
Pavanelli)
Desde 1999, este projeto divulga poemas de grandes poetas sem erros ou falsas
autorias. Hoje temos uma média de 5 mil visitantes por dia, muitos desses sendo
estudantes e professores. Se vir valor neste trabalho de recuperação do nosso patrimônio
cultural e pode ajudar, faça parte de nosso time de benfeitores:
Somente daqui a alguns anos a nação brasileira vai entender
o tamanho do dano que o Supremo Tribunal Federal está fazendo com esse país. E
estão fazendo isso por diversas razões. Uma delas é porque são um bando de
egocêntricos apátridas embriagados pelo poder, psicologicamente imaturos, e que
não tem grandeza moral para desempenharem o papel de juízes.
Eles são aproveitadores das benesses e das carcaças de um
país apodrecido pela corrupção, cujos políticos ladrões são amparados pelo foro
privilegiado, pela lentidão planejada da justiça, e pela fraqueza moral que
impera principalmente naquela corte. São coadjuvantes da destruição de uma
democracia que começava a despontar, hipócritas de um teatro macabro, vassalos
da criminalidade. Esse fantasma vai seguramente assombrar os seus descendentes,
mas nem isso os afeta.
Ao invés de guardiães da Constituição como se arvoram, são
os prostitutos constitucionais, estafetas da imoralidade e da desesperança,
gigolôs do poder absoluto da contravenção, e dos seus defensores feitos
milionários pelo dinheiro do crime vindo dos cofres públicos.
Eles não sabem o que é construir uma nação. Eles se dobram a
um líder corrupto, bêbado, vendedor de ilusões, e entregador de desgraças, que
quebrou o país e as suas instituições. Esses supostos juízes são mais baixos
que os desinformados que votam no ilusionista pigmeu, amoral e analfabeto. Eles
são cúmplices do populismo devorador do progresso e do desenvolvimento. São
verdadeiros assassinos da evolução civilizatória de um povo.
Esses lenientes doentios, pretensos artistas eruditos de
televisão, consumidos por uma vaidade injustificada com tintas de psicopatia,
são os torpedeadores da esperança nacional. Os trejeitos efeminados de um
deles, na tentativa de projetar uma grandeza inexistente revela a fraqueza
moral e a vaidade desmedida. Os argumentos exagerados e mutantes do outro
revela que Saulo Ramos tinha razão; é um juiz de merda. As mudanças de opinião
de outro revela o caráter mercantilista de sua personalidade e o DNA
coronelista que não consegue disfarçar. A necessidade de outro de agradecer o
emprego arrumado pela mãe, através da amizade com a mulher do presidente
ultrapassa todos os limites, chega a ser patética, se não fosse trágica, o seu
clamor por generosidade para com o corrupto condenado. Outro, advogado
partidário, não precisaria estar lá, bastaria enviar o voto pelo correio, pois
todos os brasileiros já sabem como vai votar. É um voto partidário, a favor da
criminalidade. Essa corte é o próprio retrato de Sodoma e Gomorra, chegamos ao
fim dos tempos.
Depois de Lula, eles vão libertar Cabral, Cunha, Geddel,
Palocci, Beira-Mar, só para mencionar uns poucos. Esses exploradores do lenocínio político que se tornou a
nossa nação transformaram a Suprema Corte em guardiã do assalto aos cofres
públicos, protetora das máfias partidárias, masturbadores persistentes das
mazelas nacionais.
A corja do STF é pior que Lula, Michel Temer, Palocci,
Geddel, Lucio Vieira Lima, Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Eliseu Padilha,
Romero Jucá, Jader Barbalho, juntos. Esse pessoal só queria roubar a nação,
eles tinham um propósito. Mas eles não tinham o poder de condenar a nação ao
eterno inferno do subdesenvolvimento e da violência. Os políticos podem ser
expulsos pelo voto, o que não é possível com os Kalifas do STF que
deveriam ser juízes em benefício do povo e não no próprio. Eles só podem ser retirados
pelo Congresso, onde estão os corruptos que os colocaram lá.
Eles têm o poder de condenar o país ao inferno do
subdesenvolvimento, e decidiram fazer exatamente isso. O pequeno e frágil
conjunto de regras da democracia é constantemente estuprado pelos parasitas
supremos, para proteger criminosos famosos. Então eles são mais criminosos do
que os criminosos que protegem. Quem defende bandido, bandido é.
Veja-se a decisão da cassação da chapa Dilma-Temer, onde o
Presidente na época prestou um serviço sujo ao seu mestre, deturpando a
legislação e a constituição, para mostrar gratidão a quem lhe deu o emprego.
Veja-se o outro soltando o amigo e parceiro de negócios do Rio, por diversas
vezes seguidas. Aos amigos tudo, aos inimigos a Lei. E o outro que pediu vistas
do caso do foro privilegiado, depois de já ter a maioria formada. É ou não é um
agente do obscurantismo defendendo o interesse dos seus mestres.
Os longos e hipócritas argumentos de proteção da
constituição proferidos quando a televisão está filmando se esvaem quando, em
lugar da proteção da constituição, entregam a cocaína da leniência populista e
hipócrita para deleite dos saqueadores da nação. São todos muito iguais,
nomeados pelos criminosos que deveriam julgar, parceiros nos crimes contra a
nação. Eles são da mesma forma que os corruptos, traidores da nação e dos
brasileiros em geral.
Diga-se por justiça, que não são todos iguais. A Corte faz
uma maioria macabra, mas existem almas solitárias que se rebelam contra isso,
em homenagem à própria consciência, mas são minoria.
Essa corte poderia se chamar Supremo Tribunal da Fornicação,
ou Tribunal da Eterna Prescrição. Ao longo da sua história, julgou menos de 5%
dos processos que lá chegam. Vejam o caso de Renan Calheiros, com 11 processos
e nenhum anda. Romero Jucá, Eliseu Padilha, Michel Temer, Lucio Vieira Lima, só
para mencionar alguns nomes. Meu Deus, o Brasil não merece isso. Todos esse
pessoal está protegido pelo STF. E agora o princípio Lula vai valer para todos.
Os criminosos da Lava Jato vão estar todos soltos, desfrutando do saque dos
últimos anos, e dividindo com os coadjuvantes dessa obra grotesca.
Esses juízes não se importam se os seus nomes fizerem parte
do esgoto da história. Eles querem o aqui e agora... Que se dane o futuro. São
hedonistas, amorais radicais, midiáticos embriagados, não se importam em ser
vilões, desde que forem remunerados adequadamente e estiverem na TV. O maior
mercador da Corte se comporta como Primeiro Ministro e degusta da mesma forma o
poder sobre o presidente e parlamentares enrolados, como do comando dos
jagunços de Mato Grosso. Ele aprecia muito os dois papéis. Esse é o maior
psicopata, que tem os políticos todos na mão, e sem nenhum pudor desfruta disso
avassaladoramente.
O que fazer? Precisamos no mínimo execrar esses personagens
macabros da desgraça nacional. Ir para rua. Introduzir mais leis de iniciativa
popular. Mudar a forma de indicar os juízes da Suprema Corte. Bandidos no
Executivo, bandidos no Legislativo, e bandidos no Judiciário, todos se
protegem, não farão leis que beneficiem o país, a não ser com pressão popular.
Votem em pessoas que nunca estiveram lá. Vamos trocar todos. Só o povo na rua
para acabar com esse incesto criminoso entre membros de todos os poderes. Vamos
começar indo para rua no dia 3 de abril, para tentar reverter o salvo conduto
do molusco pinguço e doente.
Nos já distantes começos dos anos 70, alguém — não me
recordo quem — intitulou de A Equipe a um conjunto de grandes atores
da cena internacional: Nixon, Kissinger, Brejnev, Willy Brandt, Pompidou,
e
outros ainda, que pareciam agir em uníssono na condução da distensão
(ou détente). Cada um deles, encarapitado em sua posição ideológica, em
sintonia surpreendente promovia a política cuja maior figura simbólica foi
Henry Kissinger [foto ao lado] — aqui e ali ainda lembrado hoje, com
exagero, como uma espécie de Metternich desse período. Anos e anos a fio. A
China estava fora da dança, ensaiava ainda os primeiros passos de uma escalada
que hoje a coloca como maior opositora dos Estados Unidos. Aliás, a détente criou
e favoreceu condições para a ascensão chinesa.
Por que lembro tais fatos? Simples. Acompanhando os recentes
acontecimentos de Brasília, a pontiaguda qualificação A Equipe me
obcecava a memória entristecida. Advogados celebrados, magistrados nos galarins
da imprensa, jornalistas acólitos, políticos na sombra, quem sabe grandes
empreiteiros encalacrados — quais outros partícipes? —, em sintonia
surpreendente, conduziram os fatos para desfecho combinado: a liminar antes
impensada até mesmo por todos os que diuturnamente nos órgãos de divulgação
previam qual seria o desenlace da votação do Habeas Corpus, cuja aprovação
livraria Lula da cana. Um de tais analistas observou, sobre o inesperado
desfecho provisório do caso (ainda vem coisa por aí), que o Brasil não é para
principiantes, e nem para experientes. Nem os mais experientes conseguem
conjeturar a fundo sobre as tramoias do jeitinho brasileiro (na ocorrência,
mal-empregado).
Deixemos de lado os jeitinhos, a coisa é séria.
Potencialmente, de apocalípticas consequências. Em substância, não vi
verberação dos fatos mais grave que a do senador paranaense Álvaro Dias (foto), de momento também presidenciável, o que confere a suas palavras
alcance maior: “O voto suspeito de seis ministros do Supremo provocou
grande indignação no país. Afinal, o ex-presidente da República está acima das
leis e o Supremo é uma instituição dedicada a protegê-lo evitando sua prisão?
Quando uma instituição essencial ao Estado de Direito se divorcia das
aspirações da sociedade, a República falece. A República faleceu. Nós vamos
continuar defendendo a refundação da República.”
Tomem nota: nas palavras de um dos mais destacados
senadores, o Brasil oficial é um cadáver. Sinônimo exato para faleceu. No caso,
a República foi assassinada. Se ela foi assassinada, existem assassinos. Mais
concretamente, de forma metafórica, o Brasil assistiu ao assassinato das
instituições do Estado. Aqui, empurrado de forma incoercível — por lógica comezinha,
digo eu — assassinato perpetrado por A Equipe.
Um cambalacho levou a um assassinato nas palavras do
senador. Ou o parlamentar paranaense é irresponsável, ou está afirmando que a
República faleceu por ter sido assassinada em suas instituições, em especial
por membros do Supremo. Quem assassina (destrói) instituições basilares do
Estado é incompatível com as funções que tão indignamente exerce. Deve sofrer,
por crime de responsabilidade, processo de impeachment, legalmente
conduzido pelo Senado. Claro, embora conjeturável, nada disso acontecerá. Por
quê? Inexistem condições políticas para tais providências. Membros de A
Equipe o impedirão. De outro modo, o País encontra-se manietado por um
contubérnio. E as vítimas indefesas do contubérnio assassino não foram apenas
as instituições; a punhalada varou em especial o coração da parte mais sadia do
Brasil, aquela particularmente ligada a seu passado cristão.
Em artigo de umas três semanas atrás, eu dizia o que agora
soa quase como vaticínio: “O Brasil parece estar de braço quebrado. Sua ‘maior
et sanior pars’, a gente que presta, o pessoal mais ativo e decisivo, sente
que, mesmo com os atuais recursos, eliminados obstáculos artificiais, muita
coisa boa pode ser feita já. […] A ‘sana pars’ do Brasil vê com clareza,
pode planejar a saída, mas as instituições a bem dizer tornam inviáveis
quaisquer movimentos nesse sentido. É uma espécie de imobilidade forçada que
não leva à cura.”
Constatava a execração, mas também — causada por
instituições que acorrentam a nação — a imobilidade forçada diante da
catástrofe. Ia adiante: “No Brasil dos anos 60 a ‘maior et sanior pars’presenciou
desgostada a irrupção nas praças e ruas do padre de passeata e
da freira de minissaia, como os ferreteou Nelson Rodrigues. Hoje fazem
companhia a eles o juiz de passeata e os procuradores de passeata, horrores
impensáveis naqueles já distantes anos, em que a gravidade, a discrição
funcional e o senso do bem comum dos magistrados parecia valor adquirido na
sociedade brasileira. A espetacularização achincalhante do Judiciário avança
despudorada sob o olhar asqueado da ‘sana pars’ do Brasil. São
trincas em uma das colunas institucionais do Brasil. O que fazer? De certa
maneira, aqui também, de forma temporária, estamos condenados à imobilidade.”
Condenados à imobilidade, outra vez, ferrolhos
institucionais. Eu dizia que a coluna está trincada. Álvaro Dias, agredido pela
realidade, foi mais longe: a coluna desmoronou em nossas cabeças. O que fazer,
dentro do ordenamento que nos agrilhoa, contra a degenerescência nos três
Poderes e em numerosas elites (ou oligarquias) da sociedade civil? Aqui está o
ponto.
Atribui-se a Konrad Adenauer, o lendário chanceler do
pós-guerra alemão, não sei se com fundamento, princípio político verdadeiro: o
primeiro dever de todo chefe político é cobrir a própria área. Em outros
termos, falar para ela, articulá-la, vivificá-la. No caso, tudo fazer para os
que agora inconformados não se acomodem, mas se solidifiquem em suas posições.
A expansão da inconformidade entre os de momento passivos e hesitantes,
providência essencial, fica para segundo momento lógico.
A reconfiguração do panorama é urgente, a opinião pública
ultrapassou um meridiano nos últimos dias. Com efeito, o Brasil inconformado
com a deterioração verificou traumatizado que nossas instituições, mesmo as
mais prestigiadas, estão podres, cheiram mal. Álvaro Dias chegou a dizer que
membros seus assassinaram a República.
E aí, fomos jogados diante do pavoroso. Posta a decomposição
geral do Brasil oficial, estando carcomidas as amarras da lei, a porta ficou
aberta para destruições, em proporções agora incalculáveis, do que resta de
progresso, esperança e dignidade em nosso futuro. Serão passos largos na mesma
estrada rumo ao precipício, já trilhada pela Venezuela.
Para tal, poderemos assistir ao espetáculo repetitivo de
magistrados graves — à vera, contrafações burlescas de Nelson Hungria e de
tantos outros —, no meio de vazia e aparatosa erudição, esbofeteando
despudoradamente disposições da legislação brasileira, para a adaptarem aos
intuitos inconfessáveis de membros decisivos de A Equipe. Entre elas, vão
aqui, apenas como ilustração, as constantes do artigo 8º do novo Código de
Processo Civil: “ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos
fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a
dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a
legalidade, a publicidade e a eficiência”. Onde nos últimos dias se escondeu a
preocupação com o bem comum? Com a dignidade? A obediência à razoabilidade?
Diante da aparente inutilidade de reagir, a tentação dos
inconformados será a acomodação diante da inflexibilidade dos que conduzem a
farândola demolidora. Quando não a adesão a soluções amalucadas. O caminho é
outro: fugir do desânimo, lucidez e persistência na esperança, mesmo dentro da
tragédia. Deus não abandonará um País fruto de tantas lágrimas. Como Santo
Agostinho, resgatado do descaminho pelo sofrimento e oração de Santa Mônica, um
dia brilhará para o Brasil a aurora de enorme grandeza cristã.
Bom dia amigos. Atualmente parece que alguns se surpreendem
com o que está acontecendo em nosso país. Eu sou um homem velho e estudei a
vida inteira para me contrapor aos comunistas/socialistas. Por isso, sempre
orientei meus jovens camaradas militares a respeito das mentiras que que eles
pregavam, então nada disso me espanta. Antigamente, alguns me chamavam de
PROFETA DO CAOS, no entanto tudo o que dizia aconteceu ou está acontecendo.
Parece-me que as pessoas do bem estudam pouco e só tomam ciência dos fatos
quando ocorre o pior. Falta-lhes visão prospectiva.
No Brasil, a nossa sorte foi termos conseguido preservar nossas Forças Armadas
da contaminação pelo socialismo e pela corrupção. Por isso, hoje elas atuam
como um indiscutível PODER MODERADOR e impedem a morte da doente democracia.
Peço a NOSSA SENHORA APARECIDA, padroeira do Brasil, que interceda junto ao
Senhor Deus, pedindo a ele que poupe nossa Pátria dos tormentos comunistas.
Vocês vão entender o título no final. Volto ao tema diante
da repercussão da última coluna, que tratava da sessão do STF que julgou o
pedido de habeas corpus do ex-presidente Lula. Por causa principalmente de um
termo muito usado pelos ministros — “teratológico” —, poucas vezes recebi
tantas mensagens, inclusive de colegas, a começar por minha diretora, que se
referiu criticamente “ao uso vaidoso e pretensioso de nosso idioma”.
De Brasília, a também jornalista Patricia Pinheiro mandou
uma divertida crônica que termina assim: “muito obrigada por me fazer saber o
que é teratológico e por me lembrar que temos dicionário em casa!”. Gerson
Camarotti, que estava no plenário da Corte cobrindo a sessão, conta que
perguntou para todos os companheiros o que era teratologia.
“Só fiquei mais tranquilo depois de perceber que eles também
desconheciam aquela palavra da moda no Supremo. Você esclareceu a minha
dúvida”. Então, digamos, foi uma retribuição a quem várias vezes por semana, no
“Em pauta”, da GloboNews, esclarece as minhas dúvidas políticas.
Houve quem me gozasse: “Vai dizer que na Academia vocês
também não usam termos difíceis?” Como outras instituições, temos os nossos
códigos e usamos, sim, mas internamente, entre os pares, não em sessões
televisionadas. A propósito, o poeta e acadêmico Geraldo Carneiro comentou que
os juízes — “com exceção do Barroso e às vezes da Cármen Lúcia — têm a mania
teratológica de falar difícil”.
Inclemente, ele lembrou os personagens que Molière chamou de
“preciosas ridículas”. “Jamais usam o gerúndio, ao contrário de Camões, Vieira,
Eça, Machado etc. Têm horror à fala das ruas, assim como têm horror ao cidadão
comum”.
Dos inúmeros comentários recebidos, o mais surpreendente foi
um, por sinal bem-humorado, transmitido através do WhatsApp de meu amigo
Roberto D’Avila, porque o remetente não tinha meu endereço. Adivinhem de quem?
Do ministro Luís Roberto Barroso, confessando ter apreendido o sentido de “mal
secreto” lendo meu livro sobre a inveja com esse título. Ele usou a expressão
contra o seu desafeto no famoso bate-boca da véspera (ainda bem que não citou o
autor. Já imaginaram eu metido nessa briga como que tomando o partido contra um
dos lados?. E que lado! Tremo só de pensar).
Barroso se disse “triste” com o episódio, acrescentando, que
“ainda assim o humor ajuda”. E terminou com um exemplo para ajudar na definição
do polêmico adjetivo: “teratológicos são os nossos tempos. Completamente
anormais”.
Zuenir Ventura - Sétimo ocupante da Cadeira n.º 32 da ABL,
foi eleito no dia 30 de outubro de 2014, na sucessão do Acadêmico Ariano
Suassuna, e recebido no dia 6 de março de 2015, pela Acadêmica Cleonice
Berardinelli.
Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original
A Fundação Casa de
Jorge Amado, de Salvador, publicou o livro “Poemas Iberoamericanos”, do autor
baiano (de Itabuna) Cyro de Mattos, na
Coleção Casa de Palavras. O livro havia sido publicado no ano passado pela
Editora Palimage, de Coimbra, Portugal, na coleção Palavra e Imagem.
Com prefácio do poeta e Doutor em Letras Carlos Felipe Moisés,
da USP, o livro é dividido em três partes: poemas brasileiros, poemas
portugueses e poemas espanhóis. Para a crítica, estes “Poemas Iberoamericanos”
em boa hora nos trazem de volta o poeta de Itabuna, cidadão do mundo, na posse
de sua arte luminosa e verdadeira.
Reafirmam o que a sua poesia tem demais regional e, simultaneamente, de mais
universal. No prefácio à edição, Carlos Felipe Moisés afirma que na presente
coletâneasurpreende ( para alguns ) o
consórcio entre o regional e o universal,a confirmar a justeza da observação de Graça Capinha, doutora da
Universidade de Coimbra, em Portugal, ao se referir ao livro “Vinte Poemas do
Rio”.
“Itabuna, Ilhéus, Salvador, Lisboa, Coimbra, Salamanca,
Toledo são os cenários de predileção do poeta, explicitamente referidos, poema
a poema, e ali aparecem como que entrelaçados, submetidos ao mesmo olhar
inquieto, que incessantemente luta com as palavras (como diria Drummond), no
encalço da poesia comum que seus versos possam captar”, observa o prefaciador.
E completa sua opinião: “Para além dos localismosmais ou menos exóticos, o lugar da poesia é
qualquer lugar onde o poetacinrcunstancialmente esteja, dispostos a permitir que “a cor local” se
transforme em paleta multicolorida – como faz com maestria, o poeta de
Itabuna.”
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Sobre Cyro de Mattos:
Baiano de Itabuna. Escritor e poeta, Doutor Honoris Causa
pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Sul da Bahia). Membro efetivo da
Academia de Letras da Bahia, Pen Clube do Brasil, Academia de Letras de Ilhéus
e Academia de Letras de Itabuna.
Teu cansaço ou fraqueza é fruto da tua falta de limites.
O “excesso de bagagem” que carregas e que torna tua vida mais pesada se deve à
suposta necessidade de exagerado controle das coisas e das pessoas e à falsa ideia
de que és superior em tudo o que fazes.
Tua ansiedade te leva a fazer ou a resolver as coisas
imediatamente. O que poderias executar em um dia queres fazer em
instantes.
Teu perfeccionismo impõe-te realizar tarefas impecáveis,
quando poderias fazê-las com esmero, mas não com perfeição. Ao invés de
viveres cada dia como uma alegre e fascinante viagem de aprendizado, tomas a
vida como uma expedição cansativa e constrangedora, com metas
inatingíveis. O perfeccionismo é inimigo de tua paz interior.
Tua insegurança te induz a concretizar feitos e eventos, não
para tua realização interior, e sim para receberes aplausos exteriores.
A necessidade de te sentires superior te traz um elevado dispêndio de
energia emocional.
Tua baixa estima te leva aos pícaros do exagero em produzir
cada vez mais. Por sentires menos que os outros, tendes a compensar tua auto
desconsideração tentando fazer diversas coisas ao mesmo tempo. A preocupação
com o julgamento dos outros te faz “tropeçar” nas estradas da vida.
Tua exaustão não é produto de teu trabalho no bem, nem perda
energética na doação de forcas ao edifício do Cristo, mas produto do teu “ego
onipotente”, que acredita que tudo pode, tudo faz e tudo deve ver.
No labor cristão, felizmente, o esforço e o desgaste são
restaurados, a criatura se alimenta energeticamente. Entra em contato com
seus potenciais internos e, a partir daí, sente os prazeres da alma. A
respeito disso escreve Paulo de Tarso: “por isto, eu me comprazo nas
fraquezas, nos opróbrios, nas necessidades, nas angústias por causa de
Cristo. Pois quando sou fraco, então é que sou forte”.
Portanto, tem calma. Calma não é lentidão ou
desleixo. É, antes de tudo, conquista de quem aprendeu que o Criador
sempre faz a sua parte, esperando que a criatura, igualmente, faca a sua.
Lembra-te de que a tua parte é uma pequena parcela que deve ser retirada de
tuas forcas e utilizada de conformidade com teus limites, ou seja,
proporcionalmente a tuas conquistas e possibilidades.
Livro: Um modo de entender uma nova forma de viver – Fco. do
Espirito Santo Neto – ditado por Hammed
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
João.
— Glória a vós, Senhor.
No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de
Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha
sido retirada do túmulo. Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão
Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o
Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”.
Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao
túmulo. Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa
que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Olhando para dentro, viu as faixas
de linho no chão, mas não entrou.
Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e
entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que
tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num
lugar à parte.
Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado
primeiro ao túmulo. Ele viu, e acreditou.
De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura,
segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.
Ligue o vídeo abaixo e assista a música “Porque Ele vive”
cantada por Natan, Mary, Carol e Caio:
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Travessia
para a Galileia: mulheres portadora de perfumes
“Maria Madalena e Maria, a mãe de Tiago e Salomé, compraram
perfumes para ungir o corpo de Jesus.
E bem cedo, no primeiro dia da semana, ao nascer do sol,
elas foram ao túmulo” (Mc 16,1-2)
As mulheres revelaram uma presença fundamental nos relatos
da Páscoa. Elas seguiram e serviram a Jesus com seus bens pelos caminhos da
Galileia (Lc 8,1-3) e permaneceram fiéis até o final, até a Cruz. São
testemunhas, como tantas mulheres de hoje, da fidelidade nas situações limite,
onde o que lhes toca fazer é estar e acompanhar, na sua impotência e luto, até
que emerja o inédito. São testemunhas da semente do amor entregue, que, embora
invisível no ventre da terra, vai pouco a pouco abrindo caminho para a luz,
afastando pedras e abrindo sepulcros, dando à luz o novo, porque o Deus de
Jesus não é um Deus de mortos, mas de vivos. Frente à traição e a ausência dos
discípulos, as mulheres foram significativas por sua lealdade. Enquanto o grupo
de homens se trancou na passividade covarde, elas optaram pelo enfrentamento da
realidade, vencendo o medo, colocando-se a caminho.
Das mulheres que foram ao sepulcro na manhã de Páscoa
levando perfumes podemos aprender sua capacidade de enfrentar os acontecimentos
com sabedoria e audácia. Elas são as mulheres “mirróforas”, ou seja, portadoras
de perfumes, que madrugam para ir ungir o corpo de Jesus. São conscientes do
tamanho da pedra e de sua impossibilidade de removê-la, mas isso não é um
obstáculo em sua determinação de ir ao túmulo para fazer memória d’Aquele que
abriu para elas um horizonte de sentido. A alusão ao “primeiro dia da semana” e
o “nascer do sol” acompanham a entrada delas em cena, na madrugada da Páscoa:
estamos no começo da Nova Criação e a luz da Ressurreição as envolve em seu
resplendor.
Quem busca, encontra; as mulheres foram as primeiras que
viram este instigante sinal: a grande pedra tinha sido removida e o túmulo
estava vazio. E foram as primeiras a “entrar”. Entraram no túmulo: esta foi a
experiência das discípulas de Jesus, ou seja, entraram no mistério que Deus
realizou com sua vigília de amor. Não se pode fazer a experiência da Páscoa sem
“entrar” no mistério.
“Entrar no mistério’ significa capacidade de assombro, de
contemplação; capacidade de escutar o silêncio e sentir o sussurro de fio de
silêncio sonoro no qual Deus nos fala. ‘Entrar no mistério’ requer de nós que
não tenhamos medo da realidade: não nos fechemos em nós mesmos, não fujamos
perante aquilo que não entendemos, não fechemos os olhos diante dos problemas,
não os neguemos, não eliminemos as questões...
‘Entrar no mistério’ significa ir mais além das cômodas
certezas, mais além da preguiça e da indiferença que nos freiam, e pôr-se em
busca da verdade, da beleza e do amor, buscar um sentido não óbvio, uma
resposta não banal às questões que põem em crise nossa fé, nossa fidelidade e
nossa razão.
Para 'entrar no mistério’ é preciso humildade, a humildade
de abaixar-se, de descer do pedestal de nosso eu tão orgulhoso, de nossa
presunção. A humildade para redimensionar a própria estima, reconhecendo o que
realmente somos: criaturas com virtudes e defeitos, pecadores necessitados de
perdão. Para entrar no mistério é preciso este abaixamento que é impotência,
esvaziando-nos das próprias idolatrias, adoração. Sem adorar, não se pode
entrar no mistério” (Papa Francisco – Missa da Vigília Pascal – 2015).
As mulheres buscaram Jesus no lugar equivocado, embora ali
aprenderam uma lição inesquecível: é inútil buscá-lo no lugar da morte. Esse
espaço está desabitado. O jovem de branco associa a ressurreição a uma tumba
vazia: “Ressuscitou, não está aqui” (v.6). O cenário da morte carece de
respostas. A busca deverá ser feita no espaço onde se desenvolve a vida. As
mulheres entendem que corresponde a elas tomar a iniciativa e tirar da covardia
o grupo de discípulos, transmitindo um encargo a todos os que abandonaram Jesus
e, em especial, a quem chegou a renegá-Lo: “...dizei a seus discípulos e a
Pedro...” (v.7).
Agora, finalmente, Marcos cita os discípulos. Através das
mulheres, eles receberão o encargo de Jesus. Elas se converteram em mensageiras
da boa notícia; elas assumiram o protagonismo e relançaram o projeto do Reino a
partir de sua grande intuição: na Galileia começou a história e ali deverá ser
reiniciada. Seguir as pegadas do Galileu confirma que Ele vai adiante guiando
os seus seguidores e seguidoras. Percorrer seus passos garante ao grupo a
experiência de contar com Ele: “Ele irá à vossa frente, na Galileia; lá vós o
vereis, como ele mesmo tinha dito” (v.7).
Para o evangelista Marcos, voltar à Galileia significa
retomar e prolongar a mensagem e a proposta do Reino de Jesus. Foi ali na
Galileia que Jesus começou sua vida pública e atuou como aquele que veio
aliviar o sofrimento humano, com a certeza de que o Reino tinha chegado e que
Deus faria mudar a forma de vida dos homens, partindo precisamente dos mais
pobres e excluídos. Dessa forma, inicia-se um grande “movimento humanizador”, a
partir de baixo, ou seja, dos últimos e pobres, anunciando e preparando a
chegada do Reino na Galileia.
Esta volta à Galileia tem, portanto, um sentido teológico,
kerigmático e geográfico, marca o começo da nova comunidade dos seguidores e
seguidoras de Jesus. Para Marcos, nesse entorno da Galileia está o futuro do
Evangelho. A partir desse lugar deve iniciar-se o novo caminho do seguimento.
Por isso, os(as) discípulos(as) devem entrar em sintonia com o modo original de
ser e de viver de Jesus na Galileia. É ali que se devem encontrar todos os que
são de Jesus (Pedro, as mulheres, os discípulos de Jerusalém), para também ali
retomar e prolongar o movimento iniciado pelo Mestre de Nazaré.
A partir desse pano de fundo, entende-se a palavra final do
evangelho de hoje: “lá vós o vereis”. Ver a Jesus significa aprender a olhar
como Ele olhava e a viver como Ele vivia, colocando a vida a serviço dos coxos,
mancos, cegos, doentes, expulsos da sociedade... Ver a Jesus significa ver a
partir de Jesus (como Ele faria hoje), nas novas condições pessoais e sociais
de um mundo que parece condenado à morte, como aquele em que Jesus viveu.
Vendo a Jesus poderemos ver tudo de um modo diferente, vendo
o sofrimento das pessoas, ouvindo seus gritos. A missão está aberta. Esse é o
caminho do Evangelho, carregando em nossas pobres mãos, como as mulheres da
Páscoa, o perfume da Nova vida ressuscitada. E assim como o mau odor repele e
afugenta, o bom odor atrai e convida ao seguimento.
Mas é sobretudo através do “modo cristificado de ser e
viver” que os(as) seguidores(as) de Jesus exalam um bom odor, criam uma
atmosfera perfumada ao seu redor. Assim, às vezes nos encontramos com ambientes
que nos cativam e atraem, que desprendem um aroma agradável e prazeroso. São
ambientes nos quais reina a acolhida, a afabilidade, o compromisso, a simplicidade. Sempre agrada ficar por mais tempo. Nossa memória parte dali amavelmente
carregada com energia salutar e nossos pulmões saem repletos de ar purificado,
limpo...
Também existem outros ambientes cujo ar é irrespirável,
fétido, com mau odor. São lugares onde há competições, agressividade e
violência, onde as pessoas são manipuladas as pessoas; são atmosferas
arrogantes, infectadas, orgulhosas, vazias. Saímos dalí meio asfixiados,
desejando não querer voltar mais.
Todos nós cristãos fomos ungidos com o óleo santo no
batismo, fomos besuntados e massageados com um bálsamo cristificante. Por isso
trazemos a força sanadora do perfume de Cristo, para sermos presenças
diferenciadas em lugares que cheiram à morte e poder manifestar a beleza da
vida cristã com a qualidade do nosso aroma.
Somos uma fragrância que é o símbolo da vida, e que,
derramada em favor das pessoas, inunda o mundo, comunicando a salvação.
Páscoa é expandir o perfume da vida que nos envolve.
Desejo uma “Páscoa perfumada” a todos
vocês.
Texto bíblico: Mc 16,1-7
Na oração: Como as mulheres “mirróforas”, tomemos
consciência dos aromas que levamos para perfumar os ambientes com odor de
morte, de rigidez, de indiferença, de medo... para que se transformem em
espaços com cheiro de vida, de liberdade, de ternura e acolhida.
- Quê aromas captamos e reproduzimos em nossas casas, em
nossas comunidades, em nossos contextos...?