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domingo, 4 de março de 2018

ATAQUE A UMA FAZENDA - Carlos Pereira Filho


Ataque a uma fazenda


            Houve um comentário geral e depois o silêncio. João Borges tinha executado Henrique Félix, penhorado e tomado a sua fazenda, alguns quilômetros acima de Itabuna.

            Ninguém se conformava com o silêncio e a resignação de Henrique Félix, um homem tão barulhento e tão valente, que perdera a fazenda e nada fizera. Algumas pessoas afirmavam que tomara medo da jagunçada de João Borges, outros que recebera dinheiro, por fora, e muitos diziam que Henrique Félix estava preparando, calmamente,  a resposta e que esperassem o que sucederia com João Borges.

            Passaram-se dias. João Borges foi morar na fazenda, com a família. Tranquilamente desfrutava o clima maravilhoso da fazenda e apreciava a paisagem magnífica do local.

            Tropas de burros subiam e desciam pela estrada que, beirando o rio, passava na frente da casa grande da fazenda. João Borges, homem ativo, gostava daquele movimento e contemplava as nuvens de poeira que os burros levantavam no seu trote. Aquela estrada era a principal de Itabuna, ligava o seu centro comercial ao seu centro produtor, até o sertão. Era um trecho da velha estrada que Felisberto Gomes Caldeira havia mandado abrir para a ligação do mar, em Ilhéus, ao sertão de Minas.

            Longe do seu espírito estava a ideia de um ataque de surpresa. Amigos que conheciam Henrique Félix, afirmavam a João Borges, que ele estava conformado, nem mais havia tocado no assunto da fazenda.

            Numa madrugada, porém, mal o galo acabara de cantar e o dia de clarear, alguém bateu forte na porta da frente da casa grande. Bateu a primeira e a segunda vez. João Borges perguntou quem era e, de fora, responderam que era de paz, que podia abrir a porta sem susto.

            Entre confiante e inquieto, confiante na mansidão da voz, inquieto, pensando no inimigo, João Borges abriu a porta da casa grande. Um susto tremendo o estremeceu, dos pés à cabeça. Henrique Félix, em pessoa, acompanhado da jagunçada foi entrando casa adentro e atirando.

            Um pânico estabeleceu-se, com mulheres gritando, em ataques, chorando, inclusive visitas, que estavam passando dias na fazenda.

            Henrique Félix foi peremptório e decisivo. Retirassem-se todos, menos João Borges, que tinha contas a ajustar com ele, naquela madrugada.

            Gritos, apelos, lágrimas não comoveram o atacante. Retirassem-se, todos, imediatamente. Num canto da sala, meio encolhido, acobardado, acabrunhado, impotente, sem ação, pálido, com os olhos desmesuradamente abertos e cabelos vermelhos arrepiados, João Borges acompanhava todos os movimentos daquela cena trágica e inesperada, naquela madrugada que indicava ser a última da sua vida.

            Depois que Henrique Félix tangeu de casa, as mulheres de camisolas, com cabelos desgrenhados, mortas de medo, fulminadas pela aspereza daquele ataque selvagem, comandado por um bruto, sem noção de coisa alguma, virou-se para um dos seus “capangas” e ordenou: - Fuzile este homem.

            O capanga, imediatamente, manobrou a repetição e a apontou, contra João Borges.

            Já João Borges estava ajoelhado, no chão, pedindo, implorando, pelo amor de Deus, que não o matasse, não cometesse aquele ato. Ele entregaria a fazenda, não queria mais aquela fazenda, renunciaria a tudo, perderia o dinheiro. Deixassem-no, com a vida, somente com a vida. As lágrimas caíam, o corpo tremia todo, o pavor se estampava na sua face dura de homem duro, conquistador das selvas.

            Henrique Félix riu-se, com aquele seu riso, acanhada o cínico. O “capanga” esperava, somente, a ordem de fazer fogo, de apertar o gatilho. Henrique Félix suspendeu a ordem de fuzilamento. João Borges foi expulso da casa grande e de cabeça baixa, desceu estrada abaixo para Itabuna.

            No dia imediato, o assalto da fazenda, era o assunto forçado das rodas, nas ruas de Itabuna. Na porta da farmácia do Tourinho, a rodinha fazia os comentários. E Tourinho, com aquele espírito que o dominava dizia: esse Henrique Félix é um artista. Levou a melhor.  Naturalmente conseguiu o que desejava do seu credor e desta ou daquela forma ganhou na embrulhada. Também, concluiu, a lição foi boa. Esses usurários, que emprestam dinheiro para ficar com as fazendas alheias, merecem isto mesmo; deveria é ter morrido até.

(TERRAS DE ITABUNA, Cap. XVIII)
Carlos Pereira Filho.

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À MARGEM DA INTERVENÇÃO NO RIO: CRIMINALIDADE, DROGAS E VALORES MORAIS


4 de Março de 2018 
  

Marcos Costa

Caro leitor, qual seria a sua reação se encontrasse em um dos cotidianos de maior tiragem do Brasil, ou, melhor ainda, na recente Campanha da Fraternidade lançada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), este título: Valores Morais, a solução para a criminalidade e para as drogas!

Valores Morais? Infelizmente, a defesa desses valores não se encontra na Campanha da CNBB.
 Mas vem da área civil, um primeiro lampejo de onde procurar a solução do Brasil contemporâneo.

“El País”, conhecido diário madrilenho, reproduz em sua edição-Brasil, de 27 de fevereiro último, esta frase de Raul Jungmann: “[…] pela frouxidão dos costumes, pela ausência de valores, pela ausência de capacidade hoje de entender os limites entre o que é lícito e ilícito passam a consumir drogas”.

Não é objetivo neste artigo entrar em questões meramente politico-partidárias. Faz parte de nossa meta o retorno aos valores morais, alicerce de toda sociedade, sobretudo da Civilização Cristã.

Foi-se o tempo da Revolução da Sorbonne (1968) com a sua golfada de orgulho e sensualidade: “É proibido proibir”. São 50 anos desde que nossos pais foram deformados pela quebra dos valores morais.

Felizmente, talvez suscitado pela própria Providência Divina, começa a levantar-se no Brasil uma reação sadia — embora não inteiramente explicitada por falta de líderes que a interpretem —, como o demonstraram bem as manifestações gigantescas na capital paulista, no Rio e em incontáveis cidades brasileiras. Sim, nossas manifestações gigantescas não foram apenas para o impeachment de Dilma Rousseff. Os cartazes, as faixas, os slogans clamavam por uma Reconstrução do Brasil [foto ao lado].

Nessa geração que agora acorda e vai tomando força por sua afirmatividade nas Redes Sociais (falo das redes sadias tão odiadas pelo PT e pela mídia de esquerda) está a solução do Brasil.
Solução, sim, se soubermos pautar a nossa conduta pelos eternos e sempre novos valores morais.

O que são e como alimentar os valores morais nessa geração? Isso fica para outra ocasião.



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PALAVRA DA SALVAÇÃO (68)

3º Domingo da Quaresma – 04/03/2018

Anúncio do Evangelho (Jo 2,13-25)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós!
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor!

Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. No Templo, encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas que estavam aí sentados. Fez então um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. E disse aos que vendiam pombas: “Tirai isso daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!”
Seus discípulos lembraram-se, mais tarde, que a Escritura diz: “O zelo por tua casa me consumirá”.
Então os judeus perguntaram a Jesus: “Que sinal nos mostras para agir assim?”
Ele respondeu: “Destruí este Templo, e em três dias eu o levantarei”.
Os judeus disseram: “Quarenta e seis anos foram precisos para a construção deste santuário e tu o levantarás em três dias?”
Mas Jesus estava falando do Templo do seu corpo. Quando Jesus ressuscitou, os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra dele.
Jesus estava em Jerusalém durante a festa da Páscoa. Vendo os sinais que realizava, muitos creram no seu nome. Mas Jesus não lhes dava crédito, pois ele conhecia a todos; e não precisava do testemunho de ninguém acerca do ser humano, porque ele conhecia o homem por dentro.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM:

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Religião sem templos?

“Fez então um chicote de cordas e expulsou todos do Templo…” (Jo 2,15) 

A Quaresma nos oferece os grandes sinais da vida e da mensagem de Jesus: das tentações (1º. dom.) e transfiguração (2º. dom.) à expulsão dos comerciantes do Templo (3º. dom.). Este terceiro sinal, vinculado com a construção do novo Templo (formado pela vida dos cristãos, unida à vida de Cristo), está no centro da mensagem de Jesus. E revela-se uma ocasião privilegiada para denunciar a tendência da religião cristã em distanciar-se da mensagem de Jesus e deixar-se contaminar pelo poder, pela riqueza, pela vaidade... Todos devemos nos empenhar em destruir muitas coisas do “velho templo” que fomos construindo ao longo da história. 

João, à diferença dos outros evangelistas, situa o relato da expulsão dos comerciantes do Templo no começo do ministério de Jesus. O espaço do Templo tinha se convertido em mercado, e se encontrava dominado pelos comerciantes da religião, vendedores e sacerdotes. Com sua atitude, Jesus combate uma religião que está a serviço do “deus-dinheiro”, deixando de ser mediação de vida, de comunhão e partilha dos bens. Evidentemente, este não é o templo de Jesus, que veio chamar e convocar aqueles que não podem comprar “bois-ovelhas-pombas”. Jesus expulsou os mercadores-vendedores do templo porque estes expulsaram Deus de suas vidas e da realidade cotidiana; queriam ter Deus sob seu controle para se enriquecer com o sagrado. 

Por que este gesto violento de Jesus para com aqueles que dominavam o templo e manipulavam Deus em favor de seus interesses? Porque, para eles, o primeiro e o intocável era “o ritual” e “o sagrado” (com todas as suas consequências). Enquanto que, para Jesus, o primeiro e o intocável, era “o humano” (a vida humana, o respeito ao humano, a dignidade de todos os seres humanos por igual). Jesus se situou do lado da vida e da felicidade dos seres humanos. De fato, as preocupações de Jesus não foram nunca nem as observâncias rituais do templo, nem a inviolabilidade do sagrado, nem a dignidade dos sacerdotes, nem os poderes da religião... As preocupações de Jesus foram: a saúde das pessoas (relatos de curas), a mesa da partilha e da inclusão (relatos de refeições), a reconstrução das relações entre os humanos (o sermão da Montanha). 

Jesus foi um profeta leigo; não foi sacerdote, nem funcionário da religião, nem mestre da lei, nem nada parecido. Mais ainda, Jesus viveu e falou de tal maneira que logo entrou em conflito com os dirigentes da religião de seu tempo, os sacerdotes e os funcionários do Templo, que eram os representantes oficiais do “religioso” e do “sagrado”. 

Se há algo que é claro e é repetido tantas vezes nos Evangelhos é que os “homens da religião” não suportaram o Evangelho de Jesus, centrado na vida e não no Templo. E não o suportaram porque eles   viram, em Jesus, um perigo e uma ameaça aos seus privilégios. Enquanto o projeto deles era defender e manter o Templo com seus ritos e normas, com suas dignidades e privilégios, com seus poderes sobre o povo, o projeto de Jesus centrava-se na cura dos enfermos, na proximidade junto aos mais pobres, aos pequenos, aos pecadores e a todo tipo de pessoas desprezadas e rejeitadas pelos dirigentes religiosos. Tudo isto é o que Jesus privilegiou, inclusive transgredindo as normas da religião, enfrentando os escribas, fariseus, os sacerdotes e atuando com violência contra aqueles que utilizavam o templo como negócio, até convertê-lo em “casa de comércio”. O Compassivo não quer sangue, nem incenso, nem ritos...; quer compaixão, ternura, quer justiça, quer que todos vivam e vivam intensamente. 

Sabemos que em toda religião o determinante está no sagrado. No projeto de Jesus, o centro de tudo está no humano, na dignidade e na felicidade das pessoas, na vida. Jesus não suprimiu o sagrado, mas o deslocou do religioso ao humano. Este é o verdadeiramente sagrado para Jesus. Seu projeto não é projeto “religioso”, mas a vida humana; o central na sua vida não foi o religioso, mas o humano e a humanidade. 

Por isso, Jesus prescindiu do Templo para relacionar-se com Deus. Ele se encontrava com o Pai não no espaço sagrado do Templo, nem no tempo sagrado do culto religioso, mas no espaço cotidiano do encontro com as pessoas. Seu Templo era a convivência com as pessoas, sobretudo as mais excluídas. 

Jesus foi um piedoso israelita que teve uma forte experiência de Deus, a quem chamava Pai e que fomentava a oração não no templo, mas no monte, nos lugares solitários e silenciosos. Sua “religiosidade” não estava vinculada ao templo nem aos rituais sagrados. 

Frente ao projeto que chamava “Reinado de Deus”, Jesus foi questionando uma religião que desumanizava as pessoas. Ele mesmo foi relativizando os pilares da religião: o sábado, a “pureza” legal, o pecado, o Templo, o culto, os sacrifícios, as doutrinas... Pouco a pouco, foi colocando tudo em questão, infringindo suas normas e atacando a hipocrisia de um culto a Deus que desprezava as pessoas. 

Para aqueles que veem em Jesus o novo Templo onde habita Deus, tudo é diferente. Quem deseja viver a fundo e encontrar-se com Deus (“os verdadeiros adoradores do Pai), não é preciso ir a um templo ou outro, frequentar uma religião ou outra. É necessário aproximar-se de Jesus, entrar em seu projeto, seguir seus passos, viver sob o impulso do seu Espírito. 

Neste Novo Templo, que é Jesus, para adorar a Deus não bastam o incenso, as aclamações nem as liturgias solenes. Os verdadeiros adoradores são aqueles que vivem diante de Deus “em espírito e em verdade”. A verdadeira adoração consiste em viver com o “Espírito” de Jesus e na “Verdade” do Evangelho. Sem isto, o culto é “adoração vazia”. 

Nós dizemos que a religião é um meio (mediação) para nos relacionar com Deus. Mas nem sempre caímos na conta que a religião com seus rituais (templos, ritos, o sagrado, os sacerdotes, a normativa religiosa...) ocupam tanto espaço e alcançam tanta importância na experiência dos indivíduos e da sociedade que Deus acaba ficando deslocado da vida e desfigurado em sua imagem de Pai/Mãe de misericórdia. O que acontece, com muita frequência, é que a religião, seus ritos, suas hierarquias e suas normas, em lugar de fazer-nos aproximar de Deus e fazer-nos pessoas melhores, na realidade fazem é complicar nossa relação com Deus e, sobretudo, dificultam nossas relações sociais, religiosas ou simplesmente humanas. 

No Reino de Deus não se requer “templos” mas corpos vivos. Estes são os santuários de Deus, onde brilha Sua presença e Seu amor, onde as pessoas vivem dignamente. Jesus não veio para continuar a linha religiosa tradicional. Veio para propor uma humanidade restaurada a partir do princípio da centralidade da vida das pessoas que vivem com dignidade. Sobre esta base é possível sonhar e construir outra maneira de viver e outra maneira de ser. 

Neste Novo Templo, que é a vida dos(as) seguidores(as) de Jesus, não se faz discriminação alguma, nem se fomenta a desigualdade, a submissão e o medo. Não há espaços diferentes para homens e mulheres. Em Cristo já “ não há varão e mulher”. Não há raças eleitas nem povos excluídos. Os únicos preferidos são os necessitados de amor e de vida.

Necessitamos, sim, de igrejas e templos para celebrar e fazer memória de Jesus como Senhor, mas Ele é nosso verdadeiro Templo. Os templos físicos não podem ser fronteiras que dividem o sagrado do profano, mas espaços onde vivemos a sacralidade de toda a vida. 

Texto bíblico:  Jo. 2,13-25    

Na oração:  As portas do “novo Templo”, que é Jesus, estão abertas para todos; ninguém está excluído.
Podem entrar nele os pecadores, os impuros, os excluídos, os marginalizados da religião...
O Deus que habita em Jesus é de todos e para todos.
Somos também o “novo templo”, morada do Espírito, presença que alarga nosso interior para que todos possam ali ter acesso.
- Quem são os “frequentadores” do seu “templo interior”? 

Pe. Adroaldo Palaoro sj
http://centroloyola.org.br/revista/outras-palavras/espiritualidade/1220-religiao-sem-templos

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sábado, 3 de março de 2018

07 DE MARÇO EM CURITIBA 'ICARO' LANÇAMENTO APPRIS EDITORA


Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Formada em Ciências Biológicas pela PUC-PR, Marisol mora em Curitiba e dedica seu tempo a projetos de preservação ambiental e campanhas em defesa dos animais. Trabalha como tradutora de espanhol e italiano e redatora de blogs de turismo. A maioria de seus livros é ambientada em Curitiba. Em cada trama, Marisol conta um pouquinho da história de sua cidade.

“Todo o processo dele dentro da trama é baseado no desejo de voar muito alto e no rancor derivado de suas limitações.”
Boa Leitura!

Escritora Marisol, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, em quem momento surgiu inspiração para a escrita de “Ícaro”?

Marisol - Todos os meus personagens possuem inspiração na vida comum, no dia a dia. Nesse caso específico me inspirei em uma pessoa muito inteligente que conheci, mas que tinha o hábito de manipular seu entorno, justamente por ter uma inteligência acima da média e limitações impostas por sequelas de uma paralisia cerebral. A partir da observação dessa pessoa, desenvolvi o personagem Afonso. Todo o processo dele dentro da trama é baseado no desejo de voar muito alto e no rancor derivado de suas limitações.

Como foi a escolha do título?

Marisol - Foi espontânea, não cheguei a pensar sobre isso. Me ocorreu de forma natural. Quando comecei a escrever o texto, já tinha o título. Asas de cera. Desejo de voar. Desejo de subir muito alto, mas sem ter condições para isso. Esse é o Ícaro.

Apresente-nos a obra.

Marisol - Deborah é uma jovem mãe e uma mulher muito bela. Sua vida é dedicada ao filho pequeno e ao trabalho com crianças especiais. Ela mora em uma linda casa em Gramado (RS) e tem um casamento estável com um bioquímico. Seu marido é apaixonado por ela e dedicado à família que formaram juntos. Com uma boa situação financeira, vivem uma vida tranquila em todos os aspectos. No entanto essa vida, aparentemente perfeita, passa a se desintegrar baseada em alguns comportamentos estranhos de Deborah e pela repulsa que passa a demonstrar pelo marido. Esse comportamento acaba sendo observado em seu círculo de amigos e também em seu trabalho. A partir do momento em que ela se dá conta de que precisa de ajuda, após crises de pânico que colocam em risco sua segurança, procura ajuda profissional e dá início a uma psicoterapia com um profissional muito competente. Seu atormentado passado, aos poucos, começa a vir à tona. No entanto, será necessário mais do que isso para descobrir o que de fato ocorreu em sua vida. Somente com a ajuda da hipnoterapia serão conhecidos os segredos terríveis guardados no mais profundo de seu inconsciente, e uma corrida contra o tempo terá início para salvar a vida de seu único filho.

Quais os principais desafios para a escrita desta obra literária?

Marisol - Não encontrei nenhuma dificuldade para escrever ou publicareste texto. Foi tudo muito tranquilo, pois já tinha tudo pronto na cabeça ao começar a escrever, e na primeira vez que enviei o original para uma editora, foi aceito.

Qual o momento, enquanto escrevia o enredo, que mais a marcou?

Marisol - Não houve nenhum fato fora da normalidade enquanto eu escrevia o texto. Foi tudo muito tranquilo. O momento marcante foi quando recebi a capa do livro para aprovação. Fiquei encantada, aquele desenho parecia ter saído do meu pensamento enquanto escrevia. A capa do Ícaro representa o meu sentimento ao escrever o texto. Recebi como um presente, como algo especial e pessoal do designer da Appris, Anderson Silveira. Aliás, todo o processo de edição do livro foi muito positivo. A interação com minha equipe de apoio, sempre gentil e profissional, foi fundamental para o resultado final.

O que mais chama a sua atenção no suspense psicológico, que a fez escrever uma obra com esse perfil?

Marisol - Escrevo sobre a vida, sobre as pessoas... e a vida é assim. As pessoas são assim... boas e más, positivas e negativas. Dessa dualidade, derivam as ações dos personagens e também das pessoas. Utilizo o material humano.

Com relação ao lançamento, onde será, qual o dia e horário?
Marisol - Dia 7 de abril de 2018, no Paço da Liberdade, Praça Generoso Marques, em Curitiba.

Por quanto a obra será comercializada no evento?

Marisol - 35,00 reais.

Quem não puder comparecer ao evento de lançamento, onde poderá comprar o livro?

Marisol - Em todas as livrarias nacionais e pelo site da editora Appris(www.editoraapris.com.br). O ebook estará disponível pela Amazon.

Quais os seus principais objetivos como escritora? Você pensa em escrever novos livros?

Marisol – Lançarei em setembro, pela editora Appris, dois novos títulos: O canto do cisne e Dança comigo? No momento, estou escrevendo O lado escuro da lua, um suspense que gira em torno de um crime cometido em família. Objetivo? Acho que é o mesmo de qualquer escritor: ser lida.

Que desafios você encontra no mercado literário brasileiro?

Marisol - O livro é um produto que precisa atingir seu público-alvo. Marketing. Acho que o mercado livreiro precisa de profissionais que trabalhem com a divulgação desses trabalhos após sua finalização por parte da editora.

Conte-nos, em sua opinião o que cada leitor pode fazer para ajudar a vencermos os desafios encontrados no mercado literário brasileiro?

Marisol - Acreditar que entre os escritores nacionais também existem muitos talentos, e dar chance ao trabalho nacional, adquirindo obras de autores nacionais.

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Marisol. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Marisol - Leiam. Leiam muito! Nenhuma viagem é tão maravilhosa quanto a viagem feita por meio de um livro bem escrito.

Para contato, deixo meu endereço de e-mail:
A todos os leitores meu muito obrigada.

Divulga Escritor, unindo você ao mundo através da Literatura


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TEMOS QUE SER SENTIMENTAIS! - Antonio Nunes de Souza


Por mais que queiramos encarar as coisas que acontecem em nossa volta com naturalidade, sempre tem algumas que nos atingem de tal forma que, nossa forças são dominadas, nos fazendo fraquejar e demonstrar como somos frágeis perante as adversidades da vida!

A morte por exemplo, por mais que saibamos ser o destino de todos, quando chega através de pessoas amigas e queridas, inclusive e principalmente parentes, nos deixa completamente tristes e arrasados. E foi o que me aconteceu, saber minutos atrás da morte de meu querido e adorado amigo Lúcio, médico dos bons e companheiros de festas e eventos dos mais alegres, brincalhão e educado!

Imagine você que meu amigo, tranquilo e aparentemente saudável, jamais fumou, pouco bebia, cuidava-se bem graças a sua profissão e, sem mais nem menos, de uma hora para outra, sofre um AVC fulminante, indo a óbito imediatamente!

Essa notícia recebi com muita tristeza, deixando-me completamente debilitado pelo sentimento de carinho e afeto que tinha por meu estimado Lúcio!

Sabendo que também terei o meu dia, suponho que, muitos dos meus amigos sentirão a mesma coisa. Mas, fiquem tranquilos que, com certeza, estarei de braços abertos esperando por eles, e Deus ajude que seja no céu!


Antonio Nunes de Souza, escritor
Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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INFUSÃO DE LUZ II - Mashubi Rochell


Uma infusão de luz espiritual mais profunda está ocorrendo agora, fortalecendo o relacionamento entre a terceira dimensão, a realidade fisicamente manifesta e os reinos da luz. Isto está criando inúmeras experiências novas para os indivíduos e para a humanidade.

Há uma mudança de nível acontecendo para alguns cuja essência foi preparada para receber as altas dimensões da luz espiritual. Há uma crescente interpenetração entre os reinos de luz e os reinos da  consciência.
Alguns estão tendo experiências crescentes de fenômenos intuitivos, clarividência, pré-cognição e sonhos intensamente significativos. Relacionamentos espirituais estão se movendo para maior amor, luz, verdade e visibilidade. 

Todos os relacionamentos são relacionamentos espirituais, e a cada dia mais todos estão começando a enxergar com grande clareza, intensa nitidez. Nossa casa está vibrando, o que está criando uma série mais significativa de rupturas do tempo, enquanto a energia de nosso planeta se ajusta às frequências de dimensões mais elevadas que estão sendo implantadas aqui na  Terra.

O processo de purificação está alcançando um estágio superior com manifestações de separação das energias da luz, das energias da escuridão. Este poderá ser um tempo desafiador, pois as energias da escuridão são expostas e liberadas de modos mais dramáticos... Entretanto, é importante lembrar que a Luz divina é a força mais poderosa na Terra, e até muito mais poderosa do que estas energias mais difíceis que estão sendo expressas e liberadas.

A Unidade de Deus chama e você ouve. Retorne com o seu desejo, seu amor e a sua ânsia de ser Uno com o seu Ser verdadeiro. Entregue-se e flua, permitindo que a  Luz Divina o conduza ao Lar, ao seu coração divino e a tudo o que você mais almeja. Com todo o amor e bênçãos.

"Gotas de Crystal" gotasdecrystal@gmail.com

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sexta-feira, 2 de março de 2018

DE PAI PARA FILHO: O GOLEIRO LELETA E SUA HISTÓRIA


Por Edônio Alves

Desta feita, mais uma vez amparado pela relação literatura e futebol, vamos destrinçar aqui a história de uma grande homenagem, tecida pelas malhas da ficção. O autor deste conto de futebol é Cyro de Matos, um experiente escritor que tem no jogo de bola aos pés uma das chaves de sua literatura abrangente e multifacetada. A análise que fizemos do seu texto, abaixo, visa tão somente apresentar ao apreciador deste blog (porque uma análise literária mais abrangente não caberia nesse espaço) a perícia que alguns escritores do tema têm ao jogar com a palavra como se bola elas fossem. Boa leitura!

 ***
O goleiro Leleta

Esta é uma narrativa simplória sobre futebol, o que não quer dizer desprovida de tom dramático e certo lirismo às vezes bucólico, às vezes elegíaco, que derrama seus efeitos sobre o leitor. O motivo do texto é contar uma situação humana particular vivida por entre um clima que mistura festa e alegria com pesar e tristeza. E em meio a tudo isso, o flagrar-se a universalidade do futebol enquanto motivo de sociabilidade humana presente nas mais diferentes culturas e nos mais distantes e longínquos rincões do mundo.

O bucolismo do texto é responsável por apresentar ao leitor essa faceta ubíqua da facilidade do jogo de bola em servir de fator de congraçamento universal entre os homens estejam onde eles estiverem. Trinta blocos-parágrafos de texto, quem sabe figurando os trinta anos de existência do Expressinho de Burburinho do Paraíso, clube de um lugarejo cerca de vinte quilômetros perto de Rio Claro, cidade onde se desenrola a história, são usados pelo narrador para contar um dia na sua vida e na vida de Leleta, o goleiro do time em apreço, que ao evitar um gol defendendo um pênalti em favor do adversário, dá o primeiro título ao clube fundado pelo seu pai, logo no dia em que ele morreu.

Depois de apresentar o lócus dos maiores atrativos da gente pacata dos dois lugarejos ­ em que se desenrola a história, nos dois blocos-textos que seguem:

“Em Rio Claro existe uma praça com jardim. A bandinha toca valsas, choros e marchas no coreto, aos domingos pela manhã. O cinema foi instalado no salão atrás da feirinha. O padroeiro da cidade é Santo Antônio, sua pequena igreja foi construída numa colina e é avistada de qualquer parte da cidade. Os fiéis chegam até à igreja depois de subirem uma escadaria com muitos degraus”.

***
“Burburinho do Paraíso (…) é bastante falado por causa da feira que funciona na pracinha onde o trem faz uma parada antes de seguir para o fim da linha, nas imediações do vilarejo de Serra Grande. O movimento é intenso em Burburinho do Paraíso aos sábados. A feira tem tudo que se possa imaginar. (…) Os moradores de Burburinho do Paraíso dizem que ali é que é lugar de viver. Ora essa, é um lugar mais bonito que Rio Claro. Nem se pode comparar” -, 

o narrador desce propriamente às coisas do futebol sugerindo ligeiramente o clima de rivalidade entre as duas localidades. É esse clima que vai servindo de pano de fundo para se descortinar, através de uma prosa escorreita e leve, emocionalmente envolvente e psicologicamente empatizante, o dia triste de Leleta, vivido na mais esfuziante alegria, com a conquista do título de campeão pelo clube fundado pelo seu pai e no qual era ídolo da torcida.

“Quando se discute futebol em Rio Claro, na praça ou em outro lugar, o torcedor do São José Futebol Clube, sem esconder certo orgulho na voz, diz que o seu time é o mais querido na cidade. É o que tem mais torcida e mais títulos de campeão, entre os filiados à Liga Amadora de Futebol de Rio Claro”.

Todavia, há que se registrar, é precisamente esse contraste de uma cidade maior com um time melhor que prepara e potencializa, ao nível da narrativa, o impacto dramático do título de campeão, conseguido pelo Expressinho de Burburinho do Paraíso e vivido por Leleta, justamente no dia em que este perde seu pai:

“Quem esteve com o goleiro Leleta antes de começar o jogo ficou admirado de sua passiva tristeza. Ele explicou que queria jogar aquela partida de qualquer maneira porque nada mais adiantava fazer. ´(…) Essa é uma hora que chega pra todos nós`, observou, com seu jeito simples. Mas não ia ser um acontecimento difícil daquele que ia tirar a sua tranquilidade e impedir que defendesse as cores do Expressinho de Burburinho do Paraíso”.

Consta, como se sabe, que o jogo houve e que o Expressinho de Burburinho do Paraíso foi campeão sobre o São José Futebol Clube, para a alegria e a tristeza do seu goleiro Leleta. E consta também que é típico do futebol o assentar-se sobre certos paradoxos de fundação, como o de separar para unir, o de perder pra ganhar, por exemplo; e aqui, o de sorrir para chorar, como conta Cyro de Matos nesta narrativa sob este aspecto bastante exemplar.

“Tudo era só festa na arquibancada e na geral. A torcida do Expressinho de Burburinho do Paraíso vibrava e cantava. Torcedores abraçavam-se. No gramado, um menino, que tinha Leleta como seu maior ídolo e depois viria a escrever esta história, viu quando o goleiro pegou a bola com as mãos sujas e aninhou-a no peito, como se estivesse tentando abafar uma dor que vinha pulsando dentro dele. (…) Geralmente, o goleiro atirava a bola ou sua camisa para o velho Neco no meio dos torcedores, onde sempre gostava de ficar, quando o Expressinho de Burburinho do Paraíso ganhava uma partida importante”.

Esta partida era particularmente importante, mas este não é o fim de tudo porque ainda consta que, então, o goleiro Leleta chorou muito só  – muito só -, debaixo do gol.

PARA SABER MAIS:

O conto O goleiro Leleta, analisado acima, integra a coletânea de história curtas organizada pelo autor, intitulada Contos brasileiros de futebol, publicada pela editora LGE, de Brasília, em 2005, e o livro O Goleiro Leleta e Outras Fascinantes Histórias de Futebol, Prêmio Adolfo Aizen da União Brasileira de Escritores, Rio de Janeiro,  Editora Saraiva, São Paulo, 2009.


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