Houve um
comentário geral e depois o silêncio. João Borges tinha executado Henrique
Félix, penhorado e tomado a sua fazenda, alguns quilômetros acima de Itabuna.
Ninguém se
conformava com o silêncio e a resignação de Henrique Félix, um homem tão
barulhento e tão valente, que perdera a fazenda e nada fizera. Algumas pessoas
afirmavam que tomara medo da jagunçada de João Borges, outros que recebera
dinheiro, por fora, e muitos diziam que Henrique Félix estava preparando,
calmamente,a resposta e que esperassem
o que sucederia com João Borges.
Passaram-se
dias. João Borges foi morar na fazenda, com a família. Tranquilamente desfrutava
o clima maravilhoso da fazenda e apreciava a paisagem magnífica do local.
Tropas de
burros subiam e desciam pela estrada que, beirando o rio, passava na frente da
casa grande da fazenda. João Borges, homem ativo, gostava daquele movimento e
contemplava as nuvens de poeira que os burros levantavam no seu trote. Aquela estrada
era a principal de Itabuna, ligava o seu centro comercial ao seu centro
produtor, até o sertão. Era um trecho da velha estrada que Felisberto Gomes
Caldeira havia mandado abrir para a ligação do mar, em Ilhéus, ao sertão de
Minas.
Longe do seu espírito estava a ideia
de um ataque de surpresa. Amigos que conheciam Henrique Félix, afirmavam a João
Borges, que ele estava conformado, nem mais havia tocado no assunto da fazenda.
Numa madrugada,
porém, mal o galo acabara de cantar e o dia de clarear, alguém bateu forte na
porta da frente da casa grande. Bateu a primeira e a segunda vez. João Borges
perguntou quem era e, de fora, responderam que era de paz, que podia abrir a
porta sem susto.
Entre confiante
e inquieto, confiante na mansidão da voz, inquieto, pensando no inimigo, João
Borges abriu a porta da casa grande. Um susto tremendo o estremeceu, dos pés à
cabeça. Henrique Félix, em pessoa, acompanhado da jagunçada foi entrando casa adentro
e atirando.
Um pânico
estabeleceu-se, com mulheres gritando, em ataques, chorando, inclusive visitas,
que estavam passando dias na fazenda.
Henrique Félix
foi peremptório e decisivo. Retirassem-se todos, menos João Borges, que tinha
contas a ajustar com ele, naquela madrugada.
Gritos,
apelos, lágrimas não comoveram o atacante. Retirassem-se, todos, imediatamente.
Num canto da sala, meio encolhido, acobardado, acabrunhado, impotente, sem
ação, pálido, com os olhos desmesuradamente abertos e cabelos vermelhos
arrepiados, João Borges acompanhava todos os movimentos daquela cena trágica e
inesperada, naquela madrugada que indicava ser a última da sua vida.
Depois que
Henrique Félix tangeu de casa, as mulheres de camisolas, com cabelos desgrenhados,
mortas de medo, fulminadas pela aspereza daquele ataque selvagem, comandado por
um bruto, sem noção de coisa alguma, virou-se para um dos seus “capangas” e
ordenou: - Fuzile este homem.
O capanga,
imediatamente, manobrou a repetição e a apontou, contra João Borges.
Já João
Borges estava ajoelhado, no chão, pedindo, implorando, pelo amor de Deus, que
não o matasse, não cometesse aquele ato. Ele entregaria a fazenda, não queria
mais aquela fazenda, renunciaria a tudo, perderia o dinheiro. Deixassem-no, com
a vida, somente com a vida. As lágrimas caíam, o corpo tremia todo, o pavor se
estampava na sua face dura de homem duro, conquistador das selvas.
Henrique Félix
riu-se, com aquele seu riso, acanhada o cínico. O “capanga” esperava, somente,
a ordem de fazer fogo, de apertar o gatilho. Henrique Félix suspendeu a ordem
de fuzilamento. João Borges foi expulso da casa grande e de cabeça baixa,
desceu estrada abaixo para Itabuna.
No dia
imediato, o assalto da fazenda, era o assunto forçado das rodas, nas ruas de
Itabuna. Na porta da farmácia do Tourinho, a rodinha fazia os comentários. E Tourinho,
com aquele espírito que o dominava dizia: esse Henrique Félix é um artista. Levou
a melhor.Naturalmente conseguiu o que
desejava do seu credor e desta ou daquela forma ganhou na embrulhada. Também, concluiu,
a lição foi boa. Esses usurários, que emprestam dinheiro para ficar com as
fazendas alheias, merecem isto mesmo; deveria é ter morrido até.
Caro leitor, qual seria a sua reação se encontrasse em um
dos cotidianos de maior tiragem do Brasil, ou, melhor ainda, na recente Campanha
da Fraternidade lançada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
(CNBB), este título: Valores Morais, a solução para a criminalidade e para as
drogas!
Valores Morais? Infelizmente, a defesa desses valores
não se encontra na Campanha da CNBB.
Mas vem da área
civil, um primeiro lampejo de onde procurar a solução do Brasil contemporâneo.
“El País”, conhecido diário madrilenho, reproduz em sua
edição-Brasil, de 27 de fevereiro último, esta frase de Raul Jungmann: “[…]
pela frouxidão dos costumes, pela ausência de valores, pela ausência de
capacidade hoje de entender os limites entre o que é lícito e ilícito passam a
consumir drogas”.
Não é objetivo neste artigo entrar em questões meramente
politico-partidárias. Faz parte de nossa meta o retorno aos valores morais,
alicerce de toda sociedade, sobretudo da Civilização Cristã.
Foi-se o tempo da Revolução da Sorbonne (1968) com a sua
golfada de orgulho e sensualidade: “É proibido proibir”. São 50 anos desde
que nossos pais foram deformados pela quebra dos valores morais.
Felizmente, talvez suscitado pela própria Providência
Divina, começa a levantar-se no Brasil uma reação sadia — embora não
inteiramente explicitada por falta de líderes que a interpretem —, como o
demonstraram bem as manifestações gigantescas na capital paulista, no Rio e em
incontáveis cidades brasileiras. Sim, nossas manifestações gigantescas não
foram apenas para o impeachment de Dilma Rousseff. Os cartazes, as
faixas, os slogans clamavam por uma Reconstrução do Brasil [foto ao lado].
Nessa geração que agora acorda e vai tomando força por sua
afirmatividade nas Redes Sociais (falo das redes sadias tão odiadas pelo PT e
pela mídia de esquerda) está a solução do Brasil.
Solução, sim, se soubermos
pautar a nossa conduta pelos eternos e sempre novos valores morais.
O que são e como alimentar os valores morais nessa geração?
Isso fica para outra ocasião.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
João.
— Glória a vós, Senhor!
Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a
Jerusalém. No Templo, encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas e
os cambistas que estavam aí sentados. Fez então um chicote de cordas e
expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e
derrubou as mesas dos cambistas. E disse aos que vendiam pombas: “Tirai
isso daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!”
Seus discípulos lembraram-se, mais tarde, que a Escritura
diz: “O zelo por tua casa me consumirá”.
Então os judeus perguntaram a Jesus: “Que sinal nos mostras
para agir assim?”
Ele respondeu: “Destruí este Templo, e em três dias eu o
levantarei”.
Os judeus disseram: “Quarenta e seis anos foram precisos
para a construção deste santuário e tu o levantarás em três dias?”
Mas Jesus estava falando do Templo do seu corpo. Quando
Jesus ressuscitou, os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito e
acreditaram na Escritura e na palavra dele.
Jesus estava em Jerusalém durante a festa da Páscoa. Vendo
os sinais que realizava, muitos creram no seu nome. Mas Jesus não lhes
dava crédito, pois ele conhecia a todos; e não precisava do testemunho de
ninguém acerca do ser humano, porque ele conhecia o homem por dentro.
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Frei Alvaci
Mendes da Luz, OFM:
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Religião sem templos?
“Fez então um chicote de cordas e expulsou todos do Templo…”
(Jo 2,15)
A Quaresma nos oferece os grandes sinais da vida e da
mensagem de Jesus: das tentações (1º. dom.) e transfiguração (2º. dom.) à
expulsão dos comerciantes do Templo (3º. dom.). Este terceiro sinal, vinculado
com a construção do novo Templo (formado pela vida dos cristãos, unida à vida
de Cristo), está no centro da mensagem de Jesus. E revela-se uma ocasião
privilegiada para denunciar a tendência da religião cristã em distanciar-se da
mensagem de Jesus e deixar-se contaminar pelo poder, pela riqueza, pela
vaidade... Todos devemos nos empenhar em destruir muitas coisas do “velho
templo” que fomos construindo ao longo da história.
João, à diferença dos outros evangelistas, situa o relato da
expulsão dos comerciantes do Templo no começo do ministério de Jesus. O espaço
do Templo tinha se convertido em mercado, e se encontrava dominado pelos
comerciantes da religião, vendedores e sacerdotes. Com sua atitude, Jesus
combate uma religião que está a serviço do “deus-dinheiro”, deixando de ser
mediação de vida, de comunhão e partilha dos bens. Evidentemente, este não é o
templo de Jesus, que veio chamar e convocar aqueles que não podem comprar
“bois-ovelhas-pombas”. Jesus expulsou os mercadores-vendedores do templo porque
estes expulsaram Deus de suas vidas e da realidade cotidiana; queriam ter Deus
sob seu controle para se enriquecer com o sagrado.
Por que este gesto violento de Jesus para com aqueles que
dominavam o templo e manipulavam Deus em favor de seus interesses? Porque, para
eles, o primeiro e o intocável era “o ritual” e “o sagrado” (com todas as suas
consequências). Enquanto que, para Jesus, o primeiro e o intocável, era “o
humano” (a vida humana, o respeito ao humano, a dignidade de todos os seres
humanos por igual). Jesus se situou do lado da vida e da felicidade dos seres
humanos. De fato, as preocupações de Jesus não foram nunca nem as observâncias
rituais do templo, nem a inviolabilidade do sagrado, nem a dignidade dos
sacerdotes, nem os poderes da religião... As preocupações de Jesus foram: a
saúde das pessoas (relatos de curas), a mesa da partilha e da inclusão (relatos
de refeições), a reconstrução das relações entre os humanos (o sermão da
Montanha).
Jesus foi um profeta leigo; não foi sacerdote, nem
funcionário da religião, nem mestre da lei, nem nada parecido. Mais ainda,
Jesus viveu e falou de tal maneira que logo entrou em conflito com os
dirigentes da religião de seu tempo, os sacerdotes e os funcionários do Templo,
que eram os representantes oficiais do “religioso” e do “sagrado”.
Se há algo que é claro e é repetido tantas vezes nos
Evangelhos é que os “homens da religião” não suportaram o Evangelho de Jesus,
centrado na vida e não no Templo. E não o suportaram porque eles
viram, em Jesus, um perigo e uma ameaça aos seus privilégios. Enquanto o
projeto deles era defender e manter o Templo com seus ritos e normas, com suas
dignidades e privilégios, com seus poderes sobre o povo, o projeto de Jesus
centrava-se na cura dos enfermos, na proximidade junto aos mais pobres, aos
pequenos, aos pecadores e a todo tipo de pessoas desprezadas e rejeitadas pelos
dirigentes religiosos. Tudo isto é o que Jesus privilegiou, inclusive
transgredindo as normas da religião, enfrentando os escribas, fariseus, os
sacerdotes e atuando com violência contra aqueles que utilizavam o templo como
negócio, até convertê-lo em “casa de comércio”. O Compassivo não quer sangue,
nem incenso, nem ritos...; quer compaixão, ternura, quer justiça, quer que
todos vivam e vivam intensamente.
Sabemos que em toda religião o determinante está no sagrado.
No projeto de Jesus, o centro de tudo está no humano, na dignidade e na
felicidade das pessoas, na vida. Jesus não suprimiu o sagrado, mas o deslocou
do religioso ao humano. Este é o verdadeiramente sagrado para Jesus. Seu
projeto não é projeto “religioso”, mas a vida humana; o central na sua vida não
foi o religioso, mas o humano e a humanidade.
Por isso, Jesus prescindiu do Templo para relacionar-se com
Deus. Ele se encontrava com o Pai não no espaço sagrado do Templo, nem no tempo
sagrado do culto religioso, mas no espaço cotidiano do encontro com as pessoas.
Seu Templo era a convivência com as pessoas, sobretudo as mais excluídas.
Jesus foi um piedoso israelita que teve uma forte
experiência de Deus, a quem chamava Pai e que fomentava a oração não no templo,
mas no monte, nos lugares solitários e silenciosos. Sua “religiosidade” não
estava vinculada ao templo nem aos rituais sagrados.
Frente ao projeto que chamava “Reinado de Deus”, Jesus foi
questionando uma religião que desumanizava as pessoas. Ele mesmo foi
relativizando os pilares da religião: o sábado, a “pureza” legal, o pecado,
o Templo, o culto, os sacrifícios, as doutrinas... Pouco a pouco, foi
colocando tudo em questão, infringindo suas normas e atacando a hipocrisia de
um culto a Deus que desprezava as pessoas.
Para aqueles que veem em Jesus o novo Templo onde habita
Deus, tudo é diferente. Quem deseja viver a fundo e encontrar-se com Deus (“os
verdadeiros adoradores do Pai), não é preciso ir a um templo ou outro,
frequentar uma religião ou outra. É necessário aproximar-se de Jesus, entrar em
seu projeto, seguir seus passos, viver sob o impulso do seu Espírito.
Neste Novo Templo, que é Jesus, para adorar a Deus não
bastam o incenso, as aclamações nem as liturgias solenes. Os verdadeiros
adoradores são aqueles que vivem diante de Deus “em espírito e em verdade”. A
verdadeira adoração consiste em viver com o “Espírito” de Jesus e na “Verdade”
do Evangelho. Sem isto, o culto é “adoração vazia”.
Nós dizemos que a religião é um meio (mediação) para nos
relacionar com Deus. Mas nem sempre caímos na conta que a religião com seus rituais
(templos, ritos, o sagrado, os sacerdotes, a normativa religiosa...) ocupam
tanto espaço e alcançam tanta importância na experiência dos indivíduos e da
sociedade que Deus acaba ficando deslocado da vida e desfigurado em sua imagem
de Pai/Mãe de misericórdia. O que acontece, com muita frequência, é que a
religião, seus ritos, suas hierarquias e suas normas, em lugar de fazer-nos
aproximar de Deus e fazer-nos pessoas melhores, na realidade fazem é complicar
nossa relação com Deus e, sobretudo, dificultam nossas relações sociais,
religiosas ou simplesmente humanas.
No Reino de Deus não se requer “templos” mas corpos vivos.
Estes são os santuários de Deus, onde brilha Sua presença e Seu amor, onde as
pessoas vivem dignamente. Jesus não veio para continuar a linha religiosa
tradicional. Veio para propor uma humanidade restaurada a partir do princípio
da centralidade da vida das pessoas que vivem com dignidade. Sobre esta base é
possível sonhar e construir outra maneira de viver e outra maneira de ser.
Neste Novo Templo, que é a vida dos(as) seguidores(as) de
Jesus, não se faz discriminação alguma, nem se fomenta a desigualdade, a
submissão e o medo. Não há espaços diferentes para homens e mulheres. Em Cristo
já “ não há varão e mulher”. Não há raças eleitas nem povos excluídos. Os
únicos preferidos são os necessitados de amor e de vida.
Necessitamos, sim, de igrejas e templos para celebrar e
fazer memória de Jesus como Senhor, mas Ele é nosso verdadeiro Templo. Os
templos físicos não podem ser fronteiras que dividem o sagrado do profano, mas
espaços onde vivemos a sacralidade de toda a vida.
Texto bíblico: Jo. 2,13-25
Na oração: As portas do “novo Templo”, que é Jesus,
estão abertas para todos; ninguém está excluído.
Podem entrar nele os pecadores, os impuros, os excluídos, os
marginalizados da religião...
O Deus que habita em Jesus é de todos e para todos.
Somos também o “novo templo”, morada do Espírito, presença
que alarga nosso interior para que todos possam ali ter acesso.
- Quem são os “frequentadores” do seu “templo
interior”?
Formada em Ciências Biológicas pela PUC-PR, Marisol mora em
Curitiba e dedica seu tempo a projetos de preservação ambiental e campanhas em
defesa dos animais. Trabalha como tradutora de espanhol e italiano e redatora
de blogs de turismo. A maioria de seus livros é ambientada em Curitiba. Em cada
trama, Marisol conta um pouquinho da história de sua cidade.
“Todo o processo dele dentro da trama é baseado no desejo de
voar muito alto e no rancor derivado de suas limitações.”
Boa Leitura!
Escritora Marisol, é um prazer contarmos com a sua
participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, em quem momento surgiu
inspiração para a escrita de “Ícaro”?
Marisol - Todos os meus personagens possuem inspiração
na vida comum, no dia a dia. Nesse caso específico me inspirei em uma pessoa
muito inteligente que conheci, mas que tinha o hábito de manipular seu entorno,
justamente por ter uma inteligência acima da média e limitações impostas por
sequelas de uma paralisia cerebral. A partir da observação dessa pessoa,
desenvolvi o personagem Afonso. Todo o processo dele dentro da trama é baseado
no desejo de voar muito alto e no rancor derivado de suas limitações.
Como foi a escolha do título?
Marisol - Foi espontânea, não cheguei a pensar sobre
isso. Me ocorreu de forma natural. Quando comecei a escrever o texto, já tinha
o título. Asas de cera. Desejo de voar. Desejo de subir muito alto, mas sem ter
condições para isso. Esse é o Ícaro.
Apresente-nos a obra.
Marisol - Deborah é uma jovem mãe e uma mulher muito
bela. Sua vida é dedicada ao filho pequeno e ao trabalho com crianças
especiais. Ela mora em uma linda casa em Gramado (RS) e tem um casamento
estável com um bioquímico. Seu marido é apaixonado por ela e dedicado à família
que formaram juntos. Com uma boa situação financeira, vivem uma vida tranquila
em todos os aspectos. No entanto essa vida, aparentemente perfeita, passa a se
desintegrar baseada em alguns comportamentos estranhos de Deborah e pela
repulsa que passa a demonstrar pelo marido. Esse comportamento acaba sendo
observado em seu círculo de amigos e também em seu trabalho. A partir do
momento em que ela se dá conta de que precisa de ajuda, após crises de pânico
que colocam em risco sua segurança, procura ajuda profissional e dá início a uma
psicoterapia com um profissional muito competente. Seu atormentado passado, aos
poucos, começa a vir à tona. No entanto, será necessário mais do que isso para
descobrir o que de fato ocorreu em sua vida. Somente com a ajuda da
hipnoterapia serão conhecidos os segredos terríveis guardados no mais profundo
de seu inconsciente, e uma corrida contra o tempo terá início para salvar a
vida de seu único filho.
Quais os principais desafios para a escrita desta obra
literária?
Marisol - Não encontrei nenhuma dificuldade para
escrever ou publicareste texto. Foi tudo muito tranquilo, pois já tinha tudo
pronto na cabeça ao começar a escrever, e na primeira vez que enviei o original
para uma editora, foi aceito.
Qual o momento, enquanto escrevia o enredo, que mais a
marcou?
Marisol - Não houve nenhum fato fora da normalidade
enquanto eu escrevia o texto. Foi tudo muito tranquilo. O momento marcante foi
quando recebi a capa do livro para aprovação. Fiquei encantada, aquele desenho
parecia ter saído do meu pensamento enquanto escrevia. A capa do Ícaro
representa o meu sentimento ao escrever o texto. Recebi como um presente, como
algo especial e pessoal do designer da Appris, Anderson Silveira. Aliás, todo o
processo de edição do livro foi muito positivo. A interação com minha equipe de
apoio, sempre gentil e profissional, foi fundamental para o resultado final.
O que mais chama a sua atenção no suspense psicológico, que
a fez escrever uma obra com esse perfil?
Marisol - Escrevo sobre a vida, sobre as pessoas... e a
vida é assim. As pessoas são assim... boas e más, positivas e negativas. Dessa
dualidade, derivam as ações dos personagens e também das pessoas. Utilizo o
material humano.
Com relação ao lançamento, onde será, qual o dia e horário?
Marisol - Dia 7 de abril de 2018, no Paço da Liberdade,
Praça Generoso Marques, em Curitiba.
Por quanto a obra será comercializada no evento?
Marisol - 35,00 reais.
Quem não puder comparecer ao evento de lançamento, onde
poderá comprar o livro?
Marisol - Em todas as livrarias nacionais e pelo site
da editora Appris(www.editoraapris.com.br). O ebook estará disponível pela
Amazon.
Quais os seus principais objetivos como escritora? Você
pensa em escrever novos livros?
Marisol – Lançarei em setembro, pela editora Appris,
dois novos títulos: O canto do cisne e Dança comigo? No momento, estou
escrevendo O lado escuro da lua, um suspense que gira em torno de um crime
cometido em família. Objetivo? Acho que é o mesmo de qualquer escritor: ser
lida.
Que desafios você encontra no mercado literário brasileiro?
Marisol - O livro é um produto que precisa atingir seu
público-alvo. Marketing. Acho que o mercado livreiro precisa de profissionais
que trabalhem com a divulgação desses trabalhos após sua finalização por parte
da editora.
Conte-nos, em sua opinião o que cada leitor pode fazer para
ajudar a vencermos os desafios encontrados no mercado literário brasileiro?
Marisol - Acreditar que entre os escritores nacionais
também existem muitos talentos, e dar chance ao trabalho nacional, adquirindo
obras de autores nacionais.
Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom
conhecer melhor a escritora Marisol. Agradecemos sua participação na Revista
Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?
Marisol - Leiam. Leiam muito! Nenhuma viagem é tão
maravilhosa quanto a viagem feita por meio de um livro bem escrito.
Por mais que queiramos encarar as coisas que acontecem em
nossa volta com naturalidade, sempre tem algumas que nos atingem de tal forma
que, nossa forças são dominadas, nos fazendo fraquejar e demonstrar como somos
frágeis perante as adversidades da vida!
A morte por exemplo, por mais que saibamos ser o destino de
todos, quando chega através de pessoas amigas e queridas, inclusive e
principalmente parentes, nos deixa completamente tristes e arrasados. E foi o
que me aconteceu, saber minutos atrás da morte de meu querido e adorado amigo
Lúcio, médico dos bons e companheiros de festas e eventos dos mais alegres,
brincalhão e educado!
Imagine você que meu amigo, tranquilo e aparentemente
saudável, jamais fumou, pouco bebia, cuidava-se bem graças a sua profissão e,
sem mais nem menos, de uma hora para outra, sofre um AVC fulminante, indo a
óbito imediatamente!
Essa notícia recebi com muita tristeza, deixando-me
completamente debilitado pelo sentimento de carinho e afeto que tinha por meu
estimado Lúcio!
Sabendo que também terei o meu dia, suponho que, muitos dos
meus amigos sentirão a mesma coisa. Mas, fiquem tranquilos que, com certeza,
estarei de braços abertos esperando por eles, e Deus ajude que seja no céu!
Uma infusão de luz espiritual mais profunda está ocorrendo
agora, fortalecendo o relacionamento entre a terceira dimensão, a
realidade fisicamente manifesta e os reinos da luz. Isto está
criando inúmeras experiências novas para os indivíduos e para a
humanidade.
Há uma mudança de nível acontecendo para alguns cuja
essência foi preparada para receber as altas dimensões da luz espiritual.
Há uma crescente interpenetração entre os reinos de luz e os reinos
da consciência.
Alguns estão tendo experiências crescentes de fenômenos
intuitivos, clarividência, pré-cognição e sonhos intensamente
significativos. Relacionamentos espirituais estão se movendo para maior
amor, luz, verdade e visibilidade.
Todos os relacionamentos são relacionamentos
espirituais, e a cada dia mais todos estão começando a enxergar com grande
clareza, intensa nitidez. Nossa casa está vibrando, o que está criando uma
série mais significativa de rupturas do tempo, enquanto a energia de nosso
planeta se ajusta às frequências de dimensões mais elevadas que estão
sendo implantadas aqui na Terra.
O processo de purificação está alcançando um
estágio superior com manifestações de separação das energias da luz, das
energias da escuridão. Este poderá ser um tempo desafiador, pois as energias da
escuridão são expostas e liberadas de modos mais dramáticos... Entretanto, é
importante lembrar que a Luz divina é a força mais poderosa na Terra, e até
muito mais poderosa do que estas energias mais difíceis que estão sendo
expressas e liberadas.
A Unidade de Deus chama e você ouve. Retorne com o seu
desejo, seu amor e a sua ânsia de ser Uno com o seu Ser verdadeiro. Entregue-se
e flua, permitindo que a Luz Divina o conduza ao Lar, ao seu coração
divino e a tudo o que você mais almeja. Com todo o amor e bênçãos.
Desta feita, mais uma vez amparado pela relação literatura e
futebol, vamos destrinçar aqui a história de uma grande homenagem, tecida pelas
malhas da ficção. O autor deste conto de futebol é Cyro de Matos, um experiente
escritor que tem no jogo de bola aos pés uma das chaves de sua literatura
abrangente e multifacetada. A análise que fizemos do seu texto, abaixo, visa
tão somente apresentar ao apreciador deste blog (porque uma análise literária
mais abrangente não caberia nesse espaço) a perícia que alguns escritores do
tema têm ao jogar com a palavra como se bola elas fossem. Boa leitura!
***
O goleiro Leleta
Esta é uma narrativa simplória sobre futebol, o que não quer
dizer desprovida de tom dramático e certo lirismo às vezes bucólico, às vezes
elegíaco, que derrama seus efeitos sobre o leitor. O motivo do texto é contar
uma situação humana particular vivida por entre um clima que mistura festa e
alegria com pesar e tristeza. E em meio a tudo isso, o flagrar-se a
universalidade do futebol enquanto motivo de sociabilidade humana presente nas
mais diferentes culturas e nos mais distantes e longínquos rincões do mundo.
O bucolismo do texto é responsável por apresentar ao leitor
essa faceta ubíqua da facilidade do jogo de bola em servir de fator de
congraçamento universal entre os homens estejam onde eles estiverem. Trinta
blocos-parágrafos de texto, quem sabe figurando os trinta anos de existência do
Expressinho de Burburinho do Paraíso, clube de um lugarejo cerca de vinte
quilômetros perto de Rio Claro, cidade onde se desenrola a história, são usados
pelo narrador para contar um dia na sua vida e na vida de Leleta, o goleiro do
time em apreço, que ao evitar um gol defendendo um pênalti em favor do
adversário, dá o primeiro título ao clube fundado pelo seu pai, logo no dia em
que ele morreu.
Depois de apresentar o lócus dos maiores atrativos
da gente pacata dos dois lugarejos em que se desenrola a história, nos dois
blocos-textos que seguem:
“Em Rio Claro existe uma praça com jardim. A bandinha toca
valsas, choros e marchas no coreto, aos domingos pela manhã. O cinema foi
instalado no salão atrás da feirinha. O padroeiro da cidade é Santo Antônio,
sua pequena igreja foi construída numa colina e é avistada de qualquer parte da
cidade. Os fiéis chegam até à igreja depois de subirem uma escadaria com muitos
degraus”.
***
“Burburinho do Paraíso (…) é bastante falado por causa da
feira que funciona na pracinha onde o trem faz uma parada antes de seguir para
o fim da linha, nas imediações do vilarejo de Serra Grande. O movimento é
intenso em Burburinho do Paraíso aos sábados. A feira tem tudo que se possa
imaginar. (…) Os moradores de Burburinho do Paraíso dizem que ali é que é lugar
de viver. Ora essa, é um lugar mais bonito que Rio Claro. Nem se pode comparar”
-,
o narrador desce propriamente às coisas do futebol sugerindo
ligeiramente o clima de rivalidade entre as duas localidades. É esse clima que
vai servindo de pano de fundo para se descortinar, através de uma prosa
escorreita e leve, emocionalmente envolvente e psicologicamente empatizante, o
dia triste de Leleta, vivido na mais esfuziante alegria, com a conquista do
título de campeão pelo clube fundado pelo seu pai e no qual era ídolo da torcida.
“Quando se discute futebol em Rio Claro, na praça ou em
outro lugar, o torcedor do São José Futebol Clube, sem esconder certo orgulho
na voz, diz que o seu time é o mais querido na cidade. É o que tem mais torcida
e mais títulos de campeão, entre os filiados à Liga Amadora de Futebol de Rio
Claro”.
Todavia, há que se registrar, é precisamente esse contraste
de uma cidade maior com um time melhor que prepara e potencializa, ao nível da
narrativa, o impacto dramático do título de campeão, conseguido pelo
Expressinho de Burburinho do Paraíso e vivido por Leleta, justamente no dia em
que este perde seu pai:
“Quem esteve com o goleiro Leleta antes de começar o jogo
ficou admirado de sua passiva tristeza. Ele explicou que queria jogar aquela
partida de qualquer maneira porque nada mais adiantava fazer. ´(…) Essa é uma
hora que chega pra todos nós`, observou, com seu jeito simples. Mas não ia ser
um acontecimento difícil daquele que ia tirar a sua tranquilidade e impedir que
defendesse as cores do Expressinho de Burburinho do Paraíso”.
Consta, como se sabe, que o jogo houve e que o Expressinho
de Burburinho do Paraíso foi campeão sobre o São José Futebol Clube, para a
alegria e a tristeza do seu goleiro Leleta. E consta também que é típico do
futebol o assentar-se sobre certos paradoxos de fundação, como o de separar
para unir, o de perder pra ganhar, por exemplo; e aqui, o de sorrir para
chorar, como conta Cyro de Matos nesta narrativa sob este aspecto bastante
exemplar.
“Tudo era só festa na arquibancada e na geral. A torcida do
Expressinho de Burburinho do Paraíso vibrava e cantava. Torcedores
abraçavam-se. No gramado, um menino, que tinha Leleta como seu maior ídolo e
depois viria a escrever esta história, viu quando o goleiro pegou a bola com as
mãos sujas e aninhou-a no peito, como se estivesse tentando abafar uma dor que
vinha pulsando dentro dele. (…) Geralmente, o goleiro atirava a bola ou sua
camisa para o velho Neco no meio dos torcedores, onde sempre gostava de ficar,
quando o Expressinho de Burburinho do Paraíso ganhava uma partida importante”.
Esta partida era particularmente importante, mas este não é
o fim de tudo porque ainda consta que, então, o goleiro Leleta chorou muito
só – muito só -, debaixo do gol.
PARA SABER MAIS:
O conto O goleiro Leleta, analisado acima, integra
a coletânea de história curtas organizada pelo autor, intitulada Contos
brasileiros de futebol, publicada pela editora LGE, de Brasília, em 2005, e o
livro O Goleiro Leleta e Outras Fascinantes Histórias de Futebol, Prêmio Adolfo
Aizen da União Brasileira de Escritores, Rio de Janeiro,Editora Saraiva, São Paulo, 2009.