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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

A TRISTE CRÔNICA DE NELLY NOVAES COELHO - Cyro de Mattos

A triste crônica de Nelly Novaes Coelho
Cyro de Mattos


                 Nelly Novaes Coelho é uma dessas criaturas belíssimas  que encontrei na vida. Intelectual de expressão enorme, erudita, sensível, solidária e ética. Tive o grande prazer de conhecê-la quando fui receber de suas mãos O  Grande Prêmio  da Associação Paulista dos Críticos de Artes, no Memorial da América Latina, em 1992, concedido ao meu livro O menino camelô. Ela foi a relatora da comissão julgadora,  que contou ainda com a participação de Tatiana Belinky e Pascoal Mota. Quanta alegria conhecer aquela mulher baixinha, de sorriso afável,   olhos no óculos de lente grande  que viam e compreendiam  o que  estava no mundo para ser alcançado.

               Dali para frente  mantive correspondência regular  com umas das intelectuais mais lúcida em nossas letras, portadora de um discurso simples, mas rico de análise, que impressionava bastante.   Que bênção! O tom de suas cartas era sempre atencioso, deixava a minha alma pingando ternuras.   Tive uma boa surpresa quando recebi comentário como autor infantojuvenil no seu  esplêndido Dicionário crítico de  literatura infantil e juvenil brasileiro. Outro belo susto que eu tive  foi  quando vi minha ficção de contista ser objeto de estudo no  monumental volume  Escritores brasileiros do século xx. Nessa obra, de novo ela demonstra  ser uma ensaísta de fôlego vasto,  que tem conhecimento notável dos meandros da escrita,   da vida e do contexto dos escritores estudados na obra.   Ao escrever esse livro, Nelly Novaes Coelho ainda estava em plena atividade intelectual,  tinha 91 anos,  idade em que muitos  já penduraram suas ferramentas de trabalho.
 
            Vale a pena lembrar que com 752 páginas, 1401 verbetes, o Dicionário crítico de escritoras brasileiras, de Nelly Novaes Coelho, registra de modo condigno  “a voz de   mulheres que vêm dando seu testemunho de vida e ideais, por meio da Palavra. Dado que a literatura  é forma ampla de conhecimento dos humanos no mundo, a obra que foi organizada pela escritora renomada, Doutora em Letras da USP,  reveste-se de pontos elevados na valorização do corpo literário brasileiro.

         Ao registrar  inúmeras vozes femininas de todos os estados brasileiros, em sua contribuição enciclopédica, Nelly Novaes Coelho, como os iluministas de ontem,  desincumbe-se da jornada extensa  com erudição, consciência crítica e lucidez de pesquisadora dotada de santa paciência. É muito pouco o que estou informando sobre a bagagem,   atuação e  produção de uma intelectual incansável como a Nelly. Por seus feitos literários incríveis, ela  merecia as melhores homenagens  em vida. Quando indiquei   com os escritores Caio Porfírio Carneiro e Nicodemos Sena o seu nome  para ser distinguido com  O Troféu Juca Pato da União Brasileira de Escritores (SP),  foi  vítima de um processo eleitoral duvidoso,  e  seu nome  não foi sufragado. Mas ela era maior do que certas atitudes deploráveis e honrarias dessa espécie.

          Soberba como ensaísta e,  como  professora universitária, contribuiu  para a formação de inúmeras gerações no campo das Letras. Sua família ignorou a grandeza dessa mulher incomum.   Ao ficar doente,   foi blindada pela família, que não permitiu a  visita dos amigos, dos que lhe tinham afeto, e de seus admiradores.   Meu Deus, quanto egoísmo, para não dizer escuridão, pobre de  nós seres humanos, metidos a donos de tudo.

            Agora essa notícia triste, que  tomo conhecimento através do escritor  Ronaldo Cagiano,  Depois de um mês  de seu falecimento, a  imprensa divulga  o fato  em notas acanhadas. A doce, ética e intelectual maiúscula Nelly não merecia tanta maldade.


*Cyro de Mattos é membro efetivo das  Academias de Letras da Bahia, de Ilhéus e Itabuna. Pen Clube do Brasil, União Brasileira de Escritores (Rio e São Paulo).  Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz.

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ITABUNA CENTENÁRIA REFLETINDO: Girassóis

Girassóis


Numa palestra sobre motivação e liderança falou-se a respeito da natureza dos girassóis. Como o próprio nome diz, eles giram de acordo com a inclinação do sol, em outras palavras, eles “perseguem a luz”.

Provavelmente essa parte você já sabia, mas tem outra que talvez não!

Você já se fez essa perguntinha? E nos dias nublados e chuvosos, quando o sol fica totalmente encoberto pelas nuvens, o que acontece?

Interessante essa pergunta, não é? Talvez você tenha pensado que a flor de girassol fica murchinha e olhando para baixo. Acertei? Pois é, está errado! Sabe o que acontece? Elas se voltam umas para as outras para dividirem entre si as suas energias.

Todos nós queremos essa luz, buscamos essa luz de diversas maneiras: na família, nos amigos, na religião, no trabalho e por aí vai. Mas sempre acontecem os dias nublados, os dias de tristeza, não tem como fugir deles. Nessa hora, a maioria das pessoas fica acabrunhada, de cabeça baixa e quando mais fragilizadas chegam até a ficarem deprimidas.

Que tal fazer como os lindos girassóis?

Veja os girassóis! Olhe para o lado e perceba que existem pessoas como você,  vivendo os mesmos desafios, talvez de maneira diferente. Compartilhe luz, sentimentos e pensamentos!

Que hoje você se encante com a beleza perfeita da natureza, que em sua simplicidade, nos dá uma verdadeira aula de como viver melhor e com mais harmonia.

E independente do tempo, permaneça com a cabeça erguida olhando para a LUZ maior, DEUS! Ele sempre nos ilumina, mesmo nos dias nublados!

 Sejamos todos girassóis, que possamos transmitir luz uns para os outros quando tudo estiver nublado!”

(autor desconhecido)

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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

A SEGUNDA MORTE DE NELLY NOVAES COELHO - Ronaldo Cagiano

A notícia da morte da escritora, crítica e ensaísta Nelly Novaes Coelho chega ao conhecimento público com grande atraso, de acordo com noticiado no Estado de S. Paulo de em 28.12.17, tendo ela ocorrido um mês antes, em 29.11.17. É de estarrecer e entristecer que uma intelectual de sua dimensão e importância para a literatura brasileira desapareça, sem que a imprensa saiba e seus amigos, leitores e admiradores pudessem prantear a sua perda ou homenageá-la, como merecia, pela sua estatura cultural e humana, por todos (re)conhecida.

Na esteira de seu desaparecimento, abro um parêntese, para constatar, com tristeza e revolta, também essa tendência, cada vez mais assente, se de jogar no cesto do silêncio gente que tanto fez pela literatura, como Nelly, que parte num momento crucial da cultura brasileira, amesquinhada sempre pelo mais do mesmo. Quando o mercado editorial não dá espaços para intelectuais como ela, que descarta o “velho” e sabota os “idosos” em nome de ume geração literária descolada, que não tem nada para oferecer, senão suas carinhas rendidas e vendidas às feiras literárias, verdadeiras quermesses onde mais valem como fetiche e produto do que como criadores. Quando não temos mais editores com o feeling de um Ênio Silveira ou um José Olympio, mas executivos com olhos nas planilhas, que olham para o mercado e não para o talento do autor ou a qualidade da obra. Quando não há críticos como Antônio Candido, Wilson Martins, Antônio Olinto, José Guilherme Merquior, José Veríssimo, Otto Maria Carpeaux, mas esses comunicólogos de carteirinha (no dizer do saudoso Cassiano Nunes, professor da UnB), ruminando releases na grande imprensa. E tantos outros exemplos de vítimas desse sistema editorial monopolista, cartorial, mercenário e excludente, incensador de mediocridades e negligente com os verdadeiros talentos, que ao longo das últimas décadas relegou, como Nelly, tanta gente ao destino do ostracismo, silêncio e esquecimento, como um Rosário Fusco, um José Carlos Oliveira, um Ricardo Guilherme Dicke, uma Orides Fontela, um Samuel Rawet, um Osman Lins, uma Dora Ferreira da Silva, um Campos de Carvalho, um José Agripino de Paula, um Caio Porfírio Carneiro, uma Eunice Arruda, e, ainda mais recente, o lendário José Louzeiro, felizmente relembrado em oportuna resenha de Afonso Borges em sua revista eletrônica “Mondo Livro”.

Reporto-me ainda à notícia anterior do mesmo blog do curador do Projeto Sempre um Papo, em que o falecimento (culminado com seu completo desconhecimento) de Nelly Novaes Coelho é abordado por Afonso Borges para destacar a imperdoável omissão que cometeram, tanto a família, que a blindou num cárcere de silêncio por cerca de três anos, em nome de uma proteção para tratamento de saúde, alijando o fato da imprensa, que não pôde dar a devida cobertura ao fato, talvez, até mesmo, por culpa e obra desse completo alheamento a que ela foi jogada e da impossibilidade de acesso a qualquer notícia sobre suas condições. Indaga Afonso, em sua comovida e estarrecida constatação: “Quem roubou a paz de Nelly Novaes Coelho? Quem nos roubou da paz de Nelly Novaes Coelho? Por onde andou nestes últimos anos? Por que só ficamos sabendo da sua morte um mês depois?”

O jornalista, depois de coligir várias fontes, apenas confirmou o que já era rumor no meio literário, pelo menos dos que com ela conviviam e a conheciam – sobre sua internação e a consequente proibição de encontros ou contatos com amigos e colegas de ofício. Havia razão plausível para escondê-la do meio que sempre foi seu pulmão, chão, teto e horizonte? O articulista confirmou esse desaparecimento inusitado, a interdição de uma vida ainda em plena atividade e lucidez, que não merecia o destino do degredo numa instituição geriátrica, colhendo de suas consultas o sentimento de indignação e perplexidade de tantos quantos a conheciam e admiravam.

Apenas para argumentar, ainda que Nelly tivesse sido acometida de uma ocorrência mais grave (por exemplo: um AVC? Um Alzheimer? Uma debilidade cardíaca? Uma queda? um processo de senilidade?), que a incapacitasse física e intelectualmente a ponto de interromper sua capacidade de comunicação e discernimento, não seria o caso de privar seus amigos e admiradores de notícias, ou mesmo de uma visita. Era o mínimo a se fazer por alguém que tanto fez por tantas gerações quando no pleno (e vigoroso) exercício de suas atividades como professora, escritora, críticas e editora de cultura em jornais importantes.

Eu mesmo sou testemunha de sua inteireza física e mental nos tempos que antecedem a esse imposto deletar em vida. Não muito antes de ser tirada de circulação (éramos vizinhos de rua na Bela Vista; eu morava na Rua Dr. Seng e trabalhava a Al. Joaquim Eugenio de Lima, a poucos metros de sua residência, na Rua dos Franceses). Nos dez anos em que vivi em São Paulo encontrei-me várias vezes com Nelly, a quem devo, desde o meu primeiro livro publicado nos anos 80, quando morava em Brasília, a generosidade de sua recepção e apreciação crítica. Numa dessas vezes, estivemos em seu condomínio, na casa de uma amiga comum, também escritora, que lhe prestou uma homenagem, num encontro, em que muito se conversou sobre literatura. E ela com seus 91 anos, forte, entusiasmada, povoada de planos e vivíssima e antenada com o que se passava na literatura contemporânea. Foi uma noite memorável, em que atestamos sua disposição e saúde, compartilhou conosco suas ideias sobre literatura, suas experiências no campo intelectual, sem qualquer sinal de esmorecimento de sua disposição. Aliás, entre todos, sem dúvida, era a mais animada e sem indícios de fadiga.

Em meados de 2013, dividi com ela uma mesa na Casa das Rosas, a convite do editor e escritor Nicodemos Sena, numa sessão dedicada à discussão sobre o romance “Deus de Caim”, de Ricardo Guilherme Dicke, por ele reeditado e resgatado pela Ed. Letra Selvagem. Foi um momento epifânico em que a professora e ensaísta discorreu por mais de uma hora, secundada pela professora e escritora Raquel Naveira e pelo jornalista Lorenzo Falcão, de Cuiabá, abordando aspectos críticos e estéticos da obra do escritor e filósofo mato-grossense, até então relegado ao anonimato depois de uma carreira vitoriosa nos tempos em que viveu no Rio.

Nelly protagonizaria meses depois outro momento de inteireza física e mental, quando foi prestigiada pelo mesmo editor e amigo, que publicou e lançou naquele mesmo espaço da Av. Paulista sua recente obra, ‘Escritores Brasileiros do Século XX”, um caudaloso, exaustivo e fundamental compêndio que mapeia a produção ficcional brasileira desde os primórdios do Modernismo. Naquela oportunidade, casa lotada e com vários escritores presentes para saudá-la, entre eles, Benjamin Abdala Junior, Ignácio de Loyola Brandão, Fábio Lucas, Cyro de Mattos, Alaor Barbosa, Ricardo Ramos Filho, Ana Maria Martins e Miguel Jorge, Nelly era a própria imagem da intensidade criativa e da paixão literária, momento em que soubemos que Nelly ainda estava com o fôlego a mil, prometendo para breve uma obra sobre a presença feminina da literatura brasileira, um projeto “in progress”.

Algum tempo se passou, encontrei-me algumas vezes com ela na vizinhança e mesmo após ter tido um problema cardíaco, dizia-se em franca recuperação, sem qualquer sinal de debilidade física ou mental, quando a encontrei na saída de uma agência do Banco Itaú e perguntei pela sua saúde. Daí em diante, não a vi caminhar nem a encontrei mais, como costumeiramente acontecia, por aquelas vias da Bela Vista. Preocupado, indagava a amigos, conhecidos e colegas sobre seu paradeiro e já começavam a circular informações de que teria sido internada numa instituição clínica de repouso, que foi desautorizada a receber visitas e esse “apartheid” social e intelectual ficava cada vez mais evidente, pelo seu sumiço e pela ausência de notícias que dessem conta de seu estado.

Para minha surpresa, por volta de julho de 2016, encontrei vários livros autografados para Nelly Novaes Coelho no Sebo do Messias, atrás da Praça da Sé, uma livraria que visitava com frequência. Entre livros oferecidos por autores nacionais e estrangeiros, conhecidos ou não, encontrei um dos meus, “Canção dentro da noite”, a ela enviado na década de 90. Essa foi a senha para descobrir que Nelly Novaes Coelho tinha sido “enterrada” em vida e seu acervo vendido a alfarrabistas (certamente sem seu consentimento, como é de se prever em casos como esse, quando alguém é inviabilizado e encerrado num asilo e decretada compulsoriamente sua incapacidade), atitude deplorável, que consiste verdadeiramente num crime de lesa-literatura. Entendo que o patrimônio bibliográfico de Nelly deveria, no mínimo, ser tombado por uma grande biblioteca pública (de uma universidade, de uma academia, de um centro cultural), por ser repositório da memória pessoal e literária de um país, mas também por respeito a alguém, como ela, que deu a vida pelas Letras; que, com sua generosidade, abriu espaço, dando voz e vez a muitos autores, quando militava na grande imprensa e nos cadernos de cultura, algo hoje raro entre os nossos pares.

Por mais explicações que se queira retirar dessa história, não se pode compreender, muito menos aceitar, que um patrimônio – não apenas intelectual, mas acima de tudo moral e ético – seja desprezado e arruinado com tanta velocidade, num desrespeito á sua vida e à sua inestimável contribuição à inteligência nacional. E o pior, desmonte feito ainda em vida – crime maior e indesculpável. Será que a família de Nelly Novaes Coelho tinha noção do seu tamanho e da dimensão de sua atuação no campo literário e intelectual? Com certeza, não; senão, seus livros não teriam ido parar num sebo. E nenhuma explicação há de convencer-nos da necessidade de desfazer-se desse acervo que, sem dúvida, continha grande parte da memória bibliográfica do Brasil nas últimas décadas, incluindo-se a sua epistolografia.

Como disse Afonso Borges, “onde estará Nelly Novaes Coelho? Onde? E qual o motivo? Por que isso, assim? Saberemos, algum dia?” Perguntas que não querem calar...
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(*) Escritor, autor de “Eles não moram mais aqui” (Prêmio Jabuti 2016) vive em Portugal.
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Em 10 de janeiro de 2018 08:39, cyropm@bol.com.br<cyropm@bol.com.br> escreveu:

Caro Ronaldo Cagiano

Ainda bem que uma voz aguerrida e valorosa  como a sua manifestou-se  contra a perversidade que fizeram, e continuam fazendo,  com a pesquisadora, ensaísta, e professora doutora Nelly Novaes Coelho, uma intelectual enorme, de serviços relevantes prestados às letras brasileiras.

Já não bastasse a farsa que a União Brasileira de Escritores (São Paulo) cometeu  quando indiquei com outros escritores  seu nome para ser distinguido com O Troféu Juca Pato patrocinado por aquela instituição, Como você sabe, foi derrotada graças a um processo eleitoral inusitado, que violou gritantemente o regimento da instituição. Uma farsa.
   
Tive a honra de ser amigo  da Nelly. Ela  foi a relatora na comissão julgadora que me  concedeu o Prêmio da Associação Paulista dos  Críticos de Artes em  1992 para o nosso livro O Menino Camelô, poesia infantil.   Foi quando a conheci, No Memorial da América Latina, em São Paulo.  Dali para a frente, mantive uma amizade rica com a Nelly, parecendo que já éramos conhecidos  há muito tempo. Tivemos   uma correspondência  agradável durante anos. Quanta riqueza literária e sustos esplêndidos, viver assim no campo das letras era uma bênção.

Tomei conhecimento que ela estava muito doente. Havia sido blindada pela família, que demonstrava não saber o quanto ela representava para a vida, em especial para a literatura brasileira, e que se tornara por suas atividades um patrimônio público, moral e intelectual, desses que não têm preço, difícil de serem encontrados,   privando-a, assim,  de receber seus amigos ou de que esses  soubessem, pelo menos,  de seu estado de saúde.  Meu Deus, quanto egoísmo, existe nesse vale de lágrimas, pobre nós seres humanos, metidos a donos de tudo.

Agora essa notícia triste, que você me traz, sobre a conduta mais que lamentável  que estão fazendo com a memória da boa, doce e rara criatura, escritora maiúscula Nelly Novaes Coelho,  Depois de meses é que a imprensa divulga seu falecimento, em notas acanhadas.

Divulgarei com os amigos seu texto denúncia, a começar  em meu blog Literatura e Vida ( cyropm. blogspot.com).

Aqui vai meu abraço e solidariedade  ao seu gesto de altíssimo nível intelectual e ético.

Cyro de Mattos 

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Aramis Ribeiro Costa <aramisrcosta@gmail.com>
Qua 10/01/2018, 12:52
O "Dicionário Crítico da Literatura Infantil e Juvenil Brasileira" de Nelly Novaes Coelho, principalmente a partir da 5º Edição, revista e ampliada, da Companhia Editora Nacional, de 2006, é uma obra de referência fundamental para o estudo da literatura infantil e infanto-juvenil brasileira. Ó seu desaparecimento é uma grande perda para a intelectualidade nacional. 
Nelly Novaes Coelho, com quem troquei uma rápida correspondência há vinte anos, aproximadamente, é merecedora de todas as homenagens.

Aramis Ribeiro Costa.

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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

ITABUNA CENTENÁRIA SORRINDO: Ensinamentos das mães de antigamente


PRA LEMBRAR E RIR:


Minha mãe ensinou a VALORIZAR O SORRISO...
"ME RESPONDE DE NOVO E EU TE ARREBENTO OS DENTES!"
 
Minha mãe me ensinou a RETIDÃO.
"EU TE AJEITO NEM QUE SEJA NA PANCADA!"

Minha mãe me ensinou a DAR VALOR AO TRABALHO DOS OUTROS...
"SE VOCÊ E SEU IRMÃO QUEREM SE MATAR, VÃO PRA FORA. ACABEI DE LIMPAR A CASA!"
 
Minha mãe me ensinou LÓGICA E HIERARQUIA...
"PORQUE EU DIGO QUE É ASSIM! PONTO FINAL! QUEM É QUE MANDA AQUI?"

Minha mãe me ensinou o que é MOTIVAÇÃO...
"CONTINUA CHORANDO QUE EU VOU TE DAR UMA RAZÃO VERDADEIRA PARA  CHORAR!"
 
Minha mãe me ensinou a CONTRADIÇÃO...
"FECHA A BOCA E COME!"

Minha Mãe me ensinou sobre ANTECIPAÇÃO...
"ESPERA SÓ ATÉ SEU PAI CHEGAR EM CASA!"
 
Minha Mãe me ensinou sobre PACIÊNCIA...
"CALMA!... QUANDO CHEGARMOS EM CASA VOCÊ VAI VER SÓ..."

Minha Mãe me ensinou a ENFRENTAR OS DESAFIOS...
"OLHE PARA MIM! ME RESPONDA QUANDO EU TE FIZER UMA PERGUNTA!"
 
Minha Mãe me ensinou sobre RACIOCÍNIO LÓGICO...
"SE VOCÊ CAIR DESSA ÁRVORE VAI QUEBRAR O PESCOÇO E EU VOU TE DAR UMA SURRA!"
 
Minha Mãe me ensinou MEDICINA...
"PÁRA DE FICAR VESGO MENINO! PODE BATER UM VENTO E VOCÊ VAI FICAR ASSIM PARA SEMPRE."

Minha Mãe me ensinou sobre o REINO ANIMAL....
"SE VOCÊ NÃO COMER ESSAS VERDURAS, OS BICHOS DA SUA BARRIGA VÃO COMER VOCÊ!"

Minha Mãe me ensinou sobre GENÉTICA...
"VOCÊ É IGUALZINHO AO SEU PAI!"

Minha Mãe me ensinou sobre minhas RAÍZES...
"TÁ PENSANDO QUE NASCEU DE FAMÍLIA RICA, É?"
 
Minha Mãe me ensinou sobre a SABEDORIA DE IDADE...
"QUANDO VOCÊ TIVER A MINHA IDADE, VOCÊ VAI ENTENDER."
 
Minha Mãe me ensinou sobre   JUSTIÇA...
"UM DIA VOCÊ TERÁ SEUS FILHOS, E EU ESPERO ELES FAÇAM PRÁ VOCÊ O MESMO QUE VOCÊ FAZ PRA MIM! AÍ VOCÊ VAI VER O QUE É BOM!"
 
Minha mãe me ensinou RELIGIÃO...
"MELHOR REZAR PARA ESSA MANCHA SAIR DO TAPETE!"
 
Minha mãe me ensinou o BEIJO DE ESQUIMÓ...
"SE RABISCAR DE NOVO, EU ESFREGO SEU NARIZ NA PAREDE!"

Minha mãe me ensinou CONTORCIONISMO...
"OLHA SÓ ESSA ORELHA! QUE NOJO!"

Minha mãe me ensinou DETERMINAÇÃO...
"VAI FICAR AÍ SENTADO ATÉ COMER TODA COMIDA!"

Minha mãe me ensinou habilidades como VENTRÍLOQUO...
"NÃO RESMUNGUE! CALA ESSA BOCA E ME DIGA POR QUE É QUE VOCÊ FEZ ISSO?"
 
Minha mãe me ensinou a SER OBJETIVO...
"EU TE AJEITO NUMA PANCADA SÓ!"

Minha mãe me ensinou a ESCUTAR...
"SE VOCÊ NÃO ABAIXAR O VOLUME, EU VOU AÍ E QUEBRO ESSE RÁDIO!"

Minha mãe me ensinou a TER GOSTO PELOS ESTUDOS...
"SE EU FOR AÍ E VOCÊ NÃO TIVER TERMINADO ESSA LIÇÃO, VOCÊ JÁ SABE!..."

Minha mãe me ajudou na COORDENAÇÃO MOTORA...
"AJUNTA AGORA ESSES BRINQUEDOS! PEGA UM POR UM!"
Minha mãe me ensinou os NÚMEROS...
"VOU CONTAR ATÉ DEZ. SE ESSE VASO NÃO APARECER VOCÊ LEVA UMA SURRA!"


Brigadão, Mãe!
Rosival Muniz de Albuquerque



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EM CASA E NA ESCOLA

EDUCAÇÃO

É EM CASA que as crianças devem aprender a dizer: 

01 - Bom Dia
02 - Boa Tarde
03 - Boa Noite
04 - Por Favor
05 - Com Licença
06 - Me Desculpe
07 - Me Perdoe
08 - Muito Obrigado
09 - Grato
10 - Errei

É EM CASA que também se aprende:

01 - Ser honesto
02 - Ser pontual
03 - Não xingar
04 - Ser solidário
05 - Respeitar a todos: amigos, colegas, idosos, professores, autoridades

Também EM CASA é que se aprende: 

01 - A comer de tudo
02 - A não falar de boca cheia
03 - A ter higiene pessoal
04 - A não jogar o lixo no chão
05 - Ajudar os pais nas tarefas diárias
06 - A não pegar o que não é seu

Ainda EM CASA é que se aprende:

01 - A ser organizado
02 -  A cuidar das suas coisas
03 - Não mexer nas coisas dos outros
04 - Respeitar regras, usos e costumes
05 - Amar a Deus


Porque NA ESCOLA os professores devem ensinar:

■ Matemática
■ Português
■ História
■ Geografia
■ Língua Estrangeira
■ Ciências
■ Química
■ Física
■ Biologia
■ Filosofia
■ Sociologia
■ Educação Física
■ Artes

E apenas reforçam o que o aluno aprendeu EM CASA!

NA ESCOLA não se aprende sobre:

1 - Sexo
2 - Ideologias de Gênero
3 - Ativismos LGBT
4 - Comunismo
5 - Esquerdismo
6 - Islamismo

Porque com o que se aprendeu EM CASA respeita-se tudo e todos.

"UMA CAMPANHA CONTRA A INVERSÃO DE VALORES E A FAVOR DA FAMÍLIA E DE UM MUNDO MELHOR!"

Lutemos todos pelas famílias!...


(Autoria não mencionada)


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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

NA FRANÇA, OPERAÇÃO BABILÔNIA É APRESENTADA PELA AUTORA ANDREIA CAMARGO

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Natural do Rio de Janeiro, Andreia Camargo começou a escrever aos catorze anos e não parou mais. Casada com italiano, Andreia vive na Itália há mais de vinte anos.

Com dezenas de livros publicados abordando diferentes temáticas e segmentos, tornou-se uma escritora eclética, escrevendo desde religião afro-brasileira, ficção, policial, infantil, romances, poemas e poesias etc.

“Naquele momento começou a nascer dentro de mim este livro – “Operação Babilônia”. Com 420 páginas de muita ação, daria um excelente roteiro de filme, esse seria meu grande sonho.”

Boa leitura!


Escritora Andreia Camargo, é um prazer contarmos com a sua participação na Revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que mais a encanta na arte de escrever?

Andreia Camargo - O prazer é todo meu em participar de uma revista prestigiosa que exalta e divulga o trabalho do escritor. Agradeço o convite e fico honrada. Além de escritora, sou compositora, atriz e escrevi algumas peças teatrais; no passado já fiz teatro participando de algumas peças.
O que mais me encanta ao escrever? É difícil responder a essa pergunta, porque sou uma escritora eclética, escrevo desde livros infantis a livros para adultos, poemas, poesias, reflexões, ficção, romances, gênero policial etc. Muitas vezes escrevo três livros em contemporânea, e há momentos que acontece de estar na fase do bloco do escritor; muitas vezes esse bloco pode durar meses e se eu estiver com sorte dura dias. No momento estava escrevendo três livros: um livro infantil, o segundo livro da “Operação Babilônia”, ambos terminados e em fase de revisão pela excelente profissional Rosani Hoelz; e por último estou escrevendo um romance baseado no ano de 1726, envolvendo a escravidão dos negros no Brasil e a burguesia. Ainda não terminei.

O que a inspirou a escrever “Operação Babilônia – Os Arcontes”?

Andreia Camargo - Sempre fui fã dos filmes de espionagem e estava faltando esse gênero na minha biblioteca como autora. Até que um belo dia estava sentada num restaurante, e da janela do local, presenciei algumas cenas dignas de um filme. Naquele momento começou a nascer dentro de mim este livro – “Operação Babilônia”. Com 420 páginas de muita ação, daria um excelente roteiro de filme, esse seria meu grande sonho.

Quem são os Arcontes?

Andreia Camargo - Os Arcontes é o governo que governa nas sombras de cada instituição; eles estão invisíveis, para não chamar atenção, iluminados por assim se definir e têm uma única pretensão: ade governar o planeta como uma única nação.

Apresente-nos a obra.

Andreia Camargo - Uma agente secreta habilíssima tenta salvar a França contra a tentativa de um ataque nuclear por intermédio de um louco general asiático que quer se vingar dos franceses pela morte de seus familiares, esposa e dois filhos, que foram vítimas de um atentado terrorista na Argélia, em frente à embaixada francesa, naquele país. Segundo o general Moon Li, o atentado dos terroristas foi um protesto contra o governo francês, e assim ele os vê como responsáveis pela sua perda, jurando destruí-los de qualquer jeito. O seu intento é jogar uma bomba nuclear em Paris. Dessa forma, nasce o projeto para salvar a cidade francesa, com o nome mais eficaz do momento: “Operação Babilônia”.

“Operação Babilônia” está dividido em quantos livros?

Andreia Camargo - Em dois livros, o segundo, em fase de revisão, já está pronto com 500 páginas de pura ação.

Apresente-nos “Operação Babilônia II – O Armagedom”.

Andreia Camargo - A agente secreta Babilônia está às voltas com uma grande organização criminosa que quer patrocinar a destruição dos governos da Terra com uma bomba potente transportando apenas os criminosos para o planeta Marte.Após a  destruição, os criminosos retornariam ao planeta para dividir o comando da Terra. No comando dessa organização criminosa está o maior criminoso de armas de origem balcânica,Dragan, que ordena vários ataques terroristas às sete maravilhas do mundo moderno. Tudo terá uma grande viravolta quando a agente Babilônia descobre a verdadeira intenção dos criminosos –o Armagedom.

Qual a previsão para lançamento?

Andreia Camargo - Penso que em janeiro o livro estará pronto; minha revisora Rosani Hoelz é uma excelente profissional e a pessoa que confio a revisão de meus livros e indico para os escritores que precisem deste serviço.

Onde podemos comprar o seu livro?

Andreia Camargo - Basta escrever escritora Andreia Camargo, no Google, e todos os meus trabalhos aparecem. À venda em toda a Europa no Amazon, Bookess etc. No Brasil,pelo link direto:

Além de “Operação Babilônia”, você tem outros livros publicados. Quais os títulos?

Tenho dezenas de títulos publicados, e se não falhar a memória, deixarei alguns escritos aqui:
O mundo encantado de Lili (em revisão)
Operação Babilônia II – O Armagedom (em revisão)
Operação Babilônia I – Os Arcontes
Para onde me leva o rio (humorismo) 
Hipnose Coletiva
Murmúrios da vida
Murmúrios da alma
Os sobreviventes
A Quinta Dimensão
Além do Sol
Minha primeira cartilha
O Vampiro da cidade
Vocabulário Fongbe –em português
O Livro dos Deuses Vodum
Candomblé: pergunta que eu respondo 
Os oduns e seus mistérios
Poderosas e Milagrosas Orações
Os ebós secretos dos voduns
Culinária: errando se aprende

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Andreia Camargo. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Andreia Camargo - Não deixe de alimentar a sua mente lendo livros, eles são os melhores alimentos que enriquecem a alma. Gratidão a todos que vêm adquirindo e prestigiando o meu trabalho.

Contatos da autora:
Meus livros poderão ser encontrados no Amazon, Bookess e em várias livrarias; basta escrever no Google, escritora Andreia Camargo, e vários links se apresentam.
Meu site pessoal: www.andreiacamargo.com
Minha página do Facebook:
Meu Instagram: @andreiadecamargo
Meu Twitter: @camargoandreia

Divulga Escritor, unindo você ao mundo através da Literatura



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UMA CARTA E O NATAL - Carlos Heitor Cony

Uma carta e o Natal


Este será o primeiro Natal que enfrentaremos, pródigos e lúcidos.
Até o ano passado conseguimos manter o mistério —e eu amava o brilho de teus olhos quando, manhã ainda, vinhas cambaleando de sono em busca da árvore que durante a noite brotara embrulhos e coisas. Havia um rito complicado e que começava na véspera, quando eu te mostrava a estrela onde Papai Noel viria, com seu trenó e suas renas, abarrotado de brinquedos e presentes.

Tu ias dormir e eu velava para que dormisses bem e profundamente. Tua irmã, embora menor, creio que ela me embromava: na realidade, ela já devia pressentir que Papai Noel era um mito que nós fazíamos força para manter em nós mesmos. Ela não fazia força para isso, e desde que a árvore amanhecesse florida de pacotes e coisas, tudo dava na mesma. Contigo era diferente. Tu realmente acreditavas em mim e em Papai Noel.

Na escola te corromperam. Disseram que Papai Noel era eu —e eu nem posso repelir a infâmia e o falso testemunho. De qualquer forma, pediste um acordeão e uma caneta— e fomos juntos, de mãos dadas, escolher o acordeão.

O acordeão veio logo, e hoje, quando o encontrar na árvore, já vai saber o preço, o prazo de garantia, o fabricante. Não será o mágico brinquedo de outros Natais.

Quanto à caneta, também a compramos juntos. Escolheste a cor e o modelo, e abasteceste de tinta, para "já estar pronta" no dia de Natal. Sim, a caneta estava pronta. Arrumamos juntos os presentes em volta da árvore. Foste dormir, eu quedei sozinho e desesperado.

E apanhei a caneta. Escrevi isto. Não sei, ainda, se deixarei esta carta junto com os demais brinquedos. Porque nisso tudo o mais roubado fui eu. Meu Natal acabou e é triste a gente não poder mais dar água a um velhinho cansado das chaminés e tetos do mundo. 

Folha de São Paulo (RJ), 31/12/2017

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Carlos Heitor Cony - Quinto ocupante da Cadeira nº 3 da ABL, eleito em 23 de março de 2000, na sucessão de Herberto Sales e recebido em 31 de maio de 2000 pelo acadêmico Arnaldo Niskier. Faleceu dia 05 de janeiro de 2018.

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