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terça-feira, 7 de novembro de 2017

SEMIFINAIS DO CITADINO DE FUTEBOL DA AABB ITABUNA

Hoop Confecções, uma das semifinalistas.

Citadino começa a definir seus finalistas essa sexta na AABB
            
Shopping Jequitibá, Aragão Plásticos, Clínica COTEF e Hoop Confecções, todas de Itabuna, são as quatro equipes semifinalistas do XIII Campeonato Citadino de Futebol MiniCampo da AABB Itabuna. Os jogos de ida serão nesta sexta-feira (10) à noite com os seguintes encontros:

19h15 – Aragão Plásticos x Shopping Jequitibá
20h25 – Clínica COTEF x Hoop Confecções

Os jogos de volta acontecem no final de semana seguinte. Sempre no campo de grama natural – ou no de grama sintética, em caso de chuva – na AABB.

De acordo com o regulamento, não existe vantagem prévia (resultados iguais) para nenhum dos quatro times. Vale a soma dos resultados dos dois jogos. Persistindo o empate, não haverá prorrogação. Irá para a final a equipe que vencer a disputa por pênaltis. Caso, mesmo assim, ainda persista o empate, haverá um sorteio que indicará a equipe vencedora.   

No horário dos jogos, a entrada e o estacionamento dentro do clube são liberados. A AABB disponibiliza atração musical na Cabana do Tempo, ao lado do campo, com serviços de bar e restaurante, sem cobrança de couvert artístico nem de 10% de gorjeta. E ainda oferece parque infantil e áreas verdes para as crianças brincarem enquanto seus responsáveis assistem aos jogos.


Contatos – Rodrigo Xavier: 9.9147-7188 (Tim) e Vladistone Menezes: 9.8801-3743 (Oi).

Assessoria de Imprensa – Carlos Malluta: 9.8877-7701 (Oi) / 9.9133-4523 (Tim)

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UM LUGAR PERIGOSO - Rosiska Darcy de Oliveira

Um lugar perigoso


Ciro Gomes decretou que as eleições de 2018 serão uma brincadeira de meninos. Marina fica fora do jogo por falta de testosterona. Jogo agressivo, coisa de macho. Discursava para empresários, falando grosso. Será que alguém riu? Ou protestou? Ou passou despercebida essa manifestação — Ciro, de novo — de machismo explícito?

Outro pretendente à Presidência da República, parlamentar, disse à deputada Maria do Rosário que não a estupraria porque ela não merecia. Uma agressão que foi parar no Supremo Tribunal Federal. Bolsonaro virou réu, mas seus possíveis eleitores aumentaram.

Enquanto o Brasil caminha, célere, de volta à Idade da Pedra, no país de Donald Trump, notório predador, um poderoso produtor de Hollywood, campeão de premiações no Oscar, foi apeado de seu trono cinematográfico quando atrizes famosas denunciaram uma prática bem conhecida das mulheres. Harvey Weinstein cobrava propinas sexuais para deixar que essas atrizes ascendessem ao estrelato. A antessala do sucesso era o quarto de hotel do produtor.

Agora, que elas ousaram falar, abriram-se as comportas de um mar de ressentimentos até então represados, que inundaram a imprensa mundial. As francesas ecoaram o protesto das americanas e publicaram na internet milhares de depoimentos sobre situações vividas de assédio, agressões sexuais e estupros. Passada a fase de catarse virtual, foram para a rua. A jornalista Carol Galand, que convocou a manifestação no asfalto, disse que queria fazer uma coisa diferente de uma zoeira nas redes sociais.

Com esses milhões de cacos de vida, vai-se compondo o puzzle perfeito do que é o achincalhe e a violência sexual que, no mundo inteiro, ameaçam as mulheres moral e fisicamente. Essa denúncia, que viralizou nos Estados Unidos e na França, ganhou as ruas e muda uma situação imemorial e global. Quebrou-se o silencio que garantia a impunidade, acabou o medo.

Por um estranho mecanismo gerado na experiência vivida, as mulheres transformavam as agressões que sofriam em sentimento de culpa. Como se de alguma maneira elas provocassem essas agressões, o que lhes foi tantas vezes repetido, sobretudo nas delegacias quando denunciavam casos de estupro e eram acusadas de provocar com as roupas que usavam o estuprador, transformado em vítima de uma irresistível sedutora.

O mesmo acontecia nos casos de assédio sexual. Essa chantagem que paira sobre as mulheres se revela na atitude de empregadores que despedem não quem assedia e, sim, quem é assediada. Na França das liberdades e dos direitos humanos assim foi em 95% dos casos em que mulheres denunciaram seus chefes. O mito da mulher sedutora que desgraça um homem é tão velho quanto Adão e Eva.

As propinas sexuais cobradas por quem tem autoridade sobre as mulheres são uma forma de prostituí-las. Envenenam e muitas vezes invalidam os projetos profissionais daquelas que dizem não. Levantam suspeitas sobre o sucesso profissional das mulheres. Que preço teriam pago?

Esse clima perverso, de promessas, ou o seu avesso, de ameaças veladas ou não, alimentam uma cumplicidade masculina que começa em piadas e comentários jocosos e termina em conivência com as atitudes mais vis. Essa cumplicidade é constitutiva da relação de poder dos homens sobre as mulheres, um fator de humilhação e intimidação que pode atingir qualquer uma, em qualquer idade ou classe social.

A quebra do silêncio torna irrefutável a gravidade de um escândalo mundial: o assédio e a violência sexual ainda são absolvidos pela cultura, mesmo quando proibidos pela lei.

O Conselho Nacional de Justiça divulgou que em 2016 tramitaram nos tribunais mais de um milhão de processos referentes à violência doméstica contra a mulher. Um processo para cada cem mulheres brasileiras. Ao longo do ano passado tramitaram na Justiça mais de 13 mil casos de feminicídio, o assassinato da mulher por ódio, desprezo ou perda de controle sobre ela. O Anuário de Segurança Pública registrou 45.500 casos de estupro em um ano. Cifras de uma guerra suja e covarde.

Dar um basta nessa aberração é um imperativo civilizatório. A violência contra as mulheres não é um hábito doentio que o tempo e a impunidade transformaram em direito não dito. Não pode ser naturalizada, degrada a todos. É um crime contra a humanidade.

Assédio sexual, violência doméstica, estupro, feminicídio são gradações de uma mesma evidência: na segunda década do século XXI, a dignidade das mulheres ainda é uma abstração negada na vida real.
O mundo é um lugar selvagem e perigoso para o sexo feminino.

O Globo, 04/11/2017


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Rosiska Darcy de Oliveira - Sexta ocupante da cadeira 10 da ABL, eleita em 11 de abril de 2013. É escritora e ensaísta. Sua obra literária exprime uma trajetória de vida. Foi recebida em 14 de junho de 2013 pelo Acadêmico Eduardo Portella, na sucessão do Acadêmico Lêdo Ivo, falecido em 23 de dezembro de 2012.

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INCERTEZAS – Wagner Albertsson

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INCERTEZAS

AINDA SOMOS SERPENTES
EM BUSCA DO SOL
E POEIRA LEVADA
PELO VENTO.
NESSA CORRENTEZA
QUE SUFOCA A ESPERANÇA,
A FÉ É A CHAMA VIVA
QUE ILUMINA O PORVIR.
DEUS AINDA CONTINUA
SENDO O ATALHO MAIS SEGURO
NESSE CAMINHO DE DESTRUIÇÃO.
DE INCERTEZAS VIVE O HOMEM,
DOS SONHOS, A HUMANIDADE.
MUITOS CAMINHOS
CHEGAM A LUGAR NENHUM,
POIS MUITOS UNIVERSOS MORREM
À BEIRA DA ESTRADA.
 

WAGNER ALBERTSSON

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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

CONVERSANDO NO FACEBOOK

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07/07/2014

Samuel Matos:

Eglê, como vai? Sobre Caymmi, além de nos ter deixado 120 canções tecnicamente perfeitas, em termos de ritmo, prosódia, etc., sem falar na bela poética do amor, da natureza e da cultura baiana, entendo que ele também nos deixou um conjunto rico de lições de vida sobre a relação com o trabalho. Ele se dedicava com afinco à composição e à pintura, mas sobretudo priorizava o prazer, a alegria, e a realização imaterial, sem se preocupar com os “resultados”.

Quando se cansava de música, ou quando a música lhe colocava em situação de impasse (quando as letras lhe faltavam), ele simplesmente largava aquilo e passava a pintar quadros. Quando não queria mais pintar, dava-se ao direito de bater papo com os amigos, contar piadas, rir, despreocupadamente. Não tinha pressa nem para terminar o quadro, nem a música. Esse processo às vezes durava anos.

Porém, o que fazia (e concluía), ele o fazia perfeita e prazerosamente. Entendia que há um tempo apropriado para cada coisa, que não adianta “forçar a barra” e que é preciso saber esperar. Inclusive, em certas situações, compunha esmeradamente uma música. Em outras, fazia da música uma brincadeira, para seu próprio divertimento.

Há um caso engraçado (ou uma anedota) sobre a canção Adalgisa. Fala-se que Caymmi chegou num bar, onde estavam alguns dos seus amigos. Pegou o violão e cantou:

“Adalgisa mandou dizê / Que a Bahia tá viva ainda lá / Que a Bahia tá viva ainda lá / Que a Bahia tá viva ainda lá”. 

Aí perguntaram: “Ô, Caymmi, é só isso? E ele respondeu: “Não, ainda não terminei”. 

Passaram-se dez anos, até que um dia, no mesmo bar, ele disse: “Lembram daquela história da Adalgisa? Terminei”. 

“Foi mesmo, Caymmi? Então canta aí pra gente”

E ele pegou o violão e cantou o restante da música: 

“Que nada mudou inda lá / Que a Bahia tá viva ainda lá / Que a Bahia tá viva ainda lá / Que a Bahia tá viva ainda lá / Pela graça de Deus inda lá / Que a Bahia tá viva ainda lá / Que a Bahia tá viva ainda lá / Que a Bahia tá viva ainda lá”

E os amigos insistiam: 

“Mas Caymmi, é só isso mesmo? Só acrescentou esse pedacinho”?

- “É, é só isso. Precisa mais”?

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Eglê:

Rsrsrs! - Ô, caro confrade Samuel Matos, o Caymmi foi perfeito, como perfeito foi o seu grande amigo, Jorge, o AMADO!
Samuel, que tal você conversar com o Presidente da AGRAL, Ivann Krebs Montenegro, sobre apresentar um trabalho falando de Caymmi,  como o fez tão brilhantemente no centenário do Vinícius de Moraes? Seria mais uma pérola a adornar o tesouro da Academia Grapiúna de Letras.
Muito obrigada pelo comentário a esta postagem que muito enriqueceu nossa página aqui no Facebook! Abraço!

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JEGUE GATE OU GOLDEN GATE? - Antonio Nunes de Souza


Jegue Gate ou Golden Gate?


Como o prefeito prometeu, inicialmente, a inauguração da “JEGUE GATE” para julho, no dia do aniversário da cidade, antecipando a inauguração e os festejos do evento, escrevi uma crônica relativa à nossa nova “ponte/passarela” que, simpaticamente apelidei de JEGUE GATE, numa referência a majestosa ponte americana GOLDEN GATE que fica ao lado da Ilha de Alcatraz, onde funcionou por muitos anos o famoso e fantástico presídio de Alcatraz. Sendo que a nossa passarela/ponte fica na nossa não menos famosa e importante, a querida “Ilha do Jegue”!

Mas, segundo alegações da administração do Sr. Fernando Gomes, em função das chuvas constantes, as obras foram paralisadas, voltando agora a sua continuidade, ficando então para o final do ano sua grande e majestosa festa de inauguração!

Espero que não haja novos atrasos, pois, seguramente, é uma obra de grande valia para a comunidade, abreviando o caminho do bairro da Conceição para o centro. Cheguei a pensar em nominá-la como Jerico Bridge por ser mais sofisticado, mas, depois pensei e achei que a Ilha é, por mais de 90 anos, conhecida na região, como Ilha do Jegue e seria desprestigiar nosso famoso quadrúpede, dando-lhe um nome acadêmico de Jerico!

Só nos resta agora aguardar a entrega dessa obra especial e necessária, ampliando assim, as possibilidades de travessias do nosso lindo e desprezado Rio Cachoeira!


Antonio Nunes de Souza, escritor
Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

antoniodaagral26@hotmil.com

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ESCRITORA ABORDA CULTURA MINEIRA EM ROMANCE OS AMANTES DAS GERAIS

Shirley M. Cavalcante (SMC)

Maria Jacinta de Resende Borges nasceu em Perdizes (MG) e passou sua infância e juventude em Uberaba, no mesmo estado, onde iniciou sua profissão de professora, no Grupo Escolar Jacques Gonçalves.

Atualmente mora em Sertãozinho (SP). Aposentada, é diretora de escola.

Lançou, no dia 09/03/2017, seu primeiro livro, o romance “Os amantes das Gerais”.

A história se passa em Perdizes e abrange o Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba. É matizada com casos pitorescos da região e leves pinceladas históricas das Alterosas.

“É uma nova versão de um amor quase impossível, ambientada na mesorregião do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba.”

Boa Leitura!


Escritora Maria Jacinta de Resende Borges, é um prazer contarmos com a sua participação na Revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que a inspirou a escrever “Os amantes das Gerais”?

Maria Jacinta - “Os Amantes das Gerais” foi escrito há mais de trinta anos, mas só agora, após minha aposentadoria como diretora de escola, decidi publicá-lo. Sempre gostei de ouvir casos. Eles oxigenavam a minha mente, e aos poucos fui percebendo que já possuía farto conteúdo para escrever um romance ligeiramente semelhante a Romeu e Julieta, os amantes de Verona. Daí surgiram Théo e Matilde, os amantes das Gerais, namorando às escondidas nas matas e montanhas das Alterosas e atraindo para si extremos sacrifícios.

Onde se desenvolve o enredo que compõe “Os amantes das Gerais”?

Maria Jacinta - É uma nova versão de um amor quase impossível, ambientada na mesorregião do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. A vida no campo, o trabalho, o lazer, a fé, tanto dos fazendeiros como dos serviçais, os usos e costumes do início do século XX e a intriga familiar formaram o pano de fundo desse romance entre dois jovens de classes sociais distintas.

Quais os principais desafios para a escrita desta obra literária?

Maria Jacinta - Escrevi “Os Amantes das Gerais”  num momento em que meu tempo era dividido entre os afazeres profissionais, domésticos e as funções primordiais da maternidade. Então, nunca podia dedicar-me inteiramente a ele. O desconhecimento quase total sobre o mercado editorial também contribuiu para o “esquecimento”  temporário do sonho de publicar meu livro. Ele hibernou por longos anos, mas agora senti que já era tempo de trazê-lo à tona e oferecê-lo aos leitores.

Podemos dizer que se trata de um romance histórico mineiro?

Maria Jacinta - Creio que romance regional seria o termo mais adequado, pois ele aborda com mais intensidade, somente duas regiões de Minas Gerais; são poucas as nuances históricas, e elas aparecem apenas para matizar o enredo.

O que mais a encanta em “Os amantes das Gerais”?

Maria Jacinta - Tudo. Meu encantamento por ele vai do primeiro ao último capítulo. Tentei retratar da melhor maneira possível os acontecimentos mais significantes que marcaram e alegraram a minha infância, a de meus familiares e amigos. Os “causos” contados de maneira solene, para a plateia familiar, exerciam sobre mim um verdadeiro fascínio. A televisão roubou-lhes o encanto, não há mais tempo nem interesse em contar ou ouvir causos oralmente, porém eles, até agora, permanecem vivos na memória cultural de um povo. Pensando assim, acredito que ainda haja espaço para divulgá-los numa nova roupagem – o livro.

Onde podemos comprar o seu livro?

Maria Jacinta - O livro foi publicado em edição independente e não se encontra à venda em livrarias.
Para adquiri-lo, basta acessar o site: www.osamantesdasgerais.com.br
Para mais informações: mjacintarb@globo.com
(16) 9 9383-2929

Seu livro foi publicado de forma independente; caso alguma editora se interesse em dar suporte à publicação de uma segunda edição, você teria interesse em conhecer proposta?

Maria Jacinta - Claro que sim! Mas nunca vou esquecer ou ignorar a força das redes sociais. Foi por meio delas que iniciei, temerosa e solitária, a comercialização do meu livro, descobri inúmeras possibilidades que a internet oferece e encontrei generosos amigos virtuais que estão participando ativamente de sua divulgação, até em outros países. Jamais vou deixar de utilizá-las.

Quais os seus principais objetivos como escritora?

Maria Jacinta - Conquistar o gosto dos leitores, dar visibilidade à minha escrita e transmitir com coerência e sensibilidade tudo aquilo que minha imaginação for capaz de criar.

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Maria Jacinta de Resende Borges. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Maria Jacinta - Conhecer novos nomes que estão surgindo no universo literário, apostar no potencial que têm, principalmente os nacionais, e aventurar por diferentes estilos e modalidades de leitura.

Divulga Escritor, unindo você ao mundo através da Literatura



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domingo, 5 de novembro de 2017

O AGIOTA – Jorge Luís Santos

O Agiota


Um agiota morre e vai para o inferno. Leva muitos cheques sem provisão de fundos e notas promissórias vencidas. Chegando lá. Procura localizar os seus devedores que o precederam; não os encontra. Só vê por lá os seus concorrentes daqui da terra. Todos agiotas estavam, como ele, nos quintos dos infernos.

Precisa telefonar. A ligação do Inferno era muito cara; do Céu, 0800. Como é que, para cobrar a um velhaco, teria que gastar tanto dinheiro? – interroga-se. De repente, recebe uma ligação 0800:

- Alô, é o agiota Assis Bombão?

- Fala! Quem é você?

- Eu sou patanjali!

- Procurei você aqui e não lhe encontrei!

Quando é que você vem para cá?

- Por acaso eu já pratiquei agiotagem?

- Mas quem lhe disse que velhaco vai para o Céu?

- Lembre-se de que morri e se não estou no inferno é porque Deus me perdoou.

- Como Deus se atreve a fazer isso, se ele não me pagou a sua divida para, na condição de seu novo credor, poder ter lhe dado o perdão?

- Lembre-se também que você me deixou na miséria. Não pude nem pagar o meu caixão.

- Velhaco como você merece, no máximo, ser enterrado num saco plástico!

- Engano seu. Tive um sepultamento chic, com velório, urna funerária, flores, mirra e muitas lágrimas.

- Já sei que foi tudo por conta do SAF.

- Não. Foi comprado mesmo.

- À vista?

- A prazo!

- Duvido, hoje não se vende fiado sem consultar os Serviços de Proteção ao Crédito.

- Por acaso, agiota pode botar alguém no SPC e no SERASA?

- Não. Se eu pudesse fazê-lo, já teria botado um velhaco como você naquele rol de inadimplente!

- Você não pode me colocar no SERASA, mas pode me emprestar R$50.000,00.

- Pra que você quer tanto dinheiro assim?

- Pra pagar o meu funeral.

- O problema é meu ou de quem lhe vendeu fiado?

- O problema é nosso!

- Nosso? Por quê?

- Você sabe quem é a avalista?

- Quem? Diga-me, eu não sou adivinho.

- A viúva.

- A viúva minha mãe já morreu.

- A viúva...

- A viúva de quem?

- A viúva... Sua mulher!


Jorge Luís Santos
Advogado e cronista. Itabuna – Bahia.



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