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domingo, 23 de abril de 2017

ENTREVISTA COM O PRESIDENTE DA ACADEMIA GRAPIÚNA DE LETRAS - AGRAL

O entrevistado dessa edição do DIREITOS, é o presidente da Academia Grapiúna de Letras (Agral), Ramiro Soares de Aquino.


“Nova diretoria promete reestruturar entidade” 

A nova diretoria da Academia Grapiúna de Letras (AGRAL), empossada em 14 de março passado, promete reestruturar a academia cultural, segundo informa, em entrevista concedida ao Jornal DIREITOS, o presidente eleito, Ramiro Soares de Aquino, um dos fundadores da entidade e o segundo no cargo. O novo presidente é democrático, costuma dizer que “fica rouco de ouvir” e não toma decisões que não sejam por consenso. 

Experimentado jornalista, com vivência de cinquenta e quatro anos no ramo, completados neste mês de abril, Aquino fez algumas exigências para aceitar o cargo: 
1- Respeitar todas as decisões do seu antecessor, Ivann Krebs Montenegro, que dirigiu a entidade nos cinco primeiros anos; 2- Submeter à diretoria, sob consulta aos interessados, a destituição de todos os membros que não frequentam as reuniões, alguns somente comparecendo às suas posses; 
3- Admitir novos sócios exigindo um rígido controle de frequência e propondo a estes a possibilidade de assumir cargos diretivos, inclusive a presidência; 
4- Criar a categoria de Sócios Honorários Fundadores e
5- Manter relacionamento de alto nível com as entidades similares. Eis a íntegra da entrevista:

DIREITOS - O que o levou a aceitar essa incumbência, que para muitos é tão espinhosa?
Ramiro Aquino - O comprometimento do grupo. Perguntei a cada um se aceitava o cargo na diretoria, se topava trabalhar e demonstrei minhas exigências dizendo que o não atendimento a elas me dava o direito de renunciar. Todos foram unânimes em me apoiar, tudo isso de forma democrática. Isso me deu a segurança necessária para aceitar a presidência.

DIREITOS - Quando você fala de reestruturação isso significa que, mesmo fazendo parte da diretoria, não estava satisfeito com os rumos que a AGRAL estava tomando?
Ramiro Aquino - Pelo contrário. Aprendi muito com os companheiros que compõem a AGRAL, especialmente com Ivann Montenegro, um líder inconteste, ficando inclusive com a recém-criada Presidência de Honra. O que eu não me conformava era com a tese da imortalidade, que nos tornava vitalícios na entidade. Ora, ninguém foi forçado a aceitar o seu ingresso. Sempre quisemos a contribuição que todos poderiam oferecer. Se tomou posse e não frequenta ou pede para sair ou será afastado. Estou propondo a saída de oito confrades e o que é curioso, quatro desses foram indicação minha. Isso não quer dizer que todos eles poderão ser afastados. Se resolverem se enquadrar, serão mantidos. Se reincidirem nas faltas cumpriremos os estatutos.

DIREITOS - Quais as suas propostas?
Ramiro Aquino – Além das exigências fundamentais, a frequência às reuniões, a programação em cima de um calendário de eventos consistente, a participação ou o apoio da entidade a todas as atividades artístico-culturais da cidade, admissão de novos sócios (já temos 5 em vista) e nos tornarmos, não só a primeira, mas a mais ativa Academia de Letras da região.

DIREITOS - E a sede não se inclui em seus planos?
Ramiro Aquino - Não considero a sede social, no momento, como uma prioridade. O Ivann Montenegro já colocou a casa dele à nossa disposição, o Lions Grapiúna também, estamos em entendimentos com a FICC para reocupar a Sala Zélia Lessa, se quisermos construir a Confreira Eglê Santos Machado nos doou um terreno. A falta de teto ainda não é um problema para a AGRAL.

DIREITOS - E como sobrevive uma Academia?
Ramiro Aquino - Toda instituição dessa natureza tem que sobreviver com a contribuição dos seus confrades e confreiras. É um valor mínimo de apenas R$ 30,00, que multiplicados por 39 (quadro atual depois do falecimento da Confreira Jasmínea Benicio Midlej) representam uma receita mensal de R$ 1.170,00. Sem considerar uma pequena inadimplência de 15%, temos considerável saldo mensal em caixa. Avalie bem: na nossa posse fizemos uma festa com despesas mínimas, onde só pagamos a filmagem, apenas um dos quatro fotógrafos, só os ingredientes do buffet (o Saborearte doou o serviço) e o vigilante. O local foi cedido pela Loja 28 de Julho, a MM Studios forneceu o som e o Coral Cantores de Orfeu nos brindou com a música.



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TERRAS DE ITABUNA - Nascimento de Tabocas

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Nascimento de Tabocas


            Já dizia Mares de Sousa no seu almanaque de 1911: “Ponto algum do Estado, nesses últimos anos, há tido maior desenvolvimento em comércio, lavoura, aumento de população, de construções, de que Itabuna, que há quatro anos e dois meses era um simples arraial. Daí bem se pode calcular a ascensão que esta localidade tem feito ao progresso, ficando, portanto, sem razão de ser o mau juízo que porventura ainda façam aqueles que de longe somente a conhecem pelas correspondências políticas ou pelos telegramas e notícias alarmantes transmitidas à imprensa”.

            O seu primeiro nome foi Tabocas. Muitas vezes Carlos Sousa contou a sua história ao Tourinho da farmácia, que era bom para escrever desaforos, mas não possuía as letras do outro farmacêutico Artur Nilo de Santana, que fazia uns discursos bonitos nas reuniões da filarmônica e ainda o público recordava o discurso que pronunciou no dia da instalação do termo da vila e comarca em 8 de novembro de 1906.

            Tabocas começou propriamente a nascer no ano de 1860. Alguns ranchos, toscos casebres, colocados ao lado da estrada, à margem direita do rio, habitados, uns por posseiros das matas próximas, outros por pequenos comerciantes que vendiam aos boiadeiros, que desciam, ou subiam ao sertão da vila de Conquista, cinquenta léguas distante, no poente.

            Moravam no local, conhecido hoje pelo nome de Marimbeta, Félix Severino do Amor Divino, Militão Francisco de Oliveira, José Severino de Oliveira, Faustino Jovita de Santa Fé, José Alves da Silva, João Antônio do Nascimento, Maximiano de Oliveira, Manuel Apolinário Batista, João Pinheiro do Nascimento e Anacleto Alves da Silva.

            Por muitos anos esses homens trabalharam, anonimamente, humildemente, bravamente, derrubando matas, fazendo roças, plantando cacau, acumulando riquezas.

            Verdadeiros heróis das selvas, isolados do mundo, da civilização adoeciam e morriam sem remédio, sem conforto, sem assistência.

            Entravam nas matas para trabalhar e muitas vezes, delas não saíam senão mortos por picadas de serpentes venenosas.

            É a história daquele velho que disse à mulher: “vou à roça buscar uns temperos para o feijão”. Foi e não voltou. A mulher também foi e não voltou. Os filhos começaram a chorar. Choraram o dia todo, os pais não apareceram, o fogo apagou-se a comida não cozinhou. Já à tardinha chegou um vizinho, perguntou aos meninos que choravam, pelos pais, e lá se foi com os meninos ao roçado, onde encontraram, caídos e mortos, o homem e a mulher, um quase por cima do outro.

            Ficaram surpresos, ficaram espantados, não ficaram com medo, porque nas matas do cacau o homem perde o medo, cria coragem e se torna indiferente.

            De repente ouviram qualquer coisa batendo no chão, e viram qualquer coisa se movimentando, uma coisa roliça, como uma corda grossa, e gritaram: Uma cobra, duas cobras! Realmente, duas cobras enormes de remexiam, irritadas, assanhadas, agressivas. Os meninos correram, o homem atirou numa cobra e depois na outra, com uma pistola de dois canos, calibre 44. Os dois tiros ecoaram forte na mata e os seus estampidos foram de quebrada em quebrada desaparecendo. O homem aproximou-se cauteloso. Havia matado dois “surucucus pico de jaca” cobra venenosa e terrível, que cresce dois metros e mora nas selvas. Um naturalista as classificou de cascavel da terra do cacau. Sua dentada é mortífera, não tem remédio, nem a reza cura...

            Assim como aqueles, se findavam muitos desbravadores, muitos fazendeiros de roça de cacau.

            E o paludismo, o tifo, a umidade das matas, os assaltos dos índios, mas tocaias traiçoeiras?

            Carlos Sousa sabia de tudo, isso contado pelos velhos moradores da terra. Tinha assim a noção de como a riqueza daquela terra, que Mares de Sousa falava no seu almanaque, se havia construído, com sacrifício, com martírio de uma geração, com trabalho audacioso e luta sem quartel.

            Hoje tudo se apresentava diferente.

            Até um médico vindo de Minas, de nome Coriolando Antunes, fazia consultas a prestação, recebendo de cada cliente, para assisti-lo e à família vinte cruzeiros por mês.


(TERRAS DE ITABUNA Capítulo V)

Carlos Pereira Filho


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PALAVRA DA SALVAÇÃO (24)

2º Domingo da Páscoa - 23/04/2017


Anúncio do Evangelho (Jo 20,19-31)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”.

Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor.

Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”.

Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”.

Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”.

Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” Jesus lhe disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”

Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e, para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.


— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.


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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a encenação do evangelho:

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Sinais da presença do Ressuscitado


 “Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor” (Jo 20,20).


As Aparições são a maneira mais convincente de transmitir a vivência daquilo que Jesus Cristo significou para os(as) primeiros(as) seguidores(as), depois da desoladora experiência de Sua paixão e morte. O que a primitiva comunidade quis transmitir foi a experiência de que Jesus Vive e, além disso, continua comunicando-lhes aquela mesma Vida da qual tantas vezes Ele lhes havia falado. E, ao tomarem consciência de que possuíam a verdadeira Vida, o medo da morte não lhes preocupava mais. A Vida que o Cristo Ressuscitado lhes comunicou, permanece. Esta é a mensagem de Páscoa.

Com o conceito de Ressurreição quer-se expressar, então, a mensagem de que a morte de Jesus não foi o final. Sua morte não foi a meta, senão que sua meta foi a Vida, uma Vida em Deus, a mesma Vida de Deus, como nos diz João: “O Pai que vive me enviou e eu vivo pelo Pai”.

Jesus não volta à vida. Está já na vida. Por isso os relatos pascais insistem em que Jesus não é uma recordação do passado, mas que está vivo e ativo entre os seus.

João usa o verbo “soprar sobre eles” para expressar a comunicação do dom da Vida, através do Espírito do Ressuscitado. É o mesmo verbo que aparece em Gen. 2,7: com aquele sopro o ser humano de barro se transformou em ser vivente. Agora Jesus lhes transmite o Espírito que dá verdadeira Vida. Trata-se de uma nova criação do ser humano. Sem essa Vida que vai mais além da vida, nada daquilo que diz o Evangelho teria sentido.
  
O Espírito recebido é o critério para discernir as atitudes e as ações que derivam dessa Vida. Essa nova Vida é capacidade de amar como Jesus amou; é “passar pela vida fazendo o bem” (At. 10,38); é força que arranca de tudo aquilo que desumaniza e oprime; é impulso para “estar entre os seus como aquele que serve” (Lc. 22,27).

Dando seu Espírito, Jesus quer que seu Projeto seja também realizado por todos os seus(suas) seguidores(as). Ele desvela no ser humano todas as suas possibilidades: transcender-se a si mesmo e ativar todas as potencialidades de vida ainda latentes.
  
“Viver como ressuscitados” implica esvaziar-nos do “ego”, para deixar transparecer o que há de mais divino em nosso interior. É preciso destravar portas e janelas de nossos estreitos lugares para que o novo Sopro do Ressuscitado areje nossa interioridade, ainda envolvida na sombra e no medo. Todos nós temos de passar e superar o mesmo processo vivido pelos discípulos e discípulas, se quisermos entrar na dinâmica da experiência Pascal. A fé no Ressuscitado não significa nada se nós mesmos continuamos vivendo uma vida atrofiada e sem horizontes.

Quem se experimenta a si mesmo como “Vida” é já uma pessoa “ressuscitada”. Nós vivemos já ressuscitados porque o Ressuscitado está em nosso meio, através do seu Espírito que dá a Vida. A Vida definitiva já está alentando nossa vida.

A Ressurreição de Jesus nos convida e nos convoca a um sentido maior de nossa existência e uma maior qualidade de vida em nossas relações. Há “sinais” de Ressurreição perpassando todas as experiências humanas. Da mesma forma como há sinais de morte, também há inúmeros sinais de vida saltando por todos os lados. Cabe a nós, portanto, prestar atenção a esses “sinais” para deixar-nos impactar por eles.

Os sinais da Ressurreição não são diferentes daqueles da Paixão, mas os mesmos: os cravos e a lança. Não nos enganemos, trata-se do Crucificado; Ele é o Ressuscitado. Não há outro modo de encontrá-lo e verificá-lo a não ser tocando a marca dos cravos e o seu lado traspassado. Só que agora quem o vê e o toca, sente a força que o Crucificado/Ressuscitado tem para libertar e curar, para sanar e levantar, para dar vida e vencer a morte. Suas cicatrizes são curativas e sanam aqueles que O contemplam e O descobrem no cotidiano da história. “Tocar” no Ressuscitado é “tocar” a carne dos feridos e excluídos de nosso meio.

Jesus Ressuscitado continua carregando em suas mãos, pés e lado, a ferida da história; não só as chagas dos cravos e o corte da lança em seu próprio corpo, mas a chaga dos enfermos e expulsos, dos famintos e oprimidos... e de todos aqueles que continuam sofrendo ao nosso lado.
  
Experimentamos a Ressurreição quando somos capazes de acreditar que a boa semente precisa morrer para dar frutos, isto é, que a vida bem vivida é aquela que está a serviço e que deve ser bem cuidada. A Ressurreição acontece quando alimentamos a pequena chama que ainda fumega nos corações desanimados, mas esperançosos; quando acreditamos no ser humano e em suas possibilidades de mudança; quando transformamos escuridão em luz, choro em dança, sofrimento em crescimento.

Vivemos a Ressurreição quando ajudamos os outros a encontrar razões para viver e alimentamos os sonhos por dias melhores, com pão na mesa de todos e com dignidade garantida. A Ressurreição acontece nos pequenos e simples gestos de partilha, de perdão sincero e de confiança alegre. Ela está presente nos corações que mantêm viva a novidade da vida. E se revela na capacidade de ver o mundo e as pessoas com olhar de misericórdia, que reconstrói a existência fragmentada.

Eis por que é fundamental o exercício do olhar transparente, da escuta atenta, da sensibilidade antenada... Importa contemplar o amor entre as pessoas, o cuidado do planeta, o sorriso das crianças, o sofrimento e as limitações humanas, a festa e a alegria, os rostos marcados pelo desgaste do caminho, bem como as lutas e as conquistas cotidianas. Tudo é mensagem, tudo se reveste de sentido.


A Ressurreição de Jesus toca nossa existência e nos possibilita experimentar o céu enquanto caminhamos pela terra, viver o divino misturado com o humano. Assim, o bem, a bondade e a solidariedade nos colocam na perspectiva do paraíso. A Ressurreição nos eleva e nos orienta para o Transcendente e para os valores mais altos, sem perder a simplicidade e complexidade de cada dia.

Ao entrarmos no mistério das coisas, pessoas e acontecimentos, somos banhados pela onda vital que emana de Deus. Dessa maneira, a vida nova resplandece e ilumina a escuridão da humanidade. A perspectiva da Ressurreição nos permite, portanto, dar um salto em direção à vida plena, ainda que marcada pela dor, pela cruz e pelos sinais de derrota.

Para os semeadores do bem, a vida é recompensa e fruto. E tem a última palavra...

Texto bíblico:  Jo 20,19-31

Na oração: 
* Preste atenção aos sinais de vida ao seu redor: gestos simples, iniciativas de pessoas e comunidades, posturas éticas e coerentes na política e na Igreja, solidariedade, perdão, acolhimento, voluntariado, cuidado de pessoas e do meio ambiente, etc...
 * Faça, diariamente, uma “leitura orante” dos acontecimentos pessoais, sociais, ecle-siais...
 * Quê mensagem de Ressurreição você encontra neles? Quê apelos você reconhece nessas experiências?


Pe. Adroaldo Palaoro sj


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sábado, 22 de abril de 2017

CONFISSÕES DE UM PSICOPATA APAIXONADO – Ivan Martins

Me conte o que você faria para que o amor da sua vida voltasse


A amiga me contou, em tom dramático, que pegou uma coqueluche tão forte que achou que morreria. Foram semanas tossindo sem parar, com dores e mal-estar terríveis. A coisa foi tão grave, ela disse, que o ex-marido, de quem estava separada havia mais de um ano, voltou para cuidar dela. Depois que a doença passou, reconciliados, eles resolveram tentar de novo.

“Como se faz para contrair coqueluche?” eu perguntei, afoito e esperançoso, assim que ela terminou de contar. Na hora, me pareceu uma boa ideia. Depois, calculei que tossiria sozinho, ou na companhia de um amigo que roncaria como urso na poltrona e discutiria comigo se era mesmo preciso que ele fumasse fora do quarto.

Vocês estão rindo, mas conheço gente que faria qualquer coisa para atrair de volta o ex-marido ou a ex-mulher extraviados.

Entre os homens, ataque cardíaco é um clássico. Estive no hospital há duas semanas com dores no peito, mas os médicos me dispensaram como se eu fosse um velocista olímpico. “Rivotril”, receitou o jovem plantonista lacônico, me olhando com cara de enfado, profundamente desinteressado da minha complexa situação existencial.

Eu vinha sonhando havia dias com um post no Facebook dizendo assim: “Foi só infarto. Os médicos dizem que está tudo bem”. O comentário seria acompanhado por um selfie na cama do hospital, com aquele sorriso abatido, mas cheio de coragem. Se ela não voltasse correndo, seria um monstro.

Mulheres – eu já tive a chance de testemunhar – preferem o colapso emocional. As amigas vão ligar para o sujeito e informar: “Fulana está péssima. Se você gosta um pouquinho dela, melhor vê-la”. O cara vai, se sentindo culpadíssimo, e encontra uma ex que parece ter saído de uma colônia de férias do Estado Islâmico. Magra, pálida, distante. Ele tenta segurar as mãos dela, mas ela as retira, assustada, como se ele fosse o bastardo malvado de Game of Thrones. Se o sujeito não tiver coração de pedra, ficará e cuidará dela, talvez por dez anos.

Depois de ver o sofrimento humano de perto (o meu, sobretudo) parei de julgar os manipuladores de sentimentos alheios. Eles são apenas psicopatas apaixonados. O resto de nós se preocupa com ética, integridade, verdade. Queremos ser amados espontaneamente. Temos escrúpulos, princípios, limites. Eles só querem a fulana ou o sicrano de volta na cama deles, ponto final. Outras considerações são secundárias.

Tenho certeza de que no longo prazo as chantagens e os truques não funcionam, mas alguém já observou corretamente que no longo prazo estaremos todos mortos. Logo, por que não tentar ser amado a qualquer preço?

Uma vez, conversei com um amigo cuja ex-mulher insistia em se manter longe da casa e da vida dele. O cara estava desesperado. Saímos para beber e ele me contou, animadíssimo, que acabara de saber que a ex tinha engordado 10 quilos. "Por que você está feliz com isso?", eu perguntei. “Porque ela vai ficar feia, ninguém mais vai querê-la e ela vai voltar para mim”, ele respondeu, com um sorriso lunático no rosto. Algum tempo depois, ela voltou.

Lembrei dessa história nas últimas insônias, mas com mínimas esperanças. Uma mulher que corre, faz ioga, pratica musculação e come como um coelho vegano não vai ganhar 10 quilos. Nem cinco. A possibilidade de que ela fique feia nos próximos anos equivale à de que eu fique mais jovem. Não vai acontecer nesta encarnação.

Não adianta dizer isso aos amigos, claro. Todos têm uma ideia infalível para trazer de volta o amor da vida dos outros. “Esqueça as palavras, você precisa criar situações emocionais incontornáveis”, diz um deles. Exemplo? “Compre para ela uma banca inteira de pimenta da feira. As mulheres são loucas por pimenta.” OK, próxima. “Prometa o que ela quiser, ofereça o que ela mais desejar, depois as coisas se arranjam”, diz outro. Se bem me lembro, foi assim que começaram os caras presos pela Lava Jato em Curitiba. “Você já fez reservas para Paris”? perguntou uma amiga. “Chegue com as passagens na mão e ela não vai resistir.” Problema: se ela cair por um clichê desses eu não vou querê-la de volta.

Essas ideias rocambolescas reforçam minha convicção de que em caso de abandono não há nada a fazer além de respirar, esperar e torcer. Aqueles anúncios do poste que prometem trazer seu amor de volta não funcionam. Eu sei. Tentei três deles e eles não devolvem o dinheiro.
As coisas no terreno afetivo se resolvem com simplicidade, ou não se resolvem. Se a moça gostar de você, virá naturalmente. Se o sujeito ainda ama você, ele voltará de livre e espontânea vontade – e isso exclui seu amigo delegado ligar para ele ameaçando prendê-lo.

Gente que sofre vive sob a tentação de um gesto heroico, capaz de atordoar e seduzir o outro, mas é bobagem. Passado o efeito dos fogos de artifício – ou das garrafas de vinho no restaurante mais caro da cidade, cujos efeitos ficarão no seu cartão de crédito para sempre – os sentimentos voltarão ao normal, e você terá a seu lado uma pessoa entediada. Ou ressentida, porque deixou-se iludir.

Eu sei que todo mundo conta uma exceção notável a essa regra. Há sempre uma história de jantar, presente, viagem ou gesto inesperado que reverteu os sentimentos do outro e fez tudo mudar, mas eu simplesmente não acredito nelas. Quando a gente olha de perto, percebe que não foi bem assim. A pessoa voltou por um mês – ou ficou para sempre porque nunca havia saído. Quem realmente vai voltar dispensa os malabarismos. Quem partiu de coração torna-se imune a pirotecnias. Sobretudo as mulheres. 

Na vida real, é importante abrir seu coração, falar do seu amor com todas as letras e deixar que o outro decida por si mesmo. Fazer com que ele ou ela ria da situação ajuda. Lágrimas sinceras também, sobretudo no rosto dos homens. É uma pena que muitos de nós não saibam chorar.




IVAN MARTINS
Colunista de ÉPOCA
Autor do livro Alguém especial, escreve em epoca.com.br às quartas-feiras


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O PARASITA I – Machado de Assis


O Parasita I


Sabem de uma certa erva, que desdenha a terra para enroscar-se, identificar-se com as altas árvores? É a parasita.

Ora, a sociedade, que tem mais de uma afinidade com as florestas, não podia deixar de ter em si uma porção, ainda que pequena de parasitas. Pois tem, e tão perfeita, tão igual, que nem mesmo mudou de nome.

É uma longa e curiosa família, a dos parasitas sociais; e fora difícil assinalar na estreita esfera das aquarelas — uma relação sinótica das diferentes variedades do tipo. Antes sobre a torre, agarro apenas na passagem as mais salientes e não vou mergulhar-me no fundo e em todos os recantos do oceano social.

Há, como disse, diferentes espécies de parasitas.

O mais vulgar e o mais conhecido é o da mesa; mas há-os também em literatura, em política e na igreja. É praga antiga, e raça cuja origem se prende à noite dos tempos, como diria qualquer historiador en herbe. Da Índia, essa avó das nações, como diz um escritor moderno, são poucas as noções a respeito; e não posso marcar aqui com precisão o desenvolvimento dessa casta curiosa no velho país. Em Roma, onde lemos como num livro, já Horácio comia as sopas de Mecenas, e banqueteava alegremente no triclinium. É verdade que lhe pagava em longa poesia; mas, nesse tempo, como ainda hoje, a poesia não era ouro em pó, e este é grande estrofe de todos os tempos.

Mas, tréguas à historia.

Tenho aqui como alvo esboçar em traços ligeiros as formas mais proeminentes da individualidade; entremos pois no estudo — sem mais preâmbulo.

Devo começar pelo parasita da mesa, o mais vulgar? Há talvez pouco a dizer — mas esse pouco mesmo revela altamente os traços arrojados desta fisionomia social.

Debalde se procuraria conhecer as regiões mais adaptadas à economia vital deste animal perigoso. Inútil. Ele vive por toda parte em que há ambiente de porco assado.

Também é aí onde ele desenvolve melhor todas as suas faculdades; — onde se sente a son aise, como diria qualquer label encadernado em paletó de inverno.

Perfeito parasita deve ser perfeito gastrônomo; mesmo quando não goze esta faculdade por vocação do berço, é um resultado da prática, pela razão de que o uso do cachimbo faz a boca torta.

Assim, o parasita jubilado, o bom parasita, está muito acima dos outros animais. Olfato delicado, adivinha a duas léguas de distância a qualidade de um bom prato; paladar suscetível, — sabe absorver com todas as regras de arte — e não educa o seu estômago como qualquer aldeão.

E como não ser assim, se ele não tem outro cuidado nesta vida? E se os limites da mesa redonda são os horizontes das suas aspirações?

É curioso vê-lo na mesa, mas não menos curioso é vê-lo nas horas que precedem às seções gastronômicas. Entra em uma casa ou por costume ou per accidens, o que aqui quer dizer intenção formada com todas as circunstâncias agravantes da premeditação, e superioridade das armas. Mas suponhamos que vai a uma casa por costume.

Ei-lo que entra, riso nos lábios, chapéu na mão, o vácuo no estômago. O dono da casa, a quem já fatiga aquela visita diária, saúda-o constrangido e com um riso amarelo. Mas isso não é decepção; tão pouco não desarma um bravo daquela ordem. Senta-se e começa a relatar notícias do dia, entremeadas de algumas da própria lavra, e curiosas — a atrair a feição vacilante do hóspede. Daqui um criado que vem dar o sinal de combate. É o alvo a que visava o alarme, e ei-lo que vai imediatamente pagar-se de uma tarefa de almanaque, tão custosamente exercida.

Se porém ele entra per accidens, não é menos curiosa a cena. Começa por um pretexto que deve lisonjear as pessoas da casa conforme os seus fracos. Assim, se há aí um autor dramático, o pretexto é dar um parabéns sobre a última peça representada dias antes. Sobre este molde, tudo o mais.

Se às vezes não há um pretexto sério, não trepida ainda o parasita; há sempre um de lado, como substantivo: saber da saúde do amigo.

Mas, entra ele; dado o pretexto, senta-se e começa a desenrolar toda a retórica que pode inspirar um estômago vazio, um Jeremias interno. Segue-se depois, pouco mais ou menos, a mesma cena. No fim está sempre como orla de horizonte uma mesa mais ou menos apetitosa, onde a reação se opera largamente.

Há, porém, pequenas desgraças, acidentes inesperados na vida do parasita da mesa. Entra ele em uma casa onde espera almoçar folgado; — faz as primeiras saudações e vai corar a pílula ao seu caro hóspede. Um certo ranger de dentes, porém, começa a agitá-lo, um ranger particular que indica um estado mais calmo aos estômagos da casa.

— Então como vai? Sinto que chegasse agora; se mais cedo viesse, almoçava comigo.

O parasita fica de cara à banda; mas não há remédio; é necessário sair com decência e não dar a entender o fim que o levou ali.

Estas eventualidades, estas pequenas misérias, longe de serem decepções, são como o cheiro da pólvora inimiga para os soldados, um incentivo na ação. É uma índole miserável a desse corpo leviano em que só há animalidade e estômago; mas, entretanto, é necessário aceitar essas criaturas tais como são — para aceitarmos a sociedade tal como ela é. A sociedade não é um grupo de que uma parte devora a outra? Eterno antagonismo das condições humanas.

O parasita da mesa uniformiza o exterior com a importância do hóspede; um cargo elevado pede uma luva de pelica, e uma botina de polimento. À mesa não há ninguém mais atencioso; — e como um conviva alegre, aduba os guisados com punhados de sal mais ou menos saborosos.

É uma retribuição razoável — dar de comer ao espírito de quem dá de comer ao corpo.

Aqui não há desaire, há uma troca recíproca que prova que o parasita tem suscetibilidades em alto grau.

Estes traços, mais ou menos exatos, mais ou menos distintos, dão aqui uma pequena ideia do parasita da mesa; mas esta variedade do tipo é absorvida por outras de uma importância mais alta. Aqui é o parasita do corpo, os outros são os do espírito e da consciência; — aqui são os epicuristas à custa alheia, os outros são as nulidades intelectuais que se agarram à primeira tela de propriedades suculentas que lhe vai ao encontro.

São imperceptíveis talvez estes lineamentos — e acusam a aceleração do pincel; passemos às outras variedades do tipo onde achamos formas mais amplas e proeminências mais distintas...

... o Parasita II

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Machado de Assis - (Joaquim Maria Machado de Assis), jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 21 de junho de 1839, e faleceu também no Rio de Janeiro, em 29 de setembro de 1908. É o fundador da cadeira nº. 23 da Academia Brasileira de Letras.

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22/04: DIA INTERNACIONAL DA TERRA

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original
Pela Mãe Terra
...
Iniciemos a guerra,
Um combate em prol da Vida: 
Protejamos a Mãe Terra
Da nossa própria investida!...


Eglê S Machado


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sexta-feira, 21 de abril de 2017

BRASÍLIA COMEMORA 57 ANOS COM SHOWS E EXPOSIÇÃO GRATUITOS

Torre de TV vai receber programação especial para os 57 anos do aniversário de Brasília
Elza Fiúza/Agência Brasil

Heloisa Cristaldo - Repórter da Agência Brasil


A capital federal completa 57 anos nesta sexta-feira (21) e as atividades em comemoração ao aniversário da cidade começam hoje e acontecem por todo fim de semana. A programação também celebra os 30 anos de Brasília como Patrimônio Mundial e os dez anos do Museu Nacional.

A programação inclui nove artistas da cidade e três atrações nacionais, além da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro. Os eventos têm entrada franca, classificação livre e custaram R$ 1,8 milhão ao governo local.

A cantora Elba Ramalho é a atração principal nesta sexta-feira, às 22h. A festa começa com a apresentação de Dona Gracinha da Sanfona, que abre o evento na Torre de TV, às 18h.  A banda Ciclone na Muringa, que mistura ritmos populares, como maracatu, coco e baião à sonoridades do rock e do reggae sobe ao palco às 19h. A banda paulista convidada Dê um Rolê faz homenagem aos Novos Baianos, a partir das 20h. Pela manhã, das 11h às 15h, o grupo Kilombrasília promoverá um aulão de capoeira aberto ao público.

No sábado (22), a atração principal é o grupo de pagode Raça Negra, que sobe ao palco às 22h. A festa tem início mais cedo com a apresentação do tradicional grupo Boi de Seu Teodoro às 18h20. Na sequência, às 19h30, o Trio Siridó anima o público com forró. A sambista Cris Pereira canta às 20h40. Entre uma atração e outra, os Djs Nagô e Barata garantem o som no sábado e no domingo (23), respectivamente.

No domingo, a programação ficará a cargo da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, que inicia às 17h30 o concerto especial para os 57 anos de Brasília. Os músicos estarão acompanhados de jovens participantes de projetos socioeducativos musicais.

Esplanada dos Ministérios
Além dos shows na Torre de TV, a programação do aniversário de Brasília inclui atividades na Esplanada dos Ministérios. No domingo, o violeiro Cacai Nunes toca às 19h, seguido pelo grupo de choro Fernando César e Regional, às 20h. As atrações do fim de semana se encerram às 21h, com a apresentação do violeiro Renato Teixeira, de São Paulo. As apresentações serão no Museu Nacional do Conjunto Cultural da República.

A cidade recebe ainda exposição que celebra os 10 anos do Museu Nacional, com obras de expoentes da arte brasileira como Anita Malfatti e Tarsila do Amaral, além de artistas contemporâneos, principalmente do grafite brasiliense. A visitação vai até 4 de junho, de terça a domingo, das 9h às 18h30.


Edição: Amanda Cieglinski