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domingo, 17 de abril de 2022

PALAVRA DA SALVAÇÃO (261)



Páscoa do Senhor | domingo, 17 de abril de 2022


Anúncio do Evangelho (Jo 20,1-9)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.

— Glória a vós, Senhor.

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo.

Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”.

Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou.

Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte.

Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu, e acreditou.

De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

http://liturgia.cancaonova.com/pb/

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Donizete Ferreira, Sacerdote da Comunidade Canção Nova:


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O Ressuscitado nos ensina a exercer o "ministério da consolação"

 


+ Na alegria da ressurreição, prepare a oração, criando um clima de profunda intimidade com o Ressuscitado.

+ Suplique a Deus o dom da alegria com Cristo Ressuscitado; que a experiência da Ressurreição o(a) impulsione a viver com mais intensidade em comunhão com toda a humanidade e toda a Criação.

+ Antes de “entrar em contemplação”, repasse os “pontos” seguintes:

 

Mestre Crucificado, Mestre Ressuscitado. O ensinamento de Jesus revelou-se inseparável de sua vida; em outras palavras, Ele ensinou com sua vida. Certamente, Jesus ensinou com parábolas, com gestos ousados... Mas, no final, o que educa de verdade é sua própria vida de Mestre amigo, terapeuta, compassivo, crucificado, ressuscitado... Por isso, não basta dizer que o ensinamento de Jesus “segue adiante”, mas que devemos acrescentar: Jesus mesmo, ressuscitado por Deus, é o autêntico educador.

Os relatos de suas Aparições nos revelam como Ele foi reconstruindo as pessoas, amigas e amigos, quebrados(as) pelo fracasso, pela tristeza, pela decepção... Jesus os(as) ressuscitou por dentro, despertando a vida bloqueada e abrindo o horizonte da missão. 

“Olhar o ofício de consolar que Cristo nosso Senhor exerce” (EE. 224). S. Inácio utiliza esta expressão quando apresenta, na 4ª Semana dos Exercícios, a contemplação das aparições do Ressuscitado.

Consolar é o que define a ação do Ressuscitado, transformando a situação dos seus discípulos e discípulas: a tristeza se converte numa alegria contagiosa, o medo em valentia e audácia, a negação de Jesus em profissão de fé e martírio... Não se trata de um ato pontual senão de um “ofício” , que definirá para sempre a atividade de seu Espírito no mundo.

Nas cenas evangélicas das aparições, o efeito da presença do Ressuscitado sobre os discípulos e discípulas termina sempre em reconhecimento, em chamado e envio, em restauração de uma vocação e missão.

Jesus ressuscitado exerce sobre eles(elas) um original “ofício de consolar”, cujo efeito é iluminar o caminho pelo qual, em seu nome e com Ele, eles e elas hão de percorrer. O “ofício de consolar” é a marca do Ressuscitado, é força recriadora e reconstrutora de vidas despedaçadas. Jesus “ressuscita” cada um dos seus amigos e amigas, ativando neles(as) o sentido da vida, reconstruindo os laços comunitários rompidos, e sobretudo, oferecendo solo firme a quem estava sem chão, sem direção... 

O verbo “consolar” tem, no hebraico, um sentido mais amplo e forte que nas línguas latinas, porque, muito mais que animar a alguém abatido, expressa a ação eficaz de conseguir com que desapareçam os motivos de seu abatimento. Neste sentido, consolar não é tão somente acompanhar senão, também, inclui a ação de dar esperança, uma esperança fundada, capaz de produzir uma mudança radical no estado de ânimo do outro.

Nos relatos das aparições de Jesus Ressuscitado, esta experiência de ficar consolado aparece muito evidente, porque passa-se da angústia do túmulo vazio à consolação na presença d’Aquele que vive; é a passagem da ausência desconcertante à presença significativa.

O Ressuscitado se aproxima como Presença viva que comunica Vida: deixa-se ver, caminha, fala, interpela, corrige, anima, transmite paz e alegria. Em uma palavra, presenteia seu Espírito.

Sua maneira de se fazer presente é pessoal, personalizante, identificadora: dizer o nome, suscitar recordações e experiências comuns, fazer vislumbrar projetos de futuro.

Outra vez Jesus recria a comunidade que, depois da Paixão, estava se desintegrando; e seus discípulos experimentam novamente o chamado e o envio, a serem testemunhas e cúmplices do Espírito, porque vivem a certeza existencial de que o Crucificado é o Ressuscitado, que a morte foi vencida, que Deus está constituído como Senhor.

Em meio à dor, os(as) discípulos(as) aprendem a confiar em Deus e a não se deixar levar pela tristeza.

alegria não começa quando acabam as dores; a alegria é uma opção de vida, expressão da confiança em Deus, que torna possível enfrentar o sofrimento com esperança. A alegria não suprime o sofrimento, mas lhe dá sentido. A alegria não desconhece o sofrimento, senão que o enfrenta com confiança. 

Em nosso uso habitual, a palavra “consolação” e o verbo “consolar” apontam para um profundo e rico significado: revelam um tipo de proximidade e comunhão com o outro capaz de lhe transmitir compreensão, alento, acolhida, impulso... ou seja, uma transmissão de energia que desperte nele suas próprias capacidades de reação diante de uma situação de tristeza, de fracasso, de desespero ou sofrimento...

Nos Exercícios Espirituais de S. Inácio, consolação e consolar são a linguagem e ação de Deus no ser humano, comunicação do Criador com a criatura, iniciativa de Deus que, quando é recebida com agradecimento e pureza, isto é, como dom gratuito e como escuta disponível, nunca deixam a pessoa consolada no mesmo lugar ou situação onde estava antes.

consolação de Deus é sempre dinamizadora daquilo que é mais divino no ser humano.

Por ser manifestação da comunicação do Espírito de Deus ao espírito humano, gera sempre na pessoa, amor, alegria, fé, entusiasmo..., e desemboca sempre na missão

Deus nos consola para que possamos consolar.

Na consolação, Deus nos chama a ser seus colaboradores. A consolação que recebemos do Senhor não nos é dada tendo em vista um desfrute narcisista e fechado deste dom espiritual, mas tem a finalidade de capacitar-nos para o “ministério da consolação”.

É um dom para a missão; se alguém se apropria dela como coisa pessoal, morre.

Dessa consolação de Deus, da qual nós mesmos e nosso mundo tanto necessitamos, somos chamados a fazer-nos receptores e mediadores.

Trata-se de uma consolação que é pura graça, que não está ao alcance de nossa mão dá-la a nós mesmos, nem dá-la aos outros, mas da qual podemos ser agradecidamente receptores e gratuitamente mediadores. Com isso, a consolação pode estender-se a outros muitos rincões da existência humana.

É tempo de autocompreender-nos e atuar frente aos outros como enviados a exercer ativamente o “ofício de consolar”, tendo sempre presente que a consolação verdadeira pertence somente ao Espírito, já que não é outra coisa que a gratuita autocomunicação do Deus trinitário à humanidade.

É Ele mesmo quem deseja compartilhar conosco este ofício, o ofício de consolar

Consolação e “ofício de consolar” nascem e vem precedidas pela experiência de uma alegria pura e totalmente desinteressada pelo Senhor. Alegria interna e verdadeira que procede e provoca a missão.

Nada mobiliza tanto como o agradecimento e nada revela tanto o agradecimento como a alegria pura pelo bem do outro. A gratuidade é o habitat natural da consolação e do consolado.

Todos somos chamados a prolongar este “ofício de consolar” de Jesus; a experiência da Ressurreição nos move a “descer” junto à realidade do outro (seus dramas, fracassos, perda de sentido da vida...) e exercer este ministério humanizador, ou seja, ministério entre iguais, “vida que desperta outra vida”.

É vida plenificada, iluminada, integrada... pela experiência de encontro com o Ressuscitado e que flui em direção à vida bloqueada, necrosada... ativando-a, despertando-a...

É movimento expansivo da vida.

Assim como a consolação é o canal privilegiado pelo qual Deus se comunica e atua em nós, o ofício do consolo” é o canal por onde flui a vida. 

Textos bíblicos:  Jo 20,11-18    Lc 24,13-35 

Na oração: faça “memória” das experiências de consolação, suscitadas pela Graça de Deus ao longo desta Quaresma

- Recorde pessoas que foram “presenças consoladoras” em sua vida.

- Traga à memória situações em que você foi o(a) mediador(a) da consolação de Deus. 

Iluminar a madrugada e tecer liberdade, nutrir a vida de compaixão e amizade, celebrá-la e oferecê-la de verdade, orar... Esse é o movimento de Ressurreição? É isto que o evangelista João quer destacar quando escreve que Madalena “saiu correndo”, que Pedro e João “corriam juntos”?

Que a Páscoa seja um tempo de movimento e cada um(a) discirna para onde correr!

Um Santo Tempo Pascal e todos e todas!


Pe. Adroaldo Palaoro sj

17.04.22

https://centroloyola.org.br/revista/outras-palavras/espiritualidade/2555-o-ressuscitado-nos-ensina-a-exercer-o-ministerio-da-consolacao

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quinta-feira, 14 de abril de 2022

OTÁVIO MANGABEIRA - José Sarney


Otávio Mangabeira fora deputado federal desde 1911, chanceler no governo Washington Luís, exilado, novamente deputado, deputado constituinte, governador da Bahia, senador, participara da fundação da UDN e era membro da Academia Brasileira de Letras desde 1934. Velho, nos últimos anos de sua vida, morava no hotel Glória; se não me engano, na suíte 901, no nono andar. Recordo-me de que ele tinha os pés já bastante inflamados e andava com chinelas de plumas, muito confortáveis. Ali recebia os amigos e admiradores e os líderes dos partidos políticos, que sempre desejavam ouvi-lo.

Nós, da UDN, éramos presença constante. Não digo por mim, que era muito jovem, mas ali estive duas vezes, em companhia do Carlos Lacerda e do João Agripino.

No dia da revolta do Major Veloso, de Aragarças, Carlos Lacerda, ao saber da deflagração do movimento, telefonou para João Agripino e para mim pedindo que fôssemos ao hotel Glória, à suíte do Mangabeira, para onde ele estava se deslocando.

Lá cheguei e já encontrei o Lacerda dizendo ao Mangabeira que não tinha nenhum envolvimento com o fato e, pelo contrário, ouvindo alguns ruídos sobre sua ligação com oficiais da Aeronáutica, tinha chamado o Major Veloso, um dos mais afoitos, e dito que não praticasse nada de sedição - coisa de que eles falavam todo dia - e que ele condenaria qualquer movimento dessa natureza.

Mesmo assim, Veloso e alguns companheiros de farda desviaram três aviões militares, sequestraram um Constellation e foram para a pequena base de Aragarças. Foi o primeiro sequestro de avião do Brasil.

Lacerda insistia em reafirmar a Otávio Mangabeira e a todos nós - foram chegando outros colegas de partido: Rondon Pacheco, Milton Campos - sua absoluta falta de participação nesse movimento, feito com o objetivo de derrubar o Juscelino.

Mangabeira deu sua opinião, também contrária àquilo, dizendo que se tratava de uma loucura de jovens revoltados da Força Aérea, que ainda não haviam superado os resultados da chamada República do Galeão, na qual eles tinham feito o famoso inquérito sobre a morte do Major Vaz, que levara ao suicídio de Getúlio Vargas.

Ali foi tomada a decisão de que a UDN, por todos os meios, manifestaria sua contrariedade à chamada Revolta de Aragarças. Carlos Lacerda comprometeu-se a discursar, à tarde, na Câmara dos Deputados, dizendo de sua - bem como de todo o partido - condenação ao movimento e ao gesto tresloucado.

Foi um discurso difícil e notável!

Passada a agenda política, Carlos Lacerda perguntou ao Mangabeira por que ele não se mudava para um apartamento, argumentando que ficar ali no hotel seria bastante caro para ele, homem desprovido de posses, sendo muito mais barato morar em sua própria casa.

Mangabeira respondeu-lhe: 'Carlos, na minha idade, não sei mais quem paga meu hotel.'

Antônio Carlos Magalhães contava que um dia Mangabeira lhe perguntara pelo Luiz Viana. Ele, então, disse que o Luiz Viana se encontrava na Bahia, aonde fora para a comemoração de sessenta anos de um amigo.

Doutor Mangabeira respondeu-lhe: 'Quer dizer que Luiz Viana foi à Bahia só para um aniversário de sessenta anos de um fulano de tal?' E concluiu: 'É. Hoje qualquer vagabundo faz sessenta anos na Bahia!'

Otávio Mangabeira era governador da Bahia, e o jornal A Tarde começou a atacar alguns oficiais que teriam provocado uma desordem na zona de meretrício de Salvador. Esses oficiais invadiram e empastelaram o jornal, pelo desrespeito que tinha tido com a oficialidade da guarnição militar.

Simões Filho, que era uma grande figura da Bahia, ex-ministro da Educação e fundador de A Tarde, procurou Mangabeira: 'Governador, isso não pode acontecer no seu Governo: empastelaram o jornal, quebraram tudo e surraram uns jornalistas. Lembremo-nos de Rui Barbosa, que dizia: 'A imprensa constitui o pulmão da democracia.' O senhor tem que tomar providências imediatas, abrindo inquérito para punir os culpados.'

Mangabeira olhou para ele e respondeu: 'Ó Simões, Rui é o astral; a realidade é o Exército Nacional!' E deu por encerrada a conversa.

Antônio Carlos contava isso com muita graça, imitando, como ninguém, o falar entre as bochechas do velho Mangabeira.

Portal Metrópole Online, 09/04/2022

 

https://www.academia.org.br/artigos/otavio-mangabeira

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José Sarney - Sexto ocupante da Cadeira nº 38 da ABL, eleito em 17 de julho de 1980, na sucessão de José Américo de Almeida e recebido em 6 de novembro de 1980 pelo Acadêmico Josué Montello. Recebeu os Acadêmicos Marcos Vinicios Vilaça e Affonso Arinos de Mello Franco.

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quarta-feira, 13 de abril de 2022

ITABUNA CENTERNÁRIA UM SONETO: Guilherme de Almeida - Dor Oculta

 

Foto: Acervo/Prefeitura Municipal de Campinas SP

Dor Oculta

 

Quando uma nuvem nômade destila 

gotas, roçando a crista azul da serra,

umas brincam na relva; outras, tranquilas,

serenamente entranham-se na terra.

 

E a gente fala da gotinha que erra

de folha em folha e, trêmula, cintila,

mas nem se lembra da que o solo encerra,

da que ficou no coração da argila!

 

Quanta gente que zomba do desgosto

mudo, de angústia que não molha o rosto

e que não tomba, em gotas, pelo chão,

 

Havia de chorar , se adivinhasse

que há lágrimas que correm pela face

e outras que rolam pelo coração.

 

.......


GUILHERME DE ALMEIDA

Terceiro ocupante da Cadeira 15, eleito em 6 de março de 1930, na sucessão de Amadeu Amaral e recebido pelo Acadêmico Olegário Mariano em 21 de junho de 1930. Recebeu o Acadêmico Cassiano Ricardo

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segunda-feira, 11 de abril de 2022

EDITUS INAUGURA COLEÇÃO "O MENINO POETA" COM CINCO LIVROS DE CYRO DE MATTOS

 




Editus Inaugura Coleção

O Menino Poeta com Cinco

Livros de Cyro de Mattos

 

          A Editus, editora da Universidade Estadual de Santa Cruz, acaba de lançar cinco novos livros infantis do poeta Cyro de Mattos inaugurando a Coleção O Menino Poeta, na qual homenageia a escritora mineira Henriqueta Lisboa, autora de livro homônimo considerado como um clássico da literatura infantil brasileira. Os livros de Cyro de Mattos que inauguram a Coleção O Menino Poeta são estes: A Poesia É Um Mar, Venha Comigo Navegar; Existe Bicho Bobo?; Tiquinho de Ternura; Responda Certo, Se For Esperto; A Poesia de Calça Curta.


          O primeiro volume da Coleção reúne 17 poemas inspirados no mar, destinados ao público infantil, que contam a jornada de um marujinho poeta, que gosta de navegar por entre os mares verdes e azuis feitos de sustos e tesouros. 


          O segundo apresenta poemas cheios de graça e harmonia para questionar ao leitor se os bichos vivem à sua maneira, como algumas pessoas afirmam, e se eles são realmente espertos ou não. 


          O terceiro reúne 15 poemas que trazem a alegria e o riso misturado com a ternura para comover e envolver o leitor desde o primeiro verso. 


          O quarto apresenta perguntas em forma de charadas desafiadoras e divertidas, encontradas no folclore brasileiro e na sabedoria popular, tendo como assunto a natureza, os bichos, o amor, o riso, entre outros. 


          O quinto reúne 20 poemas com leveza, beleza e graça, para levar ao coração das crianças que são amantes de poesia pedaços da ternura da vida.


Membro da Academia de Letras da Bahia, Cyro de Mattos é autor de 60 livros de diversos gêneros. Com estes cinco livros da Coleção O Menino Poeta publicados pela Editus alcança a marca de vinte livros destinados ao público infantojuvenil.


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domingo, 10 de abril de 2022

“QUE UTILIDADE HÁ NO MEU SANGUE?”



Padre David Francisquini*

Todo homem deve lutar constantemente para sobreviver, mas não deve fazê-lo apenas no campo natural, ou seja, para prover às suas necessidades puramente materiais. Os evangelhos no-lo ensinam com as célebres palavras de Cristo: “Considerai os lírios, como crescem; não fiam, nem tecem. Contudo, digo-vos: nem Salomão em toda a sua glória jamais se vestiu como um deles. Se Deus, portanto, veste assim a erva que hoje está no campo e amanhã se lança ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé! Não vos inquieteis com o que haveis de comer ou beber; e não andeis com vãs preocupações. Porque os homens do mundo é que se preocupam com todas essas coisas. Mas vosso Pai bem sabe que precisais de tudo isso.” (Lc 12-27, 30).

A luta de Jesus Cristo Nosso Senhor se dá no campo puramente espiritual. Sua morte na cruz foi para nos franquear o reino dos céus e, através dos sacramentos da Santa Igreja, nos conceder forças no combate contra os principais inimigos da nossa salvação, que são o demônio, o mundo e a carne.

Portanto, ao contemplarmos a cruz erguida no Monte Calvário, devemos considerá-la como a chave que nos abriu as portas do Céu. Foi por isso que Cristo disse a Pilatos: “O meu reino não é deste mundo, se assim fosse os meus ministros fariam de tudo para eu não ser entregue aos judeus. Pois bem, meu reino não é daqui” (João 18, 36).

Indagou Pilatos: “Então tu és rei? — Sim, Eu sou rei, para isto nasci, para isto vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. E todo aquele que é da verdade, ouve a minha voz”. Com efeito, Jesus Cristo está na cruz como um rei, por isso havia dito: “Quando for elevado atrairei a mim todas as criaturas. Como Moisés elevou a serpente no deserto, assim o filho do Homem será elevado” (João 18, 37).

É na cruz que Cristo, humilhado, chagado, agonizante, começou a reinar sobre esta Terra, comparável a um grande campo devastado. Foi aqui que Ele edificou a sua Igreja, através da qual perpetuaria os benefícios da sua Redenção.


O saudoso Dr. Plinio Corrêa de Oliveira assim descreveu Nosso Senhor na cruz: “Vossa nudez é um manto real. Vossa coroa de espinhos é um diadema sem preço. Vossas chagas são vossa púrpura. Ó Cristo Rei, como é verdadeiro considerar-vos na cruz como um rei. Mas como é certo que nenhum símbolo exprime a intensidade dessa realeza quanto a realidade histórica de vossa nudez, de vossa miséria, de vossa aparente derrota!”

Por sua vez, Santo Afonso afirma: “Não vejo outro trono a não ser esse lenho de opróbrios; não vejo outra púrpura a não ser vossa carne ensanguentada e dilacerada; não vejo outra coroa além desse feixe de espinhos que tanto vos atormenta. Ah, sim, tudo vos proclama rei não de honra, mas de amor; essa cruz, esse sangue, esses cravos e essa coroa são incontestavelmente insígnias de amor.”

E prossegue: “Assim Jesus na sua cruz não procura tanto a nossa compaixão quanto o nosso afeto. E, se pede compaixão, pede-a unicamente para que ela nos induza a amá-Lo. Ele merece já por sua bondade todo o nosso amor, mas agora procura ser amado ao menos por compaixão.”

Esta última consideração, de caráter metafísico, deve nortear o homem em todos os momentos de sua existência, na qual se digladiam o bem e o mal, a verdade e o erro.

A alma fiel, ainda que em torno dela grassem apenas tragédia e desolação, destaca-se pelo bom ânimo, inspirado na fé e na promessa do glorioso e incontestável triunfo final da Santa Igreja. Esta é uma promessa, uma garantia d’Aquele mesmo que A instituiu e declarou que as portas do inferno não prevalecerão contra Ela. É a inabalável certeza, da qual deve se impregnar a alma católica em todos os dias de sua vida, não importando se aziagos ou felizes.

Estas reflexões têm maior efeito nesta altura do ano litúrgico, quando a Igreja de Cristo se reveste das solenidades da Paixão para recordar o episódio doloroso em que nosso Divino Salvador verteu até a última gota de seu Preciosíssimo Sangue a fim de romper os grilhões da escravidão do demônio, remir os nossos pecados e nos abrir o caminho da salvação.

Meu Jesus, contemplando-Vos, pendente na cruz, com os braços estendidos, com os vossos olhos abarcando a Terra inteira, não podemos ver outra coisa senão um verdadeiro Rei que estende o seu reino sobre este mundo. Desse trono divinal, ensanguentado, coberto de dores e de opróbrios, abri a porta do Céu, redimi o gênero humano e conquistai os corações que Vos contemplam na cruz, manifestando o vosso infinito amor.

Arrancai das trevas densas os corações! Desbaratai a impiedade, a dureza dos corações! Purificai as mentes e a vida transviada de tantas almas! Reinai com o vosso Preciosíssimo Sangue e a vossa Cruz! Se os carrascos repartiram as vossas vestes, lançando sorte sobre a vossa túnica, ó meu Jesus, reparti em nossas almas a vossa divina graça e despojai dos nossos corações todo afeto mundano e pecaminoso.

Reinai no mundo e em nossos corações, ó preciosas chagas de Jesus crucificado, nosso consolo e nossa vida!

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*Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ).

https://www.abim.inf.br/que-utilidade-ha-no-meu-sangue-2/

 

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sexta-feira, 8 de abril de 2022

A BELEZA – Gibran Khalil Gibran


A Beleza

 

            E um poeta disse: “Fala-nos da Beleza”.

            E ele respondeu:

            “Onde procurareis a beleza e como a podereis encontrar a menos que ela mesma seja vosso caminho e vosso guia?

            E como podereis falar a menos que ela mesma teça vossas palavras?

 

            Os aflitos e os feridos dizem: A beleza é amável e suave.

            Como uma jovem mãe,  meio encabulada na sua glória, ela caminha entre nós.

            Os apaixonados dizem: Não, a beleza é uma força poderosa e temível.

            Como a tempestade, ela sacode a terra abaixo e o céu acima.

            Os cansados e os gastos dizem: A beleza é um murmúrio suave. Fala em nosso espírito.

            Sua voz cede aos nossos silêncios como uma luz tênue que treme por medo da sombra.

            Mas os turbulentos dizem: nós a ouvimos gritar entre as montanhas.

           E com seus gritos chegavam o tropel de cavalos, o bater de asas e o rugir de leões.

           À noite, os guardas da cidade dizem: A beleza despontará do Oriente, com a aurora.

            E, ao meio-dia, os trabalhadores e os transeuntes dizem: Nós a temos visto inclinada sobre a terra, das janelas do poente.

            No inverno, os prisioneiros  da neve dizem: Ela virá com a primavera, pulando sobre as colinas.

            E no calor do verão, os ceifeiros dizem: Nós a vimos dançar com as folhas do outono, e havia neve no seu cabelo.

 

            Todas as coisas, vós dissestes da beleza.

            Porém, na verdade, não falastes dela, mas de desejos insatisfeitos.

            E a beleza não é um desejo, mas um êxtase.

            Não é uma boca sequiosa, nem uma mão vazia que se estende.

            Mas, antes, um coração inflamado e uma alma encantada.

            Ela não é a imagem que desejais ver, nem a canção que desejais ouvir.

            Mas, antes, a imagem que contemplais com os olhos velados, e a canção que ouvis com os ouvidos tapados.

            Não é a seiva por baixo da cortiça enrugada, nem uma asa atada a uma guarra,

            Mas, sim, um pomar sempre em flor, e uma multidão de anjos em voo.

           

            Povo de Orphalese, a beleza é a vida quando a vida desvela seu rosto sagrado.

            Mas vós sois a vida, e vós sois o véu.

            A beleza é a eternidade olhando para si própria num espelho.

            Mas vós sois a eternidade, e vós sois o espelho.”

 

(O PROFETA)

Gibran Khalil Gibran



Gibran Khalil Gibran - Poeta libanês, viveu na França e nos EUA. Também foi um aclamado pintor. Seus textos apresentam a beleza da alma humana e da Natureza, num estilo belo, místico, conseguindo com simplicidade explicar os segredos da vida, da alegria, da justiça, do amor, da verdade.

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UMA LÁGRIMA E UM SORRISO

 

          Gibran escreveu livros mais importantes do que este, mas nenhum que contenha tanta ternura e tanta inspiração.

          Uma Lágrima e um Sorriso é o primeiro livro escrito por Gibran. Ele era ainda jovem. Seu gênio não tinha sido disciplinado pela arte e a maturidade. Voava livremente nos espaços ilimitados. Entregava-se sem reserva aos seus ímpetos de compaixão e idealismo. Falava ao vento, às flores, às ondas como se falasse a amigos humanos, e registrava suas impressões com todo o transbordamento emocional e verbal do romantismo.

          O resultado é este livro fascinante, que ressuscita em nós sonhos mais longínquos e nos faz reviver as deliciosas ilusões de nossos 15 anos, quando transformar o mundo pelo entusiasmo nos parecia ao alcance da mão, e quando uma palavra de amor nos abria o paraíso.

          Ler este livro é como nos reencontrar com nosso Eu mais jovem, um Eu esquecido e enterrado por baixo das decepções e amarguras da vida, e que o idealismo de Gibran e seu estilo colorido e inspirado conseguem trazer à vida, para nossa surpresa e nossa delícia.

 MANSOUR CHALLITA