Arte Poética
Jorge Luis Borges
Ligue o Vídeo Abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=1mXFOSBS0qs
(ele mesmo declama seu poema neste vídeo)
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Arte Poética
Jorge Luis Borges
Ligue o Vídeo Abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=1mXFOSBS0qs
(ele mesmo declama seu poema neste vídeo)
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Um mundo tão
solitário, desconectado da realidade e da natureza das coisas, pode alimentar
as paixões desenfreadas que odeiam toda restrição moral. Um espaço como este
pode rapidamente se transformar de Alice no País das Maravilhas em um asilo de
loucos.
John Horvat II
(LifeSiteNews) – O próximo passo na revolução cibernética é
o chamado metaverso, uma plataforma de computação poderosa que vai
além de qualquer coisa conhecida. Está sendo comercializada como sendo a
próxima geração da Internet, facilitando intensas experiências individuais e
abrindo novos mercados. Alguns temem que o metaverso agrave os
vícios que se veem atualmente nas redes sociais. Outros o veem como uma
distração altamente prejudicial, especialmente entre os jovens.
No entanto, ninguém considera as implicações morais do
projeto. O metaverso prejudicará as almas. Tragicamente, as
pessoas não veem razão para envolver Deus e a moralidade em uma invenção
tecnológica aparentemente fora do domínio privado da religião. Pior ainda, o
clero não dá sinais de reconhecer o problema. Não está nem mesmo em seu radar.
Porém, o problema está aí. O metaverso é um
ataque metafísico à cosmovisão da Igreja. Ele oblitera a natureza de um
universo criado por Deus e tornará possíveis atos imorais que ofenderão
gravemente o Criador.
Um processo de imaginação e destruição
O metaverso deve ser entendido no contexto de um processo de esforço contínuo da modernidade para colocar a humanidade, e não Deus, no centro de todas as coisas.
Na verdade, é uma obsessão da modernidade imaginar novos
mundos sem Deus. O Iluminismo introduziu maneiras de levar a realidade ao
limite, desenvolvendo novas tecnologias, filosofias e estilos de vida.
Os tempos modernos deram início à glorificação do indivíduo.
A sociedade se tornou uma coleção de pessoas, uma “pilha de areia de
indivíduos”, segundo Hobbes, cada qual guiado pelo seu próprio interesse e
mantido em ordem por um forte estado de direito encontrado em seu Leviatã.
Assim, o individualismo moderno tendeu a destruir as
estruturas externas – tradição, costume ou comunidade – que incomodavam o
interesse próprio. Destruiu muitos mecanismos morais que facilitavam a prática
da virtude em comum. Criou uma ordem acelerada em que o homem se tornou o
centro de tudo e a religião foi relegada a um assunto privado.
A pós-modernidade destrói a sociedade
A ordem da modernidade foi destruída pela pós-modernidade da década de 1960, que propôs liberar a imaginação e remover todas as restrições morais. O pós-modernismo levou o individualismo ao extremo por meio do uso de novas tecnologias, filosofias e estilos de vida. A sociedade virou de cabeça para baixo com as drogas psicodélicas, a música rock e a revolução sexual.
Pela mesma lógica em que a modernidade idolatrava o
interesse próprio, o individualista pós-moderno torna o “direito” à
autogratificação o único direito absoluto – mesmo quando tal comportamento é
autodestrutivo. O individualista pós-moderno busca destruir aquelas estruturas
internas – a lógica, a identidade ou a unidade – que impedem a gratificação
instantânea. As narrativas “desconstruídas” da pós-modernidade isolaram os
indivíduos ainda mais e os levaram a criar suas próprias realidades fora de
Deus e de Sua moralidade.
No entanto, a modernidade e a pós-modernidade ainda estavam
ancoradas de alguma forma em uma realidade externa da qual as pessoas não
podiam escapar totalmente. Havia limitações físicas e ontológicas que mantinham
a imaginação sob controle. Um homem poderia identificar-se como algo que ele
não era, mas aquele desejo não alterava a realidade. Além do mais, seus sonhos
não se tornavam óbvios para todos ao seu redor.
Entrando em uma nova fase de percepção da realidade
A introdução do metaverso está alterando essa
dificuldade de mudar a realidade. Ela faz parte do que muitos futuristas chamam
de Quarta Revolução Industrial.
Seguindo a trilha da modernidade e da pós-modernidade, o
próximo passo no processo é a autoimaginação fora da realidade. Os obstáculos
que se interpõem a isso são a maneira atual de perceber a natureza, a
existência e o ser.
A próxima onda de inovação e tecnologia permitirá aos
indivíduos mergulhar em um mundo de sua própria criação. As pessoas
tornar-se-ão avatares, ou seja, ciberrepresentações de homens, mulheres,
animais ou coisas que “vivem” na ciberesfera. Serão capazes de estar onde
quiserem – seja na lua, no topo de edifícios ou “em um campo de unicórnios”.
Esta plataforma pode ser habitada por extraterrestres, anjos, demônios ou
qualquer coisa que siga as fantasias envolvidas.
As pessoas farão coisas sobre-humanas em que seus atos
aparentemente não terão consequências. Embora isso não vá mudar o que existe,
cria a poderosa mentira de que a imaginação de uma pessoa é mais real do que a
realidade.
Essa enorme plataforma virtual é muito mais do que uma
extensão da Internet, que permite às pessoas acessar a rede mundial de
computadores. Esta fase irá “incorporar a Internet, colocando as pessoas bem no
meio dela”. Neste novo mundo, reina a imaginação.
Não se trata de ficção científica
Este projeto não é ficção científica. Ele é discutido em veículos da mídia do establishment, tal como The Wall Street Journal. Todas as empresas de mídia social estão colocando suas peças no lugar. Mark Zuckerberg acaba de mudar o nome de Facebook para Meta. Para construir este novo mundo, ele investirá US $ 10 bilhões e contratará 10.000 novos funcionários.
“O metaverso será a maior revolução em plataformas de
computação que o mundo já viu – maior do que a revolução da mobilidade, maior
do que a revolução da web”, disse Marc Whitten, da Unity Software, em
artigo de fundo do Wall Street Journal.
Ele propõe um universo paralelo tridimensional de realidade
virtual e aumentada, em que avatares digitais se reunirão em números
ilimitados. As pessoas serão equipadas com óculos especiais e até mesmo
equipamentos táteis avançados que lhes permitirão sentir e tocar coisas remotas
em tempo real. Elas poderão misturar o mundo real com o imaginário.
Daren Tsui, executivo-chefe da Together Labs Inc.,
declara: “A experiência do avatar parecerá tão real que você dificilmente
conseguirá distinguir entre uma reunião virtual e uma reunião física. E a
experiência virtual será melhor.”
Criando um mundo de ilusão sem consequências
Existem três problemas principais com o metaverso.
O primeiro é que encoraja as pessoas a se desligarem da
realidade, criando um mundo delirante, sem consequências ou significado. As
pessoas são livres para desafiar a natureza fazendo coisas impossíveis, como
caminhar na lua ou assistir a um jogo de beisebol da posição do arremessador.
As coisas mais absurdas se tornam possíveis dentro de um mundo imaginário
desvinculado da realidade.
As pessoas não estarão mais presas ao tempo e poderão viajar
no que imaginam ser passado ou futuro. Até a morte é superada com avatares e
algoritmos que conspiram para trazer de volta pessoas que aparentam ser parentes
falecidos ou figuras históricas com as quais se poderá conversar e interagir.
As pessoas serão livres para fazer coisas a outros (que
podem ou não existir), e até mesmo cortar seus braços sem consequências.
No metaverso, toda fantasia, mesmo a mais macabra, poderá se tornar
realidade. Assim, ele abrirá espaços obscuros e sinistros que facilitarão atos
pecaminosos ou suas simulações.
Um mundo tão solitário, desconectado da realidade e da
natureza das coisas, poderá alimentar paixões desenfreadas que odeiam toda
restrição moral. Tal espaço poderá se transformar rapidamente de Alice no País
das Maravilhas em um asilo de loucos. A intemperança frenética da Internet e
das mídias sociais atuais já está causando problemas psicológicos e sociais.
Quão mais exponencial será a capacidade do metaverso de afogar
as pessoas em frenesis e depressões?
Destruição da identidade
A segunda razão para nos preocuparmos com o metaverso é o fato de igualar identidade com escolha. O paradigma pós-moderno já permite que uma pessoa se identifique como outra coisa. No entanto, essa identificação existe apenas na mente da pessoa iludida. O público, de modo geral, consegue perceber a ilusão.
No entanto, o metaverso muda essa
percepção. A pessoa se torna o modelo perfeito daquilo que deseja e não pode
ser. Ela não precisa ser uma pessoa, mas pode ser um animal, planta ou coisa.
Neste mundo de fantasia, a pessoa não precisa ser um único ser, mas pode ser
uma cacofonia de seres sem unidade.
O metaverso torna possível esta mentira de
identificar o próprio ser com a liberdade. O filósofo existencialista Jean-Paul
Sartre escreveu que “o homem é liberdade”, o que torna as pessoas
essencialmente ilimitadas. Sartre disse, em seu livro O Ser e o Nada: “A
liberdade nada mais é do que uma escolha que cria para si suas próprias
possibilidades”.
O metaverso é a realização dessa ideia
distorcida de liberdade que se revolta contra as limitações contingentes da
natureza humana. Ele busca transformar os indivíduos nos deuses de suas
fantasias.
Demolição da metafísica
Porém, o aspecto mais perigoso do metaverso é a
demolição da visão metafísica da vida, que conduz a alma ao Criador.
Todo mundo, inclusive as crianças, se envolvem com a
metafísica. A natureza humana, especialmente a alma, exige uma compreensão
racional de si mesma e do universo. Assim, uma definição clássica diz que a
metafísica é uma investigação filosófica dos princípios e causas finais. Ao se
engajar na metafísica, os indivíduos buscam a natureza das coisas que existem e
as encaixam em uma visão coerente.
Uma verdadeira visão das coisas torna dolorosamente clara a
natureza finita e contingente de cada ser humano. No entanto, ao compreender os
desígnios da Criação, as pessoas veem que o objetivo da existência transcende
as limitações físicas e sociais. Elas procuram seguir este caminho refletido
pela natureza rumo ao Criador. Esse processo confere significado e propósito à
vida, à medida que as almas se esforçam para atingir seu objetivo final, que se
encontra em Deus.
A revolução transumana
As filosofias que informam o metaverso são contrárias a essa visão metafísica clássica. Não há tentativa de compreender a natureza das coisas, mas apenas a experiência ilimitada de eventos aleatórios. Essa noção “transumana” do mundo entende a humanidade como um processo em constante evolução. Klaus Schwab, o engenheiro do Great Reset, descreve esta próxima fase como a “fusão dos mundos digital, biológico e físico”.
A ideia do metaverso é coerente com a visão de
Yuval Noah Harari, autor best-seller do New York Times que escreve
frequentemente sobre esses assuntos. Ele vislumbra abertamente um futuro sem
alma, livre arbítrio, e um ‘eu’ unificado ou Deus. O seu é um mundo algorítmico
de experiências aleatórias onde a pessoa é o que quer que venha a ser. Ele afirma
que não existem religiões, mas apenas ficções poderosas como o metaverso, onde
as pessoas “criarão mundos virtuais inteiros, completos com infernos e
céus”.
Harari não está sozinho em acreditar neste futuro
assustador. Ele fala por toda uma ala progressista de cientistas, empresários e
acadêmicos do Big Data e do Vale do Silício, todos empenhados na tarefa de
mudar a natureza e a realidade humana por meio de artifícios como o metaverso.
Eles não fazem segredo de sua rejeição da Criação de Deus e da ordem moral.
Rejeitar o metaverso: uma necessidade
Em face do metaverso que se aproxima, essas
preocupações são urgentes. Nem todas as suas aplicações conterão uma dose
completa de tais planos destrutivos para a humanidade. No entanto, sua direção
geral já leva a um admirável mundo novo sem Deus. Tais conclusões não vêm de
teorias conspiratórias, mas dos próprios promotores do metaverso, que as
revelam abertamente.
Assim, o metaverso deve ser rejeitado porque sua
cosmovisão é contrária à da Igreja. É aflitivo que algo tão grande possa
aparecer no horizonte e os pastores das almas tenham tão pouco a dizer sobre o
assunto. Na sociedade atual sem Deus, a apostasia da prática da Fé é causada
muito mais por tais invenções tecnológicas do que por disputas teológicas
abstratas.
Igualmente aflitivo é o fato de as pessoas não desejarem ver
aonde tudo isso vai levar. A história mostra que, quando a gente dá rédea solta
às paixões, acaba no desespero niilista. A experiência esmagadoramente
intemperante do prazer do metaverso acabará exigindo as sensações
ainda mais intensas da dor existencialista. Assim, o processo de decadência da
modernidade seguirá seu curso completo: do autointeresse à autogratificação, à
autoimaginação e à autoaniquilação.
Na verdade, um mundo dominado por delírios, pelo absurdo e
pela negação do ser, em que o significado (da vida humana) e seu fim são
obliterados e governados por uma bizarra fantasia, deve mudar de nome. Os
visionários laicos do metaverso estão projetando na Terra, isto sim,
um inferno virtual.
https://www.abim.inf.br/como-o-metaverso-criara-um-inferno-virtual-na-terra/
* * *
1º Domingo do Advento – 28/11/2021
Anúncio do Evangelho (Lc 21,25-28.34-36)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós!
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Lucas.
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
“Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as
nações ficarão angustiadas, com pavor do barulho do mar e das ondas. Os
homens vão desmaiar de medo, só em pensar no que vai acontecer ao mundo, porque
as forças do céu serão abaladas.
Então eles verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem com
grande poder e glória. Quando estas coisas começarem a acontecer,
levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima.
Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem
insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse
dia não caia de repente sobre vós; pois esse dia cairá como uma armadilha
sobre todos os habitantes de toda a terra.
Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de
terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé
diante do Filho do Homem”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
http://liturgia.cancaonova.com/pb/
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Ligue o vídeo abaixo, e acompanhe a reflexão do Padre
Roger Araújo:
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ADVENTO: somos poetas do futuro
imagem: pexels.com
“…levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima” (Lc 21,28)
Iniciamos um novo ano litúrgico. É Advento. Quando
começamos algo novo, o empreendemos com esperança e ativamos nossa melhor
disposição. O Advento nos convida a começar de novo, a nos renovar; ele nos
oferece uma nova oportunidade para romper inércias, deixar para trás o que é
caduco e explorar algo novo em nossas existências.
O Advento nos recorda sempre que as coisas mais importantes
da vida requerem espera, vigilância, assombro, acolhida e que a obscuridade e a
luz convivem sempre no coração da história e em nosso próprio coração. Ou seja,
que tudo está misturado e que o Deus que vem, se embarra, se faz carne em nossa
carne, com nossas grandezas e misérias, as nossas e as de nosso mundo; é nessa
encarnação que se fundamenta nossa esperança.
Advento fala de esperança-confiança em
Alguém que está por chegar e que nós podemos facilitar sua chegada. Esta
esperança é como a impressão, os rastos, o desejo ardente que Deus colocou em
nosso coração. Deus sonhou o ser humano, e o ser humano anseia por Deus. Nossa
história pede um novo sentido a partir desta fé-esperança-confiança. A fé
confia em Deus. A esperança confia a Deus.
No Evangelho deste domingo Jesus se esforça por sacudir as
consciências de seus seguidores e seguidoras: “tomai cuidado para que o
coração não fique insensível; não vos deixeis arrastar pela frivolidade e pelos
excessos; mantei viva a indignação; estai sempre despertos; vivei com lucidez e
responsabilidade; não vos canseis; mantei sempre acesa a atenção...”
Lucas enumera algumas atitudes que afogam a possibilidade de
entrar em sintonia com o Deus que continuamente vem ao nosso encontro: viver o
cristianismo acomodado aos critérios do mundo sem nos dar conta, ou seja,
insensibilidade do coração; deixar-nos prender pelas garras do consumismo,
concretizado nos atos desordenados de comer e beber; as preocupações que
esvaziam a vida e nos deslocam do essencial.
Na literatura apocalíptica, os “sinais” que são nomeados no
texto do evangelho – movimentos no sol, na lua e nas estrelas, o estrondo do
mar e as ondas, a angústia das pessoas, presas do medo e da ansiedade – falam
do final do “mundo velho” e do surgimento de um “mundo novo”. Tudo isso pode
ser comparado às dores de parto, que anunciam o nascimento de uma nova vida.
Nessa situação difícil, surge a tentação de buscar
compensações – “vício, bebida, preocupações da vida” – capazes
de nos distrair e inclusive de nos fazer cair em estado de letargia durante um
tempo. Mas, todas essas compensações têm em comum que nos fazem adormecer e,
desse modo, abortam a novidade que poderia brotar em nós.
Frente a essa armadilha, – nós humanos tendemos a fugir de
tudo aquilo que nos assusta ou simplesmente nos desloca -, a leitura evangélica
proposta neste início do ano litúrgico é um chamado a despertar. Sabemos
do perigo de viver distraídos, dispersos, perdidos nos afazeres cotidianos.
O “despertar” requer atenção, consciência,
presença..., e é o contrário da rotina, distração, perturbação, confusão...
Trata-se de atitudes contrapostas que remetem a dois estados de consciência: o
estado mental, no qual terminamos perturbados, e o estado de presença, que se
sustenta na atenção e traz consigo lucidez e liberdade interior.
É preciso ter os olhos abertos para além das preocupações
cotidianas para entrar em sintonia com a presença d’Aquel que vem sempre ao
nosso encontro. O maior inimigo de nossa existência é a dispersão, ou seja,
investir afetivamente nas atividades cotidianas mais imediatas e esvaziar o
horizonte de sentido de nossa vida. Para dar lugar Àquele que vem sempre é
preciso alargar espaço em nossas vidas, expandir o coração.
À luz do texto lucano, podemos dizer que, em nós existem a
angústia, o medo e o espanto, não causados pelos “sinais no sol, na lua
e nas estrelas”. Pelo contrário, nossas preocupações e angústias são
causadas pelas crises econômicas, pelos conflitos sociais, pelo abuso de poder,
pela falta e pão e trabalho, pela cultura do ódio e da indiferença..., e de tantas
estruturas injustas, que só poderão ser removidas pela passagem-presença do
amor de Deus e sua justiça no coração de todos nós.
Respiremos. “Maranathá!” (Vem, Senhor
Jesus!”). Sabemos que a arma mais destrutiva, sofisticada e letal no mundo que
vivemos é o medo – “os homens vão desmaiar de medo -;
essa força que nos paralisa pouco a pouco. Em primeiro lugar, aceitando as
pequenas injustiças, sendo conivente e insensível diante do ódio e das
intolerâncias; em segundo lugar, nossa insensibilidade diante das injustiças
que massacram os mais fracos e não tocam nosso bem-estar.
Quando o nível de injustiças vai subindo, é sinal de que
estamos nos acostumando com elas: elas vão nos “aclimatando”, nos domesticando
e nos insensibilizando. Nesse fluxo da injustiça, vamos nos esquecendo que a
dignidade humana é coisa séria e que é preciso defendê-la a todo custo.
É urgente não nos deixar determinar pela armadilha do medo;
e, para isso, somos convidados a nos adentrar no tempo do Advento que
nos fala dos contrastes tão fortes que o ser humano vive em todos os tempos: a
violência e a confiança, o medo e a esperança, a fé inquebrantável e a dúvida
angustiante....
Nestes tempos de obscuridade e sofrimento, somos desafiados
e continuar crendo nos recursos e nas ricas possibilidades que a humanidade
carrega em seu interior; para isso devemos “estar vigilantes, orando a
todo momento” (Lc 21,36). Vigilantes, mas sem medo.
É preciso cuidar para que se renove a esperança e a fé na
vida. É preciso manter acesa a certeza de que a comunidade global chegará a
viver na Paz, que emergirá indestrutível a partir do mais profundo de nossa
consciência, para estendermos os braços uns aos outros com olhar cristalino e
sentimentos divinizados.
O Advento desperta em nós o carisma de
sermos “poetas do futuro”, embelezando tudo o que vemos
e fazemos, revelando uma Presença que dinamiza tudo, inclusive no mais
doloroso.
Deus, com sua vinda permanente ao mundo, marcou um caminho
de esperança para os descartados da sociedade. O Advento é tempo de espera (do
verbo “esperançar”), tempo para recordar que ninguém fica fora da foto, que
todos somos protagonistas e convidados a sair das sombras que nos rodeiam.
Nossa esperança é saber que Deus “olhou a humildade
de seus servos e servas”, e nos instiga a levantar o nosso olhar para
ver os rostos daqueles que arrastam suas vidas na sombra da exclusão e da dor.
O Advento é tempo de assombro e de renovação, mas
pede de nós situar-nos frente à realidade não como algo já conhecido, mas como
permanentes aprendizes.
Assombro diante do mistério e da gratuidade do Deus de Jesus
que quer fazer tudo novo; assombro diante do milagre do amor e da entrega e seu
empenho, no coração humano e na história, de renovar tudo, até que toda a
realidade e a criação sejam uma contínua “ação de graças”, até que surjam o
novo céu e a nova terra onde não haverá mais pranto, nem primeiros e nem
últimos.
Texto bíblico: Lc 21,25-28.34-36
Na oração: A vida cristã é uma vida de
espera, traço característico do ser humano, pois se trata de uma
espera carregada de esperança.
No supermercado da vida há muitas ofertas que pretendem
preencher o vazio da espera, mas não tem consistência, não nos saciam, não nos
preenchem, e não nos apontam para um horizonte de sentido.
Esperar é uma forma de viver, um hábito de vida. Nós somos o
que esperamos.
Existem esperas doentias, que provocam ansiedade, medo e nos
paralisam; esperas centradas em nós mesmos.
- O que espero? Se não sei o que espero, a vida perde o
sentido; quem não espera, não busca, não amadurece.
- O que vislumbro no meu horizonte pessoal, profissional,
social, eclesial...?
* * *
Foto: José Roberto Dias Tavares
Medalha Milagrosa de Nossa Senhora das Graças — cuja
festividade celebra-se no dia 27 de novembro — é imagem-símbolo da luta e da
vitória contra o poder das trevas
Plinio Corrêa de Oliveira
Gosto muito dessa imagem de Nossa Senhora das Graças. Aos
pés d’Ela uma serpente, símbolo do demônio, tem sua cabeça esmagada pelos pés
celestiais. Ela, pisando naquela imunda serpente, não se suja — o que é símbolo
da Imaculada Conceição.
Mas é também símbolo da derrota do demônio pelos devotos da
pureza de Nossa Senhora, daqueles que reagem contra a ação do demônio, daqueles
que não permitem a menor influência diabólica em suas almas.
O demônio é esmagado e inutilizado sob os pés da Virgem das
virgens — outro símbolo da luta e da vitória da Igreja contra o poder das
trevas.
Inspirados pelo amor ardente e puríssimo a Nossa Senhora e,
por meio d’Ela, a Nosso Senhor Jesus Cristo, calcamos o demônio como nesta
imagem de Nossa Senhora das Graças, que esmaga o demônio e olha para seus fiéis
com uma doçura sem par. E, enquanto olha para seus filhos, Ela esmaga a hidra
infernal. É a imagem-símbolo da luta dos filhos de Maria Santíssima vencendo o
demônio.
Quantas vezes, lendo episódios históricos, se tem a
impressão de que há um quebranto que torna impossível a resistência aos ataques
da Revolução gnóstica e igualitária. Isso porque não se conhece o poder
daqueles que lutam pela Santíssima Virgem, não se conhece o poder da oração e o
quanto a oração pode flagelar, exorcizar e enxotar os demônios.
____________
Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio
Corrêa de Oliveira em 11 de março de 1995. Esta transcrição não passou pela
revisão do autor.
https://www.abim.inf.br/nossa-senhora-das-gracas/
* * *
Autor de 80 livros, Cyro de Mattos é ficcionista, poeta, ensaísta, cronista e autor de literatura infantojuvenil. Editado em Portugal, Itália, França, Espanha, Alemanha e Estados Unidos, o escritor baiano doou 738 exemplares, de diversos gêneros da sua obra, à Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBa). Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia, Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Pen Clube do Brasil e primeiro Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz, Cyro de Mattos conversou com o #FPCEntrevista para falar sobre a importância da leitura em todo o estado.
Foto: GETEC/FPC
#FPCEntrevista - Qual a importância desta doação à
Fundação Pedro Calmon?
O livro é escrito para ser lido, quando então ele se
completa em cumplicidade com o leitor, que se descobre nele com o mundo. Há o
caso do genial Kafka, que confiou seus manuscritos ao amigo Max Brod, pedindo
para que fossem queimados após sua morte. Ainda bem que seu amigo não seguiu o
desejo do genial cronista do absurdo. Com a fabulosa obra do autor checo
publicada, a humanidade tomou conhecimento de um legado extraordinário, que
expressa a fixação do mal no herói em crise, em estado de agonia permanente,
sem saída no ilógico da vida. No meu caso, longe da genialidade de Kafka, a
doação que faço de exemplares de minha obra é para que ela tenha chance de ser
mais conhecida e ao mesmo tempo contemple aos leitores que não têm poder
aquisitivo para comprar um livro de literatura, de prosa, poesia e ensaio.
#FPCEntrevista -
Qual o impacto se espera em ter sua obra distribuída em todo o Estado?
Sobre o livro, o Padre Antônio Vieira disse que se trata de um morto, mas que fala, escuta e vê. Mora na biblioteca pública ou privada. Na pública terá a chance de cumprir sua função de forma abrangente, já que nessa morada tradicional será mais lido, estudado e investigado. Daí, achei oportuno fazer a doação desses exemplares à Fundação Pedro Calmon. Eu ganhei esses livros agora doados como pagamento de meus direitos autorais de editoras pequenas, que publicam com pequenas tiragens, como a Mondrongo e Via Litterarum, em Itabuna, a LGE em Brasília, a Penalux em São Paulo, e de outras sem finalidades lucrativas, como a EDITUS, Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz, e a EDUEM, Editora da Universidade Estadual de Maringá, no Paraná. Esses livros doados estavam estagnados, encaixotados. Eles irão agora para os espaços de leitura do Estado para que cumpram a função necessária para a qual foram destinados: a leitura. A sua distribuição pela Fundação Pedro Calmon em todo o Estado é para mim uma contribuição valiosa à expansão do conhecimento de minha obra, uma vez que como autor baiano poderei ser mais lido nos espaços de cultura da nossa Bahia. E ao mesmo tempo o leitor sem poder aquisitivo passa a ter um caminho oportuno para chegar até o livro. É uma oportunidade que ele vai ter para satisfazer seu desejo de conhecer o autor e sua obra. Assim todos ganham, o autor, o público leitor e a Fundação Pedro Calmon.
Cyro de Mattos doa mais de 700 exemplares de sua obra à Fundação Pedro Calmon - Fundação Pedro Calmon - Fundação Pedro Calmon - Governo da Bahia (fpc.ba.gov.br)
À Espera dos Bárbaros
Konstantinos Kaváfis
O que esperamos na
ágora reunidos?
É que os bárbaros
chegam hoje.
(Konstantinos Kaváfis)
(Do livro Poesia Moderna da Grécia – Seleção, tradução direta do grego,
prefácio, textos críticos e notas de José Paulo Paes – Editora Guanabara, Rio
de Janeiro, 1986.)
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